08/06/2006

O homem difícil de entender

Creio que ele me conhece de ginjeira, da minha ginjeira. Eu por certo não me recordo da primeira vez que o vi. Estava lá no café dele ou no escritório, mesmo ao lado. E já nessa época, quarenta e tal anos mais novo, eram poucos os que o percebiam bem. Que retiravam sentido dos sons que ele articulava. Pela forma pausada, arrastada e muito, muito baixa com que se exprime.
Apenas sei que nunca tive dificudade em perceber o que diz.
Não me recordo de o ter alguma vez encontrado a norte do Paralelo 38.
Daquelas pessoas de quem temos a errada impressão de que nunca saem de certas balizas que nós, romanticamente, lhes marcamos.
O certo é que, da última vez que o encontrei, por portas e travessas desembocámos em conversa às portas do Palácio de Queluz. Sempre a sul do Paralelo 38. Mas em Queluz.
E, rindo-se, disse-me: Sabe, talvez sejam - são de certeza - minhas as últimas fotografias do Palácio ainda com dois pisos. Fotografei-o horas antes do incêndio. E só soube disso uns dias depois, já aqui estava.

O que eu gostava de ver essas fotos.

07/06/2006

Estoril, 2006

Às vezes

Vêm-me à cabeça as questões mais disparatadas.
Saber se hoje há mais ou menos coisas que não se podem dizer do que havia ontem.
Como se o mundo se pudesse contar. E assim comparar através dos tempos.