19/02/2010

ETA



A ser verdade o que se contou na imprensa e que foi:
O condutor de um veículo, no qual seguiam duas pessoas, desobedeceu a uma ordem de paragem por parte da GNR no caminho municipal nº 1408 de Óbidos, na noite de 1 de Fevereiro, segunda-feira.
O veículo foi mais tarde encontrado abandonado.
Na noite de quinta-feira, 4 de Fevereiro, as autoridades foram avisadas por um vizinho de que uma casa sita no Casal da Avarela se encontrava de portas e janelas abertas e luzes acesas há alguns dias.
Na sexta-feira, 5 de Fevereiro, forças policiais invadiram esta casa tendo encontrado material utilizável na fabricação de explosivos, bem como explosivos prontos a usar.
O veículo abandonado foi identificado como sendo o utilizado pelos ocupantes da casa.


A ser isto tudo verdadeiro, presume-se que os ocupantes da viatura e inquilinos da casa, certos de estarem a praticar actos ilícitos, abandonaram carro e casa, temendo primeiro uma nova intercepção na estrada e depois um assalto das autoridades à residência e sequente captura, depois de estas relacionarem o veículo com a morada.
Incorreram num erro de estimativa e num erro de análise. O de estimativa foi de três dias e tal. O de análise foi julgarem que o carro conduziria a polícia à casa. A barreira a que escaparam encontrava-se, segundo as notícias, no caminho que serve a moradia.

O facto de não terem nem fechado a porta nem apagado a luz aponta para uma pressa desmedida e pouco consentânea com o sangue frio que se costuma atribuir a operacionais da ETA.

A não se tratar de uma reacção tal, então observa-se que tudo fizeram para chamar a atenção para a casa.
Mais, só colocando letreiros e sinais sonoros.

É uma história bizarra e parece que, mais uma vez, muito mal contada.
Meio por meio

Temos portanto metade do país a escutar às portas da outra metade.
A metade que escuta fá-lo para mostrar que a metade escutada não tem classe.
Concedo: há uma meia-dúzia restante que já se desligou da paisagem e da companhia.
Mascarada



Deve haver uma mascarada qualquer que me impede de aceder ao computador, à rede.
Não deve. Há.
Intermitente que é, mascarada que anda.

13/02/2010

Olvido

"No preciso momento em que abro os olhos fiquei completamente estupefacto. A escuridão tinha desaparecido e estava em pleno dia. Uma claridade intensa, sem contudo, incomodar a vista iluminava tudo à nossa volta."



Basta talvez multiplicarmos a nossa própria indiferença face a um qualquer fenómeno estranho que tenhamos presenciado, pelo número de pessoas que julgamos terem testemunhado o mesmo e teremos uma ideia da insignificância histórica da coisa, ainda que objectivamente ela se revista de uma importância muito superior.
O que sucedeu nos céus de Portugal na madrugada de 15 de Julho de 1979 não foi explicado.
E é provável que se trate de uma das mais testemunhadas anormalidades da história do país, tantos foram os relatos que a imprensa disse ter ouvido e recebido.
aqui referi o que vi e onde.
Para quem quer passar à frente, resumo que se tratou de um clarão que tudo iluminou como se tratasse de um sol forte e a pino num dia de Verão, durante o lapso de tempo suficiente para ficar com um retrato bem vívido na retina do que me rodeava. Um segundo, mais, não faço ideia. Isto cerca das duas e meia da manhã.
Dessa noite, restava o testemunho de quem comigo estava. Havia os outros circunstantes que ignoro quem fossem e havia o testemunho de dois amigos que, a quilómetros dali, julgaram tratar-se de uma formidável explosão, tanto que procuraram o melhor possível resguardar-se da onda de choque que imaginaram potentíssima.
Havia as notícias na rádio e os vespertinos do dia.
E raramente pensei no assunto. Vez por outra relatei o caso a uma ou outra pessoa.
Recentemente, decorridos trinta anos, voltei a mencionar o episódio aqui no blogue.
Surgiu por estes dias uma reacção de alguém que também passou pela experiência e que deparou com o meu relato.
Aqui vos fica a narração. É mais interessante do que a minha.

