Esta foto já foi aqui publicada e é provável que volte a sê-lo um dia que eu consiga uma cópia decente e não uma fotografia digital de uma prova de contacto 24x36 como é esta.
21/09/2007
A sentinela
A primeira coisa que vi, que vimos, quando o carro dobrou a esquina foi a posição de à-vontade da sentinela.
Destacava-se na linha do edificado do espaço-canal, para usar uns termos dos livros.
Havia uma certa convexidade na pose que lhe acentuava interesse.
Demorámo-nos a inspeccionar o fim da rua. Vimos o que restou da indústria pesada, entrámos no café onde dormitava o dono e onde os poucos clientes aproveitaram a nossa presença para pedirem mais cerveja sem se responsabilizarem pelo sobressalto do justo.
Demorámo-nos a ver mais coisas. O J.J. dizia que nunca tinha andado por aquela Lisboa.
Foi assim que, já esquecidos das formas que víramos ao virar, nos encaminhámos para a estação.
O soldado de guarda era um soldado da Guarda. Era cabrito e bonito, o soldado.
Quando passei por ele, soldado, dei pela primeira vez na vida as boas tardes a uma sentinela.
O soldado bonito fez um sorriso desarmante, deu um passo à frente, bateu os tacões, fez continência e retribuiu-me o voto.
Após uma ligeira vénia, continuei rua abaixo.
O J.J. tinha ficado para trás, apreciando qualquer coisa.
Esperei que se reunisse a mim e censurei-o – então não deste as boas tardes à senhora?
Eu?! Ela tinha cara de poucos amigos!
Talvez, meu caro. E talvez eu seja um desses poucos.
E prosseguimos, já com a mira na estação de caminho-de-ferro.
A primeira coisa que vi, que vimos, quando o carro dobrou a esquina foi a posição de à-vontade da sentinela.
Destacava-se na linha do edificado do espaço-canal, para usar uns termos dos livros.
Havia uma certa convexidade na pose que lhe acentuava interesse.
Demorámo-nos a inspeccionar o fim da rua. Vimos o que restou da indústria pesada, entrámos no café onde dormitava o dono e onde os poucos clientes aproveitaram a nossa presença para pedirem mais cerveja sem se responsabilizarem pelo sobressalto do justo.
Demorámo-nos a ver mais coisas. O J.J. dizia que nunca tinha andado por aquela Lisboa.
Foi assim que, já esquecidos das formas que víramos ao virar, nos encaminhámos para a estação.
O soldado de guarda era um soldado da Guarda. Era cabrito e bonito, o soldado.
Quando passei por ele, soldado, dei pela primeira vez na vida as boas tardes a uma sentinela.
O soldado bonito fez um sorriso desarmante, deu um passo à frente, bateu os tacões, fez continência e retribuiu-me o voto.
Após uma ligeira vénia, continuei rua abaixo.
O J.J. tinha ficado para trás, apreciando qualquer coisa.
Esperei que se reunisse a mim e censurei-o – então não deste as boas tardes à senhora?
Eu?! Ela tinha cara de poucos amigos!
Talvez, meu caro. E talvez eu seja um desses poucos.
E prosseguimos, já com a mira na estação de caminho-de-ferro.
20/09/2007
Isto não é publicidade
É antes uma amostra das minhas incapacidades.
Eu sei o que é o sudoku. Não faço ideia há quantos anos as pessoas se entretêm com tal coisa, mas sei que jogos – diria passatempos – semelhantes são coisa velha e relha.
Eu próprio não sendo um aficionado deste tipo de coisas, gostava particularmente de resolver alguns do género.
Surpreendi-me foi com o ar de novidade que a coisa teve aqui há poucos anos. Como se fosse caso de me surpreender com a surpresa dos outros face à sua própria ignorância.
Mas chega.
A incapacidade aqui é minha. Eu explico:
Há uns dias atrás, folheando alheado um suplemento do Expresso, pensei ter visto uma espécie de sudoku numa das páginas. Mas por achar que tinha qualquer coisa de estranho, vi com mais atenção.
Era a figura que postei ontem aqui.
E postei-a tal e qual com o rótulo de passatempo, na esperança de ver se o mesmo tipo de engano sucedia a algum dos meus leitores.
Cometi aqui mais dois erros. O primeiro, dispenso-me de o mencionar, por ser óbvio. O segundo foi não ter percebido que esse tipo de ilusão é fácil de acontecer quando se manuseia distantemente um jornal mas pouco provável face a um écran de computador.
Dito isto, anuncio aqui a perspicácia do João Espinho que acertou em cheio e a ironia iluminada do Bic Laranja que acertou no conceito subjacente, em cenário alternativo.
Trata-se da planta da Interpescas, que decorrerá de hoje até domingo, em Aveiro.
E isto não é publicidade.

Encontrei no dito suplemento para além desta imagem, um fio de meada. Para outras memórias.
É antes uma amostra das minhas incapacidades.
Eu sei o que é o sudoku. Não faço ideia há quantos anos as pessoas se entretêm com tal coisa, mas sei que jogos – diria passatempos – semelhantes são coisa velha e relha.
Eu próprio não sendo um aficionado deste tipo de coisas, gostava particularmente de resolver alguns do género.
Surpreendi-me foi com o ar de novidade que a coisa teve aqui há poucos anos. Como se fosse caso de me surpreender com a surpresa dos outros face à sua própria ignorância.
Mas chega.
A incapacidade aqui é minha. Eu explico:
Há uns dias atrás, folheando alheado um suplemento do Expresso, pensei ter visto uma espécie de sudoku numa das páginas. Mas por achar que tinha qualquer coisa de estranho, vi com mais atenção.
Era a figura que postei ontem aqui.
E postei-a tal e qual com o rótulo de passatempo, na esperança de ver se o mesmo tipo de engano sucedia a algum dos meus leitores.
Cometi aqui mais dois erros. O primeiro, dispenso-me de o mencionar, por ser óbvio. O segundo foi não ter percebido que esse tipo de ilusão é fácil de acontecer quando se manuseia distantemente um jornal mas pouco provável face a um écran de computador.
Dito isto, anuncio aqui a perspicácia do João Espinho que acertou em cheio e a ironia iluminada do Bic Laranja que acertou no conceito subjacente, em cenário alternativo.
Trata-se da planta da Interpescas, que decorrerá de hoje até domingo, em Aveiro.
E isto não é publicidade.
Encontrei no dito suplemento para além desta imagem, um fio de meada. Para outras memórias.
19/09/2007
17/09/2007
Entrada em vigor
Os papagaios repetem-se uns aos outros, naturalmente.
Mas em que medida em que é importante a data da entrada em vigor quando uma Lei foi mal parida ou mal alterada?
Além de se adiarem as dores de cabeça, há mais alguma razão?
Ouço dizer que são precisos cerca de seis meses para se discutirem e perceberem as consequências...
Os papagaios repetem-se uns aos outros, naturalmente.
Mas em que medida em que é importante a data da entrada em vigor quando uma Lei foi mal parida ou mal alterada?
Além de se adiarem as dores de cabeça, há mais alguma razão?
Ouço dizer que são precisos cerca de seis meses para se discutirem e perceberem as consequências...
O acordar da desgraça
Se há casos em que é impossível determinar uma causa para um movimento, uma acção, hoje aconteceu isso quando chegámos à porta do homem.
Por que raio o meu velho J. d’. se teria lembrado de fazer uma visita àquela figura? Nada do que se seguiu mostrou fazer luz sobre a coisa.
A um ou dois gritos fora de portas com o nome do sitiado embebido, seguiu-se o seu aparecimento apaziguador da mais do que fingida ferocidade dos cães de guarda.
Trazia no rosto as marcas do suor de sesta, condicentes com o odor a mofo de casas clandestinas que se pressentia nas manchas da parede.
Cumprimentou-nos por detrás das grades do portão, enfiando o braço.
Só depois de se aperceber que o meu amigo estava para conversa, acedeu a sair.
Ali na rua mostrou o caso. Das dificuldades em resolver a legalização de casas, ter arruamentos decentes, iluminação pública.
Uma das feras aproximou-se de mim, já a jeito de mimo. O abanar vertiginoso da cauda assim que lhe toquei no cachaço desmontou a ideia de fortaleza que as grades ainda transmitiam.
O homem continuava a preencher os vazios de quatro ou cinco anos sem falar ao J. d’. Desgraças e venturas e pombos-correio.
Suava das desgraças passadas como quem acorda da sesta.
O mofo era agora de recantos sombrios.
E sem causa aparente, despedimo-nos dele.
Esta tarde.
É para poder escrever estas coisas que não revelo este blogue aos conhecidos.
