12/10/2012

Estradas imagináveis (do plano de 45) - vol. 16



Nota: a toponímia das estradas imagináveis é porém real

11/10/2012

A lesão do homem ilustrado



Percebe-se pelo desenho (do) no joelho esquerdo.

Capa de Cândido Costa Pinto em site dedicado à Colecção Argonauta.

09/10/2012

Cercados

A probabilidade de sair disto com a razão intacta vai minguando dia a dia.
Começa a ser difícil passar um dia sem que se não ouça ou leia um argumentário de loucos ou de retardados. Coisa que acaba por fazer o seu caminho obtendo aqui e acolá reacções mais ou menos epidérmicas que acabam por bater na parede e chegar aos nossos ouvidos, bater no espelho e chegar aos nossos olhos.
Uns desligam a televisão, a rádio, desistem dos jornais e só lêem certos escribas e só ouvem certos íntimos; outros arriscam a viagem e saem moídos no fim do caminho.
Ainda me incluo nos segundos para não ficar limitado a certas fontes.
Mas lá que o caminho é cada vez mais tortuoso, isso é.
E que, como num jogo de espelhos aqui copiosamente referido, as massas se reconhecem, se identificam ou se projectam na asneira é também certo.
Posso estar velho, pode ser que me encaminhe para o Restelo, embora as casas na zona sejam caras, ainda assim tenho a ideia de que a facilidade com que o erro se propaga, fruto da velocidade e abundância dos meios de comunicação e da ausência de espírito crítico, está a servir de catalisador à supremacia dos burros, talvez como nunca.

06/10/2012

Pelotão

Na minha vida outra que a de lobo solitário, existiram e existem dois pelotões.
Não houve guerra senão a das dificuldades do quotidiano que toda a gente conhece.
Fosse como fosse, o facto de os pelotões se terem formado à pedrada, aos chutos na bola contra balizas da mesma pedra com que afugentávamos os forasteiros, a cavar para os berlindes, a subir às árvores e a disparar pistolas de plástico, cimentou até hoje a unidade, ainda que com as inevitáveis deserções.
Os dois pelotões operavam e operam em zonas distintas, um é rústico outro é urbano, e tinham e têm outras diferenças que o tempo foi apagando nuns casos e acentuando noutros.
Sendando eu solitariamente a maior parte do tempo que se contou nos últimos anos, consegui ainda assim manter-me na ordem unida sempre que necessário e instante.
A primeira baixa veio com o cair da folha.

01/10/2012

Restos de colecção (77)



E não me lembro de alguma vez em Ourique ter bebido tal preparado. Sequer visto.

30/09/2012

Abriram os olhos

Algum iluminado viu o óbvio – que as auto-estradas que já estão ao serviço devem mesmo servir, sob pena de serem um investimento inútil, dinheiro jogado à rua.
Que se veja o óbvio nos dias que correm já é caso para notícia.
Mate em três lances

Pode um tipo que observa uma partida de xadrez aperceber-se de que quem joga com as brancas tem a possibilidade de obter xeque-mate em três lances se mover o cavalo que lhe resta para E8.
Pode esse tipo, se o jogador com brancas optar por F1-F4, considerar uma burrice tal lance e ainda considerar que o jogador é fraco.
Afirmando tal, alto e bom som, caber-lhe-ia mostrar – se a isso fosse desafiado - o caminho que o levou a essa consideração, incluindo a demonstração de que movendo o cavalo para E8, quaisquer que fossem os lances subsequentes do adversário, obteria o jogador mate em três ou menos lances.
Quando alguém qualifica outrem de ignorante ou incapaz cabe-lhe demonstrar que assim é, quando óbvio não se torna que assim seja. É inutil demonstrar que o preto não é branco, que dois não são três.
Ora se um tipo desata a chamar ignorantes – como fez um tal António Borges estes dias – a um grupo de pessoas sem que seja óbvia a razão por que o faz, passa ele imediatamente a ser a imagem espelhada dos seus putativos alvos enquanto não demonstrar a sua afirmação.
É um episódio assim ao nível de umas afirmações benfiquistas de há tempos.
Só que, ao contrário dos dirigentes do Benfica, parece que o poder opinativo de tal pessoa tem repercussão nas nossas vidas.

29/09/2012

Um milhão

Não sei quais foram os palpites para o número de pessoas contidas no Terreiro do Paço esta tarde.
Dá-me ideia, sem ter ouvido palpite algum, que desde que foi preciso um especialista para esclarecer que não cabem 300.000 pessoas no Terreiro do Paço (sem haver mortos) que os palpites deixaram de ser tão estapafúrdios.
Eu contei um milhão. Não palpitei.
Mas como foi dos altos do Pragal, e as pessoas pareciam dali menores que formigas, não odemira que eu contasse tal número.

