O caso PinhoO ex-ministro Manuel Pinho é daquelas figuras que, sem nunca a ter conhecido, me desperta companheirismo.
Como diria um amigo meu, tem cara de “boa senhora”.
E não se leia nisto sarcasmo ou ironia alguma. É de facto uma pessoa que me é simpática na pantalha.
Dito isto, foi também enquanto ministro uma personagem que me intrigou de alguma forma.
Ouvi-o dizer coisas inacreditáveis e ao mesmo tempo parecer ser capaz de juntar três ou quatro argumentos com sentido, coisa que, como sabemos, há pouco quem consiga no actual panorama político, da esquerda à direita.
Dizem, agora, até os adversários políticos que foi diligente e eficaz nalguns casos mas não lhe ficou bem dizer que trabalhara dia e noite – há um estranho costume em Portugal de julgar o trabalho não pela sua qualidade mas pela sua quantidade, como se um tipo que não se deita esteja mais bem equipado para tomar boas decisões do que um que dorme o tempo suficiente.
Foi em diversas ocasiões criticado “ao lado” como também é costume por cá – por exemplo no caso da “mão-de-obra barata” em Portugal anunciada aos chineses.
É claro que a comparação não era com a chinesa, o que não faria o menor sentido, tratando-se de comparar destinos de eventuais investimentos chineses na Europa.
Dito tudo isto, o homem hoje surpreendeu-me.
Por cá, não sei há quanto tempo não havia qualquer coisa do género.
Houve, no Parlamento Europeu, o chegar de roupa ao pelo por parte do Prof. Rosado Fernandes, coisa de resto de que o próprio nunca mostrou arrependimento, tendo em conta que se sentira atingido na sua honra.
O gesto foi de facto para mim surpreendente. Por ter sido feito por quem foi e no sítio em que foi.
Ainda assim não me consigo pôr na pele de quem o critica por tal.
O ex-ministro Pinho não deixou, apesar do sucedido, de me parecer uma figura simpática.