23/02/2013

Esborratando pontos

Notícias do manicómio

O barulho hoje é sobre uma lei que aparentemente foi publicada em desacordo com o texto aprovado.
Pretende-se que num texto mal parido a falta de um artigo definido (de em vez de + a) é ela a causa da indefinição de que se fala.
Já nem perco tempo com as interpretações da Lei 46/2005. Tem quase oito anos.
O que me incomoda hoje é que, a ser verdade que a lei está mal transcrita, me restam duas hipóteses:
a)ou ainda estamos no tempo das secretárias-dactilógrafas e assim sendo uma gralha destas é perfeitamente admissível;
b)ou não estamos já nesse tempo e a lei é escrita na sua versão final uma vez e só uma vez num processador de texto e em seguida esse ficheiro é multiplicado e distribuído para os diversos fins.
Sendo a primeira, um grande ponto de exclamação.
Sendo a segunda, houve alguma aldrabice algures. Aldrabice cujo alcance não se alcança muito bem.
Não sendo nenhuma das acima é o caso em que a notícia está errada.

Nota: no destacar das preposições o Expresso fez asneira logo no segundo destaque. É já vulgar por aquelas bandas.

22/02/2013

Juízo de intenções

No mundo de doidos em que se precipitou a humanidade com a massificação da informação e da desinformação, temos agora oportunidade de assistir aos comentários que suscita um juízo de intenções.
Não é uma oportunidade única nem a não perder. Mas é uma oportunidade de apreciar o grau que atinge certa loucura. No caso a da chamada justiça, das paixões e da sua mediação pela imprensa.
Aqui, como em muitos outros casos, estamos na Caverna. Só percebemos as sombras. Mas isso parece ser ainda mais rico.


fotografia de Siphiwe Sibeko para a Reuters via NY Daily News

21/02/2013

Carne de cavalo

Não me refiro à aldrabice que é vender cavalo por vaca. Ou gato por lebre.
Refiro-me à repetida ideia de que a carne de cavalo é uma espécie de produto nocivo. Ou que não há sequer memória de alguém ter comido tal carne.
Ideia que transpareceu primeiro dos noticiários das cadeias internacionais e agora das portuguesas.
Não sou perito em hábitos alimentares. Não faço ideia se se come muita, pouca ou nenhuma carne de cavalo nas ilhas britânicas. O que sei é que conheço desde sempre um talho que vende carne de cavalo – até tem cavalos pintados nos vidros – e parto por isso do princípio de que se ele se aguenta há cinquenta anos a vender carne de cavalo é porque há quem compre.
E se há quem compre, deve haver quem coma.
Episódios de carne de cavalo (e de burro) por vaca são mais ou menos cíclicos. Ter uma marca de renome associada a tal burla também não é surpresa.
Crimes perfeitos há-os em toda a parte. São os de que ninguém dá conta.
Estes são apenas imperfeitos e já muito vistos.