12/08/2012

Bichos


imagem da RTP

A RTP parece entregue aos bichos.
A falta de respeito com quem paga a taxa e os impostos é completa.
Há pouco, sem aviso algum, interromperam a transmissão da cerimónia de encerramento dos jogos olímpicos para transmitirem um sorteio.
O expoente máximo dessa falta de respeito ainda são as repetições de programas que passam como se tratasse da primeira vez.
Até parece que há interessados em que o serviço seja péssimo.

09/08/2012

Ivone ou a tradução instantânea

A chave é esta: numa excursão de liceu a terras do Norte, havia um colega que começando numa marca de refrigerantes – o dia estava de facto quentíssimo – desconhecida para a maioria dos arrabaldinos da capital, ia descobrindo traduções. Aquela marca, exibia a garrafa e fazia gestos alusivos a traduções que ele engendrava de si para si, como se tais gestos fossem nomináveis, identificáveis, reproduzíveis e ainda narráveis, era a tradução a norte do Sumol. Não havia sobre isso a menor dúvida.
A cifra é esta fotografia, obtida há pouco mais de um ano:



A pista pode ser esta aqui.
Quem morrerá desta vez?
Portugal, 2012

08/08/2012

O burro sou eu!

Dei aqui uma nota falsa e atribuí culpas a quem não as merece. Peço desculpa a todos os visados.
Referi um anúncio na televisão que passa há anos e que se refere a um incêndio causado por um cigarro em Beja no dia 26 de Julho de 2004.
Disse que era um disparate porque nos arredores de Beja não há combustível que alimente um grande incêndio. E julguei que a referência era a do grande incêndio da serra do Caldeirão que se iniciou nesse dia lá para o sesmo sul do distrito de Beja.
As razões para tal erro, que já detectei quais foram, não são para aqui chamadas.
É um erro e basta. Nada o justifica.
A verdade é que o relatório parcial de ocorrências de 23 de Setembro lhe faz menção, bem como todos os seguintes. O relatório de 6 de Outubro já assegura que o fogo se deveu a um cigarro.
Referência também lhe é feita pelo João Espinho, em cima do acontecimento. Penitencio-me da grossa asneira.
Não há forma de se ser exigente sem começar pelo espelho.

07/08/2012

Meta

De metas volantes sem grande importância também reza afinal a História.


com a devida vénia ao autor das capas e a quem as publicou em sites de leilões, alfarrabistas, etc.

05/08/2012

As grandes questões universais - episódio q+22

O que levará alguém, no pleno uso das suas faculdades mentais, a divulgar aos quatro ventos a descoberta de um paraíso, cujo depende da pouca afluência?
Lembrou-me isto ao ver a campanha caça-moedas das 7 praias usar alguém nessas condições presumidas de plena saúde mental, na promoção de locais magníficos, porque pouco frequentados.

04/08/2012

Execrável

É a palavra que encontro para classificar o nível médio dos comentários aos Jogos Olímpicos nos canais de televisão.
A coisa vai dos erros grosseiros, típicos de quem não percebe o que está a ver, à emissão de opiniões que são dispensáveis, com o seu paroxismo a ser atingido na minha apreciação por um tipo que teve a lata de criticar o público que na opinião dele sofre de medalhite aguda ou crónica.
É tudo tão mau que está em perfeita sintonia com o estado a que chegámos. Não há surpresas, o homem não mordeu o cão. Isto não é notícia.
Mas é talvez altura de começarmos, os que ainda podem fazê-lo, a pensar na forma de escolher melhor quem faz estes e outros trabalhos e também de preparar essa gente.
É que a mediocridade é um lamaçal espelhado. Os medíocres olham-se nele e concluem que tudo vai bem.

03/08/2012

A bela Ivone

A bela Ivone não é bela, é amarela!
E é justamente por ser amarela que é bela.
Já isto foi dito e redito vezes sem conta.
A bela Ivone não é bela mas amarela e tem a volta na ponta.

02/08/2012

Andanças do mirone (II)

Fogo no cêrro do Castelo, em Abrantes. Esta tarde.

01/08/2012

Fará

Fará trinta e seis anos daqui a umas horas, restávamos só nós dois da trintena do costume.
Naquela noite éramos novatos no sítio.
Alternámos então, do banco frente ao mar na noite quente, a caminho da barraca das cervejas por rodadas que esgotávamos placidamente e sem grandes conversas.
Esse foi o prenúncio de um Agosto agitadíssimo, do qual saímos todos muito diferentes.
O ter amigos velhos dá nisto – trinta e seis anos depois estamos prestes a violar uma regra sagrada, aquela que dita que os negócios são à parte.
Sugiro-te que, entre todas as cervejas que bebemos juntos, pelos séculos dos séculos, consideremos essas o selo do negócio que iremos firmar.

31/07/2012

Boatoogle

Corre o boatoogle que caiu um meteorito em Gáfete.
As minhas fontes no local não confirmam tal sucesso.

27/07/2012

Especialistas

Os tipos que relatam o desfile olímpico para a RTP anunciam a representação do Reino Unido e a tentativa de Ian Thorpe, que eles tomam por americano e confundem com Phelps, de bater o recorde do número de medalhas olímpicas.
São dois erros crassos, que qualquer criança que houvesse feito o trabalho de casa, não conhecendo o assunto, não cometeria.
Das divisões do Mundo (episódio n+8)

Segredava-me um ancião um destes não-dias que a única divisão do mundo que considerava era entre os que são inadvertidamente desagradáveis e os que são deliberadamente desagradáveis.
Ainda estou a cogitar se a subscrevo ou não.

