| Onde está o Pancrácio? | ||
Colaboração de ANC |
16/08/2013
15/08/2013
Alavancar (III)
Como é que sei? Sei como sei o resultado de ontem do Portimonense, ou que a um rapaz da canoagem não o deixam ou ele não quer competir ou até mesmo que aí onde estás, há uns anos, não havia mesa, era a passagem para a casa de banho.
Era pois. Andas com atenção às letras do Tony. Também trauteias ou é só memória auditiva?
E esse ou, disjuntivo, quer dizer que quem aprendeu a letra sem se dar conta não a pode trautear e vice-versa?
Ói! Temos filosofia barata! Precisão de linguagem... Nesse caso, aproveito para dizer que a tua resposta à minha pergunta "Como é que sabes que a letra é do Tony Carreira?" não tem ponta por onde se lhe pegue.
Enfiando o gargalo da mini-castello na boca, fingi indiferença. Como à entrada do café.
Queres saber do que se trata? – perguntou, desmontando a minha pose.
(continua)
Como é que sei? Sei como sei o resultado de ontem do Portimonense, ou que a um rapaz da canoagem não o deixam ou ele não quer competir ou até mesmo que aí onde estás, há uns anos, não havia mesa, era a passagem para a casa de banho.
Era pois. Andas com atenção às letras do Tony. Também trauteias ou é só memória auditiva?
E esse ou, disjuntivo, quer dizer que quem aprendeu a letra sem se dar conta não a pode trautear e vice-versa?
Ói! Temos filosofia barata! Precisão de linguagem... Nesse caso, aproveito para dizer que a tua resposta à minha pergunta "Como é que sabes que a letra é do Tony Carreira?" não tem ponta por onde se lhe pegue.
Enfiando o gargalo da mini-castello na boca, fingi indiferença. Como à entrada do café.
Queres saber do que se trata? – perguntou, desmontando a minha pose.
(continua)
14/08/2013
Siga a música!
O Conselho de Ministros instituiu o Dia Nacional das Bandas Filarmónicas. A 1 de Setembro.
O Conselho de Ministros instituiu o Dia Nacional das Bandas Filarmónicas. A 1 de Setembro.
Egipto*

(ilustração publicada inicialmente em 31 de Janeiro de 2011)
* uma das perguntas que não se podem fazer aos autores do AO90 é onde é que estão os eruditos (os da pronúncia culta) em Portugal que pronunciam Egito.
(ilustração publicada inicialmente em 31 de Janeiro de 2011)
* uma das perguntas que não se podem fazer aos autores do AO90 é onde é que estão os eruditos (os da pronúncia culta) em Portugal que pronunciam Egito.
13/08/2013
Expresso
Mais uma razão para julgar que o Expresso é composto para ser lido por gente de fraquíssimo nível. Na qual tenho que me incluir, pois continuo a comprá-lo:

in Expresso de 10 de Agosto (clicando, lê-se)
Além de ter por lá gente deste calibre a escrever, não tem quem reveja e detecte tão rotundas, tão primárias asneiras.
Mais uma razão para julgar que o Expresso é composto para ser lido por gente de fraquíssimo nível. Na qual tenho que me incluir, pois continuo a comprá-lo:
in Expresso de 10 de Agosto (clicando, lê-se)
Além de ter por lá gente deste calibre a escrever, não tem quem reveja e detecte tão rotundas, tão primárias asneiras.
12/08/2013
Alavancar (II)
Atão, pá!
Olhou-me de viés, como se não me tivesse visto entrar no café e não tivesse cruzado os olhos com os meus numa indiferença mútua, embora se saiba já que a minha indiferença era teatral.
Tás bom, Manel? – ele ainda se lembra do meu nome.
A contemplação dos pormenores das coisas sobre a mesa, referidos a priori, levou-me a fazer uma coisa muito contra a minha natureza – reparos:
Pensava eu que já ninguém copiava letras de canções à mão!
Tentou um olhar de viés semelhante ao que fizera anteriormente, somou-lhe um quê de reprovação, e soltou um ah, sim?!
Pois pá, as miúdas hoje fazem copy-paste, cantam com aqueles écrans onde passa a letra, se calhar já nem escrevem com esferográfica.
Karaoke – disse ele com ar enfastiado. Não se trata de nada disso. E são só as miúdas?
Entregas-te a grandes reflexões: Tony Carreira, Marcelo e isso é o quê? Uma alavanca?
Como é que sabes que a letra é do Tony Carreira?
Petrifiquei. Mal consegui virar-me para trás e pedir com voz pujante ao Manel (ao Manel do café) uma mini-castelo. Castello, com dois éles.
(continua)
Atão, pá!
Olhou-me de viés, como se não me tivesse visto entrar no café e não tivesse cruzado os olhos com os meus numa indiferença mútua, embora se saiba já que a minha indiferença era teatral.
Tás bom, Manel? – ele ainda se lembra do meu nome.
A contemplação dos pormenores das coisas sobre a mesa, referidos a priori, levou-me a fazer uma coisa muito contra a minha natureza – reparos:
Pensava eu que já ninguém copiava letras de canções à mão!
Tentou um olhar de viés semelhante ao que fizera anteriormente, somou-lhe um quê de reprovação, e soltou um ah, sim?!
Pois pá, as miúdas hoje fazem copy-paste, cantam com aqueles écrans onde passa a letra, se calhar já nem escrevem com esferográfica.
Karaoke – disse ele com ar enfastiado. Não se trata de nada disso. E são só as miúdas?
Entregas-te a grandes reflexões: Tony Carreira, Marcelo e isso é o quê? Uma alavanca?
Como é que sabes que a letra é do Tony Carreira?
Petrifiquei. Mal consegui virar-me para trás e pedir com voz pujante ao Manel (ao Manel do café) uma mini-castelo. Castello, com dois éles.
(continua)
11/08/2013
Alavancar
Eu conheço o homem. Há muitos anos. Ainda que não saiba bem como ele se chama. Ou já não me lembre, o que dá o mesmo resultado – chamo-lhe atão, pá!
Estava sentado numa mesa que antigamente não existia. Explicando melhor, estava sentado numa mesa onde antigamente não havia mesa, era a passagem para a casa de banho.
Quando atentei bem no conteúdo da mesa, lembrei-me de um episódio antigo ali ocorrido, na mesa do canto junto à janela, com dois engenheiros, tio e sobrinho afim, civil e mecânico, que riscavam jornais com parafusos em corte. Ora bem, o homem tinha o jornal rabiscado, isso tinha. Mas tinha mais, tinha três folhas de papel garatujadas – uma, com um esquema de uma alavanca interfixa; outra, com uma letra de uma canção de Tony Carreira; e a última com este cabeçalho: perguntasamarcelo@tvi.pt, sob o qual existia um rol de alíneas.
