A Europa connosco
A alternativa que o PS propõe é a recuperação do slogan “A Europa connosco”, pós-PREC.
Lê-se no documento que o PS publicou como sendo
o rol das suas propostas para o futuro e ouve-se na boca de alguns notáveis, como é o caso de António Costa (
na Quadratura do Círculo emitida na SICN a 18 de Julho).
Costa mais uma vez descobriu a pólvora e argumenta assim (citando eu de memória): “Se Lisboa paga cerca de 50% dos impostos do país (não sei com que dados e extrapolações o afirma, mas isso é outra história), fá-lo por ser a capital (?!) [...]”.
A ideia geral é a de que Lisboa não sustenta os recônditos lugares habitados do país onde a produção de riqueza é mínima. Lisboa é antes uma parte do todo nacional como as partes recônditas e habitadas o são.
Disse ainda que os países contribuintes líquidos para o nivelamento europeu são os que comprovadamente mais ganham ao pagarem (também aqui não se sabe nem se percebe como se chega a essa conclusão, mas há uns estudos – segundo Costa).
Lá está a ideia que foi propagada em devido tempo de uma Europa na qual as nossas contas haveriam de ser pagas pelos outros, como parte recôndita, habitada e pouco produtiva do todo.
Esquece-se Costa de duas coisas: essa Europa nunca existiu e provavelmente não existirá, apesar de uns ímpetos ajudistas que não foram nunca o reflexo de uma unidade social, como se vê bem nos dias que correm.
Lisboa pagará as contas dos outros porque se trata de facto de um todo nacional pelo qual Lisboa por, na argumentação de Costa, ser a capital, tem a honra, a responsabilidade, a obrigação de zelar. Poderíamos dizer o mesmo (com excepção de ser cabeça de nação) de todos os pontos em que a contribuição para a riqueza nacional está acima da média. A nação existe e é coesa. Tem-no sido pelos últimos oitocentos e muitos anos.
Há ainda um pequeno problema nesta argumentação – é a parte em que tem se explicar aos tais contribuintes líquidos que têm tudo a ganhar e nada a perder em continuarem a sê-lo. É que por vezes cada um usa o direito de só ouvir falar de coisas que acha que lhe interessam.
cartaz de propaganda eleitoral do PS em 1976 encontrado aqui.