09/07/2012

Ciclismo e cultura

Uma das coisas que me convida a assistir às transmissões de ciclismo é com toda a certeza a qualidade dos comentários.
Depois de David Duffield, com a excepção fugaz de Francisco Figueiredo, só se apanham coleccionadores de anedotas. Ontem, face à imagem de um dinossauro numa rotunda de uma terra no Jura, um comentador na RTP afirnou que o dinossauro estava ali porque naquela terra do Jura tinham sido recentemente descobertas coisas do... Jurássico.
É este o nível (mais elevado) da coisa. Abaixo, muito abaixo de dinossauro é a regra.
A inexistência nas redacções de gente que proíba o pessoal de falar do que não sabe é mais do que notória. Depois há a questão de eles, os comentadores, não saberem que não sabem, que é coisa transversal nos dias que correm.
Ouvem-se coisas dignas do melhor Monty Python. Não creio que haja campo do espectáculo em que os comentadores sejam eles próprios um espectáculo como o ciclismo. Mas um triste espectáculo.

Já há uns anos que o meu hábito de comprar o Expresso, velho de trinta e um anos, somado aos oito em que o lia sem o comprar, me vai criando alguma erisipela.
O jornal, como aqui já referi, é hoje feito para graus de inteligência e de saber muito inferiores aos que alvejava de início. Massificou-se.
Na edição da semana passada, a pérola abaixo. Não me venham dizer que é gralha ou que é uma poética evolução semântica. É que disto e pior do que isto se encontra por lá sem dificuldade.


clicar para ampliar

07/07/2012

Estudos

Na sequência do que aqui escrevi, a propósito de outro assunto, sobre os cursos superiores de terceira, quarta e quinta categorias, tanto eu como o meu velho J.d’ concordámos que, pelo respeito que temos pelas nossas próprias e subidas pessoas, jamais enviaríamos um currículo de cadeiras feitas e de responsabilidades abraçadas com a finalidade de obter um diploma para aí de calceteiro marítimo. Para aí.
Com isto, desamasso o pedido de deferimento que não fiz a sua excelência.

06/07/2012

03/07/2012

Notícias

Calculo que se ensine na escola de jornalismo que o tom e o teor duma peça para rádio ou televisão devem adaptar-se ao presumido número de vezes que a mesma vai ser exibida.
Quem está em piloto automático a ouvir uma estação de rádio ou de televisão de notícias, ouve de acordo com um período de retorno proporcional ao sumo noticioso do dia, a mesma peça.
Se ela contiver, como é hábito mais ou menos recente, uma intentada dose de piada, de ironia ou de qualquer outro ingrediente que talhe a maionese, cedo se torna insuportável em dia sem novidades.
Uma coisa mais à faca, despida de adjectivos e de comparações desnecessárias, acaba por ser tolerável aí mais umas ene vezes.
Um destes dias ouvi, não sei por quê, uma porrada de vezes a notícia de que as Spice Girls iam voltar a actuar. Metia dois gritinhos emitidos naquela frequência feminina que um velho amigo associava invariavelmente a fêmea estúpida.

02/07/2012

Das apostas

Perdi mais uma.
O curioso desta última aposta é que o quadro tinha esta combinação perfeita:
1 selecção foi escolhida pelos três apostadores – a alemã.
3 selecções foram escolhidas por um par diferente de apostadores – a holandesa (A e B), a francesa (A e C) e a espanhola (B e C).
3 selecções foram escolhidas apenas por um apostador – a portuguesa, a italiana e a russa.
O vencedor do jantar já perfaz com este campeonato quatro vitórias consecutivas. Bate mesmo a Espanha.

01/07/2012

O melhor seleccionador do Mundo


imagem daqui

Sim. Ainda me lembro de ver jogar este senhor.
O vulcão voltou

Quase um ano depois de um pico de actividade vulcânica em El Hierro, as profundezas parecem querer reafirmar a ameaça.
Gráfico descritivo da frequência e magnitude dos sismos registados em El Hierro no último ano, de acordo com o IGN de Espanha:


(clicar para ampliar)

27/06/2012

Imagem do dia


trecho do mapa de Tomás Lopez de Vargas Machuca (post 1784) depositado na BN sob a cota C.A. 14 R.

Eles que se deixem de tretas e marquem a fronteira à volta de Olivença tal como está consagrada no artº CV do Tratado de Viena de 1815.