Ler o artigo completo

Agradeço ao Jorge a gentileza que teve.
Jornalismo

Ontem, ao noticiar o insólito caso do voo de Évora para Tires, uma jornalista afirmou que a aeronave se despenhara antes de alcançar o aeródromo de Cascais e que um dos ocupantes saltara do avião já na pista.
O avião caiu portanto antes de chegar à pista embora já na pista é que alguém saltou!
Será preciso possuir um curso de aeronáutica para avaliar esta impossibilidade?

12/02/2010

Esticar a corda

Não tenho sobre o Primeiro-Ministro grande opinião sobre as suas capacidades intelectuais.
Fundamento-a em vários episódios em que o ouvi dizer coisas extraordinárias, sem o mínimo sentido. E que aqui referi por vezes.
Tenho a ideia, já aqui também expressa, de que é alvo de uma campanha torpe e muito mal fundamentada por parte de quem não tem maiores capacidades intelectuais.
Houvesse de facto alguma coisa grave a apontar a José Sócrates e ele já estaria frito a esta hora.
Não estando, a única coisa que ressalta é a inépcia de quem assim o ataca.
Tudo isto já aqui o afirmei.
Não li, não ouvi nem conto ler ou ouvir estas ou quaisquer outras transcrições de conversas, mensagens ou gravações apanhadas à sorrelfa.
O próprio facto de serem publicadas sem consequência é por si só a justificação da inanidade.
Porém, a corda estica-se. E estica-se porque sobre o descontentamento existente, qualquer chapada de qualquer coisa castanha e com a devida textura é imediatamente tida por lama.



A ver vamos se a corda parte.

08/02/2010

Marcos

Em 1993, havia num troço de estrada que ligava a E.N. 264 à via Infante de Sagres (vulgo Via do Infante), uns marcos quilométricos que assinalavam os km 90 e tal do IP1.
Eram marcos curiosos conquanto respeitassem o formato dos do plano de 45, referiam-se a um IP do plano de 85.
Ignoro se ainda lá estão e se foram ou não reciclados.
Já na dita via Infante de Sagres, escassos quilómetros andados, os competentes marcos de lata letra branca em fundo azul de auto-estrada já marcavam os km 300 e tal do IP1. Em cerca de dez quilómetros, tinham afinal sido percorridos mais de duzentos!!! Sendo que nem uma nem outra contagem faziam o mínimo sentido.
Aí, na última vez que lá passei, os marcos referiam-se à A22.
Poder-se-ia falar de muitos outros exemplos semelhantes de desnorte, de incompetência, de burrice.



Este aqui encontrei-o em 1995 num sítio onde seria talvez expectável encontrar o km 20 da E.N. 264, na versão proposta pelo plano de 45 e a uma légua bem medida do local onde afinal está o km 1 da E.N. 264, que acabou por ser construída com um traçado inicial diferente.
Este marco tampouco remonta ao tempo do traçado inicial. Foi lá colocado muito posteriormente.
Acresce que o formato do marco nem sequer é regulamentar. Como se pode perceber pela imagem comparando com qualquer dos marcos quilométricos da weberneta.
É o tipo de coisa que acontece porque sim.
E há demasiados porque sim aqui, ali, no governo do país aos mais diversos níveis. Este é apenas um exemplo caricato.

