07/02/2011

Coincidência

Aqui a ver uma reportagem sobre a reportagem premiada de Paulo Pimenta sobre a Linha do Sabor, quando deparo com esta foto:


© Paulo Pimenta

Há coisas que atraem a objectiva.


Estação C.F. do Pocinho © MCV, 2005

03/02/2011

Marte

Tenho uma ideia vaga de ouvir a papagaiada sobre um mínimo na distância entre Marte e a Terra no verão de 2003.
Vaga ideia que está de acordo com a minha particular ignorância do astro.
Mas o facto é que, em Portugal, esse verão de 2003 foi o verão não só das duas vagas de calor intenso mas também do surto dos blogues.
Este mesmo começou pouco dias antes dessa efeméride astronómica.
Terá sido por influência dos marcianos?
Por alturas do mínimo anterior, podia ler-se isto n’A Capital:


(clicar para ampliar)
O ano novo chinês

Diz a voz off na SICN que o ano novo chinês começa com a primeira lua cheia do ano!
Portanto, antes de ter começado, já começara.

31/01/2011

A vermelhinha



Como se a História se explicasse, se previsse.
Apostar às cegas, não apostar, pensar que se sabe onde está a vermelhinha.
Pensar que uma aposta qualquer que seja serve os nossos interesses.
Amanhã – como dizia o outro – estaremos todos mortos.

30/01/2011

Comprar o carro de

Há quase seis anos, o Expresso compunha a sua primeira página entre outros assuntos, com isto:


Expresso

Disse na altura que ir comprar um carro com qualquer um deles me parecia ser uma aventura especialmente atractiva. Ou disse algo mais bizarro.
Disse na altura que ser vizinho fosse de quem fosse, com qualquer um deles me parecia ser um insulto despropositado. Ou disse algo mais anormal.
Supondo eu seis anos depois, que é o tempo que eu normalmente levo a perceber os jornais, que, nos casos por mim avivados a amarelo em vez de “com” deveria estar um “de”, sucedeu-me ontem, e é por isso que isto saiu a terreiro, ter a oportunidade de comprar um carro em segunda mão de...
É claro que foi o meu velho amigo que me chamou para me dar conta de que ainda não tinha a encomenda para mim mas que tinha aquele.
Para prova, não mostrou senão uma fotocópia do BI da pessoa em causa. A pessoa em causa ainda não tem portanto cartão de cidadão.
E eu julgo que apesar do muito instrutivo pequeno buraco no tapete, cerca de um pé atrás do pedal do acelerador, a pessoa em causa tem todo o aspecto e também a reputação de ser alguém a quem se pode comprar um carro.
Tenho que acreditar no meu amigo. Que não me mostrou um documento em que àquela matrícula corresponde o nome de tal proprietário.
Como podem calcular se seguiram o segundo link, há anos e anos que estou comprador e não me resolvo.

28/01/2011

Ainda não perceberam mesmo

Recebi do meu velho amigo Isabelino Abreu dos Anjos a missiva que segue e que é melhor verem ampliada, nela clicando, caso a queiram ler:



Eu próprio tinha dado pela coisa, visível que está no Telejornal de hoje, segunda parte, aos dois minutos e picos.
Depois disso, ainda continuei a ouvir uma série dos tais que não perceberam a dizerem, com toda a naturalidade, que não sabiam o número de eleitor.
O meu amigo Isabelino, usado como mau exemplo à sua revelia, é que, como ele diz, não é burro como eles.
Já não há ZLAN como antigamente



Um porta-aviões movido a energia nuclear no Tejo e não há baderna!
Os ZLAN andam apáticos ou eu ando mal informado.
Isso de haver armas nucleares a bordo era, no tempo deles, um pormenor sem importância.
Hoje não sei.
E ainda não perceberam...



