10/01/2012

Dignidade


imagens da RTP

Aquilo a que se chama o edifício da Justiça, independentemente das salas que o constituem, é habitado por seres cuja capacidade intelectual é permanentemente posta em causa, salvo as honrosas e confirmantes excepções.
A dignidade da Justiça, indepentemente dos indivíduos que habitam o tal edifício, também se deve exibir nas salas que o constituem, no impessoal e no pessoal.
No impessoal, independentemente do valor plástico (gostos não os discuto), parece-me pouco digno que uma sala de audiências contenha arte parietal em que estão representadas de pantanas as balanças ditas da justiça.
No pessoal, parece-me indigno – caso se trate de uma sala de audiências, como tudo indica – que a alguém seja possível deixar-se fotografar como se estivesse à boca de cena, com a tribuna ao fundo.
A estes exemplos, colhidos apenas no Telejornal de hoje (as balanças de pantanas aparecem amiúde desde há uns anos) podem somar-se ene outros.
Temos o retrato.

09/01/2012

Às primeiras cavadelas

Por um mero acaso, de manhãzinha tinha a televisão ligada na TVI24.
Ouvi falar na nova TVI24 mas não percebi o que era.
O que ouvi assim quase de seguida foi que a escala de Richter tinha o limite em 9 e que a uma jovem se tinha partido a corda que lhe segurava o salto sobre o rio Zambezi.
Descontando o facto de esse salto ser notícia já requentada, limitar a escala de Richter a 9 e chamar Zambezi ao que se chama Zambeze, pareceu-me um bom (re)começo.
Vilhena, 2010

08/01/2012

É Domingo

Talvez por ser Domingo ou muito provavelmente por qualquer outra razão ou, mais certamente, pelo conjunto de factores intrabalháveis que constitui a vontade humana, recebi do meu velho LP algo que me surpreendeu.
Surpreendeu-me por ser uma escrita com um certo fio, menos desconjuntada, do que ele usava há cerca de trinta anos quando quase diariamente me trazia folhas A4 escritas em tipo Adler dos inícios do século XX. E, terror dos terrores, aparentar conter uma certa mensagem.



Talvez ampliando com uma clicadela e pondo os tais óculos portugueses e republicanos se veja mais nítido.

Com isto, vinha uma lacónica nota que rezava assim:

Não te prendas com o vermelho e o azul do olho à belenenses. Afinal se é à belenenses deveria ser só azul. Mesmo que com calções brancos. Por falar nisso, onde é que eles andam?
Centra-te antes na questão essencial – nunca te ocorreu que os filtros que a malta usa em cada olho para ver o que ela diz ser a
três dê, são verdes de um lado e encarnados do outro?
Quando descobri esta coisa surpreendente, percebi logo que só os verdadeiros portugueses de 1911 para cá – a bandeira tal como a conhecemos começou a ser hasteada nesse ano – puderam neste século que ora findou ver as coisas verdadeiramente como elas são.
Por isso, peço-te que coloques o texto no teu blogue, à portuguesa republicana. A
três dê.
Caramba, estes três dê fizeram-me lembrar qualquer coisa. Mas não deve ser nada de cuidado. E as balanças também.

05/01/2012

As grandes questões universais - episódios q+19 e q+20

Ainda haverá festas de garagem?
Caso não, em que período de tempo se podem balizar as ditas, no mundo português?

Nota: para alguns, a garagem, depois de desalojado o faruque, tornou-se uma boîte permanente, de férias e fins-de-semana.

04/01/2012

A única coisa certa

Que este ano nos trará, é a continuação do desnorte racional generalizado.
A bússola doida que girará na maioria das cabeças, induzidamente ou não.
Um destes dias, a água para consumo humano será objecto de suspeitas por também ser utilizada no funcionamento das centrais nucleares.
não falta muito.
A campanha dos republicanos a caminho da Casa Branca tem todas as condições para ficar no anedotário dos vindouros, se a tendência para a irracionalidade se inverter no futuro.
Caso contrário, poderá ser um caso de estudo. No sentido do sucesso.

