25/04/2010

Música do dia


imagem em http://www.the-brit.com/Code/Info/jack.htm

(clicar na bandeira para aceder à dita música)

23/04/2010

Senilidade

É estar cinco dias a partir pedra com um algoritmo que se resolvia em cinco minutos, um quarto de século atrás.
Uns séculos atrás.

22/04/2010

Katla


(clicar para obter o pdf)

Há um mês ou dois, lia numa compilação de comunicações sobre o Terramoto de 1755 que ele foi precedido em quinze dias por uma erupção do Katla.
Essa erupção terá durado cerca de quatro meses e gerou uma torrente glaciar de enormes proporções bem como uma nuvem de cinzas que toldou os céus da Europa.
Foi essa a primeira vez que atentei a tal vulcão.
Rui Pedro Soares

De Rui Pedro Soares apenas conheço as declarações e a argumentação que apresentou na Comissão de Ética e agora na Comissão eventual de inquérito à... .
Pareceu-me um tipo intelectualmente capaz. E é esse o único juízo que dele faço. Mais nenhum.
As reacções que a recusa de responder ao inquérito já suscitou, mostram uma carrada de preconceito sobre ele.
É claro que o que está em causa não é a maior ou menor capacidade do homem. É assunto diverso. Ainda assim já ouvi suficientes vezes a sua diminuição também nesse ponto. Pareceu-me sempre ter sido naquele espírito em que os “bons” são sempre muito inteligentes e os “maus” sempre muito estúpidos.
Quem diz os “bons” e os “maus” diz os amigos e os inimigos.
Cabe dizer que a ponderação subjectiva (que não juízo) que dele faço no cômputo geral das coisas é diminuta. Como a de qualquer peão. Em qualquer jogo.
O facto de ter levantado um incidente que tanto escarcéu já fez soar coloca-o na ordem do dia. Só isso.

21/04/2010

Pegos

Ouvi repetidas vezes que era necessário sinalizar ou esvaziar a lagoa artificial (suponho que o era) onde faleceram dois miúdos. Parece que estão a drená-la.
Pergunto-me se será necessário sinalizar ou esvaziar todos os lagos, lagoas, pegos, rios e ribeiras onde não há pé.
Esvaziar o Tejo parece-me trabalho de Hércules. Mas não é nada que não se possa fazer.
Se a “prevenção” assim o exigir.

adenda: Esqueci-me do verbo vedar.
Comboios

Na fronteira da Tailândia com a Libéria, com dois hambúrgueres dentro de um saco de plástico transparente no bolso esquerdo das calças e um peso de cobre de dois quilos no direito.
Um comboio com umas asas simbólicas que saía como que no ar de um túnel, do ventre da montanha à nossa frente, umas dezenas de metros sobre as nossas cabeças circulando sobre uns carris mal equilibrados sobre bogies que serviam de vigas de apoio, em consola sobre o abismo.
Uma fronteira a que se acedia por um corredor, virando à direita no último instante junto a uma guarita sem guarda.
Um tipo com uma falsificação de scanner, no corredor seguinte, assustava os saintes que trouxessem bens não declarados.
Havia ainda o J.d' que encontrei depois de ter passado de novo sem me aperceber a fronteira, num sítio mal assinalado. Procurava ele a casa de um conhecido.

E depois de tudo isto, na vila.
De mala a tiracolo (chiça!) à procura de transporte para a estação, depois de me ter certificado, como se preciso fosse, de que já em lado nenhum ali teria pousada.
O comboio apitou debaixo da primeira passagem sob a estrada quase quando vi o taxista no veículo de três filas de bancos.
Disse-me que para aquele já não ia a tempo. Só para o outro, que seria o do contrário.
Percebo agora o embuste. O do sentido contrário, se atrasado, atrasaria este na gare para o cruzamento.
Deixei-o ir.
Os velhos alinhavam-se ali como se estivessem a ver passar os comboios que, na realidade, passavam lá longe, umas boas centenas de metros atrás deles, antes de se dirigirem para a estação ou dela saírem.
Não conheci nenhum rosto embora tivesse havido quem me dissesse que sabia bem quem eu era.
Chegou um táxi guiado por uma mulher magra e alta.
Perguntei-lhe se me levava a Lisboa. Ela sorriu e perguntou em que dia. Eu disse-lhe que era agora, naquele preciso momento.
Ela sorriu e disse que precisava de pensar nisso e talvez tivesse que levar o filho e mais alguém para dividir o volante com ela. Não me ofereci para o fazer na ida. Pensei na ilegalidade da coisa.
Quando dava a volta por trás do carro em direcção à fila de velhos, à espera de uma decisão, o que sabia quem eu era disse-me: coitada, faz-lhe falta o dinheiro mas se calhar não chega a Alcácer, está a morrer!