Ouvi ontem uma nova e ainda mais estúpida – que os cartões de eleitor também foram destruídos aquando da obtenção do cartão de cidadão.
Que o cartão de eleitor não tinha nem nunca teve utilidade alguma para além de conter o respectivo número todos sabíamos. Ou devíamos saber.
Certa vez, há muitos anos, numa assembleia de voto em que indiquei o número respectivo sem apresentar o cartão, vi-me na contingência de ter que explicar à presidente da dita que o tal cartão era uma inutilidade legal e técnica.
Que tinham destruído tais cartões ouvi pois ontem. Não sei se é verdade mas se eles para nada serviam, nada se perdeu.
Esqueceram-se foi, pelos vistos, de dizer às pessoas a quem destruíram tais cartões que o que contava era o número, saber o número, nem que fosse apontado num papel pardo.

No meu caso, como aqui já referi, não só ninguém me pediu o cartão de eleitor para ser furado e inutilizado como me enviaram não uma mas duas cartas idênticas a indicar-me o novo número de eleitor, uma vez que no meu caso, havia uma alteração de morada.
Isento pois, no meu caso, de responsabilidade e culpa a administração.

Entretanto, há também quem diga que o número de eleitor era também para extinguir.
Espera-se que, ao fazê-lo, tenham consciência das alterações que isso provoca na elaboração e actualização dos cadernos eleitorais. Particularmente nas freguesias populosas que é onde está o busílis. Nas terras pequenas, toda a gente se conhece e há mais expediente.
Duvido, porém, que essa consciência exista. Pelo exemplo em análise.

É que continuo a achar que ainda há muita gente com responsabilidades que não percebeu o que aconteceu.
Já não vai perceber.

27/01/2011

A nesga de Cristo

Ali ninguém crê.
Naquele quarto hospitalar onde a vida reage sedadamente à agressão que ela própria se inflingiu.
Ela nunca saberá que ele se sentou, ao comando dela, frente à nesga de Cristo.
Ele só o soube, horas depois, quando o silêncio do quarto e a escuridão da janela lhe mostraram, pela estreita nesga das cortinas, pela muito estreita nesga das cortinas, o monumento iluminado. Enquadrado, aresta com aresta, limite com limite, com a estreita, muito estreita, nesga das cortinas.

25/01/2011

Dois anos com ruas

Foi a 25 de Janeiro de 2009 que iniciei a colecção das “Ruas com Dias”.
Decorridos dois anos, há nela 164 placas correspondentes a tantos dias.
E há 331 dias do ano dos quais julgo ser possível encontrar a respectiva placa em Portugal.
Daqui por dois anos tenho portanto a obrigação de ter completado as possíveis.
Quanto às outras, depois se verá.

24/01/2011

Algumas notas sobre a eleição presidencial

Mr. Gaston Smith ousou apostar contra mim na percentagem que teria Manuel Alegre.
Fê-lo, no entanto, sob reserva mental, com o único intuito de nos juntarmos para uma jantarada quando ele aportar por terras de Portugal.
Significa isto uma de várias coisas:
Ninguém lê este blogue – coisa que eu sei que não é verdadeira. Tenho provas materiais de que há quem o leia.
Ninguém que lê este blogue se interessa por apostas.
Ninguém que lê este blogue e se interessa por apostas achava que Manuel Alegre granjeava maior percentagem de votos do que a que obteve há cinco anos.
Ninguém que lê este blogue, se interessa por apostas e achava que Manuel Alegre granjeava maior percentagem de votos do que a que obteve há cinco anos, tinha algum interesse em terçar facas e garfos com o seu autor.
Pois bem, Alegre ficou abaixo dessa fasquia e eu vou palmar o jantar a Mr. Gaston Smith, tão cedo ele aporte.

Ainda hoje ninguém percebeu o que aconteceu ontem, no caso do recenseamento.
Ouvem-se os mais rotundos disparates para descrever o que se passou. Eu escrevi descrever.
E o que aconteceu foi que existiu um número considerável de gente que não sabia o seu número de eleitor. E um número considerável de gente que desconhecia o seu local de voto.
E um sistema incapaz de responder a estes problemas.