26/06/2012

Razão

O que me faz temer pela razão não é mais do que isto:
Deparar com uma folha de excel onde, sujeito a um algoritmo rudimentar, aparece um número de telefone com chamada tentada que é dado como desconhecido.
Ao olhar para o número, vejo.
Vejo que é o meu próprio número.
Está na altura de deixar de ser ainda mais autobiográfico.

23/06/2012

Balelas

É confrangedor ler este esboço zero de um declaração final a sair da cimeira Rio+20.
O espírito é o de que antes “ricos, bonitos e saudáveis” do que “pobres, feios e doentes”. Um chorrilho de banalidades bem intencionadas que chocam com a crueza da realidade humana.
Depois, a quantidade de ilogismos é absurda.
O amálgama de interesses contraditórios com assuntos laterais e insignificâncias é o sumo da coisa. Um zero de estratégia que pretenderá afinal justificar transferência de fundos de um lado para o outro. É pois disso que se trata.
A visão romântica disto é a de um freguês que entra numa loja e pede uma mézinha para superar todos os inconvenientes da sua vida. E acrescenta: tem em verde?
A Besta Negra

Não sei de onde tiraram a ideia de que a Espanha também é para nós Besta Negra no futebol, à semelhança da França.
Da França e nas meias-finais, temos as recordações de 1984, 2000 e 2006.
Da Espanha, apenas a derrota de 2010.

22/06/2012

A devassa

Se eu pertencesse ao grupo dos que pretendem interpretar os sonhos, haveria de chegar à conclusão de que o meu espírito ronda a bisbilhotice e a devassa perquisitória.
Tantas são as ocasiões em que faço caminho público da casa de outrem.
Ainda hoje, depois de um curva em que um autocarro de turismo inverteu a marcha por se ter acabado o caminho, eu que era mero espectador da estrada acabada, fui e vim do fim da estrada por um corredor estreito e por uma fresta onde mal fiz passar a minha corpulência.
À volta dei com o dono da casa a desapilhar uma caixa de livros velhos de um dos lados do corredor que à ida estava deserto.
Insinuei-lhe um interesse. Respondeu-me com um apego à caixa semelhante ao meu.
Quase que ficámos amigos.
O ponto t

Qualquer aprendiz de feiticeiro sabe que, a partir de uma taxa t, o volume de imposto cobrado deixa de aumentar com o aumento da taxa.
Reconhecendo-se que se chegou a t, urge arrepiar caminho. Também é do conhecimento de qualquer aprendiz de feiticeiro.
O debate sobre se já lá se chegou ou não pode ser iluminado pela realidade crua dos números. Ou não?

21/06/2012

Ceder ao vulgo

A massificação da informação e velocidade de propagação desta promovem o efeito de espelho – o erro torna-se comum, massificado, facilmente reproduzível, na ausência de espírito crítico e de bases para o sustentar.
Isso, todavia, não justifica que organismos com responsabilidade se verguem ao vulgo, que lhe respondam aos motes.
A dignidade das instituições também se faz disso.

17/06/2012

Euro 2012

Não houve cambão como se temia no post abaixo.
E mais uma vez se repete tal e qualinho a falta de eficácia.

Quanto a mim, na aposta já estou a tenir quanto ao campeão. Mas ainda a tempo de palmar o jantar.

HOLANDA
ALEMANHA
ITÁLIA
FRANÇA

Nos cálculos, segue já a correcção do exame:

No mesmo dia, no mesmo grupo, as duas equipas mais mal cotadas ganharem às de maior nível, parece pouco provável. (CERTO)
Na mesma competição, a Holanda perder os jogos com as equipas menos cotadas do grupo parece pouco provável. (ERRADO)

Pois por mim, dou já apuradas para os quartos de final a Alemanha, a Dinamarca, a Rússia e a Polónia. A minha aposta já está prejudicada. (ERRADO QUANTO À RÚSSIA, POLÓNIA E DINAMARCA)

A tal folha de excel diz que a Croácia e a Espanha estão em vantagem sobre a Itália no grupo C para o apuramento para a fase seguinte. A Irlanda está com 1:6 e fora. (CERTO)
No grupo D, Ucrânia, Inglaterra e França estão a competir pelo lugar. Com a Inglaterra em ligeira vantagem sobre a França e a Ucrânia em ligeira vantagem sobre a Inglaterra. A Suécia está, tal como a Irlanda, com 1:6 e fora. (CERTO)
Ora é preciso ser pago principescamente para mandar chutos para o ar com este grau de desacerto depois da primeira jornada?
Cambão ou não?