03/01/2012

Eles lá sabem

As linhas com que se cosem.
E as designações que escolhem e o que elas, as designações, trazem à lembrança.


do site do PCP de Ovar

01/01/2012

Retracção

Eu aqui cheio de venturas prospectivas ignorando ainda a já certa retracção de 2012. O ano vai ser mais curto. Em vez dos tradicionais 366 dias do ano bissexto, terá com o corte apenas 356.
Muito mais grave do que o ano samoano de 2011 imputado em um dia apenas.
É que o ano de 2012 acabará a 21 de Dezembro - digo-o àqueles que, como eu há horas atrás, ainda estão a esta hora no limbo da cosmogonia.
Acaba nesse dia e o Mundo com ele.
Esqueceram-se de me avisar com maior antecedência, como têm feito das outras vezes em que o Mundo acabou.

31/12/2011

E depois, ao fundo, à direita



De facto, as minhas expectativas para o ano que entrará são boas. Ao contrário do pessimismo e do sempremesmismo que antecedeu, na minha cabeça, os últimos anos.
E eles têm correspondido, regra geral, ao que deles espero.
Bom Ano Novo!

28/12/2011

Energia atómica


imagem da CNN

Passaram nove meses e meio sobre o desastre no Japão e, aparentemente, não há razões para suspeitar que a destruição de instalações de produção de energia por desintegração nuclear tenha provocado ou venha a provocar danos consideráveis na saúde das populações circunvizinhas.
E dificilmente se consegue encontrar um quadro mais desfavorável do que o que ali ocorreu.
A imprensa oscila entre a omissão de tal constatação e a afirmação de que o grande risco da energia nuclear é público e notório tal como ali se vê.
O que significa que vê enormes riscos onde, até prova em contrário, se percebe que os mesmos são reduzidos.
E esta ideia, como muitas outras, é pousada como um véu mental por todo o orbe.
Afinal, é preciso acreditar em qualquer coisa.

27/12/2011

Um traço por cima



Das injustiças que, sobranceiramente, me fizeram encolher os ombros ao longo da minha longuíssima carreira discente, recordo hoje uma não sei a que propósito:
Tratava-se de um trabalho de levantamento topográfico de uma zona rústica.
Algures existiam pinheiros agrupados.
Na legenda escrevi pinheiral. Pareceu-me naquele momento mais próprio do que pinhal, para os devidos efeitos.
Na volta do correio, que é como quem diz, quando recebi a classificação do dito, a designação pinheiral estava riscada.
Quando perguntei à assistente (passava-se isto no ensino universitário estatal) que razão havia para tal risco, respondeu-me secamente que tal palavra não existia.
Poderíamos estar aqui, ou eu lá com ela desde então até hoje, a tergiversar sobre a existência das palavras e sobre o conceito de consagração das ditas. Aqui seria um gosto se isto fosse um sítio para dizer e ouvir coisas.
Com ela pareceu-me então inútil, tanto que não argumentei.
Ficou para hoje, que ela não me lê e que eu sei lá por quê, me lembrei disto.

26/12/2011

Factos e figuras do ano

Vamos lá então. Ainda que faltem cinco dias e tal.
A coisa não tem muito que se lhe diga.
No globo, o terramoto e maremoto no Japão e o Coronel Kadhafi são incontestáveis.
Por cá, a final da taça da Europa entre Porto e Braga e o Paulo Futre.
Disse.
Pelos vistos, isto agora é ano sim, ano não.

22/12/2011

O ano em revista

Em estilo de televisão dita tablóide – isto dos formatos tratados pela semântica... – os acontecimentos do ano bem que poderiam ter sido uma mulher despeitada que rouba o gato a outra e uma criança de dois anos que agrediu outra um pouco mais velha.
Ainda estou indeciso entre a facilidade do mercado se surpreender com coisas triviais e a facilidade do mercado não se surpreender com coisas excepcionais.
Onde está mercado leia-se pagode dito evoluído e informado do século XXI, com muitos carimbos de competências certificadas.
Posto isto, resta-me dizer que gosto de ver a Sky News por ser um canal que pretende cobrir tudo e que por vezes consegue chegar onde os outros que aqui posso ver, não chegam. Em directo.
E no directo dispensa-se a intermediação do jornalista. Com a devida calibração de enquadramento.
Já me justifiquei de mais. Mas também me queixo de mais. Burramente.

