16/07/2009



Se, por via deste blogue, não tivesse obtido mais satisfações – muito mais – do que aborrecimentos – insignificantes, de facto – naturalmente, como a maioria das pessoas, teria fechado a loja assim que a curva de uns ultrapassasse a das outras.
E é por ser de uma curva que se trata – uma curva com a qual foi contemplado por gentileza, mais uma vez, do João Espinho – que agradeço a distinção com uma curva do caminho (a E.N.2 em noite de fogo do inferno).
Deste caminho que daqui a um mês leva meia-dúzia de anos sem que eu quase tenha dado por isso.
O infinito sempre me pareceu mais plausível do que o finito.




Talvez que um dia destes me sinta capaz de atribuir a mesma distinção a outrem. Não hoje.
Peço desculpa por isso.

15/07/2009

Mistérios do Universo



Ele há coisas que nunca ficamos a saber o que são, o que foram.
Na realidade, dependendo do grau de satisfação com o conhecimento, essas coisas poderão ser todas. Todas as coisas.
Faz hoje trinta anos que qualquer coisa aconteceu à frente dos meus olhos sem que eu tenha ainda hoje a menor ideia do que foi. Uma das que ficam marcadas. Para sempre.




clicar para ampliar

13/07/2009

pH

Diz a sexóloga na TVI 24 que “o pH do sémen humano é 7,2 – um bocadinho ácido, portanto”.
Digo eu que quem não sabe do que fala, o melhor que tem a fazer é estar calado.
Diz que havia um industrial que fabricava certa mercadoria que era tão boa que nem pH tinha. Não o fazia, porém, na televisão.

12/07/2009

A peste

Estamos aqui às voltas com os primeiros passos da epidemia.
Na peste e na guerra, sendo que peste é aqui mais uma vez uma lata palavra, é que se diferencia em absoluto a conversa para as massas e entre os que as dirigem.
É natural que se digam muitos disparates às massas. Não têm faltado todos os dias.
O que preocupa – e me preocupa sempre – é pensar que muitas das pessoas que se dirigem às massas com argumentação irrazoável estão de facto convencidas do que dizem.
Ouço hoje um responsável dizer que o facto de a taxa de incidência da doença ser em Portugal mais baixa do que em outros países é mérito da acção do governo.
Não sei se ainda hoje há pessoas no aeroporto à espera dos voos de Cancun, convertendo-se elas próprias em veículos de propagação. Não sei se há mas já houve.
Não sei se há alguma noção de como lidar com situações deste tipo que sejam realmente graves e não como esta, que até agora tem correspondido às minhas expectativas de benignidade. Nada nos garante que não piorará e nada me garante que há um mínimo de noção de como atenuar os efeitos de tal. Que impedir uma peste de se propagar todos sabemos que ainda não conseguimos fazer.
Apercebo-me é de que o discurso político parece corresponder aos meus temores – eles estão de facto convencidos do que dizem.
Afinal, talvez seja isso que faz deles políticos.


gráfico feito a partir dos dados da OMS.

09/07/2009

O Sr. Monteiro

Passados quase trinta anos, encontrava-me na esquina que me era vagamente, muito vagamente, familiar.
Disse então à testemunha deste acaso: aqui, vai para uma vida, no meio de um episódio bizarro, adentrei a oficina de alfaiate de um homem que se caracterizava por ter os bordos da mesa de corte todos queimados dos cigarros.
Da loja de chapéus, umbria face à imensa luz da rua, uma remota voz confirmou:
Era mesmo ele. O Sr. Monteiro. Morava mesmo aqui por cima.

06/07/2009

Dias redondos e dosianos

Experimente-se, numa folha de Excel, escrever o número 40000.
Depois, formate-se a célula como data.
Verificamos que nos encontramos no dia 40000 das contas do dito, começadas no último ano do século XIX.
Apercebi-me já depois de ter começado a escrever este post de que há cópia de notícias sobre a coisa.
Banalidades ditas curiosidades que em tempos se encontravam na contracapa de certas revistas.
Vila Nova de Milfontes, 1994