28/09/2012

26/09/2012

Geront...

O homem chega e diz:
As hipóteses são duas – ou eu estou a apertar a dobradiça de cima da porta do armário da cozinha do lado do frigorífico e me ocorre que em vez de estar a fazer isso deveria estar a apertar a dobradiça de cima da porta do armário da cozinha do lado do frigorífico; ou eu estou a apertar a dobradiça de cima da porta do armário da cozinha do lado do frigorífico e me ocorre que não me posso esquecer de apertar a dobradiça de cima da porta do armário da cozinha do lado do frigorífico.
Qual delas a pior? A imperativa ou a sugestiva?
Pergunto eu: e isso faz alguma diferença?
Agora não me lembro se havia de facto um homem. Fará diferença?
Repito

Ao ouvir Rajoy, o homem que caiu do céu e não se magoou muito, a arguir o caso de Gibraltar contra o Reino Unido na Assembleia Geral da ONU, só posso repetir o que aqui disse há uma série de anos – é aproveitar a brecha. Não o fazer é crime de lesa-Pátria.
O facto é que espero tanto destes que agora nos governam como de todos os outros que os antecederam. Isto é – nada.
Lisboa, 2009

25/09/2012

Direitos

Para os que berram por direitos, uma questão entre muitas:
Teremos o direito de mandar combater um fogo florestal gente que não tem qualquer espécie de preparação para tal nem provavelmente a capacidade de calcular o risco que corre?
E, no entanto, ela move-se

Lá para as alturas da Corte Malhão, terra de terramotos lendários.
Mais uns adobes ao chão.

23/09/2012

Italia



Dizia a camisola do ciclista em epígrafe.
Calculei que estivesse no meio dos campeonatos do Mundo, disputados esta semana.
Mas não estava assim tão longe de casa.
Maria Vinagre

Refere o jornalista na RTP que há uma família que se instalou no Alentejo que serviu (ou poderia ter servido) de inspiração ao telefilme que mais logo será exibido.
Entra um trecho de reportagem e a família está instalada em Maria Vinagre. Até o homem diz que já lhes nasceu um filho algarvio.
Esta gente a quem pagamos para nos informar é surda, cega e desorientada.

22/09/2012

Rever em baixa

aqui disse o que pensava sobre a expressão em epígrafe e sobre toda a indumentária mental da faixa que tais dizeres utiliza.
Ora a triste expressão aplica-se, ainda assim, ao sentimento que me assola: a idade mental da internet tem que ser mais baixa do que aqui foi dito.
E, tal como o povo não se transfigura ao volante, antes se espelha, também aqui observamos a imagem virtual da mole.

21/09/2012

Diário íntimo

Ainda não percebi se o facto de o meu médico, a quem consulto há meia dúzia de anos, se referir à medicina como uma ciência na infância da arte se deve a ter ele percebido, ainda que eu não o tivesse dito expressamente, que eu partilho da mesma crença ou se é tal fruto do acaso.
Isto da infância da arte é uma noção sem sentido. Tomando uma semi-recta qualquer e um ponto qualquer sobre ela, este está sempre mais perto da origem do que do infinito.
Trata-se afinal e apenas de julgar que o fim dos tempos não está para um destes dias.

19/09/2012

Atão mas...

Quando há cerca de um ano afirmei aqui que faltava política ainda não tinha ouvido da missa a metade.
Ontem, um secretário de Estado soltou um “atão mas...” referido aos empresários que se queixavam do valor da TSU e que agora dizem ser uma asneira o bailado que com ela se fez.
Este “atão mas...” é qualquer coisa que não pode deixar sair quem pretende ser político.
Um aprendiz de política deve saber encontrar o q.b. de distanciamento em relação ao argumentário dos interesses. E não se pode admirar com as incongruências das posições (se é que foram os mesmos que disseram uma e outra coisa) muito menos julgar o plano dos argumentos enquadrável num eixo de abcissas e outro de ordenadas.
Falta política. Como se via há um ano.
Como se vê bem agora.
Não é só a corda que nos prende ao poço de Saint-Exupéry nem a pesada herança dos anos de desvario, é algo mais. Que falta.

18/09/2012

O blogger repórter

Incêndio junto ao Jeromelo (Malveira)


(clicar para ampliar)

17/09/2012

Treino

A haver por estes dias alguns colapsos parciais no abastecimento de combustíveis servirão de bom treino para os que não sabem o que são racionamentos.
Ainda andam a clamar por direitos – à imagem dos dois paralíticos – e de repente verão que o balde de plástico é uma grande invenção.
Trânsito

Diz que as alterações ao trânsito no centro de Lisboa se destinam a retirar dali parte do tráfego.
E que até Dezembro estará a coisa à experiência.
Qualquer criança percebe que estrangulando uma artéria o fluxo diminui. Quanto mais estrangularem, menor tráfego terão – é a lógica da batata.
O facto de haver ou não um granel inicial que conduza as pessoas para outros lados é irrelevante. Com o tempo, estabelecer-se-á um novo equilíbrio.
A única coisa que poderá estar a ser sujeita a escrutínio é assim a consequência sobre o trânsito de zonas alternativas. Se existirem dados já colhidos para comparar, em Dezembro se verá.
No Marquês e na Avenida haverá menos trânsito, disso não resta a menor dúvida.