(continua)
Eu conheço o homem. Há muitos anos. Ainda que não saiba bem como ele se chama. Ou já não me lembre, o que dá o mesmo resultado – chamo-lhe atão, pá!
Estava sentado numa mesa que antigamente não existia. Explicando melhor, estava sentado numa mesa onde antigamente não havia mesa, era a passagem para a casa de banho.
Quando atentei bem no conteúdo da mesa, lembrei-me de um episódio antigo ali ocorrido, na mesa do canto junto à janela, com dois engenheiros, tio e sobrinho afim, civil e mecânico, que riscavam jornais com parafusos em corte. Ora bem, o homem tinha o jornal rabiscado, isso tinha. Mas tinha mais, tinha três folhas de papel garatujadas – uma, com um esquema de uma alavanca interfixa; outra, com uma letra de uma canção de Tony Carreira; e a última com este cabeçalho: perguntasamarcelo@tvi.pt, sob o qual existia um rol de alíneas.
(continua)
Estradas imagináveis (do plano de 45) - vol. 20

Ou como a brejeirice e a linguagem de carroceiro se apoderaram destas páginas. À falsa fé.
Nota: a toponímia das estradas imagináveis é porém real.
Ou como a brejeirice e a linguagem de carroceiro se apoderaram destas páginas. À falsa fé.
Nota: a toponímia das estradas imagináveis é porém real.
10/08/2013
09/08/2013
07/08/2013
Nomes
Não me deixarei arrastar pela razão. Que ela não assiste a estas coisas. Nunca assistiu, não seria agora que passaria a assistir.
O facto é que o Torneio dito do Guadiana se disputou este ano (não fazendo eu ideia de onde se disputaram as últimas edições) na foz do Arade. Em Portimão.
Não há nada de novo neste arrastar dos nomes sobre a ecúmena. É uma prática existente desde que existem nomes.
O que me parece curioso – e foi coisa que vi há momentos – é que o troféu (os troféus, pois vi três) representam uma ponte de tirantes.
Que tanto pode ser a de Rito, sobre o Arade, como a de Câncio Martins, sobre o Guadiana.
Se há elementos nos troféus que identifiquem claramente de qual das duas se trata, não tive tempo para os apreciar.
Não me deixarei arrastar pela razão. Que ela não assiste a estas coisas. Nunca assistiu, não seria agora que passaria a assistir.
O facto é que o Torneio dito do Guadiana se disputou este ano (não fazendo eu ideia de onde se disputaram as últimas edições) na foz do Arade. Em Portimão.
Não há nada de novo neste arrastar dos nomes sobre a ecúmena. É uma prática existente desde que existem nomes.
O que me parece curioso – e foi coisa que vi há momentos – é que o troféu (os troféus, pois vi três) representam uma ponte de tirantes.
Que tanto pode ser a de Rito, sobre o Arade, como a de Câncio Martins, sobre o Guadiana.
Se há elementos nos troféus que identifiquem claramente de qual das duas se trata, não tive tempo para os apreciar.
Os servos e os lobos
Ontem, alheado de tudo o mais, fixava eu umas imagens de um canal de televisão que calculo fosse o National Geographic.
Na edição de imagem haviam acrescentado uns pequenos focos luminosos de cores distintas – uma cor representava os cervos, outra os lobos.
Enquanto as manobras decorriam, de parte a parte, lobos à caça, cervos em fuga, as imagens confundiam-se ali com a minha representação da nossa história recente no palco do mítico pinhal da Azambuja.
Não eram cervos, eram servos capitaneados por mentecaptos as luzes de certa cor.
Não eram lobos, eram chicos-espertos, ladrões e aldrabões, as luzes da outra.
Evoluíam todos numa espécie de bailado em que o resultado final era contrário ao espírito das fábulas. E qual será o espírito das fábulas?
Ontem, alheado de tudo o mais, fixava eu umas imagens de um canal de televisão que calculo fosse o National Geographic.
Na edição de imagem haviam acrescentado uns pequenos focos luminosos de cores distintas – uma cor representava os cervos, outra os lobos.
Enquanto as manobras decorriam, de parte a parte, lobos à caça, cervos em fuga, as imagens confundiam-se ali com a minha representação da nossa história recente no palco do mítico pinhal da Azambuja.
Não eram cervos, eram servos capitaneados por mentecaptos as luzes de certa cor.
Não eram lobos, eram chicos-espertos, ladrões e aldrabões, as luzes da outra.
Evoluíam todos numa espécie de bailado em que o resultado final era contrário ao espírito das fábulas. E qual será o espírito das fábulas?
06/08/2013
05/08/2013
Gibraltar
Continuo convencido de que é obrigação do Estado português estar discretamente ao lado do Estado espanhol em todas as suas reivindicações a respeito de Gibraltar.
Para na eventualidade, ainda que pouco provável, da soberania sobre aquele enclave regressar a Espanha estarmos na posse de um ás de trunfo (e talvez também da manilha) no jogo de argumentos à volta de Olivença.
NOTA: emendo a mão no que respeita a um comentário replicativo feito em 2004 – os assuntos de soberania e de dignidade do Estado são prioritários.
Continuo convencido de que é obrigação do Estado português estar discretamente ao lado do Estado espanhol em todas as suas reivindicações a respeito de Gibraltar.
Para na eventualidade, ainda que pouco provável, da soberania sobre aquele enclave regressar a Espanha estarmos na posse de um ás de trunfo (e talvez também da manilha) no jogo de argumentos à volta de Olivença.
NOTA: emendo a mão no que respeita a um comentário replicativo feito em 2004 – os assuntos de soberania e de dignidade do Estado são prioritários.
04/08/2013
Jus
A ser verdade tudo o que está escrito na edição do Expresso de 20 de Jullho p.p. e que consta, a título de referência de imprensa, na página da ASJP, temos ali um quase paradigma daquilo a que alguns chamam o edifício da justiça.
E um exemplo claro do que deve ser varrido. Sem contemplações.
A ser verdade tudo o que está escrito na edição do Expresso de 20 de Jullho p.p. e que consta, a título de referência de imprensa, na página da ASJP, temos ali um quase paradigma daquilo a que alguns chamam o edifício da justiça.
E um exemplo claro do que deve ser varrido. Sem contemplações.
02/08/2013
RTP
A RTP repete os concursos com Fernando Mendes sem colocar a respectiva indicação de programa repetido por:
a) ser isso uma forma de avaliar as audiências;
b) não ter respeito pelos que pagam aos seus funcionários;
c) não haver lá ninguém que saiba quais foram os concursos já emitidos;
d) haver alguém que se diverte a trocar as referências dos programas;
e) uma razão obscura que ninguém na RTP conhece;
f) algo que não tenha sido indicado nas alíneas anteriores.