20/04/2010

Probabilidades

Há uma óbvia regra d’ouro para quem se dedica a prever acontecimentos – calar a boca quando não se conhece o comportamento de um fenómeno, quer por experiência estatística quer por parcial compreensão do seu funcionamento ainda que não haja histórico do mesmo.
A questão das cinzas volantes inscreve-se neste caso – nem se sabe o que o vulcão vai fazer a seguir (ainda que haja um histórico da actividade vulcânica que permite ainda assim algum cálculo) nem se conhecem as condições mínimas de segurança a partir das quais é possível as aeronaves circularem em determinada rota (ainda que se proceda a testes com intervalos de segurança largos, calculo).
É o escuro completo. Ou quase completo.
Ouvir portanto dizer que abrindo metade do espaço aéreo europeu ou metade dos aeroportos ou o espaço aéreo de metade do número de países – não se ficou a saber o que disse o senhor que falava um inglês arrevesado e que não faço ideia quem seja – equivale a ter no ar metade dos voos previstos é daquelas coisas que, para além da confusa explicação e da não menos obscura utilização do cálculo combinatório mais básico – partindo do princípio ideal que todos os destinos e origens ligam uns aos outros e com igual frequência de voos, a abertura de 50% destes dá um número de voos que tende para 25% do total e não para os 50% do senhor de pronúncia arrevesada, dá uma ideia de que se fala só para não ficar calado.
É claro que a ponderação de frequências e de ligações pode ser (e é) diversa e os 50% do senhor da pronúncia arrevesada até equivalerem de facto aos 50% dos voos esperados.
Eu é que não acredito.
Nem nele nem em quem faz previsões para a abertura desta ou daquela rota.
Ou para o restabelecimento sem restrições do espaço aéreo ora e futuramente afectado.

Situação às 9:00 de hoje, com as ferramentas do Instituto Meteorológico norueguês e do FlightRadar24.com


© Meteorologisk institutt (met.no)


© FlightRadar24.com

18/04/2010

Informação rigorosa

Quem acompanhou as notícias sobre as cinzas, ouviu pérolas como estas nos noticiários nacionais:
a nuvem encontra-se agora entre os 5000 km e os 8000 km
a nuvem já toca o norte de Portugal, na zona de Santa Maria

(cito de memória, também nada rigorosamente)

Pergunto-me qual será a percentagem média das notícias que cada jornalista dá e percebe na íntegra.

17/04/2010

Cinzas


© Meteorologisk institutt (met.no)

Interessante esta carta do Instituto Meteorológico norueguês.
Há também um powerpoint com as cartas anteriores.

16/04/2010

Estádio Nacional



Uma pergunta que não se pode fazer a uns quantos é a de qual é a razão que determina que o Estádio Nacional é, para esses quantos, inseguro.
Pela minha parte, não me lembro de nenhum que me pareça mais seguro – onde haja menor risco de uma grande catástrofe - do que aquele.
Admito que possa estar equivocado neste juízo.
A falta de aviação dos pobrezinhos

Já não consigo ouvir os pobrezinhos a dizerem que já não têm dinheiro nem comida e que não há voos.

15/04/2010

Costumes em vias de extinção

Como as espécies, como os indivíduos, todos os dias se extinguem e se formam costumes.
Há defensores acérrimos das espécies, das tradições e dos costumes em vias de extinção em todo o lado.
Não sei quantas pessoas houve a protestar contra a queda do costume dos líderes políticos britânicos não debaterem na televisão. Calculo que poucas.
Custa-me ver cair assim alguns hábitos antigos.


imagem da ITV via BBC
Provar o desconhecimento

Sempre me pareceu uma impossibilidade do Direito a prova de um desconhecimento.
Vá lá, não será necessário nenhum esforço para eu fazer prova de que desconheço o nome completo de todos e cada um dos residentes na Cidade do México que lá permaneciam às 18:00 do dia 12 de Maio de 1949, hora local. Sendo que a prova não sou eu que a faço, é o senso comum.
O que me leva a ter esta ideia é que este desconhecimento é normalmente ligado não a impossibilidades práticas ou de baixíssima probabilidade mas a pessoas, factos, conceitos ou noções que estão facilmente acessíveis.