16/09/2012

As grandes questões universais - episódio q+24

O que seria preciso para transformar estas volutas num só e poderosíssimo temporal?


imagem do site do IM
Escala 1/40


esta é muitíssimo mais fácil do que aquela à escala 1/50

15/09/2012

Rua

Raras são as vezes em que o povo sai à rua sem ser para protestar contra si próprio.
Ou como diria o velho J.d’ é muito difícil educá-lo.

14/09/2012

Impressionado

Impressionado, surpreendido, espantado, maravilhado, qualquer que seja o adjectivo que escolha, parecerá adequar-se ao meu estado hoje a meio da tarde quando me vi ou no meio de uma cena godardiana ou ao volante atravessando um sonho.
Cada um dos estados a que se refere cada adjectivo é, para mim, uma espécie de primitiva cuja derivada se pode exprimir poeticamente pela mesma função – fico sempre surpreendido quando me surpreendo. E isto não é pleonasmo. Nem é o conde corado de O’Neill.
A pervertura himenente* (da vida) contribuiu mas não foi decisiva para compôr o quadro.

* Se este blogue fosse feminino (o blogue, não o autor) chamar-se-ia assim.

12/09/2012

Filme

É insuportável um filme onde de um lado há uns histéricos cheios de direitos e de outro uns tristes cheios de razões.
Vê-se claramente visto que, não havendo como não há solução para se sair do poço, tudo apodrecerá longe do sol.

11/09/2012

Os sítios

Os sítios desaparecidos que nos informam a alma, como os diaporamas incluem pessoas. E trazem anexos sons, aromas e episódios.
Pertenço a uma geração que tem provavelmente o discutível privilégio de ter assistido à maior revolução topológica no país. Recorde que até pode manter, como Bob Beamon por alguns anos mais, a julgar pela quantidade de entropia do sistema.
Faz isto com que me depare com bastante frequência com locais que pouco ou nada contêm da memória que deles tinha.
Tropecei hoje num homem que pertence a um desses diaporamas virtuais.
Anos a fio atendeu-me atrás de um balcão que de pedra passou a aço inoxidável e cujo pano de fundo passou das pipas que vertiam mesmo vinho às estantes igualmente inoxidáveis contendo garrafas para consumo exclusivo na casa. Essas mudanças porém não alteraram o essencial, tudo era reconhecível de dia para dia.
É difícil hoje sem a ajuda de um teodolito dizer exactamente onde ficava o balcão, a porta de entrada, a mesa das traseiras com vista para o vale. De um teodolito e de uma carta antiga que mostrasse como era o alinhamento da rua, as suas cotas, etc.
Foi-me hoje difícil perceber que aquele rosto pertencia a tal quadro. Foi à segunda e com reservas.
Quase como se fosse necessário o levantamento topográfico para saber de quem se tratava.

ERRATA: onde se lê diaporamas deverá ler-se dioramas

08/09/2012

As grandes questões universais - episódio q+23

Pode um pai orgulhar-se de passear na rua uma criança que guincha como um cão atropelado?
Perguntas que não se podem fazer

Onde foram estas cabeças buscar a ideia peregrina que distribuir um 13º mês pelos doze meses do ano é da preferência dos assalariados?
Do ponto de vista das contas do Estado pagá-lo de uma só vez em Dezembro não seria sempre preferível?


extracto do discurso de ontem do PM

Nota: Bem sei que já quase respondi a isto.

07/09/2012

Sangue

Ou como eu me vou repetindo sobre o tema.
Aquela velha (de mais de dez anos) sentença de um dos meus velhos amigos que uma cavalgada com reiunas se torna mais ou menos inevitável à medida que o tempo passa e o despautério grassa nas hordas de mentecaptos e de chicos-espertos que comandam a coisa, vai, à medida que o mesmo tempo passa, caducando.
No entanto, a mim cheira-me a sangue, agora mais que nunca. Não se trata de duas facções em confronto, pois os que não dão um chavo pela situação calculo que sejam em número esmagador, quase à beira das unanimidades do medo. Esta unanimidade não é do medo, é do nojo.
Calculo que haja entre os que nisto ainda mandam noção de tal. E aí sim, um certo medo.
Não vai haver guerra nenhuma mas não aposto meio-tostão furado na sorte de certas cabeças.
Lembram-se de umas certas FP?