03/07/2009

Exemplos

Estava o Prof. Salvato Trigo na RTP a tecer comentários sobre os exemplos de linguagem que as elites devem dar – referia-se à educação e à instrução – quando disse que [...] ninguém se instrói [...].
Exemplar, de facto.
Ataque de Asma


imagem da Sky News
O caso Pinho

O ex-ministro Manuel Pinho é daquelas figuras que, sem nunca a ter conhecido, me desperta companheirismo.
Como diria um amigo meu, tem cara de “boa senhora”.
E não se leia nisto sarcasmo ou ironia alguma. É de facto uma pessoa que me é simpática na pantalha.
Dito isto, foi também enquanto ministro uma personagem que me intrigou de alguma forma.
Ouvi-o dizer coisas inacreditáveis e ao mesmo tempo parecer ser capaz de juntar três ou quatro argumentos com sentido, coisa que, como sabemos, há pouco quem consiga no actual panorama político, da esquerda à direita.
Dizem, agora, até os adversários políticos que foi diligente e eficaz nalguns casos mas não lhe ficou bem dizer que trabalhara dia e noite – há um estranho costume em Portugal de julgar o trabalho não pela sua qualidade mas pela sua quantidade, como se um tipo que não se deita esteja mais bem equipado para tomar boas decisões do que um que dorme o tempo suficiente.
Foi em diversas ocasiões criticado “ao lado” como também é costume por cá – por exemplo no caso da “mão-de-obra barata” em Portugal anunciada aos chineses.
É claro que a comparação não era com a chinesa, o que não faria o menor sentido, tratando-se de comparar destinos de eventuais investimentos chineses na Europa.
Dito tudo isto, o homem hoje surpreendeu-me.
Por cá, não sei há quanto tempo não havia qualquer coisa do género.
Houve, no Parlamento Europeu, o chegar de roupa ao pelo por parte do Prof. Rosado Fernandes, coisa de resto de que o próprio nunca mostrou arrependimento, tendo em conta que se sentira atingido na sua honra.
O gesto foi de facto para mim surpreendente. Por ter sido feito por quem foi e no sítio em que foi.
Ainda assim não me consigo pôr na pele de quem o critica por tal.
O ex-ministro Pinho não deixou, apesar do sucedido, de me parecer uma figura simpática.

30/06/2009

O mundo em que vivemos

Madoff foi condenado a 150 anos de prisão.
Na corrupção há a figura do corruptor e do corrompido. Na aldrabice apontada à ganância alheia que aqui designamos por conto do vigário, não existe a criminalização do ganancioso que alimenta a teia do aldrabão.

28/06/2009

JPP

Pacheco Pereira está longe de ser um indivíduo destituído.
Faz por isso espécie que, depois do falhanço que foi aquela fugaz passagem pelo jornal da SIC, apareça agora a solo a fazer uma coisa que faz menos bem. A falar para uma audiência.
O homem pensa por ele, escreve bem e é explícito no que diz, em confronto com outros.
Mas torna-se maçudo assim. É claro que isto é uma opinião. E como todas as opiniões...
A ver vamos, porém, quanto tempo se aguenta o programa.


imagem da SIC N
O lixo social e a infinita estupidez dos simples

Dizem – e as imagens mostraram – que aconteceram distúrbios num jogo de juniores em Alcochete, na academia do Sporting.
Os conflitos acontecem pela acumulação de lixo social – já sabemos isso há muitos séculos.
Faz parte da vida.
Há depois uns simples com responsabilidades que dizem que a culpa é das instalações.
É o velho dito da “sala torta”.
Em tempos, era o Estádio Nacional que não tinha condições de segurança – talvez seja mesmo dos mais seguros, mas isso é impossível de explicar a certa gente da bola – porque certo dia deixaram entrar uma parte desse lixo com armas mortais.
É claro que a grande maioria são meros papagaios. Como em todas as áreas da vida.

27/06/2009

As datas e os medos

Referi-me aqui há três meses e tal à questão para muitos melindrosa da marcação das eleições.
Continuo ainda hoje sem saber qual a razão para se ter mudado em 2005 a data da eleição das autarquias locais, passando-a do 50º domingo (ou 51º num caso) para o 41º. Há-de ter havido uma e a ignorância é minha.
Ora, se como então referi, a eleição legislativa ocorreu sempre, salvo as datas simbólicas iniciais e as intercalares e antecipadas, no 40º domingo (ou 41º num caso), tal medida destinava-se a fazer incidir, salvo se viesse a haver novo desencontro de anos eleitorais, as duas eleições – legislativas e autárquicas – no espaço de uma semana ou até a fazê-las coincidir.
Não vejo que fosse de outra forma.
É por isso que acho agora absurda toda esta querela. Afinal qual terá sido a razão para se ter mudado a data em 2005?

