25/11/2011

O esquecido terramoto de 25 de Novembro de 1941



No dia 25 de Novembro de 1941, pouco depois das seis da tarde, um violentíssimo terramoto ocorreu no mar a cerca de 460 milhas do Cabo da Roca e a uma distância quase igual das ilhas da Madeira e Santa Maria, nos Açores – cerca de 290 milhas de cada.



Este terramoto foi graduado na escala de Richter entre 7,9 e 8,4 e, de acordo com os dados que consultei, terá sido o sismo registado de maior magnitude no território nacional e mar adjacente.
Com esta magnitude elevada, apesar da distância, foi bem sentido em Lisboa.
No entanto hoje não figura nas habituais listas de sismos a que a imprensa deita mão. É um daqueles eventos apagados da memória colectiva a que só os especialistas se referem.
Desse ano de 1941 relembra-se o ciclone e a guerra.
É por isso que aqui deixo estes recortes de imprensa, a título de setenta anos contados:




(clicar para ampliar)

Diário de Lisboa, 26 de Novembro de 1941
Diário de Lisboa, 27 de Novembro de 1941
ABC Madrid, 26 de Novembro de 1941
ABC Sevilha, 26 de Novembro de 1941
La Vanguardia, 26 de Novembro de 1941

Fontes: Fundação Mário Soares (DL online) e hemerotecas de ABC e La Vanguardia

24/11/2011

Deleite

Camaradas, é sempre um deleite ouvir o Doutor Carvalho da Silva.
Feriado e mal pago


com a devida vénia ao Ephemera, ao Incertitudes e à CGTP e STAL.

Não sei se o dia 24 de Novembro não terá tendência a demorar-se como dia de Greve Geral. Dizem que não há duas sem três e depois de três seguidas há razão para se considerar uma série.
Devia o governo considerar esta hipótese.
É feriado, como pretende o trabalhador, e não é pago, como pretende o patrão.
Sendo feriado, dá aos trabalhadores algum descanso excepto aos que se dedicarem aos piquetes, impondo o feriado aos renitentes.
Não sendo pago, tem impacto sobre a produção mas não sobre a produtividade (hum).
E para além de tudo o mais faz bem aos fígados dos que se manifestam, gritando os seus impropérios e clamando por desiderata.
Claro que prejudica uns quantos desgraçados que precisam de se transportar ou de se tratar, por exemplo.
Mas nada que não se resolva.
Mais feriados destes resolviam em parte a questão que ora se debate se se há-de extinguir ou não o feriado de 7 de Junho.
Por mim extingue-se.

23/11/2011

Referências

Uma das coisas que eu calculava possível mas não sabia ao meu alcance era esbarrar literal e materialmente com um paralelo.
Foi o que aconteceu no momento em que tirava esta fotografia. Como se pode estimar pela presumida posição do ponteiro do velocímetro, a colisão foi a baixíssima velocidade.

22/11/2011

Praça pública

Ouvi uma jornalista referir que alguém teria dito que preferia que um certo processo judicial fosse discutido no tribunal e não na praça pública (coisa que me parece ser repetida amiúde).
A verdade é que não se pode impedir que a praça pública discuta a vida alheia. Tenha ela consequências sobre as vidas dos discutidores ou não.
Faz parte do mundo. As coisas são assim.
Ainda que se lamente que a imprensa, de uma maneira geral, discuta os processos em curso como os discutiriam duas ignaras comadres, é disso mesmo que se trata – de um lamento.
E os lamentos de pouco servem.
Coisas que os antigos diziam de outra maneira - sentença sexta

Uma surpresa é o choque com a realidade mal percebida.

21/11/2011

É automático!

Aquela rábula de não pensar como é que se faz o café porque é automático compete em imbecilidade com aqueloutra em que se dizia “Se elas [as árvores] andassem, como é que tinhas sombra?”
Será que a coisa foi estudada para um público-alvo, perdão, alvar?

20/11/2011

Espanha

Se Rajoy chegar, como dizem os heraldos, a presidente do governo de Espanha, a Espanha terá literalmente um governante que caiu do céu.
Não acredito que isso modifique seja o que fôr na linha de rumo que ali se segue há décadas em paralelo com Portugal. Mais PS menos PSOE, mais PP menos PSD, tudo desagua onde se vê.
Rimou.

19/11/2011

Proibições



Não haverá ninguém que ache ridícula e inútil uma proibição de alguém contactar outrem quando ambos têm interesse nesse contacto?