21/12/2011

Negar as evidências

Um tipo que nega ter acontecido algo a que não poderia ter assistido e do qual só tomou conhecimento por relatos de terceiros, vivos ou mortos, pode ser incriminado.
Um tipo que nega ter acontecido algo a que assistiu, é deixado em paz.
Num mundo de doidos, as coisas passam-se assim. Criminalizando afirmações descabidas ou não.
Ainda vai preso o Zé Pardal por desdizer o Manel Pardelha no caso da camisola nº2. Ou vice-versa. Ou, o mais certo, ambos.
E que 1+1≠2? Alguém se atreve?

19/12/2011

A transferência dos sonhos

Sucedeu então que me dei conta retroactivamente da legitimidade do gesto.
Do gesto que eu entendera proibido.
As lolitas acabam invariavelmente por envelhecer, salvo as que alcançam a imortalidade.
Rejuvenescem, por vezes, nos sonhos dos homens que as deixaram passar.

18/12/2011

Serviço público - o número da bola

Tal como ameaçado, a coisa está consumada.



E não se exclui a possibilidade de haver mais números da bola. Da bola de cá-de-chumbo, como diziam os eruditos.

17/12/2011

Pensões de reforma

A parte inevitável no cálculo das futuras pensões de reforma é a redução do coeficiente a aplicar sobre o valor da contribuição global do pensionista enquanto activo. Serão mais baixas, ponto.
Lançar um tecto sobre as pensões já é mera politiquice.
E os argumentos para tal aduzidos são de uma escancarada indigência mental.

16/12/2011

A torre do Aleixo

Com a primeira demolição com explosivos de uma das torres do bairro do Aleixo, vai mais do que um edifício devoluto. Vai a ideia já morta de armazenar o operariado em megatérios. Não a ideia materialista e prática de o fazer junto das fábricas, por economia de esforço. Mas a ideia romântica assente naquilo a que uns quantos chamam de ciência social, de que a forma adequada de armazenar os efectivos e potenciais moradores de bairros de lata era em torres destas.
Pseudociência e modismo. O porque sim, porque é o que a vanguarda artística decidiu propôr ou prepôr.
E assim cai.
À força de bombas.
E outra ideia poética travestida de científica se levanta. Se levantará.

adenda cerca das 10:00:

A RTP diz que há um condicionamento numa área de 8 km (aos 2:50 deste trecho noticioso).
O que será uma área de 8 km?
E onde é que foram buscar os 8 km?

15/12/2011

O Natal dos hospitais

Há quarenta anos atrás, a dúvida surgiu-me - a quem se destinaria o Natal dos hospitais?
Depois de ter permanecido trinta e três dias em clausura, grande parte deles naquela letargia que dispensa companhia e focos de atenção, deparou-se-me tal ocorrência pouco tempo depois da alta.
Talvez a uns quantos miúdos numa fase mais saudável da doença. Desde que estivessem no hospital aprazado e com paciência para estarem sentados umas tantas horas.
Mas tudo aquilo me parecia descabido. Ainda hoje me parece.
Melhor dizendo, é um programa de televisão que faz lembrar aos sãos os que estão presos a uma cama.
Talvez por isso tenha afinal algum mérito.

12/12/2011

Inconstitucionalissimamente

Ora aí está!
Uma vez em que esta bizarra palavra, que vem ad hoc das charadas, se afigura necessária para ilustrar o modo de pensar dos que julgam que considerar um limite para um deficit como palavra da Constituição tem algum tipo de relevância para a vida nos anos que temos pela frente. Ou para quaisquer outros, sendo que a ideia se refere aos que temos de imediato pela frente.
E é isto que esta gente anda a discutir!
Inconstitucionalissimamente e rematadissimamente...
Uma espécie de boletim

Há quem compre estações meteorológicas (é um dos meus sonhos de consumo) e quem se dedique voluntariamente a recolher dados de forma sistemática.
Dados esses assim recolhidos que informaram durante décadas os boletins oficiais.
E há quem faça coisas destas, com um método muito pouco científico, mais poético do que prosaico como conviria à precisão:


(clicar para ler, ende querendo)

10/12/2011

O meu reino por uma macro

Há, cada vez mais, uma cópia de ocasiões em que suspiro por uma macro que me substitua em trabalho de escravo.
Os erros que cometo assustam-me.
Em matéria de coisas feitas aqui na máquina e susceptíveis de a ela serem ensinadas, prefiro perder tempo a ensiná-la a fazê-las do que a corrigir depois os erros deixados por mim.
A concentração a que a programação obriga, muito depressa se dilui no trabalho repetitivo.