05/09/2012

Aeroporto de Lisboa, 2009

Circunscrito

Um destes dias, surpreendentemente, ouvi um jornalista discorrer sobre um incêndio de forma acertada. Não merece parabéns, merece sim ser reconhecido como capaz de fazer o trabalho que lhe compete. Se a grande maioria dos outros não o sabe...
Uma das coisas que o homem mostrou foi saber exactamente o sentido da palavra circunscrito, palavra que tendo sido, por desconhecimento profundo de jornalistas e informadores, quase sempre confundida com a palavra extinto, acabou por deixar de ser utilizada tanto no site da ANPC como, por tabela, na maioria das redacções, na certa por decisão de alguém mais esclarecido.
Fez uma série de observações lógicas, fez perguntas relevantes e arredou-se de explorar as sensações primárias. Ele há gente capaz. Está é demasiado escondida no meio dos tristes.

01/09/2012

Procuração harmónica

A literatura está cheia de exemplos. A vida, sendo ou não espelho da literatura (há quem bizarramente, estabeleça a relação reflexa – pondo a literatura a espelhar a vida) não o está menos.
É portanto um caso vulgar.
Diria um velho amigo que ser um homem pai é das coisas mais vulgares do mundo. Porém, com ele, até aquele dia, nunca tinha acontecido.
Continuamos portanto no domínio dos lugares comuns.
O facto é que comigo nunca tinha acontecido. E aconteceu duas vezes, num intervalo curto.
Procuração pode ser o acto de procurar algo ou alguém e pode ser o acto de dar a outrem os poderes que se detêm.
A harmonia pode ser muita coisa. É um conceito demasiado vago e com significados quase diversos para que se possa extrair dele um sumo muito particular. Mas serve aqui vagamente como desígnio artístico e como modulador de frequências.
Da frequência com que se procura que vai sendo multiplicada.
Do encaixe artístico de uma silhueta num vulto. Por procuração.
E Ela assim se multiplica. Nesta e naquela. Cada vez mais frequentemente se procura.

31/08/2012

Fina-se



Uma designação que já significou, no meu jargão mental, uma entidade espacio-temporal bem definida.
Aquecimento

Não me dirijo a quem recolhe dados e os trata mais ou menos.
Ou a quem os analisa com espírito crítico. Sabendo que um ínfimo troço de uma curva não nos diz absolutamente nada sobre o seu desenvolvimento.
Dirijo-me, inutilmente, às entidades cavalares que nos sintomas concordes vêem e cantam a desgraça que eles anunciam e se calam aos sintomas discordes.
Ora isto de querer descobrir o futuro a partir de uma folha de excel é qualquer coisa que só ocupa almas equídeas.
Ouvir dizer que em Agosto se registou uma temperatura de -1,2ºC * na zona leonesa de Sanabria é uma curiosidade.
Os cavalos, tivesse a coisa sido de 48,8ºC (mais 50ºC), haveriam de vir ameaçar os crentes com volteios litúrgicos do século XVI. Como o sintoma discordou muito da cartilha que aprenderam, calam-se e metem a viola no saco.
Alguma vez os equídeos perceberão que nada sabem do mundo?
Alguma vez os homens perceberão a exacta mesma coisa?


quadro da AEMET de Espanha
* link perecível

29/08/2012

Rastos

Tropeçando no mundo de Alice em bólides azuis, avivou-se-me a memória recente:
Estes dias de Perseidas, já dia, pouco distante do ponto em que há um ano avistei o dito bólide, rasgou-se por sobre o volante a fina risca no céu do sul.
Ocorreu-me que os céus estrelados e riscados são agora uma memória.
Dos tempos do décubito dorsal sobre o passeio da ponte, varapaus de marmeleiro, conversas retomadas, grilos e rãs a competirem com o débito do gira-discos a pilhas. Era o início da década de setenta e tudo podia estar escrito nas estrelas.
Sabiamo-lo na altura. Não o sabemos hoje.
Coisas que os antigos diziam de outra maneira - sentença décima

É inútil estabelecer axiomas nas ciências.

Obs: A matemática sendo ab initio uma ferramenta, uma complicação da contagem e da aritmética, tornou-se ciência à medida que a sua complexidade mereceu apreciação. Não a incluo nesta sentença.