14/04/2010

Figuras

É bom que nos lembremos de vez em quando que, a acreditar no que para aí se diz, vivemos numa sociedade em que o apoio de Figo a um partido político é uma coisa com significado.
Ou a cara de Ronaldo na publicidade a um banco.
Ou milhentos outros exemplos.
Tromba d’água

Continuará o povoléu a chamar tromba d’água a qualquer chuvada intensa e localizada.
Faltará sempre a tromba à dita, como aqui disse há tempos.
As condições eram favoráveis à ocorrência de coisas tais, como previa o IM.
Não choveu foi tanto.
Bom para ir para a Arrábida


carta do IM

Será que vai chover assim tanto?
Diz que a bola é redonda

13/04/2010

Estalim e outras histórias

Lá nas mesmas brumas da memória onde paira o Castelo de Beja está um cão chamado Estalim.
Estalim, corruptela de José. Estranha a forma que se usava para equiparar a cão as figuras deste mundo de que se queria distância. E o José até já era morto e enterrado, lá muito longe.
Era este Estalim querido de todos, o que costuma abizarrar ainda mais estas graças dadas aos animais já de si previstos de estimação.
O Estalim, certo dia, depois de ter sido querido companheiro de andanças, resolveu suicidar-se, atirando-se da parede do poço que ele tão bem conhecia para o seu fundo. Saiu de lá na fateixa.
Lembra-me isto hoje por causa de uma cadela, de igual fidelidade, da mesma casa. Uma que com o Estalim e outro que ficava pelo monte e do qual não me recordo o nome, fizeram naquela casa o triunvirato das boas lembranças caninas de todos nós, os da família.
Resolveu ela, no aniversário da dona, vacilar quanto à vida.
Aguenta-te, amiga. Não vás já. Ainda tens uns latidos para dar e uns pares de calças para me sujar com as patas.

10/04/2010

As trágicas ironias do destino

A floresta de Katyn, 70 anos depois, embosca a Polónia de novo.
A Polónia pode, como talvez nunca na História do Mundo, substituir o presidente morto por um presidente em quase tudo idêntico.
A Beja, pela estrada de Aljustrel

No milénio passado, lá nas brumas da memória, está um passatempo a que fui sujeito certa vez e que me ficou tão gravado na mente que hoje mesmo salta à liça: em dado troço da E.N. 18, entre Ervidel e Beja, perguntaram-me se eu achava que dali em diante o Castelo de Beja (figurado na sua Torre de Menagem) ficaria sempre visível no horizonte até à chegada à capital.
Obrigou-me com isso a concentrar-me nesse ponto.
Verifiquei que, ao contrário do que a minha infantil mente calculara, ela, a torre, desapareceu por detrás de uma altura a dado passo.
Ao ler o João Espinho, na sua Praça da República, fiquei a saber da probabilidade de os vindouros não poderem vir a ser submetidos a tal exame topológico, enquanto houver tal estrada.
Espero que sejam exageradas as actuais preocupações.



Castelo de Beja
Subindo lá vais
Tu metes inveja
Castelo de Beja
Às águias reais

Às águias reais
Tu metes inveja
Subindo lá vais
Castelo de Beja

(popular)

09/04/2010

E pur si muove!

Não é que seja uma anormalidade de monta.
No entanto, ela move-se nas entranhas para além de se mover no espaço.
Apenas entre ontem e hoje, segundo o Instituto Geográfico Nacional de Espanha (sobre mapa do IM).

08/04/2010

Lembranças fundas

Calculo que desde há 29 anos que o Benfica não joga um jogo europeu a 8 de Abril.
Nesse dia perdeu 2-0 com o Carl Zeiss Jena, da Alemanha de Leste.
E já eram as meias-finais. Da Taça das Taças.


do ABC de Sevilha
As grandes questões universais – episódio q+9

O que faz uma mulher destas a ler notícias madrugada fora?


imagem da BBC

07/04/2010

Sentenças

Segui até aqui com algum interesse três casos que andam pelos tribunais.
O da condutora que matou duas pessoas e feriu gravemente uma outra no Terreiro do Paço;
O da cegueira no Hospital de Santa Maria;
O do acidente na A23, que foi, depois de Entre-os-Rios, o pior acidente rodoviário, em número de mortos, das estradas do continente português, o qual já correu na primeira instância e de que ainda não apurei se houve ou não recurso.
Há depois uns quantos outros que me interessam particularmente, todos eles relacionados com quedas de estruturas em obras de viadutos e pontes, sobre os quais me apercebi pelo histórico que a imprensa se empenha em deles não dar notícia.
Incluo ainda o do comboio do Tua. Não o da pedra que se desprendeu mas o descarrilamento junto à ponte da Brunheda.
Foi anunciado que a sentença em primeira instância do atropelamento do Terreiro do Paço é hoje conhecida.
Há, neste caso, a serem verdadeiras as notícias publicadas, demasiada contradição entre os factos conhecidos e mensuráveis e a versão que se diz ser a da acusada.
Há, até, a serem verdadeiras as tais notícias, argumentos que parecem violar as Leis da Física tais como estão estabelecidas.
Diz-se ainda que a acusada é psicóloga.
Tudo isto, ainda que impropriamente, leva com um grande ponto de interrogação invertido atrás, como era uso da língua de Cervantes*, e outro direito à frente.
Suponhamos agora que fica demonstrado em tribunal que a senhora ou mentiu ou é incapaz de perceber o que lhe aconteceu.
Ficando tal demonstrado, poderá ela, em bom juízo, exercer a profissão de psicóloga?