Comecemos pelas causas:

Ponto um – gente que não sabia o seu número de eleitor.
Não faço ideia se foi este o problema mais significativo.
Mas aqui começa a incompetência técnica. Começa quando se percebe que se levou muita gente a pensar que o cartão de cidadão dispunha de informação sobre o local de voto e número de eleitor, isentando assim a pessoa de o saber.
Ou seja, que tendo um cartão com chip em algum lugar haveria forma de inserir o cartão e obter a informação. Ou qualquer coisa mais mágica.
Isto evita-se chamando a atenção para o facto de essa informação ser errada e que a detenção do cartão de eleitor* que ostenta o respectivo número continua a ser necessária.
Tal como, quando é caso disso, se deve chamar a atenção para a reorganização dos cadernos eleitorais e consequente alteração do número de eleitor.

Ponto dois – o texto que se encontra disponível no portal do cartão de cidadão não diz que ao obter o cartão de cidadão se altera automaticamente o número de eleitor.
Diz, isso sim, que a alteração de morada provoca de imediato a alteração óbvia do local de recenseamento e consequentemente do número de eleitor e deixa antever que o recenseamento eleitoral passa a ficar dependente da morada, coisa que não acontecia com o bilhete de identidade, a menos que fosse solicitada pelo próprio.
Só mudam de número de eleitor e local de voto as pessoas que tinham antes um local de voto que não correspondia à morada oficial.
Ora isto supre-se com a informação vincada de que deverá aguardar uma correspondência da junta de freguesia com a indicação do seu novo número de eleitor – coisa que aconteceu comigo. E depois averiguar do local onde vota, coisa que todos devemos fazer quando mudamos de morada.
Ou que, não recebendo tal carta, será necessário deslocar-se à junta ou a outro local a indicar, caso exista, para receber essa informação.
Excluem-se os casos em que a freguesia resolveu alterar a localização das assembleias de voto, que suponho sejam em número insignificante.

Tudo isto se pode fazer com uma campanha visível nas televisões.
E pode ainda corrigir-se com uma listagem alfabética disponível em locais convenientes. Com tanto dinheiro atirado à rua, não seria por aí que iríamos empobrecer mais.

Ponto três – a resposta do sistema.
Ouvir, como ouvi, que o sistema tinha previsto o problema mas que a previsão tinha sido ultrapassada é, no mínimo, um insulto que quem tal diz desfere a si próprio.
Como o engenheiro que se desculpa por não ter previsto o vento de 140km/h mas o de 90km/h. Mas previu.
Esta é a afirmação proferida. O caso pode sempre ser assim, de erro ao prever. Ou pode ter sido de previsão certa mas de erro no dimensionamento. O resultado final é o mesmo e a causa a mesma – incompetência técnica.

Aqui chegados, verifica-se que quem gere o sistema, espalhou-se ao comprido.
Não sei se aprenderá a lição, pois este caso já se adivinhava desde 2009. Nessa altura com uma dimensão muito menor, por razões óbvias.

Depois há os tontos que comentam, que falam em falhanço das tecnologias (uma palavra que me fere os ouvidos, quando precedida do adjectivo novas) sem terem percebido o que de facto aconteceu.

*é melhor isso do que dizer que basta apontar o número.

23/01/2011

O meu boletim


a ordem dos factores não é arbitrária, mas em nada se relaciona com a ordem dos boletins oficiais.
Incompetência técnica

O caso das confusões com os números de eleitor, cartões de cidadão e cadernos eleitorais é uma mera questão de profunda incompetência técnica de quem tem a responsabilidade de organizar um acto eleitoral.
Burrice – como se dizia antigamente.

22/01/2011

Coisas que os antigos diziam de outra maneira - sentença segunda

Uma medida da idade é a frequência com que as nossas histórias, reais e inventadas, nos rebentam na mente como episódios de amor mal resolvidos.

20/01/2011

Coisas que os antigos diziam de outra maneira

Depois de construíres uma reputação, ela paga-te, destruindo-te.

17/01/2011

O anspeçada fotógrafo

Verifica-se que, desde a minha despromoção a anspeçada no final de 2006, o número de fotografias tiradas diminuiu.
O valor do ano de 2005 refere-se a cinco meses.
A azul claro, um valor médio ponderado para o ano inteiro.
Se em 2011, como espero, recuperar a minha condição de cavaleiro, isso reflectir-se-á no número de fotografias?
A ver vamos – por um óculo. Por um diafragma.