28/08/2012

K G I

Ia no K em 2005, no G em 2008 e vai no I este ano. Mais ou menos pelos mesmos dias.
Parece este ter um menor grau de organização comparativamente ao de 2008. Diferença essa que é notória face ao de 2005.
De qualquer forma, rebentassem os diques, a catástrofe seria de dimensão igual à de 2005 em Nova Orleães.


imagens da NOAA (clicar para ampliar)

27/08/2012

Voz

- Essa mulher que esteve aqui à porta tinha voz de homem.
- Mas era um homem!
- Ah, então era um homem que tinha voz de mulher com voz de homem.
O tempo passa e a caravana ladra

Lembrei-me hoje de um post do Besugo na sua Gravidade Intermédia (entretanto suspensa das leis que determinam a queda dos graves) o qual subscrevi há cerca de um ano.
Lembrei-me hoje e espero não me lembrar muitas mais vezes este ano. Embora uma nefasta suspeita se tenha instalado – o homem que vê muito mais do que eu ao olhar para onze tipos aos pontapés na bola, que eu não consigo avaliar e acertar como ele, teria publicado algo de semelhante este ano se não tivesse suspendido os intermédios graves no éter.
Serviço público

A tropa fandanga que se encarrega das notícias na RTP não rouba só imagens na net. Hoje repetiu, quase letra a letra, as dores de alma que ontem emitiu sob a forma de rotundo disparate que só se entende por má-fé ou estupidez retinta. Casos em que chamar a tal serviço público é apenas uma piada.
Depois da dita repetição surgiu mais uma pérola: uma das igrejas de Olivença está em território espanhol. O caso aqui é ainda mais grave: num país que não reconhece a soberania espanhola sobre territórios ocupados, numa televisão pública ser isto dito revela que ou alguém foi propinado pelos interesses de Castela, Aragão e limítrofes ou está uns degraus abaixo de cão. É a mesma conclusão que tirei acima mas com maior gravidade no efeito, logo nos epítetos. Ou é cupidez ou estupidez.
Nada nos serve.

26/08/2012

Estudo

Há um tipo – hoje cruzei-me com ele – que se dá ao trabalho de mandar estudar o Relvas. Temo que incorra num grave equívoco – é que o Relvas com ou sem estudos é o Relvas. A vida é assim e não me consta que o dito Relvas tenha exibido o canudo para que o tratassem com a dignidade referente ao grau que obteve. O facto de não me constar não quer dizer nada mas dá a ideia da minha situação no caso. A qual é de absoluto distanciamento.
Dito isto, e a propósito de estudos – eu que sou um péssimo exemplo na matéria não me demito de dar nota dos disparates que ouço e vejo, pagos com o dinheiro de todos – fiquei ontem encantado com o início do telejornal da RTP.
É que quando se falou da própria RTP, o jornalista mencionou as receitas previstas para o ano que vem – 145 milhões de euros da taxa do audio-visual a somar a 60 milhões de euros de publicidade. Rematou que nem um cêntimo sai do orçamento do Estado.
Disse, agravadamente e em seguida, que a verificarem-se as previsões orçamentais da casa, o próximo ano fechará com um balanço positivo (disse lucro, o homem) de 25 milhões de euros, visto que a despesa prevista é de apenas 180 milhões de euros e que a receita, somando as parcelas acima mencionadas é de 205 milhões de euros.
Pergunta então um tipo sem estudos carimbados e certificados se o facto da taxa do audio-visual não estar orçamentada (não faço ideia se está ou não, nem isso me interessa) tem alguma importância se quem paga é o mesmo. É a tal questão muito discutida nestes dias se o pagode paga por multibanco, por cheque, por transferência bancária ou em numerário.
Questão que só uma sociedade dominada pela loucura ou pelo atraso mental pode discutir honestamente.
Ora isto é o suposto serviço público. E se o serviço público é este somatório de disparates...

Veja-se o Telejornal de 25 de Agosto de 2012 – parte I (entre os 8:00 e os 10:00 minutos da emissão, mais coisa menos coisa)

24/08/2012

Vidal Fitas

Bem sei que já aqui disse que, em ciclismo, o nome é tudo.
E que o meu interesse em Vidal Fitas resultou em parte do seu nome em parte da sua constante necessidade de se apartar dos demais, fugindo ao pelotão as vezes que podia enquanto ciclista.
Hoje, anos passados em que já o ouvi as vezes bastantes para ficar com uma imagem vocal, incluo-o naquele conjunto de indivíduos com quem teria gosto de compartilhar uma refeição. Ainda com mais gosto depois de o ouvir ontem no final da etapa que acabou no Sabugal.
Falando ele de ciclismo ou do que quisesse. Falando eu de nada ou do que ele quisesse ouvir.
Note-se a subalternidade que o último parágrafo revela.
Quem sabe se as minhas raízes na serra algarvia não se aparentam com as do homem?


