Publicidade na imprensa em 1970
07/09/2006
Conhecenças
Há festa na Cola. E ainda não é este ano que lá volto.

Santuário da Senhora da Cola - imagem do IPPAR - pela terceira vez aqui publicada
Há festa na Cola. E ainda não é este ano que lá volto.
Santuário da Senhora da Cola - imagem do IPPAR - pela terceira vez aqui publicada
06/09/2006
05/09/2006
03/09/2006
Lua

imagem pois da ESA e daqui
Lembrei-me. Depois esqueci-me.
Até do convite para assistir à dor de dentes.
"A Europa chegou à Lua" - dizem por aí. Faz esta frase algum sentido?
Na Estrada de Benfica, ali para os lados do Calhariz, havia uma tasca que tinha um quadro de uns amigos do bródio assinalando a sua ida à Lua. Isso aqui há muito atrasado. Não seriam eles europeus?
Se calhar, não. Ainda não tínhamos aderido.
Referência erudito-intelecto-mitológica do dia: Haverá nisto mão de Zeus?
imagem pois da ESA e daqui
Lembrei-me. Depois esqueci-me.
Até do convite para assistir à dor de dentes.
"A Europa chegou à Lua" - dizem por aí. Faz esta frase algum sentido?
Na Estrada de Benfica, ali para os lados do Calhariz, havia uma tasca que tinha um quadro de uns amigos do bródio assinalando a sua ida à Lua. Isso aqui há muito atrasado. Não seriam eles europeus?
Se calhar, não. Ainda não tínhamos aderido.
Referência erudito-intelecto-mitológica do dia: Haverá nisto mão de Zeus?
02/09/2006
01/09/2006
31/08/2006
Post