26/07/2012

O junkie das palavras



Não sei quantas pessoas haverá, em todo o universo, que se possam procurar e encontrar no Google Street View. Calculo que uma ínfima, muito ínfima, porção.
Pois bem, eu não te procurei. Apenas seguia um link encontrado algures. E lá estavas tu, tal como da outra vez, quando passei de carro.
Pareceu-me que num ciclo mais saudável. Apenas seis meses depois, diz a data da foto. Assim o espero.
Talvez agora, pegando na última frase desses dias, o junkie seja eu. O das palavras. As que não te disse, as que não me disseste.

25/07/2012

Carta ao senhor Primeiro-Ministro

Já é longínquo o tempo das cartas ao poder. Seja a do Aónio (Aonio?), Cidadão campónio, dada ao prelo; seja a menos aberta do Bispo do Porto, que afinal todos conheceram pelo menos de título; sejam as que saíram mesmo nos jornais ou até as que deram forma a federações sindicais.
Todas elas pretenderam ou chamar atenção ao poder estabelecido, fosse ele qual fosse, ou promover a crise, no sentido mais antigo da palavra grega.
Pois eu pretendo não ter qualquer tipo de influência que a isso leve, o que me tranquiliza quanto a eventuais consequências da minha epístola.

Escrevi aqui, num tempo em que o senhor ainda estava algo longe da cadeira de São Bento, que o considerava um tipo capaz, que nos pouparia a dislates em que o seu antecessor se mostrou pródigo. Não há nisto qualquer tipo de clubismo anti-PS ou pró-PSD, uma vez que entendo serem ambos os partidos faces diversas da mesma moeda. Antes existe um certo horror ao disparate e à mediocridade que, como sabemos ambos, campeia em ambos os partidos.

Não me incomodam as suas expressões populares que tanta tinta fazem correr – é natural que assim seja, o povo revê-se no popularucho e não resiste a comentá-lo, esteja ele o povo à mesa do café – se é que ainda está – ou nas redacções dos jornais, das rádios e das televisões.
Não me incomodam as suas tentativas para pôr as contas na ordem e impôr racionalidade nisto tudo. Aplaudo-as.
Não me incomodam sequer alguns excessos de zelo que nesse campo se têm visto.

O que me incomoda, senhor Primeiro-Ministro, é algo que também incomoda muitos dos meus compatriotas. Talvez até o incomode a si, que tenho por não ser insensível ao desnorte.
É que pretenda levar o país para um caminho exemplar e carregue consigo a fancaria a que aqui aludi faz tempo, ainda o senhor estava num certo limbo, dando logo aí péssimo exemplo.
Escrevi aqui há meses suficientes que no governo havia pelo menos um ministro inenarrável. Há mais do que um. Mas esse dá um péssimo exemplo às massas. Ou será que não dá?
O que me incomoda, senhor Primeiro-Ministro, é a ausência de capacidade de extirpar cancros que corroem o cimento social – a instalação do chico-espertismo um pouco por todo o lado, como bem indicava o falecido Ernâni Lopes; as chorudas golpadas dos ditos consentidas por nulidades intelectuais omnipresentes e que, só por serem nulidades, não se podem dizer cúmplices.
O que me incomoda é, como já outros disseram, um desfile de asneiras que exala um cheiro a fim de regime.
Lembro-me da série quase interminável de disparates que antecederam o 25 de Abril de 74.
Estamos lá quase.
É isso que me incomoda. A mim, e perdoe-me a presunção, a muitos mais.

O senhor, justamente por ser mais capaz do que os outros, tem maiores responsabilidades. Se isto correr mal, não tem desculpa.

Dato esta carta de 25 de Julho. Uma data apenas simbólica – para mim ainda mais que as raízes estão-me nesses campos - mas que os intelectuais da praça, os tais de que se deve ter socorrido para eliminar ou suspender os feriados de 1 de Dezembro e 5 de Outubro devem ignorar.

24/07/2012

A nota do dia

Lendo esta nota do Presidente da República endereçada ao Parlamento e à sua Presidente apenas ficamos com mais um prego para pregar no caixão da excelsa democracia parlamentar que tais brilhantismos alberga.
Horários

Quando é que acabará esta moda de os Jogos Olímpicos começarem antes de terem começado? Pelo menos desde 2000 que há jogos de futebol dias antes da cerimónia de abertura.
É um exemplar sinal dos tempos. Quase que ilustra a insuportável expressão “é para ontem!”

23/07/2012

Figuras de estilo

Um indívíduo que falava em nome do PS e cujo nome não retive usou, a propósito da carga fiscal e do desmando orçamental, e cito de memória, a expressão trata-se de um jogo de soma nula em que todos perdem.
Há aqui decerto uma figura de estilo que me escapa.

22/07/2012

HGU en rose ou hádestermuntavercõisso

Aquilo que eu não sabia antes de começar este Tour é que o homem que venceu o sprint nos Campos Elíseos em 2008 acabou por arrebatar le Tour en rouge. Belo prémio!