Se há casos em que é impossível determinar uma causa para um movimento, uma acção, hoje aconteceu isso quando chegámos à porta do homem.
Por que raio o meu velho J. d’. se teria lembrado de fazer uma visita àquela figura? Nada do que se seguiu mostrou fazer luz sobre a coisa.
A um ou dois gritos fora de portas com o nome do sitiado embebido, seguiu-se o seu aparecimento apaziguador da mais do que fingida ferocidade dos cães de guarda.
Trazia no rosto as marcas do suor de sesta, condicentes com o odor a mofo de casas clandestinas que se pressentia nas manchas da parede.
Cumprimentou-nos por detrás das grades do portão, enfiando o braço.
Só depois de se aperceber que o meu amigo estava para conversa, acedeu a sair.
Ali na rua mostrou o caso. Das dificuldades em resolver a legalização de casas, ter arruamentos decentes, iluminação pública.
Uma das feras aproximou-se de mim, já a jeito de mimo. O abanar vertiginoso da cauda assim que lhe toquei no cachaço desmontou a ideia de fortaleza que as grades ainda transmitiam.
O homem continuava a preencher os vazios de quatro ou cinco anos sem falar ao J. d’. Desgraças e venturas e pombos-correio.
Suava das desgraças passadas como quem acorda da sesta.
O mofo era agora de recantos sombrios.
E sem causa aparente, despedimo-nos dele.
Esta tarde.
É para poder escrever estas coisas que não revelo este blogue aos conhecidos.
16/09/2007
As alterações no Processo Penal
Não li. Não sei. Não conheço.
Ocorre-me apenas o célebre teorema do macaco dactilógrafo sempre que ouço falar em novas leis, alterações das anteriores, etc.
Há uma probabilidade...
Não li. Não sei. Não conheço.
Ocorre-me apenas o célebre teorema do macaco dactilógrafo sempre que ouço falar em novas leis, alterações das anteriores, etc.
Há uma probabilidade...
Sr. Luís, venha cá já!
Não sei quantos Srs. Luíses há por essas empresas e por essas repartições do Estado. Mas creio que muitos, tão velha é a fama e o proveito de tais figuras.
O que eu conheci chegou a levar sonoros estalos à minha frente. Numa autêntica violação dos mais elementares direitos do trabalhador, do Homem.
Quantas vezes não o recriminei eu próprio, em voz alta, por erros e omissões.
O certo é que só muito raramente não era ele o responsável pelas asneiras que por lá aconteciam, não admirando assim que tão enxovalhado fosse.
Nunca se conseguiu reciclar o Sr. Luís, essa é que é essa. Sempre foi impermeável a novos ensinamentos, impermeabilidade essa que justificava a mísera retribuição que recebia. Era um simples que tudo acatava com a devida vénia, sem se desculpar.
Por lá ficou até hoje, mesmo sendo tantas vezes referido como a pedra na engrenagem, tantas vezes chamado rispida e explicitamente à pedra a meio de uma conversa telefónica com algum cliente ou fornecedor reclamante.
O Sr. Luís, como calculam, nunca existiu.
Não sei quantos Srs. Luíses há por essas empresas e por essas repartições do Estado. Mas creio que muitos, tão velha é a fama e o proveito de tais figuras.
O que eu conheci chegou a levar sonoros estalos à minha frente. Numa autêntica violação dos mais elementares direitos do trabalhador, do Homem.
Quantas vezes não o recriminei eu próprio, em voz alta, por erros e omissões.
O certo é que só muito raramente não era ele o responsável pelas asneiras que por lá aconteciam, não admirando assim que tão enxovalhado fosse.
Nunca se conseguiu reciclar o Sr. Luís, essa é que é essa. Sempre foi impermeável a novos ensinamentos, impermeabilidade essa que justificava a mísera retribuição que recebia. Era um simples que tudo acatava com a devida vénia, sem se desculpar.
Por lá ficou até hoje, mesmo sendo tantas vezes referido como a pedra na engrenagem, tantas vezes chamado rispida e explicitamente à pedra a meio de uma conversa telefónica com algum cliente ou fornecedor reclamante.
O Sr. Luís, como calculam, nunca existiu.
15/09/2007
14/09/2007
A Terra não é esférica

Este livro figurava numa estante em casa de uns tios-avós.
Não foram poucas as vezes que, em menino, o retirava de lá e me punha a folheá-lo, tentando entender o fio das razões ali expendidas.
Era uma espécie de íman inconsequente, do qual me livrava ao fim de pouco tempo.
E sobre o qual ouvi a minha tia discorrer, afirmando que era obra de um amigo do meu tio, que assinara com um pseudónimo.
Suponho que em adulto terei dado nula importância ao facto de o ter ali à mão. Ou talvez o tempo que me demorava lá por casa fosse cada vez menor, não sei.
Sei que apenas soube do desfecho que disse respeito ao recheio da casa, mortos os tios-avós, e da certeza de estar entregue a gente pouco mais do que analfabeta, a única coisa que me ocorreu resgatar foi o livro – este livro e não outro qualquer.
O facto de a memória me ter traído em certa medida, rotulando a obra com um redonda onde haveria de ser esférica, fez-me perder o norte quando me dediquei a procurá-lo, há alguns anos.
Recentemente, por um acaso qualquer, ocorreu-me tentar variações e acabei por escrevê-lo direitinho na pesquisa do Google. Hélas!
Fui cair na Livraria Hesperia em Saragoça, depois de passar pela Flat Earth Society.
E verifiquei que também existe na BN. O que seria de esperar, é claro.
Lá o arrematei.
Chegou a hora de apanhar de novo o fio à meada. E de comparar as nossas crenças actuais com as do autor.
Creio que terei matéria para uns quantos posts.
Do cheiro que sai das páginas, libertam-se falsas memórias.
Vejo de novo o cenário de tantas recordações agradáveis.
Este livro figurava numa estante em casa de uns tios-avós.
Não foram poucas as vezes que, em menino, o retirava de lá e me punha a folheá-lo, tentando entender o fio das razões ali expendidas.
Era uma espécie de íman inconsequente, do qual me livrava ao fim de pouco tempo.
E sobre o qual ouvi a minha tia discorrer, afirmando que era obra de um amigo do meu tio, que assinara com um pseudónimo.
Suponho que em adulto terei dado nula importância ao facto de o ter ali à mão. Ou talvez o tempo que me demorava lá por casa fosse cada vez menor, não sei.
Sei que apenas soube do desfecho que disse respeito ao recheio da casa, mortos os tios-avós, e da certeza de estar entregue a gente pouco mais do que analfabeta, a única coisa que me ocorreu resgatar foi o livro – este livro e não outro qualquer.
O facto de a memória me ter traído em certa medida, rotulando a obra com um redonda onde haveria de ser esférica, fez-me perder o norte quando me dediquei a procurá-lo, há alguns anos.
Recentemente, por um acaso qualquer, ocorreu-me tentar variações e acabei por escrevê-lo direitinho na pesquisa do Google. Hélas!
Fui cair na Livraria Hesperia em Saragoça, depois de passar pela Flat Earth Society.
E verifiquei que também existe na BN. O que seria de esperar, é claro.
Lá o arrematei.
Chegou a hora de apanhar de novo o fio à meada. E de comparar as nossas crenças actuais com as do autor.
Creio que terei matéria para uns quantos posts.
Do cheiro que sai das páginas, libertam-se falsas memórias.
Vejo de novo o cenário de tantas recordações agradáveis.
E se...
Este livro que acabei de receber, vindo lá das bandas do reino de Aragão, dali de ao pé da Virgem do Pilar, dos bares onde me encharcava em licores e cucarachas, fosse o mesmo?
Há qualquer coisa neste cheiro das folhas... Há mesmo qualquer coisa. Qualquer coisa de estranho.
Ando a ficar muito sujeito à subjectividade...
Hoje é um dia notável. É mesmo.
Este livro que acabei de receber, vindo lá das bandas do reino de Aragão, dali de ao pé da Virgem do Pilar, dos bares onde me encharcava em licores e cucarachas, fosse o mesmo?
Há qualquer coisa neste cheiro das folhas... Há mesmo qualquer coisa. Qualquer coisa de estranho.
Ando a ficar muito sujeito à subjectividade...
Hoje é um dia notável. É mesmo.
13/09/2007
O murro canhoto
Sobre a agressão ou tentativa dela de Scolari a um sérvio, apenas me ocorre repetir o que disse várias vezes a quem estava comigo a ver o jogo, muito antes do golo da Sérvia:
Por que raio está o homem com tão má cara, se até está a ganhar o jogo?
As imagens da RTP serão a esse respeito eloquentes.
