26/05/2012

A ordem natural das coisas



Passando hoje junto a um cais num pequeno lago onde se encontravam amarrados nove barcos de passeio numerados em ordem diferente da natural, lembrei aos meus companheiros que nós, no outro tempo, haveríamos de os pôr em ordem depois de uma noitada.
Alguns minutos antes, porém, tinha eu já invertido a ordem natural das coisas: adquirira uma belíssima andorinha de louça para pendurar aqui no escritório. Fizera-o fora de ordem, antes do Cristo-Rei de plástico e da buzina de bexiga.

24/05/2012

São Cristóvão sem o Weekend de Godard


fotografia de Armando Serôdio depositada no Arquivo Municipal de Lisboa sob a cota PT/AMLSB/SER/S06294

E, de facto, ontem voltei atrás por me ter esquecido da carteira em casa.

23/05/2012

São Cristóvão e o Weekend de Godard

Há muitos anos que não chegava, com a protecção de São Cristóvão, um pouco atrasado a dois acidentes graves.
Aconteceu esta tarde entre a E.N. 117 e a E.N. 9, caminho de Mafra.
Lembrei-me do Weekend de Godard enquanto entrava a pé numa oficina de pneus, explicando que o carro estava do outro lado do corte de estrada.
Talvez por ter à minha frente, à espera de ser atendido, um extraordinário vendedor ambulante de pneus.


trecho da carta militar do IGEOE

22/05/2012

Nos sapatos (um tanto descarrilados) do fotógrafo enquanto jovem (cena 9)



Praia do Rio, Vila Nova de Milfontes

20/05/2012

Mereceram

Inseguro é o Estádio Nacional (III)

Temo que, a acrescentar às reafirmadas más condições de segurança do Estádio Nacional, venha o facto de o vento por vezes ali mudar de direcção sem avisar.
Quanto ao jogo, confesso que contava ver um espectáculo interessante, movimentado.
Nada disso.
Não me parece mal que a Académica esteja na frente.

18/05/2012

O caminho diz que se faz conduzindo


Nota: por grave falha de atenção esteve escrito no painel adicional ΔΡΑΧΜΑ e não ΔΡΑΧΜΗ

16/05/2012

Perfume

Cheira-me a resina de injecção própria para betão.
Estou convencidíssimo de que se trata de outra coisa. A esta hora e neste local não acredito que andem a injectar resina em estruturas.
Básico

Diz o ministro Relvas que dispõe de um telemóvel básico que por básico ser não permite uma correspondência muito acentuada (aos 0:22 desta peça).
Esta argumentação e esta lógica fazem-me lembrar alguém.

15/05/2012

Outra vez o relâmpago

As comadres mais atrasadas do mundo rural não diriam melhor: atingido por um relâmpago [o avião em que Hollande seguia para Berlim, segundo a abertura do Telejornal da RTP].
Talvez a palavra raio tenha sido proscrita como tantas outras.
Um dia destes será talvez motivo de procedimento criminal proferi-la, quem sabe?
Estas criaturas continuam a não distinguir entre o relâmpago que é o clarão emitido e o raio que é a descarga eléctrica.
Podemos é claro considerar (e bem) que raio, relâmpago e trovão são um e um só fenómeno.
As suas diferentes manifestações nos nossos sentidos é que são distintas.
Aí, também não há razão para não dizer que foi atingido por um trovão. Como já foi uso.
O facto é que todos fomos atingidos por relâmpagos e trovões sempre que estivemos em presença de uma trovoada. Os que foram atingidos por raios raramente escaparam para contar.
Thor não quis o homem em Berlim?
Deutschland über alles

Veremos se a preponderância da Senhora Merkel nos assuntos europeus se transmite ou não ao chanceler seguinte da Germânia.
Eu aposto que sim.
Não confundir a preponderância da senhora com a dos seus antecessores do pós-guerra.

14/05/2012

Explicar

Explicar ao jornalista médio que as coisas não são assim tão fáceis como rasgar uma ponta ou apôr um carimbo quando tal não será feito a todas as notas semelhantes e a todas as moedas (um cunho extra) em circulação legal não é de facto fácil.
Ver a notícia a partir dos 1:47.


imagem da Sky News

Nota: a nota rasgada é portuguesa (tem a letra M).
Lisboa, 2009

12/05/2012

Da bola

Sporting abaixo da média, Porto e Benfica acima da média.