25/06/2009

O xadrez protestante



Não sei há quantos anos foi.
Mas tenho a ideia de que já me interessava por xadrez. E precisamente por isso me encantei com o xadrez de cartão amarelo e verde que algum jornal ou revista do estrangeiro tinha oferecido aos leitores nesse dia e alguém deixou abandonado na praia, semi-enterrado e ainda com as peças todas por destacar da matriz.
A praia já não existe e nesse tempo era a favorita dos meus pais. Talvez por ser deserta. Raramente se via por lá gente e quando aparecia eram esses a quem chamavam protestantes. Quase sempre estrangeiros. E vinham de um acampamento ali perto.
Eu não gostava da praia por ser rochosa mas nesse dia o presente que alguém ali me deixou reconciliou-me em parte com ela.
Lembrei-me disto hoje nem sei por quê.
Gostava de saber se ainda o tenho algures.

23/06/2009

A lógica jornalística



Passou na RTP uma reportagem sobre aquilo que muita gente previa que viesse a acontecer – a desorganização dos cadernos eleitorais, possibilitando, com as novas regras do Cartão de Cidadão, que alguém votasse “legalmente” duas vezes. No sítio onde já votava, não residindo, e no local de residência constante do dito cartão.
O que foi notável foi absorver a lógica da jornalista.
Perguntou a certa altura ao eleitor duplicado se alguém lhe tinha pedido o bilhete de identidade para acompanhar o cartão de eleitor.
E qual seria a relevância disso? Seria o facto do homem ostentar o bilhete de identidade (caso ainda dele fosse portador – disse que não) impedimento ou livre trânsito para votar1, ou para votar em duplicado, posto que estava oficialmente registado em duas mesas de voto?!!!
Não seria a cor da camisa também relevante no caso? O penteado? A altura dos tacões?
Está, infelizmente, cheio destas premissas absurdas o jornalismo que hoje se pratica.
A cor da camisa seria demasiado absurda para se perguntar – o senhor votou com uma camisa verde? – mas qualquer coisa que pareça fazer sentido, embora não faça sentido algum, é usada para mostrar serviço.
Mostra muito mais do que isso, infelizmente.


1Atente-se apenas, a título de exercício inútil, na irrelevância da coisa:
Suponhamos que o cidadão em causa ainda detinha e usou o BI. Num dos locais ou nos dois.
Se o usou no local primitivo, tal não geraria qualquer tipo de estranheza, pois seria a rotina habitual, a menos que estivesse caducado e alguém reparasse em tal. O mesmo se aplicaria a qualquer outro documento válido de identificação. Se o usou no segundo, aplica-se tudo o que se disse anteriormente, à excepção de ser a rotina habitual, a menos que existisse nas listas uma referência explícita aos detentores do novo Cartão de Cidadão.
Se não o usou em lado algum, tendo usado outro documento válido de identificação (incluindo o Cartão de Cidadão) ou até a própria face, não se vê razão para que tenha isso relevância para o caso.
A única coisa que poderia eventualmente relevar de uma confissão do eleitor seria a ilegalidade por ele cometida de ter utilizado um documento que já tinha sido substituído por outro.
Mas essa ilegalidade seria por sua vez irrelevante face ao caso e ao que se pretendia demonstrar.

22/06/2009

Nos sapatos do fotógrafo enquanto jovem (cena 5)





talvez deva datar a foto de cima do ano da graça de 1992.

20/06/2009

O blogger repórter



Acidente ocorrido cerca das 20:30 de ontem, perto da Charneca do Milharado, na E.M. 538 de Mafra.