18/11/2011

O Fado

O fado do Fado é ser Fado. Nada mais do que isso, creio eu.
A campanha que vai agora em procissão de tornar o Fado em património da humanidade é, aos meus olhos, uma recidiva de menor engenho do que a saga que Herman José protagonizou, com o seu fadista afamado e o companheiro Miltinho Neném, de tentar implantar em outro planeta o fado como canção nacional.
Se a memória não me pregou a partida era disso que tratava a saga (não encontrei nada na net). E era muitíssimo bem escrita e dita.
Esta campanha de agora, ao contrário daquela, que me proporcionou excelentes momentos de humor, é pífia e nada acrescenta a coisa alguma.
Esta coisa das coisas serem património da humanidade traz que benefícios? Fama? É difícil a fama brotar onde nada há que distinga uma entre tantas. É quase como o símbolo de material reciclável numa embalagem. Como dizia um velho amigo, se não há cão nem gato que não seja reciclável faz sentido é que se assinalem os que o não são.
Trará dinheiro? Ao fado em geral? Onde é que o fado tem os bolsos?
Desejo-lhes boa sorte e que se entretenham enquanto a coisa dura.

17/11/2011

Justiça e jornalismo

A maioria dos jornalistas que ouvi hoje a propósito do caso do rapaz desaparecido há 13 anos, afirma que se espera que se descubra o seu paradeiro ou o que é que lhe aconteceu através do julgamento que hoje se inicia de um acusado de implicação no caso.
O próprio advogado da família o afirma.
Estranha presunção num caso que se arrasta há tantos anos.
Presunção que em mim acentua a sensação de que o racionalismo atirado para o cesto dos papéis é coisa que se propaga vertiginosamente.

corrigenda ainda a tempo: talvez devesse ter escrito racionalidade em vez de racionalismo.

16/11/2011

Falhanços

Também de falhanços se faz o indígena.
Desta feita, junto logo dois e peço quitação de tal encargo.
Nem a selecção ficou afastada do Euro nem o número de furacões de grau igual ou maior do que 3 foi superior ao do ano passado.

Em 2010:

4 Danielle
4 Earl
4 Igor
4 Julia
3 Karl

Em 2011:

4 Irene
4 Katia
4 Ophelia
3 Rina

É preciso reconhecer os palpites errados e pagar logo as apostas para se ser assanhado, digo eu.

15/11/2011

Tântalo

Há, nos líderes europeus actuais, uma propensão para pensarem que os seus súbditos se submeterão ad aeternum ao suplício de Tântalo.
Outros que não eles vão ter nas mãos a resposta a tal presunção.


Alciato, “Livro dos Emblemas”, encontrada aqui

13/11/2011

Meridianos dias

Aqui há tempos defini aqui o equador pessoal.
Hoje represento-o. Válido, com este erro, para mim e para mais uns quantos.
Há dias que, de tão meridianos na essência, no simbolismo, suscitam estas alegorias.


traçado sobre o Google Earth

11/11/2011

Richter 10



Chegou-me há dias este livro. Estava para o comprar há uma catrefa de tempo mas só agora é que calhou.
Estou numa fase da leitura, ainda incipiente, em que se preparam os protagonistas para ir para debaixo do vulcão.
A coincidência do passo da obra com os desenvolvimentos recentes em El Hierro é uma fabricação minha como o são a maioria das coincidências. Elas estão em toda a parte, a todo o momento, só temos que as escolher e elaborar à nossa maneira, como quem colhe frutos de uma árvore e os descasca antes de os comer.


gráfico elaborado a partir dos dados do IGN de Espanha

A crise sísmica em El Hierro a que tenho dado atenção é, entre muitas outras coisas, também uma, mais uma, chamada de atenção para a imprevisibilidade dos fenómenos naturais.
Coisas que os antigos diziam de outra maneira - sentença quinta

A infelicidade adorna-se de argumentos.

10/11/2011

Porquê?

Aqui a ver esta coisa do Bom Português na RTP e depois da pergunta sobre a grafia correcta de uma dada palavra, no caso era objectivo, que pretendem ser agora objetivo, a pergunta era “e porquê?
Ora aí está uma boa pergunta e que eu devolveria de imediato a quem ma fizesse.

09/11/2011

Idade da informação

O que há verdadeiramente de novo neste princípio de século é a multiplicação da imagem.
Há inúmeros captores de imagens e facilidade na sua difusão.
E é isso que nos mostra, faz prova, de coisas que sabíamos de ouvir dizer.
A imagem da onda colhida na Nazaré tem ainda um factor decisivo associado – a escala.
Só o homem na prancha dá a devida proporção às coisas. Se ele lá não estivesse, a imagem diria quase nada.
E quanto ao que uma imagem pode dizer, já se trata disso há cerca de oitenta anos com algum acerto.
Neste caso, um belo exercício de geometria descritiva seria o de estimar um intervalo para a amplitude da onda.

