31/05/2013

Mémoires



Descobri há pouco uma parte do mistério que há uns anos me saltou às mãos, enquanto revistava papéis.
O mistério consistia em descodificar uma parte de uma frase numa folha de papel cavalinho que legendava um desenho de três vultos masculinos caminhando num glaciar.
Aparentemente tratava-se de um díptico em que na outra parte figuraria o resto da frase.
Tenho quase a certeza de que encontrei a parte direita da peça tempos depois.
E tenho a certeza de que só hoje descobri o significado da meia-frase, que teria sido frase inteira no tempo que se seguiu à redescoberta da face direita.
Diria um tolo qualquer que o estranho é haverem passado quatro anos entre 1969 e 1973.
Portugal, 2013

30/05/2013

Coisas que os antigos diziam de outra maneira - sentença décima terceira

Quando se argumenta para defender interesses o mais certo é que os argumentos façam ricochete.

29/05/2013

Topologia das nuvens

Pertenço ao conjunto dos nefelibatas concentrados.
O que significa que consigo isolar estímulos a que atento de estímulos que não me interessam no momento.
Este facto só por si proporciona um distanciamento serôdio em relação a aspectos banais da realidade.
E o distanciamento serôdio significa que muito tarde na vida me apercebi de coisas tão óbvias como a não coincidência dos caminhos de ida e de volta.
Justamente por certo dia me ter espantado com algo que existia numa rua de Lisboa pela qual passava diariamente e que decerto lá estaria há muito.
É que a percorria apenas num sentido, na ida. Na volta, o jeito era outro e não passava por ali. E a existência dava-se por ela caminhando no sentido contrário àquele em que eu por ela andava diariamente.
Ora um tipo que só tarde na vida se apercebeu de tal, que há caminhos mais a jeito de quem vai num sentido e outros mais a jeito de quem vem em sentido contrário, ainda que tivesse bom sentido de orientação, perdeu com toda a certeza muita coisa que lhe haveria de ter interessado. Apenas por via dessa desatenção.
Afirmação esta que, tal como todas as que remetem para uma vida alternativa, é gratuita e meramente poética. Já não das nuvens mas do nevoeiro. Que é uma nuvem muito baixa.

28/05/2013

E assim se confirma



Quando em Novembro de 2003 – não falta muito para fazer dez anos – me propus criar a Região Demarcada da Mulher Norte-Alentejana por ser verdade que as fêmeas da espécie oriundas daquelas paragens trazem o seu enormíssimo quê marcado em todas as células, não fazia tal senhora parte dos meus conhecimentos.
Mal a conheci, entrevi o poderoso e discreto encantamento que produzia ao mínimo gesto, à mínima interacção com o indígena, cativo dos encantos das ditas fêmeas da espécie.
Há pouco, confirmou ela o que eu já sabia – enumerou um conjunto de lugares de onde lhe vem o ancestro e que se encontram dentro dos limites estabelecidos em documento preparatório de Projecto de Lei.
Poderá o leitor interrogar-me: Tanto tempo para elaborar um Projecto de Lei e o submeter a aprovação?
Que direi eu, Ivone?

27/05/2013

Trompe l’œil


(clicar para saber do que se trata, caso não seja óbvio como para mim não é)
Aplicações

Há aplicações que identificam um tema musical a partir de um trecho, com recurso a uma base de dados. Funcionam com elevado grau de acerto para o meu nível de exigência na arte dos sons.
Ocorre-me a necessidade urgente de uma aplicação que identifique benfiquismos de toda a sorte e de qualquer ordem a partir de um trecho da argumentação de um estimado ouvinte ou atento telespectador em programas de opinião pública.
Isso, sim, faz falta.

26/05/2013

Falta de educação

Ou o Benfica não se preocupa com a educação dos seus atletas ou mete os pés pelas mãos nessa educação. Ver que os seus jogadores, sendo quase todos estrangeiros, sobem à tribuna do Estádio Nacional para receber uma medalha e não cumprimentam o Presidente da República é disso claríssimo sintoma.

