Pena
Não vejo justificação para
condenar quem não previu o
desmoronamento na praia Maria Luísa nem para condenar quem não assinala os perigos visíveis.
Creio que a loucura securitária tem limites.
Quem se acolhe debaixo de uma arriba sabe que corre um risco. Mínimo. Muitíssimas vezes menor do que circular em qualquer estrada do país.
Mas corre esse risco. Há algumas mais ameaçadoras do que outras que espantam naturalmente os humanos e há outras mais acolhedoras que às vezes desabam. Nada de novo debaixo do sol.
O que se viu depois do trágico acidente naquela praia foi ridículo, como são todos os actos apressados de colocar trancas à porta depois do roubo.
Não temos por cá uma cultura de prever, na medida do possível, o que vem a seguir. Antes andamos sempre a correr atrás do prejuízo e a cometer erros grosseiros como o de ter duas pontes uma ao lado da outra em Entre-os-Rios depois de termos deixado ruir uma outra levando para o fundo do rio tanta gente.
É o disparate institucionalizado que lá tendo duas pontes, tem também as arribas cheias de sinais de proibição.
É certo que uma parte deles já lá estava. Estava um no preciso local onde se deu a tragédia. O que dificultará obviamente a condenação por imprevidência.
Mas nada me espantará.
imagem da SIC