imagem da RTP

23/08/2012

1,7 qualquer coisa

Saturação

Toda a solução tem para determinado soluto um ponto de saturação. Que varia com as condições ambientais.
Cheguei eu ao ponto, com estas condições de verão menos, em que é automático o desligar da janela de tv sempre que alguém fala em nome do PSD, do PS, do CDS, do PCP ou do BE.
Dei-me disso conta há já alguns dias. Não é a primeira vez que acontece nem, espero, será a última.
Há de facto ainda algumas condições ambientais em que consigo ouvir os dislates que os associados de tais siglas proferem.
Como de costume, não sei se isso é mau ou bom. Termos que a razão há muito me convida a evitar.
Gente com jeito para o desenho

Um dos meus amigos quando vê qualquer informação ilegível sentencia que o desenho foi feito pela filha do patrão que tem jeito para o desenho.
Ora um bom exemplo disso é a informação que a RTP apresenta na transmissão da Volta a Portugal sobre a distância a percorrer e a diferença entre grupos (diferença esta que motivou já uma belíssima explicação por parte de um comentador, mas isso é outro assunto).
Afira-se pela mesma informação fornecida pela Eurosport na Volta a Espanha.
O ilegível e o legível.
Foi decerto a filha do patrão com jeito para o desenho quem escolheu o tipo e o tamanho.
Coisas simples mas tão difíceis para esta gente!


imagens do Eurosport e da RTP (clicar para ampliar)

22/08/2012

Perguntas evitáveis

Quando se transfere o trabalho repetitivo para uma máquina, fazem-se opções sobre o nível de interferência que queremos ter no dito trabalho.
Quando me deitei à tarefa de criar um ficheiro da biblioteca preocupei-me naturalmente em uniformizar os nomes dos autores.
Um dos passos dessa tarefa foi transferido para a máquina que faz comparações de tamanho do nome e depois letra a letra, trocando ou não o último nome de posição. Num determinado intervalo requer a minha autorização, enquanto antes desse intervalo faz a exclusão imediata e depois dele inclui o nome na lista na sua forma canónica, que serviu de padrão.
Um descuido com um intervalo demasiado amplo de indefinição fez com que o algoritmo formulasse perguntas evitáveis. Estas são apenas um exemplo das muitas a que tive que responder.

21/08/2012

É pelas artérias que se faz a circulação*

Olhando para o estado geral da obra da auto-estrada Sines – Beja percebe-se há tempo que esta ou está parada ou avança sem progresso mensurável.
Sabe isto quem por ali passa.

Nos documentos que consultei, antes de escrever estas linhas, não consegui confirmar a afirmação do ministro da Economia de que o governo é alheio ao caso.
Alheio no sentido formal, contratual, creio entender. Obviamente não o é em termos práticos.
Quanto mais não seja, caso se trate de uma concessão em que o concessionário tem a obrigação de efectuar os trabalhos dentro de um prazo determinado, de denunciar o contrato de concessão (os documentos mencionam o ano de 2012 para a entrada ao serviço).

Sabemos porém todos que no fim quem paga a conta são sempre os mesmos. Nós, os contribuintes. E que, destes, quem mais paga são aqueles a quem o fisco mais vai buscar em percentagem dos seus haveres. Atente-se aos impostos directos e indirectos.

Estará o país em condições de se dar ao luxo de deixar a construção de uma auto-estrada em meio, atirando para o lixo, à medida que o tempo passa, uma parte considerável do trabalho já realizado?
Se não está, o governo pensa que sim, que está. Ao dizer que é alheio à questão.

É claro que há a hipótese de se ter chegado à conclusão de que a auto-estrada é um investimento inútil e ruinoso (“obras que apenas geram despesa”) e que parando agora ainda se minimiza o prejuízo.
Nesse caso, o país esteve em condições de atirar ao lixo o nosso dinheiro em investimentos deste calibre. No fim pagaremos todos, haja ou não falência da concessionária.

E estará o país em condições de se dar ao luxo de ter auto-estradas construídas e ao serviço que servem muito menos gente do que deveriam servir, com o consequente ganho para a economia e o seu propósito de construção justificado, por estarem taxadas de forma a espantar os potenciais utilizadores?
Se não está o país em tais condições e se o número de utilizadores delas desviados é significativo, tornando-as em investimentos inúteis, logo em dinheiro jogado à rua, não estaremos ainda a tempo de corrigir o erro?

* arterial ou oxigenadora

20/08/2012

Escapou-lhe

Está um tipo na televisão (TVI 24) que acaba de dizer que só falta ver o Benfica a jogar de azul e o Porto a jogar de vermelho.
Escapou-lhe qualquer coisa.
Ermida da Senhora de Araceli, 2012

19/08/2012

A imbecilidade ignorante (episódio Θ+6)

O imbecil que está a dar lições enquanto comenta a Volta a Portugal na RTP acabou de debitar uma pérola de estupidez de alto quilate.
Pretendeu explicar uma coisa que ele próprio não entende. A qual é a má formulação de um algoritmo que calcula atrasos de corredores face a outros.
Que como qualquer criança percebe independe de uns estarem a descer, outros a subir.
Mas para ele depende. Ainda não chegou ao QI da tal criança.
E explicou! Para aqueles que não entendem.
Extraordinário que isto seja pago com o dinheiro dos contribuintes.

