22/12/2003

Ainda a calçada à portuguesa

E se fosse assim?

Em torno de um berbequim

Também já ninguém se lembra.
Eu próprio confesso que não me lembro dos intervenientes, nem do local.
Mas lembro-me do conteúdo.
Tratava-se do arranjo formal de uma determinada calçada à portuguesa (perdoem-me todas as incorrecções).
Creio que o autor do projecto pretendia incluir motivos da contemporânea idade no desenho da calçada.
Entre outros objectos, figuravam berbequins.
Levantou-se logo o habitual coro de protestos.
Continuo sem saber muito bem como é que se discute uma obra de arte, mas isso é outra história.
Agora que se levantassem contra os berbequins, é a habitual tacanhez pura e dura.
Não fazem eles parte da nossa vida quotidiana? Não precisamos deles todos os dias?
Não os mencionou António Lobo Antunes nos seus livros? Não está lá toda a nossa vidinha?
Os motivos manuelinos vieram de que século?
Arre macho, mais uma vez! Ponham lá os berbequins, os discos compactos, as jantes, os telemóveis, caramba!



imagem de acordo com o modelo 7152 da B&D, segundo catálogo
Ainda as viagens de automóvel

Já não sou do tempo dos quilómetros de arranque.
Experimentei apenas as vertigens das rectas de Pegões e de Alcácer.
E consegui uma coisa de que eu próprio me admiro, atravessar a Península Ibérica cruzando, ultrapassando e sendo ultrapassado por uma escassa dúzia de automóveis. E sempre por estrada alcatroada.
Tenho a nostalgia do pouco trânsito. Um elitismo sem sentido e sem objectivo.
Possa eu traçar rotas ignotas que sempre encontrarei companhia. Já nada como dantes.
Mas ainda faço viagens só por fazer. Fora de época, em dias de semana e para sítios onde quase ninguém vai.
Cada vez mais, fujo da estrada se ela me irrita. E ela irrita-me em épocas destas. Não me mexo.
O menino Jesus terá de apanhar-me de outra maneira.

No tempo em que os carros eram assim



E as estradas tinham marcos brancos nas curvas de montanha, os camiões fumegavam de velhice e as bombas de gasolina eram por vezes obras de arte, era difícil encontrar-se o que comer em certas zonas.
Naquela passagem de nivel havia uma taberna com maravilhosas sandes de presunto e paio.
Para a meia-hora que às vezes demorava o comboio, havia sempre o conforto do pão fresco e da carne bem curada.
Era vê-lo, ao dono da casa, de carro em carro, a fazer negócio.
Quando começaram as obras da passagem superior, amaldiçoava os pobres operários.
Houve até quem tivesse falado em apedrejamentos.
A obra ficou pronta há uns trinta anos.
No outro dia, fiz um desvio e fui espreitar a velha passagem de nível.
A taberna é agora um café.
Nada indica que haja saborosas sandes de paio e de presunto.

imagem adaptada do Armstrong Siddeley Saphire em

21/12/2003

Duas de mar





O mesmo Atlântico em Dezembro

imagens de MSMS e Sky News
Fahrenheit 451

Às vezes, tudo é cinema.
Naquela manhã, do alto da chaminé industrial, chamei pelo telefone um velho amigo do complexo fabril.
Precisava de energia. Vi-o chegar, desgrenhado como sempre, gesticulando para a direita e para a esquerda enquanto falava ao telefone com alguém.
Era um peão, uns bons metros abaixo.
Depois, o meu telefone tocou. Que estava tudo arranjado, dizia-me com o braço livre a desenhar gestos no ar.
Quando desci, já ele se retirara.
Mas passados minutos, chegou outra personagem, impecável no seu fato vermelho de bombeiro, capacete anos 60, ao volante de um pequeno jipe que trazia atrelado um gerador, tudo vermelho. Reconheci-o de imediato, era Montag.



imagem do filme em
No correr do tempo



Objectos

Rijomax, o relógio. Informação aqui e aqui.

imagem da SIC

20/12/2003

Somos todos bonzinhos

E muito coerentes.
Caramba! Mas que coerência é que há na sobrevivência?
O homem, o animal, e os estados que criou regem-se pelo único critério possível: a sobrevivência.
Bonzinhos? Somos todos bonzinhos e muito coerentes.
Alguns não sobreviveram. É tudo uma questão de energia. Não é isso a lei do mais forte?
Alguma novidade à face da terra?
Onze dias para passar de nível

Só me lembro disto

O Espírito de Natal

Por mais voltas que dê, não encontro o Espírito.
Todos os temos, julgo eu, enquanto crianças. Mesmo que seja humana a proveniência dos presentes.
Mas depois desse período, passou-me. Acho que de vez.
De cada vez que observo a cavalgada das compras a toque de caixa, mais se acrescenta o tédio.
Será por não haver crianças por perto? É possível.
O certo é que o espírito passa ao largo e não há rena que me dê coice.
Não me interessam presentes, nem dá-los nem recebê-los.
Gosto de dar uma prenda sem que haja uma data imposta para o fazer.
Não me importo nada de as receber de surpresa.
Mas de Natal, já só me resta a memória do T.P.F..
Sejam felizes.

Direita e esquerda

Alguns autores afirmam que para algumas populações esquimós estes conceitos não existem.
Não faço a menor ideia se isso é extensivo a outros grupos humanos ou não.
Mas sei que, no sítio de onde venho, eram conceitos de utilidade muito acessória.
Muito poucas vezes se referiam as coisas na topologia doméstica ou rústica usando tais noções.
Usava-se recorrentemente o: ao pé de; por detrás de; à frente de; diante de; lado de cá; lado de lá; debaixo de; em cima de; para ao lado de. Todos referidos a lugares bem determinados quer no exterior, quer no interior das casas.
Também não faço a menor ideia de quais as razões que sustentam essa ausência nem sequer se tais características se repetem em zonas mais ou menos vizinhas.
Curiosamente, ao vir-me isto hoje à cabeça, também não encontrei nada sobre o assunto no mundo dos motores de busca. Apenas exercícios para ensinar os dois conceitos às crianças.