*e da nossa também.

06/04/2010

Comparações

Azar teve Emídio Rangel ao ser ouvido na Comissão de Ética a seguir a Santos Silva.
Ficou mais patente o enorme abismo intelectual.
Do brilho do primeiro a ser ouvido à fosca lâmpada do segundo da ordem do dia.
Concorde-se ou não com Santos Silva, há que lhe reconhecer a capacidade intelectual.
É pena que o PS escolha pôr a fasquia muitos furos abaixo.

01/04/2010

Dia das Mentiras

Citando-me, a mesma memória arrasta a praga de gafanhotos, que esteve decerto na génese da patranha dos pirilampos.
Em que ano dos anos 60 terá ela ocorrido?

30/03/2010

Isossistas da comoção

Retomando uma ideia de há meia dúzia de anos, se possível fosse medir a comoção causada pelos eventos nas populações, que surpresas nos reservaria o desenho das isossistas da comoção?
O efeito da distância a atenuar a intensidade parece poder presumir-se idêntico ao dos sismos.
Um atentado em Moscovo, tomando apenas essa variável, geraria menos comoção do que um em Londres. E este menos comoção do que um em Madrid.
Mas o número das variáveis que se pressentem em jogo é em ordem de grandeza semelhante ao das que condicionam o comportamento humano em qualquer outro caso.
Seria estultícia encontrar explicações para o desenho das curvas, caso se pudessem traçar.
O cerne da questão

As notícias de que, após um lapso de quase ano e meio que mostrou as imperfeições da técnica nos mais altos escalões, se verificou a primeira colisão de feixes de partículas no grande acelerador do CERN trouxeram mais uma vez atrás a historieta das origens do universo.
E é repetida à exaustão.

29/03/2010

Esgotar o assunto



aqui o disse – Vitrúvio fez bem em dispôr Arquimedes na banheira.
Que dela saem amiúde ideias mais ou menos parvas, mais ou menos gloriosas.
Não é de uma ideia, porém, que me lembrei hoje. É de uma recorrência que ali me acode e que versa a indexação das estrelas dos estabelecimentos hoteleiros à velocidade de escoamento da dita banheira.
Detesto sítios onde a água se some a conta-gotas.

28/03/2010

As andorinhas

Dei-me conta de que não vejo andorinhas há séculos.
Pode ser que uma ou outra me sobrevoe mas por ela não dou.
Qualquer bizarria está na causa disso.
Lembro-me de ter avistado estes ninhos no outono de há dois anos.



Com eles, a memória do tempo em que na velha casa do quintal lá estava um, dois ou três. E em que as via entrar e sair pela porta descuidada ou cuidadamente aberta.
Restar-me-á acrescentar à lista de compras onde figura o Cristo-Rei de plástico e a buzina de bexiga uma andorinha de louça.

25/03/2010

Quem nada não se afoga

Há dias em que se acorda com uma música ligada no gira-discos mental.
Há dias em que se acorda com uma perfumada lembrança de alguém.
Há dias em que se acorda no meio de um intrincado e movimentado enredo.
Há dias em que se acorda envolto numa extraordinária abstracção.
Suponho que nunca tinha acordado com um aforismo na cabeça. Foi hoje.


Recriação baseada nos pictogramas olímpicos de 1964 e 1972.

Sendo que este, como quase todos os aforismos, não é absolutamente certeiro.
Há muito quem bem nade e mesmo assim se afogue.

24/03/2010

Romero

Ouço agora que passam hoje trinta anos sobre o dia em que as nossas apostas à mesa da Mexicana se decidiram.
Eram sobre o tempo de que Óscar Romero ainda disporia antes de ser assassinado.
Se a memória me não atraiçoa, só demos por isso no dia seguinte ao ler os jornais da manhã.

23/03/2010

Obama

É a primeira lança em África do presidente americano. Está de parabéns.
Veremos as voltas que o serviço de saúde ainda dará até assentar e ser aceite.
Mandato

A questão dos britânicos com a Palestina (em sentido lato) é talvez daquelas que hoje se apresentam a que mais perdura no tempo.
O caso de hoje é disso uma amostra.