Há muito quem se lembre do que se passou em Gijón, do que se passou no Porto.
Logo por acaso, com os alemães, com os dinamarqueses.
Há-de haver

Há-de haver algures quem estabeleça causa e efeito entre a vitória futebolística da Grécia e o resultado da eleição que hoje terá lugar.
Não me vou dar ao trabalho de procurar. Fico-me a adivinhar as frases.

16/06/2012

Restos de colecção (76)


158 anos depois da Batalha de Cacilhas, saindo de Garvão no mesmo 16 de Julho que Terceira.

15/06/2012

Caiu-lhe a moeda

Diálogo improvável que Hipnos pôs na minha cabeça:
Zé, lembras-te de ouvir falar naquele escritor que esteve uns tempos naquele monte que é hoje da tua tia e que escreveu uma peça inspirado no nosso tio L.?
Então não havia de me lembrar? Foi o que lhe caiu o dedo e só deu por isso quando ouviu a moeda cair no chão.

13/06/2012

Os emocionistas

Os emocionistas não reflectem, não usam a cabeça e falham na parte racional das coisas. É possível que beneficiem de melhores resultados na parte emocional das coisas. Não o sabemos.
Não o sabemos como não sabemos identificar uma e outra na mente. Embora saibamos que há coisas que a razão nos ajuda a resolver, criar e operar uma máquina simples como exemplo básico.
Os emocionistas fazem cálculos com base no que lhes parece, no que sentem, não com um lápis e um papel. É como se pedíssemos a conta ao Manel do café e ele dissesse, mirando a quantidade de minis, de alcagoitas e de pratos de caracóis, que são cento e vinte mirréis.
É nessa base que alguns deles preferem a vitória da Alemanha no jogo que ora decorre.
Não fizeram as contas.
Contas

Temos assim que no grupo A, quem ganhar o último jogo passa.
Cada qual depende de si próprio.
Antigamente tínhamos 20 anos*


Manjerico roubado aqui. Sem a quadra.


*frase roubada a uma senhora que foi certa vez entrevistada na rua por um canal de televisão e que eu já deturpei por minha vez, escrevendo tínhamos todos 18 anos.

12/06/2012

Lotaria

Os números. Normalmente são aqueles que com eles, os números, menos convivência tiveram que mais com eles enchem a boca.
É o que acontece com os humanos, regra geral, diz o ditado. Nada pois a assinalar.
Os números, vistos como um palácio, dão origem a esta coisa singela que é a estação dos correios travestir-se de loja dos trezentos.
Os números terão dito que ene lojas em pê lugares, constituiriam uma rede que se não poderia desaproveitar para fazer outros negócios. Ideia peregrina que a nenhum sapateiro tinha ocorrido, pois se assim fosse haveriam de vender rabecões. Tal como os padeiros venderiam castanholas e nas farmácias se poderiam encontrar os últimos cd de música pimba.
Foi portanto uma ideia genial e sem rival nos outros ramos de negócio, apesar de tabacos, jornais e revistas terem durante muitos anos convivido com cafés, bombas de gasolina, estações de comboio, portos e aeroportos.
Esta ideia genial das duas, uma: ou é irrelevante como negócio e põe à prova a capacidade de lidar com números de quem teve tal ideia ou é um sucesso e faz com que quem tem qualquer assunto a tratar nos correios tenha que esperar na fila por quem vai comprar o cachecol da selecção, o último êxito dos prosadores lusos ou uma linda recordação para oferecer à Mimi.
Não se sabendo qual dos casos é, a empresa que fornece as senhas de espera, em vez da hora prevista de atendimento ou do tempo de espera mais provável, coloca a seguinte palavra: LOTARIA.
Aqui também das duas uma, ou é um desabafo do programador que, inadvertidamente, se vê impresso nas senhas, dando a ideia de que calcular o tempo de espera é o mesmo que acertar na lotaria ou se trata de uma forma subliminar de levar o freguês a jogar num dos jogos da Santa Casa, o que decerto em breve se poderá fazer ao balcão, se é que já não se faz.
São os números. Da lotaria.