16/01/2011

Céu de 19000



E outras histórias.
A materialização de sete sonhos ali, na mesa do fundo, entre a juíza e a espanhola perdida em Trás-os-Montes.
De origem perfeitamente definida.
Boa tarde sou eu.
E assim foi. Sob o céu de 19000.

13/01/2011

Balanço do ano

Espero que o Brasil tenha fechado já o ano de 2011 no que concerne a catástrofes.

11/01/2011

Notas de viagem



Que não se fale da azeda troca de palavras ali ocorrida pouco antes.
Não se tratava senão de uma sala de viagem.
Por ali me deitava numa divã encostado à antepara de vante.
Quando a paisagem lá fora escureceu a uns milhares de pés de altitude, o meu espanto foi apaziguado pelo esclarecimento de um passageiro habituado – é o túnel de verificação de sinais, faz um espécie de check-up à aeronave, a meio do Atlântico.
Quando de imediato uma volta apertada e descendente terminou numa aterragem na ilha, calculei que o avião chumbara no teste.
Enganei-me.
Era uma paragem para desentorpecer as pernas e comer o farnel.
Estranhei que o caminho para o Brasil tocasse os Açores. Mas comi a sandes na mesma.

10/01/2011

Break-even

Tenho pensado nisto ultimamente.
Quando devo eu parar de comprar livros, por me ser já impossível lê-los?
Diz o INE que a minha esperança de vida é de 31,8 anos*, média que aliás eu fiz, e não o INE, combinando o local de residência com o de origem.
Isso dá, pela dita média, 1654 semanas.
Há dois anos e meio que me dou ao trabalho de ir tombando os livros que compro e os que vou lendo.
Verifico que, desde essa altura, leio cerca de 1,8 livros por semana.
Minoremos isso para 1,5.
Se me mantiver em estado de manter esse ritmo de leitura, ainda dá para quase 2500 livros.
Dos tombados, tenho cerca de metade disso para ler. 1222 neste preciso momento.
Dos que tenho nas estantes sem estarem registados nem lidos, creio que umas centenas.
Estou portanto na fase de só comprar muito criteriosamente.
Ainda dá tempo para os ler todos, espero.

Entretanto, já depois de ter alinhavado estas palavras acima na sexta-feira passada, tive tempo para arrematar mais 35 deles.

* Adenda em 12 de Janeiro de 2011 – não sei como é que cheguei a 31,8 anos quando o resultado é 26,7. Suspeito que troquei as contas por um palpite. Chumbo em ciências exactas.

09/01/2011

Surpresa

Quando se diz que se está surpreendido por uma revista, qualquer que ela seja, levantar um problema da governação de um país, qualquer que ele seja, sem que tal problema tenha sido debatido nas devidas instâncias, isto revela o quê?
Isto não é uma atitude semelhante à que condena ou diz não entender os mercados? – em suma uma ocasião em que mais valia nada dizer.

08/01/2011

Uma era

A SIC Notícias começou a emitir há dez anos – não falam por lá de outra coisa, hoje.
Independentemente do meu juízo normalmente negativo do jornalismo, causado pela impreparação de muita gente que aparece a papaguear coisas que não entende, a caracterizar coisas que desconhece e a empolar nadas, é positivo que haja um tal canal de televisão e os seus congéneres. Fará talvez com que deles saiam no futuro profissionais mais preparados, dadas as exigências que presidem a um canal de notícias, diferentes das que geraram grande parte dos profissionais de agora.
Mas com eles acabou uma era. A da televisão generalista e gratuita. Gratuita se fizermos um esforço para esquecermos a antiga taxa de televisão e a contribuição áudio-visual que ainda hoje se paga para o serviço público.
O que resta dessa televisão é pouco mais do que refugo, para não lhe chamar coisa pior.
Um equador



Um equador separa dois mundos - a face oculta e o lado solar. Para lá dele todos os locais distam de cada um de nós, no pólo pessoal, mais do que qualquer um dos que ficam aquém.
No nosso pólo, deitados na horizontal, caminhamos erectos sobre um ponto desse equador.
Assim nos deitemos de cabeça à roda, assim circularemos sobre tal linha.
Que cada um saiba onde passa o seu equador, dado o pólo onde escolha deitar-se.

