05/07/2013

Há meia dúzia* de dias

Há meia dúzia* de dias

Ainda há meia dúzia de dias aqueles tipos que falam com os amaricanos e que por essa via sabem tudo sobre o tempo e o clima que há-de vir, afirmavam peremptórios que este ano não haveria de haver Verão.
E, claro, tinham tempo de antena e espaço na imprensa.


* exagerando

04/07/2013

Meninos às compras!

Meninos às compras!

Meninos às compras!? – era uma expressão basto utilizada nas nossas noites de cartas em plena rua.
No meio dos macetes, dos chitos, das recusas e das fugas à polícia, assomava essa frase dita com um certo desdém quando algum valete pretendia debalde arrebatar uma manilha baldada.
É a frase que ilustra estes dias. Não me consigo lembrar de outra melhor para dar título à minha apreciação do que se passa e do que se irá passar.

Guia, 2013

Guia, 2013

03/07/2013

Diplomacia

Diplomacia

Proibir um avião presidencial de um país com o qual se mantêm relações, com o presidente lá dentro, de aterrar em pistas ou sobrevoar terras e águas nacionais é um incidente diplomático de grau quê?
Não estou a fazer caso de desculpas esfarrapadas.
E é uma falta de soberania de grau quê?

01/07/2013

Dizer coisas bonitas nos funerais

Dizer coisas bonitas nos funerais

Tinha aquele homem uma qualidade que encerrava um mistério – produzia declarações envolventes nos funerais de amigos jamais caindo no lugar comum.
Mistério porque o fazia continuadamente sempre de forma a surpreender evitando tocar a banalidade que normalmente adviria da repetição.
Alguns disseram no seu funeral que o segredo dele era não ser compreendido. A não ser tarde demais.

30/06/2013

Não há condições

Retrocesso social

Para dar lustro ao que aqui escrevi há cerca de dois anos e meio, o Expresso prepara-se para oferecer aos seus leitores um exemplar d’”Os Maias”. Pior, fá-lo acompanhado de um opúsculo intitulado "Introdução à Leitura d'Os Maias".
Pouco importa que estas ofertas venham acompanhadas de outras inéditas e que a seu tempo se verá a qualidade que têm.
O que importa mesmo é ter a noção de onde o Expresso situa os seus leitores. O que fará bem, se o seu mercado é o dos analfabetos irracionais com carimbadelas e certificações ISO. O que fará mal se o seu mercado pretender ser o equivalente moderno do de 1973 conjuntamente com o que resta dele, como é o meu caso.
Só por vício, me parece, ainda gasto os três euros semanais.


(clicar para aceder)

29/06/2013

O autocarro

O famoso autocarro que dizem aparecer no futebol sobre a linha de golo afinal está na Volta a França.


imagem do Eurosport
Um mundo de doidos

Estamos num patamar em que nas cadeias internacionais de televisão é praticamente nula a probabilidade de se atravessar um noticiário sem que se ouça pelo menos um rotundo disparate. Rotundo mesmo. Daqueles que davam direito a reguada na 3ª classe.
Por vezes está quase todo o rol de notícias contaminado de asneiras.
Um destes dias, em tributo a algumas obras de ficção científica do género pandémico, alguns de nós estarão obstinadamente à procura de gente que ainda não enlouqueceu.


Jerónimo Bosch, “A extracção da pedra da loucura”, da página do Museu do Prado
Dúvidas existenciais

Assim de repente a única dúvida existencial (afinal são duas) cuja ponderação foge da curva é alheia. Diz respeito aos comunistas em geral – ter-se-ão eles, uma grande parte deles, tornado humanistas?
É esta dúvida suscitada em mim por qualquer erro de paralaxe?

27/06/2013

Coisas de facto importantes



Descartando o facto de a galinha da vizinha ser mais sexy do que a minha.

26/06/2013

Cantar de galo

Hoje, aqui no extremo ocidente da cidade, os galos desafiam-se com uma inusitada frequência e com uma clareza que é decerto consequência das condições de propagação.
Parece que estou no monte.
Acompanhar lugares vazios

Há assunto num não-assunto.
Mil alegorias se podem tecer a partir de uma multidão que acompanha lugares vazios num avião.


imagem da CNN

25/06/2013

Um não-assunto

A história do rapaz que supostamente anda a jogar às escondidas com os serviços de informação americanos é um não-assunto que vende à brava.
Mínima

A temperatura mínima registada esta noite em Lisboa promete ananases.