Post (puôst) é uma palavra que soa muito mal no meio de um jantar em português. Descobri ontem.
Poste com C1 é um objecto que se vê mal, pois.
Post (puôst) é uma palavra que soa muito mal no meio de um jantar em português. Descobri ontem.
Poste com C1 é um objecto que se vê mal, pois.
30/08/2006
29/08/2006
Pelo banho do baptista
Não dei banho hoje.
Ainda hei-de fazer a conta, supondo que os banhos do 29 (cada um deles) valem por 9, a quantos banhos terei que dar para repôr a normalidade.
Isso e o arroz de frango respectivo à beira-mar.
Na praia de Messejana ou além, como diziam na estação do Barreiro-Mar.
Não dei banho hoje.
Ainda hei-de fazer a conta, supondo que os banhos do 29 (cada um deles) valem por 9, a quantos banhos terei que dar para repôr a normalidade.
Isso e o arroz de frango respectivo à beira-mar.
Na praia de Messejana ou além, como diziam na estação do Barreiro-Mar.
O pé direito duplo ou as sapatilhas de ténis
A ordem dos factores é arbitrária. Ou surgiu primeiro o pé direito duplo ou os dois pés a levarem-me as sapatilhas. Mas lá que concorreram, isso foi.
O velho merceeiro que anos a fio ocupara uma loja em frente à minha casa, contemplava a meu lado o prédio onde afinal não se instalara. Eu explico. A loja que era em frente mudara-se para o prédio ao lado, onde ele residira também desde sempre.
Não admirava pois que não a víssemos.
Eu dizia que me interessava fotografar (talvez para a semana) a loja dele, com aquele aparato de organização vertical, dado a maior dimensão ser a z.
E ele retorquia que não, que não seria possível, que amanhã era o último dia dele. Ia fechar, trespassar, sei lá. Sei que fiz contas ao dia da semana e me admirou que fechasse à terça.
Quando finalmente lá fui, estava tudo vazio e branco. Recém-branco.
Procurava eu os ângulos mais favoráveis, as sombras das mudanças de planos - havia um plano inclinado que correspondia ao dorso da escada - quando me apareceu uma mulher à porta, indagando das condições da casa.
Dá-me ideia que fiz o papel de vendedor, de mediador imobiliário. Realcei o pé direito duplo.
Chegado a casa, em vez do merceeiro encontrei um adido lá depositado por um amigo comum.
Nunca o vira mais gordo. Mas parece que estava ali à espera de ir participar num jogo de basquetebol.
Quando estava de abalada para o jogo e eu já à espera de o ver definitivamente pelas costas, queixou-se-me de que os sapatos que trazia não eram grande coisa para o jogo. Se eu não teria umas sapatilhas... e já a agarrar nuns ténis velhos - relíquias da casa - com as duas mãos e a ver se serviam. Serviram.
Não sei por que é que não recusei a requisição. Apenas lhe referi que não eram apropriados para o basquetebol, que lhe faltavam as protecções adicionais ditas tíbio-társicas (até parece que fazem parte da anatomia humana) e mais qualquer coisa.
Não o demovi. Deixou lá os sapatitos de veludo azul com gola e foi-se.
Voltou à tarde desolado que não jogara por causa justamente das suas dimensões társicas. Que não eram regulamentares, dizia ele, e que não conseguia compreender a coisa. Sempre jogara e nunca tivera tarsos não regulamentares.
Ficou lá em casa já não sei à espera de quê.
No dia seguinte, fui ao quarto dele e já não estava.
O que estava era o par de sapatitos azuis.
A ordem dos factores é arbitrária. Ou surgiu primeiro o pé direito duplo ou os dois pés a levarem-me as sapatilhas. Mas lá que concorreram, isso foi.
O velho merceeiro que anos a fio ocupara uma loja em frente à minha casa, contemplava a meu lado o prédio onde afinal não se instalara. Eu explico. A loja que era em frente mudara-se para o prédio ao lado, onde ele residira também desde sempre.
Não admirava pois que não a víssemos.
Eu dizia que me interessava fotografar (talvez para a semana) a loja dele, com aquele aparato de organização vertical, dado a maior dimensão ser a z.
E ele retorquia que não, que não seria possível, que amanhã era o último dia dele. Ia fechar, trespassar, sei lá. Sei que fiz contas ao dia da semana e me admirou que fechasse à terça.
Quando finalmente lá fui, estava tudo vazio e branco. Recém-branco.
Procurava eu os ângulos mais favoráveis, as sombras das mudanças de planos - havia um plano inclinado que correspondia ao dorso da escada - quando me apareceu uma mulher à porta, indagando das condições da casa.
Dá-me ideia que fiz o papel de vendedor, de mediador imobiliário. Realcei o pé direito duplo.
Chegado a casa, em vez do merceeiro encontrei um adido lá depositado por um amigo comum.
Nunca o vira mais gordo. Mas parece que estava ali à espera de ir participar num jogo de basquetebol.
Quando estava de abalada para o jogo e eu já à espera de o ver definitivamente pelas costas, queixou-se-me de que os sapatos que trazia não eram grande coisa para o jogo. Se eu não teria umas sapatilhas... e já a agarrar nuns ténis velhos - relíquias da casa - com as duas mãos e a ver se serviam. Serviram.
Não sei por que é que não recusei a requisição. Apenas lhe referi que não eram apropriados para o basquetebol, que lhe faltavam as protecções adicionais ditas tíbio-társicas (até parece que fazem parte da anatomia humana) e mais qualquer coisa.
Não o demovi. Deixou lá os sapatitos de veludo azul com gola e foi-se.
Voltou à tarde desolado que não jogara por causa justamente das suas dimensões társicas. Que não eram regulamentares, dizia ele, e que não conseguia compreender a coisa. Sempre jogara e nunca tivera tarsos não regulamentares.
Ficou lá em casa já não sei à espera de quê.
No dia seguinte, fui ao quarto dele e já não estava.
O que estava era o par de sapatitos azuis.
75% de satisfação
Duas instituições, três repartições públicas, quatro funcionários diferentes.
Três deles, curiosamente da mesma instituição, expeditos, capazes de compreender em duas penadas o que se lhes pede, capazes de encaminhar o assunto ou de sugerir diligência alternativa. E simpáticos. Em suma, competentes. Um minuto ou dois de conversa, não mais.
O outro, incapaz de todo de perceber por várias formas o que se lhe pedia - sim, eu sei que quando não se consegue explicar uma coisa a um polícia é porque está mal explicado* - incapaz de entender que quando se pede a primeira entrada (ou a mais antiga ou a nº1 ou a inicial) de um registo é a primeira entrada que se pede e não a actual (a mais recente, a última...). Incapaz até de ler o registo que me exibia ou de o entender, foi o quarto que falhou. Ao fim de um bom quarto de hora de traz e leva, de vai e vem, de pergunta aqui e inquire ali. O terceiro da ordem e o quarto da amostra.
Não me parece mau de todo.
Ah, eram três mulheres e um homem.
O que falhou não era homem.
___________________________________________________________
*dizia Edgar Cardoso que Duarte Pacheco o dizia nas aulas.
Duas instituições, três repartições públicas, quatro funcionários diferentes.
Três deles, curiosamente da mesma instituição, expeditos, capazes de compreender em duas penadas o que se lhes pede, capazes de encaminhar o assunto ou de sugerir diligência alternativa. E simpáticos. Em suma, competentes. Um minuto ou dois de conversa, não mais.
O outro, incapaz de todo de perceber por várias formas o que se lhe pedia - sim, eu sei que quando não se consegue explicar uma coisa a um polícia é porque está mal explicado* - incapaz de entender que quando se pede a primeira entrada (ou a mais antiga ou a nº1 ou a inicial) de um registo é a primeira entrada que se pede e não a actual (a mais recente, a última...). Incapaz até de ler o registo que me exibia ou de o entender, foi o quarto que falhou. Ao fim de um bom quarto de hora de traz e leva, de vai e vem, de pergunta aqui e inquire ali. O terceiro da ordem e o quarto da amostra.
Não me parece mau de todo.
Ah, eram três mulheres e um homem.
O que falhou não era homem.
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*dizia Edgar Cardoso que Duarte Pacheco o dizia nas aulas.
28/08/2006
E.N. 11, 2006

Uma das pouquíssimas pontas que ficou por concluir do Plano de 45.
______________________________________________________________________
actualização: o seu ambicioso traçado previsto:
Uma das pouquíssimas pontas que ficou por concluir do Plano de 45.
______________________________________________________________________
actualização: o seu ambicioso traçado previsto:
27/08/2006
24/08/2006
Sintra, 2006