21/07/2012

O controle emocional dos fogos

Passo sempre ao lado dos comentários dos jornalistas e das suas apreciações.
Nos directos ou nos gravados atento ao que diz o povo. E o povo, mais desconto menos desconto, mais interesse menos interesse, lá vai desenhando por palavras o que sucede, o que sucedeu.
Nestas coisas do fogo, esclarecida que está por mim a ausência de um comando conhecedor e capaz na maior parte das circunstâncias em que o fogo excede a dezena de hectares, começo a suspeitar que há, na utilização de aeronaves, um comando e controle demasiado emocional a pôr e a dispôr.
E a suspeita resume-se a isto:
Havendo sete ou oito frentes a que acudir, não se trata de uma de cada vez até a extinguir.
Vai-se rodando entre elas, de forma a calar os insatisfeitos, e fazendo um arremedo de combate ao fogo que será naturalmente pouco mais do que ineficaz, a partir do momento em que se retorna a uma frente num ponto em que ela está com a mesma força que tinha quando da passagem anterior.
Não posso afirmar que assim é. Mas lá que parece, parece.
Um euro e seiscentos e dezoito cêntimos



É este o preço médio da gasolina segundo a RTP.
Não há mesmo nas redacções quem reveja e impeça estas grossas asneiradas, próprias de uma primeira classe mal tirada.

20/07/2012

Do 1 ao 563

Não parece mas são 566 livros*. Custou (recuperar o extraviado e comprar o que faltava) mas foi.
Mais uma nota para os tipos que sabem exactamente quantos parafusos tem a torre Eiffel.



com a devida vénia aos autores das capas e a quem as publicou em sites de leilões, alfarrabistas, etc.

* falta na composição o 200 da Vampiro que também se inclui nas contas.

19/07/2012

E contudo ela move-se

Faz um ano que se iniciou a crise sísmica em El Hierro.
Pode ver-se aqui, atendendo aos últimos dois anos aproximadamente, a diferença entre a frequência de sismos no ano que decorreu e no ano anterior e ainda o acumulado da energia libertada nos mesmos intervalos, segundo os dados do IGN de Espanha.


Não sabem o que dizem

Há um aviso nas televisões que passa há anos e que fala de um fogo em Beja em 26 Julho de 2004, no qual arderam uma remessa de hectares e que o culpado disso tudo foi um cigarro. A incúria.
Ora em 26 de Julho de 2004 e dias seguintes arderam de facto uma remessa de hectares. Eu próprio fui testemunha de uma das noites longas de inferno.
O fogo não foi em Beja nem esteve lá perto. Qualquer um que conheça Beja e arredores sabe que mesmo em tempo de restolho e pasto seco é muito pouco provável que um fogo atinja grandes dimensões nas cercanias da cidade. A razão é simples – não há combustível.
Foi lá para a extrema do distrito e a maior parte da área ardida pertencia ao distrito de Faro (ver figura), como há uns tempos se passou a designar o Algarve.
Se o culpado foi a incúria ou não, nunca se saberá. Mas o que corria na época é que tinha sido intencional e bem intencional o seu começo. Se é que a palavra intenção faz algum sentido, significa alguma coisa.
Depois de alastrar, pode sempre dizer-se que houve incúria.
Estes exemplos de tiros ao lado, de erros grosseiros em campanhas de prevenção são péssimos.
Dão de facto uma imagem de incúria ou de inépcia mental que não nos sossega nada.

O Algarve está outra vez debaixo de fogo.
Depois de 2004, chegámos a ter um ministro da Administração Interna que se gabou às câmaras de televisão de ter percebido que as aeronaves de combate ao fogo tinham uma eficácia directamente proporcional à sua capacidade de armazenamento e inversamente proporcional ao tempo de reabastecimento (retorno ao local em condições de combate).
Continuamos com gente da mesma bitola.
Veremos se desta vez será pior.


imagem in
DIRECÇÃO GERAL DOS RECURSOS FLORESTAIS
D S D F - Divisão de Defesa da Floresta contra Incêndios
Relatório provisório Incêndios Florestais – 2004
(01 Janeiro a 01 Agosto)
03 Agosto 2004
p. 8


TUDO ISTO ESTÁ ERRADO - VER AQUI

18/07/2012

O cordel

O meu velho J.d’ sentou-se e disse:
Não sei como é que ela não lhe disse já que cada vez que sentisse um puxão no casaco deveria ficar calado ou mudar de assunto. Há muita gente que faz isso.
(Quem diz um puxão no casaco diz um puxão num cordelinho atado a um passador do cinto – contrariei eu cá para comigo.)
Isto evitaria deslizes nos momentos em que a senhora está presente e atenta.

15/07/2012

O livro de autógrafos



Decidir qual é o ponto em que se pode recuperar para a nossa auto-estima o livro de autógrafos das meninas dos anos 60, carece de uma ponderação.
É o ponto de inflexão de uma função que representa o somatório da consagração da importância absoluta dos signatários na nossa vida em função do tempo de que ainda dispomos para a honrar.
Fazê-lo antes desse momento pode implicar o rasgar de páginas e acarreta, em contrapartida as inevitáveis ausências dos que nos puseram de pé.
Os abaixo assinados que fazem a prova de uma vida estão alinhados do lado da consequência e do nosso mérito (se se acredita que tal coisa existe) enquanto aqueles que nos ensinaram a andar são coproprietários do livro ou se vêem nele representados. Contaditório e confuso, claro está. Um rasgo de desculpa pelas assinaturas em falta.
Ando a pensar no assunto.
Talvez com folhas como aquelas que os carteiros trazem para se assinarem os registos. Com o nome do requerido em tipo Aparajita tamanho 10 e a inevitável cruz, digo alfa a lápis – assine aqui.