11/06/2012

Mais bola

A tal folha de excel diz que a Croácia e a Espanha estão em vantagem sobre a Itália no grupo C para o apuramento para a fase seguinte. A Irlanda está com 1:6 e fora.
No grupo D, Ucrânia, Inglaterra e França estão a competir pelo lugar. Com a Inglaterra em ligeira vantagem sobre a França e a Ucrânia em ligeira vantagem sobre a Inglaterra. A Suécia está, tal como a Irlanda, com 1:6 e fora.
Ora é preciso ser pago principescamente para mandar chutos para o ar como estes?

10/06/2012

A imbecilidade ignorante (episódio Θ+5)

O locutor da bola na SIC diz primeiro que o hino espanhol evoca na sua letra o passado colonial e a hispanidade.
Depois, ao não ouvir (ver - os jogadores) ninguém cantar (à excepção do la la la nas bancadas) observa que o hino não foi cantado. Talvez devido à situação que a Espanha atravessa.
Decerto avisado ao ouvido para não dizer enormidades sobre assuntos que desconhece, emendou pior do que sonetou – que o hino espanhol não tendo letra fora cantado em silêncio(!). E que esse silêncio não significaria de facto uma greve sonora ao que se passa no país.
Cito de memória e sem a preocupação de o fazer literalmente.
O que conta é o espírito da asneira.
Talvez ele também desconheça que as tentativas de dotar o hino espanhol de uma letra foram sempre goradas. Ainda há poucos anos atrás voltaram a falar do assunto.
Actualidades

Revendo um post de há quatro anos.
Qualquer um que tenha uma folha de excel ao dispôr pode calcular o futuro. É o que fazem uns quantos, com o olhómetro grosseiro dito fino e de alto coturno. E fazendo-se pagar bizantinamente por tal.
Pois por mim, dou já apuradas para os quartos de final a Alemanha, a Dinamarca, a Rússia e a Polónia. A minha aposta já está prejudicada.
Tudo isto com contas de um olhómetro a toda a prova, feitas numa folha de excel.

A propósito da data – a escolha dos feriados abolidos ou suspensos no ar (é melhor não dizerem suspensos que tal faz lembrar pontes) não foi justificada numa certa alteração ao Código de Trabalho (ponto 1 do artº 234º) que de uma forma indigna elimina de facto os feriados de 1 de Dezembro e de 5 de Outubro.
Não me pronunciando sobre os feriados religiosos, verifico que a escolha é acentuadamente populista, demagógica. E é talvez por ser envergonhada ou muito pouco ilustrada a dita escolha que é de forma indigna e tenebrosa que se faz publicar tal decisão. Numa alteraçãozinha a um artigo do Código de Trabalho.

Não me dei ao trabalho de ler o rol de condecorados.
Calculo que, uma vez mais, os de pouca fama e muito proveito para a Pátria não tenham incorporado tal rol. E temo que não tenha sido por recusa pessoal mas por foco na fama de quem alinha estes nomes.

Muita parra e pouca uva é o sumo dos três pontos.

09/06/2012

Against all odds

No mesmo dia, no mesmo grupo, as duas equipas mais mal cotadas ganharem às de maior nível, parece pouco provável.
Na mesma competição, a Holanda perder os jogos com as equipas menos cotadas do grupo parece pouco provável.
Já começou a guerra?

É que não me mandarem dizer.
Ouvi e avistei um caça que, apesar do pouco tempo do avistamento, não me pareceu ser um F-16. É claro que posso estar enganado.
Desde que, há mais de duas décadas, fui sobrevoado a muito baixa altitude por dois F-4 com as insígnias dos EUA ali para os lados da Estação de Garvão que não me sentia tão pouco informado.

08/06/2012

Ainda a tempo

A aposta que vale jantares - os quatro semi-finalistas.
Por ordem de classificação final os dois primeiros.

Estradas imagináveis (do plano de 45) - vol. 14

07/06/2012

Coisas que os antigos diziam de outra maneira - sentença nona

Não bastam cursos d’água para separar dois territórios. A menos que um seja uma ilha fluvial.

05/06/2012

Josephine

No banco de Josephine, a coisa treme.


quadro adicionado cerca da 1:30 de 6 Jun, referente à frequência e magnitude dos sismos no banco de Josephine em 2012, segundo dados do IM

04/06/2012

Ao acordar

Quando acordei decidi mandar regressar a penates o técnico estrangeiro que havia convidado para me ensinar a tabuada em português.