Percentagens referentes a dois pontos por jogo e ponderadas de acordo com o número de jogos por época.
webliografia: http://desportoluso.no.sapo.pt/(Jorge Miguel Teixeira)
Notas secas

Aguardo a indicação da fórmula de conhecer a data da feira de Garvão a partir de agora. Procurei, procurei e nada encontrei.
No ano passado, a ilustre vereação da Câmara Municipal de Ourique (com voto contra de José Raúl dos Santos) deliberou mudar a feira para o fim de semana seguinte à data da tradição. Porque ao fim-de-semana era melhor e já não coincidia com o desmanchar da Ovibeja. E o ter sido a C.M.O. a deliberar sobre tal assunto, dá a perceber que Garvão perdeu a soberania sobre o evento.
Este ano foi novamente alterada – embora na página da C.M.O. ainda figurem as datas de 9,10 e 11 de Maio, o que deixa entender que não há critério substituto.
Como se tem tratado de navegação à vista, cumpre saber se continuará a data de uma das feiras mais antigas da Nação a ser decidida aos trambolhões ou se haverá um critério, qualquer que seja, que permita saber antecipadamente quando é.
Se é ao fim-de-semana, em qual deles é? Se calha sobre a Ovibeja, muda-se ou não?
Eles lá na ilustre vereação parece que não sabem. Eu também não.

O presidente eleito da República Francesa não tardará, assim se diz, à chamada a Berlim.
A ver vamos se continua a subserviência protagonizada por Sarkozy. As aparências, sendo sabido que às vezes iludem, não são auspiciosas. Mais do mesmo?

Por um acaso, e posso dizer que se trata de um acaso, tenho à bica umas leituras sobre e à roda de Fátima, ficção, ensaios críticos, apologias, há de tudo um pouco na mesa de cabeceira.

08/05/2012

Notícias

Tanto a SIC como a TVI (a RTP não sei) repetiram o mesmo disparate que alguém lhes transmitiu: Sarkozy foi o primeiro presidente da denominada V República Francesa a não ser reeleito.
Mais um dos tais sinais de que o mundo começou quando os jornalistas nasceram. E que, para além disso, não têm quem lhes corrija a mão.
Houve ainda uma parte especialmente anedótica na SICN pouco depois dos resultados provisórios terem sido divulgados. O jornalista de serviço disse qualquer coisa que soou como ... [a informação] que nos chega de França é demasiado informativa, resume-se a números, ainda não há reacções aos resultados, pelo que não se conseguem tirar ilações.

07/05/2012

Campanhas

A campanha que dita que toda a gente deve ler pela cartilha das alterações climáticas ou ambientais é das que mais sucesso teve nos últimos tempos, a par da que fez baixar significativamente o consumo de tabaco.
Vê-se e ouve-se que a mole acredita em qualquer coisa que seja designada dessa forma. E não há nada mais irredutível do que um crente. Para um crente tudo tem ou pode ter como prima causa o seu alvo de crença.
Vem isto a propósito de entrevistas televisivas urbanas de rua feitas na assunção de que a temperatura, conforme é anunciado, vai subir significativamente para o final desta semana.
Todos os anos, sem excepção, desde que me lembro de ser gente que ouço que o tempo já não é como era dantes.
Nunca percebi onde é que acabava ou começava esse dantes. A verdade é que, de facto, o tempo já não é como era dantes. O tempo, o outro, o que passa, dita que assim seja. Para o tempo, o tal, o que faz, e para tudo o mais.
Razão teve aquela senhora que ao ser interpelada na rua, a propósito de qualquer coisa que não vem ao caso, proferiu a mais singela das sentenças: “Antigamente tínhamos todos dezoito anos!”
É tão raro ouvir algo tão terra-a-terra e tão certeiro nas entrevistas aos chamados urbanos.


carta de previsão do ECMWF para 12 de Maio

06/05/2012

Mesas

E vimos

Que de facto a única coisa que havia a discutir nesta eleição em França era o tamanho da vitória.
Que desrespeitou a maioria das sondagens.