14/07/2012

Circunstantes adivinhados



Dos circunstantes não nomeados no sonho destacava-se pela voz roufenha o que defendia que as mulheres que andassem para trás com saltos exageradamente altos e finos – propunha até uma fórmula para a esbelteza dos saltos – deveriam gritar como grita um carro velho em marcha atrás.

13/07/2012

Estradas imagináveis (do plano de 45) - vol. 15


Nota: a toponímia das estradas imagináveis é porém real

12/07/2012

Estado social

O epítome abissal do Estado Social é um paralítico a pedir a outro paralítico que lhe faça o jantar.

10/07/2012

Degraus

Faltam-me uns degraus para ascender à indiferença olímpica à estupidez, cuja não herdei de meu Pai.
Ele expressava, sem o dizer, que é desnecessário queixarmo-nos dos dados de um problema. Diria assim mesmo se o tivesse dito – desnecessário.
Ora eu não cheguei lá.
Coisa que me faz suficientemente estúpido para ver negada a ascensão a tal patamar.
Lamento-o (lamento esse que não é mais do que uma queixa para dentro), mas é assim.

A estupidez quando admitida em certos cargos pode ser desastrosa. É inutil aprofundar o tema.
A estupidez não é coisa que desapareça com o tempo numa cabeça. Fica para sempre. Não há saber que lugar não ocupe que possa abrir as paredes estreitas de uma mente.
A estupidez não é crime nem contravenção. Não é culpa nem responsabilidade do seu portador.
O uso da estupidez em certas funções é sempre culpa e responsabilidade de outrem.
Daquele que podendo ver, escolheu um cego.

Na maior parte das dificuldades impostas pelo trato do Estado ao cidadão está, no fim da linha, um bronco.
Um bronco que lá foi posto por outros broncos que o acharam notável e que foi tacitamente aceite por quem conseguiu ver a qualidade de bronco e se deixou estar.
É pois a cobardia dos capazes, a sua omissão, que permite a duplicação sucessiva de mal iluminados em cargos de responsabilidade.
Haverá alguns capazes que com isso lucram. O grosso da coluna perde.
É aquela minha velha história do Pinhal da Azambuja.

E depois há situações onde é muito improvável que alguém lucre alguma coisa.
Vejamos este caso:

Um indígena marca uma consulta no SNS pela internet.
A marcação pouco depois é rejeitada por e-mail.
O indígena escolhe outra data.
A marcação pouco depois é aceite por e-mail.
Subentende o indígena que, se por alguma razão, a consulta não fôr possível será avisado a seu tempo por e-mail ou SMS, dado que o seu número de telefone lhe foi solicitado aquando do registo.
Decorridos quinze dias sem novas do SNS, mete-se o indígena ao caminho para chegar com certa antecipação ao local de atendimento, cujo lhe é estranho há tempo suficiente para se poder dizer desconhecido.
É o indígena atendido por prestimosa e simpática funcionária a qual o informa, não sem um certo pesar na expressão, que a sua consulta não terá lugar.
Diz a senhora que as marcações pela internet têm erros destes. Marcam consultas que não há.
E diz ainda que o indígena houvera de ter sido informado pelo telefone, caso o número respectivo estivesse atribuído, coisa que não está.
Não atalha o indígena contra a senhora dizendo que o número está no registo e que o e-mail também.
Mas diz-lhe do que sucedera quando obteve, por mudança de residência, o cartão de cidadão, não o de Isabelino, que jamais seria chamado ao caso, mas o dele próprio. Que lhe haviam dito que todos os registos que sobre ele constassem no âmbito civil, fiscal e hospitalar seriam de uma penada actualizados, sem que ele mexesse uma palha do chapéu.
A senhora, ainda pesarosa, terá dito pois. E marca-lhe ali mesmo, de papel passado, uma consulta para um dia destes.
O indígena chega a casa e reclama. Manda a reclamação por e-mail. Vem rejeitada.
Escolhe um outro endereço do SNS e reenvia. Vem rejeitada.
Escolhe um terceiro. Vem rejeitada.
O indígena escreve um post e publica-o ainda antes de obter uma satisfação. Está pelos cabelos. Que já não tem.
A reclamação afinal foi aceite. Quer o indígena dizer que não veio rejeitada.

09/07/2012

Ciclismo e cultura

Uma das coisas que me convida a assistir às transmissões de ciclismo é com toda a certeza a qualidade dos comentários.
Depois de David Duffield, com a excepção fugaz de Francisco Figueiredo, só se apanham coleccionadores de anedotas. Ontem, face à imagem de um dinossauro numa rotunda de uma terra no Jura, um comentador na RTP afirnou que o dinossauro estava ali porque naquela terra do Jura tinham sido recentemente descobertas coisas do... Jurássico.
É este o nível (mais elevado) da coisa. Abaixo, muito abaixo de dinossauro é a regra.
A inexistência nas redacções de gente que proíba o pessoal de falar do que não sabe é mais do que notória. Depois há a questão de eles, os comentadores, não saberem que não sabem, que é coisa transversal nos dias que correm.
Ouvem-se coisas dignas do melhor Monty Python. Não creio que haja campo do espectáculo em que os comentadores sejam eles próprios um espectáculo como o ciclismo. Mas um triste espectáculo.

