O morto “B” da GolegãA culpa disto tudo é dos tipos que desenharam os bordos das moedas de dois euros.
Quem diz dois euros diz qualquer outra moeda passada ou futura, de bordos com inscrições não sobreponíveis à sua imagem rodada de 180º.
Ou seja, moedas cuja cunhagem dê origem a duas versões. Uma com a legenda do bordo orientada de uma determinada forma quando se observa o anverso para cima e outra, com a mesma legenda rodada de 180º, observada a mesma orientação do anverso.
Ora deu isto que nas moedas de dois euros cujo bordo tem uma série de 2 e de estrelas, observando o anverso para cima, a estrela imediatamente à direita de um 2 direito, terá uma ponta para cima ou para baixo.
Convencionou-se que quando uma ponta da estrela à direita do 2 direito está para cima, se trata do tipo A; se por outro lado, uma ponta da estrela à direita do 2 direito está para baixo, se trata do tipo B.

Exposto o anterior para quem está menos familiarizado com estas coisas, ocorre que certo dia marquei um almoço na Golegã.
A pessoa com quem me ia encontrar, indagando do meu conhecimento da localidade, e verificando que era escasso, expeditamente mandou-me seguir para a Igreja Matriz.
Ora, sucede que mesmo à entrada da Golegã, avistei um carro funerário. Lá dentro, coberto pela tradicional veste preta com motivos dourados, ia um caixão.
Calculei que se dirigisse à igreja e resolvi segui-lo.
Foi então que reparei que a estrela dourada do pano da cobertura que mais se destacava centralmente, tinha a ponta para baixo.
De imediato me ocorreu que o morto era um morto “B”.