19/12/2003

Gaba-te, cesto - mais vale umas botas

Então não aprendi nada com as mulheres?
Aprendi, pois claro.
Sei o que é fazer pendant, parure ou toilette e muitas outras coisas que não são para aqui chamadas.
Certa vez, discuti até o classicismo no vestuário, à varanda de uma casa em obras, enquanto os pedreiros não chegavam.
Fui então rotulado de classicista trangressor, o que era muito interessante, na opinião dela. Talvez por usar botas caneleiras com fato e gravata.
Cá para mim, não fosse eu um mocinho jeitoso nessa época, haveria de servir de muito um par de botas.



Mas ainda não sei o que é um traje clássico.

imagem adaptada de http://www.cm-arraiolos.pt/artesanato/artesanato.htm
Tíbia 7.11

Devo aos pára-quedistas um sem-número de dicas.
Fiquei a saber que se joga Tíbia e que há qualquer coisa de complicado com o Minotauro.
Que há uns jogos de carros ena ig sobre os quais o único sítio do mundo onde se pode encontrar informação é aqui, no H G U, segundo o MSN Brasil.
Que há um sítio estranho, chamado cave do totoloto, de onde aparentemente saem as chaves todas as semanas.
Que há uns calendários que são tios de alguém. Deve ser alguma família lá das minhas bandas, onde já existe o Pouco Tempo.
Mas há também quem procure coisas como nas páginas amarelas.
Da Holanda (vejam este post), chegou o pedido de informação sobre o endereço postal da garagem (?) Ford de Setúbal. Lamento, talvez a Ford Portugal tenha essa informação on-line.
E há quem queira saber da geometria no presépio.
E claro, continuam os pedidos para adivinhar as chaves dos habituais concursos da Santa Casa. É estranho que ninguém peça o número da lotaria do Natal.
Pedem-me ainda mapas. É escusado, não dou informações de trânsito. O trabalhão que me dá evitar as filas em época festiva. Nem pensar.
Houve até alguém que pensou que era eu o detentor do segredo do molho 365, o das bifanas. Francamente.
Não bata a cabeça à toa - acham que isto é pesquisa que se faça? Sem aspas?
Também um dos dois únicos sítios do mundo onde há referência a uma máquina de rolhar é aqui. Está certo. Mas de que informação precisa?
Em relação ao Sado, já percebi há muito que algumas pesquisas que aqui caem não se referem aos barrancos de onde procede, é qualquer coisa a respeito de um marquês. Paciência!
Já agora, porque é que não usam as aspas? Não é assim tão difícil encontrar o que se procura.
Fico com a impressão de que 99% das demandas são feitas por quem não tem a menor noção do que está a fazer, será assim?


Gasolim ao Km 198,4

18/12/2003

Paris

A maior parte das vezes que qualquer de nós se encontra em meio desconhecido, o que é que sucede?
Ou temos connosco o micro-cosmos suficiente para fecharmos um universo próprio, independentemente de estarmos sòzinhos ou não, ou ficamos na defensiva a ver em que é que param as modas.
O que é invulgar e insólito é que, no mesmo lugar, se reúnam ao mesmo tempo, várias pessoas nas mesmas circunstâncias de alheamento ao local e às restantes, como que de um albergue nocturno se tratasse.
E que esse facto seja simultâneamente verificado por todos, dando lugar a uma aproximação estranha mas leal, como a que aparentemente temos sempre com o desconhecido não-invasor.
Foi de um ambiente desses, cada vez mais raro, que falámos há pouco. Não se trata de antecâmaras de aeroporto, de enfermarias de hospital de campanha, de carros parqueados em filas paralelas num grande engarrafamento, trata-se de Paris.
Da cidade das luzes ou da cidade-luz. Bizarrias.



imagem escandalosamente roubada aqui
Gasolim e a ferrovia

A cadelinha plebeia

Estava prometida há anos, a cadelinha que os meus amigos nos deram há um ano e tal.
É filha de pais inscritos no Livro de Origens Português (LOP), logo poderia igualmente ter a sua inscrição no dito livro.
Sucede que, para tal e ao que me disseram, torna-se agora necessário submeter os animais a uma de duas intervenções: ou são tatuados ou se lhes insere um micro-chip.
Mais estranho: estando os pais já registados, para inscrever a ninhada era necessário fazer o mesmo aos pais, embora o regulamento não estivesse em vigor à data em que aqueles nasceram, tendo assim sido registados sem que nada disso fosse necessário.
Ninguém quis fazer isso aos cães, nem os donos dos progenitores nem os promitentes curadores dos elementos da ninhada. Logo, temos uma cambada de plebeus filhos de pais incógnitos, como era uso com os humanos nascidos em circunstâncias reprovadas, de pais fidalgos.
Só umas questões me atormentam o espírito:
Qual é o objectivo destas normas?
Se uma tatuagem é quase impossível de apagar, não é de todo impraticável viciá-la.
Um micro-chip é obviamente fácil de remover e recolocar.
E o que é que vale quando se registam cães, não é a palavra do dono?
Fazem-se alguns testes para confirmar a progenitura?
É certo que isto são banalidades, mas devem ter algum interesse para quem ganha dinheiro com estas coisas.
E sim, a cadela é um espectáculo. Mas o cão também é e desse não se sabe mesmo quem é o pai, nem sequer que tipo de cão era. Sabe-se que a mãe era boxer e que ele tem apenas vagas parecenças com a raça. E o que é que isso interessa?
Já chega, amigos pára-quedistas

Por acaso

Por acaso num filme
Por acaso numa captura
Por acaso aqui
Rios e pontes, sempre



Não é sempre por acaso?