Já há uns anos que o meu hábito de comprar o Expresso, velho de trinta e um anos, somado aos oito em que o lia sem o comprar, me vai criando alguma erisipela.
O jornal, como aqui já referi, é hoje feito para graus de inteligência e de saber muito inferiores aos que alvejava de início. Massificou-se.
Na edição da semana passada, a pérola abaixo. Não me venham dizer que é gralha ou que é uma poética evolução semântica. É que disto e pior do que isto se encontra por lá sem dificuldade.


clicar para ampliar

07/07/2012

Estudos

Na sequência do que aqui escrevi, a propósito de outro assunto, sobre os cursos superiores de terceira, quarta e quinta categorias, tanto eu como o meu velho J.d’ concordámos que, pelo respeito que temos pelas nossas próprias e subidas pessoas, jamais enviaríamos um currículo de cadeiras feitas e de responsabilidades abraçadas com a finalidade de obter um diploma para aí de calceteiro marítimo. Para aí.
Com isto, desamasso o pedido de deferimento que não fiz a sua excelência.

06/07/2012

03/07/2012

Notícias

Calculo que se ensine na escola de jornalismo que o tom e o teor duma peça para rádio ou televisão devem adaptar-se ao presumido número de vezes que a mesma vai ser exibida.
Quem está em piloto automático a ouvir uma estação de rádio ou de televisão de notícias, ouve de acordo com um período de retorno proporcional ao sumo noticioso do dia, a mesma peça.
Se ela contiver, como é hábito mais ou menos recente, uma intentada dose de piada, de ironia ou de qualquer outro ingrediente que talhe a maionese, cedo se torna insuportável em dia sem novidades.
Uma coisa mais à faca, despida de adjectivos e de comparações desnecessárias, acaba por ser tolerável aí mais umas ene vezes.
Um destes dias ouvi, não sei por quê, uma porrada de vezes a notícia de que as Spice Girls iam voltar a actuar. Metia dois gritinhos emitidos naquela frequência feminina que um velho amigo associava invariavelmente a fêmea estúpida.

02/07/2012

Das apostas

Perdi mais uma.
O curioso desta última aposta é que o quadro tinha esta combinação perfeita:
1 selecção foi escolhida pelos três apostadores – a alemã.
3 selecções foram escolhidas por um par diferente de apostadores – a holandesa (A e B), a francesa (A e C) e a espanhola (B e C).
3 selecções foram escolhidas apenas por um apostador – a portuguesa, a italiana e a russa.
O vencedor do jantar já perfaz com este campeonato quatro vitórias consecutivas. Bate mesmo a Espanha.

01/07/2012

O melhor seleccionador do Mundo


imagem daqui

Sim. Ainda me lembro de ver jogar este senhor.
O vulcão voltou

Quase um ano depois de um pico de actividade vulcânica em El Hierro, as profundezas parecem querer reafirmar a ameaça.
Gráfico descritivo da frequência e magnitude dos sismos registados em El Hierro no último ano, de acordo com o IGN de Espanha:


(clicar para ampliar)

27/06/2012

Imagem do dia


trecho do mapa de Tomás Lopez de Vargas Machuca (post 1784) depositado na BN sob a cota C.A. 14 R.

Eles que se deixem de tretas e marquem a fronteira à volta de Olivença tal como está consagrada no artº CV do Tratado de Viena de 1815.

26/06/2012

Razão

O que me faz temer pela razão não é mais do que isto:
Deparar com uma folha de excel onde, sujeito a um algoritmo rudimentar, aparece um número de telefone com chamada tentada que é dado como desconhecido.
Ao olhar para o número, vejo.
Vejo que é o meu próprio número.
Está na altura de deixar de ser ainda mais autobiográfico.

23/06/2012

Balelas

É confrangedor ler este esboço zero de um declaração final a sair da cimeira Rio+20.
O espírito é o de que antes “ricos, bonitos e saudáveis” do que “pobres, feios e doentes”. Um chorrilho de banalidades bem intencionadas que chocam com a crueza da realidade humana.
Depois, a quantidade de ilogismos é absurda.
O amálgama de interesses contraditórios com assuntos laterais e insignificâncias é o sumo da coisa. Um zero de estratégia que pretenderá afinal justificar transferência de fundos de um lado para o outro. É pois disso que se trata.
A visão romântica disto é a de um freguês que entra numa loja e pede uma mézinha para superar todos os inconvenientes da sua vida. E acrescenta: tem em verde?
A Besta Negra

Não sei de onde tiraram a ideia de que a Espanha também é para nós Besta Negra no futebol, à semelhança da França.
Da França e nas meias-finais, temos as recordações de 1984, 2000 e 2006.
Da Espanha, apenas a derrota de 2010.