08/11/2011

2005 YU55

Consoante a época, assim o barulho.
O asteróide que daqui a pouco zumbirá mais perto do que a Lua, não se fez acompanhar de grande escolta de arautos.
Há outros astros em disputa pelo lugar nas notícias.

06/11/2011

Inseguro é o Estádio Nacional

Já aqui referi várias vezes a enormidade que é dizer-se que o Estádio Nacional não é seguro, ao mesmo tempo que os pós 2003 são todos de uma segurança perfeita.
Não sei de nenhum que o seja tanto como aquele. A probabilidade de acontecerem ali acidentes graves é remota, dada a disposição, os caminhos de fuga e a inexistência de armadilhas.
Uma queda como a que aconteceu em Alvalade esta noite não seria possível ali. Não há desníveis assim ao alcance da populaça.
Mas o Estádio Nacional é que não é seguro. Porque uma vez entrou lá um cro-magnon e matou um homem.
Lisboa, 2009

Saberes

O grave é quando se amontoam coisas que julgamos poder perceber e não percebemos.
Fazer aquele julgamento parece ser coisa intuitiva.

04/11/2011

Prorrogação

Fui prorrogado há exactos quarenta anos menos umas horas.
Porque a esta hora despedia-me do mundo, entre os gritos mudos das luzes das ambulâncias que cortavam a noite, enquadrada naquela janela de hospital.
É pois ao miúdo à janela que me dirijo – nunca pensaste estar cá quarenta anos depois:
E que tal, pá?

03/11/2011

Apuramento

Dizem que o Sporting está apurado desde a 3ª jornada do grupo da Liga Europa.
Ora o grupo tem 4 equipas e 6 jornadas.
A única forma de uma equipa ficar apurada a meio do percurso, final da primeira volta, é gozar de um factor de desempate extraordinário que a ponha sempre acima das outras.
Será isso?
Ou será mais uma asneirada grossa?

adenda ainda a tempo: com um certo critério de desempate (prioridade aos pontos obtidos nos jogos entre equipas empatadas), é possível. Deu-me uma branca.
Leão d’Ouro

Torna-se confuso saber quem ganhou o Leão d’Ouro.



Composição intregrando elementos de:
http://www.therichest.org/celebnetworth/politician/president/nicolas-sarkozy-net-worth/
http://www.topnews.in/merkel-eases-stance-nationalization-industry-2108122
http://tvlowcostnetwork.wordpress.com/page/2/

02/11/2011

Inflexão*

Se as previsões estão, como eu pretendo que estão, a cada dia mais desacreditadas, isso deve-se a:
Uma maior massa de capacidade crítica absoluta – mais gente mais capaz de dar por isso a cada dia.
Um maior número de previsões e de fontes emissoras de previsões, que, ainda que não fazendo aumentar o número relativo de previsões falhadas, faz aumentar o seu número absoluto e a sua percepção.
Uma maior densidade de pontos de inflexão nas curvas estudadas e a predizer, que malogra os algortimos simples, baseados na derivada constante ou com pequenas oscilações.
Nenhum dos acima ditos.


*Homenagem a uma mente brilhante
Portugal, 2008

30/10/2011

Livros

Este era um livro que eu julgava ter nas estantes. Melhor dizendo, quando o comprei não pensava que já o tivesse lido e que me havia sido surripiado das estantes entretanto.
Não ligava a história ao título nem à capa. Sabia apenas que, na altura da compra, ele não constava das fichas.
A ideia que tinha da história centrava-se em dois pormenores: o das moedas iguais lançadas na máquina do tempo, uma para trás outra para diante, simbolizando a necessidade de massas iguais numa espécie de acção-reacção temporal e o do homem que poderia se ter encontrado consigo próprio – o que enfermava, na minha opinião nessa época já remota, de uma incompatibilidade conceptual decisiva.
Quando agora peguei no livro, só reconheci a história quando cheguei ao ponto das moedas viajarem no tempo.
Antes disso, uma coisa tinha-me impressionado: a expressão assinalada neste parágrafo:


E-book extraído daqui

O livro data de 1957. Devo tê-lo lido na década de 70. Nessa altura esta expressão era apenas uma entre muitas que compõem visões artísticas do futuro.
Como se vê, às vezes acertam na mouche.
Pesquisei e não encontrei nenhuma referência na net a este acerto.
Mais ninguém terá dado por ele?

29/10/2011

Depressão

Esta, sim, é uma previsão de depressão bonita.


carta do ECMWF via IM
12 ou 14

Outra discussão ridícula é a que gira em torno dos meses a pagar por ano.
Não tem qualquer tipo de relevância nominal, embora eu aposte que psicologicamente a maioria das pessoas preferirá ter o mesmo valor a dividir por 14 em vez de 12.
Na origem, isto teve significado. Passar de 12 para 13 salários. E de 13 para 14.
Agora, sem haver redução do valor auferido anualmente, é irrelevante.
Mas é de irrelevâncias que se faz o discurso dos tolos.
Misturar isto com o corte dos referidos salários nos anos próximos é fazer um bolo mal amassado de coisas diferentes, apanágio dos mesmos tolos.

