Em casa
Não me informei sobre a origem da expressão imortalizada em azulejo.
Os de língua inglesa também a usam, suponho que a nossa é uma tradução à letra. Não faço ideia.
Se fosse possível averiguar junto dos outros animais se este conceito também a eles se aplica, independentemente de ser uma planície, um lago, uma gruta, uma montanha, uma praia, um banco oceânico, talvez se conseguisse perceber mais sobre a fixação animal dos homens aos lugares...
Se... se... talvez... Surpreendo-me muitas vezes com a inutilidade de reflexões deste jaez que me passam pela cabeça.
Podia ser um pouco mais claro, meu caro? Ingleses, animais, azulejo, lugares... está a falar de quê?
Home, sweet home - será isso?
Bem, a verdade é que hoje li algo que me transportou de novo para...
Para a janela dos pardais? Para o muro de cem anos?
Para o meu lugar. Se não é o lugar de um homem a casa onde viveu grande parte da sua vida, onde deixou a marca de água nas madeiras, nos rebocos, nas árvores, aquele casmineiro não terá nascido da insistência em enterrar caroços?
Começou o verão, falta-te o muro e o azul, pardais madrugadores e folhas de nespereira.
Começou o verão do sol, que o oficial é só daqui a dias.
05/06/2004
04/06/2004
A propósito de verões, ozono, mulheres e médicos
É sabido que em 1993 se verificaram os mais baixos níveis de ozono estratosférico registados sistematicamente.
O abaixo assinado não contava até então nos seus próprios registos uma que fosse queimadela do sol.
Numa tarde desse ano, e por circunstâncias que não vêm ao caso, descuidou-se.
Não se queimou muito mas ficou com aquela picadinha irritante debaixo da pele. E um bocadinho abananado.
Ao fim de um dia de férias estragado, lá se dispôs, cabisbaixo, a enfrentar a fila do Centro Médico. As mulheres acham sempre que os homens se deixam abater mais do que a conta.
Depois de uma horita de espera, lá se abre a porta amarela. O próximo.
"Então, c....., o que é que fazes aqui?"
Quando saí, risonho e triunfante e no vê lá tu quem é que estava a dar consulta, nem a cara dela me fez parar a pequena resenha das aventuras dos anos de Lisboa.
Já na farmácia, para o avio, é que me dei conta que elas às vezes podem ter razão.
É sabido que em 1993 se verificaram os mais baixos níveis de ozono estratosférico registados sistematicamente.
O abaixo assinado não contava até então nos seus próprios registos uma que fosse queimadela do sol.
Numa tarde desse ano, e por circunstâncias que não vêm ao caso, descuidou-se.
Não se queimou muito mas ficou com aquela picadinha irritante debaixo da pele. E um bocadinho abananado.
Ao fim de um dia de férias estragado, lá se dispôs, cabisbaixo, a enfrentar a fila do Centro Médico. As mulheres acham sempre que os homens se deixam abater mais do que a conta.
Depois de uma horita de espera, lá se abre a porta amarela. O próximo.
"Então, c....., o que é que fazes aqui?"
Quando saí, risonho e triunfante e no vê lá tu quem é que estava a dar consulta, nem a cara dela me fez parar a pequena resenha das aventuras dos anos de Lisboa.
Já na farmácia, para o avio, é que me dei conta que elas às vezes podem ter razão.
02/06/2004
Ciência e cepticismo
Uma das coisas que me põe os cabelos em pé, em se tratando de ciência, é a desabrida conclusão do "nothing happened" face à igualmente desabrida inquietação dos especuladores.
Quando acontece qualquer coisa que não é fácil de entender, como o caso dos avistamentos de ontem, é sabido que as hostes do sensacionalismo e de outros ismos fazem uma festa.
Mas o que me choca é que face à onda de disparates que rapidamente se propaga, se assista a uma reacção supostamente científica de tentar explicar de imediato e de qualquer forma o que sucedeu.
As explicações como facilmente se percebe são meras efabulações. Muitas delas encerrando o próprio contraditório e pouco ajustadas aos relatos e às observações dos aparelhos.
Esta pressa da ciência em se querer equiparar à especulação em nada a ilustra.
Ainda estou à espera de saber o que aconteceu no verão de 1979. Que comparando com ontem foi um fenómeno de muito maior visibilidade.
Uma das coisas que me põe os cabelos em pé, em se tratando de ciência, é a desabrida conclusão do "nothing happened" face à igualmente desabrida inquietação dos especuladores.
Quando acontece qualquer coisa que não é fácil de entender, como o caso dos avistamentos de ontem, é sabido que as hostes do sensacionalismo e de outros ismos fazem uma festa.
