Entre-os-Rios
Fotografia da JAE em capa de livreto (seta minha).Não há muitos qualificativos para descrever um caso em que morreram cinquenta e nove pessoas, de mais de metade das quais provavelmente nunca mais se verá o corpo.
Já foi sobre o assunto e as suas causas dita muita coisa.
Direi que tudo se resumiu à nossa incúria nacional que só a espaços é contrariada. Foi-o curiosamente, no caso das pontes, durante muitos anos.
Direi que para tudo contribuiu a nossa desorganização nacional que só de vez em quando é posta na ordem. Desorganização que levou ao ponto de se ter agora lá duas pontes em vez de uma. Como se os mortos fossem ressarcidos por tal.
Direi ainda que para o desfecho não vejo que se possa esquecer o desmembramento então recente da J.A.E. e as consequências que tal desmembramento (foi de facto uma extinção) acarretou.
Nessa noite de domingo, já estava em modo rádio para acalentar o sono quando a notícia saiu do aparelho como uma mera informação de trânsito.
Levantei-me da cama e fui ver o que diziam as televisões – a SIC N era muito recente, tinha menos de dois meses – e lá tive uma noção do que tinha sucedido.
E com essa noção, uma estranha sensação me percorreu. Coisa pessoal e intransmissível.
Jorge Coelho, goste-se ou não da personagem, ache-se o que se achar sobre a sua capacidade, era provavelmente o menos responsável pelo que aconteceu. Mas era o que estava na altura em funções. Fez o que devia.
Da cópia de asneiras que se disse então, começando por aqueles que sabiam que a ponte ia cair, não vale a pena falar.
Único mapa que conheci que mostrava a ausência da ponte:
© Guia Turístico do Norte, 2002