17/12/2003

Valsas putrefactas em cima de uma mesa de pedra, lá no quintal

Ora evoluíam pelo roseiral bravio,
Ora se reorganizavam sob o zimbório que rematava o fundo do jardim.
Tudo isto numa intenção clara de apaziguar a primavera acendida
Sob o deleite que a alcoolemia lhes proporcionava no verde.
Mesmo que à porta lateral do pavilhão onde repousava o esquife
Chegassem acordes de música
Aos ouvidos dos correligionários enlutados
Que teciam pálidos encómios ao defunto
E exercitavam apetecidos conceitos de infelicidade.

1985

SG, "Dizeres do Sul", 1993
Os rótulos de Garcia Marquez



Serve para escorregar
Quase parece a sério

Quase faz sentido

16/12/2003

Hat-trick



Houve um tempo em que seguíamos também a tabuada dos golos.
1-0, 0-1, 1-1, por aí fora.
Como na bola, estes eram os resultados habituais. Os empates a zero eram também numerosos, havia uma infinidade de penalties desperdiçados por falta de concentração.
Mas, volta e meia, uma goleada.
Na nossa estranha contabilidade, só se conseguia construir um resultado volumoso quando a equipa era grande.
Dessa vez, se a memória me não atraiçoa, éramos quatro.
E elas eram umas oito.
Foi má leitura de jogo por parte do treinador.
O certo é que já estávamos em campo e não havia tempo para recrutar novos reforços. Fomos à luta.
Depois de algumas jogadas individuais, já o automatismo da equipa adversária estava percebido, encontro o M.C. no bar.
"E atão? Como é que é?" - disparou ele.
"Como é que é? É assim: A mais interessante para mim é a que se atracou ao S. A que eu gostava de marcar é aquela magrinha, dos olhos grandes. Mas a que está a descair para o meu lado é a matulona do cabelo preto. Lá da RDMNA. Vou então ver o que é que dá a magrinha, se não der, a minha escolha é a matulona."
"Porra, queres tudo para ti. Logo três!"
"Não, M." - eu a ver que ele queria a matulona - "Podes ficar com as outras, eu fico com a que caiu cá para o meu lado. Não há crise, podes escolher a magrinha."
"Porra, queres logo as três."
"Não, homem, só quero a matulona, não quero nenhum hat-trick."
Ele lá se foi, a matulona caiu mesmo para o meu lado. O P.P. já tinha a dele certa. O S. a mais bonita. E o M.C. ficou com uma que agora me não lembro. O certo é que foram elas que escolheram. As outras quatro, entre as quais a magrinha, recolheram aos balneários. Não houve hat-trick para ninguém. Elas ganharam 0-4. Ah, esquecia-me! Hat-trick são três, toda a gente que lê jornais desportivos sabe disso.

coelhinho em
Presente de Natal

Para o selo do carro ou para outra coisa qualquer

Gasolim e a estrada



Já aqui disse que não compreendia o argumento segundo o qual as pessoas se transfiguram ao volante, fazendo as maiores atrocidades.
Basta estar atento em todo o lado, por alguns momentos, para nos apercebermos de que os mesmos comportamentos bizarros se verificam também fora das caixas de lata.
A questão é que as caixas de lata derivam em caixões. E em mísseis mal guiados.
Fossem os telemóveis, os chapéus de chuva, os carrinhos de supermercado, as cadeiras de restaurante, as senhas de vez, armas letais e então ver-se-ia.
Não sou exemplo para ninguém. Não venho dar lições nenhumas.
Mas se há ou não um mal generalizado nas nossas estradas, é bom que se estude o assunto de forma racional.
Começando por perceber o que é que se passa.
Uma das coisas que conhecemos mal são as efectivas causas dos acidentes.
Primeiro, porque os próprios intervenientes quando sobrevivem, não sabem ou não querem perceber as causas.
Segundo, porque os elementos que as autoridades apuram são manifestamente insuficientes. Estas limitam-se a enquadrar numa tabela incompleta mais ou menos o que lhes parece.
Terceiro, porque há uma espécie de véu sobre as coisas, que permite que se construam mal as estradas, que as sinalizem mal e que se passem licenças de condução a qualquer um.
Não vou abordar aqui aquilo de que outros estão fartos de falar.
Apenas recordo e chamo a atenção para aspectos de que se têm esquecido.
Há anos, havia na rádio um programa interessante sobre a estrada. Nesse programa, ouvi com o mesmo pasmo do apresentador, um ministro dizer que agora é que se iam acabar com os acidentes! Era de calcular que fôssemos longe com tão ridículas sentenças.
Basta apreciar o relatório da sinistralidade da DGV para perceber várias coisas:

Existe um sem-número de dados estatísticos não relevantes.
Existe uma tabela de causas mal elaborada.
Algumas tabelas relevantes deviam ser ponderadas proporcionalmente (ex: nº de acidentes por idade de veículo, por idade de condutor, por anos de carta)

Percebe-se que não é o álcool que causa agora os acidentes (isto não tem nada a ver com a justeza da penalização!), mas ajuda saber que para combater a sinistralidade é preciso virar a atenção para outros lados e não bater sempre na mesma tecla.
E que a confusão entre excesso de velocidade e velocidade excessiva também não ajuda.
Uma coisa é exceder os limites impostos, outra completamente diferente é não ter noção nenhuma de qual a velocidade adequada em determinadas circunstâncias (as atmosféricas, o carro, a estrada, a capacidade do condutor).
Já vi pessoas despistarem-se e quase morrerem a 20 Km/h! É que não convém confundir os pedais de travão e de acelerador num gancho sobre um precipício.
Lá vem mais uma época de funerais.

