21/11/2008
As pontes de outro condado (III)
O colega do irmão, a namorada da colega do irmão que tinha uma casa nos pinhais do centro, o melhor amigo do rapaz, a mulher do melhor amigo do rapaz, a irmã do colega do irmão todos lhe comunicaram, não, não foi convite, foi notificação.
Podes conduzir sentado no banco de alcântara.
A casa do pinhal que tinha piscina, adega, salão de festas, sala de pingue-pongue, salão aquecido naquele Setembro de pinhas e cheiro de pinheiro.
E quartos de hóspedes que ficavam ao lado da piscina e uma campaínha de escola ligada ao telefone e não se ouvia nada de uns lados para os outros.
E já é dia. Daqui a pouco vêm chamar-nos para o pequeno almoço e para o café na vila que fica a dois quilómetros, depois de passar por debaixo da linha e de fazer aquelas duas curvas perigosas onde estava uma carcaça de um carro já ferrugenta.
E banhos. Churrascos. Vinho caseiro que à décima terceira garrafa enjeitada e depois de uma ter passado no teste de vinho abafado, se deitou no jarro que condizia com os armários amarelos.
Vamos mudar de roupa para o jantar e não voltamos logo. Eles que esperem.
E depois à noite, vamos para o salão que fica debaixo dos quartos dos hóspedes e passamos a noite a discutir geopolítica. Trivial Pursuit, Pictionary. E a garrafa de bolso que trouxeste cheia de medronho é que não.
E voltaremos para a semana, com a dona da casa e o meu irmão.
E as pontes? Posso fotografá-las?
Se houver tempo.
(continua)
Porque a RTP se lembrou disso.
Segue o que já foi dito.
O colega do irmão, a namorada da colega do irmão que tinha uma casa nos pinhais do centro, o melhor amigo do rapaz, a mulher do melhor amigo do rapaz, a irmã do colega do irmão todos lhe comunicaram, não, não foi convite, foi notificação.
Podes conduzir sentado no banco de alcântara.
A casa do pinhal que tinha piscina, adega, salão de festas, sala de pingue-pongue, salão aquecido naquele Setembro de pinhas e cheiro de pinheiro.
E quartos de hóspedes que ficavam ao lado da piscina e uma campaínha de escola ligada ao telefone e não se ouvia nada de uns lados para os outros.
E já é dia. Daqui a pouco vêm chamar-nos para o pequeno almoço e para o café na vila que fica a dois quilómetros, depois de passar por debaixo da linha e de fazer aquelas duas curvas perigosas onde estava uma carcaça de um carro já ferrugenta.
E banhos. Churrascos. Vinho caseiro que à décima terceira garrafa enjeitada e depois de uma ter passado no teste de vinho abafado, se deitou no jarro que condizia com os armários amarelos.
Vamos mudar de roupa para o jantar e não voltamos logo. Eles que esperem.
E depois à noite, vamos para o salão que fica debaixo dos quartos dos hóspedes e passamos a noite a discutir geopolítica. Trivial Pursuit, Pictionary. E a garrafa de bolso que trouxeste cheia de medronho é que não.
E voltaremos para a semana, com a dona da casa e o meu irmão.
E as pontes? Posso fotografá-las?
Se houver tempo.
(continua)
Porque a RTP se lembrou disso.
Segue o que já foi dito.
20/11/2008
E o burro sou eu?*
A verdade é que aquilo que aconteceu hoje em Gama se antevia desde o apuramento para o Europeu da Áustria e da Suiça.
Pode haver bons jogadores mas não há mais nada.
* por muito batida que esteja esta expressão, não me parece que haja melhor título.
A verdade é que aquilo que aconteceu hoje em Gama se antevia desde o apuramento para o Europeu da Áustria e da Suiça.
Pode haver bons jogadores mas não há mais nada.
* por muito batida que esteja esta expressão, não me parece que haja melhor título.
19/11/2008
As previsões
As previsões são úteis. Sempre o foram, desde que o homem percebeu que podia prever.
Mas também é útil ter a noção de que há momentos e circunstâncias em que a probabilidade de uma dada previsão ter algum valor é quase nula.
Esta coisa de andar sempre a corrigir o tiro parece-me insuficiência intelectual.
As previsões são úteis. Sempre o foram, desde que o homem percebeu que podia prever.
Mas também é útil ter a noção de que há momentos e circunstâncias em que a probabilidade de uma dada previsão ter algum valor é quase nula.
Esta coisa de andar sempre a corrigir o tiro parece-me insuficiência intelectual.