Mas o que me choca é que face à onda de disparates que rapidamente se propaga, se assista a uma reacção supostamente científica de tentar explicar de imediato e de qualquer forma o que sucedeu.
As explicações como facilmente se percebe são meras efabulações. Muitas delas encerrando o próprio contraditório e pouco ajustadas aos relatos e às observações dos aparelhos.
Esta pressa da ciência em se querer equiparar à especulação em nada a ilustra.
Ainda estou à espera de saber o que aconteceu no verão de 1979. Que comparando com ontem foi um fenómeno de muito maior visibilidade.
Ah, pois!
Não sou, nunca fui adepto desta expressão.
Mas é o que me apetece dizer às vezes.
Há umas quantas situações para as quais não fui construído.
Uma delas é enfrentar alguém que nos julga completamente idiotas.
Isso pode suceder face a um vendedor de qualquer coisa, pode suceder com um comprador que se julga de olho vivo, pode suceder com um conhecido que nos aborda a propósito de qualquer coisa, tendo em mente outra diferente e que pensa que nos enrola.
E pode suceder em muitas outras circunstâncias.
As pessoas que assim agem, têm-se em tão alta conta que nem sequer se apercebem das suas muitas limitações. Geralmente, dá bota o discurso que preparam ou que lhes sai torrencialmente.
Não sei se sou muito desconfiado, não sei se é por ser alentejano
A verdade é que a tentação vai logo no sentido de uns quantos enfastiados "Ah, pois!" que lá consigo evitar à última hora.
Reajo mal ao comprador que desfaz quando não é meu hábito valorizar o que vendo. Faça o favor de inspeccionar o material, o preço é xis. Quer, quer, não quer, fica para a próxima.
O mesmo na situação inversa. Talvez a minha costela de regateio esteja hipotrofiada. Deve ser isso.
Mas o que mais me incomoda, e isso incomoda-me mesmo, é aquela coisa de conversa mole a propósito dos astros quando se está a ver que o objectivo é outro e parece que nos andam a sondar.
Não tenho mesmo poder de encaixe para isso.
Com este, já são dois posts de indignação. Nada a ver com a vida virtual. Mas com tudo a ver com o que se passa fora das quatro linhas do monitor.
O "Ah, pois!" de que eu gostava era dito por um velho amigo à passagem dos tais exemplares femininos. E a entoação era outra, muito diferente.
Desabafos, pois.
Não sou, nunca fui adepto desta expressão.
Mas é o que me apetece dizer às vezes.
Há umas quantas situações para as quais não fui construído.
Uma delas é enfrentar alguém que nos julga completamente idiotas.
Isso pode suceder face a um vendedor de qualquer coisa, pode suceder com um comprador que se julga de olho vivo, pode suceder com um conhecido que nos aborda a propósito de qualquer coisa, tendo em mente outra diferente e que pensa que nos enrola.
E pode suceder em muitas outras circunstâncias.
As pessoas que assim agem, têm-se em tão alta conta que nem sequer se apercebem das suas muitas limitações. Geralmente, dá bota o discurso que preparam ou que lhes sai torrencialmente.
Não sei se sou muito desconfiado, não sei se é por ser alentejano
A verdade é que a tentação vai logo no sentido de uns quantos enfastiados "Ah, pois!" que lá consigo evitar à última hora.
Reajo mal ao comprador que desfaz quando não é meu hábito valorizar o que vendo. Faça o favor de inspeccionar o material, o preço é xis. Quer, quer, não quer, fica para a próxima.
O mesmo na situação inversa. Talvez a minha costela de regateio esteja hipotrofiada. Deve ser isso.
Mas o que mais me incomoda, e isso incomoda-me mesmo, é aquela coisa de conversa mole a propósito dos astros quando se está a ver que o objectivo é outro e parece que nos andam a sondar.
Não tenho mesmo poder de encaixe para isso.
Com este, já são dois posts de indignação. Nada a ver com a vida virtual. Mas com tudo a ver com o que se passa fora das quatro linhas do monitor.
O "Ah, pois!" de que eu gostava era dito por um velho amigo à passagem dos tais exemplares femininos. E a entoação era outra, muito diferente.
Desabafos, pois.
01/06/2004
Condutas
Quer a gente queira quer não, ética e moral a cada um a sua.
Talvez apenas por não ser homem de fé, sempre desconfiei dos excessivos ordenamentos sobre uma e outra.
Claro que são essenciais. Essenciais na medida em que do ponto de vista histórico, chegámos onde chegámos mercê de imposições que os homens atribuíram aos deuses.
Mostrando assim que o castigo é certo.
Mais do que as leis dos homens, as leis e os castigos divinos amedrontaram muita gente.