Dá-se o caso de me ter apercebido agora mesmo de que já tinha visto fotografada esta janela. E não me enganei.
Dá-se o caso de me ter apercebido agora mesmo de que já tinha visto fotografada esta janela. E não me enganei.
23/08/2006
A desvalorização de 400% (episódio sem número)
Desde a cantada desvalorização do peso argentino face ao dólar, que, segundo um dia inteirinho de rádio, se cifrava então nos 400%, que atento fico sempre que ouço falar em percentagens.
Hoje foi mais um dia cheio. E em cheio. Com a inflação dos preços a pagar pelos beneficiários da ADSE por alguns serviços.
A mesma incapacidade que se revela no domínio de coisa tão trivial é a que faz com que ninguém se aperceba de que não sabe. Não sabe mesmo.
Quando não se sabe e se sabe que não se sabe, o melhor é ficar calado. Ou falar de outra coisa. Mas quando não se sabe que não se sabe...
Desde a cantada desvalorização do peso argentino face ao dólar, que, segundo um dia inteirinho de rádio, se cifrava então nos 400%, que atento fico sempre que ouço falar em percentagens.
Hoje foi mais um dia cheio. E em cheio. Com a inflação dos preços a pagar pelos beneficiários da ADSE por alguns serviços.
A mesma incapacidade que se revela no domínio de coisa tão trivial é a que faz com que ninguém se aperceba de que não sabe. Não sabe mesmo.
Quando não se sabe e se sabe que não se sabe, o melhor é ficar calado. Ou falar de outra coisa. Mas quando não se sabe que não se sabe...
22/08/2006
20/08/2006
19/08/2006
109 páginas
Eram tantas as que tinha o teu (sim, o teu) relatório circunstanciado da viagem.
Entregaste-mo em mão no dia em que me foste visitar, acompanhada da tua fiel escudeira.
Na sua maioria eram reportagens ambientais e perguntei-te pelas fotos. Mesmo pelas fotos.
Não sei se posso dizer que me surpreendeste no meio da aventura.
O facto é que captaste tudo de imediato.
E tiveste comigo a serena e longa conversa que se palpitava.
Elogiaste-me os cães e a forma como alegremente e carinhosamente obedeciam.
Expliquei-te que estava satisfeito com as instalações no fim do caminho vicinal e entre muros. Satisfeito não é bem. Preferia uma casa do mesmo género mas sem aqueles afunilamentos nos acessos, do passa a chave para eu abrir a porta.
Mostraste-me ainda uma foto de uma casa semelhante, onde se viam três mulheres jovens e de caras espantadas a olhar para o passarinho. Vestidas assim como a ilustrar várias épocas de trajes de cozinha. E perguntei-te quem era aquela torre. Disseste-me que era a filha do jardineiro, se a memória não me atraiçoa.
E assim te foste, levando a escudeira pela mão.
Voltei aos meus afazeres de conjuntura. Os quais eram...
Eram tantas as que tinha o teu (sim, o teu) relatório circunstanciado da viagem.
Entregaste-mo em mão no dia em que me foste visitar, acompanhada da tua fiel escudeira.
Na sua maioria eram reportagens ambientais e perguntei-te pelas fotos. Mesmo pelas fotos.
Não sei se posso dizer que me surpreendeste no meio da aventura.
O facto é que captaste tudo de imediato.
E tiveste comigo a serena e longa conversa que se palpitava.
Elogiaste-me os cães e a forma como alegremente e carinhosamente obedeciam.
Expliquei-te que estava satisfeito com as instalações no fim do caminho vicinal e entre muros. Satisfeito não é bem. Preferia uma casa do mesmo género mas sem aqueles afunilamentos nos acessos, do passa a chave para eu abrir a porta.
Mostraste-me ainda uma foto de uma casa semelhante, onde se viam três mulheres jovens e de caras espantadas a olhar para o passarinho. Vestidas assim como a ilustrar várias épocas de trajes de cozinha. E perguntei-te quem era aquela torre. Disseste-me que era a filha do jardineiro, se a memória não me atraiçoa.
E assim te foste, levando a escudeira pela mão.
Voltei aos meus afazeres de conjuntura. Os quais eram...
18/08/2006
Direcção 0 *