A lista telefónica
Há um certo número de coisas que desapareceu, mudou muito ou surgiu neste virar de século.
Em tempos, escrevi aqui algo sobre as minhas expectativas para o ano 2000. Mantendo o que então reduzi a escrito, não deixo de dar conta do que não ficou igual.
Já ninguém marca encontros à porta do café que fica mais perto da esquina sul do quarteirão, atento a quem sobe. Marca-se uma hora quando muito. Depois usa-se o telefone.
Já pouca gente se mete de mapa em riste – creio que isto dos mapas também nunca foi coisa corriqueira – à procura de um sítio. Vai buscar as coordenadas e enfia-as no GPS.
Raros não deixaram de trocar os ficheiros de bibliotecas e arquivos pelo Google e similares quando se trata de assunto que na rede encontra resposta.
Em todos estes casos, e outros haverá, a vida parece facilitada. Não sei se está se não está, mas parece facilitada.
Há pelo menos um em que ela se dificultou – a lista telefónica. À medida que vai diminuindo em espessura, aumenta a dificuldade em encontrar aquele tipo a quem se perdeu o rasto e a quem se dedicava uma tarde na estação dos Correios a procurar nas diversas listas do país pelo apelido. Se não ele, talvez um familiar naquela terra de que ele às vezes falava. Isso hoje é impraticável.
Ainda houve online umas listas de assinantes da rede móvel. Creio que os que pediam reserva de publicidade eram tantos que a coisa não se justificava. Se ainda existem essas listas, o erro é meu que não dei com elas.
Este ano foi o ano em que deixou de ser possível encontrar-me pela velha lista.
Há um certo número de coisas que desapareceu, mudou muito ou surgiu neste virar de século.
Em tempos, escrevi aqui algo sobre as minhas expectativas para o ano 2000. Mantendo o que então reduzi a escrito, não deixo de dar conta do que não ficou igual.
Já ninguém marca encontros à porta do café que fica mais perto da esquina sul do quarteirão, atento a quem sobe. Marca-se uma hora quando muito. Depois usa-se o telefone.
Já pouca gente se mete de mapa em riste – creio que isto dos mapas também nunca foi coisa corriqueira – à procura de um sítio. Vai buscar as coordenadas e enfia-as no GPS.
Raros não deixaram de trocar os ficheiros de bibliotecas e arquivos pelo Google e similares quando se trata de assunto que na rede encontra resposta.
Em todos estes casos, e outros haverá, a vida parece facilitada. Não sei se está se não está, mas parece facilitada.
Há pelo menos um em que ela se dificultou – a lista telefónica. À medida que vai diminuindo em espessura, aumenta a dificuldade em encontrar aquele tipo a quem se perdeu o rasto e a quem se dedicava uma tarde na estação dos Correios a procurar nas diversas listas do país pelo apelido. Se não ele, talvez um familiar naquela terra de que ele às vezes falava. Isso hoje é impraticável.
Ainda houve online umas listas de assinantes da rede móvel. Creio que os que pediam reserva de publicidade eram tantos que a coisa não se justificava. Se ainda existem essas listas, o erro é meu que não dei com elas.
Este ano foi o ano em que deixou de ser possível encontrar-me pela velha lista.
17/11/2008
O lixo
Continuo a achar que há formas de aproveitar a agressividade da juventude mentecapta. Por exemplo em tropas especiais, depois de bem enquadrados e domados.
O estado actual não é de aproveitamento. É de relativo controlo. Tê-los debaixo de olho, deixá-los usar umas bandeiras e dar uns gritos de guerra em manada.
E usar os bastões de vez em quando.
Parece-me pouco auspiciosa a situação.
Continuo a achar que há formas de aproveitar a agressividade da juventude mentecapta. Por exemplo em tropas especiais, depois de bem enquadrados e domados.
O estado actual não é de aproveitamento. É de relativo controlo. Tê-los debaixo de olho, deixá-los usar umas bandeiras e dar uns gritos de guerra em manada.
E usar os bastões de vez em quando.
Parece-me pouco auspiciosa a situação.
Reivindicações
Há muitos anos atrás, invoquei o direito de ser avaliado invidualmente por, estando internado num hospital, ter faltado um período inteiro às aulas.
Esse direito foi-me concedido a custo. Mas foi.
Cada qual reivindica o que mais lhe convém.
Há muitos anos atrás, invoquei o direito de ser avaliado invidualmente por, estando internado num hospital, ter faltado um período inteiro às aulas.
Esse direito foi-me concedido a custo. Mas foi.
Cada qual reivindica o que mais lhe convém.
16/11/2008
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