22/06/2012

A devassa

Se eu pertencesse ao grupo dos que pretendem interpretar os sonhos, haveria de chegar à conclusão de que o meu espírito ronda a bisbilhotice e a devassa perquisitória.
Tantas são as ocasiões em que faço caminho público da casa de outrem.
Ainda hoje, depois de um curva em que um autocarro de turismo inverteu a marcha por se ter acabado o caminho, eu que era mero espectador da estrada acabada, fui e vim do fim da estrada por um corredor estreito e por uma fresta onde mal fiz passar a minha corpulência.
À volta dei com o dono da casa a desapilhar uma caixa de livros velhos de um dos lados do corredor que à ida estava deserto.
Insinuei-lhe um interesse. Respondeu-me com um apego à caixa semelhante ao meu.
Quase que ficámos amigos.
O ponto t

Qualquer aprendiz de feiticeiro sabe que, a partir de uma taxa t, o volume de imposto cobrado deixa de aumentar com o aumento da taxa.
Reconhecendo-se que se chegou a t, urge arrepiar caminho. Também é do conhecimento de qualquer aprendiz de feiticeiro.
O debate sobre se já lá se chegou ou não pode ser iluminado pela realidade crua dos números. Ou não?

21/06/2012

Ceder ao vulgo

A massificação da informação e velocidade de propagação desta promovem o efeito de espelho – o erro torna-se comum, massificado, facilmente reproduzível, na ausência de espírito crítico e de bases para o sustentar.
Isso, todavia, não justifica que organismos com responsabilidade se verguem ao vulgo, que lhe respondam aos motes.
A dignidade das instituições também se faz disso.

17/06/2012

Euro 2012

Não houve cambão como se temia no post abaixo.
E mais uma vez se repete tal e qualinho a falta de eficácia.

Quanto a mim, na aposta já estou a tenir quanto ao campeão. Mas ainda a tempo de palmar o jantar.

HOLANDA
ALEMANHA
ITÁLIA
FRANÇA

Nos cálculos, segue já a correcção do exame:

No mesmo dia, no mesmo grupo, as duas equipas mais mal cotadas ganharem às de maior nível, parece pouco provável. (CERTO)
Na mesma competição, a Holanda perder os jogos com as equipas menos cotadas do grupo parece pouco provável. (ERRADO)

Pois por mim, dou já apuradas para os quartos de final a Alemanha, a Dinamarca, a Rússia e a Polónia. A minha aposta já está prejudicada. (ERRADO QUANTO À RÚSSIA, POLÓNIA E DINAMARCA)

A tal folha de excel diz que a Croácia e a Espanha estão em vantagem sobre a Itália no grupo C para o apuramento para a fase seguinte. A Irlanda está com 1:6 e fora. (CERTO)
No grupo D, Ucrânia, Inglaterra e França estão a competir pelo lugar. Com a Inglaterra em ligeira vantagem sobre a França e a Ucrânia em ligeira vantagem sobre a Inglaterra. A Suécia está, tal como a Irlanda, com 1:6 e fora. (CERTO)
Ora é preciso ser pago principescamente para mandar chutos para o ar com este grau de desacerto depois da primeira jornada?
Cambão ou não?



Há muito quem se lembre do que se passou em Gijón, do que se passou no Porto.
Logo por acaso, com os alemães, com os dinamarqueses.
Há-de haver

Há-de haver algures quem estabeleça causa e efeito entre a vitória futebolística da Grécia e o resultado da eleição que hoje terá lugar.
Não me vou dar ao trabalho de procurar. Fico-me a adivinhar as frases.

16/06/2012

Restos de colecção (76)


158 anos depois da Batalha de Cacilhas, saindo de Garvão no mesmo 16 de Julho que Terceira.

15/06/2012

Caiu-lhe a moeda

Diálogo improvável que Hipnos pôs na minha cabeça:
Zé, lembras-te de ouvir falar naquele escritor que esteve uns tempos naquele monte que é hoje da tua tia e que escreveu uma peça inspirado no nosso tio L.?
Então não havia de me lembrar? Foi o que lhe caiu o dedo e só deu por isso quando ouviu a moeda cair no chão.

13/06/2012

Os emocionistas

Os emocionistas não reflectem, não usam a cabeça e falham na parte racional das coisas. É possível que beneficiem de melhores resultados na parte emocional das coisas. Não o sabemos.
Não o sabemos como não sabemos identificar uma e outra na mente. Embora saibamos que há coisas que a razão nos ajuda a resolver, criar e operar uma máquina simples como exemplo básico.
Os emocionistas fazem cálculos com base no que lhes parece, no que sentem, não com um lápis e um papel. É como se pedíssemos a conta ao Manel do café e ele dissesse, mirando a quantidade de minis, de alcagoitas e de pratos de caracóis, que são cento e vinte mirréis.
É nessa base que alguns deles preferem a vitória da Alemanha no jogo que ora decorre.
Não fizeram as contas.
Contas

Temos assim que no grupo A, quem ganhar o último jogo passa.
Cada qual depende de si próprio.
Antigamente tínhamos 20 anos*


Manjerico roubado aqui. Sem a quadra.


*frase roubada a uma senhora que foi certa vez entrevistada na rua por um canal de televisão e que eu já deturpei por minha vez, escrevendo tínhamos todos 18 anos.

