Em política, podemos todos ter a nossa noção de justiça e de conveniência. O que não significa que todos as tenhamos.
Em Portugal, para a minha geração que é a que acabou de virar o meio-século, há um grupo, a que pertenço, que se encarregou de fazer frente ao desvario revolucionário que, pelo pouco que durou, não deixou de indicar o caminho que faríamos seguindo a trilha.
Fi-lo, nessa época, tendo em conta a minha noção de justiça e de conveniência. Cujas, embora podendo ser incompatíveis, não o eram naquela época do Verão Quente.
O que, depois de dobrado esse cabo, nos restou, é obra nossa. Não a podemos renegar. Todos os que participámos nessa luta temos culpas no cartório.
Se não me arrependo de ter empreendido tal luta, ainda juvenil, vejo hoje que as coisas tal como andaram, andaram em desgoverno e a contento de uma minoria de aproveitadores, na sua grande parte chicos-espertos da politiquice, pouco dotados de intelecto.
O falecido Ernâni Lopes classificou-os bem, num dos seus últimos discursos. Mais empolgado do que habitualmente estaria em tais circunstâncias.
Alguns outros o fizeram mais ou menos veementemente.
Do que não restam dúvidas é que andámos como aqui disse, às voltas no Pinhal da Azambuja, capitaneados por um grupo de mentecaptos e à mercê dos salteadores.
E é justamente por isso e por considerar que PS, PSD e CDS são verso, anverso e bordo da mesma moeda e que as outras moedas são tudo o que ajudei a enxotar há quase 40 anos, que a única coisa que me preocupa hoje deveras é a capacidade intelectual de um primeiro-ministro.
Disse aqui, há cerca de quatro anos, o que achava de Passos Coelho.
Como disse e reafirmo que José Sócrates é pouco mais do que uma nulidade intelectual (Jorge Coelho disse, numa recidiva na “Quadratura do Círculo” que Sócrates era um indivíduo inteligentíssimo), a mudança de primeiro-ministro foi finalmente, na minha opinião, para melhor.
No beco em que estamos, não é a opção política, aliás pouco diversa como disse, que faz grande diferença.
Estamos a ser governados em grande parte por controlo remoto. Já o tinha dito em 2004, há sete anos e meio e mantenho-o.
Mas importa que ao leme, nas decisões que ainda podemos tomar, esteja alguém capaz.
Naquela época a escolha era entre o mau linha (mau’) e o mau duas linhas (mau’’).
Hoje, a confirmar o receio de uma caterva de comentadores e interessados na coisa quando se percebeu que ele poderia estar onde está hoje, temos pelo menos à frente do governo um homem inteligente.
Mais pastéis de nata menos pastéis de Belém.
Mais ou menos acordo de opinião política.
E sabendo que há o inevitável lastro de carregadores de pianos pouco ilustrados a compôr a fotografia.
Gostei de o ver, à hora de almoço, explicar o óbvio às massas laranja. E à mesa do congresso.