Sobre a agressão ou tentativa dela de Scolari a um sérvio, apenas me ocorre repetir o que disse várias vezes a quem estava comigo a ver o jogo, muito antes do golo da Sérvia:
Por que raio está o homem com tão má cara, se até está a ganhar o jogo?
As imagens da RTP serão a esse respeito eloquentes.
12/09/2007
Efeméride
Hoje são 30 anos que passam.
E lembro-me da mesa de pedra, do leitão pendurado, das palavras do teu Pai, da taberna da estação em que eu estagiara tantos verões antes, com garrafas de Bussaco e presunto às talhadas.
Lembro-me de um alterado cheiro a cortiça que vinha de uns painéis no tecto e de talvez já o ter nas narinas antes disso, anos sim. Anos em que a tua casa era apenas um local onde se ia por outros casos.
E lembro-me do regresso sem luz. Da estrada de luar*.
Da vertigem desse Setembro. Talvez o mais famoso de sempre.
Eras tão novinha. E éramos tantos à volta uns dos outros. Mais de trinta. Como os anos que hoje passam.
Adenda às 21:52 - * Fui ver as fases da Lua. Nesse dia era quase Lua Nova.
Hoje são 30 anos que passam.
E lembro-me da mesa de pedra, do leitão pendurado, das palavras do teu Pai, da taberna da estação em que eu estagiara tantos verões antes, com garrafas de Bussaco e presunto às talhadas.
Lembro-me de um alterado cheiro a cortiça que vinha de uns painéis no tecto e de talvez já o ter nas narinas antes disso, anos sim. Anos em que a tua casa era apenas um local onde se ia por outros casos.
E lembro-me do regresso sem luz. Da estrada de luar*.
Da vertigem desse Setembro. Talvez o mais famoso de sempre.
Eras tão novinha. E éramos tantos à volta uns dos outros. Mais de trinta. Como os anos que hoje passam.
Adenda às 21:52 - * Fui ver as fases da Lua. Nesse dia era quase Lua Nova.
11/09/2007
Era imoral se o fizesse...
[a PJ considerasse os McCann imediatamente suspeitos]
Ontem, julguei ter ouvido isto da boca do director nacional da PJ.
Achei a barbaridade tão grande que pensei ter ouvido mal.
Hoje, reouvindo, verifiquei que não me enganara.
Há frases que dizem tudo sobre a capacidade de quem as profere.
Pensava eu que pagávamos à polícia para não eliminar ninguém à partida.
E que a moral não era chamada para estas coisas. Afinal...
Não quero dizer com isto que ache seja seja o que fôr sobre quem fez o quê.
Acho apenas o que disse acima. E só isso.
[a PJ considerasse os McCann imediatamente suspeitos]
Ontem, julguei ter ouvido isto da boca do director nacional da PJ.
Achei a barbaridade tão grande que pensei ter ouvido mal.
Hoje, reouvindo, verifiquei que não me enganara.
Há frases que dizem tudo sobre a capacidade de quem as profere.
Pensava eu que pagávamos à polícia para não eliminar ninguém à partida.
E que a moral não era chamada para estas coisas. Afinal...
Não quero dizer com isto que ache seja seja o que fôr sobre quem fez o quê.
Acho apenas o que disse acima. E só isso.
ADN
Muita desta gente que tanto fala de ADN não faz a menor ideia do que é que está a dizer.
Começando por aquela senhora que foi para a Tailândia em 2004 ou 2005, após o grande maremoto, segundo ela, ajudar a reconhecer os corpos dos portugueses.
A todos eles faria talvez falta um bocadinho mais de Matemática na cabeça.
De lógica e cálculo combinatório. Isso já ajudava a não se produzirem tantas asneiras.
Mas sem bom senso...
Muita desta gente que tanto fala de ADN não faz a menor ideia do que é que está a dizer.
Começando por aquela senhora que foi para a Tailândia em 2004 ou 2005, após o grande maremoto, segundo ela, ajudar a reconhecer os corpos dos portugueses.
A todos eles faria talvez falta um bocadinho mais de Matemática na cabeça.
De lógica e cálculo combinatório. Isso já ajudava a não se produzirem tantas asneiras.
Mas sem bom senso...
10/09/2007
Nova Iorque, grelhadores e autoclismos
Há um adágio que diz guarda o que não te faz falta, terás sempre o que precisas.
Faz por estes dias quarenta e cinco anos que escutei da boca do meu Pai, as suas impressões da sociedade de consumo recolhidas em Nova Iorque. Dizia que pelo lixo encontrado nas ruas se podia fazer uma ideia do que era.
Essas palavras não mais as esqueci. Talvez pela tenra idade que tinha na altura e pela novidade que encerravam.
Não sou propriamente incapaz de me livrar das inutilidades, dos objectos avariados ou partidos, das coisas obsoletas, dos papéis amarelecidos. Mas guardo muita coisa.
Um destes dias, desfiz-me de parte de um grelhador eléctrico. Guardei o que me pareceu não me fazer falta.
Ontem, reparei um autoclismo de usar e deitar fora com peças desse grelhador. Uma delas era mesmo o que eu precisava.
Quarenta e cinco anos depois.
Há um adágio que diz guarda o que não te faz falta, terás sempre o que precisas.
Faz por estes dias quarenta e cinco anos que escutei da boca do meu Pai, as suas impressões da sociedade de consumo recolhidas em Nova Iorque. Dizia que pelo lixo encontrado nas ruas se podia fazer uma ideia do que era.
Essas palavras não mais as esqueci. Talvez pela tenra idade que tinha na altura e pela novidade que encerravam.
Não sou propriamente incapaz de me livrar das inutilidades, dos objectos avariados ou partidos, das coisas obsoletas, dos papéis amarelecidos. Mas guardo muita coisa.
Um destes dias, desfiz-me de parte de um grelhador eléctrico. Guardei o que me pareceu não me fazer falta.
Ontem, reparei um autoclismo de usar e deitar fora com peças desse grelhador. Uma delas era mesmo o que eu precisava.
Quarenta e cinco anos depois.
09/09/2007
O burro carregadíssimo de livros
Eu gosto de livros. Não sei de que tempo vem esse gosto. Se da BD do tempo em que só lia as maiúsculas de imprensa, se de um pouco mais tarde quando já decifrara as minúsculas tipográficas. Mas vem de longe.
Gosto de livros mas gosto mais da estrada. Suponho que terá sido nela, por via dos sinais ali em cima representados*, que aprendi as tais maiúsculas de imprensa e, com elas, a ler.
Gosto da estrada. É nela que me sinto a realizar o sonho de criança – o que é que eu queria ser em adulto? – ajudante de camionista, daqueles que viajavam na caixa de carga, de preferência em pé.
Gosto da estrada. É nela que deixo o mundo entrar-me pelos olhos. É nela que percebo as diferenças que há por trás dos montes, após um grande rio ou para lá de grandes planícies.
Gosto da estrada. É por ela que chego à fala com pessoas que me contam maravilhas ou que me dizem do comezinho. Mas do comezinho alheio.
Gosto da estrada. É por ela que chego a cores e a cheiros. É por ela que chego a frios e a calores.
Gosto da estrada. É nela que enfrento às vezes a desgraça, a morte. A violência dos elementos e a miséria humana.
Gosto da estrada. É nela que aprendo mais do que nos livros.
Mas eu gosto de livros. E, se é mais do que provável que nunca chegue a ler todos os livros que juntei, também é certo que levarei a minha conta das estradas dos outros para a cova.
Ou das estradas que os outros inventaram a partir das estradas que percorreram. Mesmo sem terem saído de um mesmo local.
Nunca confundirei a sabedoria com o tamanho da biblioteca ou com o rol de livros na cabeça.
O que não falta são burros carregadíssimos de livros e de citações.
Aprecio antes a simplicidade do raciocínio e a depuração de argumentos. A brutalidade da luz, sem rodeios. Se acaso ela vem cheia de estrada, percorrida ou lida, tanto melhor.
*no cabeçalho da versão deste blogue no Sapo
Eu gosto de livros. Não sei de que tempo vem esse gosto. Se da BD do tempo em que só lia as maiúsculas de imprensa, se de um pouco mais tarde quando já decifrara as minúsculas tipográficas. Mas vem de longe.
Gosto de livros mas gosto mais da estrada. Suponho que terá sido nela, por via dos sinais ali em cima representados*, que aprendi as tais maiúsculas de imprensa e, com elas, a ler.
Gosto da estrada. É nela que me sinto a realizar o sonho de criança – o que é que eu queria ser em adulto? – ajudante de camionista, daqueles que viajavam na caixa de carga, de preferência em pé.
Gosto da estrada. É nela que deixo o mundo entrar-me pelos olhos. É nela que percebo as diferenças que há por trás dos montes, após um grande rio ou para lá de grandes planícies.
