A senhora da gadanha
Estava sentada no cadeirão às quatro da bússola. Só dei por ela, vestida de negro como nunca a tinha visto, e eu já a vira decerto algumas vezes, quando me virei para trás.
Começou por uma conversa eclesiástica. Disse qualquer coisa sobre três mil e duzentas comunhões, creio que em simultâneo.
Depois o discurso descambou para uma espécie de prognóstico médico feito a compasso. Foi este evoluindo com trejeitos do vestido negro no cadeirão até que o seu olhar se fixou no meu e me disse que o prazo estava a acabar.
Percebi então que estava por horas. Que não veria o dia de Domingo.
Não deve ter sido calmamente que a escoltei até à porta da rua e me despedi dela.
29/10/2022
28/10/2022
Путин
Há, nas afirmações de Putin e de acordo com as traduções ouvidas e lidas, algo que subscrevo: o mundo ocidental está demente.
A sanha do politicamente correcto em esmagar a ciência, em negá-la a cada passo, impondo modelos acordantes com uma mentalidade doentia esmagou por ora a razão.
Nisso ele tem razão.
Há, nas afirmações de Putin e de acordo com as traduções ouvidas e lidas, algo que subscrevo: o mundo ocidental está demente.
A sanha do politicamente correcto em esmagar a ciência, em negá-la a cada passo, impondo modelos acordantes com uma mentalidade doentia esmagou por ora a razão.
Nisso ele tem razão.
27/10/2022
Neo-surrealismo prático
Na estética surrealista uma afirmação do tipo a+b=verde seria uma manifestação artística e nada mais. Afastar-se da razão faria toda o sentido como atitude.
O que se verifica hoje entre as camadas mais jovens, ainda que supostamente cultas, é a utilização no quotidiano prático da afirmação a+b=verde para regular as suas acções.
Não há ali pinga de lógica que se detecte.
Não faltam na publicidade emitida nas televisões alguns exemplos desse ilogismo prático de premissas disparatadas.
Resta saber se essa irracionalidade abraça quem não faz uso diário da razão e da lógica se, pelo contrário, se destina a impressionar pela negativa quem ainda raciocina: E dar com isso destaque à marca.
É um mistério para mim.
Na estética surrealista uma afirmação do tipo a+b=verde seria uma manifestação artística e nada mais. Afastar-se da razão faria toda o sentido como atitude.
O que se verifica hoje entre as camadas mais jovens, ainda que supostamente cultas, é a utilização no quotidiano prático da afirmação a+b=verde para regular as suas acções.
Não há ali pinga de lógica que se detecte.
Não faltam na publicidade emitida nas televisões alguns exemplos desse ilogismo prático de premissas disparatadas.
Resta saber se essa irracionalidade abraça quem não faz uso diário da razão e da lógica se, pelo contrário, se destina a impressionar pela negativa quem ainda raciocina: E dar com isso destaque à marca.
É um mistério para mim.
26/10/2022
Gente incapaz
Há demasiada gente incapaz a reivindicar como se o país fosse rico.
Gente incapaz com carimbos e certificações que ou se rende ao corporativismo reivindicativo cego e surdo ou se encontra sediada numa utopia da qual não se apercebe.
Há demasiada gente incapaz a reivindicar como se o país fosse rico.
Gente incapaz com carimbos e certificações que ou se rende ao corporativismo reivindicativo cego e surdo ou se encontra sediada numa utopia da qual não se apercebe.
24/10/2022
23/10/2022
Uma espécie de paradoxo
O transporte colectivo é em grande parte preterido pelo individual por uma questão de comodismo e privacidade.
Isto nos centros onde coexistem. Há uma boa porção de território em que tal não acontece.
O ódio que grande parte da ecúmena nutre pela outra parte e que é exacerbado pela ausência de contacto directo, resulta em grandes doses de irritação no trânsito quotidiano e é, por via da presença próxima do outro, mitigado no transporte colectivo.
Resulta assim numa certa redução da comodidade do transporte individual.
Uma espécie de paradoxo.
O transporte colectivo é em grande parte preterido pelo individual por uma questão de comodismo e privacidade.
Isto nos centros onde coexistem. Há uma boa porção de território em que tal não acontece.
O ódio que grande parte da ecúmena nutre pela outra parte e que é exacerbado pela ausência de contacto directo, resulta em grandes doses de irritação no trânsito quotidiano e é, por via da presença próxima do outro, mitigado no transporte colectivo.
Resulta assim numa certa redução da comodidade do transporte individual.
Uma espécie de paradoxo.
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