12/06/2012

Lotaria

Os números. Normalmente são aqueles que com eles, os números, menos convivência tiveram que mais com eles enchem a boca.
É o que acontece com os humanos, regra geral, diz o ditado. Nada pois a assinalar.
Os números, vistos como um palácio, dão origem a esta coisa singela que é a estação dos correios travestir-se de loja dos trezentos.
Os números terão dito que ene lojas em pê lugares, constituiriam uma rede que se não poderia desaproveitar para fazer outros negócios. Ideia peregrina que a nenhum sapateiro tinha ocorrido, pois se assim fosse haveriam de vender rabecões. Tal como os padeiros venderiam castanholas e nas farmácias se poderiam encontrar os últimos cd de música pimba.
Foi portanto uma ideia genial e sem rival nos outros ramos de negócio, apesar de tabacos, jornais e revistas terem durante muitos anos convivido com cafés, bombas de gasolina, estações de comboio, portos e aeroportos.
Esta ideia genial das duas, uma: ou é irrelevante como negócio e põe à prova a capacidade de lidar com números de quem teve tal ideia ou é um sucesso e faz com que quem tem qualquer assunto a tratar nos correios tenha que esperar na fila por quem vai comprar o cachecol da selecção, o último êxito dos prosadores lusos ou uma linda recordação para oferecer à Mimi.
Não se sabendo qual dos casos é, a empresa que fornece as senhas de espera, em vez da hora prevista de atendimento ou do tempo de espera mais provável, coloca a seguinte palavra: LOTARIA.
Aqui também das duas uma, ou é um desabafo do programador que, inadvertidamente, se vê impresso nas senhas, dando a ideia de que calcular o tempo de espera é o mesmo que acertar na lotaria ou se trata de uma forma subliminar de levar o freguês a jogar num dos jogos da Santa Casa, o que decerto em breve se poderá fazer ao balcão, se é que já não se faz.
São os números. Da lotaria.

11/06/2012

Mais bola

A tal folha de excel diz que a Croácia e a Espanha estão em vantagem sobre a Itália no grupo C para o apuramento para a fase seguinte. A Irlanda está com 1:6 e fora.
No grupo D, Ucrânia, Inglaterra e França estão a competir pelo lugar. Com a Inglaterra em ligeira vantagem sobre a França e a Ucrânia em ligeira vantagem sobre a Inglaterra. A Suécia está, tal como a Irlanda, com 1:6 e fora.
Ora é preciso ser pago principescamente para mandar chutos para o ar como estes?

10/06/2012

A imbecilidade ignorante (episódio Θ+5)

O locutor da bola na SIC diz primeiro que o hino espanhol evoca na sua letra o passado colonial e a hispanidade.
Depois, ao não ouvir (ver - os jogadores) ninguém cantar (à excepção do la la la nas bancadas) observa que o hino não foi cantado. Talvez devido à situação que a Espanha atravessa.
Decerto avisado ao ouvido para não dizer enormidades sobre assuntos que desconhece, emendou pior do que sonetou – que o hino espanhol não tendo letra fora cantado em silêncio(!). E que esse silêncio não significaria de facto uma greve sonora ao que se passa no país.
Cito de memória e sem a preocupação de o fazer literalmente.
O que conta é o espírito da asneira.
Talvez ele também desconheça que as tentativas de dotar o hino espanhol de uma letra foram sempre goradas. Ainda há poucos anos atrás voltaram a falar do assunto.
Actualidades

Revendo um post de há quatro anos.
Qualquer um que tenha uma folha de excel ao dispôr pode calcular o futuro. É o que fazem uns quantos, com o olhómetro grosseiro dito fino e de alto coturno. E fazendo-se pagar bizantinamente por tal.
Pois por mim, dou já apuradas para os quartos de final a Alemanha, a Dinamarca, a Rússia e a Polónia. A minha aposta já está prejudicada.
Tudo isto com contas de um olhómetro a toda a prova, feitas numa folha de excel.

A propósito da data – a escolha dos feriados abolidos ou suspensos no ar (é melhor não dizerem suspensos que tal faz lembrar pontes) não foi justificada numa certa alteração ao Código de Trabalho (ponto 1 do artº 234º) que de uma forma indigna elimina de facto os feriados de 1 de Dezembro e de 5 de Outubro.
Não me pronunciando sobre os feriados religiosos, verifico que a escolha é acentuadamente populista, demagógica. E é talvez por ser envergonhada ou muito pouco ilustrada a dita escolha que é de forma indigna e tenebrosa que se faz publicar tal decisão. Numa alteraçãozinha a um artigo do Código de Trabalho.

Não me dei ao trabalho de ler o rol de condecorados.
Calculo que, uma vez mais, os de pouca fama e muito proveito para a Pátria não tenham incorporado tal rol. E temo que não tenha sido por recusa pessoal mas por foco na fama de quem alinha estes nomes.

Muita parra e pouca uva é o sumo dos três pontos.

09/06/2012

Against all odds

No mesmo dia, no mesmo grupo, as duas equipas mais mal cotadas ganharem às de maior nível, parece pouco provável.
Na mesma competição, a Holanda perder os jogos com as equipas menos cotadas do grupo parece pouco provável.
Já começou a guerra?

É que não me mandarem dizer.
Ouvi e avistei um caça que, apesar do pouco tempo do avistamento, não me pareceu ser um F-16. É claro que posso estar enganado.
Desde que, há mais de duas décadas, fui sobrevoado a muito baixa altitude por dois F-4 com as insígnias dos EUA ali para os lados da Estação de Garvão que não me sentia tão pouco informado.