19/06/2009

O Ab(d)ominável Homem das neves

Confesso que não sou um letrado no assunto. Aqui e ali li qualquer coisa sobre e foi tudo.
E de facto não tinha a ideia de que o afamado tivesse alguma vez sido crismado (um pouco) de canibal. Já que as suas aparições se assemelhavam, na minha imaginação, a fugazes lampejos pouco propícios a análises de hábitos alimentares.
Penso agora, a cinquenta e sete anos de vista, que talvez haja alguma razão para lhe chamarem abdominável...


Diário de Lisboa, 31 de Março de 1952

17/06/2009

Uma brejeira alegoria

Um enviado do professor Mamadu contemplou-me com mais um cartão de visita do dito.
Desta feita parece-me o papel um pouco mais grosso e em vez da caixa do correio foi o vidro do carro que tenho a cargo por estes dias, o sítio do contacto.
Ao ler que ele resolve todos os problemas, incluindo a sorte ao jogo – estranhamente este currículo não refere que também resolve as perdas na lavoura, coisa que tenho a certeza de já ter lido em iguais portfolios – lembrou-me um caso em que de facto tive esse problema, e a que já aqui vagamente aludi.

Tratava-se de uma barraca de feira, onde os prémios correspondentes ao número saído na grande roda eram reclamados com senhas coloridas e carimbadas de livrinhos de rifas.
Do que sucedeu, nada sei a não ser que fui contemplado com uma bateria de cozinha por ter saído o meu número em vários sorteios sucessivos, de forma que arremetei panela a panela, tacho a tacho, um atado que levei orgulhoso para casa.
Suspeito hoje que o número de magalas entusiasmados com as generosas formas da criada que me acompanhava, multiplicado por um pré talvez recente tenha contribuído decisivamente para o sucesso, dado o entusiasmo com que concorriam com a minha sorte (ou vício?). Era Verão e estava muito calor, as roupas eram leves...

Hoje, não sendo Verão, é-o de facto. A feira há muito não existe. E o local onde se erguia não era longe de onde o ajudante de Mamadu deixou o eloquente recado.

A sorte ao jogo continua a ser um problema delicado. É ver as vezes em que todos somos contemplados em sorteios de lotarias ignotas. Não sabemos o que havemos de fazer a tanto prémio.

11/06/2009

Noticias que toda a gente saberá dentro em pouco



Ainda que a diferenciação dos últimos graus desta escala façam pouco sentido, como já aqui o disse.

10/06/2009

Cracóvia, 2009


fotografia de Mr. Gaston Smith, enviado especial do HGU à Polónia

09/06/2009

Realismo júnico

Pertenço àquele grupo de indígenas que ainda se pode dar ao luxo de olhar o quotidiano com alguma sobranceria.
Por isso, espanto-me comigo próprio quando começo a dar demasiada atenção ao comezinho.
E estes dias passados têm-me, por alguma obscura razão pois não são mais especiais do que os que os antecederam, suscitado erupções que não são nada comuns.

Vejo o alarido à volta do BPP e ouço os apodos com que os clientes mimoseiam os antigos dirigentes.
Sobre isso já disse o que disse, mas cabe ainda acrescentar que, sendo leitor do Expresso desde 1973, apreciei devidamente a arrogância publicitária do BPP na Revista do dito ao longo dos anos (alguém já terá enumerado os colaboradores voluntários de tal publicidade?).
Fiquei, talvez por não ser parte do público-alvo da coisa, quase desde o primeiro momento, com a devida erisipela ao ler as notas à margem dos textos dos convidados.
Isso bastou-me. Não para suspeitar que o negócio era o que os clientes dizem agora ter sido mas para me manter a milhas – náuticas, vá – das agências do supracitado.

Não li, não ouvi o que as sondagens diziam sobre as eleições de domingo passado aqui em Portugal.
Ouço hoje, e para já dou o devido desconto a tais notícias (estranho-me até de estar a comentar com base no que os outros dizem – isso também é ou deve ser dos dias que correm), que se espalharam ao comprido. Não é nada que me surpreenda, mas vou ver o que se publicou.
Qual será o valor do coeficiente de preconceito que é introduzido no cálculo final?

Ainda não me informei devidamente – mais uma vez o falar de cor – se sim ou não os resultados destas eleições europeias foram revolucionários no cômputo geral.
Ouço dizer que sim.
É este um assunto que merece toda a atenção.