Pai Natal em

15/12/2003

Gasolim en garde

Gasolim a ver passar os outros

Não é só na Finlândia que as câmaras captam imagens interessantes.
Esta é nossa.



câmaras do IEP aqui
Escantilhões e impressoras



Não é nada que eu não tivesse previsto.
Quando um professor dizia que, com a chegada do CAD, se iria perder toda a marca pessoal no desenho técnico, as perspectivas aguareladas, os cortes chinesamente pormenorizados, até as borras de café e as queimadelas de morrão, já eu tinha outros temores.
E os simples processadores de texto, com as suas potencialidades?
O que fariam aos letreiros das tabernas com letras invertidas?
E aos dos vendesse melões?
E a todos os outros, em cartão rasgado, em papel pardo, em madeira de caixa de fruta, em lata, sobre um muro?
Aqui Há isco? Uvas a 500M? Vinho a granel? Sandes diverças? Há Queijo cabreiro?
Sejamos optimistas. Não se vão todos.
Em primeiro lugar, apesar de até eu ter acesso a um computador, ainda há muita gente que foge deles como o diabo da cruz. E nem toda a gente tem a sorte de ter ao pé da porta o tal tipo que tem a filha com jeito pó desenho.
Os que usam a impressora agora, são os mesmos que usavam o escantilhão verde e preenchiam todo o espaço aberto, são os que compravam letras auto-colantes ou decalcáveis.
Em segundo lugar, não se compram plotters de grandes dimensões para compôr cartazes numa parede cega “Servem-se grelhados”. A coisa reduz-se ao A4. E o A4 não aguenta com tudo.
Em terceiro lugar, há os porque não. Não é que não tenham acesso a um computador ou que não sejam capazes de fazer seja o que fôr com ele. É porque não.
Mas digo adeus às letras invertidas no pequeno formato. O trabalhão que dá arranjar e instalar um alfabeto cirílico para obter os NN e os RR? E os SS, então? Era preciso editar os caracteres.
Mas há em contrapartida essa inesperada mais-valia do processador de texto, a letra em acordeão, a letra perspectivada, a letra em curva, uma panóplia de estilos e de cores.
Mas nada, nada bate o pequeno aviso da ARESP, ou não dissesse ele que é vedado o acesso a quem penetrar nas zonas de acesso vedado.
Não acredita? Veja em qualquer café aí para os seus lados. É um aviso azul.

14/12/2003

As barbas de molho

Ora aqui estamos, no meio do frenesim habitual das últimas notícias.
E basta fazer um zapping à balda para nos regalarmos com uma quantidade substancial de anedotas. Em todas as línguas, nos mais diversos canais.
Há uma que hoje bate as outras:
Que eu saiba, começou nas televisões americanas e já se ouviu em português.
Trata-se do escanhoamento do homem.
A crer no que foi dito na imprensa, teria sido necessário fazer a barba ao preso para o identificar.
Se isto não é uma anedota, se é a sério, arre macho.
O pior é se Ibn Laden resolve rapar a cara. Vão ser necessários uns meses de barba a crescer para o identificar. Estou a brincar, a esta hora já os serviços secretos encomendaram a um perito uma barba postiça igual à das fotografias.
Barac Bac Bac

O blogue dos porcos está a dar as últimas. Também ninguém vai lá.
Gasolim a ver passar os outros



É por estas e por outras que não me canso de referir este sítio
Das duas, três

Ou a estranha impossibilidade de alguns lerem o português, embora seja uma das dez línguas mais faladas no mundo. E seguramente entendível, na forma escrita, pela hispanidade.
Ou a tentativa de me afundarem sob o peso de milhões e milhões de dólares.
Ou, de facto, tenho cara e e-mail de labrego.
Não sei a qual das hipóteses se deve, mas lá recebi mais um aviso prometedor. Desta feita são 2.000.000 USD.
A juntar aos 5,45 e ao 0,5 das anteriores, o bolo já vai em 7,95 megas.
Não faço a menor ideia de quantos mais terão este Natal sido contemplados com tantos Los Gordos, mas com três sorteios a meu favor, já quase igualo o recorde que detenho na barraca das panelas, onde consecutivamente, e para gaúdio dos soldados que me cortejavam a criada, arrematei lá para casa um novo trem de cozinha.
Das duas vezes anteriores, publiquei aqui o mail ganhador e das duas vezes aqui vieram espreitar ou camaradas meus ou os próprios benfeitores, na esperança de entreverem na minha face uma plácida lágrima de contentamento.
Não lhes goro a pesquisa. Sejam benvindos.

"HEAD OFFICE
EURO-AFRO SWEEPSTAKE LOTTERY NL.

BURDENSTREET 21B
1053 DS AMSTERDAM, THE NERTHERLANDS.

FROM: THE DESK OF THE MANAGING DIRECTOR
INTERNATIONAL PROMOTION PRIZE AWARD DEPT.

REF: HWS/2001130802
BATCH: 18/203/JJS.
DATE: 04/0

/2003

Attention:Sir,Madam

WINNING NOTIFICATION.