No comboio passou-se qualquer coisa de grave. Mas não posso precisar o quê. Sei que me despedi dela e saltei, para evitar mais complicações.
Ela insistiu em seguir-me.
Desde o tal almoço em que a nossa companheira mostrara um comportamento alterado que me perseguia o desejo de revê-la.
A nossa visita às instalações fabris, na minha intenção de reconciliar a nossa comum amiga com o trabalho, tinha pelos vistos dado mais frutos do que era previsível.
Encontrar a Direcção 0 não foi fácil. Mesmo seguindo os sinais. Na espécie de vestíbulo onde pontificava um segurança, o nome e o cargo não diziam a este coisa que fosse útil. No entanto, por trás dele, lá estava, em caracteres hospitalares, o rumo a seguir.
Num golpe de génio, dirigi-me ao bar. Claro que ela estava lá.
A nossa companheira não resistiu à nossa conversa. Chorava copiosamente e pronunciava palavras ininteligíveis.
Ainda assim conseguimos a custo reintegrá-la. Entre a fotocopiadora e um PC. Embrenhou-se numa ávida leitura das especificações de um novo sistema e pareceu embalada, ainda que com pouco entusiasmo.
Quanto a nós, era para Itália que íamos. E foi lá que fomos surpreendidos no comboio.
Mas não aprendemos a lição.
Já na aerogare, prestes a fazer o check-in, apareceram os polícias à paisana.
Não era a ela que queriam. Era a mim.
E o caso não tinha a ver só com o meu aspecto levantino. A suspeita estava bem estribada - um dia inteirinho sem usar o cartão de débito ou o telefone móvel. Fora isso que conduzira à minha detenção.
A minha argumentação foi parca. Não vi que houvesse qualquer utilidade em argumentar. Eles estavam convencidos de que todos os meus documentos eram falsos.
Apenas pedi um representante da Embaixada de Portugal.
Mais tarde, apareceu um indivíduo, pouco iluminado, a quem eu disse pouco. Apenas que os documentos eram legítimos e que ligasse a J. Ele haveria de dar solução ao caso.
Para minha surpresa perguntou-me por que haveria J. de se interessar pelo caso.
A minha resposta surpreendeu-o ainda mais do que ele a mim. E foi embora.
Mais tarde, um outro indivíduo chega e pergunta-me: Você é que é do Monte do A.?
Disse-lhe que não, mas que era da terra ao pé.
A resposta dele foi esta: Pois, eu é que sou de lá, do Monte.
É o dono? Pois. Não o conheço. O meu Pai é que conhecia o seu. Ah, e já agora digo-lhe que foi por sua causa que a joldra começou tão tarde na minha cortiça.
Ele riu-se mas não deu por acabado o interrogatório, para meu espanto mais uma vez.
As perguntas que se seguiram foram afinal sobre futebol. De algibeira, todas elas. Mas houve uma para a qual não tive resposta: Quem foram os jogadores que o Benfica aproveitou das camadas jovens, nos últimos anos?
Ela, que andara num torvelinho ao telefone a mover influências, chegou-se e sorriu: Já podemos ir? Já respondeste satisfatoriamente?
Nessa noite, no hotel, disse-lhe que apesar de tudo a atitude da polícia italiana tinha sido correcta, embora dura como lhes competia.
Ela respondeu-me dizendo que já que não íamos usar os cartões no dia seguinte, ao menos que fízéssemos um telefonema. Nem que fosse para a polícia.
Concordei.
*O extraordinário da coisa é que um tedesco nos imortalizou aqui na rede, jantando. Lado a lado e não frente a frente ou em diagonal. Como se isso interessasse a alguém mais.
No comboio passou-se qualquer coisa de grave. Mas não posso precisar o quê. Sei que me despedi dela e saltei, para evitar mais complicações.
Ela insistiu em seguir-me.
Desde o tal almoço em que a nossa companheira mostrara um comportamento alterado que me perseguia o desejo de revê-la.
A nossa visita às instalações fabris, na minha intenção de reconciliar a nossa comum amiga com o trabalho, tinha pelos vistos dado mais frutos do que era previsível.
Encontrar a Direcção 0 não foi fácil. Mesmo seguindo os sinais. Na espécie de vestíbulo onde pontificava um segurança, o nome e o cargo não diziam a este coisa que fosse útil. No entanto, por trás dele, lá estava, em caracteres hospitalares, o rumo a seguir.
Num golpe de génio, dirigi-me ao bar. Claro que ela estava lá.