Há ainda um telefonema de Viena de Áustria. O pessoal a comer, por lá, sardinhas na rua.
E é este um assunto que me intriga. Que se vá a Viena para comer sardinhas!

08/06/2009

Dia sem reflexão

Não consegui mais todo o santo dia do que:
Constatar que “a cunhada do meu irmão” é “a irmã da minha cunhada” e que não consegui identificar outros laços de parentesco em que o salto de cavalo seja válido.
Constatar que a câmara que filmava o deputado Honório Novo na Comissão de Inquérito sobre a situação que levou à nacionalização do BPN e sobre a supervisão bancária inerente mostrava uma senhora muito interessante à retaguarda daquele.
Constatar que a eurodeputada que mandei para Estrasburgo e Bruxelas é igualmente muito agradável à vista.

07/06/2009

Uma escolha vital*

Ponto.

*este vital é depreciativo e em tudo semelhante ao pronunciado vai para 30 anos ao jantar, ali no Faz Frio.
Amanhãs que cantam

Acabei de ouvir Gordon Brown dizer que é possível construir, nesta geração, um mundo melhor e erradicar a fome. Pode não ser à letra, mas foi o sentido do final do seu discurso.
Independentemente da barafunda em que estáo metidos os Comuns e do descrédito que assola a classe política britânica, cujos sinais são exactamente no sentido contrário, independentemente disso, levanta-se-me sempre a questão dialéctica e trivial do realismo q.b. oposto ao idealismo que, por vezes, tem agitado e revolucionado o mundo. Quase sempre de forma violenta.
Às vezes lembro-me das vontades aprisionadas por Blimunda. Ainda que não acredite em tal.

05/06/2009

Prof

O nível de um país também se pode medir pela qualidade intelectual dos seus professores universitários.

04/06/2009

O desastre do Caravelle

Um dos mistérios que nunca esclarecerei é por que é que durante anos e anos andei convencido de que o avião (citado aqui há três dias) que se precipitou no mar a seguir à descolagem da Portela em Maio de 1961 era um Caravelle e não um DC-8, como de facto era.
Outro é por que é que este acidente (tal como o do Rápido do Algarve) foi varrido da memória colectiva e das tradicionais retrospectivas quando há acidentes similares.
Afinal, foi o mais mortífero acidente aéreo no (junto ao) território continental até hoje. Mais do que o de Faro.


jornais do dia

03/06/2009

PR

Diz o Presidente da República que está a perder muito dinheiro com as aplicações das suas poupanças.
Quero crer que isto reforça o que aqui se disse.

01/06/2009

Aviões


imagem adaptada de flightstats.com

Anteontem ocorreu-me que passavam anos sobre o maior acidente de um avião ao levantar da Portela de Sacavém.
Também se tratava de um voo transatlântico e também do que aconteceu pouco se soube então. Apesar de ter caído quase na costa, junto à Fonte da Telha.

31/05/2009

Luís Figo

A ser verdade que terminou hoje a carreira de futebolista, um pedido de desculpas.
Por o ter mandado para a cama certa noite na Kapital, já lá vão muitos anos. Muitos mesmo.


imagem Sport TV via SIC N

29/05/2009

A cabina telefónica

aqui mencionei como a PT me tornou escutador de conversas.
A forma pérfida como proporcionou a introdução nos meus sonhos de palavras alheias, numa só via.
Pois hoje, e apesar de um episódio já acontecido aqui nas alturas, em que se chamava a Ritinha, retomei às escutas, por via de um andaime colocado no prédio ao lado, em que, mesmo junto à janela do meu quarto, passadas que foram as semanas de martelo e de broca, se procede a trabalhos quase silenciosos.
Ouvi telefonemas, naturalmente. Já não são necessárias cabinas. Ouvi imprecações à moda das obras, ouvi considerações políticas e desportivas.
Mas não, não os vou denunciar. Nem sequer passar as notícias aos jornais.

