10/11/2007

Este post serve para se saber que foi neste dia que se completaram as 100 000 visitas contadas pelo Bravenet

Começando pelas cem mil visitas.
Há uns anos que o termo “barreira psicológica” se generalizou aplicado a preços, a valores. É uma generalização parelha à da igualmente psicológica chicotada que essa sim não tem rival, como a ginjinha.
Já barreiras psicológicas há muitas, dentro da cabeça de cada um.
No mito dos algarismos, estas barreiras são pois isso mesmo, psicológicas. Dá-se a elas algum valor. O suficiente para a cerimónia, de que se tratará no parágrafo seguinte.
Eu a esta dou o mesmo valor que à passagem do século e do milénio.
Nesses, não se sabia desde quando é que se contava. Nesta, não se sabe quantas visitas não contou nem quantas contou a mais, muito menos quantas vieram antes de estar o contador a funcionar. É um marco que não se sabe bem o que marca. Mas marca e marcará 100 000 antes do dia findar e ser São Martinho e se beber água-pé, se fôr fácil de encontrar, e se comerem castanhas, se o preço não fôr escandaloso.



Passando pois para um certo balanço da coisa, que é uso e costume fazerem-se estes em ocasiões que tais. E eu, sendo assim, vou com os outros.
Ainda aqui ando, quatro anos e três meses depois – La Palisse, a quem venho atribuindo coisas que não disse, não diria aqui melhor.
Quanto aos outros, as afinidades que aqui encontrei por via do H Gasolim Ultramarino, ajudaram a compôr a ideia que transporto da vida real, de que surgem mais pelo lado da comunhão no horror ao disparate do que da proximidade política, clubística ou em quaisquer outros interesses que imaginar se possam.
Em suma, dos que acham que vale a pena pensar nas coisas mas que perceberam que não é com grandes teorias que se ultrapassam os obstáculos do quotidiano.
Dos que acham que vale a pena pensar nessas mesmas coisas antes de sobre elas discorrer.
Dos que enfim acham que mesmo discorrendo sobre elas, depois de sobre elas pensar, jamais se saberá o mínimo essencial. Seja lá isso o que fôr. Mas creio que Sócrates terá dito algo a propósito.
Não este, é claro.

09/11/2007

QI

Qual será o QI da pessoa ou das pessoas que preencheram os últimos registos da página dos incêndios florestais?
Em 8 registos diferentes, apenas 1 tem uma imagem aceitável do Google Maps. Os outros 7 são um disparate completo.
Isto, embora a um grau de responsabilidade muitíssimo mais baixo, faz lembrar a história do CODU e da dificuldade em identificar correctamente um local.
Lisboa, 2007

06/11/2007

Investir nas qualificações

Diz o PM – referindo-se ao programa das "Novas Oportunidades".
Mas ele refere-se a aprender qualquer coisa para a praticar e assim contribuir para a sociedade ou a angariar papéis para ostentar títulos e obter promoções artificiosas?

Não me dá vontade de rir, isto.
A repórter

A repórter está no sítio.
Fala, fala, fala, dando as suas opiniões.
Quando um dos protagonistas se pronuncia, ela continua a falar.
Depois, pára, diz que alguém está a falar sobre qualquer coisa mas não deve ser sobre...
(mudei de canal)
Afinal era mesmo sobre...
O jornalismo é assim. A toda a hora, todos os dias. Papagueado, preconceituoso, autista, muitíssimo mal informado e incapaz de raciocínio.
Peniche, 2007

05/11/2007

Efemérides – o retorno de 10 anos

Há exactamente 10 anos atrás, contados dia por dia, a conversa era sobre o período de retorno de cheias. Grandes barbaridades ouvi então serem proferidas, como seria de esperar.
10 anos volvidos, exactamente 10 anos, há um retorno da ceifeira, que veio outra vez assim por junto.
Coincidências.
Efemeridades – uma insistência