24/06/2013

Máquinas de simular disparates

A Federação Portuguesa de Futebol, as associações das quais emana e os apêndices que, como a Liga de Clubes, se tornaram mais ou menos autónomos são, no capítulo das invenções que de lá saem, autênticas máquinas de simular disparates.
Desde o tempo em que as decisões tomadas num dia eram questionadas no dia seguinte porque estavam já a produzir efeitos, até à mais recente trapalhada da Taça da Liga, cujos modelos eram sempre contestados de ano para ano, toda uma sorte de exemplos académicos úteis por absurdo.
Agora há mais uma fornada a sair. É esperar para ver.
Se escrevo simular e não fabricar é porque no meio da fabricação, que dá no que dá, há sempre notícias de proto-modelos extraordinários para a organização e para a competição.
E mais, da necessidade de ir pedir fora conselhos para organizar campeonatos, a ser verdade o que se tem dito.
Não é grave isto. Tem só a sua graça. Ou não.
O que é grave é que espelha a realidade. A forma como se decide o governo da Nação, do nível mais alto à junta de freguesia com menos fregueses.

22/06/2013

Uma ponte no Porto

No dia em que se completam 50 anos sobre a inauguração da Ponte da Arrábida, uma fotografia do modelo de ensaio no atelier do Prof. Edgar Cardoso.


espólio Campos Vilhena, fotografia de MSS

Imagens alternativas para o Porto aqui.
Jornalismo a seis metros


http://m.tvi24.iol.pt/503/sociedade/sismo-faro-tvi24/1462813-4071.html

Vá lá, não fazerem a coisa por menos...

20/06/2013

Follow me


fotografia dos arquivos do aeroporto de Berlim / Tempelhof

Há alguns séculos que não me dedicava ao passatempo de seguir um automóvel. No caso, dois automóveis.
E fui dar às Cachoeiras. Esta tarde.

19/06/2013

Dimensionamento

A falha intelectual de que sofre aquela entidade que é descrita como os quadros intermédios do Estado dá estes resultados.

18/06/2013

Transferência

Quando, no mundo capitalista, se transferem meios por decreto há decerto uma reacção qualquer da parte de quem vê esses meios desaparecerem.
No caso da indústria e da distribuição farmacêuticas, a guerra dos genéricos começa finalmente a mostrar o reverso da medalha.
Um caso em que a esmola foi grande e quase ninguém desconfiou...

17/06/2013

Eu, o Oitavo Exército, Mário Nogueira e as notas

Acho que, apesar das dúvidas sobre a etimologia da designação, o Oitavo Exército não carece de ser identificado. Em todas as localidades existe um, reunido aqui ou acolá, que se limita a observar e comentar as movimentações das NT.
Este aqui da cidade ocupa posições numa encruzilhada de caminhos por mim percorridos durante trinta anos e pelos quais deixei de passar frequentemente há uns quinze anos.
Não é por isso de estranhar que tenha visto a surpresa na cara dos mais atentos dos veteranos quando um destes dias lhes passei revista – este gajo ainda é vivo?

Mário Nogueira não é aqui mais do que uma nota de rodapé.


NOTA: Tendo vindo Mário Nogueira a passar revista, em pessoa ou em modo televisivo, a todas as tropas de todos os exércitos nos últimos vinte anos (mais do que vinte?) seria muitíssimo pouco provável que suscitasse a mesma reacção ao por ali passar.
Abrindo aqui uma excepção nas minhas avaliações de 0 a 20 fora dos conselhos de turma, excepção essa em que passo a avaliar um elemento masculino, atribuo a Mário Nogueira duas notas:
Retórica – 9
Combatividade – 18
Uau


imagem do EUMETSAT para o IPMA às 16:00 de 17 de Junho

16/06/2013

Corre água

Segundo uma jornalista da RTP a água corre sempre a descer.
Das coisas importantes


Com o devido tributo a quem concebeu o símbolo termal.