Talvez ainda volte a falar do meu, dos sítios por onde passa.

07/01/2011

Percentagens



A título de curiosidade, o número de votos recolhidos e as respectivas percentagens pelos presidentes reeleitos:




1980 Ramalho Eanes 3262520 56,44%
1991 Mário Soares 3459521 70,35%
2001 Jorge Sampaio 2401015 55,55%


dados da CNE*

* embora o número de votos apenas conflitue com os dados do antigo STAPE, a fórmula de cálculo das percentagens, diversa de organismo para organismo, dá valores diferentes aqui e acolá.

06/01/2011

Duas notas com ano e meio

[...] Sobre isso já disse o que disse, mas cabe ainda acrescentar que, sendo leitor do Expresso desde 1973, apreciei devidamente a arrogância publicitária do BPP na Revista do dito ao longo dos anos (alguém já terá enumerado os colaboradores voluntários de tal publicidade?).
Fiquei, talvez por não ser parte do público-alvo da coisa, quase desde o primeiro momento, com a devida erisipela ao ler as notas à margem dos textos dos convidados. [...]

aqui, em 9 de Junho de 2009

Finalmente, alguém se lembrou da lista dos que fizeram propaganda ao BPP.

Alguém dizer agora, como disse Manuel Alegre, que não sabia para que serviria o texto que escreveu, não abona nada em seu favor.
Tal como não abonava a seu favor então e agora, a declaração de Cavaco Silva que tinha (tem) perdido muito dinheiro com as suas aplicações financeiras.

Diz o Presidente da República que está a perder muito dinheiro com as aplicações das suas poupanças. [...]
aqui, em 3 de Junho de 2009

04/01/2011

A burra de Wim Wenders

Tenho uma certa predilecção pelos filmes de Wim Wenders, é certo.
Não contava, porém, ver-me a braços com uma burra teimosa pertencente a um dos meus velhos amigos, figurando esta – que não eu - num filme do dito.
Tanto andava por ali, cavalgando-a em pêlo, apenas com uma corda a jeito de rédea, como via do alto a sombra de alguém sobre o caminho, a puxá-la.
A sombra, apenas. A que se acrescentava a da sirga muito para além das mãos da sombra.
No final, havia um almocreve escondido, com carroça e tudo, dentro de um retábulo.
O meu amigo foi lá acordá-lo, de má catadura.
De Wim Wenders, nem o rasto.

03/01/2011

Acordo ortográfico

Pertenço ao número dos que consideram indiferente a adopção ou não adopção do acordo ortográfico. Só por si.
Já as razões geralmente invocadas para a sua celebração sempre me pareceram equivalentes a grosseiros disparates.
Não me recordo de uma única que fizesse algum sentido.
Mas a escrita assim ou assado não é relevante para mim. Vou continuar a escrever como me parece, demorando o meu tempo a adaptar-me, tal como demorei com a última norma que, entre outras coisas eliminou o acento grave em alguns advérbios de modo. Que foi a de que mais dei conta.
Não vejo razão para alguém se agarrar a uma ortografia em particular a não ser à que lhe é ensinada em tenra idade.
Para congelarmos a ortografia, qual seria o critério para a congelarmos com a norma de ontem e não com a de anteontem, do século passado ou de há quinhentos anos?
A RTP entretanto, para falar do assunto, apresenta este quadro:


imagem da RTP
Castro Marim, 1988

31/12/2010

Nós fora, quatro

Do ano

O ano fechará daqui a pouco por estas paragens e a minha “previsão” de 22 de Fevereiro passado terá sido “aprovada”.
Ainda que dias depois tenha havido um enorme terramoto no Chile e que o Paquistão tenha sido mais tarde em parte submerso.
Ficam assim para o almanaque do mundo a catástrofe do Haiti e para o nosso as enxurradas na Madeira.
Este foi ainda o ano em que a Lei de Murphy foi desafiada e vencida, na sua acepção distorcida e vulgarizada que eu traduzo por “se alguma coisa pode correr mal, então alguma coisa vai correr mal”. Ainda que (alg)uma e (alg)outra coisa possam ser diferentes.
Não correu nenhuma significativa coisa mal das inúmeras que poderiam ter corrido mal no caso dos mineiros.
Há uma esmagadora maioria na imprensa a classificar a catástrofe haitiana e o resgate dos mineiros como acontecimentos do ano.
Parece-me rara esta maioria. Que só acontecimentos esmagadores – como o maremoto de 2004 – conseguem suscitar.
Ainda que esse tenha ocorrido quando muitos balanços já estavam feitos. Acabaram por ser implicitamente ultrapassados.
E continua o clima de pessimismo ocidental. Cada ano será pior do que o anterior.

30/12/2010

Lula


imagem do site da Presidência do Brasil

Acabei* de verificar que o nome completo do Presidente da República Federativa (dos Estados Unidos) do Brasil é Luiz Inácio Lula da Silva.
Até hoje torcia o nariz a quem me afiançava que Lula não era nome de guerra mas sim apelido oficial. Sobrenome, à moda brasileira.
Parece que algures no tempo o homem acrescentou oficialmente a alcunha (afinal, o apelido) ao nome.
Claro que isso nada importa para o caso.
Lula vai deixar o cargo com altíssimos níveis de popularidade, ao que diz a imprensa. Ponto.
O que é que faz de um político um bom político? Entregar o país com nível modal de conforto superior ao que com que o recebeu. Seja lá como isso se mede. Mas decerto que se pode medir pela opinião que cada um dos cidadãos dele tem. Seja lá como isso se verifica.
Lula parece ter sido assim um bom político. A História dirá, ou não – por ela mesma a História ser o que é, a que ponto o foi.
Para me deixar de relativismos, apenas acrescentarei que lá pelos meados da década de oitenta, em que eu circulava em meios que tinham acesso a informação privilegiada em quase todo o panorama mundial, via diplomacia americana, se comentava que se alguma vez houvesse directas, Lula fosse candidato e ganhasse a presidência, haveria um levantamento militar.
Não houve.
O Brasil, em termos mundiais, ganhou peso. Se isso aconteceria independentemente de quem o governou, nunca se saberá.

*começado a escrever em 4 de Outubro de 2010

29/12/2010

Violação de correspondência

Para além da incompleta morada, indicando que a destinatária é pessoa do conhecimento geral, atente-se no ano a que se referem os votos – 2010.
Não faço a menor ideia de como nem por quê isto me veio parar aqui.

28/12/2010

Ninfetas

Agitado o dia, agitados os dias, ao lado ou entre uma Laura Ingalls que se entrevia fêmea e a própria imagem acabada do género.
Tudo afinal como se fosse a irmã mais nova, que nunca existiu, de um certo colega de escola primária.
O que me levou a rever alguns trechos da série.
Não há ali mistério nenhum. Tudo se confunde, apenas. Presente e futuro.


Melissa Gilbert em trecho da série encontrado aqui.

21/12/2010

O paradoxo da percepção

Na minha experiência, tenho verificado que as pessoas que mais falam em “perceber as coisas” são as que menos tendem a procurar fazê-lo.
Comummente, pretendem encontrar explicações e relações de causa-efeito em aspectos insondáveis do universo.
São, em regra, avessas a explicações lineares dentro de uma convenção – as mais simples demonstrações matemáticas ou decorrências de leis básicas. E pouco dadas a entender o funcionamento de máquinas simples.
Em contrapartida, os que mais se detêm nestas basilares divagações do espírito – tentar perceber o que é perceptível, rudimentar - são os que mais encolhem os ombros quanto às relações de causa-efeito em sistemas complexos, tais como o comportamento dos humanos.
É apenas a minha amostra. Nada mais do que isso.

20/12/2010

E duram...

É notável que o sotaque e a entoação PCP tenham sido transmitidos, de geração em geração, até hoje.
Já não falo do vocabulário. Nem da atávica defesa da Rússia, hoje capitalista.