A nossa companheira não resistiu à nossa conversa. Chorava copiosamente e pronunciava palavras ininteligíveis.
Ainda assim conseguimos a custo reintegrá-la. Entre a fotocopiadora e um PC. Embrenhou-se numa ávida leitura das especificações de um novo sistema e pareceu embalada, ainda que com pouco entusiasmo.
Quanto a nós, era para Itália que íamos. E foi lá que fomos surpreendidos no comboio.
Mas não aprendemos a lição.
Já na aerogare, prestes a fazer o check-in, apareceram os polícias à paisana.
Não era a ela que queriam. Era a mim.
E o caso não tinha a ver só com o meu aspecto levantino. A suspeita estava bem estribada - um dia inteirinho sem usar o cartão de débito ou o telefone móvel. Fora isso que conduzira à minha detenção.
A minha argumentação foi parca. Não vi que houvesse qualquer utilidade em argumentar. Eles estavam convencidos de que todos os meus documentos eram falsos.
Apenas pedi um representante da Embaixada de Portugal.
Mais tarde, apareceu um indivíduo, pouco iluminado, a quem eu disse pouco. Apenas que os documentos eram legítimos e que ligasse a J. Ele haveria de dar solução ao caso.
Para minha surpresa perguntou-me por que haveria J. de se interessar pelo caso.
A minha resposta surpreendeu-o ainda mais do que ele a mim. E foi embora.
Mais tarde, um outro indivíduo chega e pergunta-me: Você é que é do Monte do A.?
Disse-lhe que não, mas que era da terra ao pé.
A resposta dele foi esta: Pois, eu é que sou de lá, do Monte.
É o dono? Pois. Não o conheço. O meu Pai é que conhecia o seu. Ah, e já agora digo-lhe que foi por sua causa que a joldra começou tão tarde na minha cortiça.
Ele riu-se mas não deu por acabado o interrogatório, para meu espanto mais uma vez.
As perguntas que se seguiram foram afinal sobre futebol. De algibeira, todas elas. Mas houve uma para a qual não tive resposta: Quem foram os jogadores que o Benfica aproveitou das camadas jovens, nos últimos anos?
Ela, que andara num torvelinho ao telefone a mover influências, chegou-se e sorriu: Já podemos ir? Já respondeste satisfatoriamente?
Nessa noite, no hotel, disse-lhe que apesar de tudo a atitude da polícia italiana tinha sido correcta, embora dura como lhes competia.
Ela respondeu-me dizendo que já que não íamos usar os cartões no dia seguinte, ao menos que fízéssemos um telefonema. Nem que fosse para a polícia.
Concordei.
*O extraordinário da coisa é que um tedesco nos imortalizou aqui na rede, jantando. Lado a lado e não frente a frente ou em diagonal. Como se isso interessasse a alguém mais.
17/08/2006
A voz da Bete
A escada não tinha nada que saber. Era íngreme e estreita e a metade do lado da parede estava ocupada por uma espécie de trouxas de riscado que também poderiam ser squaws gordas à espera de vez.
A metade onde antes se circulara estava agora cheia de vozes. Materialmente representadas por capas escaladas (na acepção da sardinha) de singles de vinil.
A que me impediu o caminho falou-me com uma voz conhecida. Bem conhecida. No entanto, na altura não fui capaz de ligar o nome ao disco.
Quando finalmente soube que era a voz da Bete, quis desculpar-me.
Não encontrei nada melhor do que narrar o episódio da Cantina Velha.
Quando o pessoal da minha terra tomou posse do bengaleiro...
Mas a tua terra não é a nossa terra?
Calei-me.
A escada não tinha nada que saber. Era íngreme e estreita e a metade do lado da parede estava ocupada por uma espécie de trouxas de riscado que também poderiam ser squaws gordas à espera de vez.
A metade onde antes se circulara estava agora cheia de vozes. Materialmente representadas por capas escaladas (na acepção da sardinha) de singles de vinil.
A que me impediu o caminho falou-me com uma voz conhecida. Bem conhecida. No entanto, na altura não fui capaz de ligar o nome ao disco.
Quando finalmente soube que era a voz da Bete, quis desculpar-me.
Não encontrei nada melhor do que narrar o episódio da Cantina Velha.
Quando o pessoal da minha terra tomou posse do bengaleiro...
Mas a tua terra não é a nossa terra?
Calei-me.
E.N. 121, 2005