03/06/2012

James

Foi o J. quem me apresentou os James.
Algum tempo depois de ele o ter feito, conseguiram-se uns bilhetes VIP para a Zambujeira.
Chegou a casa radiante, com um prato de plástico assinado pelos elementos do conjunto.
O prato era o menos, dizia ele, o que contava era ter falado com eles com calma. Um puto que com toda a segurança os interpelava em inglês e a que eles teriam achado piada.
Eu, que nunca fui de ídolos, achei por minha vez piada ao prato de plástico pendurado na parede da casa avoenga.
Entre esse 8 de Agosto de 1999 e o dia de hoje em que os estou a ouver* na televisão parece que passaram dez séculos e não 4561 dias.
Nem sequer sou um homem de músicas. Mas tenho no carro um disco dos James.

*chapeau a José Duarte.
Um cão

Ponto.

02/06/2012

A Raínha

Os ingleses para além de conduzirem ao contrário de toda a gente, têm ainda outras particularidades interessantes: põem o 12 antes do 11 – 12 a.m. são onze horas antes de 11 a.m. e dizem que o jubileu dos 60 anos do reinado de Isabel II é 59 anos depois da coroação e 60 anos e quase quatro meses depois de ter sucedido a seu pai.
Uma coisa é, porém, facto – a menina era bonita.
Estamos ainda suspensos da questão antiga: no final, só restarão cinco raínhas (ou reis): a de paus, a de ouros, a de copas, a de espadas e a de Inglaterra?



Composição: fotografia de Cecil Beaton - Victoria and Albert Museum.
A bandeira é a de Inglaterra porque se trata da Raínha de Inglaterra, não do Canadá, da Escócia, da Austrália ou de quaisquer outros reinos que lhe pertençam.
O brasão de armas foi copiado da página da monarquia britânica.

01/06/2012

31/05/2012

Pip

A senhora em casa não ouve este pip?
A senhora em casa não ouve este pip?
A senhora em casa não ouve este pip?
A senhora em casa não ouve este pip?
A senhora em casa não ouve este pip?
A senhora em casa não ouve este pip?
A senhora em casa não ouve este pip?
A senhora em casa não ouve este pip?
A senhora em casa não ouve este pip?
A senhora em casa não ouve este pip?
A senhora em casa não ouve este pip?
A senhora em casa não ouve este pip?

Pip! Pip! Pip!
Pip! Pip! Pip!
Pip! Pip! Pip!
Pip! Pip! Pip!
Pip! Pip! Pip!
Pip! Pip! Pip!
Pip! Pip! Pip!
Pip! Pip! Pip!

A senhora em casa não ouve este pip? – foi assim que aquele homem me deixou na cabeça o ruído do leitor do código de barras, sôtor.
Juro-lhe, sôtor, que até aquele maldito homem me ter feito aquela pergunta, aquilo não era uma pergunta, era uma praga, sôtor, juro-lhe que nunca tinha ouvido pips de noite nem de dia quando saía da caixa.
Não os ouvia nem me lembrava de tal. Mas quando aquele maldito homem se saiu com aquela, eu até tremi, sôtor, parece que adivinhava já a maldição.
E agora, sôtor, que é que eu faço?

Pip!

É infantil, pois

Hoje deu-me para cogitações sobre a idade mental da internet. Seja lá isso o que fôr, meça-se lá isso como se medir (que é sempre mal).
Ocorreram-me milhentas entradas no blogue feitas através de motores de busca, das quais dei aqui devida nota no tempo em que as escrutinei.
Nos dois artigos à cabeça da minha pesquisa* o valor é de 7 e de 12 anos.
Atendendo à percentagem detectada por mim de pesquisas cuja irracionalidade é, nos meus avisados e complicados cálculos a olhómetro, incompatível com o uso da escrita, inclino-me para a parte inferior do intervalo balizado por aqueles valores.

* reporta-se ao momento anterior à data e hora do post

30/05/2012

Risco sísmico

Em Itália discutem-se duas questões. O objectivo último destas discussões é encontrar os culpados, como reza a História.
A primeira é se sim ou não a região da Emília Romana está bem catalogada quanto ao risco sísmico.
A segunda é se os edifícios estão ou não calculados e construídos de acordo com as normas anti-sísmicas decorrentes do risco.


zona epicentral sobre o mapa de risco sísmico do INGV de Itália

Voltando a casa, duas questões:
Está o risco sísmico catalogado no território português de acordo com as mais recentes observações?
As normas anti-sísmicas são observadas na construção civil?
Um destes dias, desenvolverei o tema. Espero que não a propósito.

