25/08/2007

Os electrónicos alfaiates de serrote

Já me tinha apercebido da coisa há algum tempo.
Agora mesmo enquanto via em cinema mudo, ali ao canto, imagens de Raymond Barre, me ocorreu naturalmente que era de óbito que se tratava.
Pois bastou-me entrar na Wikipedia e lá estava já a data da morte. Conferia.
Há tipos que, embora prestando um serviço aos demais, devem ter um prazer especial em atestar um passamento ao mundo exterior.
As coisas que aqui vêm parar pelo Google

As simples (serão mesmo simples?):
a vida...
é a vida/

E as complicadas (sê-lo-ão mesmo?):
o padeiro tambem nao estava l E o guarda no saiu para prender
que acertam em cheio

23/08/2007

O homem que chegou de comboio - Portugal anónimo, três décadas atrás

Não sei já situar esta história no tempo. Mas é seguramente do final dos anos 70 ou primeira metade dos anos 80.
Devo ter chegado de comboio à vila. Acho que esse facto me identificou mais com o episódio.
Ainda havia no ar os restos dele quando entrei no café. Restos velhos de alguns dias.
O homem chegara então de comboio. Não me recordo se alguém sabia da forma como ele depois alcançou a vila. Se teria sido a pé ou não.
O que me contaram é que deram por ele já empoleirado num telhado.
De onde arrancou e lançou algumas telhas.
E que foi passando, na correnteza da Rua Direita, de um telhado a outro, lançando telhas talvez já aos que se aglomeravam em baixo.
O homem era desconhecido por aquelas paragens e o impasse – como se diz agora – durou umas quantas horas.
Quando chegou a tal hora, a hora dele, lá de cima se lançou.
Não sei se há muita gente que ainda se lembre deste homem a quem eu nunca vi, vivo ou morto.
Portugal anónimo, 2001




esta imagem já tinha sido aqui publicada

22/08/2007

O 112

A ser verdade o que se diz por aí sobre o erro de uma funcionária do CODU (Centro de Orientação de Doentes Urgentes), não me surpreende.
Diz-se que este centro é formado por “médicos e operadores de central com formação específica para efectuar o atendimento, triagem, aconselhamento de pré-socorro e selecção e accionamento dos meios de socorro mais adequados a cada ocorrência, preparando a recepção hospitalar dos doentes”.
Não me pronuncio sobre a capacidade de avaliação médica destes operadores. Suponho que os médicos presentes assegurarão essa parte.
Agora sobre a capacidade de orientar as viaturas de socorro posso dizer algumas coisas.
Não é a primeira vez que há notícias de veículos enviados para a Senhora da Asneira por estes funcionários.
Tão importante é uma boa – dentro do possível - avaliação médica à distância como a rapidez do resgate. Ora esta pode ser seriamente comprometida por gente incapaz de determinar com rigor a localização do doente.
E isto não é tarefa para qualquer um. Sabemos todos que não há manual de procedimentos ou curso de formação que dê a quem não o tenha, sentido de orientação. E nisto incluo a capacidade de apontar num mapa de Portugal ou de uma região em particular, um sítio, uma localidade, a partir muitas vezes de indicações mal dadas, fornecidas por alguém que não é capaz de o fazer melhor ou não o faz porque está em estado de ansiedade. Sabemos todos isso.
É porque insistimos em não avaliar capacidades específicas de cada um que temos quase sempre a peça inadequada na engrenagem.
Uma questão de organização, afinal. Que nos faz estar tanto tempo de serviço e ser tão pouco eficazes.

No meu caso particular, apenas uma vez liguei para o antigo 115. O toque de chamada ficou largos minutos do outro lado. Desisti. O dono da casa de onde efectuei a chamada deu-me de pronto o número local dos bombeiros. Em menos tempo do que levei a voltar ao local do acidente, já eles estavam ao pé de mim.
Sou um admirador dos bombeiros. Sobre o 112, não tenho opinião favorável.

21/08/2007

Idanha, 2006

Os incêndios

Eu não sei se os bombeiros consideram todos o mesmo significado da palavra circunscrito.
Creio bem que não.
Mas sei que muitos jornalistas acham que é sinónimo de extinto.
A verdade é que ainda não percebi o que é que significa circunscrito e controlado, quando ouço estas palavras em época de incêndios.
Para mim, circunscrito é um fogo que se sabe ou prevê não sair já de determinadas balizas no terreno, embora se admita que possa aumentar de intensidade.
Controlado será um fogo que se encontra irremediavelmente a caminho da extinção, diminuindo sucessivamente de intensidade? Não sei se é.

A folha informativa do CNOS, sendo um melhoramento em relação a anos anteriores, mostra através dos registos e dos mapas muita incipiência e desconhecimento.
Os mesmos que entrevi, em directo na televisão, na noite de 5 para 6 de Novembro de 1997. Já lá vão dez anos.
Um dos mapas mostra agora um fogo exactamente numa casa que bem conheço, dos traços no papel aos acabamentos. Não acredito que esteja a arder.
Ah, sim?!

Ficámos a saber, pela voz de um ministro, que o chefe do governo condena actos criminosos.

19/08/2007

Hooligans

De que claque eram aqueles animais fardados de intelectual de esquerda que andaram a bater nos vegetais, em Silves?
Estradas imagináveis (do plano de 45) - vol. 3