O toque

Detesto telefones.
Melhor dizendo, detesto falar ao telefone.
É aquele mínimo necessário às circunstâncias que se esgota em parcos segundos, poucas vezes ao mês.
Há séculos atrás, na era dos beep (ou pagers), um dos meus amigos emprestou-me um durante as férias para que eu não ficasse isolado do mundo exterior, como era de resto meu desígnio.
Acabei por simpatizar com o aparelhinho que devolvi mesmo assim com agrado no final da vilegiatura.
Uma das coisas que me fazia simpatizar com ele era o toque. O toque que eu escolhi entre dez que o catálogo tinha.
Muitos anos depois ainda pensava encontrá-lo algures, talvez para me rodear de memórias dessas férias, talvez só mesmo pelo som.
Hoje, por mor de um frango assável, descobri que o meu telemóvel tem tal toque no catálogo.
Um telemóvel que me ofereceram acho que vai para quatro anos.
Fico agora mais sensível ao toque, acho. O que não sei se é bom se é mau.
Bellas, 2005

22/03/2010

Planos

Ando intrigado com esta coisa dos Planos de Prevenção de Risco de Corrupção.
Pergunto-me se não havia já nos mais diversos serviços do Estado (e afins) processos de evitar a corrupção. Se era tudo o da Joana.
Pergunto-me qual será a probabilidade de tais planos virem a integrar o rol dos Grandes Planos que só serviram para nada e coisa nenhuma.
Gostava também de saber se acaso não há um plano para acabar com estes planos disparatados e redundantes.
Planos estes que pelos vistos muitas entidades ou não levam a sério ou levam tão a sério que o tempo que consomem para o dar à luz não é conforme ao plano que planeou estes planos.
Porrada

Não sei se lhe hei-de chamar clinic, atelier, workshop ou arraial de porrada.
Parece-me, não sei por quê, que a última fórmula é a mais adequada para a minha sugestão.

A qual é:
Considerandos – tendo em conta:
1) a continuada ocorrência de distúrbios e confrontos com e entre claques de clubes de futebol que geram perturbações da ordem pública, propiciando o cometimento dos mais diversos actos criminosos e violentos;
2) a despesa que o erário público tem que suportar em operações de manutenção da ordem para obviar às situações acima referidas;
3) a necessidade de efectuar periodicamente exercícios de simulação de emergências que testem a resposta dos meios de socorros e assistência a grande número de feridos;
4) a necessidade de efectuar periodicamente exercícios de simulação de ocorrências que testem a resposta dos meios policiais na contenção de multidões;
5) a necessidade de demolir edifícios ou qualquer outro tipo de construções que constituam risco público;
6) quaisquer outras boas razões que aduzir se possam para dar mais força aos considerandos,

Sugiro:
Que, de acordo com um calendário a definir por regulamento e de acordo com as conveniências que em cada ano possam parecer as mais óbvias,
Se promova uma série de eventos (clinic, atelier, workshop ou arraial de porrada) com as claques de futebol.
A saber:

a) Com uma só claque (também esta opção se poderia chamar arraial de porrada, pois não é certo que no entretanto não batam uns nos outros):
1) Demolição de construções cujo estado constitua risco público;
2) Arremessamento de pedras em locais onde uma regularização ou enchimento com brita ou cascalho se verifique necessário;
3) Outros que sejam boa ideia.

b) Com duas claques:
Batalha campal em local devidamente cercado, para o qual seriam estas conduzidas em transporte apropriado, sem vidros ou aberturas que possibilitassem o contacto visual com o exterior (era mais para não partirem os vidros e isso).

c) Com três ou mais claques (há mais de três que façam estrago?):
Um tudo ao molho, nas mesmas circunstãncias do caso anterior.

Com qualquer uma destas opções, se faria um excelente aproveitamento da energia que as claques utilizam agora para estragar o que não é para estragar, enquanto se exercitariam os ditos serviços de socorro e assistência bem como as forças policiais.

Num outro plano, de resto já aqui mencionado, eu que não sou de citações, recorro desta vez ao Embaixador José Cutileiro, que meses depois do meu post, na sua coluna “O Mundo dos Outros” no Expresso (suponho que de 25 de Julho, que como sabemos, é o dia da Batalha de Ourique), escrevia:

[...]
Esperemos que a determinação britânica de ganhar aquela guerra se mantenha - e seja contagiosa. O Reino Unido gasta a sério em defesa e - logo seguido da França - tem as melhores forças armadas da Europa. A avaliar por claques de futebol suas à solta em cidades do continente, talvez bater de vez em quando em estrangeiros lhes esteja na massa do sangue. Mesmo povos que não gozem de tal dom, porém, terão rapidamente de acordar do torpor e de meter mãos à obra. É tarefa pelo menos tão urgente quanto combater o aquecimento global.

Talvez treiná-los, enquadrá-los e mandá-los para o Afeganistão.
E há também a tal hipótese de os usar para produzir energia daquela dita renovável. Aos socos e aos pontapés a aparelhos pintados das competentes cores. Mas isso parece mais difícil.