07/02/2010

Tabu



Há alguns tabus mais ou menos persistentes na vida portuguesa.
Um deles é a ETA.
Com as excepções óbvias do assalto à Embaixada de Espanha, do caso GAL e da controvérsia sobre a extradição de Telletxea Maia, o assunto ETA foi sempre encarado como longínquo.
Até que recentemente, com o episódio dos carros de aluguer, a coisa saiu um bocado das baias em que se encontrava.
Falando de cor, apenas com o cheiro da pólvora, sempre tive a ideia, dir-se-ia uma espécie de ilusão mental, que a ETA apenas usaria o território nacional, vez por outra, como posição recuada, onde teria aqui e ali casas seguras, apenas para abrigo temporário dos seus irregulares.
Nunca me cheirou a tal pólvora. Mesmo que admita que na conturbada fase de 1975 – se a Embaixada de Espanha foi ela própria incendiada! – tenha havido algum tráfego de armas e bagagens.
O quadro geral era, na minha ilusionada ideia, de que as coisas se passariam assim.
Os últimos sinais, desde as histórias dos carros alugados, iam no sentido inverso.
Até ver, confirma-se que havia mesmo uma base. Pelo menos uma.
A minha questão agora é se isto vai alterar em alguma coisa o denso véu que sempre caiu sobre este tema. Como um tabu.
Lá, onde as paredes têm ouvidos

E olhos. E todos ouviram falar de Manoel Vilhena e viram o que fez.


trecho de fotografia de folheto editado pelo Turismo de Malta.

04/02/2010

Umas quantas notas agripadas

Já estava assim antes da vergonha de jogo no Dragão. Não há relação entre uma coisa e outra.
O Sporting, nestes últimos tempos, tem envergonhado com alguma frequência os seus adeptos. Nem uma sequer glória no futebol para contrabalançar.
Carvalhal disse, e cito de memória, que o Sporting fez uns maus 45 minutos. Não fiquei a saber quais. O certo é que a goleada se anteviu desde cedo. E que em nenhuma altura pareceram as coisas mudar de tom.

A Drª Manuela Ferreira Leite disse, e cito mais uma vez de memória, que o país precisa de estadistas e não de políticos.
Se não se pode ter o dois-em-um, mesmo não fazendo ideia como é que se faz um estadista apolítico, então concordo com a senhora.
Cheira-me, todavia, que o que o país precisa é de gente capaz e não de mediocridades.

A Lei das Finanças Regionais e todo o folclore acessório mostra bem o que seria um país cortado às postas, cada uma delas a puxar as brasas para si.
Mas o problema tem boníssima solução: é convencer os do PSD a aclamarem Alberto João Jardim. Quem não vai gostar disso são os madeirenses, mas pronto.
Acham que ele não ganhava a José Sócrates ou a um eventual substituto deste?

01/02/2010

Belfast, 2009


fotografia de Mr. Gaston Smith, correspondente do HGU no Ulster

31/01/2010

Pum!

Ainda mal refeito de um disco falecido, vejo-me com uma placa defunta.
Graças à inigualável prestação fraterna volto a penates.
Espero que sem interrupções por muito tempo.
Apresento as minhas desculpas a quem aqui embalde veio.

20/01/2010

Orçamento

Temos um Primeiro-Ministro que acha que os prejuízos do Estado são coisa despicienda pois estão cobertos pelo... Estado!*

O Sr. Paulo Portas (CDS-PP): — Eu não disse isso! Disse «manteve».

O Sr. Primeiro-Ministro: — Manteve o que tinha.
Portanto, o Sr. Deputado acha que aquilo que o Estado deveria fazer era ir a correr levantar o dinheiro para precaver o seu depósito?! Não, Sr. Deputado, o Estado sabe que os seus depósitos estão garantidos tal como estão garantidos todos os depósitos dos portugueses. Não hesitaremos em tomar todas as medidas para garantir esses depósitos.

Aplausos do PS.


O senhor de La Palisse não se lembraria dessa.
É portanto a partir desta premissa maior que se desencadeia o raciocínio. Não estamos mal.