Agradecendo assim a atenção e a gentileza do João Espinho e da sua Praça da República em Beja.
Agradecendo assim a atenção e a gentileza do João Espinho e da sua Praça da República em Beja.
16/08/2006
15/08/2006
O quarto 327 (II)

Entusiasmado que estava em explicar estas e outras coisas aos circunstantes, nem dei pela aproximação dos meus inquilinos, cuja cara não conheço.
Logo estes, ao encontrarem-me ali ao pé do prédio onde em outros tempos se podia desfrutar do cheiro da magnífica urina de gato, se prontificaram a enquadrar-me numa visita guiada às obras do prédio mais acima. O nosso, claro.
Mas deixaram-me a meio da viagem. Mas o que conta é que quando cheguei à entrada do prédio fui surpreendido pelo aspecto esventrado da bateria de caixas de correio.
Para conseguir abrir a minha caixa recuada, era preciso fazer rodar, sobre um eixo perpendicular ao seu eixo próprio, um comprido canhão.
Depois, tendo acesso à sua extremidade, lá se introduzia uma gazua que actuava sobre o cardan na outra ponta.
Lá dentro, os habituais envelopes grossos. De destinos longínquos.
Mas aqui na entrada, houve outro pormenor que me interessou. A forma como o empreiteiro - duvidava que alguém tivesse feito um caderno de encargos - tinha solucionado a reparação dos falsos lambris de pedra. Vi que o enxerto estava ligeiramente desalinhado e tomei nota. Mas pareceu-me o trabalho razoavelmente bem feito, ainda que os inertes desta marmorite renovada fossem exageradamente grandes. E estivessem pintados, um a um, com predominância dos ocres e dos cinzentos.
O que parecia faltar era uma organização criteriosa do trabalho. Como se alguém tivesse pegado num grafo de obra, o tivesse abanado e as tarefas estivessem todas fora de ordem.
Ali acabavam-se os revestimentos mas, logo à frente, faltava a escada. Como sempre.
No piso de cima, ainda se faziam demolições e se assentava tijolo.
No outro a seguir, havia um bar (sempre os bares) com uma tábua a fazer de balcão. E, na falta da parede de fundo, comunicava com o exterior, onde havia outro balcão de tábua, desta feita apoiado em bidons e, à direita, um grelhador de meio-bidom, é claro. Tudo isto no alto de uma colina de onde se via o mar. Era sempre a descer até lá.
A moça mais requisitada era a mais gordinha e mais bruta. Era mesmo com ela que eu queria falar. E falei.
O interesse dela no assunto fez piorar as coisas para o meu lado, uma vez que o resto do pessoal que atendia era pouco despachado.
Os restantes clientes, que de facto não se viam, tornaram-se hostis e haviam de me acompanhar em parte da vistoria, dizendo disparates a meu respeito e da obra.
Quando cheguei à minha porta, já vi acabadas as aduelas e o lindo enquadramento com conchinhas e motivos marinhos, tudo pintado a branco.
O inquilino mostrou-me a ainda mais bela e inevitável lareira. E deu-me conta de todos os melhoramentos que introduzira.
Já meio desesperado, bati em retirada. Ainda tive tempo para gabar a marmorite a um encarrregado e tropeçar nuns pintores que se entretinham a pintar de azul ultramarino uma ripas boleadas de um dos lados.
Foi a eles que pedi três ripas para juntar à escova de aço e a uma brocha larga que já adquirira na descida e que trazia penduradas por baraços.
Quando saí, estava no terreiro em frente a uma garagem de familiares. Cheio de riscos azuis na roupa.
Já sem a brocha e a escova de aço que me haviam saltado dos braços onde as pendurara.
Um pouco mais atrás, estava um patamar em plano alto de onde assomava a mãe dos Valente.
Foi ela mesma quem me disse que a mais pequenita, que andava ali na rua aos saltitos, não era filha dela como toda a gente pensava. Era neta. Filha da filha mais velha. Embarrigou, essa...
Deixei-a com os seus impropérios e voltei para o resguardo.
Quando tinha já passado o último guarda-vento, a enfermeira-chefe interceptou-me.
Era um mulherão. Não era bonita nem escultural. Mas era alta, forte e com formas bem definidas. Um mulherão.
Perguntou-me se eu não sabia que o 327 tinha duas casas de banho, à falta de uma.
Eu ri-me e respondi: Mas eu fui beber café!
Entusiasmado que estava em explicar estas e outras coisas aos circunstantes, nem dei pela aproximação dos meus inquilinos, cuja cara não conheço.
Logo estes, ao encontrarem-me ali ao pé do prédio onde em outros tempos se podia desfrutar do cheiro da magnífica urina de gato, se prontificaram a enquadrar-me numa visita guiada às obras do prédio mais acima. O nosso, claro.
Mas deixaram-me a meio da viagem. Mas o que conta é que quando cheguei à entrada do prédio fui surpreendido pelo aspecto esventrado da bateria de caixas de correio.
Para conseguir abrir a minha caixa recuada, era preciso fazer rodar, sobre um eixo perpendicular ao seu eixo próprio, um comprido canhão.
Depois, tendo acesso à sua extremidade, lá se introduzia uma gazua que actuava sobre o cardan na outra ponta.
Lá dentro, os habituais envelopes grossos. De destinos longínquos.
Mas aqui na entrada, houve outro pormenor que me interessou. A forma como o empreiteiro - duvidava que alguém tivesse feito um caderno de encargos - tinha solucionado a reparação dos falsos lambris de pedra. Vi que o enxerto estava ligeiramente desalinhado e tomei nota. Mas pareceu-me o trabalho razoavelmente bem feito, ainda que os inertes desta marmorite renovada fossem exageradamente grandes. E estivessem pintados, um a um, com predominância dos ocres e dos cinzentos.
O que parecia faltar era uma organização criteriosa do trabalho. Como se alguém tivesse pegado num grafo de obra, o tivesse abanado e as tarefas estivessem todas fora de ordem.
Ali acabavam-se os revestimentos mas, logo à frente, faltava a escada. Como sempre.
No piso de cima, ainda se faziam demolições e se assentava tijolo.
No outro a seguir, havia um bar (sempre os bares) com uma tábua a fazer de balcão. E, na falta da parede de fundo, comunicava com o exterior, onde havia outro balcão de tábua, desta feita apoiado em bidons e, à direita, um grelhador de meio-bidom, é claro. Tudo isto no alto de uma colina de onde se via o mar. Era sempre a descer até lá.
A moça mais requisitada era a mais gordinha e mais bruta. Era mesmo com ela que eu queria falar. E falei.
O interesse dela no assunto fez piorar as coisas para o meu lado, uma vez que o resto do pessoal que atendia era pouco despachado.
Os restantes clientes, que de facto não se viam, tornaram-se hostis e haviam de me acompanhar em parte da vistoria, dizendo disparates a meu respeito e da obra.
Quando cheguei à minha porta, já vi acabadas as aduelas e o lindo enquadramento com conchinhas e motivos marinhos, tudo pintado a branco.
O inquilino mostrou-me a ainda mais bela e inevitável lareira. E deu-me conta de todos os melhoramentos que introduzira.
Já meio desesperado, bati em retirada. Ainda tive tempo para gabar a marmorite a um encarrregado e tropeçar nuns pintores que se entretinham a pintar de azul ultramarino uma ripas boleadas de um dos lados.
Foi a eles que pedi três ripas para juntar à escova de aço e a uma brocha larga que já adquirira na descida e que trazia penduradas por baraços.
Quando saí, estava no terreiro em frente a uma garagem de familiares. Cheio de riscos azuis na roupa.
Já sem a brocha e a escova de aço que me haviam saltado dos braços onde as pendurara.
Um pouco mais atrás, estava um patamar em plano alto de onde assomava a mãe dos Valente.
Foi ela mesma quem me disse que a mais pequenita, que andava ali na rua aos saltitos, não era filha dela como toda a gente pensava. Era neta. Filha da filha mais velha. Embarrigou, essa...
Deixei-a com os seus impropérios e voltei para o resguardo.
Quando tinha já passado o último guarda-vento, a enfermeira-chefe interceptou-me.
Era um mulherão. Não era bonita nem escultural. Mas era alta, forte e com formas bem definidas. Um mulherão.
Perguntou-me se eu não sabia que o 327 tinha duas casas de banho, à falta de uma.
Eu ri-me e respondi: Mas eu fui beber café!
14/08/2006
13/08/2006
Balzac e os vórtices de von Karman