18/08/2012

Passatempo

Agora que a bola voltou, seria caso para lançar aqui um passatempo se houvesse grande afluência a estas bandas. Com chorudos prémios para um daqueles que, ligando o número de ouro, dessem a resposta correcta.
Como não há nem se pretende que haja, fica ainda assim o desafio para alguém que o aceite, dessa acarinhada minoria que são os meus leitores.
O qual é: fazer corresponder a cada um dos clubes mencionados o número adjacente aos jogadores assinalados.


imagens da RTP, da SIC e da Sport Tv (clicar para pouco ampliar)
Pena

Não vejo justificação para condenar quem não previu o desmoronamento na praia Maria Luísa nem para condenar quem não assinala os perigos visíveis.
Creio que a loucura securitária tem limites.
Quem se acolhe debaixo de uma arriba sabe que corre um risco. Mínimo. Muitíssimas vezes menor do que circular em qualquer estrada do país.
Mas corre esse risco. Há algumas mais ameaçadoras do que outras que espantam naturalmente os humanos e há outras mais acolhedoras que às vezes desabam. Nada de novo debaixo do sol.
O que se viu depois do trágico acidente naquela praia foi ridículo, como são todos os actos apressados de colocar trancas à porta depois do roubo.
Não temos por cá uma cultura de prever, na medida do possível, o que vem a seguir. Antes andamos sempre a correr atrás do prejuízo e a cometer erros grosseiros como o de ter duas pontes uma ao lado da outra em Entre-os-Rios depois de termos deixado ruir uma outra levando para o fundo do rio tanta gente.
É o disparate institucionalizado que lá tendo duas pontes, tem também as arribas cheias de sinais de proibição.
É certo que uma parte deles já lá estava. Estava um no preciso local onde se deu a tragédia. O que dificultará obviamente a condenação por imprevidência.
Mas nada me espantará.


imagem da SIC

17/08/2012

Bichos

Se a RTP não estivesse entregue aos bichos, provável seria que se interessasse por quem vê o ciclismo mais pelas paisagens do que pelo comércio da coisa. Sendo que as paisagens também se vendem, como sabemos todos.
Nada.
Desde a época em que o Inha passou a Douro, não há melhoras. Não sabem o que captam nas objectivas. Pelo menos deixaram de colocar as legendas, o que evita o erro.
Impossível seria que estes o soubessem. Teriam que ser outros.
Fraco sinal

O Primeiro-Ministro, de quem se esperaria mais do que do seu antecessor, dá provas de incapacidade política a todos os níveis.
Não percebeu que há palavras proibidas em política: justiça – a política é a arte de manter os precários equilíbrios das injustiças; verdade – a política é a arte de gerir as omissões e de exercer o magistério com mentiras.
Não perceber o bê-á-bá da coisa ou fingir que não percebe é muito fraco sinal.
Vamos para baixo sem ninguém no comando, como o navio de luxo que soçobrou no Tirreno.
Mr. Gordon

Mr. Gordon vem a caminho.


imagem da NOAA

16/08/2012

Noves fora, nada

Há exactos nove anos, quando me abalancei a escrever aqui, não tinha nem ideia nem esboço do que o tempo faria à escrita que aqui iria deixar. E pouco mais tarde, às imagens.
Talvez um dia se possam reconstituir as ideias passadas. Apanhar alguém numa espécie futura de Google Street View e escancarar-lhe o pensamento que portava num certo dia, numa certa hora.
Será assim acessível o que me passava pela cabeça há exactos nove anos. Arrisco que, talvez não me tendo sequer ocorrido pensar num prazo, este prazo de nove anos me soasse improvável. Quer pela coisa em si quer pelo autor, a quem talvez parecesse que esta longevidade estaria para além do esperável.
Uma das coisas certas, embora inútil – as coisas certas têm uma certa tendência para a inutilidade fora das convenções – que se pode dizer quando se chega a tantos anos, é que está respondida a pergunta que se tivesse remotamente feito se se aqui chegava.
Noves fora, nada.

15/08/2012

Restolhos II

Mar de pó e pasto
E um tractor já gasto.
Suor de sol agosto
Que o vento quente atiça
Suor de pó no rosto
De quem pesa cortiça.