* discussão do Orçamento para 2009, a propósito do caso BPN e da conta do Estado naquele banco.
(Diário da Assembleia da República, I série, X Legislatura, 4ª Sessão Legislativa, nº16, sessão de 5 Nov. 2008, p. 93 – linhas 23 a 29) - consultar aqui.
negrito meu

19/01/2010

Estação C.F. de Abambres, 1991

Poucas

Foram afinal muito poucas as asneiras que se ouviram no debate de ontem.
Tirando um certo desnorte da moderadora (falar em paredes mestras nos dias que correm...) o que se ouviu foram banalidades óbvias e o que se pressentiu foram muitas crispações e disputas de pelouro.
Houve aqui há talvez mais de quinze anos um debate esse sim interessante na RTP.
Nele se percebeu que a avaliação que então se fazia das consequências de termos um sismo com as mesmas características do de 1755, era devastadora.
E era a partir dessa base que se considerava o plano de acção.
Hospitais no chão, pontes intransitáveis, etc. Uma majoração dos danos.
Não é que adiante muito ir além do grande plano, das linhas gerais. Mas ter uma ideia de como agir no pior dos cenários.
É, acima de tudo, preciso saber quem manda. Colocar ordem nas coisas e ter uma imensa capacidade de improvisação.
E, entretanto, aprender as lições.

17/01/2010

E se fosse cá?

Vem aí mais uma vaga do “e se fosse cá?”.
Como aqui disse anteontem, as lições que nestes casos se retiram raramente frutificam. E os casos são sempre únicos.
Não obstante, há ali muita coisa para aprender.
O mais importante de tudo, todavia, é a prioridade ao bom-senso, seja lá isso o que fôr.
Força, autoridade, hierarquia de comando, improvisação e impiedade. Isto se a prioridade fôr curar os feridos e salvar as vidas.
Se a prioridade fôr outra qualquer, serão outros os requisitos necessários.
Os grandes planos, nestas ocasiões, à excepção do óbvio bom senso, saem sempre furados.
Estou com alguma curiosidade em medir a quantidade de asneiras por metro quadrado de plateia no programa de amanhã.

15/01/2010

Port-au-Prince

Há uma era antes do estilo CNN e da massificação dos satélites.
Antes portanto da vulgarização das imagens ou do seu primado.
Uma coisa que leva 30 anos do zero ao estado actual em que qualquer telefone móvel capta e envia vídeo (ainda estamos na muito baixa resolução) para quase todo o globo terrestre.
Dessa porção de tempo, a lista das grandes catástrofes inclui o Ruanda e o Darfur.
Inclui o maremoto bíblico de 2004, o sepultamento de Armero, a devastação de parte da cidade do México, os terramotos na Arménia, na Turquia, no Irão (dois), o de Kobe. O da China.
Inclui o ciclone na Birmânia e outros mais acontecimentos de menores proporções letais, correndo eu o risco de me esquecer de algum1 2 3.
Os dois primeiros, tratando-se de guerras e talvez pelo número de baixas não ser instantâneo, acabaram por merecer uma divulgação visual muito aquém da sua dimensão.
De todos os outros se obteve uma ideia fotográfica. Cada vez mais diversificada à medida que os anos foram avançando. Com as excepções limitativas da Birmânia e em certa medida do Irão. E com a minha medida subjectiva, por quase metade desse intervalo de tempo haver aqui apenas dois canais e uma empresa de televisão.
Nada ali se compara porém ao que se vê agora. Nem sequer no caso do maremoto de 2004, admitindo-se que em algumas regiões tenha sucedido exactamente o mesmo desnorte e incapacidade de resposta. Não estavam lá as câmaras.
Aqui antevê-se a ausência total e completa de uma resposta organizada. Por agora.
É um retrato que permite medir consequências de uma incapacidade.
Nestas coisas, as lições que se retiram raramente frutificam. E os casos são sempre únicos.
Mas há ali muita coisa para aprender.

1 Dois terramotos na Índia e um no Paquistão.
2 Furacão Mitch.
3 Deslizamentos de terras na Venezuela (estado de Vargas).