Gosto da estrada. É por ela que chego à fala com pessoas que me contam maravilhas ou que me dizem do comezinho. Mas do comezinho alheio.
Gosto da estrada. É por ela que chego a cores e a cheiros. É por ela que chego a frios e a calores.
Gosto da estrada. É nela que enfrento às vezes a desgraça, a morte. A violência dos elementos e a miséria humana.
Gosto da estrada. É nela que aprendo mais do que nos livros.
Mas eu gosto de livros. E, se é mais do que provável que nunca chegue a ler todos os livros que juntei, também é certo que levarei a minha conta das estradas dos outros para a cova.
Ou das estradas que os outros inventaram a partir das estradas que percorreram. Mesmo sem terem saído de um mesmo local.
Nunca confundirei a sabedoria com o tamanho da biblioteca ou com o rol de livros na cabeça.
O que não falta são burros carregadíssimos de livros e de citações.
Aprecio antes a simplicidade do raciocínio e a depuração de argumentos. A brutalidade da luz, sem rodeios. Se acaso ela vem cheia de estrada, percorrida ou lida, tanto melhor.
*no cabeçalho da versão deste blogue no Sapo
08/09/2007
07/09/2007
O incidente diplomático
A ser verdade que o caso da menina evolui da forma que os jornalistas preconizam, já não há escapatória.
Seja qual fôr o desfecho, um grave incidente diplomático avizinha-se.
O caso é simples.
Se a PJ tem material suficiente para conseguir uma acusação e depois uma condenação, há um ror de créditos a seu favor, do Estado Português e até de outros estados, incluindo o Vaticano.
Veremos como reage a isso o Reino Unido e de que forma mete a viola no saco.
Se, pelo contrário, não consegue uma condenação – basta não descobrir o corpo, a condenação no caso da Joana sabemos todos a que se deveu – cai-lhe em cima e em cima do Estado Português, por tabela, o Carmo e a Trindade mais o Big Ben e a Torre de Londres.
Não me parece que exista já terceira via. Esperemos é que haja sensatez a mais e bronca a menos.
Duvido no entanto que não haja um aumento das altercações lá pelo Algarve.
A ser verdade que o caso da menina evolui da forma que os jornalistas preconizam, já não há escapatória.
Seja qual fôr o desfecho, um grave incidente diplomático avizinha-se.
O caso é simples.
Se a PJ tem material suficiente para conseguir uma acusação e depois uma condenação, há um ror de créditos a seu favor, do Estado Português e até de outros estados, incluindo o Vaticano.
Veremos como reage a isso o Reino Unido e de que forma mete a viola no saco.
Se, pelo contrário, não consegue uma condenação – basta não descobrir o corpo, a condenação no caso da Joana sabemos todos a que se deveu – cai-lhe em cima e em cima do Estado Português, por tabela, o Carmo e a Trindade mais o Big Ben e a Torre de Londres.
Não me parece que exista já terceira via. Esperemos é que haja sensatez a mais e bronca a menos.
Duvido no entanto que não haja um aumento das altercações lá pelo Algarve.
Alcatrão

Recordei-me agora do cheiro.
A madrugada passada tivera-o a incomodar-me o sono.
No vai não vai dos sentidos, lá identificara o alcatrão.
E nesse esvair da mente, não consegui perceber por que raio haveria de o ter dentro do quarto, comigo na cama.
Voltou, insidioso.
Mas, vigil, não me deixei ficar na ignorância.
É corte de via direita e central, para obras de manutenção.
Antes isso que alguém a querer tingir-me de preto, pela calada.

Foto de livreto do MOP (trabalhada a carvão) - já aqui publicada em Restos de colecção (22)
Recordei-me agora do cheiro.
A madrugada passada tivera-o a incomodar-me o sono.
No vai não vai dos sentidos, lá identificara o alcatrão.
E nesse esvair da mente, não consegui perceber por que raio haveria de o ter dentro do quarto, comigo na cama.
Voltou, insidioso.
Mas, vigil, não me deixei ficar na ignorância.
É corte de via direita e central, para obras de manutenção.
Antes isso que alguém a querer tingir-me de preto, pela calada.
Foto de livreto do MOP (trabalhada a carvão) - já aqui publicada em Restos de colecção (22)
06/09/2007
Dissecação
Quando chegar ao fim – e se chegar a um desfecho que seja aceitável, plausível – este caso da menina desaparecida no Algarve deixará, pelo menos, uma coisa para entretenga dos que se interessam pela manipulação da opinião pública: tentar descobrir a origem, a intenção ou ausência dela dos milhentos boatos e notícias trânsfugas, a partir desse conhecimento presumivelmente cabal.
É uma entretenga essa dissecação. Jamais poderia ser qualquer coisa de mais sério.
Quando chegar ao fim – e se chegar a um desfecho que seja aceitável, plausível – este caso da menina desaparecida no Algarve deixará, pelo menos, uma coisa para entretenga dos que se interessam pela manipulação da opinião pública: tentar descobrir a origem, a intenção ou ausência dela dos milhentos boatos e notícias trânsfugas, a partir desse conhecimento presumivelmente cabal.
É uma entretenga essa dissecação. Jamais poderia ser qualquer coisa de mais sério.
05/09/2007
04/09/2007
O que é que esta gente tem na cabeça?
Um tipo qualquer da governança a falar de um serviço via net destinado a regularizar automóveis, creio, diz que este mesmo serviço só está disponível para quem tenha cartão de cidadão.
Até aqui, nada de mais. É o costume e aceita-se, se o cartão de cidadão estiver a ponto de se consagrar, vulgarizando-se.
A burrice aparece logo a seguir. Quando ele diz que é para ter a certeza de quem está do outro lado.
Não terá assessores este? Ou serão todos do gabarito do do outro, do blogue tipo almanaque?
É esta gente, com esta inteligência, que nos governa!
Um tipo qualquer da governança a falar de um serviço via net destinado a regularizar automóveis, creio, diz que este mesmo serviço só está disponível para quem tenha cartão de cidadão.
Até aqui, nada de mais. É o costume e aceita-se, se o cartão de cidadão estiver a ponto de se consagrar, vulgarizando-se.
A burrice aparece logo a seguir. Quando ele diz que é para ter a certeza de quem está do outro lado.
Não terá assessores este? Ou serão todos do gabarito do do outro, do blogue tipo almanaque?
É esta gente, com esta inteligência, que nos governa!
Os circunscritos
Eu não acredito que haja um só dos caçados dentro do cerco policial.
A ser verdade que o perímetro se alargou, não sou só eu quem não acredita.
Pode ser que me engane.
Pode muito bem ser que me tenham enganado. Que não exista cerco algum, o que é de resto o mais provável, mas apenas homens espalhados pelo campo.
Eu não acredito que haja um só dos caçados dentro do cerco policial.
A ser verdade que o perímetro se alargou, não sou só eu quem não acredita.
Pode ser que me engane.
Pode muito bem ser que me tenham enganado. Que não exista cerco algum, o que é de resto o mais provável, mas apenas homens espalhados pelo campo.
Do Cabo Espichel ao Cabo Raso

A embocadura do nosso rio.
A Roca mais além.
E no entre mentes, um cabo onírico – o Cabo Verdeão.
Tive hoje a certeza de que ele existia.
Um cabo fluvial, algures a jusante do Ginjal, do Olho de Boi, da Arialva.

Embora os cabos que contam, nas minhas conhecenças, sejam a Roca e o Espichel.
Este é o entre tanto.
Sei lá eu como esta certeza se colou às paredes da mente.
Adaptações da Carta costeira de Jacob Robyn (do cabo Finisterra ao cabo de São Vicente) e da Carta Militar de Portugal do IGEOE.

A embocadura do nosso rio.
A Roca mais além.
E no entre mentes, um cabo onírico – o Cabo Verdeão.
Tive hoje a certeza de que ele existia.
Um cabo fluvial, algures a jusante do Ginjal, do Olho de Boi, da Arialva.

Embora os cabos que contam, nas minhas conhecenças, sejam a Roca e o Espichel.
Este é o entre tanto.
Sei lá eu como esta certeza se colou às paredes da mente.
Adaptações da Carta costeira de Jacob Robyn (do cabo Finisterra ao cabo de São Vicente) e da Carta Militar de Portugal do IGEOE.
03/09/2007
02/09/2007
O Verão ainda não acabou
É certo que ainda faltam três semanas.
Mas ver cair as previsões catastróficas todas de forma ruidosa - ruidosa do barulho que eles e os papagaios que arregimentam jamais ouvirão – elas que estavam prenhes de vagas de calor e dias de brasa como nunca igual acontecera, é obra.
E certo é também que essa tropa não aprende sequer com os próprios erros.