06/12/2011

No Dragão

Estou a ver um massacre. Sem mortos, sem golos, digo.
Vem aí a Ângela!

Parece-me que estou num pátio de um infantário onde um dos petizes convenceu os outros de que vinha aí a coca ou o velho do saco.
Verificou esse que todos os outros eram acagaçáveis.

05/12/2011

Vamos à Lua!

Há uma vida atrás, numa tasca em plena Estrada de Benfica havia um magnífico quadro ou retábulo (não sei se lhe não hei-de chamar ex-voto) que consagrava o Grupo Almoçarista Fomos (ou Vamos, esta memória...) à Lua.
Era uma bela composição com as fotos dos baconautas e a competente nave alunada (estaria alunada?... esta memória...). E tinha uma data que a mesma memória que aqui já tanto pus em causa, situa nos finais dos anos 50, princípios de 60. Visionários, portanto.
Se quiser ser poético e simbolista, poderei dizer que acho que acabava por entrar lá mais vezes por causa do ex-voto do que pelo vinho ou pelos petiscos, dos quais não me ficou memória asseada.

Estava ali, num sítio já distante da recordada Estrada de Benfica, por detrás do balcão, e também já ilibado da cena de tiros ocorrida havia pouco e da qual um pedaço de chumbo torcido cravado na ombreira esquerda, de quem entra, da porta do corredor ainda era testemunho, quando me decidi a ligar um computador portátil que afinal nunca possuí e cuja posse pretendo postergar até que a tal seja obrigado.
Dessa ligação resultou uma outra, a uma rede social qualquer, e note-se que das redes sociais digo o mesmo do que dos computadores portáteis, que me informou em directo, simultâneo e a cores de que o carola cujas palavras estava lendo tinha acabado de fechar um negócio da China. Da China, não sei, agora todos sabemos como são os negócios dos chineses mas dos da China estamos menos bem informados.
Adiante. O que homem queria dizer, a mim e aos outros da simultânea, era que tinha acabado de comprar o negócio montado pela Virgin para a ida à Lua.
Os da Virgin, sabe-se lá por quê, depois das voltinhas à volta da Terra tinham decidido ir à Lua e depois não.
E era nesse não que se agarrava o nosso carola, eu próprio, e uns quantos mais, mal dormidos na certa. Ou mal deitados, que vem quase a dar no mesmo.
Ao nosso carola só lhe faltava uma coisa – o dinheiro. Por isso começara naquele mesmo momento atrás referido ou um pouco depois uma subscrição para o arranjar.
Já tinha na página um local, como nos cartazes das festas das nossas aldeias, em que se iam somando logotipos de empresas nacionais, adiante se verá a razão de serem e só serem nacionais, e o não menos competente contador de euros que, surpreendentemente ou não, deixava antever que, àquele ritmo, descontando é claro a tesão do mijo, chegaria a bom porto ou neste caso à mala para entregar aos da Virgin até ao fim do mês. Mais do que dentro do prazo de não sei quantos dias (não sei mesmo, não foi a memória que aqui me traiu) que a Virgin tinha estabelecido para fechar o negócio.
Eu, atrás do balcão, tinha deixado de prestar atenção aos pedidos dos clientes e apenas os convencia das maravilhas que uma tal empresa aportava à Pátria, já que o carola fazia questão, sabe-se lá como poderia ele certificar-se de tal, de só aceitar contributos lusos, agindo assim eu como agente empenhadíssimo de tal indústria.


Não é preciso dizer que acordei tarde e a más horas.