We are pleased to inform you about the release today the 10th of
december 2003 of the ERO-AFRO SWEEPSTAKE LOTTERY INTERNATIONAL
PROGRAMMS held on the 28th june 2003, Your company name atta
he

toticket number: 564 ?75600545 ? 188 with serial number 5388/02
drew the lucky numbers:3-11-27-30-34 41, which consequently won the lottery
inthe 2ndcategory. You have therefore bee
approve or a lump sum pay out of UD$2MILLION in cash credited
to file HWS/200118308/02.This
is from a total cash prize of US$20MILLION share! among the ten international
lucky winners in this category. Furth
rmore, your lucky winning number alls within our NORTH AMERICAN booklet
representative office in CANADA indicated in your play coupon. In view of
this, your US$2,000,000.00 (Two million US Dollars) would be released to
you by our COMPANY regional
branch office in CANADA ,CONGRATULATION.Take no that 20 million email addresser
was drawn out from
net and many people won both in the first and second
and third category. Your fund has been therefore deposited with the CANADIAN
COMPANY in your name from where it would be released to your nominated
bank account. Due to the mixed up of some numbers an names, we ask that
you keep this a top secrect from the public notice until your claim has
been processed and your money remitted to your account
as this is part of security protocols to avoid double claiming or unwarranted
taking advantage of his programs by participats. To begin your claim,you
should first acknowledge
receipt of this notification through the above emailaddress Endevour to
include your full recent contact address,telephone/fax numbers and your
bank account details were you want this fund to be remitted to you As soon
as you confirm receipt of this notification, you shall be advised/directedon
how to contact the CANADIAN COMPANY for processing and remittance of your
funds to your nominated bank account. Remmbe ,Al winnings must be claim
not later than 31st of december 2003. and after this date all be returned
as unclaimed. NOTE: In order to avoid unnecessary delays and complications,
please remember to quote your reference and batch numbers
every correspondnce. Furthermore , should there be any change of your address,
do inform us as soon as possible. Congratulations again from all members
of the staff and thank you being part of our promotional program.
Sincerely yours,
DrEdward
Thompson
"

O e-mail de contacto é ethompsonall@tiscali.co.uk

P.S. A moeda desta vez não é U.S.Dollars Only. Aproveito para dizer aos organizadores destas notáveis quermesses que, em português, é mais bonito dizer que o prémio é logo de 2.000.000 de dólares, em vez de 2.000.000 de dólares . Isso cheira a falsa modéstia e a novo-riquismo.
P.P.S. Adorarei ler a tradução instantânea disto tudo, mais uma vez. É talvez por isso que eles também insistem.
A porta do largo

O blogue não é suficiente. Aliás, o blogue não é o local adequado.
Sendo um blogue quase anónimo, não posso reagir aqui aos acontecimentos.
Tenho assim um grave problema para resolver.
Quando tinha a porta do largo, aberta ao centro da vila, bastava-me encomendar um púlpito de madeira de castanho a um bom marceneiro e colocá-lo depois ao lado da cabina telefónica.
Assim, de peito aberto, e devidamente identificado pelos presentes, por ser pessoa da sua lidação, poderia livremente exprimir os meus pontos de vista sobre o que se está a passar.
Teria, obviamente, que me aconselhar com este e com aquele sobre quais os assuntos que mereceriam a minha reacção a tempo.
Mas assim, estou de mãos atadas.
Já não disponho da porta do largo.
A varanda do monte só dá para o montado. Não há ali vizinhos interessados em ouvir as minhas doutas sentenças. O cais das traseiras é avistável da estrada, mas a estrada é particular (a Câmara nunca me deu um chavo por a ter alcatroado e chamado sua – sou muito mal agradecido, não sou?)
Resta-me virar para o outro lado e continuar a acompanhar a situação.



A má qualidade da imagem é propositada
Falta uma foto



É verdade! Falta aqui uma foto.
Segundo um dos meus primos, deve ser tirada à porta do monte, a cavalo e de cajado na mão, com a família ao lado, alinhada segundo o protocolo.
Em plano anterior, os cães. Se possível uma galinha peada por um baraço mas nenhum gato.
Talvez um garrafão displicentemente colocado a um canto, também ele amarrado.
Não sei. Talvez a tire. Também não sei a quem é que hei-de pedir o cavalo emprestado. É melhor não.
Tudo apeado.
Eu depois dou vaia ou coloco-a aqui.

imagem de

13/12/2003

Gasolim e as escolhas em inverno seco


Vou escrever um livro

Escrever não é bem.
É a rogo.
Encomendei a um discípulo de La Fontaine uma biografia minha.
Não é para ser O Fabuloso Mundo de H Gasolim. Não.
É outra coisa.
É uma exo-auto-biografia feita por animais e plantas.
Ele vai chamar os meus cães e ouvir as suas queixas.
Vai entrevistar os pássaros na gaiola. É possível que não consiga nada do rabugento.
Terá o depoimento de muitos chaparros e azinheiras.
Vai notificar os porcos dos caseiros e entrevistá-los um a um.
Contará também com o contributo inestimável de ovelhas e vacas.
Já não poderá infelizmente auscultar a opinião das galinhas há muito desinstaladas nos ramos da velha oliveira.
Mas ainda assim, já encomendei as faixas amarelas. Também elas falam.
Que tal?



