A presunção do erro
Tal como os funcionários que atendem ao balcão se convencem de que o freguês nunca sabe do que está a falar nem o que pretende, também eu começo a dar sinais de presumir o erro em tudo o que mexe.
É isto para mim particularmente penoso porque justamente me incomoda muito a presunção do meu erro por parte de quem me atende nos balcões da vida, mesmo antes de eu abrir a boca.
O pior é quando tresleio o que está escrito em letra de imprensa e congemino um erro que não está lá.
Ontem, no mesmo período de um livro vi dois erros crassos.
Ao reler e rever para avaliar a dimensão do disparate escrito, vi claramente visto que não havia ali mais do que uma linguagem equívoca. E que, equívoca que era, propiciava a má interpretação.
Não se tratava de um comum recurso literário.
Era uma escrita escorreita sem armadilhas. Equívoca apenas por ser espontânea em demasia, pareceu-me.
Mas em lado algum havia erro. Erro histórico, que era disso que se tratava.
Erro meu.