03/11/2007
02/11/2007
O culto dos mortos

ossos humanos espetados num muro de um cemitério abandonado - foto do autor
Para muitos, o estabelecimento do culto dos mortos é um dos mais importantes marcos na História. Até o primeiro que diferencia a espécie.
Há uns anos, num funeral, um amigo acompanhava o olhar que lançava sobre sepulturas das seguintes palavras: “Isto está no fim. Já reparaste bem no número de crianças e juvenis que se vêem nos enterros?”
Ontem, ouvi na RTP que cinquenta por cento dos mortos da área de Lisboa (do concelho?) são já cremados.
Mesmo dando o devido desconto a este tipo de números e notícias, percebe-se que a cremação cresceu muitíssimo nos últimos anos. E não é decerto por nenhum fenómeno cultural, no sentido tradicional da palavra, que tal acontece.
É um fenómeno cultural, sim, mas porventura advindo da constatação de que uma sepultura é, independentemente da prole, um local abandonado.
Sabemos todos que os cemitérios estão há muito cheios de sepulcros abandonados, de jazigos sem manutenção.
Conhecem-se até casos de cemitérios completos abandonados e devassados.
Poder-se-ia dizer que isso tinha a ver com a falta de descendência, com a mudança de território, com o desconhecimento dos costados ou o mero distanciamento de gerações.
Não consigo nunca afirmar que os factos na História se devem a isto ou àquilo. Não aceito essas relações de causa-efeito. Mas observo.
E se é verdade que estes fenómenos que aponto não são novos, também é verdade que se observou ao longo das últimas décadas um afastamento das crianças e dos jovens dos tratos com a morte.
Se este fenómeno das cremações é essencialmente urbano – e é aqui, nas grandes aglomerações que essa possibilidade existe – já a ausência de crianças e adolescentes dos enterros é um fenómeno que tenho observado um pouco por todo o lado.
Põe-se a questão que de saber se essas crianças, se esses adolescentes uma vez maduros manterão o culto dos mortos ou não. Nem que seja nas romarias anuais deste dia 2.
Põe-se a questão igualmente académica de saber se a cremação, se disponível em todo o território, seria igualmente praticada na mesma razão que dizem que o é em Lisboa.
Sem a presunção dos que afirmam, parece-me que o meu amigo tinha razão. Que isto está no fim.
Mais sobre as cremações na imprensa: 1 2 3 4 5 6
ossos humanos espetados num muro de um cemitério abandonado - foto do autor
Para muitos, o estabelecimento do culto dos mortos é um dos mais importantes marcos na História. Até o primeiro que diferencia a espécie.
Há uns anos, num funeral, um amigo acompanhava o olhar que lançava sobre sepulturas das seguintes palavras: “Isto está no fim. Já reparaste bem no número de crianças e juvenis que se vêem nos enterros?”
Ontem, ouvi na RTP que cinquenta por cento dos mortos da área de Lisboa (do concelho?) são já cremados.
Mesmo dando o devido desconto a este tipo de números e notícias, percebe-se que a cremação cresceu muitíssimo nos últimos anos. E não é decerto por nenhum fenómeno cultural, no sentido tradicional da palavra, que tal acontece.
É um fenómeno cultural, sim, mas porventura advindo da constatação de que uma sepultura é, independentemente da prole, um local abandonado.
Sabemos todos que os cemitérios estão há muito cheios de sepulcros abandonados, de jazigos sem manutenção.
Conhecem-se até casos de cemitérios completos abandonados e devassados.
Poder-se-ia dizer que isso tinha a ver com a falta de descendência, com a mudança de território, com o desconhecimento dos costados ou o mero distanciamento de gerações.
Não consigo nunca afirmar que os factos na História se devem a isto ou àquilo. Não aceito essas relações de causa-efeito. Mas observo.
E se é verdade que estes fenómenos que aponto não são novos, também é verdade que se observou ao longo das últimas décadas um afastamento das crianças e dos jovens dos tratos com a morte.
Se este fenómeno das cremações é essencialmente urbano – e é aqui, nas grandes aglomerações que essa possibilidade existe – já a ausência de crianças e adolescentes dos enterros é um fenómeno que tenho observado um pouco por todo o lado.
Põe-se a questão que de saber se essas crianças, se esses adolescentes uma vez maduros manterão o culto dos mortos ou não. Nem que seja nas romarias anuais deste dia 2.
Põe-se a questão igualmente académica de saber se a cremação, se disponível em todo o território, seria igualmente praticada na mesma razão que dizem que o é em Lisboa.
Sem a presunção dos que afirmam, parece-me que o meu amigo tinha razão. Que isto está no fim.
Mais sobre as cremações na imprensa: 1 2 3 4 5 6
01/11/2007
John Bull and the outstanding police