13/01/2010

O Haiti (não) seja aqui*

É muto provável que tenha sido de proporções devastadoras o que por lá aconteceu.
Esta imagem recorda certas gravuras de Lisboa.


imagem da CNN

*na canção de Caetano Veloso é o Havaí, é claro

12/01/2010

Um dia histórico

Hoje é um dia histórico.
A barragem de Alqueva atingiu a cota máxima (152 m) cerca das 16:00.
Afinal, os 75 anos reduziram-se a 8.
Um erro grosseiro esse que dava tal prazo para o enchimento da albufeira.


imagem do SNIRH

11/01/2010

Espelhos e simetrias

Os Cro Magnons que andaram a pintar em Fátima tinham deficit topológico mental. Ou o.


imagem da RTP

10/01/2010

Madame Butterfly

E, de repente, ali estava eu a mostrar a Fanny Ardant (sim, vi-a na Revista do Expresso esta semana) a série de fotos – dez de cada – que o mesmo jornal publicara de mulheres e borboletas cujo perfil se assemelhava.
A nº8! Repara bem na assombrosa semelhança da nº8 com a respectiva borboleta! – não sei se ela reparou bem.
A coisa era patrocinada por uma associação qualquer de coleccionadores de borboletas.

07/01/2010

Um filme interessante


imagem da Imdb

Uma história e um filme perfeitamente desconhecidos que me colaram ontem ao écran.
Não é o meu tipo de filme. Mas fiquei ali pregado até ao fim.

06/01/2010

Território


fotografia de Mr. Gaston Smith, correspondente do HGU no Ulster

Para quem associou desde muito cedo as expressões “recolher obrigatório” e “estado de emergência” à Irlanda do Norte, parece talvez improvável um “adeus às armas”.
Quando o que está em causa é um território em disputa.
Isto a propósito de mais uma notícia no sentido da paz e desta fotografia recebida há dias.
A notícia é uma entre tantas. Das quais uma boa porção nada significou.
O território...

05/01/2010

A década

Convinha talvez fazer um aditamento às convenções numéricas – cardinais e ordinais – para que uma década, um século, um milénio acabem quando o estado de espírito o decidir e não segundo a contagem que o Homem inventou sabe-se lá quando e segundo as regras da base 10 que terá provindo do número de dedos das mãos.
Sobre isto, já tinha escrito há um certo tempo.

Memória

Ontem, no programa da SIC N – O Dia Seguinte – ninguém percebeu que Walter Rosa e Walter Marques, recentemente falecido, não eram a mesma pessoa.
Aqui há tempo, no mesmo programa embora com outra composição – em quatro mudaram dois, ninguém sabia onde ficava o norte no Estádio Nacional.

04/01/2010

A torre do Califa



Naquilo que se pode considerar como uma das grandes questões universais, ocorreu-me interrogar-me sobre o número – menos precisamente, sobre a ordem de grandeza desse número – das diversas construções humanas que foram de facto as mais altas do seu tempo.
Talvez se consiga chegar a um valor que não pareça muito disparatado com os dados disponíveis que são sempre escassos. Ou não.
Uma coisa poderemos saber – quanto tempo demorarão estes 828 m a ser superados.
A fuga de Peniche

É facto que o PCP nunca formou governo em Portugal.
É facto que o PCP não pode ser só por si directamente responsabilizado pelo que sucedeu em 1975 em Portugal e pelo rol de prisões arbitrárias que então ocorreu em tempo tão curto.
É igualmente facto que o PCP foi sempre o representante do sovietismo em Portugal.
É ainda sabido que o regime soviético foi pródigo na prisão dos que se lhe opunham e até dos que, dentro dele, se desviavam da linha justa e caíam em desgraça.
Faz por isso para mim pouco sentido que o mesmo PCP apareça simbolicamente como grande paladino do derrube de paredes prisionais, atendendo às declarações proferidas na celebração da fuga do forte de Peniche.
Não lhes censuro naturalmente a comemoração. É coisa deles.
Não lhes censuro os ideais e os valores. Cada um tem os seus.
Não aceito é vê-los fazerem-se passar por arautos precursores da liberdade.
Isso é que é branquear o estalinismo e apagar da memória partidária todos os seus admiradores.

