O homem e o seu irmão
Nem o homem nem o seu irmão são de grandes falas.
Mas é ridículo trocarem mensagens pelo MSN quando estão em compartimentos contíguos da mesma casa.
22/08/2003
21/08/2003
Homenagem (o seu a seu dono)
Anos depois de ter pela primeira vez utilizado este nome, descobri que afinal existiu, pelo menos um homem assim chamado.
A não ser gralha, GASOLIM C WALKER terá nascido em 1848 ou 1849 no estado do Illinois (EUA) e aí vivia, em Mount Vernon, em 1870, trabalhando talvez como empregado de um tal Robert W Waterman num armazém de secos.
http://www.rootsweb.com/~iljeffer/70census/70pg84.htm
Anos depois de ter pela primeira vez utilizado este nome, descobri que afinal existiu, pelo menos um homem assim chamado.
A não ser gralha, GASOLIM C WALKER terá nascido em 1848 ou 1849 no estado do Illinois (EUA) e aí vivia, em Mount Vernon, em 1870, trabalhando talvez como empregado de um tal Robert W Waterman num armazém de secos.
http://www.rootsweb.com/~iljeffer/70census/70pg84.htm
20/08/2003
Estatutos
O estatuto aqui é mais ou menos este (a ordem dos artigos é completamente arbitrária):
Não recomendar restaurantes, praias ou blogues.
Não comentar a actualidade.
Não criticar nem sublimar (nos diversos sentidos) os outros.
Em suma, um rol de negações.
Lembrar-me-ei de outros no futuro e tentarei cumprir estes.
O estatuto aqui é mais ou menos este (a ordem dos artigos é completamente arbitrária):
Não recomendar restaurantes, praias ou blogues.
Não comentar a actualidade.
Não criticar nem sublimar (nos diversos sentidos) os outros.
Em suma, um rol de negações.
Lembrar-me-ei de outros no futuro e tentarei cumprir estes.
18/08/2003
Mundo desportivo
Uma história real
O homem chegara para dirigir uma agência americana em Lisboa.
Entrara acompanhado dos directores cessantes e trocara cumprimentos com o staff.
Tudo em inglês, como era hábito na casa. O homem que viera substituir não soubera ou não quisera aprender português.
Passou o resto do dia em reunião.
O jovem funcionário foi chamado e entrou no gabinete da direcção.
Falou em inglês, como de costume.
Foi brindado com um sorriso e surpreendido com uma frase gentil no mais correcto português, sem o vislumbre de um sotaque.
E percebeu que o português seria a língua de trabalho enquanto não estivesse alguém presente que o não dominasse.
Os dias passaram e o funcionário percebeu também que o homem era culto, muito culto.
E ainda assim, intrigava-o o facto de o seu português ser tão correcto, sendo ele americano.
O jovem funcionário foi de novo chamado e entrou no gabinete da direcção.
E de novo se surpreendeu.
O homem estava a ler um jornal desportivo português (de grande formato).
O homem disse ao jovem funcionário que se sentasse.
O homem começou, emocionado, por perguntar: “Sabe o que mais aprecio nestes jornais, desde o primeiro que li há uns quarenta anos atrás?”
“Não, não sei” – o funcionário não lia jornais desportivos.
“É a objectividade. Jogou o Sporting contra o Benfica. O resultado foi este. Os golos foram marcados por fulano e sicrano, aos tantos minutos. Não há aqui gente a querer dar opiniões, mas a narrar acontecimentos. Já reparou como os outros jornais estão cheios de gente a opinar?”
“Sim, é verdade.”
“Pois havia nesse tempo um jornal chamado “Mundo Desportivo”, que era ainda mais informativo e menos opinativo do que este é agora. Já não é a mesma coisa, mas ainda é muito diferente dos outros jornais.”
Uns dias depois, enquanto passavam pela rua Castilho, de automóvel, o homem apontou um prédio em obras.
“Foi ali que dormi a primeira noite em Lisboa.”
O jovem funcionário sorriu e nada disse.
“Na manhã seguinte, saí para comprar uma flôr para dar à minha irmã, que fazia anos. Foi num mercado aqui mais para cima. Já lá fui ver e já não existe.”
O jovem funcionário permaneceu calado.
“Não queira saber a minha aflição ao pensar que ninguém me iria perceber. Mas foi fácil. Lá voltei com a flôr para a minha irmã, que era muito pequena ainda.”
No ano seguinte, a agência fechou.
Já o jovem funcionário sabia que o homem havia passado grande parte da sua juventude em Lisboa.
E, prestes a despedir-se do homem, só lhe disse: “Ainda me há-de dizer qual é o segredo que esconde, para falar português sem sotaque, ao fim de trinta anos na América. Não é o facto de ter vivido esses trinta anos na América que realmente me intriga, mas é mais o facto de estar casado quase desde essa altura com uma senhora brasileira, a qual mantém tal e qual o seu sotaque original. Como é que conseguiu?”