Na foto, é mesmo o meu querido cão. A capa está uma trampa, tirando o cão. Vejam bem o título às escadinhas. Encomendei-a a um tipo que tem uma filha com jeito pó desenho
Gasolim e os apeadeiros



longe do vulcão

12/12/2003

Pó branco e pastéis de bacalhau



Já dei voltas à cabeça, já li cinquenta manuais, treze compêndios e nada.
Não consigo encontrar explicação para o bacilo escolher o pó branco como veículo.
Qual bacilo?
O do carbúnculo – o Bacillus anthracis.
Sabemos todos que os bacilos são formas de vida. E que devem ter lá as suas idiossincrasias. Mas escolher o pó branco? Caramba, não é nada politicamente correcto.
Nada com pós azuis, verdes ou vermelhos, só brancos.
Agora parece andar retirado. Não se fala nele. Já o açucar pilé relaxou, as farinhas de sílica e de trigo estão mais descansadas, o próprio pó-de-talco parece mais novo, menos preocupado.
Eu, como sou desconfiado, tenho andado a pensar se ele não terá escolhido os pastéis de bacalhau como transporte.
Já nessa época de Setembro / Outubro de 2001, tinha advertido os meus mais chegados para essa hipótese.
Agora que a coisa anda esquecida, volto a alertar.
É que o pó branco tem um universo potencial mais limitado. Os pastelinhos são uma forma muito mais eficaz de distribuição.
Dizem-me que ninguém aspira pastéis de bacalhau. Não aspira um, certo. Mas aspira por um. Muita gente aspira por eles sem os confundir com notas enroladas. Lá estou eu com trocadilhos.
Não se iludam, o bicho é manhoso. Se não fôr pelos pastéis, como eu prevejo, há-de ser pelos tremoços, que é uma boa forma de dizimar as tropas. Assim como assim, mata os homens e deixa as mulheres.

imagem em
O diabo aquático



Não sou contra os neologismos nem tenho um conhecimento profundo sobre as formas que apresenta o rabudo, o coisa ruim, o ...
Mas, deixando de lado a caneca que existia no trem de praia dos meus bisavós em que ele figurava, na certa como recordação de algum mascate menos timorato, e em que aí sim, convivia com a água que eu lá lhe colocava, não me recordo de nenhuma outra ocasião em que o ... se tenha familiarizado com a água.
Sempre o figurei como um gato escaldado.
Mas há uns tempos, um noticiário de rádio revelou-me esta estranha metamorfose. O ... tinha aprendido a nadar. Depois de narrar alguns factos estranhos em certa cidade, o locutor concluiu: "... e o Diabo aquático!"
Pronto, pensei, tornou-se rei dos mares. Adeus, Neptuno. Ou será que não? Afinal, esse deus tão traiçoeiro para marinheiros e viajantes não ostentava ele um tenebroso tridente? Seria já o próprio ou um enviado seu?
O certo é que o ... já não andava a quatro.
O mais estranho é que, numa altura em que todos querem andar a quatro (tracção às quatro, motos-quatro), o ... se tenha decidido pela barbatana dorsal. Não me conformo.
Será que ele comprou uma moto de água?

imagem adaptada de
Nostalgia do burro



Sem grande explicação, o burro veio à baila.
Falou-se demoradamente dos asininos.
Que eram dóceis e teimosos como burros(?)
De vez em quando um coice mas nada de cuidado.
Pica-lhes a mosca.
Lá recordámos as imagens dos bichos, que os havia lá no monte.
A minha mãe condoeu-se de os animais estarem em vias de extinção.
Às vezes ponho-me a pensar que pertenço à primeira geração apeada. Uma espécie de anspeçada.
Sempre houve cavalos, mus e burros, arramadas e cavalariças. Os meus avós a cavalo, o meu pai a cavalo. Eu a pé.
Ora, ultrapassadas que estão as necessárias três gerações para fazer um cavalheiro, onde é que ficamos? Num cavaleiro sem cavalo? Num Artur centaureando ao som de hemi-cocos?
Nem um burro fiel, para me fazer companhia? Só maples com quatro rodas?
Não sou de opinião.

imagem de
saiba mais nesta página de António Gil

11/12/2003

O espião dos serviços ou
Uma noite em Lisboa


O convite de um velho e bom amigo, levou-me a um dos centros nervosos da economia nacional.
Anarcka sabe qual é. É um cujo nome não divulgo mas sobre o qual ele há tempos discorreu.
No gabinete do homem, armários, ficheiros, estantes, gavetas.
Conversa vaga sobre o desempenho da casa.
Como já estava há um bom bocado sem fumar uma cigarrada, levantei-me e deambulei entre as estantes.
Foi então que descobri o pequeno volume: "Cheques descontados na Ilha das Flores".
Fiquei preso à lombada, imaginando todo o romance que encerra tal título.
Todos os apertos porque passaram os que os assinaram, todas as alegrias dos que os descontaram. Os atrasos, as faltas de fundos, a revolução nas vidas dos bons açoreanos das Flores.
Já estava a imaginar gente a comprar carros novos, sacos de cimento para um reboco, a pagar o casamento da filha, o IRC, a viagem para a América, quando ele se levantou e nos disse que eram horas de jantar.
Às vezes sonha-se entre dossiers e armários.
Melhor do que saber novas do out-sourcing e das tomadas firmes.
Ninguém se apercebeu do meu interesse por aquele dossier em particular.
Ainda trago no bolso uma base para copo do Fontória.
Gasolim e as pontes ou
Comendo peixe-muge não sabendo onde




Fui mostrar ao deserto a Syllan e à sua progenitora.
O deserto de que falo fica um pouco a sul de São João do dito.
É aquela faixa entre as E.E.N.N. 123 e 124, 2 e 122. Mais ou menos isso.
Um lugar de encantos desoladores.
A horas de almoço, estávamos em Mértola, prontos para o peixe frito do rio.
Na esplanada, além dos matraquilhos, havia apenas mais um casal.
O dono do restaurante e o dito casal falavam alto, ouvia-se bem o que diziam.
Depois de ele apontar os pedidos, perguntaram-lhe:
"O que é isto aqui atrás?" - isto era o vale cavado mesmo junto à esplanada.
"É o Guadiana, minha senhora." - disse o homem, incrédulo.
Syllan, que é bom navegador, também não acreditou no que ouviu.