01/01/2010

Apogeu

Serena e suave
Vejo a luz entrar
Sobre as mantas entaladas
Num sonho cor-de-mar.
E possesso fico,
De alabardas armado,
Fecho o meu cerco
Às intenções.
Rol, torrente d'emoções
Que se esvai
Num chão lavado de flores
Pueris.
Aqui te ris.
Sempre que há condão
De magias fazer
Sem condição.
Depuseste a razão,
Pediste a rendição -
- Tudo a correr.
E de novo a luz fugiu.
Deixou frios e arrepios
Em mesas descompostas.
E nada mais se viu
Do que alguém,
Que da cena saía,
Longe e de costas.


1985

SG, "Dizeres do Sul", 1993

31/12/2009

2009

O acontecimento do ano foi a recombinação do H1N1.
E a imagem do ano a da molécula de pentaceno.
O resto é conversa. E cinquentenários, é claro.


© IBM Research – Zurich
Não há escapatória

29/12/2009

1959

A dois dias do fim do cinquentenário, cumpre recordar.
Algumas das coisas que por cá apareceram ou se concluíram nesse ano:



O Metro é hoje o aniversariante. Nacionalismo e geracionismo muito à parte, um dos melhores que conheço. E conheço alguns.

imagens alheias a este blogue e recolhidas nos mais diversos sítios.
Trabalho escravo

É o que sempre me pareceu adequado aplicar a réus insolventes condenados a indemnizar as suas vítimas.
Consigo, sem esforço, encontrar meia-dúzia de questões escolhosas neste caminho.
Ainda assim, é o que me soa mais justo.

27/12/2009

Perdidamente apaixonado

Foi preciso chegar quase ao 52º ano para cair de quatro por um carro. De três.


foto em http://www.pioneer-automobiles.co.uk/Resources/library/Berkeley%20T60.html

26/12/2009

E o plástico?

No Expresso desta semana aparece uma lista de 50 invenções que talharam a História.
Assim de repente, e sem matutar muito, não vejo a escrita, o vidro, o transporte de energia (simbolizado no cabo eléctrico) e o plástico.
Cada um faz as suas listas, é claro. A mim, parecem-me estas indiscutíveis.
Mas fico sempre com a ideia de que não se usou a cabeça. Nem por um bocado. Nem por um saco de plástico.
Amesterdão, 2006


© João Sá Fernandes

25/12/2009

A tradicional imbecilidade noticiosa

O Natal é tradição. E, embora não sendo natalício, deveria procurar respeitar o espírito da coisa e recuperar um certo atavismo cristão que estará na minha memória celular.
Todavia, a palavra tradição escorrega-me para as notícias. E peco.
Esforço-me. Mas não consigo evitar uma indignaçãozinha quando ouço repetidamente na RTP N anunciar o comboio de levitação magnética como uma novidade extraordinária.
É qualquer coisa que me faz saltar a tampa. Mesmo em dia de Natal.

24/12/2009

TG 923 ou à procura de um tsunami



Ninguém não. Alguém haverá que trocaria de bom grado de lugar com ela.
Ela, que sei eu?, trocaria que condições e lugares por aquele assento incómodo dum 747 na hora que ora corre, com destino a nenhures?
A um tsunami improvável que torne a morte divisível, como certa vez me disse?
Ou a uma Índia sobrevoada, onde o passado reside escondido e irrecuperável?
Faço votos.

23/12/2009

O túnel do comboio-fantasma

Aqui há umas semanas Rui Santos fez circular na rubrica que mantém na SIC a seguinte pergunta: Os relatórios das vistorias aos túneis realizadas pela Liga deveriam ser públicos?