imagem da Sky News
Houve uma sentença no caso Jean Charles de Menezes.
Don’t say!
Ora aqui está como, independentemente do que esteja escrito na dita sentença, não retiro uma linha ao que aqui escrevi.
imagem da Sky News
Houve uma sentença no caso Jean Charles de Menezes.
Don’t say!
Ora aqui está como, independentemente do que esteja escrito na dita sentença, não retiro uma linha ao que aqui escrevi.
30/10/2007
O ignorante lunar
O Sol não me apanha desprevenido. Sei onde contar com ele. Estudei-lhe os movimentos, até cartas solares tracei para alguns locais.
Mas a Lua... confesso que me apanha nas curvas.
Nunca sei se é tempo de Lua Cheia ou Lua Nova, se me aparece à esquerda de quem entra ou à direita de quem desce. Um perfeito mistério onde jamais me iniciei.
Talvez me debruce sobre os estudos selenes um destes dias.

imagem daqui
O Sol não me apanha desprevenido. Sei onde contar com ele. Estudei-lhe os movimentos, até cartas solares tracei para alguns locais.
Mas a Lua... confesso que me apanha nas curvas.
Nunca sei se é tempo de Lua Cheia ou Lua Nova, se me aparece à esquerda de quem entra ou à direita de quem desce. Um perfeito mistério onde jamais me iniciei.
Talvez me debruce sobre os estudos selenes um destes dias.
imagem daqui
Marketing
O Sr. Alfredo não vendia sardinhas. Passava um novo conceito de peixe assável.
E não ia mudar de banca mais para ao pé da porta da praça. Estava enquadrado num projecto para criar uma nova interacção com os clientes.
Há não sei quantos anos que repetem os mesmos disparates com ar grave. Ainda há pachorra para ouvir estes avejões?
O Sr. Alfredo não vendia sardinhas. Passava um novo conceito de peixe assável.
E não ia mudar de banca mais para ao pé da porta da praça. Estava enquadrado num projecto para criar uma nova interacção com os clientes.
Há não sei quantos anos que repetem os mesmos disparates com ar grave. Ainda há pachorra para ouvir estes avejões?
29/10/2007
O nível intelectual da coisa
Também se mede pela quantidade de disparates por pixel que se vêem escritos sempre que muda a hora.
Refiro-me àqueles mesmo que não fazem a menor ideia do que estão a falar.
É nestes pequenos pormenores, nestas coisas simples, inteiras e pequenas, que se lê a incapacidade da turba para perceber o que acontece quando se soma ou subtrai qualquer coisa a outra coisa qualquer. O passo seguinte que seja.
Mas a turba dá-se ares. E lê livros.
Também se mede pela quantidade de disparates por pixel que se vêem escritos sempre que muda a hora.
Refiro-me àqueles mesmo que não fazem a menor ideia do que estão a falar.
É nestes pequenos pormenores, nestas coisas simples, inteiras e pequenas, que se lê a incapacidade da turba para perceber o que acontece quando se soma ou subtrai qualquer coisa a outra coisa qualquer. O passo seguinte que seja.
Mas a turba dá-se ares. E lê livros.
28/10/2007
As regionais mensagens do Presidente
Não sei se quero a regionalização para poder deliciar-me com mais umas quantas mensagens do Presidente nas páginas oficiais.
Não sei se a quero para poder apreciar mais uma bateria de alindadas rotundas. Que sempre se arranja maneira para fazer rotundas regionais.
Não sei se a quero para poder deleitar-me com a retórica política de mais umas quantas figuras de almanaque.
Não sei qual a razão mais instante porque a quero. Mas sei que é, só pode ser, desta ordem.
Não sei se quero a regionalização para poder deliciar-me com mais umas quantas mensagens do Presidente nas páginas oficiais.
Não sei se a quero para poder apreciar mais uma bateria de alindadas rotundas. Que sempre se arranja maneira para fazer rotundas regionais.
Não sei se a quero para poder deleitar-me com a retórica política de mais umas quantas figuras de almanaque.
Não sei qual a razão mais instante porque a quero. Mas sei que é, só pode ser, desta ordem.
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