foto da JAE

10/12/2003

Gasolim e as pontes


A máquina inútil

Passei a minha infância entre obras.
Grandes e pequenas.
Das maiores que se fizeram às mais elementares.
Convivi com tractores, pás-escavadoras, dumpers, cilindros, camiões-basculantes, auto-niveladoras, gruas, etc.
Havia porém uma dessas máquinas que me intrigava. Nunca a via em acção. Pelo seu formato, não a imaginava capaz de grandes façanhas. Contudo, lá estava sempre. Muitas das vezes, mais do que uma.
Nunca me dei por achado, era o que faltava perguntar ao meu pai ou a quem quer que fosse, para que é que aquilo servia. Só observava, à espera de um deslize, de um movimento, de uma acção. Nada. Só barulho, e muito.
Um dia, apanhei-a. Numa manhã algarvia de laranjas.
Estava parada como sempre e a fazer um cagaçal medonho.
Mas desta vez, consegui ver que nas pontas das mangueiras que dela saíam, havia acção.
Uns operários lançavam jactos de areia sobre uma estrurura metálica.
Foi então que, todo orgulhoso, expliquei ao meu pai como é que aquilo funcionava.
Mas a minha teoria caiu por terra no segundo seguinte. Ainda hoje me lembro da explicação devolvida quando vejo um compressor.



imagem tirada daqui
Gasolim e os obstáculos



em vidro muito sujo
Na parede da cela



imagem de uma das magníficas câmaras de tráfego da Finlândia

09/12/2003

O fabuloso mundo das máquinas de costura



Lembro-me do cuidado que era preciso entre Olhão e Tavira, a certas horas, com aquela chusma de bicicletas a motor que apareciam na estrada.
Macais, Casais, Faméis-Zundapp, Sis-Sachs.
Ali para a zona de Águeda, era também forte a coisa. Havia assim uns pontos em que a motorização velocipédica obrigava a cuidados redobrados na condução.
Nunca houve, que eu me lembre, tanta discriminação social à volta de um objecto como destas máquinas.
Quando apareceram as japonesas, qualquer das marcas acima citadas era coisa ainda mais acintosamente popular.
Quem queria ter pose, tinha que ter uma Honda ou uma Yamaha. Suzuki e Kawasaki não apareceram logo em versão 50 c.c., ou eram bicho muito raro.
É claro que detrás já vinha o culto da moto. Mas isso eram as altas cilindradas, as Norton, as Triumph, as BMW, as MZ, as Husqvarna, as Harley e muitas outras.
Eu próprio me imaginava na sela de uma Honda 50 (eu era mais pela asa e menos pelos diapasões), mas isso foi sol de pouca dura.
As japonesas eram motos, mesmo que tivessem a mesma cilindrada das outras, e jogavam com capacete Bell ou similar, mais tarde com integral e nunca com penico e fitinha xadrez.
As outras eram bicicletas a motor, chocolateiras, máquinas de costura.
Ora aí é que bate o ponto. Vinte e muitos anos depois, calhou-me competir, a pé, não com uma bicicleta a motor, mas com várias máquinas de costura e de bordar.
Uma delas era Toyota, outra Husqvarna. Alguém, mais uma vez, me explica isto?



Honda CB 50 em
bordado em

08/12/2003

Hygiaphone



Fale aqui diante do Hygiaphone.
Era o que nos diziam bastas vezes, sem dizer.
A setinha lá estava, a apontar para os buraquinhos.
Ainda os deve haver, tal era a profusão.
Da secretaria da faculdade às bilheteiras dos comboios,
das repartições de finanças às bilheteiras de cinema, era o mundo Hygiaphone.
Por estes dias, tive um choque.
Já nem nas Finanças existem. Agora é um balcão aberto, um banco, uma recebedoria.
Independentemente da estranheza que se relaciona com o facto de certas doenças, pois julgo que era disso que se tratava, ainda existirem e se propagarem aereamente, há outra coisa que ainda me intriga mais:
Se o balcão é corrido, como é que fazem agora aqueles funcionários que invariavelmente nos mandavam para o guichet ao lado?

P.S.: O Hygiaphone até foi cantado em poema.

imagem adaptada de
Es-tú-pido



Se o tempo é de balanço, é tempo de fechar as contas.
Deixei algumas pontas aqui e ali, com promessa de réplica.
Começo por esta. Vem do dia 9 de Novembro.
Suponho que a coisa ficou mais ou menos clara para os homens.
Para as mulheres, já não sei.
É o eterno retorno à incompreensão dos géneros. Eu confesso que há muito deixei de querer ver razão no raciocínio feminino. Não encerra esta afirmação nenhum sentido pejorativo, apenas significa que:
O racionalismo é útil, muito útil, mas não é decisivo, tanto mais que não joga com o baralho todo.
É possível que exista um racionalismo feminino, estribado em cartas fora do baralho. E para o caso, tanto faz. Se aos homens faltam cartas, as decisões são por isso insuficientemente racionais. Se as mulheres usam jokers, a diferença está na incapacidade masculina de compreender a omnipotência dessas cartas.
Dito isto, julgo que não há palavra que mais aproxime um homem de uma mulher, do que a supra escrita.
É óbvio que tem que ser dita sincopadamente. E com um sorrriso. Mas quando sai assim dos lábios de uma mulher, já não há nada a fazer, é tiro-e-queda.
Dir-me-ão alguns: mas se elas ainda não sabiam disso, para quê dar-lhes trunfos?
Respondo eu: não me oponho a que os meus congéneres sejam apanhados na malha grossa, não me parece que seja algo a evitar, muito antes pelo contrário.
O que já é de evitar, isso sim, é o pérfido "Ah, sim?" prenunciador de todas as divergências.
Meus caros, aqui, pode um homem dizer a mais sábia das sentenças, discorrer sobre as mais ignotas sabedorias, pronunciar o mais brejeiro comentário ou concluir da mais desastrada maneira. Não há também nada a fazer.
É a linha para além da red line. É o ponto para além do borregar. Peguem na trouxa e ala.
Acho pouco