24/05/2013

A direcção do olhar

Coisa que me dá que fazer é determinar se são as pessoas ou as circunstâncias que por sua vez determinam as posições relativas de dois interlocutores numa conversa que valha a pena.
Creio que há apenas três posições relativas que vale a pena enunciar:
Olhos nos olhos;
Lado a lado, olhando ambos em frente;
Olhar errático, cabeça de um apoiada no torso do outro.
O último modo parece não suscitar grandes dúvidas sobre a dependência de laços de grande intimidade entre os interlocutores bem como das circunstâncias.
Já os outros dois se me apresentam de mais difícil escrutínio.
Parece-me que vou dedicar ao tema umas horas de meditação.

23/05/2013

Apostinhas

Um dos meus velhos amigos, em casos que não vêm ao caso, costumava dizer: huuuuuuum, esconfiqu’ ela está com apostinhas de merda!
De merda ou de ervilha-de-cheiro aqui tenho feito as minhas. Poucas vezes mas tenho.
E, de acordo com o prometido há uns dias, aqui vai uma tabela de desacertos. Em libras, em vez de grades de cervejas. Que inclui apenas as apostas que eu disse que seria capaz de fazer, ainda que me tenha escapado alguma. Não os palpites furados que esses foram muitos mais.


clicar para ver a coisa como deve ser
Estradas imagináveis (do plano de 45) - vol. 19



Nota: a toponímia das estradas imagináveis é porém real.

21/05/2013

Das divisões do Mundo (episódio n+9)

A empáfia representa os conjuntos finitos em extensão.
A sabedoria fá-lo em compreensão.

20/05/2013

Inconfidência



Numa daquelas estranhas manifestações que fazem de mim um delator e das quais pouco adianta penitenciar-me, aqui vos deixo uma missiva do quase inabalável Isabelino Abreu dos Anjos, da qual transparece um desespero que, tivesse eu uma página de Facebook, na certa lá partilharia com vós outros.

(clicar para ler como deve ser)

17/05/2013

Elevação

Para um ateu e agnóstico como eu, é ainda assim notável e muito positivo que um homem com a envergadura intelectual de D. Manuel Clemente venha a ser Bispo de Lisboa e Cardeal-Patriarca.
É um rochedo que se coloca a quebrar a corrente tempestuosa de um rio que não sabe onde desagua.
Da Lei e da Grei

Ao contrário do que supunham alguns assanhados militantes da causa homossexual, não será permitida (a fazer fé nos textos dos projectos de lei, que a redacção final não a conheço) a existência de três pais (dois de facto e de jure e um adoptivo)

Já no caso dos casamentos, que não vem hoje a terreiro, acho discriminatório que irmãos do mesmo sexo* não se possam casar. Por ser discriminatório, e de acordo com alguns entendimentos sobre discriminação que têm feito jurisprudência calculo que seja inconstitucional.

* apenas para citar um exemplo em que se compreende o impedimento quando se trate de pessoas de sexo diferente - a Lei nº 9/2010 não alterou nem revogou o Artº 1602 alínea b do Código Civil (impedimentos dirimentes).

16/05/2013

Manny Pacquiao

É impossível ter vindo a ouvir a CNN nas últimas semanas e não estar farto deste nome.

15/05/2013

Quem não marca engorda

Há uma imagem de um lance do jogo da 1ª jornada do campeonato nacional de futebol da primeira divisão desta época que não me esquece. O dito lance desenvolve-se como se existisse apenas uma equipa em campo, a do Sporting. A do Guimarães, que se dizia presente, esteve omissa. E o lance, estranhamente, não redundou em golo.
A época do Sporting aí iniciada foi a pior de sempre, caso que se sabe desde 2 de Março passado.
Espero, desejo, que não aconteça ao Benfica engordar (com bolas no bucho) por não marcar.
Pareceu um massacre. Pareceu. Pareceu.
Da Luz

Não é por Luz ser um dos nomes de família.
Não é por adesividade ao encarnado no limiar da fama.
É apenas para contrariar o telex de há vinte e três anos que terminava com a palavra Milan e por uma vez sem exemplo – Viva o Benfica!
Restos de colecção (81)


capa de folheto explicativo do funcionamento do Totogolo (SCML)

Que hoje não há cá palpites.

14/05/2013

Hermenêutica d’algibeira

Era um par de pantufas arrumado.
Arrumado a um canto de um lugar de estacionamento para automóveis.
Vi-o eu.
Hoje.