05/05/2012

A ver vamos

Escrevi eu aqui há dias que a única coisa que parecia haver para ver nas presidenciais francesas era se a dita esquerda ultrapassava ou não, somados os votos nos seus candidatos, os 50%.
Pois bem, ficou aquém e nem sequer superou os resultados de 2002 quando quase caiu a Torre Eiffel.
Aparentemente, todas as sondagens dão a vitória a Hollande, numa senda de inquéritos percorrida desde há muito.
Mas eu é que retiro o que disse.
Há mais qualquer coisa para ver do que aquilo que já se viu.

03/05/2012

O que é bom para a tosse

Há, na dita classe intelectual, uma franja que sabe exactamente o que será um resultado nas eleições francesas bom ou mau para Portugal. Como o sabe em quase todas as eleições e revoluções que ocorrem.
São iniciados na alquimia das vontades e dos sucessos que rivalizam com Blimunda.

02/05/2012

Dignidade

Levar ao Parlamento uma promoção de supermercado é retirar-lhe mais uma fatia de dignidade.
E dar importância a coisas irrelevantes.
A curva do Mónaco

A curva do Mónaco entra hoje também para o rol dos acidentes ferroviários.
Mais uma vez se verifica que o nível do jornalismo em estado de crise está uns quantos graus abaixo do jornalismo quotidiano.
É de uma qualidade mesmo abaixo de cão.


imagem da RTP

actualização cerca das 21:00: na animação que a RTP pôs no Telejornal, até os comboios circulam pela direita!

01/05/2012

Fascínios em Dia de Maio

E o tempo passa, hoje com semelhantes sinais de tormenta, e não lá vou.


fotografia do site da Câmara Municipal de Alcoutim

30/04/2012

Um livro por dia

Há cerca de quatro anos que comecei a registar sistematicamente as entradas de livros.
O grafico das entradas por mês é como segue:



Olhando para ele com a ilusão dos olhos de meteorologista para gráficos de temperatura mas com a realidade dos olhos de boi para palácio, é possível dizer, caso se queira, que há Feira do Livro em Maio. É uma afirmação gratuita como qualquer outra. Que nada prova, nada justifica.
Já a correlação entre a temperatura média em Lisboa* e o número de livros comprados pode dizer-se que é de 0,54**.
Seja como fôr, a média é de 1 livro por dia.
E o despacho de leitura anda acima de 1,95 por semana. Sem chegar aos 2.

* média das temperaturas médias no período 1981-2010 - dados provisórios do IM.
** com o erro advindo dos registos terem tido início a 14 de Junho de 2008.

29/04/2012

A presunção do erro

Tal como os funcionários que atendem ao balcão se convencem de que o freguês nunca sabe do que está a falar nem o que pretende, também eu começo a dar sinais de presumir o erro em tudo o que mexe.
É isto para mim particularmente penoso porque justamente me incomoda muito a presunção do meu erro por parte de quem me atende nos balcões da vida, mesmo antes de eu abrir a boca.
O pior é quando tresleio o que está escrito em letra de imprensa e congemino um erro que não está lá.
Ontem, no mesmo período de um livro vi dois erros crassos.
Ao reler e rever para avaliar a dimensão do disparate escrito, vi claramente visto que não havia ali mais do que uma linguagem equívoca. E que, equívoca que era, propiciava a má interpretação.
Não se tratava de um comum recurso literário.
Era uma escrita escorreita sem armadilhas. Equívoca apenas por ser espontânea em demasia, pareceu-me.
Mas em lado algum havia erro. Erro histórico, que era disso que se tratava.
Erro meu.

26/04/2012

Pavilhão hasteado

Demora calma e poucamente
O tempo que em teu rosto
Terno passa,
Porque afagos caem cedo
Nas manhãs em que o Inverno
Duro, grassa.
Chove limbo
De folha seca
Em tarde morna
Se teu rosto tão pequeno
Triste torna.
Suado verão
Sobre o celeiro
Que apoucado
É de modorra,
Deixando leve
Que o teu sorriso
Em mim se morra.
Volta a flor
A namorar
Sobre a janela,
Que assim és tu,
Teu corpo em Maio
Em flor tão bela!