Na minha limitável experiência de vida, há poucas coisas mais efémeras do que as considerações feitas debaixo do chuveiro com base nos diversos aromas (devo dizer fragrâncias?) das substâncias do detergimento.
Tão efémeras são, que delas não retenho mais do que a sua esbatida projecção neste plano da memória.
É-me mais fácil recordar os hinos entoados na correnteza do que duas ideias ali geradas.
É a distância que me separa de Arquimedes.
Peniche, 2007

02/11/2007

O culto dos mortos


ossos humanos espetados num muro de um cemitério abandonado - foto do autor

Para muitos, o estabelecimento do culto dos mortos é um dos mais importantes marcos na História. Até o primeiro que diferencia a espécie.
Há uns anos, num funeral, um amigo acompanhava o olhar que lançava sobre sepulturas das seguintes palavras: “Isto está no fim. Já reparaste bem no número de crianças e juvenis que se vêem nos enterros?”
Ontem, ouvi na RTP que cinquenta por cento dos mortos da área de Lisboa (do concelho?) são já cremados.
Mesmo dando o devido desconto a este tipo de números e notícias, percebe-se que a cremação cresceu muitíssimo nos últimos anos. E não é decerto por nenhum fenómeno cultural, no sentido tradicional da palavra, que tal acontece.
É um fenómeno cultural, sim, mas porventura advindo da constatação de que uma sepultura é, independentemente da prole, um local abandonado.

Sabemos todos que os cemitérios estão há muito cheios de sepulcros abandonados, de jazigos sem manutenção.
Conhecem-se até casos de cemitérios completos abandonados e devassados.
Poder-se-ia dizer que isso tinha a ver com a falta de descendência, com a mudança de território, com o desconhecimento dos costados ou o mero distanciamento de gerações.
Não consigo nunca afirmar que os factos na História se devem a isto ou àquilo. Não aceito essas relações de causa-efeito. Mas observo.
E se é verdade que estes fenómenos que aponto não são novos, também é verdade que se observou ao longo das últimas décadas um afastamento das crianças e dos jovens dos tratos com a morte.

Se este fenómeno das cremações é essencialmente urbano – e é aqui, nas grandes aglomerações que essa possibilidade existe – já a ausência de crianças e adolescentes dos enterros é um fenómeno que tenho observado um pouco por todo o lado.

Põe-se a questão que de saber se essas crianças, se esses adolescentes uma vez maduros manterão o culto dos mortos ou não. Nem que seja nas romarias anuais deste dia 2.
Põe-se a questão igualmente académica de saber se a cremação, se disponível em todo o território, seria igualmente praticada na mesma razão que dizem que o é em Lisboa.

Sem a presunção dos que afirmam, parece-me que o meu amigo tinha razão. Que isto está no fim.

Mais sobre as cremações na imprensa: 1 2 3 4 5 6
Lapalissada

Onde não há civilidade, se não houver medo, o caos aporta. Não há civilização.

01/11/2007

E.N. 264, 2006

John Bull and the outstanding police


imagem da Sky News

Houve uma sentença no caso Jean Charles de Menezes.
Don’t say!
Ora aqui está como, independentemente do que esteja escrito na dita sentença, não retiro uma linha ao que aqui escrevi.
E.N. 366, 2006

30/10/2007

O ignorante lunar

O Sol não me apanha desprevenido. Sei onde contar com ele. Estudei-lhe os movimentos, até cartas solares tracei para alguns locais.
Mas a Lua... confesso que me apanha nas curvas.
Nunca sei se é tempo de Lua Cheia ou Lua Nova, se me aparece à esquerda de quem entra ou à direita de quem desce. Um perfeito mistério onde jamais me iniciei.
Talvez me debruce sobre os estudos selenes um destes dias.


imagem daqui
Marketing

O Sr. Alfredo não vendia sardinhas. Passava um novo conceito de peixe assável.
E não ia mudar de banca mais para ao pé da porta da praça. Estava enquadrado num projecto para criar uma nova interacção com os clientes.