12/05/2013

Roubei no Continente

Aqui há tempos roubei no (ao) Continente as rodelas semafóricas dos produtos alimentares.
Pensei com elas rotular designações, proposições, argumentos.
Cheguei ao ponto de admitir valores diários recomendados a nunca ultrapassar na leitura de expressões submetidas à impressão, ao gosto, à opinião, ao interesse, ao palpite e à poesia.
Resolvi depois simplificar ou enveredar por outra vereda. Cada afirmação passaria a ter apenas três informações em semáforo: percentagem de objectividade, subjectividade e emotividade não da dose diária recomendada mas encontrada na própria afirmação.
Com maior objectividade, o semáforo tenderia a verde; com maiores subjectividade e emotividade tenderia a vermelho.
Para exemplificar o que entendo por cada uma delas, veja-se o post de 23 de Maio de 2009.

09/05/2013

Adenda a um adágio muito em voga

Já não é só a repetição constante, usando outras palavras, do mais vale ser rico e saudável do que pobre e doente.
É o número trucidante de gente que considera que existe uma espécie de direito divino de se ser rico e saudável. Logo nunca pobre nem doente.
Aos costumes dizem não saber.

07/05/2013

Homem que é Homem

Uma das críticas frequentes (e pertinentes) sobre a instrução do povo que Medina Carreira faz nos seus programas de televisão é a da menina do supermercado que não sabe fazer contas.
Confesso que é daquelas coisas que me haviam passado ao lado, suspeitando eu que as máquinas haviam substituído qualquer tipo de cálculo mental*.
Pois bem, homem que é Homem acaba por comprar certo dia uma grade de cervejas para levar para casa. Foi esta tarde. Até hoje só tinha comprado grades de cerveja para levar para o monte e claro que não foi cá em supermercados.
Ao apresentar a grade na caixa, perguntei se era preciso tirá-la do carrinho. A resposta foi que não. Mas tive que a levantar a um ponto em que o rapazinho pudesse contar uma, duas, três... vinte e quatro.
Depois tirou uma da grade e pip.



*Sou o feliz detentor de uma espécie de diário de viagem em que a minha companheira de então apontou um alusivo diálogo com uma mocinha na praça da Manta Rota.

05/05/2013

35 de Abril é hoje

E a tão apregoada hipoteca das gerações futuras está já aí.
Não se prevêem melhoras nas próximas décadas.

04/05/2013

Estradas imagináveis (do plano de 45) - vol. 18



Nota: a toponímia das estradas imagináveis é porém real, apesar do erro detectado no destino.

02/05/2013

Tramontana

Para repetir e enfatizar o que aqui disse há tempos – um aparelho de GPS, esteja ele ou não com o tino no Passo de Drake, é um instrumento de desinteligência. Entre mim e eu próprio.
Desinstala-me a orientação do cérebro.

01/05/2013

Comissões

É aceite como normal que quem comparece perante as comissões do Parlamento lá vá para ser repreendido ou insultado em vez de inquirido.
É este um sintoma do estado. Com letra minúscula.

30/04/2013

Palpites

Hei-de me dar ao trabalho de enumerar os palpites que aqui fiz, os acertos e as falhas.
Enquanto não, ponho à venda a aposta de 13/8 que não fiz, no Benfica à 10ª jornada, numa altura em que se encontrava a par do Porto.
Se ela rende 13/8 (65%) e agora o mais que se consegue segundo o Oddschecker é 1/4 (25%), sou tipo para aceitar já os 25% e deixar a outro a oportunidade de ganhar 30% em poucos dias.
O facto de não ter feito a aposta enquanto a coloco à venda é despiciendo na actual conjuntura, como calculam.

Não dou como quitada a aposta que aqui fiz, dias depois dessa, sobre um violento abanão apesar do que está a suceder ao largo de São Miguel.
O que noto é que das duas vezes – e foram só duas – em que aqui predisse um abanão ele aconteceu. Em 2007 sentiu-se no continente um sismo de grau 5,8, grau esse que não era atingido desde 1997 de acordo com os dados do então Instituto de Meteorologia (e Geofísica?). E desde essa altura não houve um outro dessa magnitude.
Nos Açores, segundo a mesma base de dados, desde 1999 que se não verificava um sismo de magnitude igual ou superior a 5,9.
Começo a assustar-me com esta pontaria.