A RTP repete os concursos com Fernando Mendes sem colocar a respectiva indicação de programa repetido por:
a) ser isso uma forma de avaliar as audiências;
b) não ter respeito pelos que pagam aos seus funcionários;
c) não haver lá ninguém que saiba quais foram os concursos já emitidos;
d) haver alguém que se diverte a trocar as referências dos programas;
e) uma razão obscura que ninguém na RTP conhece;
f) algo que não tenha sido indicado nas alíneas anteriores.
01/08/2013
B A BA
O mais previsível entre um burro, um aldrabão e um burro-aldrabão é este último.
Controlado de perto, apresenta um risco mínimo.
Quando nos apercebemos de que há demasiados indivíduos desta espécie a operar causando dano – e todos os dias somos bombardeados com notícias do género – uma de duas coisas aconteceu:
Não foram controlados.
Foram controlados por gente que integra uma das espécies mencionadas.
O mais previsível entre um burro, um aldrabão e um burro-aldrabão é este último.
Controlado de perto, apresenta um risco mínimo.
Quando nos apercebemos de que há demasiados indivíduos desta espécie a operar causando dano – e todos os dias somos bombardeados com notícias do género – uma de duas coisas aconteceu:
Não foram controlados.
Foram controlados por gente que integra uma das espécies mencionadas.
31/07/2013
Algumas considerações para o escopo do bom terrorista
O facto de nunca me ter prendido à ideia de pertencer a um tipo exemplar ou de ser um tipo como os outros, deve ter cavado alguns abismos entre os tipos exemplares e os tipos como os outros e eu próprio. Deve. Nunca foi coisa a que prestasse muita atenção. Apenas a necessária para não fazer o óbvio, o que é pouco.
Ainda assim apercebo-me de que os meus padrões parecem estranhos a muita gente. Estranhos apenas porque não se enquadram no que deveria ser. Que talvez seja essa a única estranheza possível, grande coisa!
Não tiro disto particular gozo. Talvez pudesse tirar, à custa do rompimento de algumas relações menos interessantes.
O facto de nunca me ter prendido à ideia de pertencer a um tipo exemplar ou de ser um tipo como os outros, deve ter cavado alguns abismos entre os tipos exemplares e os tipos como os outros e eu próprio. Deve. Nunca foi coisa a que prestasse muita atenção. Apenas a necessária para não fazer o óbvio, o que é pouco.
Ainda assim apercebo-me de que os meus padrões parecem estranhos a muita gente. Estranhos apenas porque não se enquadram no que deveria ser. Que talvez seja essa a única estranheza possível, grande coisa!
Não tiro disto particular gozo. Talvez pudesse tirar, à custa do rompimento de algumas relações menos interessantes.
29/07/2013
Desorientação
A ser verdade o que se diz que disse o maquinista e a dizê-lo ele com convicção – que não sabia onde se encontrava quando se lhe deparou a curva – isso não me espanta.
Passa-se hoje por demasiada gente que tem esse tipo de brancas e que as tem cada vez com maior frequência.
Talvez seja legítimo perguntar se essas coisas se diagnosticam (se despistam) sem a ajuda do paciente.
Noutro plano, os espanhóis continuam a aproveitar troços de estrada com raios de curvatura e trainéis que não lembram ao diabo para fazer auto-estradas.
E troços de ferrovia antiga para fazerem passar a alta-velocidade.
É lá com eles.
A ser verdade o que se diz que disse o maquinista e a dizê-lo ele com convicção – que não sabia onde se encontrava quando se lhe deparou a curva – isso não me espanta.
Passa-se hoje por demasiada gente que tem esse tipo de brancas e que as tem cada vez com maior frequência.
Talvez seja legítimo perguntar se essas coisas se diagnosticam (se despistam) sem a ajuda do paciente.
Noutro plano, os espanhóis continuam a aproveitar troços de estrada com raios de curvatura e trainéis que não lembram ao diabo para fazer auto-estradas.
E troços de ferrovia antiga para fazerem passar a alta-velocidade.
É lá com eles.
A Europa connosco

A alternativa que o PS propõe é a recuperação do slogan “A Europa connosco”, pós-PREC.
Lê-se no documento que o PS publicou como sendo o rol das suas propostas para o futuro e ouve-se na boca de alguns notáveis, como é o caso de António Costa (na Quadratura do Círculo emitida na SICN a 18 de Julho).
Costa mais uma vez descobriu a pólvora e argumenta assim (citando eu de memória): “Se Lisboa paga cerca de 50% dos impostos do país (não sei com que dados e extrapolações o afirma, mas isso é outra história), fá-lo por ser a capital (?!) [...]”.
A ideia geral é a de que Lisboa não sustenta os recônditos lugares habitados do país onde a produção de riqueza é mínima. Lisboa é antes uma parte do todo nacional como as partes recônditas e habitadas o são.
Disse ainda que os países contribuintes líquidos para o nivelamento europeu são os que comprovadamente mais ganham ao pagarem (também aqui não se sabe nem se percebe como se chega a essa conclusão, mas há uns estudos – segundo Costa).
Lá está a ideia que foi propagada em devido tempo de uma Europa na qual as nossas contas haveriam de ser pagas pelos outros, como parte recôndita, habitada e pouco produtiva do todo.
Esquece-se Costa de duas coisas: essa Europa nunca existiu e provavelmente não existirá, apesar de uns ímpetos ajudistas que não foram nunca o reflexo de uma unidade social, como se vê bem nos dias que correm.
Lisboa pagará as contas dos outros porque se trata de facto de um todo nacional pelo qual Lisboa por, na argumentação de Costa, ser a capital, tem a honra, a responsabilidade, a obrigação de zelar. Poderíamos dizer o mesmo (com excepção de ser cabeça de nação) de todos os pontos em que a contribuição para a riqueza nacional está acima da média. A nação existe e é coesa. Tem-no sido pelos últimos oitocentos e muitos anos.
Há ainda um pequeno problema nesta argumentação – é a parte em que tem se explicar aos tais contribuintes líquidos que têm tudo a ganhar e nada a perder em continuarem a sê-lo. É que por vezes cada um usa o direito de só ouvir falar de coisas que acha que lhe interessam.
cartaz de propaganda eleitoral do PS em 1976 encontrado aqui.
A alternativa que o PS propõe é a recuperação do slogan “A Europa connosco”, pós-PREC.
Lê-se no documento que o PS publicou como sendo o rol das suas propostas para o futuro e ouve-se na boca de alguns notáveis, como é o caso de António Costa (na Quadratura do Círculo emitida na SICN a 18 de Julho).
Costa mais uma vez descobriu a pólvora e argumenta assim (citando eu de memória): “Se Lisboa paga cerca de 50% dos impostos do país (não sei com que dados e extrapolações o afirma, mas isso é outra história), fá-lo por ser a capital (?!) [...]”.