Há não sei quantos anos que repetem os mesmos disparates com ar grave. Ainda há pachorra para ouvir estes avejões?
As grandes questões universais – episódio q+4

O Procurador-Geral da República foi à Assembleia para ser ouvido ou para ouvir?
Estou aqui há quase duas horas a tentar adivinhar esta resposta. Adivinhar.
Motivos para deserdar alguém (mais um da série de)

Ouvi-lo dizer que acredita na paz.
Lisboa, 2007

29/10/2007

Lisboa, 2007

O nível intelectual da coisa

Também se mede pela quantidade de disparates por pixel que se vêem escritos sempre que muda a hora.
Refiro-me àqueles mesmo que não fazem a menor ideia do que estão a falar.
É nestes pequenos pormenores, nestas coisas simples, inteiras e pequenas, que se lê a incapacidade da turba para perceber o que acontece quando se soma ou subtrai qualquer coisa a outra coisa qualquer. O passo seguinte que seja.
Mas a turba dá-se ares. E lê livros.

28/10/2007

As regionais mensagens do Presidente

Não sei se quero a regionalização para poder deliciar-me com mais umas quantas mensagens do Presidente nas páginas oficiais.
Não sei se a quero para poder apreciar mais uma bateria de alindadas rotundas. Que sempre se arranja maneira para fazer rotundas regionais.
Não sei se a quero para poder deleitar-me com a retórica política de mais umas quantas figuras de almanaque.
Não sei qual a razão mais instante porque a quero. Mas sei que é, só pode ser, desta ordem.
Ainda sou do tempo

Em que a hora não mudava.
E ainda sou do tempo, antes desse, em que mudava.

27/10/2007

A minha campanha (IV)



Já está na rua.
A urbanidade da coisa – 5 cada vez mais pequenas histórias (?) sobre



Uma medida possível em tempos para estabelecer a “urbanidade” de um local, era a proximidade a uma estação de correios.
Pertenço a uma geração para a qual contava essa proximidade. Uma geração que se debateu com o acesso à caixa de correio propriamente dita e com eficazes indicações para que recônditos destinatários recebessem as remessas.
Hoje, parece-me não ser disparatado estabelecer a dita variável em função da proximidade a uma máquina Multibanco. Também tem o seu interesse considerar o acesso às redes de telefones móveis.

Há tempo, dei pela primeira máquina lá na vila, que há uns anos foi despromovida a aldeia sem que as gentes hajam deixado de se lhe referir de acordo com os antiquíssimos pergaminhos.
Muito mas muito mais antigos do que a esmagadora maioria das terras que ocupam hoje posições superiores na hierarquia destas coisas.
Dizia eu que há tempos dei pela bendita máquina lá no mais recente café-restaurante. Um novo ponto central, deslocado cerca de 1 km do anterior que vem de há pelo menos 2 mil e tal anos.

É curioso considerar, embora se trate de mera coincidência, que é nessa zona do novo centro urbano que é possível utilizar as três redes de telefonia móvel. No antigo centro, tal não é possível.

A estação dos correios foi abatida há mais de uma década.




Há trinta e tantos anos ouvia o meu Avô materno discorrer sobre as vantagens dos agrupamentos bancários que se perfilavam para vulgarizar os cartões de crédito, no que viria a ser o Unibanco – Unicre.
Muitos anos depois, a SIBS torna óbvia essas vantagens para mim, que sendo avesso a créditos e a prestações, não o sou a coisas que me facilitem a vida.






O facto de em Espanha haver mais do que uma entidade desse género com expressão nacional fazia com que os vulgares MB não se pudessem utilizar senão na rede 4B. Era andar à procura deles, de chocalho tapado pelos carrers de Barcelona ou por onde quer que cheirasse a tabaco negro.




Isto de ir à parede buscar dinheiro é algo que seria dificilmente explicável a gentes de há umas décadas atrás. Antes dos autobancos terem dado uma primeira ideia fugaz da coisa.