Corrigenda: Em 2009, a 17 de Dezembro, registou-se um sismo de grau 6,0 Richter a sudoeste do Cabo de São Vicente, sentido com intensidade V no barlavento algarvio, tal como o referido sismo de 2007, de 12 de Fevereiro. É portanto errado dizer que depois de 2007 não houve sismos com magnitude superior a 5,8 sentidos no continente.
Lições

Conheci tipos que caminhavam sobre os sublinhados que faziam nos livros.
Faziam-no portanto segundo troços de imaginárias linhas rectas.
Aprendi com eles que existiam tipos que caminhavam sobre os sublinhados que faziam nos livros.

29/04/2013

O material não tem sempre razão

Se no post abaixo se afirma o contrário, aqui se diz que nem sempre o material tem razão.
O meu aparelho de GPS acordou hoje no Passo de Drake. Vá lá saber-se...

28/04/2013

Das coisas mal enjorcadas

Das quais, uma das que mais me perturba é a conjugação de um belíssimo vinho, de uma rolha de óptima cortiça, de uma garrafa de vidro regular (coisa em que a qualidade é quase indiferente) e de uma péssima rolhagem.
A única coisa que faltou foi tino. E o tino...

26/04/2013

Incompreensão

Há uma imagem razoavelmente composta na rede de um grupo pseudo-intelectual que tinta de estúpidos não os que são incapazes de compreender aquilo que é compreensível (a complexidade nas convenções teóricas coerentes) mas os que não interpretam lá da maneira que eles o fazem os sinais do que é incompreensível, incluindo nisto algumas convenções incoerentes. É a incoerência de que sofrem que as torna incompreensíveis, sujeitas a romantismos, quixotismos e absurdas tomadas de posição.
Quixotismos de penaltis de taberna mais os seus competentes e inconsequentes insultos.
Grupo que, sem se misturar com as massas, exerce o proselitismo do like.

24/04/2013

23/04/2013

Dia de São Jorge


Lucas van Leyden; "São Jorge libertando a princesa de Trebizonda"; colecção Rosenwald na National Gallery of Art de Washington
Especialistas e comentadores

Não é conta que se faça. É impressão. Impressão de que noventa por cento dos especialistas económicos e comentadores políticos repisam a mesmíssima ideia: mais vale ser rico e saudável do que pobre e doente. E daí não saem.
Isto porque enquanto tirava um café me dei ao trabalho de ouvir um tipo que era uma espécie de lectótipo de ambas as espécies acima designadas.
Subsumi. Mas subsumi com base no muito que tenho lido e escutado.

22/04/2013

Assuntos que aqui se levam muito a sério


in Diário do Governo, I série, nº 184, de 18 de Agosto de 1949, p. 616

21/04/2013

20/04/2013

As grandes questões universais - episódio q+26

(por uma vez, sem exemplo, à maneira dita americana)
Good job

Assim de longe, coando os factos mais pelos directos do que pelas notícias e comentários, parece que a polícia de Boston, o FBI e as outras partes envolvidas fizeram um bom trabalho.

19/04/2013

Moral

Um dos aspectos infantis que fazem o tal encosto ao limite inferior do intervalo antes (abaixo) referido é a apreciação – tal como a ouvi agora na CNN – do que é suposto e não é suposto, do que é bem e do que é mal. Do que se espera e do que não se espera de quem é acolhido nos Estados Unidos da América, afinal.

18/04/2013

Se

Se a idade mental modal a que se destinam os conteúdos da internet é algo que se situa entre os 7 e os 12 anos, de acordo com os limites que estabeleci aqui há cerca de um ano, verifica-se que as grandes cadeias de televisão internacionais, sempre que ocorre algo que lhes ocupa as 24 horas do dia, como é o caso agora, se esmeram por se encostar ao limite inferior daquele intervalo.
O que diz alguma coisa sobre a humanidade nesta segunda década do século XXI.
ΤΡΟЙΚΑ

De cada vez que ouço a designação de Troika, ocorre-me aqueloutra afamada: Quarteto Três Irmãos, Pedro e Paulo.

16/04/2013

Se

Se a ideia por detrás dos atentados de Boston era provocar muitas baixas, tratou-se de um acto falhado.
Tratando-se de um acto falhado, podem excluir-se os terroristas treinados da lista dos responsáveis.

12/04/2013

And then... we fail

Não te reconheci, ainda que soubesse os fraternais laços que te ligariam, se ali estivesses, àquele com quem falavas.