Vá-se lá demonstrar que assim foi. Mas descansa-nos pensar que sim. Como se isso agora fosse importante.
Não creio que seja muito difícil aceitar que o homem mais do que à justeza das leis, reage ao risco do castigo.
Se não crê que haja castigo divino, apenas teme o castigo dos outros homens.
O que não invalida que não construa a sua própria ética, a sua própria moral, provavelmente a partir de um base atávica fundada na religião dos seus antepassados.
Anda assim entre os limites auto-impostos e as barreiras que a sociedade lhe impõe, quer estes intervalos coincidam (o que é muito pouco provável) ou não.
De outro ponto de vista, há os que acreditam na bondade dos homens e os que não.
No meu caso, considero apenas que os homens são máquinas que lutam para sobreviver e para se reproduzir e que nada de bom ou de mau há à partida nelas.
Aceito isso dessa forma e sendo eu uma máquina igual, luto também pelo mesmo. Só isso.
Todas as minhas decisões se subordinam a esses dois princípios. Disso me convenço.
Optei por manter um certo grau de anonimato neste blogue.
Não tenho nada contra nem a favor de quem optou por se identificar.
Cada um sabe de si.
A decisão que tomei, subordinada ao que acabei de dizer sobre a espécie humana, vá-se lá saber como é que se formou.
Mas formou-se tendo como pano de fundo a ideia de que o anonimato não permite muita coisa. Não permite crítica directa, não permite apreciações específicas e também não deve albergar grandes encómios.
O que é uma limitação que não me importo de me impor, tendo em conta certo número de vantagens.
Entre essas vantagens inclui-se a baixa probabilidade de sofrer ataques pessoais.
Não é que os tema, mas aborrecem-me. E não escrevo aqui para me aborrecer.
Em boa verdade, não serei dos que mais inimigos de estimação fomentaram. Mas toda a gente os tem. Se me perguntarem quem são, não saberei identificá-los. Será falsa modéstia? Não sei.
Perdoem-me desde já todos os meus leitores.
Todos eles, sem uma única excepção, de uma elevada atitude quando por aqui deixam a sua achega, concordante ou discordante. Não tenho por isso a mínima razão de queixa e talvez soe a despropósito este texto.
Mas aceito mal ataques que vi nos últimos dias e que tenho visto ao longo do tempo, a pessoas que considero neste universo blogueiro.
Ataques cobardes, anónimos (o anonimato dos cobardes não deve, não pode diminuir a todos os que o escolhem) e pessoais.
Pessoais porque se dirigem só à pessoa que escreve e nada ao que está escrito.
Não quero dar lições a ninguém e nunca tive o sonho de mudar o mundo. Aceito as coisas como são. Há pessoas que para sobreviver precisam de ter uma ética muito própria, que repugna à maioria.
A mim, repugna-me. Mas tenho que viver com isso.
E porque tenho que viver com isso, decidi pelo anonimato.
Mais uma vez, peço desculpas aos meus leitores.
Vós não mereceis que estas linhas aqui saiam. Mas também não é a vós que me dirijo.
Hoje escrevo para quem me não lê. E ainda bem.
Quer a gente queira quer não, ética e moral a cada um a sua.
Talvez apenas por não ser homem de fé, sempre desconfiei dos excessivos ordenamentos sobre uma e outra.
Claro que são essenciais. Essenciais na medida em que do ponto de vista histórico, chegámos onde chegámos mercê de imposições que os homens atribuíram aos deuses.
Mostrando assim que o castigo é certo.
Mais do que as leis dos homens, as leis e os castigos divinos amedrontaram muita gente.
Vá-se lá demonstrar que assim foi. Mas descansa-nos pensar que sim. Como se isso agora fosse importante.
Não creio que seja muito difícil aceitar que o homem mais do que à justeza das leis, reage ao risco do castigo.
Se não crê que haja castigo divino, apenas teme o castigo dos outros homens.
O que não invalida que não construa a sua própria ética, a sua própria moral, provavelmente a partir de um base atávica fundada na religião dos seus antepassados.
Anda assim entre os limites auto-impostos e as barreiras que a sociedade lhe impõe, quer estes intervalos coincidam (o que é muito pouco provável) ou não.
De outro ponto de vista, há os que acreditam na bondade dos homens e os que não.
No meu caso, considero apenas que os homens são máquinas que lutam para sobreviver e para se reproduzir e que nada de bom ou de mau há à partida nelas.
Aceito isso dessa forma e sendo eu uma máquina igual, luto também pelo mesmo. Só isso.
Todas as minhas decisões se subordinam a esses dois princípios. Disso me convenço.
Optei por manter um certo grau de anonimato neste blogue.
Não tenho nada contra nem a favor de quem optou por se identificar.