O que é que aconteceu na SIBS?


imagens daqui e d'acolá
A minha campanha (III)

26/10/2007

O legendário faruque



Não consigo nem situar exactamente a zona em que faruque é (era) sinónimo de Citroën 2 cv nem dar uma explicação para o facto.
Limito-me a constatar que assim foi, pelo menos durante a década de 60 e talvez parte da de 70.
E foi-o em parte do Alentejo, herdando o nome do quem diz penúltimo diz último Rei do Egipto.
Ouvi algumas associações do monarca ao carro mas nenhuma delas parece ser verdadeira. Um mistério, portanto.
Com esta explicação desloca-se o meridiano que divide o Mundo. E sempre que se desloca um meridiano – por simplicidade de linguagem – os dois novos hemisférios que este separa ficam com área igual à dos hemisférios anteriores e igual entre si. A população que cada um contém é que pode não ser (nunca é) no mesmo número.

Espólio Campos Vilhena - Foto atribuída a FSJ

25/10/2007

Das divisões do Mundo (episódio n+3)

O Mundo também se divide entre os que sabem o que é um faruque e os outros.
Santo Isidro de Pegões, 2007



A abaixo identificada

23/10/2007

21/10/2007

Portugal, 2007



Alguém conhece esta igreja?
A mulher curada

O homem olhava com satisfação a mulher curada.
Sacou da faca grande e tirou-lhe um naco.
Voltou a pendurá-la no fumeiro.


Nota: Imagino que haja muitas histórias semelhantes. Porém, nunca li nenhuma. Nem pretendi ser original.
Adenda: uma leitora muito atenta contou-me isto. Casos destes não hão-de ter faltado pelos tempos, mas é curioso que fosse notícia há tão pouco tempo.

20/10/2007

O blogue das aspas desnecessárias

Por uma vez, carreguei num link destacado no Blogspot por ter achado piada ao nome e saiu-me isto. Eu gostei.

19/10/2007

O tratado

Vamos lá ver isto do tratado. Quando fôr assinado e ratificado.
Tenho na minha colecção de documentos os tratados relacionados com a CEE / UE, desde o de adesão até ontem.
Ainda não tenho o texto deste mas conto ir buscá-lo um destes dias. E conto um destes dias também ler com atenção um após o outro, coisa que só fiz com o de adesão, já há uns bons 20 anos talvez.
Acho piada a este pessoal que sabe exactamente o que é que um tratado vai provocar ou deixa de.
São os intelectuais dos dias de hoje.
Cheio de medo que

Um deslize meu tivesse as piores ou as melhores consequências, omiti a minha longa viagem de ontem, para que o preço de petróleo não subisse com base nisso nas cabecinhas loiras.
Omiti ainda as conversas que mantive com receio de que as bilaterais fossem responsáveis por sucessos os mais diversos. Nas cabecinhas morenas, desta vez. Para não fazer distinção.

18/10/2007

17/10/2007

São todos uns patuscos

A mísera história da Covilhã, por ridícula só poder ter sido, face ao que se ouviu de todas as partes e a importância que lhe foi dada, mostra não o desgoverno que temos mas a péssima qualidade da oposição que lhe é feita.

16/10/2007

O chip na bola

Quando se ouve falar do chip na bola, já se sabe que a maioria das pessoas que defende a sua introdução, não faz a menor ideia do que está a defender. Nada de novo aqui. É o costume.

É a imagem no futebol do emissor de coordenadas nos táxis para contrariar os assaltos e a morte de taxistas. Mais coisa menos coisa. Ou pôr o saco de plástico transparente cheio de água à porta para espantar o mosquedo.

Gostava de ouvir alguém que saiba do que está a falar, explicar as vantagens de tal coisa.
E particularmente na transposição da bola da linha de golo, interrogar os defensores de tal chip se apresentam ou não um sistema mais fiável do que uma (ou duas) câmaras alinhadas com a dita linha.
Aldeia das Amoreiras, 1993

Afinal fui ao congresso do PSD

E fui de autocarro. Primeiro, no da excursão. Depois, num de dois andares, até ao alto do Restelo.
Não percebi muito bem a parte de passarmos à porta e de continuarmos para voltar a fazer o mesmo percurso e depois deixar passar a paragem e retrocedermos a pé por becos sujos e passagens inferiores sem passeio.
Mas já percebi melhor a parte em que encontrei o meu velho M. na tasca das bifanas. Ele a um canto para onde eu tinha uma certa dificuldade em fazer passar a mensagem enquanto me punha a observar que ele tinha tingido a barba e o cabelo de castanho.
Daqui a lembrar-me do Jerry Adriani foi um fósforo.
Depois tentei enumerar as razões que me haviam levado ali, não ao congresso mas à babugem.
Não me ocorria nenhuma a não ser acompanhar os meus amigos mais próximos da cor. Pêpêdês – que isto é tudo pessoal desse tempo.
Talvez por isso, a minha penitência foi voltar para casa a pé.