12/06/2013


A verdadeira interpretação dos sonhos

A presença da viatura amarela é uma recorrência nos meus sonhos desde há uns dois anos, mais coisa menos coisa. Posso precisar isso porque vou tomando nota escrita e gravada do que lá se passa.
Durante esse tempo, esteve sempre presente como memória vaga de uma aquisição recentemente feita (ao longo do tempo) mas a que não tinha acesso por se encontrar sempre teimosamente estacionada longe do local onde a acção decorria.
Até que um dia aqui há uns meses, consegui finalmente conduzi-lo. Eu e o Mano. E chegámos à conclusão de que, embora por fora semelhasse um carro japonês ou coreano, por dentro mais parecia um Citroën Saxo.
Quis falar dele aqui e ilustrá-lo. Às vezes há coisas nos sonhos que parecem facilmente ilustráveis – será mais difícil descrever um sonho por imagens do que por palavras, só porque as imagens muitas vezes não se formam por lá? – e ocorreu-me nessa altura que poderia tratar-se do carro com quem toda a gente sonha*. Um sucesso! Milhões de pessoas sobre o planeta a partilharem comigo uma viatura amarela. E eu o primeiro a aperceber-me de tal, a levantar a lebre!
Ora um destes dias andei por aqui a doutorar-me em veículos automóveis fabricados a norte do trópico de Câncer, entre os meridianos 120 e 140 E e acabei com a tese de que se trataria de um Daihatsu Sirion modelo de 1998, mais coisa menos coisa, fazendo jus ao título acima.
Surpreendeu-me de facto que uma ou duas noites depois, continuando estacionado longe da acção, o tenha nomeado a quem não poderia dar boleia como um Kia Picanto vermelho! É que não tem nada a ver!
O meu carro branco entretanto tem tido fugazes interpretações. Quase sempre em papéis secundários.
Há ainda um azul RAL 5024 que foi comprado pela memória de alguém, cuja marca e modelo me escapam por ora mas que também teima em não aparecer. Aparecendo frequentemente.


* o homem com quem toda a gente sonha foi bem identificado como sendo Fausto Gomes e ajustado à jorna pelo Eremita.


The veritable interpretation of dreams

The presence of the yellow car is recurrent in my dreams for about two years. I can tell for I have written it down or recorded it.
For that while, it has been always there as a vague reminder of a recently made (along the timeline) purchase that I had never acceded so was it ever parked too far from the stage.
Some months ago, I finally got my hands on the wheel. Me and my brother. We agreed that besides looking like a japanese or korean model, from the interior it was more or less like a Citroën Chanson.
I wanted then to post something about it here and show a snapshot of the sillouette. Sometimes it seems that things in dreams are easily designable – should it be harder to describe a dream by images than by words, only for images don’t ever show in dreams? By then it came to my mind that it could be the car that everyone dreams with*. What a scoop! Millions of people all over the planet sharing with me a yellow car. Being me the first to blow the whistle!
So, one of these days a went for a PhD in yellow cars made between the 120th meridian east and the 140th meridian east, north of the Tropic of Cancer. I finished my thesis showing it was clearly a 1998 Daihatsu Sirion, on behalf of this post title.
What really surprised me was the fact that, one or two nights after that, still parked far away from the scene, I came to name it as a red Kia Picanto. To someone I could not give a lift. No way!
My real white car has been scarcely seen there. Most times in secondary roles.
There is another car showing there – a RAL 5024 pastel blue bought by someone’s memory. Could not determine make and model. Like the yellow it seems to be always far away. No matter, it shows.


* The man that stars “Ever dream this man?” was caught by Eremita and named as Fausto Gomes. He works for his capturer in a day-by-day basis.


fotografia daqui

11/06/2013

Assobio quadrado


fotografia de Juan Emilio in Wikipedia

Chamava-se assobio quadrado a uma imitação de certo passo do canto do merlo muito usada pelos machos humanos no acasalamento.
Pois ou é do meu ouvido ou dos meus olhos ou é certo que andam por aí a voar mais merlos do que é uso?
Dos assobios passei aos avistamentos e à quase socialização com alguns exemplares.
Será mesmo um surto, Ivone?


do filme de ellieeckhardt
Fotografia mutável


A ponderação do jogo - objectos abandonados.
Σεισμός

Cada vez me convenço mais de que um abanão grande está à porta.
É a impressão que colho dos registos dos sismógrafos. Não sou adivinho nem especialista em geofísica. Sou um leigo com impressões.

