12/04/2016

Repito

Se o tempo já não é o que era e há muito que ouvimos tal ladaínha, quando é que o tempo era o que era?

11/04/2016

A cervejaria literária

A cervejaria figura nos mapas mentais da zona. É ponto de referência a indicar a quem navega de ouvido.
E, depois de mais de uma dúzia de anos a viver na zona e de já andar nas vizinhanças quando ela abriu as portas, descobri finalmente um potencial literário na cervejaria da esquina.
Venho de me (em)beber em fatos e gravatas de três em três meses, em dialectos incompreensíveis, em contas que não se acertam entre os comensais e o prestável empregado de camisa branca.
Dir-se-á que todas as cervejarias e congéneres têm qualidade literária. Discordo.
Ele há sítios que têm apenas qualidade pictórica, porque lá dentro nada se passa,
Lembro-me de um recinto assim no Estoril em que num vasto armazém presidido por um cornudo troféu taurino, apenas residiam duas mesas e respectivas oito cadeiras, enquanto enquadravam, atrás do balcão, a pouco pomposa estalajadeira, duas compridas e nuas prateleiras para consumo da casa, uma máquina de café, a citada cabeça de toiro e dois ou três pares de bandarilhas.

10/04/2016