28/10/2011

Genéricos

A renovada polémica sobre a prescrição de medicamentos genéricos é daqueles assuntos que só prospera num lodo de ignorância e pesporrência.
A questão básica é a transferência de valor das farmacêuticas para os medicados e para o Estado comparticipante ou entre farmacêuticas.
Saber se há diferenças substantivas entre medicamentos com o mesmo princípio activo é uma tarefa que qualquer criança leva a cabo desde que tenha ferramentas para tal. Havendo, um medicamento não deveria ser considerado homólogo de outro. É a lógica da batata.
Saber se uma farmacêutica pode ou não vender os seus produtos é uma tarefa das autoridades fiscalizadoras competentes.
Só a ignorância amalgamada em argumentos estéreis sustenta esta polémica. Polémica que carimba quem nela se arrasta.

27/10/2011

7 x 109

Não sei se a data simbólica em que supostamente se contariam 7 mil milhões na ecúmena é a de hoje ou não. Como se trata de uma data simbólica tanto faz.
Desde que por aqui ando, a população da Terra mais do que duplicou, dizem as estimativas. Foi a época da glória dos humanos. A Idade do Ouro.
Logo no início do troço que se apresenta recto no gráfico, se intensificaram os movimentos higienistas. Primeiro de uma forma generalizada contra a poluição e a destruição dos habitats, agora ameaçando com as catastróficas alterações climáticas que um deus irado há-de brandir.
Ora o busílis é a multiplicação dos seres.
E começa finalmente, quase a medo, a campanha decisiva – a do controle demográfico que previna a catástrofe inevitável, caso não colonizemos a tempo outros planetas.
Esse é o tema. Tudo o resto é secundaríssimo face às implicações de um crescimento contínuo da população.
Se prestarmos atenção aos discursos políticos do Velho Mundo, assolado por um envelhecimento populacional, veremos que aspiram pela expansão demográfica e não pela contenção.
Não faço ideia, tal como quem desenhou a curva futura deste gráfico, o que se seguirá. A ideia generalizada de que o mundo subdesenvolvido continuará a ter crescimentos demográficos significativos enquanto o primeiro mundo estagna ou decresce parece-me demasiado simplista e mera projecção com base na derivada actual.



Entrementes, a minha campanha que é também uma previsão do caminho que isto leva, ornou-me o bolso da camisa. Saiu à rua.

26/10/2011

Caminho

A estrada hoje não está para “meninos”.
Em pouco mais de 60km percorridos, um tipo estava de pantanas (a parte de baixo do carro parecia estimadinha) e dois outros cheira-cus passeavam os coletes fluorescentes.
Havia de tudo, calhaus enormes à espera de uma coquinada, lencóis de água corrente, ramalhos e folhas, areia e terra.
Gosto da estrada assim. Com perigos já suspeitados, como uma viagem no Comboio Fantasma.
Só o risco é que é maior.
Porque os "meninos" andem aí.

25/10/2011

Preguiça

Este ano de 2011 presenteou-me com uma mania nova. A de escrever muitas vezes com a folha ao contrário, como se à mesa do café quisesse explicar algo a quem está à minha frente, ou, nos tempos de magistério, na folha de um aluno deixar uma nota, estando para ele virado, à frente da carteira.
Basta para tal que a mensagem seja curta e que a folha já escrita esteja virada ao contrário. Faço-o automaticamente. Com cada vez mais frequência.

24/10/2011

Cabeças de vento

Quando ocorrem situações como a de hoje no aerogare de Faro, uma e pelo menos uma de três hipóteses se estabelecem como causa:
Ocorreram circunstâncias excepcionais para as quais a estrutura não foi calculada.
Houve deficiente cálculo estrutural.
Houve deficiente execução do projecto.
Ponho de lado a deficiente manutenção por se tratar de uma estrutura recente.
Os gráficos do IM, quer quanto a intensidade de precipitação quer quanto a velocidade do vento não se mostram compatíveis com a primeira hipótese. Mas pode ainda assim ter ocorrido pontualmente algo de excepcional.
Quanto a estas estruturas de cobertura ditas aligeiradas, tenho um preconceito – são vendidas em pacote com cálculo incluído para situações standard, tal como uma porta à prova disto ou daquilo. Não há depois quem refaça os cálculos para situações concretas.
E os casos ocorrem.
Às vezes morre gente.
Isto é um mero preconceito meu. Está longe de ser a realidade, antes de comprovado.

adenda cerca das 21:30: a situação excepcional a que fiz referência pode ter ocorrido.