Que isso de aprender com eles é coisa própria de outros animais irracionais.
É certo que ainda faltam três semanas.
Mas ver cair as previsões catastróficas todas de forma ruidosa - ruidosa do barulho que eles e os papagaios que arregimentam jamais ouvirão – elas que estavam prenhes de vagas de calor e dias de brasa como nunca igual acontecera, é obra.
E certo é também que essa tropa não aprende sequer com os próprios erros.
Que isso de aprender com eles é coisa própria de outros animais irracionais.
Miss Teen
Diz que a rapariga é Miss Teen da Carolina do Sul em 2007.
Não sei se é se não é. Se é caricatura ou realidade.
O que sei é que não vejo diferença entre ela e grande parte dos jornalistas.
Os mesmos que a glosam.
Afinal que culpa têm todos eles de ser assim?
Diz que a rapariga é Miss Teen da Carolina do Sul em 2007.
Não sei se é se não é. Se é caricatura ou realidade.
O que sei é que não vejo diferença entre ela e grande parte dos jornalistas.
Os mesmos que a glosam.
Afinal que culpa têm todos eles de ser assim?
31/08/2007
30/08/2007
O livro
E eis que, da mental bruma, procede uma luz!
Ainda que ténue e ao fundo de uma vereda de dificuldades.
Mas encontrei a prateleira onde, em segunda fila, ele se escondeu.
Não sei se ainda lá está.
E eis que, da mental bruma, procede uma luz!
Ainda que ténue e ao fundo de uma vereda de dificuldades.
Mas encontrei a prateleira onde, em segunda fila, ele se escondeu.
Não sei se ainda lá está.
29/08/2007
28/08/2007
E de repente
Vem-me à cabeça que as coisas desimportantes saem da nossa vida pela direita baixa.
E que tornam um dia. No meio de um sonho, de uma recordação.
Hoje, ocorreu-me que havia um tempo em que se descascavam ervilhas. E que era obra encontrar nove delas numa só vagem.
Fui ver. Havia pelo menos uma referência a isso aqui na rede. Vá lá!
Vem-me à cabeça que as coisas desimportantes saem da nossa vida pela direita baixa.
E que tornam um dia. No meio de um sonho, de uma recordação.
Hoje, ocorreu-me que havia um tempo em que se descascavam ervilhas. E que era obra encontrar nove delas numa só vagem.
Fui ver. Havia pelo menos uma referência a isso aqui na rede. Vá lá!
27/08/2007
26/08/2007
Restos de colecção (63)

Ou como me vejo já um homem proto-histórico.
encontrei uma caixa com coisas desta época e seguintes
Ou como me vejo já um homem proto-histórico.
encontrei uma caixa com coisas desta época e seguintes
25/08/2007
Os electrónicos alfaiates de serrote
Já me tinha apercebido da coisa há algum tempo.
Agora mesmo enquanto via em cinema mudo, ali ao canto, imagens de Raymond Barre, me ocorreu naturalmente que era de óbito que se tratava.
Pois bastou-me entrar na Wikipedia e lá estava já a data da morte. Conferia.
Há tipos que, embora prestando um serviço aos demais, devem ter um prazer especial em atestar um passamento ao mundo exterior.
Já me tinha apercebido da coisa há algum tempo.
Agora mesmo enquanto via em cinema mudo, ali ao canto, imagens de Raymond Barre, me ocorreu naturalmente que era de óbito que se tratava.
Pois bastou-me entrar na Wikipedia e lá estava já a data da morte. Conferia.
Há tipos que, embora prestando um serviço aos demais, devem ter um prazer especial em atestar um passamento ao mundo exterior.
As coisas que aqui vêm parar pelo Google
As simples (serão mesmo simples?):
a vida...
é a vida/
E as complicadas (sê-lo-ão mesmo?):
o padeiro tambem nao estava l E o guarda no saiu para prender
que acertam em cheio
As simples (serão mesmo simples?):
a vida...
é a vida/
E as complicadas (sê-lo-ão mesmo?):
o padeiro tambem nao estava l E o guarda no saiu para prender
que acertam em cheio
23/08/2007
O homem que chegou de comboio - Portugal anónimo, três décadas atrás
Não sei já situar esta história no tempo. Mas é seguramente do final dos anos 70 ou primeira metade dos anos 80.
Devo ter chegado de comboio à vila. Acho que esse facto me identificou mais com o episódio.
Ainda havia no ar os restos dele quando entrei no café. Restos velhos de alguns dias.
O homem chegara então de comboio. Não me recordo se alguém sabia da forma como ele depois alcançou a vila. Se teria sido a pé ou não.
O que me contaram é que deram por ele já empoleirado num telhado.
De onde arrancou e lançou algumas telhas.
E que foi passando, na correnteza da Rua Direita, de um telhado a outro, lançando telhas talvez já aos que se aglomeravam em baixo.
O homem era desconhecido por aquelas paragens e o impasse – como se diz agora – durou umas quantas horas.
Quando chegou a tal hora, a hora dele, lá de cima se lançou.
Não sei se há muita gente que ainda se lembre deste homem a quem eu nunca vi, vivo ou morto.
Não sei já situar esta história no tempo. Mas é seguramente do final dos anos 70 ou primeira metade dos anos 80.
Devo ter chegado de comboio à vila. Acho que esse facto me identificou mais com o episódio.
Ainda havia no ar os restos dele quando entrei no café. Restos velhos de alguns dias.
O homem chegara então de comboio. Não me recordo se alguém sabia da forma como ele depois alcançou a vila. Se teria sido a pé ou não.
O que me contaram é que deram por ele já empoleirado num telhado.
De onde arrancou e lançou algumas telhas.
E que foi passando, na correnteza da Rua Direita, de um telhado a outro, lançando telhas talvez já aos que se aglomeravam em baixo.
O homem era desconhecido por aquelas paragens e o impasse – como se diz agora – durou umas quantas horas.
Quando chegou a tal hora, a hora dele, lá de cima se lançou.
Não sei se há muita gente que ainda se lembre deste homem a quem eu nunca vi, vivo ou morto.
22/08/2007
O 112
A ser verdade o que se diz por aí sobre o erro de uma funcionária do CODU (Centro de Orientação de Doentes Urgentes), não me surpreende.
Diz-se que este centro é formado por “médicos e operadores de central com formação específica para efectuar o atendimento, triagem, aconselhamento de pré-socorro e selecção e accionamento dos meios de socorro mais adequados a cada ocorrência, preparando a recepção hospitalar dos doentes”.
Não me pronuncio sobre a capacidade de avaliação médica destes operadores. Suponho que os médicos presentes assegurarão essa parte.
Agora sobre a capacidade de orientar as viaturas de socorro posso dizer algumas coisas.
Não é a primeira vez que há notícias de veículos enviados para a Senhora da Asneira por estes funcionários.
Tão importante é uma boa – dentro do possível - avaliação médica à distância como a rapidez do resgate. Ora esta pode ser seriamente comprometida por gente incapaz de determinar com rigor a localização do doente.
E isto não é tarefa para qualquer um. Sabemos todos que não há manual de procedimentos ou curso de formação que dê a quem não o tenha, sentido de orientação. E nisto incluo a capacidade de apontar num mapa de Portugal ou de uma região em particular, um sítio, uma localidade, a partir muitas vezes de indicações mal dadas, fornecidas por alguém que não é capaz de o fazer melhor ou não o faz porque está em estado de ansiedade. Sabemos todos isso.
É porque insistimos em não avaliar capacidades específicas de cada um que temos quase sempre a peça inadequada na engrenagem.
Uma questão de organização, afinal. Que nos faz estar tanto tempo de serviço e ser tão pouco eficazes.
No meu caso particular, apenas uma vez liguei para o antigo 115. O toque de chamada ficou largos minutos do outro lado. Desisti. O dono da casa de onde efectuei a chamada deu-me de pronto o número local dos bombeiros. Em menos tempo do que levei a voltar ao local do acidente, já eles estavam ao pé de mim.
Sou um admirador dos bombeiros. Sobre o 112, não tenho opinião favorável.
A ser verdade o que se diz por aí sobre o erro de uma funcionária do CODU (Centro de Orientação de Doentes Urgentes), não me surpreende.
Diz-se que este centro é formado por “médicos e operadores de central com formação específica para efectuar o atendimento, triagem, aconselhamento de pré-socorro e selecção e accionamento dos meios de socorro mais adequados a cada ocorrência, preparando a recepção hospitalar dos doentes”.
Não me pronuncio sobre a capacidade de avaliação médica destes operadores. Suponho que os médicos presentes assegurarão essa parte.
Agora sobre a capacidade de orientar as viaturas de socorro posso dizer algumas coisas.