A sensação foi mesmo a de que há mais de 60 anos, aquele rascunho dos vórtices de von Karman convivia com os receios dos nobres franceses da viragem do século.
Agora vem o pior. Perceber a ideia do rascunho. Como se fosse minha.
Talvez eu pudesse não ter herdado a caligrafia tão ao pormenor.
A sensação foi mesmo a de que há mais de 60 anos, aquele rascunho dos vórtices de von Karman convivia com os receios dos nobres franceses da viragem do século.
Agora vem o pior. Perceber a ideia do rascunho. Como se fosse minha.
Talvez eu pudesse não ter herdado a caligrafia tão ao pormenor.
12/08/2006
O quarto 327 (I)

Tiago Valente era uma criança de um ano e pouco e estava a recuperar, na cama esquerda do quarto 327, de uma operação a um tumor na zona ocular esquerda.
Havia na cama direita do quarto em epígrafe um indivíduo mal identificado.
A cama frente, quase sempre vazia, pertencia-me.
Havia nos hospitais - há muito que não sei se assim é, felizmente - um traje que permitia cirandar por todos os corredores sem ser interpelado - o pijama. Mais do que a bata e estetoscópio, mais do que a farda colorida de serviçal, mais do que o irrepreensível fato cinzento dos semanas paisanos.
Servia-me pois de um tal para as minhas surtidas.
Recordo-me de seguir, sem intenção, na peugada da moça de cerise (#DE3163) e calças de ganga. E de a luz se ir extinguindo, à medida que avançávamos em corredores desertos. De repente, houve por bem parar e inverter a marcha. Foi quando ela surgiu também de volta, reabrindo a última porta que transpusera.
Era do bar que andava à procura. E de evitar o quiproquó que, no piso 1, havia junto das escadas.
Recordo-me de ter pensado, como já há tempos me tinha parecido, que a melhor casa de banho era sempre aquela que achávamos mais recôndita. Não faltavam doentes de alas longínquas ali nas casas de banho junto ao 327 enquanto nós, eu e os compinchas, fazíamos longas caminhadas à procura do perfeito lavabo.
Entrei no quarto, olhei para o puto e achei que agora era sempre p'rá frente. Já não havia nada a temer.
Um dos irmãos, já adulto, ajeitava-lhe a roupa e fazia o papel do pai ausente.
Disse-lhe o que pensava como se a minha opinião médica fosse de considerar.
As irmãs abriram muito os grandes olhos e sorriram, enquanto me perguntavam se eu estava mesmo convencido da recuperação da criança.
Para lhes mostrar que sabia do que estava a falar, vesti a fatiota que tinha escondida num armário e deixei com eles, os seis irmãos Valente ali presentes - dois rapazes e quatro raparigas, o hospital no final da hora da visita.
Moravam, é claro, ao fundo da rua. Mais ou menos no sítio onde outrora trocávamos livros já lidos por artefactos índios com que um enviado de alfarrabista nos aliciava.
Aí, explicava eu a quem me perguntava que estes eram os Valente, irmãos do miúdo que está comigo no hospital. Não confundir com o Constantino, que esse já teve alta.
(prossegue)
Tiago Valente era uma criança de um ano e pouco e estava a recuperar, na cama esquerda do quarto 327, de uma operação a um tumor na zona ocular esquerda.
Havia na cama direita do quarto em epígrafe um indivíduo mal identificado.
A cama frente, quase sempre vazia, pertencia-me.
Havia nos hospitais - há muito que não sei se assim é, felizmente - um traje que permitia cirandar por todos os corredores sem ser interpelado - o pijama. Mais do que a bata e estetoscópio, mais do que a farda colorida de serviçal, mais do que o irrepreensível fato cinzento dos semanas paisanos.
Servia-me pois de um tal para as minhas surtidas.
Recordo-me de seguir, sem intenção, na peugada da moça de cerise (#DE3163) e calças de ganga. E de a luz se ir extinguindo, à medida que avançávamos em corredores desertos. De repente, houve por bem parar e inverter a marcha. Foi quando ela surgiu também de volta, reabrindo a última porta que transpusera.
Era do bar que andava à procura. E de evitar o quiproquó que, no piso 1, havia junto das escadas.
Recordo-me de ter pensado, como já há tempos me tinha parecido, que a melhor casa de banho era sempre aquela que achávamos mais recôndita. Não faltavam doentes de alas longínquas ali nas casas de banho junto ao 327 enquanto nós, eu e os compinchas, fazíamos longas caminhadas à procura do perfeito lavabo.
Entrei no quarto, olhei para o puto e achei que agora era sempre p'rá frente. Já não havia nada a temer.
Um dos irmãos, já adulto, ajeitava-lhe a roupa e fazia o papel do pai ausente.
Disse-lhe o que pensava como se a minha opinião médica fosse de considerar.
As irmãs abriram muito os grandes olhos e sorriram, enquanto me perguntavam se eu estava mesmo convencido da recuperação da criança.
Para lhes mostrar que sabia do que estava a falar, vesti a fatiota que tinha escondida num armário e deixei com eles, os seis irmãos Valente ali presentes - dois rapazes e quatro raparigas, o hospital no final da hora da visita.
Moravam, é claro, ao fundo da rua. Mais ou menos no sítio onde outrora trocávamos livros já lidos por artefactos índios com que um enviado de alfarrabista nos aliciava.
Aí, explicava eu a quem me perguntava que estes eram os Valente, irmãos do miúdo que está comigo no hospital. Não confundir com o Constantino, que esse já teve alta.
(prossegue)
11/08/2006
Era espanhol e militar