15/10/2007

Talvez

E ao cruzar-me com ele, julguei ter sentido – em vez de ouvido – as seguintes palavras:

Talvez só uma mulher que tenha alguma vez deduzido o Binómio de Newton, sem saber que o fazia. Talvez só uma mulher que compreenda a razão porque as projecções dos pontos de β2/4 são coincidentes. Talvez só uma mulher que esteja ou tenha estado em outro referencial de inércia e saiba que o tempo é diverso.

Talvez só uma mulher que se adivinhe ser capaz de fazer tudo isso, mesmo que jamais o faça – foi o que me pareceu dizer-lhe de volta.

Reconheci depois o trisseccionista.
Vila Nova de Foz Coa, 2000

14/10/2007

O PSD

A única coisa que me ocorreu ao ver trechos deste congresso do PSD e particularmente ao ver Santana Lopes e Menezes lado a lado, é que ambos deveriam ter lá a sua nostalgia de não terem sido eleitos na antiga luta de moções que ali por vezes se processava com o aparato que sabemos.
Pode parecer paradoxal esta sensação que tive, dadas as circunstâncias da história que se conhece, mas que a tive...

12/10/2007

Rever em baixa

Num tempo de eufemismos, de falsa ciência e de moles de papagaios pavões, a insuportável expressão rever em baixa corresponde à que aprendi do meu Pai, oficial miliciano de artilharia ao tempo das manobras de Pegões – corrigir o tiro.

Quanto a mim, aproveito o ensejo para rever mais uma vez em baixa a mediana do QI dos nossos governantes. O mau tiro inicial foi meu. Alto de mais.
As verdades – episódio Nobel, digo Óscar

Há quantos anos anda a humanidade presa de verdades incontestáveis enterradas no cemitério da ciência?
E onde fica nesse cemitério o talhão das parvas previsões catastróficas?
A minha ponte de Glienecke



Esperando sob as suas vigas as páginas soltas de um livro lançado avulso da janela do comboio.
Ao fundo do quintal.

10/10/2007

Minuciosa obsessão

Talvez porque os meus olhos esbarravam constantemente nele.
Talvez porque ele atraía os meus olhos que assim nele esbarravam.
Mas este acento não era desta parede.

Alentejo, 2006

09/10/2007

Os pés pelas mãos

É o que mete a polícia inglesa, o sistema judicial e o Estado britânico no caso de Jean Charles de Menezes.
Tanta imbecilidade reiterada quase excede as expectativas. E obviamente que não me refiro ao que dizem os jornalistas.
O homem dos sestércios

Era talvez dos que conheci, o mais Homem das Arábias.
A única vez em que lhe adentrei as portas, vi-me num museu.
Era um tipo invulgar, de facto. Da aparência, estranha mas nada exuberante, aos interesses.
Alguns deles coincidentes com os meus. As moedas, o totobola, o aroma feminino que ele me caracterizou certa vez em curta máxima.
Um dia, o álcool forçou-o a oferecer-me um punhado de sestércios. Logo, já eram moedas de ouro. Naturalmente, recusei a oferta quase correndo o risco de o ofender.
Anos mais tarde, vindo de um coincidência feminil e geográfica com as suas origens, fui encontrá-lo no habitual despacho de esplanada e ofereci-lhe, por isso, a “Orla Marítima” que acabara de comprar.
Lá estará no seu espólio com a nota da coincidência desse dia.

07/10/2007

Ex-libris

Ao fim destes anos todos, meti a mão num saco onde guardo bocados exemplares de cortiça, extraí de lá um e fiz um ex-libris em menos de uma hora. O primeiro duma vida.