Não é a primeira vez que há notícias de veículos enviados para a Senhora da Asneira por estes funcionários.
Tão importante é uma boa – dentro do possível - avaliação médica à distância como a rapidez do resgate. Ora esta pode ser seriamente comprometida por gente incapaz de determinar com rigor a localização do doente.
E isto não é tarefa para qualquer um. Sabemos todos que não há manual de procedimentos ou curso de formação que dê a quem não o tenha, sentido de orientação. E nisto incluo a capacidade de apontar num mapa de Portugal ou de uma região em particular, um sítio, uma localidade, a partir muitas vezes de indicações mal dadas, fornecidas por alguém que não é capaz de o fazer melhor ou não o faz porque está em estado de ansiedade. Sabemos todos isso.
É porque insistimos em não avaliar capacidades específicas de cada um que temos quase sempre a peça inadequada na engrenagem.
Uma questão de organização, afinal. Que nos faz estar tanto tempo de serviço e ser tão pouco eficazes.
No meu caso particular, apenas uma vez liguei para o antigo 115. O toque de chamada ficou largos minutos do outro lado. Desisti. O dono da casa de onde efectuei a chamada deu-me de pronto o número local dos bombeiros. Em menos tempo do que levei a voltar ao local do acidente, já eles estavam ao pé de mim.
Sou um admirador dos bombeiros. Sobre o 112, não tenho opinião favorável.
21/08/2007
Os incêndios
Eu não sei se os bombeiros consideram todos o mesmo significado da palavra circunscrito.
Creio bem que não.
Mas sei que muitos jornalistas acham que é sinónimo de extinto.
A verdade é que ainda não percebi o que é que significa circunscrito e controlado, quando ouço estas palavras em época de incêndios.
Para mim, circunscrito é um fogo que se sabe ou prevê não sair já de determinadas balizas no terreno, embora se admita que possa aumentar de intensidade.
Controlado será um fogo que se encontra irremediavelmente a caminho da extinção, diminuindo sucessivamente de intensidade? Não sei se é.
A folha informativa do CNOS, sendo um melhoramento em relação a anos anteriores, mostra através dos registos e dos mapas muita incipiência e desconhecimento.
Os mesmos que entrevi, em directo na televisão, na noite de 5 para 6 de Novembro de 1997. Já lá vão dez anos.
Um dos mapas mostra agora um fogo exactamente numa casa que bem conheço, dos traços no papel aos acabamentos. Não acredito que esteja a arder.
Eu não sei se os bombeiros consideram todos o mesmo significado da palavra circunscrito.
Creio bem que não.
Mas sei que muitos jornalistas acham que é sinónimo de extinto.
A verdade é que ainda não percebi o que é que significa circunscrito e controlado, quando ouço estas palavras em época de incêndios.
Para mim, circunscrito é um fogo que se sabe ou prevê não sair já de determinadas balizas no terreno, embora se admita que possa aumentar de intensidade.
Controlado será um fogo que se encontra irremediavelmente a caminho da extinção, diminuindo sucessivamente de intensidade? Não sei se é.
A folha informativa do CNOS, sendo um melhoramento em relação a anos anteriores, mostra através dos registos e dos mapas muita incipiência e desconhecimento.
Os mesmos que entrevi, em directo na televisão, na noite de 5 para 6 de Novembro de 1997. Já lá vão dez anos.
Um dos mapas mostra agora um fogo exactamente numa casa que bem conheço, dos traços no papel aos acabamentos. Não acredito que esteja a arder.
19/08/2007
18/08/2007
16/08/2007
30 anos depois
Parece que, na América, toda a gente sabe onde se encontrava quando teve a notícia de que Elvis Presley tinha morrido.
Eu também sei. Estava no Club Disco Zebra, em Vilamoura. Ali mesmo ao pé do Casino.
No entanto, recordo-me disso mais pelo insólito da coisa, por a música ter parado de repente, creio, e alguém ter anunciado o decesso ao microfone.
Não tinha de Elvis grandes recordações como não tenho de ninguém em especial que não faça ou tenha feito parte do meu círculo íntimo. Nunca fui de celebrar autores mas sim obras.
No caso nem sequer era apreciador da obra. Sabia apenas que existia.
E, depois desse momento, é claro que a dose de Elvis que se seguiu nos fez sair mais cedo do local.
Presumo que talvez nos tenhamos dedicado mais demoradamente aos aquecimentos à Vitória de Setúbal, nos relvados adjacentes. Como fazíamos quase todas as noites antes de dar à chave no R12.
As moças não gostavam especialmente dessa parte.
As saudades que eu tenho da Zebra!
Ou de ter 18 anos.
Diz que o Elvis ainda anda por aí.
Parece que, na América, toda a gente sabe onde se encontrava quando teve a notícia de que Elvis Presley tinha morrido.
Eu também sei. Estava no Club Disco Zebra, em Vilamoura. Ali mesmo ao pé do Casino.
No entanto, recordo-me disso mais pelo insólito da coisa, por a música ter parado de repente, creio, e alguém ter anunciado o decesso ao microfone.
Não tinha de Elvis grandes recordações como não tenho de ninguém em especial que não faça ou tenha feito parte do meu círculo íntimo. Nunca fui de celebrar autores mas sim obras.
No caso nem sequer era apreciador da obra. Sabia apenas que existia.
E, depois desse momento, é claro que a dose de Elvis que se seguiu nos fez sair mais cedo do local.
Presumo que talvez nos tenhamos dedicado mais demoradamente aos aquecimentos à Vitória de Setúbal, nos relvados adjacentes. Como fazíamos quase todas as noites antes de dar à chave no R12.
As moças não gostavam especialmente dessa parte.
As saudades que eu tenho da Zebra!
Ou de ter 18 anos.
Diz que o Elvis ainda anda por aí.
O livro semi-virgem
Não é a primeira vez que me sucede tirar um livro das prateleiras e verificar que tem algumas páginas coladas. Não que seja coisa frequente mas não é coisa única.
O que me surpreendeu desta vez foi verificar que a partir de páginas 209, o livro estava virgem. Mais ou menos a meio d’“A alegria de viver” de Zola.
A primeira coisa que me vem à cabeça é que me estou, sem que tivesse disso a menor intenção, a colocar no lugar da pessoa que interrompeu ali a leitura. Se é que o fez.
Depois, ocorre-me que poderá alguém ter começado a abrir o livro com o competente corta-papel e, por alguma razão, ter interrompido o trabalho. E nunca mais o retomou, talvez nem tendo sequer iniciado a leitura do livro.
Depois ainda, e atendendo ao facto de algumas páginas até aqui estarem mal cortadas, vem-me à cabeça algo ainda mais bizarro.
Em miúdo, tinha o hábito de me munir de uma lâmina de plástico afiado e abrir livros que encontrava intactos, tendo sido repreendido algumas vezes por o fazer e por fazê-lo descuidadamente.
Terei sido eu o autor da coisa?
Seja como fôr, ninguém leu este livro até ao fim.
Não é a primeira vez que me sucede tirar um livro das prateleiras e verificar que tem algumas páginas coladas. Não que seja coisa frequente mas não é coisa única.
O que me surpreendeu desta vez foi verificar que a partir de páginas 209, o livro estava virgem. Mais ou menos a meio d’“A alegria de viver” de Zola.
A primeira coisa que me vem à cabeça é que me estou, sem que tivesse disso a menor intenção, a colocar no lugar da pessoa que interrompeu ali a leitura. Se é que o fez.
Depois, ocorre-me que poderá alguém ter começado a abrir o livro com o competente corta-papel e, por alguma razão, ter interrompido o trabalho. E nunca mais o retomou, talvez nem tendo sequer iniciado a leitura do livro.
Depois ainda, e atendendo ao facto de algumas páginas até aqui estarem mal cortadas, vem-me à cabeça algo ainda mais bizarro.
Em miúdo, tinha o hábito de me munir de uma lâmina de plástico afiado e abrir livros que encontrava intactos, tendo sido repreendido algumas vezes por o fazer e por fazê-lo descuidadamente.
Terei sido eu o autor da coisa?
Seja como fôr, ninguém leu este livro até ao fim.
Efeméride
Ao entrar no quinto ano deste blogue – faz hoje exactamente quatro anos que a coisa começou – ocorre-me que, atendendo à vaga que se originou nesse verão de 2003 e aos inúmeros que já ficaram pelo caminho, a plêiade de resistentes em que se inclui acabará por ter algum papel na História.
Desse papel, um átomo há-de lhe dizer respeito.
E posso dizer que isso é para mim, que o escrevo, motivo de satisfação.