10/06/2013

Casa Buttuller*

Os símbolos têm que ter a sua força particular – o objecto em si tem que ser ele também simbólico – e por isso adquiri a minha segunda bandeira nacional no alto da Torre, ponto mais alto do território continental. E num ponto alto da minha vida.
A Casa Buttuller da qual sou cliente velho tem a respeitabilidade de ser um repositório de símbolos, um compêndio de semiótica onde se entra a pé. Confere assim aos símbolos que lá adquiri um suplemento de alma.

Há uns três anos atrás, mais coisa menos coisa, adquiri lá uma bandeira nacional de pôr na lapela.
Não cheguei a ostentá-la. Dei por mim, tempos mais tarde, confundível com uma casta de governantes.
Um símbolo nacional é um símbolo nacional e, por muito uso particular que lhe dêem futebóis, por muito uso partidário a que alguns se julguem com direito, o tempo se encarregará de o devolver ao significado que efectivamente tem.
Modas e reviralhos à parte, há uma base no Escudo de Portugal que se mantém.
O formato da bandeirinha de lapela é que se transformou, depois de eu ter comprado a minha, num símbolo da situação.
E não me reconheço nela.

Hoje é Dia de Portugal. Bem poderia não o ser. A carga simbólica é muito mais pesada noutras datas. É a minha opinião e a de um grupo grande onde me incluo.
Estes moços que andam com a bandeira na lapela, aparentemente não tiveram o cuidado de se informar. Ou terão eles motivos fortes para assim terem decidido?



* ver belíssima foto da fachada da dita, tirada por Mr. Tambourine.
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07/06/2013

De chalaças estamos fartos

O ministro das Finanças, que não deixa de ser um tipo capaz mas incapaz de lidar com as suas responsabilidades, aparentemente gosta de chalaças.
Dizer que a construção civil sofreu, no primeiro trimestre, sublinho, no primeiro trimestre, de condições meteorológicas adversas e que isso teve significado na péssima condição do sector ou é uma brincadeira infantil ou uma declaração que mostra uma completa inaptação à realidade.

06/06/2013

Arraial!

Arraial pelo nosso Isabelino Abreu dos Anjos, nascido no dia D, como não poderia deixar de ser.
A idade que conta é, pelo destituído critério dos carneiros brancos, impronunciável. Uma espécie de n-word para os vazios bestuntos das américas.

No país do atraso mental

Para que precisaria eu de um sinal na estrada que há anos asfaltaram nas minhas terras a indicar o caminho do monte? Se há trinta anos quando a estrada foi asfaltada não havia GPS seria agora que haveria uma necessidade imperiosa de o sinalizar? Para que um socorro ali chegue sem detença? Num sítio onde toda a gente conhece as chapadas, os barrancos e as alturas?
Verificando eu que os meus vizinhos tiveram igual sorte, e sendo certo que eu não paguei directamente o despautério suponho que eles também não.
É nestas merdas que se gasta o dinheiro quando há eleições.
Ou o povo é todo constituído por cavalgaduras ou os políticos são eles próprios as ditas.
Como sabem, inclino-me sempre para a segunda hipótese.
Sendo a primeira, não há remédio. Sendo a segunda, existe e é(?) simples.


montagem sobre fotografia do Google Street View

Para que se não diga que só agora ando a falar desta tropa, rebobine-se o filme.
Tenho mais um carradão de exemplos de atraso mental municipal para ir aqui deixando quando me der na telha.

04/06/2013

Foi afinal fácil

Voltar à prima forma.
Da forma

Sei que é a título de "quem tudo pode..." mas pareceu-me desleal a forma como o Blogspot (o Blogger, o Google, ou seja lá quem fôr) procedeu, alterando a forma sem aviso prévio.
Verei se consigo voltar à prima forma, que era coisa moldada há dez anos e não comprada feita.
Talvez

Há suficientes razões para supôr hoje que o perfil de Juliette se tenha fixado numa linha de aparência horizontal.
Talvez Samuel Clemens a reconheça, vertical, nas margens do Rio.

