De InglaterraA
acusação de homicídio feita a um camionista português em Inglaterra não diz nada sobre a justeza das leis e das decisões judiciais por lá tomadas.
Mostra o ruído da imprensa que a coisa, para além das mortes de crianças, se prende mais com ser estrangeiro e português, ao serviço de uma empresa espanhola, do que com ser
um simples com um volante nas mãos.
Mas esta acusação – que é apenas uma acusação – contrasta com a complacência do sistema português com os assassínios na estrada.
É um sistema que pune e bem os quase criminosos que, por excesso de velocidade e bebida a mais, se colocam em posição de potenciais matadores mas, inexplicavelmente, esquece os que matam deveras.
Só muito raramente os pune, como foi o caso do
tipo que matou em contramão ao volante de um jipe Vodafone, lá para os arredores do Porto.
E que também excepcionalmente agora acusa
uma condutora de matar dezasseis pessoas ao pé do Fratel. Isto porque, provavelmente, foram uma e outra coisas muito noticiadas.
Mas a regra é deixar passar, especialmente se é burrice o que está por trás da tragédia. Quando não há nem álcool nem velocidade a mais, só burrice e incapacidade.
Lembro-me sempre de uma senhora que se ia matando e a mais duas pessoas, a 10 à hora, não mais, nas curvinhas de acesso à praia de Sines.
Numa das curvas em gancho sobre o precicípio assustou-se. Já seguia muito devagar, mas ainda assim quis travar. Ao invés, acelerou. O carro embateu num muro de protecção e ficou preso com as rodas na frente no ar.
Os destroços do muro não esmagaram por acaso um casal que se encontrava sentado um pouco abaixo, apreciando a paisagem.
Não tinha bebido nada e não ia em excesso de velocidade...
Quantos acidentes com mortes se devem a situações similares, ainda que não tão caricaturais?
E esta gente não é punida por quê? Por ser simples?