Uma das coisas que me convida a assistir às transmissões de ciclismo é com toda a certeza a qualidade dos comentários.
Depois de David Duffield, com a excepção fugaz de Francisco Figueiredo, só se apanham coleccionadores de anedotas. Ontem, face à imagem de um dinossauro numa rotunda de uma terra no Jura, um comentador na RTP afirnou que o dinossauro estava ali porque naquela terra do Jura tinham sido recentemente descobertas coisas do... Jurássico.
É este o nível (mais elevado) da coisa. Abaixo, muito abaixo de dinossauro é a regra.
A inexistência nas redacções de gente que proíba o pessoal de falar do que não sabe é mais do que notória. Depois há a questão de eles, os comentadores, não saberem que não sabem, que é coisa transversal nos dias que correm.
Ouvem-se coisas dignas do melhor Monty Python. Não creio que haja campo do espectáculo em que os comentadores sejam eles próprios um espectáculo como o ciclismo. Mas um triste espectáculo.
Já há uns anos que o meu hábito de comprar o Expresso, velho de trinta e um anos, somado aos oito em que o lia sem o comprar, me vai criando alguma erisipela.
O jornal, como aqui já referi, é hoje feito para graus de inteligência e de saber muito inferiores aos que alvejava de início. Massificou-se.
Na edição da semana passada, a pérola abaixo. Não me venham dizer que é gralha ou que é uma poética evolução semântica. É que disto e pior do que isto se encontra por lá sem dificuldade.
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