28/05/2009

O Caça

Há dias que andava enredado com a fácies do lugar. Dos lugares. De alguns lugares. De alguns e apenas de alguns entre aqueles por onde andei mais tempo.
Sendo que a fácies se refere aqui ao rosto humano. Às características comuns que eu acredito identificar no rosto das pessoas que habitam cada um desses lugares.
Quando começava hoje a ter essa crença em relação a determinado bairro de Lisboa, uma das caras que eu observara saindo da taberna para a torreira do sol definiu-se de perfil junto ao vidro da janela ao pé da qual me encontrava sentado.
Introduzindo aqui um lugar comum, tratava-se de uma espécie de inverso hopperiano. Nighthawks ao invés, de dia e de dentro para fora.
A face que então se recortou vinda da esquerda alta não pertencia, não podia pertencer àquele contexto.
Claro que não. Era o Caça. O meu velho conhecido Caça-Aviões, transplantado da canícula da vila para uma interpelação à esquina para saber de direcções na capital.
Hesitei durante os quinze ou vinte segundos em que o vi à boca de cena, se haveria de ir à porta e chamá-lo para uma cerveja.
Haveria de se surpreender mais do que eu.
Deixei-o ir.
Lisboa, 2009

27/05/2009

Comentadores

Ontem apareceu aí pelas nove e tal da noite um comentador num canal de televisão a dizer que Oliveira e Costa se tinha limitado a ler uma longa declaração e que não tinha respondido a nada.
Eu (e mais meio mundo) até à meia-noite e tal, ouvi-o responder a muitas perguntas que ele às nove já tinha visto, ainda que em pequena parte, serem-lhe fornuladas.
O comentador não sabe, portanto, do que fala.

26/05/2009

25/05/2009

A1, viaduto sobre o rio Trancão, 2009

No país do atraso mental

Confundir o que quer que seja daquilo que se ouviu nas televisões àcerca da escola Sá Couto em Espinho com educação sexual é puro e duro atraso mental.
Independentemente da deturpação possível.
Desamor é

Ouvir os comunistas falar da destruição do tecido económico português...
As coisas que eu não disse


imagem da RTP

Não disse aqui que não me cheirava nada a contratação de Derlei pelo Sporting, duas épocas atrás. O facto é que não me cheirava mesmo.
Dou agora o braço a torcer e digo mais, gostaria que ele ficasse em Alvalade na próxima época.

23/05/2009

A rua D

A rua D sobe para Norte.
A rua D deveria ter mais comércio.
Gosto da rua D.

Estas três afirmações espelham respectivamente um facto, uma opinião e um gosto.
Apenas a segunda é susceptível de controvérsia.
No entanto, o comum é que se assista a debates, convulsões e troca de insultos a respeito de todas elas.
A medida em que isso se vulgariza é inversamente proporcional à evolução mental da sociedade.

21/05/2009

Vida



Li claramente lido neste postal caído a um canto que o livro que eu perdera ali estava, à minha espera.

18/05/2009

Não há notícias

Também me lembro de um tipo que dizia que ia construir uma grande estrada.
Esse ainda conseguiu enganar uns quantos, enquanto não o voltaram a internar.
E é com isto que se abrem os telejornais.
Num dia como o de ontem, é de estranhar que não tenham tentado mais uma vez vender o Cristo-Rei.
Olhanense


do site do Olhanense

Não é por ser uma das mais antigas filiais do Sporting.
Não é por eu ser um incondicional da vila, digo cidade, de Olhão da Restauração.
É mesmo por ser do sul. Por ser do Algarve, que é uma espécie de minha segunda terra, vistas as raízes na serra, do lado de cá e de lá da fronteira dos Reinos.
É por ser de onde vivi os melhores anos. Os melhores verões.
Viva o Olhanense e quem o apoiar!

17/05/2009

Cristo-Rei

Há qualquer coisa a mais do que a coetaneidade e que não consigo definir, que me liga ao monumento ao Cristo-Rei.
Ateu e agnóstico, três vezes que me lembre nele entrei. Espaçadas de décadas.
Na última, há pouco menos de um ano e depois de uma pulsão para lá voltar, talvez ainda a um quilómetro assombrou-me a memória de um cheiro parecido com o do pão que associava ao lugar.
Vá saber-se se a memória desentranhada contaminou os sentidos...



Pareceu-me que estava tudo como dantes.


da brochura publicada pelo santuário

Removo hoje o anúncio de intenção de compra de um Cristo-Rei de plástico.