A ideia geral é a de que Lisboa não sustenta os recônditos lugares habitados do país onde a produção de riqueza é mínima. Lisboa é antes uma parte do todo nacional como as partes recônditas e habitadas o são.
Disse ainda que os países contribuintes líquidos para o nivelamento europeu são os que comprovadamente mais ganham ao pagarem (também aqui não se sabe nem se percebe como se chega a essa conclusão, mas há uns estudos – segundo Costa).
Lá está a ideia que foi propagada em devido tempo de uma Europa na qual as nossas contas haveriam de ser pagas pelos outros, como parte recôndita, habitada e pouco produtiva do todo.
Esquece-se Costa de duas coisas: essa Europa nunca existiu e provavelmente não existirá, apesar de uns ímpetos ajudistas que não foram nunca o reflexo de uma unidade social, como se vê bem nos dias que correm.
Lisboa pagará as contas dos outros porque se trata de facto de um todo nacional pelo qual Lisboa por, na argumentação de Costa, ser a capital, tem a honra, a responsabilidade, a obrigação de zelar. Poderíamos dizer o mesmo (com excepção de ser cabeça de nação) de todos os pontos em que a contribuição para a riqueza nacional está acima da média. A nação existe e é coesa. Tem-no sido pelos últimos oitocentos e muitos anos.
Há ainda um pequeno problema nesta argumentação – é a parte em que tem se explicar aos tais contribuintes líquidos que têm tudo a ganhar e nada a perder em continuarem a sê-lo. É que por vezes cada um usa o direito de só ouvir falar de coisas que acha que lhe interessam.
cartaz de propaganda eleitoral do PS em 1976 encontrado aqui.
27/07/2013
Perfume
E quando falamos de perfume, há aquele que uns dizem ser uma mistura irrepetível – eu nunca o encontrei alhures – outros a rescendência de uma só planta, que no caso seria exclusiva daquelas dunas.
Ainda hoje me fico pela ignorância. Talvez isso seja mesmo definitivo. E assim.
E quando falamos de perfume, há aquele que uns dizem ser uma mistura irrepetível – eu nunca o encontrei alhures – outros a rescendência de uma só planta, que no caso seria exclusiva daquelas dunas.
Ainda hoje me fico pela ignorância. Talvez isso seja mesmo definitivo. E assim.
25/07/2013
24/07/2013
Ponto de vista
A verdadeira, absoluta e relativa, objectiva e subjectiva dimensão das coisas.

imagem da Terra, obtida a partir da sonda Cassini, algures no espaço entre Saturno e Titã.
(clicando verão a imagem no sitio da NASA).
A verdadeira, absoluta e relativa, objectiva e subjectiva dimensão das coisas.
imagem da Terra, obtida a partir da sonda Cassini, algures no espaço entre Saturno e Titã.
(clicando verão a imagem no sitio da NASA).
23/07/2013
Rever em baixa
Disse aqui vai para uns séculos-rede que considerava Passos Coelho um tipo capaz. Intelectualmente muito melhor do que José Sócrates, coisa que não seria difícil de alcançar.
Continuo a considerar que ambas as afirmações são verdadeiras. Só que a respeito da primeira devo corrigir o tiro – Passos Coelho está no limiar da capacidade. Não é nada acima da mediania.
Um governo que era para ser mínimo deu lugar a uma curiosa série:
Saiu um; entraram dois.
Saiu um; entraram três.
Se isto não é um grosseiro erro de avaliação inicial, é o quê?
Portas, não sei porque carga d’água, foi sempre avaliado como um fora-de-série.
Pela minha duvidosa e subjectiva fasquia é tão mediano como o primeiro.
Ou está até uns furos abaixo. Ouçam-no, leiam-no.
Disse aqui vai para uns séculos-rede que considerava Passos Coelho um tipo capaz. Intelectualmente muito melhor do que José Sócrates, coisa que não seria difícil de alcançar.
Continuo a considerar que ambas as afirmações são verdadeiras. Só que a respeito da primeira devo corrigir o tiro – Passos Coelho está no limiar da capacidade. Não é nada acima da mediania.
Um governo que era para ser mínimo deu lugar a uma curiosa série:
Saiu um; entraram dois.
Saiu um; entraram três.
Se isto não é um grosseiro erro de avaliação inicial, é o quê?
Portas, não sei porque carga d’água, foi sempre avaliado como um fora-de-série.
Pela minha duvidosa e subjectiva fasquia é tão mediano como o primeiro.
Ou está até uns furos abaixo. Ouçam-no, leiam-no.
21/07/2013
Jornalismo
Ainda se ouve por aí dizer, como ontem na RTP, que a Volta a França, 100ª edição, acabará hoje já de noite nos Campos Elíseos.
Ainda que a média da etapa seja de 36 km/h, segundo o horário previsto pela organização a prova terminará às 21:57 hora local.
Ora pelos meus cálculos e por almanaques consultados, às 21:57 de Paris passou cerca de um quarto de hora do sol posto.
Sendo que nos últimos três anos a média mais baixa calculada para o vencedor da última etapa foi de 37,9 km/h, admitamos que é essa a média. Chegará o primeiro cerca das 21:46, três minutos após o ocaso.
A cerimónia, essa, é que poderá ocorrer já de noite. A corrida é que é muito pouco provável.
NOTA (cerca das 19:00): A média calculada neste momento na página da Volta a França está muito longe do cálculo que faço, que é de cerca de 30 km/h. Mesmo prevendo que a parte final em circuito seja percorrida em velocidade superior à que se pratica até lá, parece muito pouco provável agora que a chegada se verifique antes das 22:00 locais. Antes bem para além disso, o que revoga o que foi dito acima.
NOTA (cerca das 20:40): A presunção da velocidade com que seria percorrido o circuito final foi errada. A velocidade média da etapa esteve mesmo acima do esperado.
Como quase sempre, as primeiras impressões são as mais certeiras. O Tour acabou à luz do dia. Mesmo antes do sol posto, ainda que as nuvens o escondessem.
Ainda se ouve por aí dizer, como ontem na RTP, que a Volta a França, 100ª edição, acabará hoje já de noite nos Campos Elíseos.
Ainda que a média da etapa seja de 36 km/h, segundo o horário previsto pela organização a prova terminará às 21:57 hora local.
Ora pelos meus cálculos e por almanaques consultados, às 21:57 de Paris passou cerca de um quarto de hora do sol posto.
Sendo que nos últimos três anos a média mais baixa calculada para o vencedor da última etapa foi de 37,9 km/h, admitamos que é essa a média. Chegará o primeiro cerca das 21:46, três minutos após o ocaso.
A cerimónia, essa, é que poderá ocorrer já de noite. A corrida é que é muito pouco provável.