23/10/2011

Ele há

Ele há quem saiba das coisas que lhe dizem respeito pelo Google Maps.
Não sei se é sinal de andar nas nuvens, pois se assim fosse veria o mesmo que a máquina que fotografa para o Google.

20/10/2011

Talião

Partindo do princípio nebuloso de que Kadhafi foi o instigador do atentado sobre Lockerbie, pareceria bem que o projéctil que o matou tivesse saído de um avião da RAF.
Nunca saberemos nem uma coisa nem outra.

Adenda (18:00 de 21/10): sabemos agora que a hipótese de ter sido um projéctil da RAF é de descartar.

19/10/2011

GPS

Quando aqui dei nota, há cerca de quatro anos, do que me suscitava a utilização de um aparelho de GPS, referi que preferia a cartografia militar do IGEOE aos mapas que normalmente informam tais aparelhos.
Não via então grande utilidade no vire à esquerda a 200 m e saia na segunda saída da rotunda a 500 m.
Ora foi justamente neste ponto que aceitei a coisa, acabando por me render condicionalmente.
Nunca precisei de mais do que um bom mapa em papel para me orientar em território incógnito. Em Portugal, os do ACP bastavam-me. E bastam-me.
Bastam-me desde que eu não ande à procura de uma rua cujo nome é uma data dentro de um povoado mais ou menos remoto.
Experimentei colocar as coordenadas das ruas que procurava e accionar o navegador dentro da localidade de destino. Sempre que não havia erro no Google, no Bing ou na base de dados incluída, a coisa funcionava naturalmente na perfeição. E estes erros são frequentes.
Depois, em terras próximas, permiti que me guiasse de uma a outra pelo caminho mais curto.
E foi aí que me dei conta que me deixara levar literalmente. Ao ligar o piloto automático, perdera a noção do espaço, a tramontana.
Para quem se habituou a um sentido de orientação muito pouco falível, a sensação de desnorte foi perturbadora. Como no limiar do sono, o desligar deste sentido, que bem pode e deve ser o sexto, embora seja subsidiário da visão e da audição, talvez do olfacto, fez-se sem aviso.
O Homem terá perdido e ganho sentidos e capacidades. Haverá ferramentas que contribuem decisivamente para a perda rápida de algumas destas. Pode ser que este aparelho se torne responsável por uma redução da acuidade na orientação.
Depois, fica uma parte positiva. Aquilo que eu por vezes fazia e que era marcar um trajecto efectuado num mapa a titulo de memória de jornada, ele dá-me já feito. É só preciso um mapa e uma folha de cálculo, despejam-se os dados e lá está a carreirinha. Mais, com horário de passagem.
No resto, terá a breve trecho a carta militar tal como eu pretendia de início.
E continuará a bordo, apenas para navegação de cabotagem, registos, e referenciação geral.


imagem do site do IGEOE

18/10/2011

Troca

A troca de prisioneiros entre Israel e os palestinianos, ainda que os detalhes e o futuro sejam desconhecidos, não deixa de dar a ideia do valor relativo que Israel dá aos seus homens vivos. Ideia que se repete com alguma frequência nestas trocas.
Os palestinianos, aparentemente, sufragam esta relação de muitos para um.

17/10/2011

Apostas

Em tudo aquilo que é, dada a caracterização racionalista possível e geralmente aceite, matéria de opinião e de palpite, gosto de, quando os dou, aos palpites, chegar o bolso onde chega a boca.
E faço-o sempre que encontro receptividade no circunstancial antagonista.
Há um ano e um dia atrás, fiz uma aposta a um ano de vista. Perdi-a pois ontem, por ter feito um cálculo demasiado pessimista da situação económica mundial.
Acho que o meu velho J.d’, apesar da memória de elefante que ainda tem, não se lembra desse lance que ocorreu enquanto discutíamos o conceito de tempo do barato.
Eu talvez também não me lembrasse se não tivesse apontado.

16/10/2011

7 de Junho

Fiquei a saber, pela boca de um imbecil da SIC N, que o dia de Corpo de Deus é 7 de Junho.
A asneira justificar-se-á, por ser o feriado municipal de Oeiras? E a sede da estação ser naquele concelho? E haver uma grande confusão naquela tola?
Não há naquelas redacções ninguém capaz, a este nível de pré-primária, que impeça disparates deste calibre?

15/10/2011

Agora querem o quê?

Os que acordaram tarde para o desmando, começam agora a fazer barulho.
Um pouco mais tarde do que o vaticinado pelo meu velho J.d’ há alguns anos.
Agora tornaram-se nos tais que são contra. São contra.
Como é normal nestas circunstâncias, não têm nada a propôr.
Quando têm, é que sejamos todos ricos, saudáveis e felizes.
Nem sequer um Seamos realistas y hagamos lo imposible se viu, se vê, se verá por ali.

