04/10/2008

Reflexo condicionável

Só pode ser isso. Qualquer coisa que Pavlov observou e relatou.
Que eu não conheço o homem nem nada sei da sua vida a não ser o que repetem os papagaios.
Mas ontem, a meio de uma também meia-sonolência, entrevi pela terceira ou quarta vez “a Torre do Inferno”, posto que se celebrava Paul Newman no écran.
A meio dela, da meia-sonolência, esperei que O. J. Simpson* sucumbisse ali às chamas. Ele, o próprio, o actor. Que como tal, tão bom tem sido afinal na dissimulação – dizem os papagaios.
Será o homem merecedor de uma morte macaca? Talvez. Eu é que nada sei sobre isso.
Mas lá que torci...


imagem da Sky News


* Não fazia então a menor ideia de que ele iria ser condenado por este outro caso.

03/10/2008

Lisboa

Há uma Lisboa de sobrancelha desenhada a lápis que espera às portas de ferro forjado também elas desenhadas a lápis e pintadas de verde oficial.
É uma Lisboa empoada que se despede de si própria, à porta de casa.
Lisboa, 2008

Lisboa, 2008

02/10/2008

Quinta-feira europeia

Repeti hoje uma experiência que não me permitia há uns séculos (um quarto de, vá, não exageremos).
Ouvir uma sucessão de relatos da bola.
Que ainda não acabou.
Será melancolia?
Trespasse

Uma coisa de que me apercebi neste preciso momento é de que jamais, em toda a minha vida, alguém me interpelou a respeito de uma qualquer casa comercial das redondezas que estivesse para trespasse e sobre a qual quisesse saber se era estável, afreguesada, do agrado dos vizinhos, etc.

01/10/2008

Os especialistas em –ólogo

Talvez seja preconceito meu, admito-o. E eu sofra assim do exactíssimo mesmo mal querendo ver uma coisa onde se vê outra.
O certo é que a maioria dos diplomados em –ólogo, sufixo que associo aqui às humanidades, me parece não pertencer à Ciência ainda que a ela diga pertencer.
Vejo-os sempre como idealistas. Como portadores de mensagem com a qual pretendem conformar o mundo e não como observadores e analisadores da realidade.
Está preso

O belga que fugiu com as filhas está em prisão preventiva!
Sentimo-nos assim todos muito mais seguros.
Isto é coisa de génio, caramba!
This is a country

This is a country, not a television channel – David Cameron, há pouco, em discurso na conferência do partido Conservador, referindo-se a Tony Blair e às suas medidas avulsas.
O estilo de Cameron e a sua argumentação fazem, no entanto, com que se pense que aquela afirmação é uma espécie de auto-balizamento.
Sempre o vi de resto como um espelho do próprio Blair.
Genericamente

aqui mencionei a questão absurda dos medicamentos genéricos.
Um assunto sem assunto que só gera assunto pelo ruído que traz associado.
Ouvi agora uma reportagem em que um jornalista que está completamente a leste do que são os medicamentos genéricos, interroga o povo.
E tece considerações.

30/09/2008

Certeza

Sim. A única. A que não sendo certeza inabalável nem sequer sendo algo que compreender se possa, é a mais terrível. Como se se pudessem compreender as coisas.
O tempo.
O tempo.
Ele que se permite deixar Setembro para trás. Deixar tudo (?) para trás.
A mais terrível das incalculáveis (inegáveis) certezas.
Quanto morremos em cada marco da estrada?
Teoria da conspiração

Sources said that the handling of the Opening Bell by the portuguese President can justify this week meltdown on Wall Street.*
Afinal ninguém os avisou.


imagem da SIC N e pot-pourri de primeiras páginas e outros títulos em jornais de hoje


* isto não é uma citação

29/09/2008

A afirmativa negação

Não. Não vou pôr aqui um rodapé à Bloomberg com as cotações do dia.
Lisboa, 2006

Campanhas

A repetida expressão voz móvel lembra-me (soa-me) sempre a noz vómica.
É isso.

28/09/2008

História de Portugal (o meu tempo – ep. 1)

Trinta e quatro anos depois.


imagem do sítio da Comissão Nacional de Eleições

Esta imagem sempre me fez espécie.
Quem a desenhou? Quem a escolheu? Com que propósito?
Água

Apercebi-me hoje de que as águas para consumo humano estão catalogadas por exemplo em “Água mineral natural” e “Água de nascente”.
Estas etiquetas mostram acima de tudo a qualidade de quem lhes deu o nome.
Não andamos longe da imaginação que rotulou os “produtos biológicos”.
Isto é dar-lhe com os Magalhães que eles aprendem a pensar.