1986

SG, "Dizeres do Sul", 1993

25/04/2012

Feminino singular

Um dos mistérios da fé é acreditarmos, os que o fazem, que existe o tal íman que, por muito singular que seja, é todavia feminino em barda.
A experiência de encontrar tais magnetos dá-me ideia que será electrizante até ao fim dos dias.
Para quem a tem e tem consciência de que ele, o magneto, por ser gerado electricamente poderia estar desligado. E não está.

22/04/2012

Se em 2002

Se em 2002 a parte folclórica da dita esquerda francesa veio para a rua protestar contra os resultados eleitorais, teria hoje ainda mais razão para o fazer.
É que obteve uma percentagem de votos muito semelhante à de 2002.
E viu a candidata dita da extrema-direita obter maior percentagem do que o seu pai obteve então.
Mas tudo está bem porque ao contrário de então não dispersaram os votos de forma a não conseguirem colocar um dos seus candidatos na segunda volta.
É essa a única diferença. Desta vez têm esperança.
Não irão para as ruas autoflagelar-se em desmandos, culpando a democracia de permitir os votos que lhe são aziagos, sem perceberem que o caso era apenas de responsabilidade própria.

Quanto ao que aqui escrevi, a resposta à questão está dada - mais ou menos ao mesmo nível de 2002, assim parece.

Corrigenda (cerca das 9:00 de 23 de Abril): de facto, a percentagem de votos à esquerda é inferior em menos de 1% dos votantes à de 2005. Marie Le Pen obteve mais 1% dos votantes do que Jean-Marie. Ambos os factos corroboram o espírito do post.
Estação C.F. de São Martinho do Porto, 2012

21/04/2012

Do melhor pior que há*

Os tipos do Blogspot conseguiram arranjar maneira de complicar o que era simples.
Acontece sempre que há uma tentativa de adaptar ainda mais às massas o que às massas já está acessível. Uma espécie de paradoxo.

* com preito a um primo que gosta de usar esta expressão.
Números

A única questão que as presidenciais francesas parecem suscitar é saber se a soma dos votos dos candidatos ditos de esquerda ultrapassa ou não à primeira volta os 50% dos votos expressos.
Na V República, apenas sucedeu uma vez – em 1981, quando Mitterand foi eleito para o primeiro septanato.
Parece pouco provável. Mais provável é que ultrapasse os 45% de 2002, quando a habitual corte de imbecis bradou que a França virara à direita, quando na realidade os votos à esquerda haviam superado em percentagem (45% contra 41%) os obtidos sete anos antes.
Desse brado resultaram os tradicionais desmandos nas ruas.



Observe-se que a esquerda obteve sempre que logrou passar, uma percentagem maior de votos à segunda volta.

19/04/2012

Do fim

Haverá quem tenha a necessidade de deixar para os tempos depois da sua morte um legado de segredos.
Um legado que contenha informação desconcertante, que tire aos outros a imagem que dele tinham, substituindo-a por outra.
Dele constando ou as peripécias acontecidas a monte ou os desejos nunca revelados ou as antipatias superadas a custo ou os sonhos sonhados ou as obras escondidas. Ou tudo em conjunto ou em combinações de subconjuntos.
Na literatura haverá cópia de tais instâncias. Umas mais à vista, outras não.
Ocorre-me fazer uma escolha de tais elementos, codificá-los com esperança num destinatário incógnito e esperar, depois de morto, pela satisfação de os ver decifrados e absorvidos. Não por quem de mim tenha uma imagem formada mas por um longínquo leitor.
Vai-se o impacto da desconcertação observado da tumba, fica a esperança de um interesse qualquer.

17/04/2012

Um século e...

Há exactamente 100 anos, ocorreu um eclipse do Sol cujo máximo se projectou a cerca de 160 km a WSW do Cabo Raso.
A linha de maior eclipse cortou o país na direcção SW-NE, tendo, ao que rezam as crónicas, Ovar sido considerado o lugar onde a observação seria mais proveitosa, por ser o local em terra sobre a linha de maior eclipse mais perto do seu máximo.
No entanto, a minha fotografia favorita é esta. Aposto que foi tirada antes da ocultação estar no máximo ou, em alternativa, que se trata de uma excelente representação para o fotógrafo, dados a luminosidade e o contraste.
Atribuída a Joshua Benoliel e tirada onde?