O homem riu-se. A senhora respondeu: “Então toma-me assim por uma má influência?”
O jovem funcionário sorriu.
Anos depois, ao raiar do dia, entre gente que assobiava à espera do primeiro comboio, o já menos jovem ex-funcionário comprou um jornal desportivo.
E pensou que as gentes que esperam um comboio na manhã já alta, não assobiavam como aqueles madrugadores.
Uma história real
O homem chegara para dirigir uma agência americana em Lisboa.
Entrara acompanhado dos directores cessantes e trocara cumprimentos com o staff.
Tudo em inglês, como era hábito na casa. O homem que viera substituir não soubera ou não quisera aprender português.
Passou o resto do dia em reunião.
O jovem funcionário foi chamado e entrou no gabinete da direcção.
Falou em inglês, como de costume.
Foi brindado com um sorriso e surpreendido com uma frase gentil no mais correcto português, sem o vislumbre de um sotaque.
E percebeu que o português seria a língua de trabalho enquanto não estivesse alguém presente que o não dominasse.
Os dias passaram e o funcionário percebeu também que o homem era culto, muito culto.
E ainda assim, intrigava-o o facto de o seu português ser tão correcto, sendo ele americano.
O jovem funcionário foi de novo chamado e entrou no gabinete da direcção.
E de novo se surpreendeu.
O homem estava a ler um jornal desportivo português (de grande formato).
O homem disse ao jovem funcionário que se sentasse.
O homem começou, emocionado, por perguntar: “Sabe o que mais aprecio nestes jornais, desde o primeiro que li há uns quarenta anos atrás?”
“Não, não sei” – o funcionário não lia jornais desportivos.
“É a objectividade. Jogou o Sporting contra o Benfica. O resultado foi este. Os golos foram marcados por fulano e sicrano, aos tantos minutos. Não há aqui gente a querer dar opiniões, mas a narrar acontecimentos. Já reparou como os outros jornais estão cheios de gente a opinar?”
“Sim, é verdade.”
“Pois havia nesse tempo um jornal chamado “Mundo Desportivo”, que era ainda mais informativo e menos opinativo do que este é agora. Já não é a mesma coisa, mas ainda é muito diferente dos outros jornais.”
Uns dias depois, enquanto passavam pela rua Castilho, de automóvel, o homem apontou um prédio em obras.
“Foi ali que dormi a primeira noite em Lisboa.”
O jovem funcionário sorriu e nada disse.
“Na manhã seguinte, saí para comprar uma flôr para dar à minha irmã, que fazia anos. Foi num mercado aqui mais para cima. Já lá fui ver e já não existe.”
O jovem funcionário permaneceu calado.
“Não queira saber a minha aflição ao pensar que ninguém me iria perceber. Mas foi fácil. Lá voltei com a flôr para a minha irmã, que era muito pequena ainda.”
No ano seguinte, a agência fechou.
Já o jovem funcionário sabia que o homem havia passado grande parte da sua juventude em Lisboa.
E, prestes a despedir-se do homem, só lhe disse: “Ainda me há-de dizer qual é o segredo que esconde, para falar português sem sotaque, ao fim de trinta anos na América. Não é o facto de ter vivido esses trinta anos na América que realmente me intriga, mas é mais o facto de estar casado quase desde essa altura com uma senhora brasileira, a qual mantém tal e qual o seu sotaque original. Como é que conseguiu?”
O homem riu-se. A senhora respondeu: “Então toma-me assim por uma má influência?”
O jovem funcionário sorriu.
Anos depois, ao raiar do dia, entre gente que assobiava à espera do primeiro comboio, o já menos jovem ex-funcionário comprou um jornal desportivo.
E pensou que as gentes que esperam um comboio na manhã já alta, não assobiavam como aqueles madrugadores.
17/08/2003
Para zero
Aprendemos a construir pontes e a subtrair cada vez mais. A construção de pontes é, na sua evolução, uma subtracção constante (podia dizer que é uma função monótona e decrescente). Da parede entre margens cujo topo usamos para circular, vamos subtraindo pedaços: o primeiro, o necessário para deixar passar a água; os seguintes, porque não são necessários.
As pontes tendem para zero.
Aprendemos a construir pontes e a subtrair cada vez mais. A construção de pontes é, na sua evolução, uma subtracção constante (podia dizer que é uma função monótona e decrescente). Da parede entre margens cujo topo usamos para circular, vamos subtraindo pedaços: o primeiro, o necessário para deixar passar a água; os seguintes, porque não são necessários.
As pontes tendem para zero.
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