NOTA (cerca das 19:00): A média calculada neste momento na página da Volta a França está muito longe do cálculo que faço, que é de cerca de 30 km/h. Mesmo prevendo que a parte final em circuito seja percorrida em velocidade superior à que se pratica até lá, parece muito pouco provável agora que a chegada se verifique antes das 22:00 locais. Antes bem para além disso, o que revoga o que foi dito acima.
NOTA (cerca das 20:40): A presunção da velocidade com que seria percorrido o circuito final foi errada. A velocidade média da etapa esteve mesmo acima do esperado.
Como quase sempre, as primeiras impressões são as mais certeiras. O Tour acabou à luz do dia. Mesmo antes do sol posto, ainda que as nuvens o escondessem.
20/07/2013
Alberto e Mário Jorge
Nesse Verão de 1981 (onde é que fica Tróia?), enquanto rádio-ouvintes apreciámos particularmente as prestações de um tal Alberto e de um tal Mário Jorge, moços então recém-chegados à equipa do Sporting.
Estou aqui (é mentira, não estou nada!) a fazer um esforço de abstracção para enquadrar enquanto rádio-ouvinte com menos 32 anos o que estou a ver na RTP.
Que me parece de facto um solteiros e casados.
O que é que aconteceu ao tal Alberto?
Nesse Verão de 1981 (onde é que fica Tróia?), enquanto rádio-ouvintes apreciámos particularmente as prestações de um tal Alberto e de um tal Mário Jorge, moços então recém-chegados à equipa do Sporting.
Estou aqui (é mentira, não estou nada!) a fazer um esforço de abstracção para enquadrar enquanto rádio-ouvinte com menos 32 anos o que estou a ver na RTP.
Que me parece de facto um solteiros e casados.
O que é que aconteceu ao tal Alberto?
19/07/2013
Cometa
Se o cometa ISON fôr bem visível lá para o fim do ano, será um sinal dos céus.
Se não fôr, não será.
Quase todos os dias destas duas últimas semanas ouvi um indivíduo que se exprime assim. Tudo para ele é sim. Ou, se calhar, sopas.
A parte de ser um sinal dos céus admite contraditório.
Se o cometa ISON fôr bem visível lá para o fim do ano, será um sinal dos céus.
Se não fôr, não será.
Quase todos os dias destas duas últimas semanas ouvi um indivíduo que se exprime assim. Tudo para ele é sim. Ou, se calhar, sopas.
A parte de ser um sinal dos céus admite contraditório.
18/07/2013
Excelente qualidade
Já tinha ouvido anteontem ao responsável da Agência Portuguesa do Ambiente umas declarações um tanto ou quanto bizarras.
Li há pouco o texto da dita agência sobre o caso das alergias causadas pela água do mar em praias da zona de Lisboa.
Lá se diz que [na praia de São Pedro do Estoril] devem ser evitados banhos de mar, em particular por adultos com maior fundo alérgico e crianças;
em caso de ida ao mar, os banhistas deverão posteriormente passar o corpo por água doce;
[na margem sul do Tejo, entre São João da Caparica e o Cabo Espichel] desaconselham-se os banhos de mar por toda a população;
em caso de ida ao mar, os banhistas deverão posteriormente passar o corpo por água doce;
E ainda: Recorde-se que a água das praias em Portugal é de excelente qualidade, e que as recomendações acima referidas têm um carácter preventivo, enquadradas no Princípio da Precaução.
Nas declarações que prestou e que eu ouvi anteontem aquele responsável assegurava que os micro-organismos presentes na água das praias em questão não eram os causadores das irritações.
Ficamos sem saber o que as causa, sem saber como foi feito o despiste e com a certeza de que as águas são de excelente qualidade mas que o melhor é não tomar banho.
Já tinha ouvido anteontem ao responsável da Agência Portuguesa do Ambiente umas declarações um tanto ou quanto bizarras.
Li há pouco o texto da dita agência sobre o caso das alergias causadas pela água do mar em praias da zona de Lisboa.
Lá se diz que [na praia de São Pedro do Estoril] devem ser evitados banhos de mar, em particular por adultos com maior fundo alérgico e crianças;
em caso de ida ao mar, os banhistas deverão posteriormente passar o corpo por água doce;
[na margem sul do Tejo, entre São João da Caparica e o Cabo Espichel] desaconselham-se os banhos de mar por toda a população;
em caso de ida ao mar, os banhistas deverão posteriormente passar o corpo por água doce;
E ainda: Recorde-se que a água das praias em Portugal é de excelente qualidade, e que as recomendações acima referidas têm um carácter preventivo, enquadradas no Princípio da Precaução.
Nas declarações que prestou e que eu ouvi anteontem aquele responsável assegurava que os micro-organismos presentes na água das praias em questão não eram os causadores das irritações.
Ficamos sem saber o que as causa, sem saber como foi feito o despiste e com a certeza de que as águas são de excelente qualidade mas que o melhor é não tomar banho.
17/07/2013
O paradigma perdido
Aborrece-me um bocado:
abordar o mesmo conceito reiteradamente;
usar títulos consagrados nos posts.
Não li o livro de Morin.
E o paradigma a que me refiro é feminal.
Ainda por cima, não sei se o perdi, se o ganhei.
Sei apenas que os Citroën 2 cv., o meu incluído (deveria ter escrito faruque?), influenciam essa...?
Conclusão?
Qual conclusão?
Aborrece-me um bocado:
abordar o mesmo conceito reiteradamente;
usar títulos consagrados nos posts.
Não li o livro de Morin.
E o paradigma a que me refiro é feminal.
Ainda por cima, não sei se o perdi, se o ganhei.
Sei apenas que os Citroën 2 cv., o meu incluído (deveria ter escrito faruque?), influenciam essa...?
Conclusão?
Qual conclusão?
16/07/2013
15/07/2013
Strauss-Kahn
Strauss-Kahn não acredita nos métodos empregados para gerir a crise das economias europeias – empregou a expressão que cito e traduzo de memória “andamos (num primeiro tempo diz anda, depois corrige para andamos, assumindo as responsabilidades nos erros de cálculo feitos no tempo em que estava à frente do FMI) a comprar seis meses de cada vez”.
Parece-me que o diagnóstico está mais do que feito – desindustrialização, continuação da dependência da importação de matérias-primas, padrões de vida não concorrenciais com os dos países emergentes, prática de vasos comunicantes com tais países, no final da qual eles terão melhores padrões de vida e nós, europeus, os teremos muito piores.
A questão é saber se isto é inevitável ou não.
E se não é, quais serão as políticas a adoptar em conjunto para manter o desequilíbrio.
Não encontrei ainda ninguém que tivesse respostas para estas duas perguntas.
Strauss-Kahn dá corpo à ideia de que ninguém sabe o que há-de fazer ou se atreve a apresentar uma proposta eficaz.