13/10/2011

Continuo sentado à espera

Tal como aqui escrevi.
Dá-me ideia de que não tardará muito que a classe política perceba que de facto tem que se livrar com muita urgência do joio.
Sob pena de, a não acontecer, a sombra do Dente d’Ouro vir a pairar cada vez mais baixo.

12/10/2011

O homem que se perdia no caminho

Ando há dias para escrever umas linhas sobre o GPS.
Hoje ouvi um utilizador de BlackBerry queixar-se de que a falha que acometeu o sistema nos últimos dias o impediu de aceder ao GPS e assim se perdeu no caminho para o trabalho.
Não disse o homem se o seu trabalho era itinerante e por isso cada dia, cada caminho.
Não o disse. Mas disse que talvez o facto de ter ficado sem GPS o obrigasse a prestar doravante mais atenção ao caminho. Às coisas à volta.
Voltarei ao tema com a minha experiência.

11/10/2011

Campanhas

Se eu fosse de campanhas, para além da minha própria, afixaria agora ali no canto superior direito de quem entra, uma coisa que parecesse um autocolante assim:


imagem original do Canal de História
Aposta

Estava capaz de apostar que desta vez não vamos ao Euro. Falo da bola, não da moeda.
Ficar hoje já de fora, é pouco provável mas possível.
Ficar de fora na eliminatória a duas mãos que se seguirá (ou não) é o que mais me cheira.
Estava e estou mesmo capaz de apostar.


imagem daqui

10/10/2011

6%

A capacidade matemática dos jornalistas revela-se nestes detalhes.
Mesmo agora, na CNN, dizia-se que o preço médio de um quarto de hotel em Lisboa caíra, num intervalo recente, de 114 para 107 dólares (acho que eram dólares), o que dava uma queda de 6%.
Depois de papaguear a notícia, cujas contas estão certas, o jornalista disse que devia haver algum engano nas ditas contas.

09/10/2011

Encaminhar

Independentemente do resto, ponho-me aqui a puxar pela memória recente e longínqua para verificar o que eram as diligências que se faziam para encaminhar os eleitores para as urnas.
Sempre a bem da democracia, dizia-se.
Na Madeira é que isso não vale.
Os democratas atrapalham-se muito com a coerência.
Não lhes exijo eu que sejam coerentes. Colocam-se nessa posição quando a exigem aos outros.

08/10/2011

Falta-me a ciência e a paciência

Ouvi o Sr. Ministro Álvaro dizer que vai autorizar o estacionamento de veículos movidos a GPL em parques de estacionamento cobertos e dotar o país de uma rede de combustíveis de baixo custo.
Pareceu que isto era uma espécie de compensação para quem vai pagar portagens onde as não havia. A primeira, a ser uma tal compensação, é de um absurdo simples.
Mesmo que eu esteja enganado neste último parágrafo, pergunto:
Então essa coisa dos carros a GPL não estacionarem em parques cobertos (é claro que os cobertos subentendem enterrados ou em recinto fechado) não era uma medida de segurança?
Provou-se que é absurda? Que não faz sentido? Diz-se que depois de 2001 os equipamentos deixaram de constituir risco nesses locais. Isso é política ou ciência?
Quanto aos combustíveis de baixo custo, cheira-me a uma coisa equivalente aos genéricos.
O caso dos genéricos foi uma tentativa de transferir parte dos lucros das farmacêuticas para o bolso dos doentes. Não sei se as farmacêuticas no cômputo geral permitiram essa transferência. Mas custa-me a crer.
Aqui passar-se-á o mesmo? Ou será o Estado a subsidiar o preço dos combustíveis?
Na primeira hipótese, julgo que é uma questão equivalente à das farmacêuticas. Não acredito em benesses.
Na segunda, é o costume. É discutir se se paga com cartão de crédito, com letra, com dinheiro vivo ou em géneros.
Estes parece que afinal já perceberam que têm que vender a casa, o carro, a moto de água, os sofás e os talheres de prata desemparelhados. Mas continuam a conversa sobre como vão pagar as férias no Oriente.
Não há paciência nem ciência que os enquadre.

07/10/2011

Alberto João

A minha simpatia pela figura desgasta-se de cada vez que se percebe, das suas próprias palavras, a hipótese da secessão.
Não pertenço ao grupo dos que lhe batem agora depois de lhe haverem tecido encómios.
Continuo a achar que há a figura, a pessoa, e a caricatura que ela elaborou para uso populista.
O que vejo é que as duas, criador e criatura, se aproximam vertiginosamente. Como numa personagem de tragédia.
Palpita-me que não perderá a maioria absoluta no parlamento insular.
Mas a vida vai ser muito mais difícil, haja o que houver.


fotografia adaptada a partir desta

06/10/2011

Quebradiço

E nas proximidades da Real Fábrica do Gelo, o dito quebrou-se. No silêncio dos olhos.