Isto intrigou-me. Vistoria aos túneis? Haveria alguma questão estrutural nos ditos? Porém, só se ouvia falar em agressões e nada em fissuras, assentamentos, deformações nem sequer em infiltrações (de água, bem entendido) ...
Fez-se luz no túnel e concluí então que a vistoria recaía sobre eventuais transformações que os ditos houvessem sofrido de forma a, à imagem do comboio-fantasma da defunta Feira Popular, serem dotados não de esqueletos e fantasmas mas de umas quantas luvas de boxe na ponta de molas metálicas, susceptíveis de serem accionadas à passagem dos adversários, dos da casa, dos seguranças, dos polícias, dos árbitros, dos que nem sequer lá estavam (vá lá entender-se isto) e talvez dissimuladas atrás de uma pretensa porta de quadro eléctrico ou similar.
Percebo assim que sejam vistoriados. Já o segredo em que se admite na pergunta estar o caso...

21/12/2009

Terra

Pelo que li sobre a cimeira de Copenhaga, descontando os tradicionais disparates da imprensa, fiquei com a ideia de que, ao contrário do que se espera de uma cimeira para resolver um problema, obter um tratado, em que há de facto um objecto de disputa e interesses antagónicos bem identificados, aqui cada um se propunha discutir uma questão diferente.
Uma espécie de reunião de condomínio em que um se queixa do frio que faz na rua, outro do barulho dos vizinhos do prédio em frente, um que quer comprar uns tapetes novos, outro que acha não se deve votar na lista de Fulano de Tal para a Junta de Freguesia. E cada um não prestando qualquer atenção ao que outros dizem.
Há um que discute um assunto que compete a todos resolver – o dos tapetes – todos os outros falham o alvo.
Foi esta a ideia com que fiquei. Quando cada um discute um assunto diferente, estamos na esfera da conversa de surdos.
Parece-me extraordinário o conceito de alterações climáticas, já aqui o disse.
E parece-me extraordinário que se consiga saber o que provoca as variações do clima quando não se consegue matar o jogo do xadrez. Não é extraordinário, é apenas estultícia e ausência de ciência. Um credo que se instalou como se instalaram muitos outros ao longo da História.
Já saber se existe um aquecimento global carece de uma definição do conceito.
É uma derivada positiva na esmagadora maioria das séries de registos de temperatura conhecidas? Ou é exactamente o quê?
Começarei a levar a sério esta tropa que por aí anda aos gritos contra as alterações climáticas e o aquecimento global quando os ouvir dizer que é preciso reduzir a população mundial.
Seja como fôr, ela não ultrapassará um certo limite. De uma forma ou de outra.

20/12/2009

A tradicional imbecilidade noticiosa

Já ouvi repetidamente na RTP que os alentejanos estranham o frio por estarem habituados ao calor.
É difícil imaginar sentença mais imbecil sobre o clima no Alentejo.

18/12/2009

Subjectivamente

Se alguma coisa de particular noto no clima ela é, sem dúvida, o retorno dos dias frios e com chuva aqui nestes arrabaldes de Lisboa.
Voltaram na segunda metade desta década. Depois de muitos anos de ausência.
Subjectivamente falando e sem qualquer consulta de dados.

17/12/2009

Tremor de terra

Lembro-me de Pacheco Pereira ter, em Fevereiro de 2007, chamado a atenção para um facto que todos aqueles que se interessam por sismologia puderam então constatar – a completa e total incapacidade do sistema do IM para responder a um afluxo “normal” em caso de sismo.
Ao contrário do que disse então Pacheco Pereira, não me parece que a gravidade esteja no facto de não ser possível aceder a informação útil neste site. Em caso de catástrofe será preocupante isso sim que a Protecção Civil não tenha meios de fornecer essa tal informação por todos os meios expeditos para orientar a população. Um site é importante mas não é o prioritário. É muito mais importante uma estação de rádio.
O que me parece lamentável é que o sistema, por não ser capaz, abdique de receber a informação quanto à intensidade que o público com acesso a estes meios está disponível para fornecer.
Esta noite aconteceu a mesmíssima coisa.
Foi possível comunicar o facto ao USGS de imediato. Pouco depois, também com alguma demora, ao IGN de Espanha.
Só muito mais tarde foi possível fazê-lo para o IM.
Com erros constantes e páginas bloqueadas no entretanto.
Incapacidade. Numa só palavra.