08/06/2012

Ainda a tempo

A aposta que vale jantares - os quatro semi-finalistas.
Por ordem de classificação final os dois primeiros.

Estradas imagináveis (do plano de 45) - vol. 14

07/06/2012

Coisas que os antigos diziam de outra maneira - sentença nona

Não bastam cursos d’água para separar dois territórios. A menos que um seja uma ilha fluvial.

05/06/2012

Josephine

No banco de Josephine, a coisa treme.


quadro adicionado cerca da 1:30 de 6 Jun, referente à frequência e magnitude dos sismos no banco de Josephine em 2012, segundo dados do IM

04/06/2012

Ao acordar

Quando acordei decidi mandar regressar a penates o técnico estrangeiro que havia convidado para me ensinar a tabuada em português.

03/06/2012

James

Foi o J. quem me apresentou os James.
Algum tempo depois de ele o ter feito, conseguiram-se uns bilhetes VIP para a Zambujeira.
Chegou a casa radiante, com um prato de plástico assinado pelos elementos do conjunto.
O prato era o menos, dizia ele, o que contava era ter falado com eles com calma. Um puto que com toda a segurança os interpelava em inglês e a que eles teriam achado piada.
Eu, que nunca fui de ídolos, achei por minha vez piada ao prato de plástico pendurado na parede da casa avoenga.
Entre esse 8 de Agosto de 1999 e o dia de hoje em que os estou a ouver* na televisão parece que passaram dez séculos e não 4561 dias.
Nem sequer sou um homem de músicas. Mas tenho no carro um disco dos James.

*chapeau a José Duarte.
Um cão

Ponto.

02/06/2012

A Raínha

Os ingleses para além de conduzirem ao contrário de toda a gente, têm ainda outras particularidades interessantes: põem o 12 antes do 11 – 12 a.m. são onze horas antes de 11 a.m. e dizem que o jubileu dos 60 anos do reinado de Isabel II é 59 anos depois da coroação e 60 anos e quase quatro meses depois de ter sucedido a seu pai.
Uma coisa é, porém, facto – a menina era bonita.
Estamos ainda suspensos da questão antiga: no final, só restarão cinco raínhas (ou reis): a de paus, a de ouros, a de copas, a de espadas e a de Inglaterra?



Composição: fotografia de Cecil Beaton - Victoria and Albert Museum.
A bandeira é a de Inglaterra porque se trata da Raínha de Inglaterra, não do Canadá, da Escócia, da Austrália ou de quaisquer outros reinos que lhe pertençam.
O brasão de armas foi copiado da página da monarquia britânica.

01/06/2012

31/05/2012

Pip

A senhora em casa não ouve este pip?
A senhora em casa não ouve este pip?
A senhora em casa não ouve este pip?
A senhora em casa não ouve este pip?
A senhora em casa não ouve este pip?
A senhora em casa não ouve este pip?
A senhora em casa não ouve este pip?
A senhora em casa não ouve este pip?
A senhora em casa não ouve este pip?
A senhora em casa não ouve este pip?
A senhora em casa não ouve este pip?
A senhora em casa não ouve este pip?

Pip! Pip! Pip!
Pip! Pip! Pip!
Pip! Pip! Pip!
Pip! Pip! Pip!
Pip! Pip! Pip!
Pip! Pip! Pip!
Pip! Pip! Pip!
Pip! Pip! Pip!

A senhora em casa não ouve este pip? – foi assim que aquele homem me deixou na cabeça o ruído do leitor do código de barras, sôtor.
Juro-lhe, sôtor, que até aquele maldito homem me ter feito aquela pergunta, aquilo não era uma pergunta, era uma praga, sôtor, juro-lhe que nunca tinha ouvido pips de noite nem de dia quando saía da caixa.
Não os ouvia nem me lembrava de tal. Mas quando aquele maldito homem se saiu com aquela, eu até tremi, sôtor, parece que adivinhava já a maldição.
E agora, sôtor, que é que eu faço?

Pip!

É infantil, pois

Hoje deu-me para cogitações sobre a idade mental da internet. Seja lá isso o que fôr, meça-se lá isso como se medir (que é sempre mal).
Ocorreram-me milhentas entradas no blogue feitas através de motores de busca, das quais dei aqui devida nota no tempo em que as escrutinei.
Nos dois artigos à cabeça da minha pesquisa* o valor é de 7 e de 12 anos.
Atendendo à percentagem detectada por mim de pesquisas cuja irracionalidade é, nos meus avisados e complicados cálculos a olhómetro, incompatível com o uso da escrita, inclino-me para a parte inferior do intervalo balizado por aqueles valores.

* reporta-se ao momento anterior à data e hora do post

30/05/2012

Risco sísmico

Em Itália discutem-se duas questões. O objectivo último destas discussões é encontrar os culpados, como reza a História.
A primeira é se sim ou não a região da Emília Romana está bem catalogada quanto ao risco sísmico.
A segunda é se os edifícios estão ou não calculados e construídos de acordo com as normas anti-sísmicas decorrentes do risco.


zona epicentral sobre o mapa de risco sísmico do INGV de Itália

Voltando a casa, duas questões:
Está o risco sísmico catalogado no território português de acordo com as mais recentes observações?
As normas anti-sísmicas são observadas na construção civil?
Um destes dias, desenvolverei o tema. Espero que não a propósito.

Nota: mapa substituído cerca das 23:55