O último das dezenas de aviões que vi cair destas janelas. Nenhum deles, porém, se transformou em Jumbo ao levantar.
O último das dezenas de aviões que vi cair destas janelas. Nenhum deles, porém, se transformou em Jumbo ao levantar.
10/08/2006
08/08/2006
07/08/2006
As sardinhas do Encalho* ou o Édipo clupeidiano
"Eu, se elas 'tivessem bem passadas, ia às quarenta!" [comeu 36 num quarto de hora e terá ganho um concurso] - indivíduo no Festival da Sardinha em Portimão, a 6 de Agosto de 2006. Ouvi na televisão.
Foi esta afirmação peremptória que me lembrou o caso.
Creio que nunca senti aquele tipo de complexo de suplantar o Pai.
Mas o caso é que havia um assunto em que pensava nisso.
Era pois em comer sardinhas, coisa que me vinha à cabeça de cada vez que ouvia o relato da façanha. E era um número a bater que me parecia modesto.

A coisa deu-se de manhãzinha. Com o bater à porta da senhoria balnear.
O alguidar cheio das ditas (pequenotas, logo boas para fritar, segundo ela) suscitou logo capeia (em boa verdade o que suscitou o sururu foi a palavra fritar, já que ela assim que fechou a porta, ainda mal agradecendo a oferta, já desferia na minha cara - mas afinal ela pensará que eu estou de férias ou sou cozinheira?).
Na minha então habitual tentativa de apaziguamento, socorri-me de imediato de um amigo dela. Chama-se o homem (que morava perto) e pronto, disse-lhe eu. Entre os três havemos de dar conta desses dez quarteirões, não achas? Afinal elas são pequenas mas deixam-se assar.
Foi assim que a dobrei.
Até comprei um garrafão de vinho para a coisa parecer mesmo a sério, assim oficial. E à hora aprazada lá fomos buscar o moço à estação de Cacela.
Ele, como bom cientista algarvio, não se deixou impressionar pelo conteúdo do alguidar. Era também da opinião que sim, que as domávamos. O único senão era o facto de o grelhador ser eléctrico, coisa em que tive que ceder, por causa já não sei de quê.
Engrenámos com a Ria Formosa aos nossos pés.
Por ser já escuro de Julho, coisa das dez e tal da noite, não nos apercebemos bem da cresta que inflingimos ao pescado. Foi às apalpadelas que um disse Não há mais.
Complexo arquivado. Pelas contas que se deixaram fazer, pelo menos 70 tinha derrubado. Se eram uns dez quarteirões...
A moda de fundo, unplugged, era uma imitação de Nuno da Câmara Pereira cantando, ao volante, a Isabel Santa Senhora, Raínha Santa Isabel.
* Este Encalho é o que fica ali entre São Teotónio e a Zambujeira.
"Eu, se elas 'tivessem bem passadas, ia às quarenta!" [comeu 36 num quarto de hora e terá ganho um concurso] - indivíduo no Festival da Sardinha em Portimão, a 6 de Agosto de 2006. Ouvi na televisão.
Foi esta afirmação peremptória que me lembrou o caso.
Creio que nunca senti aquele tipo de complexo de suplantar o Pai.
Mas o caso é que havia um assunto em que pensava nisso.
Era pois em comer sardinhas, coisa que me vinha à cabeça de cada vez que ouvia o relato da façanha. E era um número a bater que me parecia modesto.

A coisa deu-se de manhãzinha. Com o bater à porta da senhoria balnear.
O alguidar cheio das ditas (pequenotas, logo boas para fritar, segundo ela) suscitou logo capeia (em boa verdade o que suscitou o sururu foi a palavra fritar, já que ela assim que fechou a porta, ainda mal agradecendo a oferta, já desferia na minha cara - mas afinal ela pensará que eu estou de férias ou sou cozinheira?).
Na minha então habitual tentativa de apaziguamento, socorri-me de imediato de um amigo dela. Chama-se o homem (que morava perto) e pronto, disse-lhe eu. Entre os três havemos de dar conta desses dez quarteirões, não achas? Afinal elas são pequenas mas deixam-se assar.
Foi assim que a dobrei.
Até comprei um garrafão de vinho para a coisa parecer mesmo a sério, assim oficial. E à hora aprazada lá fomos buscar o moço à estação de Cacela.
Ele, como bom cientista algarvio, não se deixou impressionar pelo conteúdo do alguidar. Era também da opinião que sim, que as domávamos. O único senão era o facto de o grelhador ser eléctrico, coisa em que tive que ceder, por causa já não sei de quê.
Engrenámos com a Ria Formosa aos nossos pés.
Por ser já escuro de Julho, coisa das dez e tal da noite, não nos apercebemos bem da cresta que inflingimos ao pescado. Foi às apalpadelas que um disse Não há mais.
Complexo arquivado. Pelas contas que se deixaram fazer, pelo menos 70 tinha derrubado. Se eram uns dez quarteirões...
A moda de fundo, unplugged, era uma imitação de Nuno da Câmara Pereira cantando, ao volante, a Isabel Santa Senhora, Raínha Santa Isabel.
* Este Encalho é o que fica ali entre São Teotónio e a Zambujeira.
06/08/2006
Adeus ó rebêra do Vascão

Nã fui ô Vascão. Nã m' astrevi. Era munta calma.
Mas a mana ficô beim na fotografia.

imagem da RTP
Nã fui ô Vascão. Nã m' astrevi. Era munta calma.
Mas a mana ficô beim na fotografia.
imagem da RTP
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