19/03/2010

Argumentos estranhos

À justa interpelação do deputado José Lello sobre o voyeurismo dos fotógrafos em relação ao conteúdo dos écrans dos computadores dos deputados respondeu o presidente Jaime Gama que os computadores eram do Estado. De serviço.
A questão é que há uma irrelevância nesse argumento.
É claro que é suposto os computadores serem de serviço e por isso mesmo destinados ao trabalho dos deputados. Mas são pessoais.
E por isso mesmo é que, entre outras coisas, não devem estar sujeitos ao escrutínio público, da mesma forma que não devem estar os rascunhos de um relatório, as notas sobre um documento, as mnemónicas e os esquemas que cada um utiliza para se organizar.
Ou será que a transparência vai ao ponto de se ter que conhecer toda a sorte de apontamentos que cada um faz no seu trabalho?
Quererão os fotógrafos mostrar a toda a gente o que contêm os seus cartões de memória?
Educação

Diz a senhora Ministra no Parlamento que nos territórios não-sei-quê, o rácio professor aluno é menor.
Que em circunstâncias normais é de cerca de 24 (se é o rácio professor aluno, então são 24 professores por cada aluno!).
Deve ter sido lapso.
A novela das seis

José depõe por escrito.
João vai buscar o depoimento aos serviços e fala com Paula.
Alfredo tem um furo no IC19 e liga para Ilídio, que está a ser escutado sem o saber.
Luísa levanta-se tarde, muda o cartão do seu telemóvel e liga para Ilídio, que está ao telefone com Alfredo e não a atende.
Marcelo fala com uma jornalista num corredor da faculdade.
Aníbal visita uma empresa de moldes.
Sérgio convida Fernanda para almoçar.
Na herdade de Luís e Isabel, Tiago cai do cavalo. Júlia liga para o 112.
Joana e Fá apanham o metro. Joana diz a Fá que acha que está grávida.
Marina chega do cruzeiro e liga a Paula, que está no serviço. Paula diz que já falou com Alfredo sobre as férias em Pipa.
A ambulância chega muito atrasada à herdade de Luís e Isabel, por alguém se ter enganado nas coordenadas introduzidas no GPS.
Tiago agoniza.
E nós também.

17/03/2010

Retribuição

O amigo Bic teve a atenção e a lembrança de fazer uma referência à primeira fotografia que tirei com a actual máquina.
Retribuo-lhe com esta que dá para comparar o actual Chiado com o de há quase 30 anos, em 1981. Tirada quase com o mesmo ângulo.

16/03/2010

Um abraço e um queijo da serra

Tinha há pouco quinze entradas no Google.
Passará rápido a ter dezasseis.

13/03/2010

PSD



Em tempos, os congressos do PSD eram o equivalente nacional à noite dos Óscares.
Santana Lopes, uma das estrelas (ou a estrela) com lugar cativo na passadeira vermelha, matou a coisa. Ao decidir-se por chegar ao topo a partir das bases.
O que de facto nem chegou a acontecer. Chegou lá por desistência. E perdeu depois as directas que disputou. Toda uma ironia.

Não sou, nunca fui militante do PSD. Nem de qualquer outro partido.
O facto de o presidente do PSD poder vir a ser primeiro-ministro é suficiente para que me detenha na observação deste e daquele.
Já aqui escrevi sobre Passos Coelho e sobre Rangel, numa altura em que o segundo estava longe de ser considerado candidato ao lugar.
Sobre o primeiro, tenho verificado que nos últimos tempos é geralmente considerado o mais bem preparado intelectualmente dos quatro candidatos anunciados, mas...
E este mas mais os ataques de que tem sido alvo, de todos os lados, parecem denunciar um receio qualquer que não é explícito nem o pode ser.
Sobre o segundo, Rangel, registo as contradições em que caiu embora o considere um tipo capaz.
Se o parlamento tivesse, distribuídos pelos diferentes partidos, 230 deputados com a bagagem de qualquer um destes dois homens, muito melhor estaríamos na certa.
Tenho de Aguiar Branco uma ideia mais parda.
E de Castanheira de Barros, nada posso dizer.

Quem mais haverá alinhado à partida?
Não conto ir a Mafra este fim de semana.

11/03/2010

La main de Vata


imagem do site do SLB

Não fosse a mão de Vata e eu teria perdido uma aposta que de resto estava a ser instado a mudar face à transmissão televisiva a que assistíamos bem perto do Estádio do Luz.
O urro que então se ouviu antecipou, se a memória não me trai nesse particular, o alçar da mão aos nossos olhos.
Uma aposta que fizera com o mesmo companheiro de andanças, uns bons meses antes, à hora de almoço enquanto víamos na televisão do restaurante as imagens do tremor de terra em São Francisco. Era o dia 19 de Outubro de 1989 e eu apostei, não sei por que ideia luminosa, que o Benfica iria à final da Taça dos Campeões e perderia.
A mão de Vata pôs a bola na baliza quase 6 meses depois, a 18 de Abril!
O Benfica foi à final e perdeu.
Hoje faz uns jogos (um jogo?) que isso foi.
Já lá vão 35 anos

Sobre uma história muito mal contada.