04/12/2011

Serviço público

Um destes dias, será prestado um serviço egoísta à comunidade.
As Ruas Com Dias resolveram colocar uma placa a dizer “Rua Cinco de Fevereiro” num local onde tal placa não existe e deveria existir.
Dota-se assim a caderneta de cromos de uma espécie de número da bola, do tal cromo carimbado que dava direito a uma bola de futebol.
Falta o gosto a rebuçado na boca. Daqueles rebuçados.

03/12/2011

No doubt

“No doubt the universe is unfolding as it should”
Trecho do poema “Desiderata” de Max Ehrmann, celebrizado por Les Crane

Um exemplo exemplar de certezas certas.
Das mesmas com que nos confrontamos diariamente.

02/12/2011

1959 - O ano em que as águas se soltaram


imagens colhidas aqui e acolá

O ano de 1959 começou e terminou com duas catástrofes semelhantes.
A primeira ocorreu em terras de Zamora, Espanha. Interessei-me por ela por ter coincidido quase com a hora em que nasci.
A segunda ocorreu junto ao Mediterrâneo, na Riviera francesa e só dela soube há alguns meses.
Distantes no espaço cerca de 1100 km e no tempo de 327 dias. De 9 de Janeiro a 2 de Dezembro.
Em ambos os casos, a ruptura de barragens mal projectadas ou mal construídas fez com que as águas sepultassem centenas de pessoas. Cerca de centena e meia em Espanha e mais de quatrocentas em França.
Faz portanto hoje 52 anos que ocorreu a segunda.
Aqui fica a nota e algumas ligações para imagens de televisão (de Espanha, a vermelho; de França, a azul):




Cresci com uma profecia até hoje falhada de que em Portugal sucederia o mesmo.
Boa nova

A Nação também se faz destas alegrias.
E o cimento de que ela se faz tem um categoria directamente proporcional ao grau destas emoções.

01/12/2011

Argumentário inútil

Pela Pátria não se argumenta.
Pela Família não se argumenta.
Erguem-se, constroem-se, defendem-se. Mas não com palavras.

30/11/2011

Coisas que os antigos diziam de outra maneira - sentença sétima ou corruptela

A fideputa da vida, de dias é um par e o carnaval é terno.

28/11/2011

Inseguro é o Estádio Nacional (II)

É claro que há algum tempo lá puseram cadeiras estilhaçáveis e combustíveis. Era preciso fazê-lo para o tornarem mais “seguro”.
Quanto aos cro-magnons do costume, a técnica do aproveitamento piezoeléctrico de energia já existe e está experimentada.
Não é preciso deixá-los atear fogos.


fotografia de Patrícia Melo Moreira / AFP in JN

27/11/2011

Curiosidades

Estava capaz de apostar que a bordo do MSL (Laboratório científico marciano) lançado há menos de 24 horas se encontra uma aplicação capaz de implantar o fado como canção nacional no planeta vermelho.
Afinal não era esse o desígnio de Alfredo Marciano e do seu inseparável Miltinho Neném?

26/11/2011

Expresso

Naquela linha que aqui referi há algum tempo, o Expresso ofereceu há uns meses e publicitou largamente a oferta, umas biografias de célebres.
Nessa publicitação e na capa ou lombada nem uma única menção ao autor. Nem sempre era sequer referido na contracapa. Quem se relevava era quem tinha escrito o prefácio.
Só aparecia o nome depois que se abria o livro.
Voltou o Expresso a oferecer e publicitar biografias de célebres. Desta feita, na capa vem o nome do autor.
Ainda que com menor destaque do que o do autor do prefácio, esse sempre publicitado. Bizarros critérios. Apontados para certo tipo de mentalidades.
Pode sempre dizer-se que uma biografia é escrita pelo biografado a cada dia.
Mas, caramba, alguém compilou as coisas e as escreveu. Bem ou mal. E um prefácio, excepções raras, é palha.

A cavalo dado não se deveria olhar o dente.
E ninguém me manda comprar o Expresso desde sempre. Mas são coisas que chateiam.
E eu que nem passo cartão a biografias.