Strauss-Kahn não acredita nos métodos empregados para gerir a crise das economias europeias – empregou a expressão que cito e traduzo de memória “andamos (num primeiro tempo diz anda, depois corrige para andamos, assumindo as responsabilidades nos erros de cálculo feitos no tempo em que estava à frente do FMI) a comprar seis meses de cada vez”.
Parece-me que o diagnóstico está mais do que feito – desindustrialização, continuação da dependência da importação de matérias-primas, padrões de vida não concorrenciais com os dos países emergentes, prática de vasos comunicantes com tais países, no final da qual eles terão melhores padrões de vida e nós, europeus, os teremos muito piores.
A questão é saber se isto é inevitável ou não.
E se não é, quais serão as políticas a adoptar em conjunto para manter o desequilíbrio.
Não encontrei ainda ninguém que tivesse respostas para estas duas perguntas.
Strauss-Kahn dá corpo à ideia de que ninguém sabe o que há-de fazer ou se atreve a apresentar uma proposta eficaz.
14/07/2013
Realimentação
Se um paradigma se propaga em modelos menores e se um desses modelos menores assume por sua vez a condição de paradigma, pode suceder que o modelo inicial em vez de perder condição paradigmática acrescente às suas qualidades as qualidades do modelo secundário.
É um processo de realimentação.
Se um paradigma se propaga em modelos menores e se um desses modelos menores assume por sua vez a condição de paradigma, pode suceder que o modelo inicial em vez de perder condição paradigmática acrescente às suas qualidades as qualidades do modelo secundário.
É um processo de realimentação.
12/07/2013
Idiotas
Aqueles idiotas que têm acesso aos meios de teledifusão e cujas ideias lhes parecem ser tão extraordinárias que não estarão ao alcance da percepção de qualquer um, têm desde há uns alguns anos uma inevitável bengala: “... as pessoas em casa têm que perceber...”.
Creio que tal frase incompleta ficaria muito bem como lema de muitas agremiações filiadas na rede.
*
* retroversão ao estilo das melhores etiquetas de artigos chineses e afins, o que me pareceu adequado.
Aqueles idiotas que têm acesso aos meios de teledifusão e cujas ideias lhes parecem ser tão extraordinárias que não estarão ao alcance da percepção de qualquer um, têm desde há uns alguns anos uma inevitável bengala: “... as pessoas em casa têm que perceber...”.
Creio que tal frase incompleta ficaria muito bem como lema de muitas agremiações filiadas na rede.
* retroversão ao estilo das melhores etiquetas de artigos chineses e afins, o que me pareceu adequado.
11/07/2013
Respeito
A Senhora Presidente da Assembleia da República que foi sendo durante os últimos tempos mais ou menos complacente com a baderna nas galerias do parlamento, pedindo às pessoas que saíssem por favor em vez de dar ordem à polícia que tratasse de expulsar os que não respeitam o lugar, vem agora dizer que quer tratar das regras de acesso às mesmas.
Era de esperar.
Quanto aos do costume, personificados por Mário Nogueira, já sabíamos que a democracia deles só deverá contar com os votos dos asseclas.
Nada de novo, também.
A falta de respeito a que se assistiu divide-se, a meu ver, entre os que se não dão ao respeito e os que nada respeitam a não ser os ícones que lhes implantaram no cérebro.
A Senhora Presidente da Assembleia da República que foi sendo durante os últimos tempos mais ou menos complacente com a baderna nas galerias do parlamento, pedindo às pessoas que saíssem por favor em vez de dar ordem à polícia que tratasse de expulsar os que não respeitam o lugar, vem agora dizer que quer tratar das regras de acesso às mesmas.
Era de esperar.
Quanto aos do costume, personificados por Mário Nogueira, já sabíamos que a democracia deles só deverá contar com os votos dos asseclas.
Nada de novo, também.
A falta de respeito a que se assistiu divide-se, a meu ver, entre os que se não dão ao respeito e os que nada respeitam a não ser os ícones que lhes implantaram no cérebro.
10/07/2013
Ponto-parágrafo
Ponto-parágrafo
(na cela-vestiário de passagem para a sala de exames antes de se abrir a porta de comunicação e de fazer o exame)
...acentuada megalopatia... nódulos evidentes... curva anormal do... ponto-parágrafo.
...inserção disforme... contornos difusos... ponto-parágrafo.
...litíase vesical... ponto-parágrafo.
(nas costas da médica, que se encontrava já postada frente a um computador portátil, após o exame)
- Posso fazer-lhe uma pergunta indiscreta?
- Sim?
- Qual é o software de reconhecimento de voz que utiliza?
- Ah, não. Nós aqui não temos isso. É só um gravador de voz digital.
(na cela-vestiário de passagem para a sala de exames antes de se abrir a porta de comunicação e de fazer o exame)
...acentuada megalopatia... nódulos evidentes... curva anormal do... ponto-parágrafo.
...inserção disforme... contornos difusos... ponto-parágrafo.
...litíase vesical... ponto-parágrafo.
(nas costas da médica, que se encontrava já postada frente a um computador portátil, após o exame)
- Posso fazer-lhe uma pergunta indiscreta?
- Sim?
- Qual é o software de reconhecimento de voz que utiliza?
- Ah, não. Nós aqui não temos isso. É só um gravador de voz digital.
09/07/2013
08/07/2013
Governo-sombra
Governo-sombra
O caso não é inédito mas é preciso recuar uns bons anos para se ter um governo em funções e um governo-sombra atrás da cortina, a fazer as tradicionais sombras chinesas, tudo dentro do mesmo quarto.
O caso não é inédito mas é preciso recuar uns bons anos para se ter um governo em funções e um governo-sombra atrás da cortina, a fazer as tradicionais sombras chinesas, tudo dentro do mesmo quarto.
07/07/2013
06/07/2013
05/07/2013
Há meia dúzia* de dias
Há meia dúzia* de dias
Ainda há meia dúzia de dias aqueles tipos que falam com os amaricanos e que por essa via sabem tudo sobre o tempo e o clima que há-de vir, afirmavam peremptórios que este ano não haveria de haver Verão.
E, claro, tinham tempo de antena e espaço na imprensa.
* exagerando
Ainda há meia dúzia de dias aqueles tipos que falam com os amaricanos e que por essa via sabem tudo sobre o tempo e o clima que há-de vir, afirmavam peremptórios que este ano não haveria de haver Verão.
E, claro, tinham tempo de antena e espaço na imprensa.
* exagerando
04/07/2013
Meninos às compras!
Meninos às compras!
Meninos às compras!? – era uma expressão basto utilizada nas nossas noites de cartas em plena rua.
No meio dos macetes, dos chitos, das recusas e das fugas à polícia, assomava essa frase dita com um certo desdém quando algum valete pretendia debalde arrebatar uma manilha baldada.