03/06/2013

As grandes questões universais - episódio q+27

Será possível demonstrar que toda e qualquer organização política não pode enumerar todos os pontos programáticos que congregaram os seus militantes?
Ladeira do Pinheiro, 2012

02/06/2013

7 livros 7

Tenho vindo a acomodar-me à ideia de finitude. Particularmente no que respeita a livros e à capacidade para os ler.
Pertenço ao grupo dos que consideram uma inutilidade possuir coisas das quais não se tira proveito. E no caso dos livros não os ler é não tirar deles proveito, ainda que em alguns casos se arribe ao fim de um livro com a sensação de que se chegou à praia depois da tempestade. O que não deixa de ser um proveito.
Vou por isso registando o que compro, o que leio e o que retiro das estantes sem que estivesse tombado.
Ainda tenho uma esperança razoável de ler todos quantos por aqui me povoam as paredes. Para a manter nesse limite de razoabilidade procuro aumentar em muito pouco em cada ano a lista de pedidos que a mim faço.
Este mês de Junho, depois da passagem pela Feira do Livro, suponho que primeira e última, arrematei 7 livros 7. Menos um do que o ano passado em que já me refreei. Talvez ainda compre mais meia-dúzia se fizerem a feira aqui ao pé de casa lá para o fim do mês.


Nota: o mês de Junho, por não estar fechado, não aparece nas contas

01/06/2013

Tentações

Tenho idade para me lembrar dos desmandos de 75 e da destruição de muitas empresas saudáveis que agora bem falta fazem.
Porque fomos apanhados mais tarde na chamada construção europeia que agora se vê às escâncaras que nunca passou das fundações e na vertigem do comércio mundial que nivelou a água nos vasos comunicantes, estamos, na medida em que a História se explica a si própria, coisa que eu considero que não acontece pelo que o que aqui digo é mais das tentações do que da razão, numa espécie de limbo pré-abissal ou à porta de fortes convulsões. Tentações que me levam a desejar uma nova era de PREC em que o governo esteja nas mãos do BE e seja apoiado por toda aquela gente com cara e com pose de jornada de luta.
Coisa difícil seria que eles se entendessem para governar.
Coisa impossível seria que tal governo durasse um ano.
Águas de Moura, 2013

31/05/2013

Mémoires



Descobri há pouco uma parte do mistério que há uns anos me saltou às mãos, enquanto revistava papéis.
O mistério consistia em descodificar uma parte de uma frase numa folha de papel cavalinho que legendava um desenho de três vultos masculinos caminhando num glaciar.
Aparentemente tratava-se de um díptico em que na outra parte figuraria o resto da frase.
Tenho quase a certeza de que encontrei a parte direita da peça tempos depois.
E tenho a certeza de que só hoje descobri o significado da meia-frase, que teria sido frase inteira no tempo que se seguiu à redescoberta da face direita.
Diria um tolo qualquer que o estranho é haverem passado quatro anos entre 1969 e 1973.
Portugal, 2013

30/05/2013

Coisas que os antigos diziam de outra maneira - sentença décima terceira

Quando se argumenta para defender interesses o mais certo é que os argumentos façam ricochete.

29/05/2013

Topologia das nuvens

Pertenço ao conjunto dos nefelibatas concentrados.
O que significa que consigo isolar estímulos a que atento de estímulos que não me interessam no momento.
Este facto só por si proporciona um distanciamento serôdio em relação a aspectos banais da realidade.
E o distanciamento serôdio significa que muito tarde na vida me apercebi de coisas tão óbvias como a não coincidência dos caminhos de ida e de volta.
Justamente por certo dia me ter espantado com algo que existia numa rua de Lisboa pela qual passava diariamente e que decerto lá estaria há muito.
É que a percorria apenas num sentido, na ida. Na volta, o jeito era outro e não passava por ali. E a existência dava-se por ela caminhando no sentido contrário àquele em que eu por ela andava diariamente.
Ora um tipo que só tarde na vida se apercebeu de tal, que há caminhos mais a jeito de quem vai num sentido e outros mais a jeito de quem vem em sentido contrário, ainda que tivesse bom sentido de orientação, perdeu com toda a certeza muita coisa que lhe haveria de ter interessado. Apenas por via dessa desatenção.
Afirmação esta que, tal como todas as que remetem para uma vida alternativa, é gratuita e meramente poética. Já não das nuvens mas do nevoeiro. Que é uma nuvem muito baixa.