Quando comecei a escrevê-lo não tinha uma ideia assente sobre o tempo em que o faria. Nem se muito nem se pouco. Sendo certo que sabia que não era uma ideia para abandonar no dia seguinte, à primeira dificuldade ou ao primo enjoo. Isso sabia. Mas não saberia responder se ao fim de quatro anos ainda aqui andaria ou não.
Pois bem, se alguma coisa se pode dizer de concreto, é que aos quatro anos chegou. Veremos se chegará a fazer um lustro.
Às perguntas que me faço, se espero e acho que lá chega, respondo a ambas que sim.
Ao entrar no quinto ano deste blogue – faz hoje exactamente quatro anos que a coisa começou – ocorre-me que, atendendo à vaga que se originou nesse verão de 2003 e aos inúmeros que já ficaram pelo caminho, a plêiade de resistentes em que se inclui acabará por ter algum papel na História.
Desse papel, um átomo há-de lhe dizer respeito.
E posso dizer que isso é para mim, que o escrevo, motivo de satisfação.
Quando comecei a escrevê-lo não tinha uma ideia assente sobre o tempo em que o faria. Nem se muito nem se pouco. Sendo certo que sabia que não era uma ideia para abandonar no dia seguinte, à primeira dificuldade ou ao primo enjoo. Isso sabia. Mas não saberia responder se ao fim de quatro anos ainda aqui andaria ou não.
Pois bem, se alguma coisa se pode dizer de concreto, é que aos quatro anos chegou. Veremos se chegará a fazer um lustro.
Às perguntas que me faço, se espero e acho que lá chega, respondo a ambas que sim.
15/08/2007
A senha A 752
Sabia claro de cor o meu número – A 774.
A estação estava com uma afluência muito acima do habitual e a numeração ainda nos 721. Ali à porta estava um tipo que fingia que não me via e a quem eu retribuía passando os olhos de fugida sobre a zona.
Quando o painel se aproximou dos 750, aproveitei o recanto vago que dava uma belíssima e desimpedida diagonal de observação, sem estar a torcer o pescoço e ainda proporcionava apoio de braços num balcão deserto.
Foi já depois de ter teorizado sobre a forma como a carga do corpo se distribui por um ou mais apoios nestas circunstâncias, que vi em cima do balcão fora de serviço, uma senha.
Era a A 752.
No painel, o 750.
Não me passou pela cabeça dar o golpe, essa é que é a verdade.
Apanhei-a, dobrei-a em quatro como dizem se deve fazer aos votos e guardei-a no bolso.
Quando o 752 apareceu a vermelho, estive quase, quase para dizer uma laracha. Mas calei-me. Um tipo avançou para a competente parte do balcão enquanto remexia nos bolsos. É claro que vi logo que era o mesmo que libertara a grande diagonal.
Imaginei então o que teria acontecido se eu me tivesse apresentado de senha na mão.
Quando chegou a minha vez, cumprimentei o tipo da porta que não me queria falar e arremeti.
Foi então que não descobri a minha senha.
Sabia claro de cor o meu número – A 774.
A estação estava com uma afluência muito acima do habitual e a numeração ainda nos 721. Ali à porta estava um tipo que fingia que não me via e a quem eu retribuía passando os olhos de fugida sobre a zona.
Quando o painel se aproximou dos 750, aproveitei o recanto vago que dava uma belíssima e desimpedida diagonal de observação, sem estar a torcer o pescoço e ainda proporcionava apoio de braços num balcão deserto.
Foi já depois de ter teorizado sobre a forma como a carga do corpo se distribui por um ou mais apoios nestas circunstâncias, que vi em cima do balcão fora de serviço, uma senha.
Era a A 752.
No painel, o 750.
Não me passou pela cabeça dar o golpe, essa é que é a verdade.
Apanhei-a, dobrei-a em quatro como dizem se deve fazer aos votos e guardei-a no bolso.
Quando o 752 apareceu a vermelho, estive quase, quase para dizer uma laracha. Mas calei-me. Um tipo avançou para a competente parte do balcão enquanto remexia nos bolsos. É claro que vi logo que era o mesmo que libertara a grande diagonal.
Imaginei então o que teria acontecido se eu me tivesse apresentado de senha na mão.
Quando chegou a minha vez, cumprimentei o tipo da porta que não me queria falar e arremeti.
Foi então que não descobri a minha senha.
13/08/2007
12/08/2007
O calor dos velocípedes e o som dos motociclos
Há, em pacífica oposição na nossa mente, duas - digamos - apreciações.
Uma, presunçosa, dita que há certas coisas de que jamais sentiremos a falta.
Outra, mais avisada e calejada do tempo, observa que certas memórias, ainda que menos agradáveis, remexem na terra e extraem dela odores que nos lembram a dita molhada de fresco.
Ontem pela madrugada ouvi longe-perto o som de uma motorizada daquelas rústicas.
Zunia e aqui e acolá dava o seu traque combustivo.
Deixei-me embalar por esse som como se estivesse na minha cama do Largo a ouvir um fim mais fim de festa do que o meu. Dos que desaparecendo montados na napa quente ou fria – creio que não havia meio termo – o faziam já depois do meu encosto à boxe.
Ou como se nas manhãs houvesse um peixe recém-chegado de Sines, anunciado em buzina de apertar – fica agora decidido que, a seguir ao Cristo-Rei de plástico, será essa a minha próxima compra.
Ou como se nas madrugadas de caça, me pusesse a adivinhar pelo afastar do ruído a qual dos sítios iam primeiro os que, sabendo-me neutro, me confidenciavam os sítios das perdizes e das lebres agachadas.
E nisso, ocorre-me.
Este som tantas vezes irritante, tantas vezes amaldiçoado por não me deixar dormir, a que talvez sacrificasse um reino para o apagar dos tímpanos naquele lusco-fusco da mente que nos deixa supormo-nos assim tão poderosos.
Este mesmo som a que rangi os dentes e fiz caretas sem número.
Este som embalava-me. E agora já não me tirava o sono. Só me trazia o cheiro da terra e o calor das noites ao relento.
Cheguei a desejar ouvir os potentíssimos urros das sete-e-meio dos inícios de setenta a roubarem-me o sono na terra de Vasco de Gama.
Ali, na avenida Marquês de Pombal a qualquer hora dita da manhã.
Mas esse não ouvi.
Há, em pacífica oposição na nossa mente, duas - digamos - apreciações.
Uma, presunçosa, dita que há certas coisas de que jamais sentiremos a falta.
Outra, mais avisada e calejada do tempo, observa que certas memórias, ainda que menos agradáveis, remexem na terra e extraem dela odores que nos lembram a dita molhada de fresco.
Ontem pela madrugada ouvi longe-perto o som de uma motorizada daquelas rústicas.
Zunia e aqui e acolá dava o seu traque combustivo.
Deixei-me embalar por esse som como se estivesse na minha cama do Largo a ouvir um fim mais fim de festa do que o meu. Dos que desaparecendo montados na napa quente ou fria – creio que não havia meio termo – o faziam já depois do meu encosto à boxe.
Ou como se nas manhãs houvesse um peixe recém-chegado de Sines, anunciado em buzina de apertar – fica agora decidido que, a seguir ao Cristo-Rei de plástico, será essa a minha próxima compra.
Ou como se nas madrugadas de caça, me pusesse a adivinhar pelo afastar do ruído a qual dos sítios iam primeiro os que, sabendo-me neutro, me confidenciavam os sítios das perdizes e das lebres agachadas.
E nisso, ocorre-me.
Este som tantas vezes irritante, tantas vezes amaldiçoado por não me deixar dormir, a que talvez sacrificasse um reino para o apagar dos tímpanos naquele lusco-fusco da mente que nos deixa supormo-nos assim tão poderosos.
Este mesmo som a que rangi os dentes e fiz caretas sem número.
Este som embalava-me. E agora já não me tirava o sono. Só me trazia o cheiro da terra e o calor das noites ao relento.
Cheguei a desejar ouvir os potentíssimos urros das sete-e-meio dos inícios de setenta a roubarem-me o sono na terra de Vasco de Gama.
Ali, na avenida Marquês de Pombal a qualquer hora dita da manhã.
Mas esse não ouvi.
10/08/2007
Código de conduta do banhista
Três mil e setecentos anos depois. O código.
“Preserve os sons naturais. Evite o ruído.”
“Pratique desporto apenas nas áreas determinadas para o efeito. Não incomode, nem ponha em perigo a sua vida e a dos outros.”
Estes intrigantes parágrafos, pérolas nas mãos de juristas sedentos de interpretações dúplices, quase arremedam aqueloutro que diz:
“É vedado o acesso a quem penetrar nas áreas de acesso vedado.”