É a frase que ilustra estes dias. Não me consigo lembrar de outra melhor para dar título à minha apreciação do que se passa e do que se irá passar.
Meninos às compras!? – era uma expressão basto utilizada nas nossas noites de cartas em plena rua.
No meio dos macetes, dos chitos, das recusas e das fugas à polícia, assomava essa frase dita com um certo desdém quando algum valete pretendia debalde arrebatar uma manilha baldada.
É a frase que ilustra estes dias. Não me consigo lembrar de outra melhor para dar título à minha apreciação do que se passa e do que se irá passar.
03/07/2013
Diplomacia
Diplomacia
Proibir um avião presidencial de um país com o qual se mantêm relações, com o presidente lá dentro, de aterrar em pistas ou sobrevoar terras e águas nacionais é um incidente diplomático de grau quê?
Não estou a fazer caso de desculpas esfarrapadas.
E é uma falta de soberania de grau quê?
Proibir um avião presidencial de um país com o qual se mantêm relações, com o presidente lá dentro, de aterrar em pistas ou sobrevoar terras e águas nacionais é um incidente diplomático de grau quê?
Não estou a fazer caso de desculpas esfarrapadas.
E é uma falta de soberania de grau quê?
01/07/2013
Dizer coisas bonitas nos funerais
Dizer coisas bonitas nos funerais
Tinha aquele homem uma qualidade que encerrava um mistério – produzia declarações envolventes nos funerais de amigos jamais caindo no lugar comum.
Mistério porque o fazia continuadamente sempre de forma a surpreender evitando tocar a banalidade que normalmente adviria da repetição.
Alguns disseram no seu funeral que o segredo dele era não ser compreendido. A não ser tarde demais.
Tinha aquele homem uma qualidade que encerrava um mistério – produzia declarações envolventes nos funerais de amigos jamais caindo no lugar comum.
Mistério porque o fazia continuadamente sempre de forma a surpreender evitando tocar a banalidade que normalmente adviria da repetição.
Alguns disseram no seu funeral que o segredo dele era não ser compreendido. A não ser tarde demais.
30/06/2013
Retrocesso social
Para dar lustro ao que aqui escrevi há cerca de dois anos e meio, o Expresso prepara-se para oferecer aos seus leitores um exemplar d’”Os Maias”. Pior, fá-lo acompanhado de um opúsculo intitulado "Introdução à Leitura d'Os Maias".
Pouco importa que estas ofertas venham acompanhadas de outras inéditas e que a seu tempo se verá a qualidade que têm.
O que importa mesmo é ter a noção de onde o Expresso situa os seus leitores. O que fará bem, se o seu mercado é o dos analfabetos irracionais com carimbadelas e certificações ISO. O que fará mal se o seu mercado pretender ser o equivalente moderno do de 1973 conjuntamente com o que resta dele, como é o meu caso.
Só por vício, me parece, ainda gasto os três euros semanais.

(clicar para aceder)
Para dar lustro ao que aqui escrevi há cerca de dois anos e meio, o Expresso prepara-se para oferecer aos seus leitores um exemplar d’”Os Maias”. Pior, fá-lo acompanhado de um opúsculo intitulado "Introdução à Leitura d'Os Maias".
Pouco importa que estas ofertas venham acompanhadas de outras inéditas e que a seu tempo se verá a qualidade que têm.
O que importa mesmo é ter a noção de onde o Expresso situa os seus leitores. O que fará bem, se o seu mercado é o dos analfabetos irracionais com carimbadelas e certificações ISO. O que fará mal se o seu mercado pretender ser o equivalente moderno do de 1973 conjuntamente com o que resta dele, como é o meu caso.
Só por vício, me parece, ainda gasto os três euros semanais.
(clicar para aceder)
29/06/2013
Um mundo de doidos
Estamos num patamar em que nas cadeias internacionais de televisão é praticamente nula a probabilidade de se atravessar um noticiário sem que se ouça pelo menos um rotundo disparate. Rotundo mesmo. Daqueles que davam direito a reguada na 3ª classe.
Por vezes está quase todo o rol de notícias contaminado de asneiras.
Um destes dias, em tributo a algumas obras de ficção científica do género pandémico, alguns de nós estarão obstinadamente à procura de gente que ainda não enlouqueceu.

Jerónimo Bosch, “A extracção da pedra da loucura”, da página do Museu do Prado
Estamos num patamar em que nas cadeias internacionais de televisão é praticamente nula a probabilidade de se atravessar um noticiário sem que se ouça pelo menos um rotundo disparate. Rotundo mesmo. Daqueles que davam direito a reguada na 3ª classe.
Por vezes está quase todo o rol de notícias contaminado de asneiras.
Um destes dias, em tributo a algumas obras de ficção científica do género pandémico, alguns de nós estarão obstinadamente à procura de gente que ainda não enlouqueceu.
Jerónimo Bosch, “A extracção da pedra da loucura”, da página do Museu do Prado
27/06/2013
Coisas de facto importantes

Descartando o facto de a galinha da vizinha ser mais sexy do que a minha.
Descartando o facto de a galinha da vizinha ser mais sexy do que a minha.
26/06/2013
Cantar de galo
Hoje, aqui no extremo ocidente da cidade, os galos desafiam-se com uma inusitada frequência e com uma clareza que é decerto consequência das condições de propagação.
Parece que estou no monte.
Hoje, aqui no extremo ocidente da cidade, os galos desafiam-se com uma inusitada frequência e com uma clareza que é decerto consequência das condições de propagação.
Parece que estou no monte.
Acompanhar lugares vazios
Há assunto num não-assunto.
Mil alegorias se podem tecer a partir de uma multidão que acompanha lugares vazios num avião.

imagem da CNN
Há assunto num não-assunto.
Mil alegorias se podem tecer a partir de uma multidão que acompanha lugares vazios num avião.
imagem da CNN
25/06/2013
Um não-assunto
A história do rapaz que supostamente anda a jogar às escondidas com os serviços de informação americanos é um não-assunto que vende à brava.
A história do rapaz que supostamente anda a jogar às escondidas com os serviços de informação americanos é um não-assunto que vende à brava.
24/06/2013
Máquinas de simular disparates
A Federação Portuguesa de Futebol, as associações das quais emana e os apêndices que, como a Liga de Clubes, se tornaram mais ou menos autónomos são, no capítulo das invenções que de lá saem, autênticas máquinas de simular disparates.
Desde o tempo em que as decisões tomadas num dia eram questionadas no dia seguinte porque estavam já a produzir efeitos, até à mais recente trapalhada da Taça da Liga, cujos modelos eram sempre contestados de ano para ano, toda uma sorte de exemplos académicos úteis por absurdo.
Agora há mais uma fornada a sair. É esperar para ver.