Já o tintei na almofada ene vezes. Ficou bom. Mede 21×21.
Agora é começar a aplicá-lo.
Insondáveis mistérios da mente humana (m+1)

Os contadores e registadores de visitas são um manancial inesgotável destes mistérios:
fotos da casa dos meus sonhos

05/10/2007

O palestiniano armado

Em me dando a velhice, vem a coscuvilhice.
Eu que nunca mas nunca quis saber da vida alheia e tinha raiva de quem queria.
Há pouco perguntei ali no café: “O que é feito de Fulano de Tal?”
“Ah, esse! Fugiu. Armado. Não dava assistência em casa. Era contador dia e noite.”

Eu na altura não escrevi que ele se dizia nascido na Palestina.
Argumentário

Uma das técnicas de argumentação hoje muito em voga baseia-se em retirar conclusões absurdas ou impossíveis do discurso do contendor.
E depois ir por redução ao absurdo, “demonstrando” assim a invalidade das ideias contrárias.
Isto parece resultar em função da ressonância que tem na imprensa, sempre mal preparada e sempre adsorvente.

03/10/2007

O ponto mais a noroeste (continuação)

A hipótese que apresento para a definição de um ponto (ou pontos) mais a noroeste, nordeste, sudoeste ou sueste de um dado território é a seguinte:

Determinem-se os pontos mais a norte (N), a sul (S), a este (E) e a oeste (O) desse território.
Considerem-se os dois paralelos e os dois meridianos que contêm estes pontos.
Da intersecção de cada paralelo com cada meridiano resultam dois pontos. Apenas nos interessa o ponto mais próximo do território em questão.
Obtemos assim quatro pontos, na intersecção próxima de cada meridiano com cada paralelo.
Pela posição relativa de cada um, serão designados de noroeste virtual (NO'), nordeste virtual (NE'), sudoeste virtual (SO') e sueste (SE') virtual.
O ponto do território que mais próximo estiver de cada um destes “pólos” virtuais, será o seu ponto mais a noroeste, a nordeste, a sudoeste ou a sueste, respectivamente.




adenda:

Nestas condições, em Portugal continental os pontos serão em três casos os quase óbvios e noutro, a nordeste, menos fácil de identificar, os seguintes:

NO – Ínsua do Forte da dita, em Caminha
NE – No sítio das Gândaras, a este das minas de Guadramil, em Bragança, cerca de 248 m a NNO do marco fronteiriço nº 413 (ver trecho da carta militar)
SO – Cabo de São Vicente, em Vila do Bispo
SE – Ponta de Santo António, em Vila Real de Santo António

02/10/2007

O ponto mais a noroeste

Qual será a definição do ponto (ou pontos) mais a noroeste de um dado território?
Eu tenho uma hipótese para tal definição.
A verdade é que depois de andar com esta ideia na cabeça há alguns séculos, lembrei-me hoje de verificar que referências haveria a um ponto tal.
Há inúmeras na rede. De todas as que consultei, a definição de um ponto mais a noroeste (northwesternmost point - já que estas coisas procuro-as sempre em inglês) parece ser algo de óbvio, como o ponto mais ocidental ou o ponto mais setentrional. Não é, de facto.
Há por aí alguém que tenha uma hipótese também?

P.S. Júlia, O Sporting ganhou!

01/10/2007

E.M. 508 de Tavira, 1988

Tymochenko é um homem

Para os burraldos que ouvi ontem, para todos eles sem excepção, Júlia* Tymochenko é um homem.


*Júlia, pois - à portuguesa.
Dos dias de ontem

E por estes dias era

O último banho da época
A abertura da caça
A feira de Alcácer
O regresso à escola
E vestir calças outra vez.