10/04/2013

09/04/2013

Is this it*?


Imagens da Sky News, reportagem de David Chater à chegada das tropas americanas a Bagdade.

Dez anos depois, yes, this is just about it. Cada um que ponha o it onde lhe calha.

* ainda hoje tenho dúvidas entre "is this it?" e "this is it?"
Medos

Se há medo em mim de alguma coisa é seguramente o de o chão me fugir debaixo dos pés. Quase em oposição aos irredutíveis gauleses que temiam apenas que o céu lhes caísse em cima das cabeças.
E, de facto, por estes dias passou-me pela dita cabeça várias vezes a hipótese de se desencadearem fenómenos geológicos desse tipo já que os deslizamentos se foram banalizando.
Se assim o digo é porque não são os deslizamentos que temo, são mesmo coisas como aquela que aconteceu perto de Porto de Espada e que não são assim tão vulgares por cá.
A razão pela qual temo desde sempre estes e não aqueles fica ao vosso alvitre.


foto de Nugo Veiga / LUSA


100m para a profundidade da dolina não será um exagero de quem não tem noção das proporções?

07/04/2013

Restos de colecção (80)



Em vez de me trajar formalmente e compôr uma reacção televisionável à comunicação do Sr. Primeiro-Ministro.

06/04/2013

05/04/2013

Coisas estranhas

Pareceu-me ter encontrado hoje o compositor emérito.
Havia a penumbra, a mesa de mistura em ponto pequeno e uma certa hesitação dele em servir-me um café.
Longe, bem longe de Almeida. Num lugar onde jamais havia posto os pés.

04/04/2013

Paralelo 38 (cont.)


as primeiras imagens que o Google me indicava há pouco numa demanda por propaganda norte-coreana

31/03/2013

Encontrou-se


Mrs. Tauger, née Zeltou

Não se procura, portanto.
Procura que a ter acontecido, daria este resultado ecuménico.

30/03/2013

29/03/2013

Probabilidades

Em séries aleatórias, a probabilidade de acontecer b imediatamente depois de ter acontecido a é aparentemente igual à de qualquer outro elemento do conjunto.
Na História, a sequência dos acontecimentos tem diversos graus de previsibilidade. Há séries em que a modulação permite escalonar as probabilidades de acontecer b, c ou d depois de a e há séries em que estamos perto do comportamento aleatório. Isto no mundo de Alice, que no outro ninguém se atreve a especular sobre a especulação.
A meu ver vamos entrar nos números mais baixos da contagem decrescente para um confronto entre Israel e o Irão à volta das instalações nucleares deste.
E há um outro teatro em que me cheira que a esmagadora maioria das potências não faz a menor ideia do que vai acontecer a seguir, é a escalada em que a Coreia do Norte se tem vindo a empenhar, na qual segundo os sismógrafos vai muito à frente dos iranianos.
Aparentemente, esta ameaça é tida como insignificante. Uma espécie de folclore inconsequente.
Porém, se o meu olfacto não me engana, poucos sabem o que vai naquelas cabeças.

27/03/2013

O que é que (me) vai acontecer amanhã?

Há tempo suficiente para não saber quanto – coisa que não faz todo o sentido, porque ele há coisas que o tempo não apaga, mas faz algum – apareceu-me escrita algures – há tempo suficiente para não saber onde – pela minha mão a data de 28 de Março de 2013.
Não creio que se trate de um compromisso assumido e esquecido.
Pondo isso de parte, alguma coisa me acontecerá amanhã. Coisa que por ter merecido destaque de desmemorandum deve ter lá a sua importância.

25/03/2013

Sem descanso

Trata-se de ir repetindo inutilmente o caso. Coisa para que tenho certa tendência.
É impossível fazer omeletes sem ovos.

24/03/2013

Acelerador

Via-me com ela, duas partículas aceleradas em circuito fechado, chocando com determinada frequência. Mas de raspão.
Quando finalmente o choque foi frontal e sem meias palavras sussurradas, dissiparam-se as dúvidas, não a energia.
Noto ainda o esplendor de tal choque.
A mulher dos sonhos era real, porém imaginada. Tanto quanto se pode imaginar um quadro a óleo.
Trocarei o verbo imaginar por desenhar?
Portugal, 2004