Primeiras páginas em Jorge Feio; Fernanda Leitão; Carlos Pina, “11 de Março: autópsia de um golpe”, APR, Lisboa, 1975
Cofragens

Gostava eu de saber qual é a evolução da taxa de acidentes com colapso na betonagem de pontes e viadutos desde que se começou a usar betão armado (ou simples) em Portugal.

Independentemente de ter sido isso ou não o que se verificou ontem na A4. Dizem que sim mas as imagens que vi estão longe de ser esclarecedoras.


espólio Campos Vilhena, foto de MSS, 1956

10/03/2010

A Santa Oposição

Estando o país como está, a Santa Oposição em vez de atacar onde é importante e ajudar onde é necessário, anda a alinhar gente para ser ouvida nos Estaus, digo em São Bento.
A propósito de nada e de coisa nenhuma.
Toyota USA

A série de incidentes com Toyotas que nos Estados Unidos tem sido relatada é, para além das causas, uma pouco inocente campanha e um repositório de imbecilidades tal que nos faz sentir ilusória e relativamente mais seguros na estradas portuguesas.

09/03/2010

Hoje sou portista



Nunca percebi qual era a preferência clubística do meu Pai.
A única coisa relacionada com futebol que me comunicou e ficou entranhada foi uma história passada num jogo do Futebol Clube do Porto.
Mas o moral da história estava longe de ser alinhado com uma preferência por este clube.
Mesmo assim, admito que a cidade e o ambiente o possam em qualquer altura ter influenciado nesse sentido. Mas não sei. Não soube, não saberei.
Admitindo que, por essa via, tenha adquirido um pouco de sangue azul e branco, as minhas próprias experiências não me encaminharam para a simpatia para com o Futebol Clube do Porto.
Mas nunca deixei de torcer pelo Porto nas competições europeias.
Fui dos que comemorei em Lisboa a vitória de 87.
Em 2003 e 2004 já não tinha vida para isso e ainda assim passei pelas ruas de Lisboa.
Previa a eliminação do Porto esta noite. Disse-o há dias.
Mas, mesmo recordando o passado recente em casa do Arsenal (4-0 na época passada) – coisa que parece que escapa à maioria dos comentadores – não esperava um balanço tão mau.
Hoje sou portista. E fico chateado com a derrota.

08/03/2010

Paternidade

Ouvi agora mesmo no tempo de antena do MDM, a propósito do Dia Internacional da Mulher, um apelo ao respeito pelos direitos laborais correlatos com a maternidade e com... a paternidade!!!
Ele havia coisas que eu supunha impossíveis.
Pecuum

Não vou acrescentar uma palavra às referências biblícas ao pastor e às ovelhas.
Apenas noto que os maus pastores castigam as ovelhas.
Efeitos especiais

Há um erro de construção lógica quando se quer mostrar as capacidades de uma televisão a cores através de uma televisão a preto e branco,
Há um erro de construção lógica quando se quer mostrar as capacidades de uma televisão de alta definição através de uma televisão de baixa definição (sendo que alto, baixo ou normal aqui são conceitos voláteis).
Há um erro de construção lógica quando se quer dar a ilusão das três dimensões sem que o receptor possua o equipamento necessário (que pode ser um vulgar par de óculos).
Em todas estas situações há erros lógicos elementares. E, todavia, que corriqueiras elas são.

07/03/2010

Legalidades jornalísticas

A propósito do acidente de aviação que vitimou duas figuras bem conhecidas da sociedade portuguesa, ouviu-se hoje repetidamente dizer que a pista era “ilegal”.
Estou longe de estar inteirado dos requisitos que são necessários para que uma recta alcatroada ou não, possa receber com regularidade aeronaves que careçam de pista.
Mas sei que se me apetecer nivelar e alcatroar uma recta com umas centenas de metros lá no monte, não haverá quem me detenha.
Tudo isto, no entanto, é absolutamente irrelevante quando um avião se despenha por causas que em nada se relacionam com o local de onde levantou ou onde irá aterrar, a acreditar nas notícias.
Ou não será?
Porque ele há ruas com dias e coisas que batem certo

mapa
07MAR

No fundo, é a serra de Sintra que bate certo com a data.
Alterações climáticas

Devem ser as alterações climáticas – diz que o lince se poderá reproduzir também em Grândula.
Que grândulas alterações...