30/09/2007

O mês das descobertas

O mês que ora finda desvelou três dos quatro pontos encobertos que atravessaram a escrita deste blogue.
Em primeiro lugar, o livro. Encontrar e arrematar um exemplar da “Terra não é esférica” era uma aspiração antiga que se tornou mais intensa desde que a trouxe para aqui, falando nela. Resolveu-se este mês.
Depois, o “Cigano do Amor”. Descubro neste mesmo mês que há uma versão cantada pelo Clemente. Não é a mesma coisa do que o Cauby ou o Petrónio mas deu para matar as saudades, mesmo que não tivesse sido ouvida andando de disco voador.
E, por último, notícias do acidente dito do “Rápido do Algarve”. Descobri uma ponta da meada sem me levantar da secretária. Resta-me partir para as hemerotecas e arquivos de jornal. Um dia destes, haverá uma notícia aqui.

Continua envolto em bruma o mistério do macaréu de Santo André. Mas lá chegarei.


!!!!!!!!! - Já depois de ter escrito este post, descobri o “Cigano do Amor” cantado pelo Francisco Petrónio!

29/09/2007

O truque das cartas

Não pude deixar de espreitar.
O homem, todo encafuado num preparo para enfrentar a chuva, estava rodeado de crianças.
O íman era um baralho de cartas.
Sendo pouco provável que com tal público se preparasse uma vermelhinha, haveria de haver qualquer magia por ali.
Foi há pouco, aqui ao pé da porta, ao abrigo do temporal.


William Roberts, The Card Trick (óleo sobre tela), c. 1968
© The Estate of John David Roberts



Queria ilustrar isto com outro truque de cartas, mas estranhamente não o encontrei.
Lisboa, 2007

27/09/2007

La mort e outras personagens

Muito raramente ando de transportes públicos. Já houve tempo em que o fazia todos os dias.
Por isso hoje reconheci no comboio uma série de personagens – o cego adormecido, a mulher do pokémon, a do livro empinado, as secundárias de qualquer noite de estroinice e mais umas quantas de menor importância.
Mas a que mais se destacou foi a moça com cara de morte.
Era ela mesmo, num qualquer filme francês, ali mesmo à minha frente.
Olhei-a nos olhos. Se dúvidas houvesse...
Lisboa, 2007