14/12/2009

Portugal, 2009



Nota: no dia em que o alojamento tradicional de imagens deste blogue deixou de funcionar. Tudo indica que de vez.

11/12/2009

Dinastia Ming

Francisco Louçã referiu-se ontem no Parlamento a umas afirmações que alguém há tempo fez sobre como apanhar os que fogem aos impostos, declarando rendimentos minimalistas, por via do folhear de revistas cor-de-rosa.
Mencionou um vaso Ming, do século III.
Não me consigo recordar se com essa menção reproduz o disparate de alguém ou se, pelo contrário é ele o autor da coisa.
Sendo este último o caso, não ficaria nada bem a quem se quer tão rigoroso e exigente.
Ao volante

Soube-se anteontem que a condutora envolvida num dos mais graves acidentes de viação rodoviária – quanto ao número de mortos – de sempre das estradas portuguesas, foi condenada em primeira instância a quatro anos e quatro meses de prisão, com pena suspensa.
Sobre o caso em si apenas me interessa agora saber que utilidade encontrou o tribunal na reconstituição do acidente. É uma coisa que me intriga desde o primeiro momento.

Já em abstracto, não conhecendo de forma alguma quaisquer circunstâncias do acidente ou qualquer dos envolvidos, fico a pensar na hipótese, aplicável a um sem-número de acidentes de automóvel, de o seu causador ser não um criminoso negligente mas um impreparado, um inconsciente da sua incapacidade para dominar um veículo automóvel e, por conseguinte, de o manter de forma segura a circular na via pública.
Neste caso, a negligência é de quem o licenciou para conduzir.
Será todo e qualquer indivíduo capaz de guiar um automóvel em condições de não pôr em risco a sua própria vida ou a de terceiros?
E não o sendo, aqueles que o não são, terão todos disso consciência?
Sempre me pareceu que não, para além das exclusões óbvias.
Ainda em abstracto e não conhecendo o número, que de resto calculo seja escasso, de condutores reincidentes na culpa pela morte de terceiros, pergunto-me se se justifica permitir que uma pessoa que é responsável por mortes na estrada continue a conduzir na via pública.
É que, relembro, os fumadores não são proibidos de ir à maioria dos restaurantes. Não podem é lá fumar.
Não se retiraria a esta gente o direito de circular na estrada. Apenas a possibilidade de o fazer no banco do condutor.
Será que o fumo de cigarros alheios mata mais gente do que a estrada?

10/12/2009

Assinando por cima

No caso, não é por baixo é por cima.
Uma belíssima e significativa fotografia do João Espinho que responde por mim.


© João Espinho

08/12/2009

Negras memórias

É improvável que no mesmo dia passem 30 e 20 anos sobre negros sucessos entre si nada relacionados na vida de um homem.
O improvável aconteceu pois há 20 anos atrás.
Por aqui perto.

07/12/2009

Oferta de Natal

Arredado que ando do alcatrão, ao invés do leitmotiv deste blogue, aprecio mais do que nunca as atenções.
Chegou-me hoje mais uma carteira de cromos de estradas enviada por DuVale.
Obrigado, amigo.

Alterações climáticas

Em seu tempo, para temperar o clima ou o ambiente usava um pé de poejo na lapela. Ou no bolso do lenço.
Frequentemente interpelado, teorizava longamente sobre os benefícios de tal atitude e sobre a maldade dos outros, que não usavam tal.
Ninguém me levava a sério. Era mesmo isso que eu pretendia das mulheres. Que não me levassem a sério.



imagem do site da cimeira