Biosfera, RTPN, 7 de Março de 2010

05/03/2010

Das divisões do Mundo (episódio n+7)

O Mundo também se divide entre os que fazem equivaler a palavra jovem à palavra criminoso, desde que o ente em questão tenha menos de vinte e não-sei-quantos anos, e os outros.
Tragédia


Rio Tua em Mirandela, 2001

O caso de Mirandela é demasiado trágico para que se possa aproveitá-lo para isto ou para aquilo.
O que não se pode, antes ou depois dele, é escamotear o clima de desrespeito, de indisciplina, de ausência de temor das consequências, nas escolas. E fora delas.
E é também demasiado trágico para que os papagaios do costume, de microfone em riste, insistam em perguntar às pessoas se se trata deste fenómeno novo chamado bullying.
Triste gente esta, nascida ontem, para a qual o mundo todos os dias traz novidades. E em inglês.
Resumindo, casos destes sempre os houve, mais ou menos graves. Nunca foi necessário ir buscar palavras inglesas para os denominar. Havia os calduços, as amostras, as cuspidelas, por aí fora.
O que é destes tempos, nem sequer sendo coisa recente mas apenas continuada, é a sua conjugação com a falta de respeito que a escola permite e até quase se pode dizer incentiva, o que origina que atinjam proporções diferentes. E a notícia que deles se tem.
Já Marçal Grilo, que foi ministro da Educação, citava no título de um livro, uma professora: “Difícil é sentá-los”.

04/03/2010

Memória

Na noite de hoje completam-se nove anos após a tragédia de Entre-os-Rios.
Cinquenta e nove pessoas faleceram nas águas do Douro no pior acidente rodoviário da história do país.
Na altura falou-se da dinamitação da ponte em 1919 durante o conflito militar que opôs realistas a republicanos.
Mas não me recordo de ter visto imagem alguma deste episódio publicada nos jornais de há nove anos.
Aqui estão duas, captadas pelo Sr. Vitorino Melo:


fotografias de Vitorino Melo, in Ilustração Portuguesa, II série, nº 682, de 17 de Março de 1919 (clicar para ampliar)

03/03/2010

Cabora Bassa

Estou um bocado curioso com os desenvolvimentos que possam responder à questão aqui formulada há três anos e tal - qual terá sido a vantagem para Portugal de vender a participação em Cabora Bassa?
Atropelamento

Começou hoje o julgamento da condutora que matou duas pessoas no Terreiro do Paço há mais de dois anos.
Desta vez já se conhece a identidade da senhora.
Coisa que bizarramente não se sabia há tempos e a que aqui fiz alusão.
Seja qual fôr o desfecho deste caso, sabe-se já que nada na lei impede a senhora de continuar a conduzir.
A menos que uma junta médica a dê como incapaz, calculo.
Isto aplica-se a esta senhora como se aplica a qualquer um que mate e estropie na estrada, ficando provando que tal aconteceu por sua única responsabilidade.
Não estou a dizer que é aqui o caso. O julgamento ainda não terminou. Só que é tão bizarro que os nomes das mortas sejam divulgados e não o nome de quem as matou, como permitir que alguma pessoa responsável por coisa semelhante continue a andar na estrada atrás de um volante.

02/03/2010

Conteúdo

Algumas considerações sobre os temas da actualidade:
A haver um canal de televisão que justificasse censura, seria decerto a ARtv.
O país ficaria impedido de aferir a qualidade modal dos seus representantes no Parlamento.
A notícia da provável criação de uma comissão de inquérito à forma como decorreu o processo de intenção de compra da TVI pela PT ou lá o que é que ela irá inquirir é uma acha mais para a fogueira da justificação da dita censura.
Digo isto porque tenho sido cliente do som de tal canal de tv. E o que ouço substancia a péssima ideia que tenho da qualidade intelectual dos sentantes do hemiciclo. Com raras e muito honrosas excepções, naturalmente.
Noto que, recentemente, nas audições da Comissão de Ética, se refere amiúde a necessidade de (ob)ter conteúdos.
De facto, a necessidade de ter conteúdos, conteúdo – basta-me o singular – deveria ser universal e óbvia. Pelos vistos, não o é.
Almejarei talvez estupidamente o melhor dos mundos. Julgo apenas que almejo um mundo político com menor número de incapazes. Só isso.
A sanha da oposição em atacar Sócrates com assuntos menores e sem ponta por onde se lhe pegue é o espelho da sua capacidade.
E a amostra da alternativa existente.
Pobre país, como dizia Pacheco Pereira.

28/02/2010

Remissão II



2-5 fora e 3-0 em casa dá apuramento.
Se o Porto não se apurar, como me parece que não se apura, face ao Arsenal, teremos Pinto da Costa a renovar com Jesualdo? Ou será já amanhã?
Impacto ambiental

Houvesse no tempo de Dom João V estas duas noções: a que se ganhou no reinado do seu filho sobre os terramotos e sua génese terrena e a que se adquiriu posteriormente de que a costa ocidental da América do Sul é muito propensa a tais fenómenos na sua extrema manifestação e teria Dom Luís da Cunha ousado congeminar a troca do Algarve pelo Chile?