12/07/2008

Um dia assim

Há dias que são preenchidos, hora a hora, minuto a minuto, numa intensidade inebriante.
O último de que me lembro bem – muito bem – foi o que decorreu faz hoje dez anos.



Não era terça-feira, o Aleixo tinha a porta aberta.
E também tinha a televisão ligada ao jantar – estava a dar a final do campeonato do Mundo.
Tenho uma vaga ideia de ver o Dunga vestido de amarelo, já aqui o disse.

11/07/2008

Os guetos e o planeamento urbano

Não há grau para os disparates que se ouvem, em tom de certeza, a propósito das políticas de alojamento e realojamento.
A maior parte das vezes, com os tradicionais argumentos que se desfazem a si próprios por se contradizerem na primeira derivada.
Das mesmas políticas para as quais também não há grau que as qualifique.
É sempre aquela ideia de que o que preside não é um raciocínio baseado na observação. É sempre a crença politicamente mais correcta em cada momento.
É todo um mundo de crentes absortos em meia-dúzia de chavões que abraçaram com denodo.
Deu na televisão

Vivemos num país e num tempo em que a televisão dá notícia de ciganos aos tiros como coisa extraordinária!
Portugal, 2007

10/07/2008

Mediocridade

Numa sociedade que valoriza e incentiva a mediocridade, que entrega responsabilidades a pessoas incapazes de perceber o que quer que seja, é de esperar que proliferem os erros profissionais.
Quando eles são catastróficos, a coisa dá nas vistas.
Mas enquanto passam na malha grossa, está tudo bem.
Vai a sociedade ruindo aos poucos.
Um destes dias com barulho, como diz Medina Carreira.
Caldas da Raínha, 2007

Quem foi o primeiro burro?

Não há limite para a "imaginação perguntante"!
Lisboa, 2008

E.N. 263, 2006

09/07/2008

Cães de guarda

Ainda há uma certa dificuldade em aceitar que os cães de guarda mal treinados podem morder o dono.
Mas se são cães de guarda...

08/07/2008

A nostalgia do jaquinzinho

Ou a saudade.
Dos tempos de os comer na mesa do dominó, derrubando um agarrafão a poder de carrinhos de linhas.
Ao lado da cabine de madeira.
Tanto fazia que cá fora fosse inverno ou inferno.
Talvez o poeta viesse vender umas “lindas quadras” em papel bíblia ou similar.
Divórcio

Foi no dia em que morreu Amália Rodrigues. Tinham acabado de o noticiar na rádio.
Ainda me lembro do aspecto deles.
Vinham sorridentes e amarrados de olhares.
Quando passaram por mim, nos corredores do Tribunal, ele com inconfundível sotaque alentejano, perguntou-lhe:
Então? Está tudo? Já estamos divorciados? Não há mais nada para assinar?
Ela confirmou as negativas com um sorriso malandro.
Já posso então casar-me com a...
Ela riu-se e empurrou-o no ombro, como só as mulheres sabem fazer. Ou melhor, como só o elas o fazem.
Continuava ele a cantar as alegrias do divórcio, gesticulando e falando alto, quando os vi enlaçarem-se, beijarem-se e desaparecerem dentro de um carro, a caminho do Sol Posto e de São Luís.