Nota: mapa substituído cerca das 23:55

26/05/2012

A ordem natural das coisas



Passando hoje junto a um cais num pequeno lago onde se encontravam amarrados nove barcos de passeio numerados em ordem diferente da natural, lembrei aos meus companheiros que nós, no outro tempo, haveríamos de os pôr em ordem depois de uma noitada.
Alguns minutos antes, porém, tinha eu já invertido a ordem natural das coisas: adquirira uma belíssima andorinha de louça para pendurar aqui no escritório. Fizera-o fora de ordem, antes do Cristo-Rei de plástico e da buzina de bexiga.

24/05/2012

São Cristóvão sem o Weekend de Godard


fotografia de Armando Serôdio depositada no Arquivo Municipal de Lisboa sob a cota PT/AMLSB/SER/S06294

E, de facto, ontem voltei atrás por me ter esquecido da carteira em casa.

23/05/2012

São Cristóvão e o Weekend de Godard

Há muitos anos que não chegava, com a protecção de São Cristóvão, um pouco atrasado a dois acidentes graves.
Aconteceu esta tarde entre a E.N. 117 e a E.N. 9, caminho de Mafra.
Lembrei-me do Weekend de Godard enquanto entrava a pé numa oficina de pneus, explicando que o carro estava do outro lado do corte de estrada.
Talvez por ter à minha frente, à espera de ser atendido, um extraordinário vendedor ambulante de pneus.


trecho da carta militar do IGEOE

22/05/2012

Nos sapatos (um tanto descarrilados) do fotógrafo enquanto jovem (cena 9)



Praia do Rio, Vila Nova de Milfontes

20/05/2012

Mereceram

Inseguro é o Estádio Nacional (III)

Temo que, a acrescentar às reafirmadas más condições de segurança do Estádio Nacional, venha o facto de o vento por vezes ali mudar de direcção sem avisar.
Quanto ao jogo, confesso que contava ver um espectáculo interessante, movimentado.
Nada disso.
Não me parece mal que a Académica esteja na frente.

18/05/2012

O caminho diz que se faz conduzindo


Nota: por grave falha de atenção esteve escrito no painel adicional ΔΡΑΧΜΑ e não ΔΡΑΧΜΗ

16/05/2012

Perfume

Cheira-me a resina de injecção própria para betão.
Estou convencidíssimo de que se trata de outra coisa. A esta hora e neste local não acredito que andem a injectar resina em estruturas.
Básico

Diz o ministro Relvas que dispõe de um telemóvel básico que por básico ser não permite uma correspondência muito acentuada (aos 0:22 desta peça).
Esta argumentação e esta lógica fazem-me lembrar alguém.

15/05/2012

Outra vez o relâmpago

As comadres mais atrasadas do mundo rural não diriam melhor: atingido por um relâmpago [o avião em que Hollande seguia para Berlim, segundo a abertura do Telejornal da RTP].
Talvez a palavra raio tenha sido proscrita como tantas outras.
Um dia destes será talvez motivo de procedimento criminal proferi-la, quem sabe?
Estas criaturas continuam a não distinguir entre o relâmpago que é o clarão emitido e o raio que é a descarga eléctrica.
Podemos é claro considerar (e bem) que raio, relâmpago e trovão são um e um só fenómeno.
As suas diferentes manifestações nos nossos sentidos é que são distintas.
Aí, também não há razão para não dizer que foi atingido por um trovão. Como já foi uso.
O facto é que todos fomos atingidos por relâmpagos e trovões sempre que estivemos em presença de uma trovoada. Os que foram atingidos por raios raramente escaparam para contar.
Thor não quis o homem em Berlim?
Deutschland über alles

Veremos se a preponderância da Senhora Merkel nos assuntos europeus se transmite ou não ao chanceler seguinte da Germânia.
Eu aposto que sim.
Não confundir a preponderância da senhora com a dos seus antecessores do pós-guerra.