26/09/2007

O homem que imergia em champagne e que há pouco morreu por engano

Fui lá a negócios. A casa do homem. Ou ao seu despacho.
Não tinha muito que saber a sala do dito.
Uma banheira com grades tipo cama de criança cheia de champagne. O próprio lá dentro, irrepreensivelmente vestido, de flor na botoeira.
Ao lado apenas uma caixa de cartão, encetada, talvez de meia dúzia. Um pouco atrás um pequeno frigorífico de onde retirava gelo e baldes arrefecidos. Mais afastada, a pilha de baldes usados e um número de garrafas vazias fazia notar a ausência de empregados.
Depois de tratada a nossa questão e era intrincada a coisa, embora resolvida num ápice, contemplou-me com uma garrafa nova. Os gestos que fez, de dentro do berço, pareceram-me naturalmente maquinais. Torceu à direita alta, abriu a porta do frigorífico, tirou um balde, abriu o congelador, tirou gelo, inclinou-se a bombordo e fez mais um rasgão no cartão da caixa. Retirou a garrafa e colocou-a no balde. Depois fez o improvável, semi-mergulhou o balde no leito da cama, deixando entrar champagne do molho para dentro dele, balde.
Acendeu um charuto que tirou juntamente com os fósforos de onde não percebi e deixou-se ficar à espera da minha pergunta.
E eu fi-la. Pedindo desculpa por ser indiscreto após a formalidade do nosso acordo, perguntei quantas garrafas bebia por dia, sem me referir às que gastaria com o caldo.
Ah, umas quatro a cinco caixas por semana – respondeu-me displicente.
Fiz as contas rapidamente. Se as caixas fossem como esta, de seis garrafas, dava um número entre vinte e quatro e trinta garrafas por semana. A dividir por sete... achei pouco.
Saindo da banheira, explicou-me a forma como era tratado pelo fornecedor francês, era uma coisa quase just in time, sem falha alguma desde o começo.
Face ao que me acabara de dizer e isto referia-se à parte da conversa que aqui não posso mencionar, perguntei-lhe se nada temia.
Mostrou-se tão ou mais displicente do que ao servir-me ou ao dar-me o número de caixas – Não!
Foi nessa altura que julguei ver no olhar que alvejava ao meu lado esquerdo, para lá da janela que estava nas minhas costas, um ligeiro estremecimento.
Virei-me. Divisei, quase escondidos pelo altíssimo muro do pátio, dois helicópteros ao longe. A um longe de meio minuto talvez.
Os helicópteros! – exclamei. Não pareceu ser isso o que o incomodava.
Acerquei-me da janela. No pátio, avistei um Fiat 127 que tinha um cão na chapeleira. Era um cão a sério, de carne e osso, que me fitava, embora eu estivesse uns bons cinco andares acima.
O tipo que estava ao volante iniciou uma manobra de saída do carro mas ficou a meia haste, com parte do corpo de fora mas a cabeça dentro, talvez dando ordens ao cão.
Divisei ainda uns outros tipos suspeitos, uma espécie de TP21 da Polícia e ao voltar-me vi que o homem se tinha transfigurado. Estava assustado, enfim.
Reparei então que a porta que dava para o exterior não tinha nenhum tipo de fecho. Era apenas a mola que a mantinha encostada.
Precipitei-me para ela, ainda pensando no que haveria de usar para a trancar.
Ainda não a tinha atingido quando ela abriu, ligeiramente. Com pouca força impedi que abrisse. Olhei pela fresta e vi uma cara de rapazola com cabelo espesso que me interpelava. Queria falar com o boss e eu não o deixava. Porquê?
Está aqui um rapaz que lhe quer falar, disse.
Ele, já reconhecendo a voz, disse que a mandasse entrar. Era afinal uma mulher. Ginândrica e com voz rouca, de homem.
Entabularam rápida conversação e eu percebi que ela não estava a par do perigo.
Saímos. O meu guarda-costas aguardava-me ao fundo de uma rampa.
Fomos para uma espécie de varanda de onde avistávamos os remates circulares das coberturas das varandas do Ritz. Recordo-me de ter enquadrado com as mãos a 90 graus, o céu azulíssimo e estes círculos de betão amarelecido, pairantes.
Depois de esperarmos algum tempo, fui ver se alguém se aproximara do escritório. Nada.
Resolvemos então sair em direcção às garagens. Optámos por fazê-lo pela nave central que era em planta um rectângulo vazado de vértices arredondados. Em cada piso havia uma galeria a toda a volta, com cerca de dois metros de largo e que comunicava com os pisos restantes por uma esbelta rampa da mesma largura e que era lançada a meio dos lados menores da projecção em rectângulo, de um para o outro.
Assim que me debrucei, vi imediatamente os homens que corriam pelas laterais.
O meu guarda-costas surgiu com uma espécie de carro eléctrico de bagagens das estações ferroviárias e fez-nos subir aos três.
Das várias peripécias que se seguiram até eu perceber que os homens estavam no encalço de outrem não há nem conta nem espaço para as narrar, apenas que o boss e a moça com ar de rapazola se precipitaram no vazio, mortos por engano.
Os verdadeiros caçadores chegaram depois.
E eu já só tinha uma bala no carregador. Usei-a bem.
E ainda fiz melhor, canalizando uma energia domada através das paredes para derrubar o segundo contendor. Eram só dois, afinal.

24/09/2007

23/09/2007

Erros quimicamente ditos

Um anúncio relacionado com a Direcção-Geral de Saúde (da responsabilidade desta?) falar em “substâncias químicas” é grave, muito grave ou pandémico?
Lisboa, 1996 / 2007



22/09/2007

A dignidade do Estado

O conceito de dignidade do Estado é como todos os outros conceitos subjectivos. Varia com os tempos e com as circunstâncias e com a mentalidade de cada um.
Coisas absolutamente impensáveis numa época passam a ser modais em outra.
Deparei-me com esta imagem há dias atrás.
Impressionou-me por ser, na minha medida, uma triste condescendência à indignidade do dito Estado e da sua autoridade.



Não adianta o argumento de que há muitas coisas com que nos preocuparmos.
Esta parece tão simples de resolver e cuidar.
Ainda assim não me abstenho de a divulgar. Talvez o faça com a mesma inconsciência que a tornou possível.