28/05/2013

E assim se confirma



Quando em Novembro de 2003 – não falta muito para fazer dez anos – me propus criar a Região Demarcada da Mulher Norte-Alentejana por ser verdade que as fêmeas da espécie oriundas daquelas paragens trazem o seu enormíssimo quê marcado em todas as células, não fazia tal senhora parte dos meus conhecimentos.
Mal a conheci, entrevi o poderoso e discreto encantamento que produzia ao mínimo gesto, à mínima interacção com o indígena, cativo dos encantos das ditas fêmeas da espécie.
Há pouco, confirmou ela o que eu já sabia – enumerou um conjunto de lugares de onde lhe vem o ancestro e que se encontram dentro dos limites estabelecidos em documento preparatório de Projecto de Lei.
Poderá o leitor interrogar-me: Tanto tempo para elaborar um Projecto de Lei e o submeter a aprovação?
Que direi eu, Ivone?

27/05/2013

Trompe l’œil


(clicar para saber do que se trata, caso não seja óbvio como para mim não é)
Aplicações

Há aplicações que identificam um tema musical a partir de um trecho, com recurso a uma base de dados. Funcionam com elevado grau de acerto para o meu nível de exigência na arte dos sons.
Ocorre-me a necessidade urgente de uma aplicação que identifique benfiquismos de toda a sorte e de qualquer ordem a partir de um trecho da argumentação de um estimado ouvinte ou atento telespectador em programas de opinião pública.
Isso, sim, faz falta.

26/05/2013

Falta de educação

Ou o Benfica não se preocupa com a educação dos seus atletas ou mete os pés pelas mãos nessa educação. Ver que os seus jogadores, sendo quase todos estrangeiros, sobem à tribuna do Estádio Nacional para receber uma medalha e não cumprimentam o Presidente da República é disso claríssimo sintoma.

24/05/2013

A direcção do olhar

Coisa que me dá que fazer é determinar se são as pessoas ou as circunstâncias que por sua vez determinam as posições relativas de dois interlocutores numa conversa que valha a pena.
Creio que há apenas três posições relativas que vale a pena enunciar:
Olhos nos olhos;
Lado a lado, olhando ambos em frente;
Olhar errático, cabeça de um apoiada no torso do outro.
O último modo parece não suscitar grandes dúvidas sobre a dependência de laços de grande intimidade entre os interlocutores bem como das circunstâncias.
Já os outros dois se me apresentam de mais difícil escrutínio.
Parece-me que vou dedicar ao tema umas horas de meditação.

23/05/2013

Apostinhas

Um dos meus velhos amigos, em casos que não vêm ao caso, costumava dizer: huuuuuuum, esconfiqu’ ela está com apostinhas de merda!
De merda ou de ervilha-de-cheiro aqui tenho feito as minhas. Poucas vezes mas tenho.
E, de acordo com o prometido há uns dias, aqui vai uma tabela de desacertos. Em libras, em vez de grades de cervejas. Que inclui apenas as apostas que eu disse que seria capaz de fazer, ainda que me tenha escapado alguma. Não os palpites furados que esses foram muitos mais.


clicar para ver a coisa como deve ser
Estradas imagináveis (do plano de 45) - vol. 19



Nota: a toponímia das estradas imagináveis é porém real.

21/05/2013

Das divisões do Mundo (episódio n+9)

A empáfia representa os conjuntos finitos em extensão.
A sabedoria fá-lo em compreensão.

20/05/2013

Inconfidência



Numa daquelas estranhas manifestações que fazem de mim um delator e das quais pouco adianta penitenciar-me, aqui vos deixo uma missiva do quase inabalável Isabelino Abreu dos Anjos, da qual transparece um desespero que, tivesse eu uma página de Facebook, na certa lá partilharia com vós outros.

(clicar para ler como deve ser)

17/05/2013

Elevação

Para um ateu e agnóstico como eu, é ainda assim notável e muito positivo que um homem com a envergadura intelectual de D. Manuel Clemente venha a ser Bispo de Lisboa e Cardeal-Patriarca.
É um rochedo que se coloca a quebrar a corrente tempestuosa de um rio que não sabe onde desagua.
Da Lei e da Grei

Ao contrário do que supunham alguns assanhados militantes da causa homossexual, não será permitida (a fazer fé nos textos dos projectos de lei, que a redacção final não a conheço) a existência de três pais (dois de facto e de jure e um adoptivo)

Já no caso dos casamentos, que não vem hoje a terreiro, acho discriminatório que irmãos do mesmo sexo* não se possam casar. Por ser discriminatório, e de acordo com alguns entendimentos sobre discriminação que têm feito jurisprudência calculo que seja inconstitucional.