Conto do vigário II

Sinceramente!
Ou eu tenho e-mail de labrego (já que não pode ser a cara!) ou então existe uma conspiração internacional para me derrubar.
Há uns dias, estavam à minha espera para me dar 5,45 milhões de dólares. Hoje, agraciam-me com meio milhão. Acho pouco.
Pensei escrever este post em inglês. Mas não, eles já cá vieram espreitar quando coloquei aqui a cópia do outro e virão com toda a certeza outra vez. Brindo-os assim com uma daquelas maravilhosas traduções automáticas, que sempre é mais condicente (o que eu me lembro às vezes do C.O.) com a prática dos moços.

"FROM RISE LOTTERY INTERNATIONAL
TELEPHONE;+31-64 111 58 62
Ref. Number: 132/756/4509
Batch Number: 538901527-Bc68
ATTN.

LOTTERY WINNING NOTIFICATION (CONGRATULATION)
We are pleased to inform you of the result of the Lottery Winners International programs held on the 23th of Nov, 2003. Your e-mail address Attached to ticket number 27522465896-6453 with Serial number 3772-554 Drew lucky numbers 7-14-18-23-31-45 which consequently won in the 2ND category, you have therefore been approved for a lump sum pay out of US$ 500,000.00. (Five Hundred Thausand United States Dollars Only).
CONGRATULATIONS!!!
Due to mix up of some numbers and names, we ask that you keep your winning information confidential until your claims has been processed and your money Remitted to you. This is part of our security protocol to avoid double claiming and unwarranted abuse of this program by some participants.All participants were selected through a computer ballot system drawn from over 20,000 company and 30,000,000 individual email addresses and names from all over the world.
This promotional program takes place every three year.
This lottery was promoted and sponsored by eminent personalities like
Mr Bill Gates and the Sultan of Brunei, we hope with part of your winning you will take part in our next year international lottery. To file for your claim, please contact our Lottery Coordinator .
MR ROBERT MBOMA AND ASSOCIATES NETHERLAND.
TEL. 0031-64 111 58 62
Reply Email: roboma30@fsmail.net
Remember, all winning must be claimed not later than 30th of Dec. 2003.After this date all unclaimed funds will be included in the next stake.Please note in order to avoid unnecessary delays and complications,remember to quote your reference number and batch numbers in all correspondence.
Furthermore,should there be any change of address do inform our agent as soon as possible.
Congratulations once more from our members of staff and thank you for beingpart of our promotional program.
Note: Anybody under the age of 18 is automatically disqualified.
You can contact me on this my private Tele phone Number 0031 -64 111 58 62 for more briefing.
Sincerely yours,
MR. ROBERT MBOMA
Lottery Coordinator"


E mais uma vez, estou como o outro:
Se se anuncia remédio para os piolhos, é porque há quem os tenha.

07/12/2003

Ainda em balanço



Tudo começou em 16 de Agosto.
O calor tinha amainado e eu tinha descoberto que não era preciso pagar para escrever aqui umas coisas.
O nacional-borlismo.
Bem, quase quatro meses depois, o universo de visitantes não é amplo. É até muito restrito. Meia-dúzia de fidelidades que passo a citar, pela respectiva página e por ordem alfabética:

Anarcka
Brasil e reminiscências españolas (Brasil & Espanha)
Mente Brilhante
Pensatorium
Tem alguém aí?

Sei que há mais, mas infelizmente nunca deixaram qualquer comentário.
Então como explicar quase 2000 visitantes na versão brasileira e mais de 1300 na portuguesa?
Em primeiro lugar, a contagem divergiu quando decidi que afinal mantinha os dois blogues mais ou menos iguais. Nessa altura, aí por volta dos 1140 visitantes, passei a ter dois contadores, um para cada blogue.
Explicam-se facilmente as 160 visitas adicionais em Blogspot com os fiéis leitores e os numerosos pára-quedistas a que já aludi.
Quanto aos números do Blogger da Globo, eles reflectem ainda um sem-número de curiosos que espreitam quando o blogue está na lista dos últimos actualizados. Tantos são, que explicam este desfasamento de quase 700 visitas.
Ora, o resultado é mau. Se há num contador perto de 2000 visitas e ao mesmo tempo se contam pelos dedos de uma mão os fiéis leitores, é porque a coisa não agrada à imensa maioria.
Mesmo assim, não desisto. Enquanto houver gente que aqui vem, ficarei no meu posto. Não faço isto para agradar a todos. Faço-o porque gosto e para quem gosta de me ler.
Só lhes peço em troca, a esses que leio, que continuem também.
Assim haja serviço à borla.

Há aqui uma parte que promete para um Manifesto Político a que aludirei para o ano. Não se assustem, não vou formar nenhum partido.
Retrato de um blogue

Em época de balanços, aqui fica um retrato feito pelos motores de busca a estas linhas aqui deixadas desde Agosto.
Na impossibilidade de convidar comentadores no campo da sociologia ou da psicologia, fica a crueza dos números, que reflectem decerto o que vai na cabeça do relator:


Uma certa pose