Concessão à bola
Reparo hoje que a minha última referência ao futebol, descontando o post anterior parece datar do último Benfica – Sporting, a 4 de Janeiro. Há uma outra a propósito dias depois, nada mais.
Falava então dos seis milhões de benfiquistas, esses alegados 60% que agora dormem mais descansados.
Faço esta concessão naquela linha tradicional do contra. O Sporting perdeu, não se fala de futebol. Pois eu falo. Já que falo tão pouco de bola, lá vai.
Disse uns dias depois no tal outro e último post que o campeonato estava arrumado desde o dia em que o Sporting ganhou ao Leiria, a 20 de Dezembro. À 15ª jornada. Ou seja, de acordo com umas tabelas que me mostraram, nos últimos não-sei-quantos anos, nenhuma equipa recuperara a distância, da 15ª jornada até ao final, para o primeiro que se verificava então (considerando a percentagem de pontos obtidos sobre os possíveis).
Pois é, nesse dia o Sporting ganhou e ficou fora da carroça. Pelo que os números ditavam.
Hoje, aconteceu o que se temia. Principalmente para aqueles que fazem contas ao dinheiro, lá se vai a hipótese de reduzir o défice.
Em algum lado da história, o futebol deixou de ser aquela coisa de clube, camisola, facção e passou a ser negócio, empresa, rendimento, mas um negócio piramidal, ruinoso e pouco empresarial. Nunca me empolguei muito com futebóis. Nesta coisa de bola, só tenho saudades é do muda aos cinco e acaba aos dez, em que fazia a minha perninha. Futebol é jogar à bola, não é ficar a ver os outros jogar. Mas sabe-se lá como, numa esquina qualquer, vi-me sportinguista. E lá tinha as minhas discussões com o empregado da pastelaria, fervoroso benfiquista, que ainda deve estar a recuperar da tareia que lhe dei quando o Lourenço (o outro Lourenço) marcou quatro na Luz (a outra Luz).
Esta minha filiação clubística é um mistério. Nunca percebi na minha família a não ser já com os meus cabelos brancos qual era o clube de cada um. E tive as minhas surpresas. Já aqui falei disso também.
As coisas hoje estão longe desse tempo em que me colocava dentro do balcão da pastelaria para melhor alvejar o meu adversário do alto dos meus sete anos.
O futebol é hoje uma necessidade ainda maior. Basta olhar para as falanges ululantes e pensar o que seria se não tivessem aquele escape para a energia (estúpida?) que acumulam.
Basta ouvir as discussões acaloradas e facciosas para perceber que, se não houvesse a bola, aquela verve incendiária cairia sobre coisas bem mais importantes, e de forma certamente desastrosa.
Ainda se lembram do “ópio do povo”?
Dito isto, acrescentar apenas que continua a tornar-se imperativo
fazer o tal escrutínio para saber qual é o erro dos 6.000.000
E outra coisa, isto muito sinceramente, se calhar é melhor que vá o Benfica à Liga dos Campeões. Sempre costuma fazer melhor figura.
Como é que é possível que eu tenha falado tanto de bola?
Ah, e vi o jogo. Há muitas luas que não via um jogo de futebol de fio a pavio. Estou a ficar velho, deve ser isso.