Cada um sabe de si.
A decisão que tomei, subordinada ao que acabei de dizer sobre a espécie humana, vá-se lá saber como é que se formou.
Mas formou-se tendo como pano de fundo a ideia de que o anonimato não permite muita coisa. Não permite crítica directa, não permite apreciações específicas e também não deve albergar grandes encómios.
O que é uma limitação que não me importo de me impor, tendo em conta certo número de vantagens.
Entre essas vantagens inclui-se a baixa probabilidade de sofrer ataques pessoais.
Não é que os tema, mas aborrecem-me. E não escrevo aqui para me aborrecer.
Em boa verdade, não serei dos que mais inimigos de estimação fomentaram. Mas toda a gente os tem. Se me perguntarem quem são, não saberei identificá-los. Será falsa modéstia? Não sei.
Perdoem-me desde já todos os meus leitores.
Todos eles, sem uma única excepção, de uma elevada atitude quando por aqui deixam a sua achega, concordante ou discordante. Não tenho por isso a mínima razão de queixa e talvez soe a despropósito este texto.
Mas aceito mal ataques que vi nos últimos dias e que tenho visto ao longo do tempo, a pessoas que considero neste universo blogueiro.
Ataques cobardes, anónimos (o anonimato dos cobardes não deve, não pode diminuir a todos os que o escolhem) e pessoais.
Pessoais porque se dirigem só à pessoa que escreve e nada ao que está escrito.
Não quero dar lições a ninguém e nunca tive o sonho de mudar o mundo. Aceito as coisas como são. Há pessoas que para sobreviver precisam de ter uma ética muito própria, que repugna à maioria.
A mim, repugna-me. Mas tenho que viver com isso.
E porque tenho que viver com isso, decidi pelo anonimato.
Mais uma vez, peço desculpas aos meus leitores.
Vós não mereceis que estas linhas aqui saiam. Mas também não é a vós que me dirijo.
Hoje escrevo para quem me não lê. E ainda bem.
31/05/2004
Objectos únicos
Anteontem à noite, Peter Gabriel trouxe-me à memória uma presente de aniversário recebido há umas décadas.
Trata-se do LP Peter Gabriel 2. O exemplar que me ofereceram é feito a partir de massa preta e branca.
Um LP raiado. Haverá outros de outras edições de outros autores. O meu, ao que me disseram na época, é unzinho e foi feito de propósito.
Anteontem à noite, Peter Gabriel trouxe-me à memória uma presente de aniversário recebido há umas décadas.
Trata-se do LP Peter Gabriel 2. O exemplar que me ofereceram é feito a partir de massa preta e branca.
Um LP raiado. Haverá outros de outras edições de outros autores. O meu, ao que me disseram na época, é unzinho e foi feito de propósito.
30/05/2004
Aberto o concurso
Declaro aberto o concurso público para a atribuição do meu voto nas eleições europeias de 13 de Junho de 2004.
Serão admitidos a concurso todos os candidatos enquadrados em listas de acordo com a Lei em vigor.
Serão excluídos todos aqueles que não consigam entender a diferença entre acesso(s) e acessibilidade.
Não terão acessibilidade é o que é.
Declaro aberto o concurso público para a atribuição do meu voto nas eleições europeias de 13 de Junho de 2004.
Serão admitidos a concurso todos os candidatos enquadrados em listas de acordo com a Lei em vigor.
Serão excluídos todos aqueles que não consigam entender a diferença entre acesso(s) e acessibilidade.
Não terão acessibilidade é o que é.
Os cheiros do verão
Este ano está chocho. Estamos aqui, estamos em Junho e nada.
Talvez eu cometa um erro ao afirmar que os aromas do verão me marcam mais do que os de outras estações do ano.
Muita gente cita os dos primavera.
Mas a verdade é que guardo na memória uma colecção de perfumes estivais.
Uns mais naturais do que outros.
As praias têm cheiro. Cada uma o seu.
Os carros cheiram a quente.
Os montados cheiram a cortiça.
Os caminhos cheiram a pó.
Mas este ano está chocho. Muito chocho.
Mudem lá isso para o verão.
Este ano está chocho. Estamos aqui, estamos em Junho e nada.
Talvez eu cometa um erro ao afirmar que os aromas do verão me marcam mais do que os de outras estações do ano.
Muita gente cita os dos primavera.
Mas a verdade é que guardo na memória uma colecção de perfumes estivais.
Uns mais naturais do que outros.
As praias têm cheiro. Cada uma o seu.
Os carros cheiram a quente.
Os montados cheiram a cortiça.
Os caminhos cheiram a pó.
Mas este ano está chocho. Muito chocho.
Mudem lá isso para o verão.
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