SG, inéditos, 1995

12/08/2012

Bichos


imagem da RTP

A RTP parece entregue aos bichos.
A falta de respeito com quem paga a taxa e os impostos é completa.
Há pouco, sem aviso algum, interromperam a transmissão da cerimónia de encerramento dos jogos olímpicos para transmitirem um sorteio.
O expoente máximo dessa falta de respeito ainda são as repetições de programas que passam como se tratasse da primeira vez.
Até parece que há interessados em que o serviço seja péssimo.

09/08/2012

Ivone ou a tradução instantânea

A chave é esta: numa excursão de liceu a terras do Norte, havia um colega que começando numa marca de refrigerantes – o dia estava de facto quentíssimo – desconhecida para a maioria dos arrabaldinos da capital, ia descobrindo traduções. Aquela marca, exibia a garrafa e fazia gestos alusivos a traduções que ele engendrava de si para si, como se tais gestos fossem nomináveis, identificáveis, reproduzíveis e ainda narráveis, era a tradução a norte do Sumol. Não havia sobre isso a menor dúvida.
A cifra é esta fotografia, obtida há pouco mais de um ano:



A pista pode ser esta aqui.
Quem morrerá desta vez?
Portugal, 2012

08/08/2012

O burro sou eu!

Dei aqui uma nota falsa e atribuí culpas a quem não as merece. Peço desculpa a todos os visados.
Referi um anúncio na televisão que passa há anos e que se refere a um incêndio causado por um cigarro em Beja no dia 26 de Julho de 2004.
Disse que era um disparate porque nos arredores de Beja não há combustível que alimente um grande incêndio. E julguei que a referência era a do grande incêndio da serra do Caldeirão que se iniciou nesse dia lá para o sesmo sul do distrito de Beja.
As razões para tal erro, que já detectei quais foram, não são para aqui chamadas.
É um erro e basta. Nada o justifica.
A verdade é que o relatório parcial de ocorrências de 23 de Setembro lhe faz menção, bem como todos os seguintes. O relatório de 6 de Outubro já assegura que o fogo se deveu a um cigarro.
Referência também lhe é feita pelo João Espinho, em cima do acontecimento. Penitencio-me da grossa asneira.
Não há forma de se ser exigente sem começar pelo espelho.

07/08/2012

Meta

De metas volantes sem grande importância também reza afinal a História.


com a devida vénia ao autor das capas e a quem as publicou em sites de leilões, alfarrabistas, etc.

05/08/2012

As grandes questões universais - episódio q+22

O que levará alguém, no pleno uso das suas faculdades mentais, a divulgar aos quatro ventos a descoberta de um paraíso, cujo depende da pouca afluência?
Lembrou-me isto ao ver a campanha caça-moedas das 7 praias usar alguém nessas condições presumidas de plena saúde mental, na promoção de locais magníficos, porque pouco frequentados.

04/08/2012

Execrável

É a palavra que encontro para classificar o nível médio dos comentários aos Jogos Olímpicos nos canais de televisão.
A coisa vai dos erros grosseiros, típicos de quem não percebe o que está a ver, à emissão de opiniões que são dispensáveis, com o seu paroxismo a ser atingido na minha apreciação por um tipo que teve a lata de criticar o público que na opinião dele sofre de medalhite aguda ou crónica.
É tudo tão mau que está em perfeita sintonia com o estado a que chegámos. Não há surpresas, o homem não mordeu o cão. Isto não é notícia.
Mas é talvez altura de começarmos, os que ainda podem fazê-lo, a pensar na forma de escolher melhor quem faz estes e outros trabalhos e também de preparar essa gente.
É que a mediocridade é um lamaçal espelhado. Os medíocres olham-se nele e concluem que tudo vai bem.

03/08/2012

A bela Ivone

A bela Ivone não é bela, é amarela!
E é justamente por ser amarela que é bela.
Já isto foi dito e redito vezes sem conta.
A bela Ivone não é bela mas amarela e tem a volta na ponta.

02/08/2012

Andanças do mirone (II)

Fogo no cêrro do Castelo, em Abrantes. Esta tarde.

01/08/2012

Fará

Fará trinta e seis anos daqui a umas horas, restávamos só nós dois da trintena do costume.
Naquela noite éramos novatos no sítio.
Alternámos então, do banco frente ao mar na noite quente, a caminho da barraca das cervejas por rodadas que esgotávamos placidamente e sem grandes conversas.
Esse foi o prenúncio de um Agosto agitadíssimo, do qual saímos todos muito diferentes.
O ter amigos velhos dá nisto – trinta e seis anos depois estamos prestes a violar uma regra sagrada, aquela que dita que os negócios são à parte.
Sugiro-te que, entre todas as cervejas que bebemos juntos, pelos séculos dos séculos, consideremos essas o selo do negócio que iremos firmar.

31/07/2012

Boatoogle

Corre o boatoogle que caiu um meteorito em Gáfete.
As minhas fontes no local não confirmam tal sucesso.