06/08/2005
A caminho do Sul
Naquela noite de 1986, resolvi relembrar os tempos do ferry boat.
Lá atravessei o Tejo, sentado na capota do Ford Escort, gozando a fresca.
Era uma noite destas, de calor intenso. Prenunciava o verão alucinante que se seguiria.
Recordo-me de, já em casa, ter fumado o abaladiço ali no poial da esquina. Ia a noite já alta e de botas caneleiras.
Nessa noite, não disse a ninguém que a primeira vez que atravessei o Tejo, frente a Lisboa, sem ser de barco, não foi no dia 6 de Agosto de 1966. Não. Foi uns tempos antes.

foto de Celestino Teixeira in "A ponte Salazar", GPST, Lx, Julho de 1966
Naquela noite de 1986, resolvi relembrar os tempos do ferry boat.
Lá atravessei o Tejo, sentado na capota do Ford Escort, gozando a fresca.
Era uma noite destas, de calor intenso. Prenunciava o verão alucinante que se seguiria.
Recordo-me de, já em casa, ter fumado o abaladiço ali no poial da esquina. Ia a noite já alta e de botas caneleiras.
Nessa noite, não disse a ninguém que a primeira vez que atravessei o Tejo, frente a Lisboa, sem ser de barco, não foi no dia 6 de Agosto de 1966. Não. Foi uns tempos antes.
foto de Celestino Teixeira in "A ponte Salazar", GPST, Lx, Julho de 1966
Coisas
Eu tenho uma relação bizarra com o dia 6 de Agosto.
Talvez certos pormenores só fiquem acessíveis no dia em que eu morrer.
O dia 6 de Agosto sendo um dia farto em efemérides, das quais se destaca a de 1945, não é de facto um dia que me diga muito.
Mas guardo um trauma de infância.
Sim, ainda não me esqueci. Faz hoje 39 anos estava danado. Muito danado.
Talvez por isso lhe dou importância a mais. Por isso ou por algo de que não faço ainda a menor ideia.
Eu tenho uma relação bizarra com o dia 6 de Agosto.
Talvez certos pormenores só fiquem acessíveis no dia em que eu morrer.
O dia 6 de Agosto sendo um dia farto em efemérides, das quais se destaca a de 1945, não é de facto um dia que me diga muito.
Mas guardo um trauma de infância.
Sim, ainda não me esqueci. Faz hoje 39 anos estava danado. Muito danado.
Talvez por isso lhe dou importância a mais. Por isso ou por algo de que não faço ainda a menor ideia.
05/08/2005
04/08/2005
03/08/2005
Política
Algures em 1992, deixei de fumar.
Algures nesse mesmo ano autoexcluí-me dos queixumes face à política.
Numa noite ainda de cigarros, de conjunto musical, cervejas ao ar livre, alguns dos meus primos propuseram-me como candidato. A proposta não passou daquela mesa. Ou melhor, passou. Passou para três mesas ao lado, quando retornei à procedência e disse ao ouvido da mulher o que tinha sido a chamada.
Ninguém no imenso grupo soube da conversa. Ninguém mais soube de tal, até agora, que todos vós ficais ao corrente, a não ser outra mulher, em circunstâncias muito especiais.
Dita a coisa assim, parece que se tratou de uma conversa entre primos e de uma brincadeira qualquer. Não foi isso.
A verdade é que, tendo eu aceite a tarefa, muito provavelmente teria ganho.
Com essa decisão, aparentemente excluí-me da crítica política.
E digo aparentemente porque ainda não percebi muito bem a relação entre um acto qualquer que seja e todos os acontecimentos posteriores.
Nesse ano deixei de fumar. Até que em 1997 decidi voltar a fazê-lo, uma tardinha.
Há quase um mês voltei a pôr os cigarros de lado. Não faço a menor ideia das consequências que isso trará. Apenas sei que não me custou muito tomar a decisão nem a pô-la em prática.
Entretanto, continuo a subscrever-me.
Ponho-me a pensar que os recém-não-fumadores (ou recém-não-qualquer-coisa) costumam ser os mais fundamentalistas que há.
Eu se de alguma coisa sou fundamentalista é com toda a certeza do anti-defensorismo acérrimo. Defensores acérrimos, fundamentalistas de todos os tipos, tremei!
Algures em 1992, deixei de fumar.
Algures nesse mesmo ano autoexcluí-me dos queixumes face à política.
Numa noite ainda de cigarros, de conjunto musical, cervejas ao ar livre, alguns dos meus primos propuseram-me como candidato. A proposta não passou daquela mesa. Ou melhor, passou. Passou para três mesas ao lado, quando retornei à procedência e disse ao ouvido da mulher o que tinha sido a chamada.
Ninguém no imenso grupo soube da conversa. Ninguém mais soube de tal, até agora, que todos vós ficais ao corrente, a não ser outra mulher, em circunstâncias muito especiais.
Dita a coisa assim, parece que se tratou de uma conversa entre primos e de uma brincadeira qualquer. Não foi isso.
A verdade é que, tendo eu aceite a tarefa, muito provavelmente teria ganho.
Com essa decisão, aparentemente excluí-me da crítica política.
E digo aparentemente porque ainda não percebi muito bem a relação entre um acto qualquer que seja e todos os acontecimentos posteriores.
Nesse ano deixei de fumar. Até que em 1997 decidi voltar a fazê-lo, uma tardinha.
Há quase um mês voltei a pôr os cigarros de lado. Não faço a menor ideia das consequências que isso trará. Apenas sei que não me custou muito tomar a decisão nem a pô-la em prática.
Entretanto, continuo a subscrever-me.
Ponho-me a pensar que os recém-não-fumadores (ou recém-não-qualquer-coisa) costumam ser os mais fundamentalistas que há.
Eu se de alguma coisa sou fundamentalista é com toda a certeza do anti-defensorismo acérrimo. Defensores acérrimos, fundamentalistas de todos os tipos, tremei!
02/08/2005
01/08/2005
31/07/2005
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