* apenas para citar um exemplo em que se compreende o impedimento quando se trate de pessoas de sexo diferente - a Lei nº 9/2010 não alterou nem revogou o Artº 1602 alínea b do Código Civil (impedimentos dirimentes).

16/05/2013

Manny Pacquiao

É impossível ter vindo a ouvir a CNN nas últimas semanas e não estar farto deste nome.

15/05/2013

Quem não marca engorda

Há uma imagem de um lance do jogo da 1ª jornada do campeonato nacional de futebol da primeira divisão desta época que não me esquece. O dito lance desenvolve-se como se existisse apenas uma equipa em campo, a do Sporting. A do Guimarães, que se dizia presente, esteve omissa. E o lance, estranhamente, não redundou em golo.
A época do Sporting aí iniciada foi a pior de sempre, caso que se sabe desde 2 de Março passado.
Espero, desejo, que não aconteça ao Benfica engordar (com bolas no bucho) por não marcar.
Pareceu um massacre. Pareceu. Pareceu.
Da Luz

Não é por Luz ser um dos nomes de família.
Não é por adesividade ao encarnado no limiar da fama.
É apenas para contrariar o telex de há vinte e três anos que terminava com a palavra Milan e por uma vez sem exemplo – Viva o Benfica!
Restos de colecção (81)


capa de folheto explicativo do funcionamento do Totogolo (SCML)

Que hoje não há cá palpites.

14/05/2013

Hermenêutica d’algibeira

Era um par de pantufas arrumado.
Arrumado a um canto de um lugar de estacionamento para automóveis.
Vi-o eu.
Hoje.

12/05/2013

Roubei no Continente

Aqui há tempos roubei no (ao) Continente as rodelas semafóricas dos produtos alimentares.
Pensei com elas rotular designações, proposições, argumentos.
Cheguei ao ponto de admitir valores diários recomendados a nunca ultrapassar na leitura de expressões submetidas à impressão, ao gosto, à opinião, ao interesse, ao palpite e à poesia.
Resolvi depois simplificar ou enveredar por outra vereda. Cada afirmação passaria a ter apenas três informações em semáforo: percentagem de objectividade, subjectividade e emotividade não da dose diária recomendada mas encontrada na própria afirmação.
Com maior objectividade, o semáforo tenderia a verde; com maiores subjectividade e emotividade tenderia a vermelho.
Para exemplificar o que entendo por cada uma delas, veja-se o post de 23 de Maio de 2009.

09/05/2013

Adenda a um adágio muito em voga

Já não é só a repetição constante, usando outras palavras, do mais vale ser rico e saudável do que pobre e doente.
É o número trucidante de gente que considera que existe uma espécie de direito divino de se ser rico e saudável. Logo nunca pobre nem doente.
Aos costumes dizem não saber.

07/05/2013

Homem que é Homem

Uma das críticas frequentes (e pertinentes) sobre a instrução do povo que Medina Carreira faz nos seus programas de televisão é a da menina do supermercado que não sabe fazer contas.
Confesso que é daquelas coisas que me haviam passado ao lado, suspeitando eu que as máquinas haviam substituído qualquer tipo de cálculo mental*.
Pois bem, homem que é Homem acaba por comprar certo dia uma grade de cervejas para levar para casa. Foi esta tarde. Até hoje só tinha comprado grades de cerveja para levar para o monte e claro que não foi cá em supermercados.
Ao apresentar a grade na caixa, perguntei se era preciso tirá-la do carrinho. A resposta foi que não. Mas tive que a levantar a um ponto em que o rapazinho pudesse contar uma, duas, três... vinte e quatro.
Depois tirou uma da grade e pip.



*Sou o feliz detentor de uma espécie de diário de viagem em que a minha companheira de então apontou um alusivo diálogo com uma mocinha na praça da Manta Rota.

05/05/2013

35 de Abril é hoje

E a tão apregoada hipoteca das gerações futuras está já aí.
Não se prevêem melhoras nas próximas décadas.