Já muitos outros se devem ter lembrado disto, não é nada de novo.
Mas que era um boa maneira de matar dois coelhos de uma cajadada, não há a menor dúvida.
Isto porque, apesar de não ser um amante apaixonado do mundo do pontapé na bola, hoje estou tocado pelo espírito daquela cidade britânica, como é que se chama? Derby, acho eu.
Já aqui fiz referência à minha côr clubística. Não é nada de muito importante ou talvez seja.
Mas voltando à vaca fria, dizia eu que há uma boa forma de esclarecer de vez, pelo menos por quatro anos, aquela dúvida que paira sobre todos nós:
"Haverá seis milhões de benfiquistas?"
Eu confesso que não sei. Nem sei como é que é possível saber sem irmos a votos.
As amostras não chegam. É preciso ir mais fundo.
Eu próprio nunca cheguei a saber muito da côr clubística da minha família. Às vezes, por um acaso descobre-se qualquer coisa. O espanto que foi para mim perceber que o meu avô materno tinha simpatias sportinguistas, que a minha avó era vagamente benfiquista, que a minha mãe gosta que o Sporting ganhe.
Saber ainda que um dos meus tios desligou certa vez a televisão quando o Manuel Bento sofreu o quarto golo. Nunca me tinha passado pela cabeça, confesso.
Quanto ao meu pai, nunca dei por nada. Fico hoje com a impressão, ligando isto e aquilo, que poderia ser benfiquista. Não sei.
Ora tudo isto releva, digo eu.
Como é que o cidadão comum sabe quantos torcedores tem o seu clube? Não sabe. Usa daquela magnífica manobra intelectual que é pensar de acordo com a vontade (já que hoje é dia de Derby, wishful thinking).
Por isso, é da mais elementar utilidade fazer uso da máquina eleitoral para apurar o verdadeiro sentimento do povo.
Reparem que o voto flutuante é quase nulo (não se diz que se troca de mulher, de religião e de partido mas nunca de clube?).
O voto útil já constitui um problema. Tende a eliminar os clubes de menor dimensão. Há inúmeros casos de simpatia pelo Oriental e pelo Belenenses, e é certo que sairão prejudicados todos os clubes que figuram em segunda e terceira prioridades. Mas isso é o que acontece também com os pequenos partidos. Poderíamos eventualmente considerar desde já uma revisão da lei eleitoral.
Mas o importante é conseguir chegar a um resultado eleitoral expressivo. Conhecer as verdadeiras preferências dos portugueses (porque não dos brasileiros? - mas aí eu não posso nem devo interferir).
Ao mesmo tempo, conseguia-se uma eliminação espectacular da abstenção. Integrar um referendo deste tipo numa eleição parlamentar seria um autêntico ovo de Colombo (ou Cavalo de Tróia?).
Por último, já repararam que nem sequer seria preciso fazer uma campanha eleitoral?
Não é por nada, mas