04/10/2011

Paciência

Coisa, de entre muitas, para a qual a velhice me foi tirando a paciência é um diálogo de surdos.
Ou um debate em que as posições são como as de duas rectas não paralelas que não se cruzam no espaço. Uma em nada toca ou condiciona a outra, mas descabeladamente, os seus defensores mesmo assim esperneiam.


Nota: É claro que uma primeira recta dada no espaço condiciona uma segunda que lhe não seja paralela ou concorrente. Mal comparado, portanto.

03/10/2011

Provas

O abismo de que falei aqui há cerca de um mês, recebeu a certificação há pouco.
Aquela coisa de os de letras e os de ciências. Dizendo que os de ciências, regra geral, são capazes de concluir qualquer curso de letras. Já os de letras, regra geral, são incapazes de concluir qualquer curso de ciências.
E, sim, convém mostrar aos americanos que na Europa estas coisas são mais reversíveis do que por lá.
Ainda que eu não faça a menor ideia se justiça foi ou não feita.
Ainda que eu não faça a menor ideia do que é a justiça, destituída do Direito.

01/10/2011

Armagedão aboatado

Perguntaram-me se eu sabia do terramoto pré-datado.
Disse que não. Que não tinha lido ou ouvido nada na tradição dos grandes desastres naturais anunciados por heraldos.
Depois, lembrei-me da crise em El Hierro. Será que teria havido alguma alteração significativa?
Fui ver.


sismos em El Hierro desde 19 de Julho p.p. - imagem composta a partir de cartografia e dados do IGN de Espanha (clicar para ampliar)

Não admirará se o vulcão voltar à actividade em breve.
Mas predizer, só a Delfina. Aquela de Delfos. Ou seria aquele?

Adenda: o total da energia libertada nesta crise até ontem, se cingido a uma única ocorrência seria da ordem de 4,6 Richter.

29/09/2011

Quem é este gajo?

Pertenço ao grupo dos que olhando para os nomes da linha do Sporting ficam na mesma.
Depois, vendo o jogo, um grande plano de uma face suscita a pergunta: Quem é este gajo?
Sendo eu um incorrigível velho do Restelo, apenas peço que, no fim da época, os jogadores da equipa me façam lembrar dos seus nomes, das suas caras. Pelas melhores razões.

28/09/2011

Repetindo-me

Pergunto-me quantas pessoas desfilariam hoje caladas contra a situação.


imagem do sítio da Comissão Nacional de Eleições

26/09/2011

Qualidade

Há uma catrefa de tempo que venho recolhendo os extractos musicais que constituíram e vão constituindo a banda sonora perceptível da minha vida.
Dessa recolecção, extraio uma primeira lição que talvez não me devesse surpreender – as que mais difíceis se tornaram de apanhar, ganharam entretanto estatuto de principais.
A importância relativa de cada tema musical foi assim escrutinada por uma ferramenta que em nada releva para o estabelecimento original da escala.
É destas qualidades que se faz o mundo dos homens.

20/09/2011

Estancionamento



O ministro Miguel Relvas disse hoje (ouvir aos 48 segundos deste trecho, a seguir a uns berros parece que publicitários) que conhecia uma empresa municipal que se dedicava a gerir o estacionamento à superfície de uma dada zona e que tinha um passivo de 26 milhões de euros.
Se a empresa não gerisse o estacionamento à superfície, os contribuintes não pagariam de cada vez que estacionassem na concessão da dita e não pagariam nos impostos para pagar o estacionamento.
Este é o retrato do país de doidos em que nos convertemos.
Onde uns roubam, alguns contemporizam, uma grande remessa ocupa cargos de responsabilidade sem ter racionalidade para gerir um lugar de hortaliça e a esmagadora maioria começa finalmente a perceber que anda a ser roubada.
Mesmo que o roubo não passe de um prejuízo causado por mentes vazias. Que é o que se passa em grande parte dos casos.
Isto vai dar merda. Espressamente.
Natureza humana

Não sei como hei-de qualificar um tipo que estive a ouvir.
O tipo foi condenado à morte por homicídio, viu a pena comutada, ao que disse, por uma qualquer questão legal e está agora em liberdade. Que lhe permite aparecer num estúdio de televisão e dar opiniões.
Tudo isso são os dados.
O que é já do meu julgamento é a perplexidade com que o ouço dizer que, por não ter sido morto, pôde aproveitar a vida a ajudar outras pessoas e que pagou impostos no tempo que lhe deram.
Disse mais coisas. Do mesmo calibre, centrado no eu e nos satélites que o rodeiam.
Esqueceu-se, naturalmente, de falar nos impostos que a sua vítima não pôde pagar.
Não dá para rir, naturalmente.