Dá-se o caso de o ter apanhado na companhia do meu velho J. d’, a quem ofereci um exemplar, relembrando que no nosso tempo uma publicação tal, investida da força da lei, estaria decerto sempre nos nossos bolsos, para o caso de ser necessário ler os direitos, digo os deveres a alguma.
O código de conduta do banhista da Câmara Municipal de Cascais tem no rosto um baldinho e uma pá.
Três mil e setecentos anos depois. O código.
“Preserve os sons naturais. Evite o ruído.”
“Pratique desporto apenas nas áreas determinadas para o efeito. Não incomode, nem ponha em perigo a sua vida e a dos outros.”
Estes intrigantes parágrafos, pérolas nas mãos de juristas sedentos de interpretações dúplices, quase arremedam aqueloutro que diz:
“É vedado o acesso a quem penetrar nas áreas de acesso vedado.”
Dá-se o caso de o ter apanhado na companhia do meu velho J. d’, a quem ofereci um exemplar, relembrando que no nosso tempo uma publicação tal, investida da força da lei, estaria decerto sempre nos nossos bolsos, para o caso de ser necessário ler os direitos, digo os deveres a alguma.
O código de conduta do banhista da Câmara Municipal de Cascais tem no rosto um baldinho e uma pá.
09/08/2007
08/08/2007
OVNI
Quando ouço aquela cretina pergunta do “acredita em OVNI?”, apesar de perceber que o que o perguntador quer saber é outra coisa, quer saber se o perguntado acredita que existam naves tripuladas por seres vivos oriundos de outros locais do Universo que, por vezes, dão as caras, apesar de saber isso, espero sempre que a resposta seja dada ao que foi perguntado.
E o que foi perguntado, como é óbvio, não tem resposta. Porque é uma pergunta destituída de sentido. E é pois essa a curiosidade que me povoa – como é que alguém responde a essa pergunta, mostrando elegantemente que não faz sentido algum formulá-la.
Ao perguntar-se a alguém se acredita em objectos voadores não identificados, há um pressuposto, deveria talvez escrever preconceito – levando a pergunta à letra – que todos os objectos voadores deveriam ser e são identificáveis e identificados, coisa que sabemos ser disparatada. E que só os crentes acreditariam que os há inidentificados.
Aplicando-se isto obviamente aos objectos voadores da mesma forma que se aplicaria aos rastejantes ou aos saltitantes bem como aos navegantes.
Não faz sentido porque todos os dias e a todas as horas há alguém que vê algo que não reconhece. E não precisa de ser crente para tal acontecer. Crente em quê, afinal? Na sua própria incapacidade de tudo (re)conhecer?
A mim, tocou-me numa noite de verão de 1979.
Já narrei aqui os sucessos dessa data, dizendo erradamente ser de Agosto. Mas foi de Julho.
E falhando no mês, admitia então que se tivesse tratado de um meteoro, já que datava a coisa do tempo mais intenso das Perseidas.
Não é de excluir mesmo assim que tenha sido tal.
A verdade é que eu não vi nada a voar.
Apenas vi uma luz muitíssimo intensa de origem desconhecida. Eu e mais uns quantos (registo de 15 de Julho de 1979 e tem música de fundo). Muitos quantos, pelos vistos.
Luz essa que até hoje está por identificar. E assim ficará.
Serei um crente?
Quando ouço aquela cretina pergunta do “acredita em OVNI?”, apesar de perceber que o que o perguntador quer saber é outra coisa, quer saber se o perguntado acredita que existam naves tripuladas por seres vivos oriundos de outros locais do Universo que, por vezes, dão as caras, apesar de saber isso, espero sempre que a resposta seja dada ao que foi perguntado.
E o que foi perguntado, como é óbvio, não tem resposta. Porque é uma pergunta destituída de sentido. E é pois essa a curiosidade que me povoa – como é que alguém responde a essa pergunta, mostrando elegantemente que não faz sentido algum formulá-la.
Ao perguntar-se a alguém se acredita em objectos voadores não identificados, há um pressuposto, deveria talvez escrever preconceito – levando a pergunta à letra – que todos os objectos voadores deveriam ser e são identificáveis e identificados, coisa que sabemos ser disparatada. E que só os crentes acreditariam que os há inidentificados.
Aplicando-se isto obviamente aos objectos voadores da mesma forma que se aplicaria aos rastejantes ou aos saltitantes bem como aos navegantes.
Não faz sentido porque todos os dias e a todas as horas há alguém que vê algo que não reconhece. E não precisa de ser crente para tal acontecer. Crente em quê, afinal? Na sua própria incapacidade de tudo (re)conhecer?
A mim, tocou-me numa noite de verão de 1979.
Já narrei aqui os sucessos dessa data, dizendo erradamente ser de Agosto. Mas foi de Julho.
E falhando no mês, admitia então que se tivesse tratado de um meteoro, já que datava a coisa do tempo mais intenso das Perseidas.
Não é de excluir mesmo assim que tenha sido tal.
A verdade é que eu não vi nada a voar.
Apenas vi uma luz muitíssimo intensa de origem desconhecida. Eu e mais uns quantos (registo de 15 de Julho de 1979 e tem música de fundo). Muitos quantos, pelos vistos.
Luz essa que até hoje está por identificar. E assim ficará.
Serei um crente?
07/08/2007
É a vida!

Há os que têm alguma coisa para dizer ou para mostrar.
E há os que mostram aquilo que os outros fizeram ou disseram.
É uma mentalidade servil e pouco equipada, para não dizer outra coisa. Claro que não têm culpa de ser assim. Foi assim que nasceram. A única coisa que podemos fazer é tentar pô-los em sentido. Pode ser que lhes sirva de alguma coisa.
Este indivíduo é reincidente. Da primeira vez, foi lesto a esconder a coisa quando se deu por ela e foi avisado. Infantil.
Agora, e mais uma vez pelo amigo Bic Laranja, fui alertado para uma recidiva.
Lá está esta foto minha, caçada aqui, no blogue dele, sem a menor indicação.
Para que vejam enquanto ele não a apaga.
Se repararem bem, no post anterior a este onde coloca a minha foto, indigna-se contra quem, segundo ele, não tem vergonha na cara.
É preciso acrescentar mais alguma coisa?
É a vida, não é?
Há os que têm alguma coisa para dizer ou para mostrar.
E há os que mostram aquilo que os outros fizeram ou disseram.
É uma mentalidade servil e pouco equipada, para não dizer outra coisa. Claro que não têm culpa de ser assim. Foi assim que nasceram. A única coisa que podemos fazer é tentar pô-los em sentido. Pode ser que lhes sirva de alguma coisa.
Este indivíduo é reincidente. Da primeira vez, foi lesto a esconder a coisa quando se deu por ela e foi avisado. Infantil.
Agora, e mais uma vez pelo amigo Bic Laranja, fui alertado para uma recidiva.
Lá está esta foto minha, caçada aqui, no blogue dele, sem a menor indicação.
Para que vejam enquanto ele não a apaga.
Se repararem bem, no post anterior a este onde coloca a minha foto, indigna-se contra quem, segundo ele, não tem vergonha na cara.
É preciso acrescentar mais alguma coisa?
É a vida, não é?
06/08/2007
À atenção do homem da quarta
No dia em que passaram 41 anos sobre a inauguração da 10ª ponte construída sobre o Tejo em território nacional, cumpre informar que

in "A ponte Salazar", GPST, Lx, Julho de 1966
para além de uma barragem já construída nesta época - Belver, 1952 - ainda se construíram mais uma outra barragem e quatro pontes até chegarmos à quarta travessia do homem, a saber:
Barragem do Fratel, 1973
Nova ponte Raínha Dona Amélia, 1987
Ponte de Alvega (acesso rodo-ferroviário à central do Pego), 1992
Ponte Vasco da Gama, 1998
Ponte Salgueiro Maia, 2000
Isto sem falar em pontes de barcas*, sobre as quais falarei a despropósito, como é meu timbre.
*e outras
Santa Estupidez: então não datei a Vasco da Gama de 1988?
No dia em que passaram 41 anos sobre a inauguração da 10ª ponte construída sobre o Tejo em território nacional, cumpre informar que
in "A ponte Salazar", GPST, Lx, Julho de 1966
para além de uma barragem já construída nesta época - Belver, 1952 - ainda se construíram mais uma outra barragem e quatro pontes até chegarmos à quarta travessia do homem, a saber:
Barragem do Fratel, 1973
Nova ponte Raínha Dona Amélia, 1987
Ponte de Alvega (acesso rodo-ferroviário à central do Pego), 1992
Ponte Vasco da Gama, 1998
Ponte Salgueiro Maia, 2000
Isto sem falar em pontes de barcas*, sobre as quais falarei a despropósito, como é meu timbre.
*e outras
Santa Estupidez: então não datei a Vasco da Gama de 1988?
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