14/05/2012

Explicar

Explicar ao jornalista médio que as coisas não são assim tão fáceis como rasgar uma ponta ou apôr um carimbo quando tal não será feito a todas as notas semelhantes e a todas as moedas (um cunho extra) em circulação legal não é de facto fácil.
Ver a notícia a partir dos 1:47.


imagem da Sky News

Nota: a nota rasgada é portuguesa (tem a letra M).
Lisboa, 2009

12/05/2012

Da bola

Sporting abaixo da média, Porto e Benfica acima da média.



Percentagens referentes a dois pontos por jogo e ponderadas de acordo com o número de jogos por época.
webliografia: http://desportoluso.no.sapo.pt/(Jorge Miguel Teixeira)
Notas secas

Aguardo a indicação da fórmula de conhecer a data da feira de Garvão a partir de agora. Procurei, procurei e nada encontrei.
No ano passado, a ilustre vereação da Câmara Municipal de Ourique (com voto contra de José Raúl dos Santos) deliberou mudar a feira para o fim de semana seguinte à data da tradição. Porque ao fim-de-semana era melhor e já não coincidia com o desmanchar da Ovibeja. E o ter sido a C.M.O. a deliberar sobre tal assunto, dá a perceber que Garvão perdeu a soberania sobre o evento.
Este ano foi novamente alterada – embora na página da C.M.O. ainda figurem as datas de 9,10 e 11 de Maio, o que deixa entender que não há critério substituto.
Como se tem tratado de navegação à vista, cumpre saber se continuará a data de uma das feiras mais antigas da Nação a ser decidida aos trambolhões ou se haverá um critério, qualquer que seja, que permita saber antecipadamente quando é.
Se é ao fim-de-semana, em qual deles é? Se calha sobre a Ovibeja, muda-se ou não?
Eles lá na ilustre vereação parece que não sabem. Eu também não.

O presidente eleito da República Francesa não tardará, assim se diz, à chamada a Berlim.
A ver vamos se continua a subserviência protagonizada por Sarkozy. As aparências, sendo sabido que às vezes iludem, não são auspiciosas. Mais do mesmo?

Por um acaso, e posso dizer que se trata de um acaso, tenho à bica umas leituras sobre e à roda de Fátima, ficção, ensaios críticos, apologias, há de tudo um pouco na mesa de cabeceira.

08/05/2012

Notícias

Tanto a SIC como a TVI (a RTP não sei) repetiram o mesmo disparate que alguém lhes transmitiu: Sarkozy foi o primeiro presidente da denominada V República Francesa a não ser reeleito.
Mais um dos tais sinais de que o mundo começou quando os jornalistas nasceram. E que, para além disso, não têm quem lhes corrija a mão.
Houve ainda uma parte especialmente anedótica na SICN pouco depois dos resultados provisórios terem sido divulgados. O jornalista de serviço disse qualquer coisa que soou como ... [a informação] que nos chega de França é demasiado informativa, resume-se a números, ainda não há reacções aos resultados, pelo que não se conseguem tirar ilações.

07/05/2012

Campanhas

A campanha que dita que toda a gente deve ler pela cartilha das alterações climáticas ou ambientais é das que mais sucesso teve nos últimos tempos, a par da que fez baixar significativamente o consumo de tabaco.
Vê-se e ouve-se que a mole acredita em qualquer coisa que seja designada dessa forma. E não há nada mais irredutível do que um crente. Para um crente tudo tem ou pode ter como prima causa o seu alvo de crença.
Vem isto a propósito de entrevistas televisivas urbanas de rua feitas na assunção de que a temperatura, conforme é anunciado, vai subir significativamente para o final desta semana.
Todos os anos, sem excepção, desde que me lembro de ser gente que ouço que o tempo já não é como era dantes.
Nunca percebi onde é que acabava ou começava esse dantes. A verdade é que, de facto, o tempo já não é como era dantes. O tempo, o outro, o que passa, dita que assim seja. Para o tempo, o tal, o que faz, e para tudo o mais.
Razão teve aquela senhora que ao ser interpelada na rua, a propósito de qualquer coisa que não vem ao caso, proferiu a mais singela das sentenças: “Antigamente tínhamos todos dezoito anos!”
É tão raro ouvir algo tão terra-a-terra e tão certeiro nas entrevistas aos chamados urbanos.


carta de previsão do ECMWF para 12 de Maio

06/05/2012

Mesas

E vimos

Que de facto a única coisa que havia a discutir nesta eleição em França era o tamanho da vitória.
Que desrespeitou a maioria das sondagens.