19/12/2010

A negação da tricotomia em ti

Eu perdi mais do que tu.
Tu perdeste mais do que eu.
Este é um jogo de soma infinita.

16/12/2010

Caracol


21:00 de 16 Dez. 2010
(combinação de carta sinóptica e imagem de satélite das páginas do IM)
LP, onze mil e dezoito dias atrás



"O arco balseiro das esquálidas sensações extra-sensoriais não se demoveu de promover, pela segunda vez desde a execução de cinco de entre as térmites das influências cristãs da cristalização do décimo armão das hostes castelhanas, as hordas de vagabundos que pernoitariam.

No balseirismo indiferente das dimensões cinco, as imediatas conclusões que me aprouvem são de cariz temático, mais do que em milímetros, expressam-se em decâmetros de sociedades acabadas e de varandins de gladíolos em que debutam cortesãs.

A seriedade dos admoestadores só se equaciona em termos de deficiência aguda do funcionamento clitoriano em messes de oficiais. A suprema invocação de estes temas campestres, reveste-se quasi sempre dum carácter aperfeiçoado, já que Quasimodo, ele próprio, era corcunda ou propenso a ancilosar, já que por mais não seja, a sinusoidar.

Os preços por que me rejo são da tabela-mor de Fiscalizações e Fiscos e não dependem, por linha recta, de funções parágrafas ou de assimilações mais ou menos medianas. O efémero jantar d’anos remete, enfim, a população do pólo para exemplos bem mais remotos e dignificantes do que os que habitualmente fazem tábua rasa para tal gente."


LP, "Palavras de Dom Goda", 16 de Outubro de 1980



Ou como tudo isto me parece actual.

15/12/2010

Dicionário dos sentidos

Roubando a palavra do dia ao Priberam

Objectos

Algures, devo ter visto algo assim. Ou não.



Entro na fase da confusão entre a memória e a desmemória.

13/12/2010

Evolução social

Um indicador da evolução social dos últimos quase 38 anos pode ser o que a redacção do Expresso entendeu ao longo desse intervalo sobre quem era o seu leitor.
Na minha opinião, o Expresso destina-se hoje a um público muito menos culto, muito menos inteligente.
Seria interessante confrontar o conteúdo dos primeiros números com o dos últimos.
E também a forma como o jornal é publicitado. Aquela inenarrável campanha publicitária da entrevista a Rosa Casaco é um exemplo, ainda que pontual, da qualidade aonde se desceu.
Isto veio a propósito de eu ter ouvido há pouco aqui em fundo saiba o que 2011 lhe reserva, não seja apanhado desprevenido ou qualquer coisa do género.

12/12/2010

Inaceitável

Inaceitável foi o adjectivo que disseram ter o primeiro-ministro sueco usado para qualificar o conjunto dos atentados de ontem em Estocolmo.
Calculo que o homem não tenha dito tal coisa.
O que ele disse (nesta declaração) que era inaceitável era a falha de segurança – que um homem andasse às voltas em Estocolmo com uma carrada de explosivos às costas.
Mas isso...

adenda cerca das 18:30 de 13 de Dezembro: não sei se o homem não disse mesmo isso, em sueco.
Mortes legais

As mortes na sociedade actual dividem-se entre mortes legais e mortes ilegais.
Tem sido assim nos últimos anos. Nos últimos dias fomos bem lembrados disso pelos casos do lar da Charneca de Caparica e do desabamento em Almalaguês.
As causas, as responsabilidades, isso pouco importa. O que interessa é a legalidade, a licença, o conforme.
É um mundo em que a doidice é tida como normal. Diria mesmo mais, legal. E certificada.

11/12/2010

Aposta

Curto e grosso: aposto que Manuel Alegre fica abaixo dos 20,74%* obtidos nas presidenciais de 2006.
É haver alguém que queira terçar facas e garfos.

*nas minhas contas, tinha 20,72% tal como no STAPE - a fasquia é portanto essa. Mais do que isso pago eu o jantar. Não perco tempo a encontrar o gato.