Já A Capital traz este boneco de Silva Monteiro* que nos diz que passado um século, tudo está igual no ex-Reino de Portugal.



* Quem me decifrou a assinatura foram a Teresa e uma colega sua, a quem agradeço.

A fotografia atribuída a Benoliel está depositada no Arquivo da CML sob a cota B093963.
A Capital pode ler-se na Hemeroteca Digital da mesma CML.

16/04/2012

A semântica

Sofre evoluções ao ritmo da vertigem comunicacional.
Uma palavra recomendada passa com grande facilidade a palavra proibida (e hoje há ene palavras proibidas pelo dictatum do autoritarismo dito politicamente correcto que inda ontem eram canónicas).
O intervalo de tempo que leva a adquirir o tal significado que é classificado como daninho é o de um fósforo a arder.
Ardem hoje palavras soltas como outrora arderam alinhadas em livros.

10/04/2012

Maternidade Dr. Alfredo da Costa



Sendo eu um alentejano nascido em Lisboa nas instalações da Maternidade Dr. Alfredo da Costa, partilho com os meus conterrâneos de São Sebastião da Pedreira, essa freguesia de incontáveis fregueses nascentes, a indignação provocada pelas notícias do fecho de tal instituição.
A indignação é minha e deles, nossa, e não deve ser justificada nem sobre ela se discorrer, porque pelos valores não há conversa.
Se conversa houvesse, creio bem que, do outro lado e neste caso em particular, só se ouviriam asneiras e decorrências de erros. Ainda que alheios a quem se justificasse.
Estamos num país há muito desgovernado.

09/04/2012

Estádios

Há uma fase na vida em que se troca a geometria descritiva pela geometria analítica.
Uma repetição da fase em que se deixam os livros com bonecos e se passa a livros com texto.

08/04/2012

Todos os nomes*


da Mapoteca do Centro de Estudos Geográficos da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa
(clicando, abre o original)


* Recorrendo a Saramago.
Garvão, 2008

05/04/2012

Pitons


imagem daqui

Nos sonhos jogo quase sempre à defesa.
Depois de duas fífias minhas bem capazes de comprometer o resultado, vi cá de longe um dos meus companheiros marcar um belíssimo golo num remate acrobático, com o corpo paralelo ao chão.
Foi depois de um dos deles ter lançado a bola contra um meu colega da defesa na esperança de obter um canto, que a bola ao sair pela linha final sem tocar no dito, se encontrou nas minhas mãos.
O João e o Carlos diziam-me para ter cuidado com a força com que interpretava o pontapé de baliza na direcção do móvel dos livros.
Eu, que na realidade via um tapete verde de relva artificial e uma marcação a cal desenhando um ângulo recto, lancei a bola com a mão com um spin contrário ao movimento que a fez parar quase de seguida junto ao dito ângulo e calculei a força do pontapé como quem afere o alongamento da mola para o lançamento de uma bola de flippers. Saiu frouxo.
De imediato e em face disso, teve lugar um conciliábulo sobre a impossibilidade de circular num tapete relvado com sapatos de ténis.
Mas é claro – dizia eu – toda a gente sabe que tens que ter uns pitons.
Acrescentava o Carlos muito peremptório – Sim! As botas de futebol, quando sem pitons, também escorregam.
Mas para isso é que os pitons servem – chovia eu no molhado.
A minha Mãe ouvindo a conversa, assentia e ao mesmo tempo avisava: Ai de vocês que venham com pitons aqui para os mosaicos da cozinha!
Portugal, 2012

02/04/2012

Malvinas

Aos 30 anos do começo da última guerra, o ambiente parece bem mais tenso do que há cinco.
Soa que o poderio naval britânico se esfumou ao fim de uns séculos de hegemonia e de quase um século de secundariedade.

01/04/2012

Asnos

A quantidade de disparates e asneiras que o programinha Exame Informática na SIC N me trouxe aos ouvidos em escassos dez minutos ou menos do que isso, foi assustadora.
Desde taxarem Júlio Machado Vaz de psicólogo a afirmarem que uma certa impressora pode imprimir conteúdos personalizados, houve de quase tudo.
Raciocínio zero, ignorância sem limites.