12/06/2013


A verdadeira interpretação dos sonhos

A presença da viatura amarela é uma recorrência nos meus sonhos desde há uns dois anos, mais coisa menos coisa. Posso precisar isso porque vou tomando nota escrita e gravada do que lá se passa.
Durante esse tempo, esteve sempre presente como memória vaga de uma aquisição recentemente feita (ao longo do tempo) mas a que não tinha acesso por se encontrar sempre teimosamente estacionada longe do local onde a acção decorria.
Até que um dia aqui há uns meses, consegui finalmente conduzi-lo. Eu e o Mano. E chegámos à conclusão de que, embora por fora semelhasse um carro japonês ou coreano, por dentro mais parecia um Citroën Saxo.
Quis falar dele aqui e ilustrá-lo. Às vezes há coisas nos sonhos que parecem facilmente ilustráveis – será mais difícil descrever um sonho por imagens do que por palavras, só porque as imagens muitas vezes não se formam por lá? – e ocorreu-me nessa altura que poderia tratar-se do carro com quem toda a gente sonha*. Um sucesso! Milhões de pessoas sobre o planeta a partilharem comigo uma viatura amarela. E eu o primeiro a aperceber-me de tal, a levantar a lebre!
Ora um destes dias andei por aqui a doutorar-me em veículos automóveis fabricados a norte do trópico de Câncer, entre os meridianos 120 e 140 E e acabei com a tese de que se trataria de um Daihatsu Sirion modelo de 1998, mais coisa menos coisa, fazendo jus ao título acima.
Surpreendeu-me de facto que uma ou duas noites depois, continuando estacionado longe da acção, o tenha nomeado a quem não poderia dar boleia como um Kia Picanto vermelho! É que não tem nada a ver!
O meu carro branco entretanto tem tido fugazes interpretações. Quase sempre em papéis secundários.
Há ainda um azul RAL 5024 que foi comprado pela memória de alguém, cuja marca e modelo me escapam por ora mas que também teima em não aparecer. Aparecendo frequentemente.


* o homem com quem toda a gente sonha foi bem identificado como sendo Fausto Gomes e ajustado à jorna pelo Eremita.


The veritable interpretation of dreams

The presence of the yellow car is recurrent in my dreams for about two years. I can tell for I have written it down or recorded it.
For that while, it has been always there as a vague reminder of a recently made (along the timeline) purchase that I had never acceded so was it ever parked too far from the stage.
Some months ago, I finally got my hands on the wheel. Me and my brother. We agreed that besides looking like a japanese or korean model, from the interior it was more or less like a Citroën Chanson.
I wanted then to post something about it here and show a snapshot of the sillouette. Sometimes it seems that things in dreams are easily designable – should it be harder to describe a dream by images than by words, only for images don’t ever show in dreams? By then it came to my mind that it could be the car that everyone dreams with*. What a scoop! Millions of people all over the planet sharing with me a yellow car. Being me the first to blow the whistle!
So, one of these days a went for a PhD in yellow cars made between the 120th meridian east and the 140th meridian east, north of the Tropic of Cancer. I finished my thesis showing it was clearly a 1998 Daihatsu Sirion, on behalf of this post title.
What really surprised me was the fact that, one or two nights after that, still parked far away from the scene, I came to name it as a red Kia Picanto. To someone I could not give a lift. No way!
My real white car has been scarcely seen there. Most times in secondary roles.
There is another car showing there – a RAL 5024 pastel blue bought by someone’s memory. Could not determine make and model. Like the yellow it seems to be always far away. No matter, it shows.


* The man that stars “Ever dream this man?” was caught by Eremita and named as Fausto Gomes. He works for his capturer in a day-by-day basis.


fotografia daqui

11/06/2013

Assobio quadrado


fotografia de Juan Emilio in Wikipedia

Chamava-se assobio quadrado a uma imitação de certo passo do canto do merlo muito usada pelos machos humanos no acasalamento.
Pois ou é do meu ouvido ou dos meus olhos ou é certo que andam por aí a voar mais merlos do que é uso?
Dos assobios passei aos avistamentos e à quase socialização com alguns exemplares.
Será mesmo um surto, Ivone?


do filme de ellieeckhardt
Fotografia mutável


A ponderação do jogo - objectos abandonados.
Σεισμός

Cada vez me convenço mais de que um abanão grande está à porta.
É a impressão que colho dos registos dos sismógrafos. Não sou adivinho nem especialista em geofísica. Sou um leigo com impressões.

10/06/2013

Casa Buttuller*

Os símbolos têm que ter a sua força particular – o objecto em si tem que ser ele também simbólico – e por isso adquiri a minha segunda bandeira nacional no alto da Torre, ponto mais alto do território continental. E num ponto alto da minha vida.
A Casa Buttuller da qual sou cliente velho tem a respeitabilidade de ser um repositório de símbolos, um compêndio de semiótica onde se entra a pé. Confere assim aos símbolos que lá adquiri um suplemento de alma.

Há uns três anos atrás, mais coisa menos coisa, adquiri lá uma bandeira nacional de pôr na lapela.
Não cheguei a ostentá-la. Dei por mim, tempos mais tarde, confundível com uma casta de governantes.
Um símbolo nacional é um símbolo nacional e, por muito uso particular que lhe dêem futebóis, por muito uso partidário a que alguns se julguem com direito, o tempo se encarregará de o devolver ao significado que efectivamente tem.
Modas e reviralhos à parte, há uma base no Escudo de Portugal que se mantém.
O formato da bandeirinha de lapela é que se transformou, depois de eu ter comprado a minha, num símbolo da situação.
E não me reconheço nela.

Hoje é Dia de Portugal. Bem poderia não o ser. A carga simbólica é muito mais pesada noutras datas. É a minha opinião e a de um grupo grande onde me incluo.
Estes moços que andam com a bandeira na lapela, aparentemente não tiveram o cuidado de se informar. Ou terão eles motivos fortes para assim terem decidido?



* ver belíssima foto da fachada da dita, tirada por Mr. Tambourine.
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