10/12/2010

3-0

Eu só perguntei à minha habitual fornecedora de mercearias se era mesmo verdade isso que para aí diziam do açúcar.
A senhora à minha frente, dos seus três pacotes para os meus nenhuns, justificava-se:
“Até nem gasto açúcar, mas como sempre vem aí o Natal...”

07/12/2010

Notas do dia d’ontem

O dia d’ontem foi pródigo em coisas menores que deram à costa em catadupa.
Tivemos o desenterramento do caso Concorde, aparentemente consolidando a ideia há muito propagada de que as circunstâncias pesaram mais do lado do ambiente (a peça perdida na pista) do que do ente (o avião que levava três décadas de bons serviços, sem incidentes de maior).
O que leva a considerações sobre a bizarria da decisão de abate do Concorde, avião sem par na história da aviação comercial.
Um outro avião, qualquer que seja, quando submetido a determinadas condições adversas (não tem que ser uma determinada peça num determinado local da pista de onde levanta) não sofrerá danos que lhe causem o despenho?
Claro que sofre e claro que cai.
Depois, ainda no mesmo ramo, dos aviões, das peças e da bizarria, a queda de pedaços de um Boeing 777 da TAAG sobre Almada faz relembrar o banimento que a companhia sofreu dos céus da Europa, tempos atrás.
Pode não haver descaso gritante na manutenção – aquilo a que chamamos acidentes acontece – mas não deixa de suscitar de imediato essa dúvida preconceituosa.
Depois ainda chegaram os restos da polémica “a César o que é de César” mesmo que isso cause mal-estar geral.
Ou como aqueles que tanto brandem as bandeiras da “discriminação positiva” ficam com as costas à mostra.
Como se discriminar positivamente um sub-conjunto não fosse discriminar negativamente o sub-conjunto complementar.
Depois o caso da agenda.
Todas as estações de televisão descobriram o calendário de 2011 ao mesmo tempo! E fizeram-no com o habitual estrondo de quem descobre a pólvora.
Como se os feriados fixos não tivessem apenas sete dias para cair e os móveis não caíssem sempre no mesmo dia da semana!
Ninguém mencionou o facto, esse sim, notável de a Páscoa ser a 24 de Abril (a Páscoa oscila entre 22 de Março e 25 de Abril – estaremos para o ano quase no limite para o lado estival). Coisa essa que não acontecia desde 1859! Só a Páscoa a 22 de Março que não acontece desde 1818, é mais remota.
Quando era moço de escola, adverso que a ela sempre fui, um terceiro período curto trazia a certeza de um fim vizinho e a ilusão de um ano mais suportável.
Nem sei se ainda há períodos.
Depois ainda os ecos da fixação das taxas do IMI, relembrando que as câmaras têm muitas rotundas e alindamentos para fazer, muita t-shirt para mandar imprimir, muita porcaria e inutilidade em que gastar dinheiro.
O que mais destaquei no meu dia foi ter encontrado a porta da rua com o vidro embaciado do lado de fora.
Não só dando conta do valor da humidade relativa mas também do gradiente térmico entre o vestíbulo e o exterior. Estando naturalmente o exterior muito mais quente do que o vestíbulo.
Caso que nunca tinha presenciado aqui.
E que me levou a relembrar uma afirmação que aqui fiz há tempos – se há coisa que de facto dei conta de ter mudado no tempo foi o regresso nesta segunda metada da década dos dias frios com precipitação, que tinham andado arredados durante muito tempo.
É que vieram de novo este ano para logo a temperatura subir até me embaciar a porta!

06/12/2010

Agenda

Calculo que as agendas para 2011 tenham estado hoje à venda pela primeira vez.
O que desmente os meus olhos, pois vi há uns dias um atado delas numa papelaria.
E calculo isto porque em todo o lado se fala dos feriados e dos dias da semana a que vão calhar.
Até descobriram que o Corpo de Deus calha à quinta-feira!!!
Não ouvi nada sobre a sexta-feira santa. Mas calculo que também calhe à sexta. E o carnaval à terça.
Triste gente esta que parece que é licenciada.
Para isto.