Estalim e outras históriasLá nas mesmas brumas da memória onde
paira o Castelo de Beja está um cão chamado Estalim.
Estalim, corruptela de José. Estranha a forma que se usava para equiparar a cão as figuras deste mundo de que se queria distância. E o José até já era morto e enterrado, lá muito longe.
Era este Estalim querido de todos, o que costuma abizarrar ainda mais estas graças dadas aos animais já de si previstos de estimação.
O Estalim, certo dia, depois de ter sido querido companheiro de andanças, resolveu suicidar-se, atirando-se da parede do poço que ele tão bem conhecia para o seu fundo. Saiu de lá na fateixa.
Lembra-me isto hoje por causa de uma cadela, de igual fidelidade, da mesma casa. Uma que com o Estalim e outro que ficava pelo monte e do qual não me recordo o nome, fizeram naquela casa o triunvirato das boas lembranças caninas de todos nós, os da família.
Resolveu ela, no aniversário da dona, vacilar quanto à vida.
Aguenta-te, amiga. Não vás já. Ainda tens uns latidos para dar e uns pares de calças para me sujar com as patas.