(clicar para ampliar)

25/11/2011

O esquecido terramoto de 25 de Novembro de 1941



No dia 25 de Novembro de 1941, pouco depois das seis da tarde, um violentíssimo terramoto ocorreu no mar a cerca de 460 milhas do Cabo da Roca e a uma distância quase igual das ilhas da Madeira e Santa Maria, nos Açores – cerca de 290 milhas de cada.



Este terramoto foi graduado na escala de Richter entre 7,9 e 8,4 e, de acordo com os dados que consultei, terá sido o sismo registado de maior magnitude no território nacional e mar adjacente.
Com esta magnitude elevada, apesar da distância, foi bem sentido em Lisboa.
No entanto hoje não figura nas habituais listas de sismos a que a imprensa deita mão. É um daqueles eventos apagados da memória colectiva a que só os especialistas se referem.
Desse ano de 1941 relembra-se o ciclone e a guerra.
É por isso que aqui deixo estes recortes de imprensa, a título de setenta anos contados:




(clicar para ampliar)

Diário de Lisboa, 26 de Novembro de 1941
Diário de Lisboa, 27 de Novembro de 1941
ABC Madrid, 26 de Novembro de 1941
ABC Sevilha, 26 de Novembro de 1941
La Vanguardia, 26 de Novembro de 1941

Fontes: Fundação Mário Soares (DL online) e hemerotecas de ABC e La Vanguardia

24/11/2011

Deleite

Camaradas, é sempre um deleite ouvir o Doutor Carvalho da Silva.
Feriado e mal pago


com a devida vénia ao Ephemera, ao Incertitudes e à CGTP e STAL.

Não sei se o dia 24 de Novembro não terá tendência a demorar-se como dia de Greve Geral. Dizem que não há duas sem três e depois de três seguidas há razão para se considerar uma série.
Devia o governo considerar esta hipótese.
É feriado, como pretende o trabalhador, e não é pago, como pretende o patrão.
Sendo feriado, dá aos trabalhadores algum descanso excepto aos que se dedicarem aos piquetes, impondo o feriado aos renitentes.
Não sendo pago, tem impacto sobre a produção mas não sobre a produtividade (hum).
E para além de tudo o mais faz bem aos fígados dos que se manifestam, gritando os seus impropérios e clamando por desiderata.
Claro que prejudica uns quantos desgraçados que precisam de se transportar ou de se tratar, por exemplo.
Mas nada que não se resolva.
Mais feriados destes resolviam em parte a questão que ora se debate se se há-de extinguir ou não o feriado de 7 de Junho.
Por mim extingue-se.

23/11/2011

Referências

Uma das coisas que eu calculava possível mas não sabia ao meu alcance era esbarrar literal e materialmente com um paralelo.
Foi o que aconteceu no momento em que tirava esta fotografia. Como se pode estimar pela presumida posição do ponteiro do velocímetro, a colisão foi a baixíssima velocidade.

22/11/2011

Praça pública

Ouvi uma jornalista referir que alguém teria dito que preferia que um certo processo judicial fosse discutido no tribunal e não na praça pública (coisa que me parece ser repetida amiúde).
A verdade é que não se pode impedir que a praça pública discuta a vida alheia. Tenha ela consequências sobre as vidas dos discutidores ou não.
Faz parte do mundo. As coisas são assim.
Ainda que se lamente que a imprensa, de uma maneira geral, discuta os processos em curso como os discutiriam duas ignaras comadres, é disso mesmo que se trata – de um lamento.
E os lamentos de pouco servem.
Coisas que os antigos diziam de outra maneira - sentença sexta

Uma surpresa é o choque com a realidade mal percebida.

21/11/2011

É automático!

Aquela rábula de não pensar como é que se faz o café porque é automático compete em imbecilidade com aqueloutra em que se dizia “Se elas [as árvores] andassem, como é que tinhas sombra?”
Será que a coisa foi estudada para um público-alvo, perdão, alvar?

20/11/2011

Espanha

Se Rajoy chegar, como dizem os heraldos, a presidente do governo de Espanha, a Espanha terá literalmente um governante que caiu do céu.
Não acredito que isso modifique seja o que fôr na linha de rumo que ali se segue há décadas em paralelo com Portugal. Mais PS menos PSOE, mais PP menos PSD, tudo desagua onde se vê.
Rimou.