19/09/2011

Direita alta

Eu, que não conheço Rui Carapuça, posso ainda assim afirmar que perturbei, involuntariamente, a rodagem do anúncio.
Mais, que me encontrava por mero acaso aqui nesta imagem fora de cena, ali pela direita alta a cavaquear com um velho e grande amigo, dono da vara e do sítio.


fotograma retirado deste documentário

16/09/2011

Surpresa

Talvez que, em termos formais, como diria um certo famoso arguido de águas de bacalhau, não se soubesse o que se passava na Madeira.
Em termos reais, só um cego d’alma não se aperceberia de que a bota não batia com a perdigota. O deve e o haver do livrinho.
Quando aqui me pronuncio absolutamente contra a regionalização é, entre outras coisas, por imaginar uma multiplicação destes cenários, bem patentes já, a outra escala, nos municípios e nas suas magníficas empresas municipais.

15/09/2011

Mini-stérios

Há muito referi aqui a questão dos ministérios e da sua estruturação.
Quando ouço quem quer que seja, falar em mandar pessoas em idade activa para a reforma, seja por extinção de postos de trabalho seja porque carga d’água fôr, sabendo que passamos assim a pagar um salário (reforma ou o que quer que lhe chamem e a quanto monte) a quem nada produz e poderia produzir, só me ocorre um adjectivo para o catalogar.
Não vale a pena repeti-lo.
No tempo dos índices

Ele ainda há coisas que me surpreendem.

14/09/2011

O cartão único do pobre

Um deputado da oposição, que não identifiquei, disse e bem que o actual governo vai no caminho de lançar um cartão único do pobre.
Esta discriminação dos pobres, que aliás é reconhecida pelo próprio governo, chamando-lhe discriminação positiva (nunca me conseguiram explicar em que é que o adjectivo modifica o caso) é um claro sintoma do que aqui já disse – há gestão, sim, mas falta política.
E eu até acho que o ministro das Finanças é um tipo capaz. A fazer contas. E com noção do que elas, as contas e as suas falhas, significam.
Só que isto vai para além das contas.
Há uns bons séculos, já havia o dízimo ou dízima. Ainda não dei por terem inventado mais justa forma de taxar o povo. Não tem que ser um 1 no numerador e um 10 no denominador. Mas igual em percentagem para todos. Não é preciso complicar mais do que isso.
E não envergonhar as pessoas.
Nem as roubar.

13/09/2011

Memória dos livros

Um destes dias, a caminho de Vila Nova de Milfontes, meti na mala o livro de Duchaussois que me recordava ter lido por lá no último ano de férias lá passadas de casa alugada, 1974.
Recordava-me particularmente do quarto onde o lia quase sempre à hora da sesta, antes de ir beber uma Canada Dry à esplanada.
Não fiquei lá nessa noite e descobri que a esplanada, a mítica esplanada da barbacã, é agora um parque de estacionamento!!!
O caso é que peguei no livro e reli-o longe de Vila Nova.
Fiquei confundido quando verifiquei que Duchaussois nunca passou por Alte nem por Torremolinos.
A memória pregou-me a partida. De facto, li a “Viagem...” nesse Agosto de 74. Não há disso a menor dúvida.
Não sei é quando li “Os filhos de Torremolinos”. Mas calculo que tenha sido nesse ano também.
Mais um para a lista dos livros que me faltam.


capas retiradas de livrarias online

12/09/2011

Clarabóia



Há uma pequena história de Nancy Kilpatrick a que foi dado, na tradução portuguesa, o título de “A Clarabóia”.
Não faço a menor ideia se este título foi escolhido antes ou depois de Saramago ter nomeado a sua obra póstuma, que hoje me foi dada a comprar por uma livraria que me manda cartas electrónicas. Se o escrevo, é porque notei demasiadas vezes que os títulos das suas obras encalham noutros.
Adiante.
O caso é que, desde o dia em que ouvi Pilar del Rio descrever os traços gerais do livro, ao que parece inacabado, que me ocorreu que poderia preencher a falha literária que aqui enunciei há quase três anos.
Será que corresponde a essa expectativa?
Será que existe já uma obra que trate do tema?

11/09/2011

10 anos atrás

Do dia de há dez anos atrás, guardo uma memória que é hoje contrariada pela corrente do rio – a de que o rácio entre os que diziam que era uma tragédia e um crime que merecia castigo exemplar e os que achavam que, sendo mau, era uma coisa que os americanos estavam mesmo a pedir, era mais ou menos de meio por meio.


Fotografia de James Nachtwey via CNN