Se escrevo simular e não fabricar é porque no meio da fabricação, que dá no que dá, há sempre notícias de proto-modelos extraordinários para a organização e para a competição.
E mais, da necessidade de ir pedir fora conselhos para organizar campeonatos, a ser verdade o que se tem dito.
Não é grave isto. Tem só a sua graça. Ou não.
O que é grave é que espelha a realidade. A forma como se decide o governo da Nação, do nível mais alto à junta de freguesia com menos fregueses.
A Federação Portuguesa de Futebol, as associações das quais emana e os apêndices que, como a Liga de Clubes, se tornaram mais ou menos autónomos são, no capítulo das invenções que de lá saem, autênticas máquinas de simular disparates.
Desde o tempo em que as decisões tomadas num dia eram questionadas no dia seguinte porque estavam já a produzir efeitos, até à mais recente trapalhada da Taça da Liga, cujos modelos eram sempre contestados de ano para ano, toda uma sorte de exemplos académicos úteis por absurdo.
Agora há mais uma fornada a sair. É esperar para ver.
Se escrevo simular e não fabricar é porque no meio da fabricação, que dá no que dá, há sempre notícias de proto-modelos extraordinários para a organização e para a competição.
E mais, da necessidade de ir pedir fora conselhos para organizar campeonatos, a ser verdade o que se tem dito.
Não é grave isto. Tem só a sua graça. Ou não.
O que é grave é que espelha a realidade. A forma como se decide o governo da Nação, do nível mais alto à junta de freguesia com menos fregueses.
22/06/2013
Uma ponte no Porto
No dia em que se completam 50 anos sobre a inauguração da Ponte da Arrábida, uma fotografia do modelo de ensaio no atelier do Prof. Edgar Cardoso.

espólio Campos Vilhena, fotografia de MSS
Imagens alternativas para o Porto aqui.
No dia em que se completam 50 anos sobre a inauguração da Ponte da Arrábida, uma fotografia do modelo de ensaio no atelier do Prof. Edgar Cardoso.
espólio Campos Vilhena, fotografia de MSS
Imagens alternativas para o Porto aqui.
Jornalismo a seis metros

http://m.tvi24.iol.pt/503/sociedade/sismo-faro-tvi24/1462813-4071.html
Vá lá, não fazerem a coisa por menos...
http://m.tvi24.iol.pt/503/sociedade/sismo-faro-tvi24/1462813-4071.html
Vá lá, não fazerem a coisa por menos...
21/06/2013
20/06/2013
Follow me

fotografia dos arquivos do aeroporto de Berlim / Tempelhof
Há alguns séculos que não me dedicava ao passatempo de seguir um automóvel. No caso, dois automóveis.
E fui dar às Cachoeiras. Esta tarde.
fotografia dos arquivos do aeroporto de Berlim / Tempelhof
Há alguns séculos que não me dedicava ao passatempo de seguir um automóvel. No caso, dois automóveis.
E fui dar às Cachoeiras. Esta tarde.
19/06/2013
Dimensionamento
A falha intelectual de que sofre aquela entidade que é descrita como os quadros intermédios do Estado dá estes resultados.
A falha intelectual de que sofre aquela entidade que é descrita como os quadros intermédios do Estado dá estes resultados.
18/06/2013
Transferência
Quando, no mundo capitalista, se transferem meios por decreto há decerto uma reacção qualquer da parte de quem vê esses meios desaparecerem.
No caso da indústria e da distribuição farmacêuticas, a guerra dos genéricos começa finalmente a mostrar o reverso da medalha.
Um caso em que a esmola foi grande e quase ninguém desconfiou...
Quando, no mundo capitalista, se transferem meios por decreto há decerto uma reacção qualquer da parte de quem vê esses meios desaparecerem.
No caso da indústria e da distribuição farmacêuticas, a guerra dos genéricos começa finalmente a mostrar o reverso da medalha.
Um caso em que a esmola foi grande e quase ninguém desconfiou...
17/06/2013
Eu, o Oitavo Exército, Mário Nogueira e as notas
Acho que, apesar das dúvidas sobre a etimologia da designação, o Oitavo Exército não carece de ser identificado. Em todas as localidades existe um, reunido aqui ou acolá, que se limita a observar e comentar as movimentações das NT.
Este aqui da cidade ocupa posições numa encruzilhada de caminhos por mim percorridos durante trinta anos e pelos quais deixei de passar frequentemente há uns quinze anos.
Não é por isso de estranhar que tenha visto a surpresa na cara dos mais atentos dos veteranos quando um destes dias lhes passei revista – este gajo ainda é vivo?
Mário Nogueira não é aqui mais do que uma nota de rodapé.
NOTA: Tendo vindo Mário Nogueira a passar revista, em pessoa ou em modo televisivo, a todas as tropas de todos os exércitos nos últimos vinte anos (mais do que vinte?) seria muitíssimo pouco provável que suscitasse a mesma reacção ao por ali passar.
Abrindo aqui uma excepção nas minhas avaliações de 0 a 20 fora dos conselhos de turma, excepção essa em que passo a avaliar um elemento masculino, atribuo a Mário Nogueira duas notas:
Retórica – 9
Combatividade – 18
Acho que, apesar das dúvidas sobre a etimologia da designação, o Oitavo Exército não carece de ser identificado. Em todas as localidades existe um, reunido aqui ou acolá, que se limita a observar e comentar as movimentações das NT.
Este aqui da cidade ocupa posições numa encruzilhada de caminhos por mim percorridos durante trinta anos e pelos quais deixei de passar frequentemente há uns quinze anos.
Não é por isso de estranhar que tenha visto a surpresa na cara dos mais atentos dos veteranos quando um destes dias lhes passei revista – este gajo ainda é vivo?
Mário Nogueira não é aqui mais do que uma nota de rodapé.
NOTA: Tendo vindo Mário Nogueira a passar revista, em pessoa ou em modo televisivo, a todas as tropas de todos os exércitos nos últimos vinte anos (mais do que vinte?) seria muitíssimo pouco provável que suscitasse a mesma reacção ao por ali passar.
Abrindo aqui uma excepção nas minhas avaliações de 0 a 20 fora dos conselhos de turma, excepção essa em que passo a avaliar um elemento masculino, atribuo a Mário Nogueira duas notas:
Retórica – 9
Combatividade – 18
16/06/2013
15/06/2013
14/06/2013
12/06/2013
A verdadeira interpretação dos sonhos A presença da viatura amarela é uma recorrência nos meus sonhos desde há uns dois anos, mais coisa menos coisa. Posso precisar isso porque vou tomando nota escrita e gravada do que lá se passa. Durante esse tempo, esteve sempre presente como memória vaga de uma aquisição recentemente feita (ao longo do tempo) mas a que não tinha acesso por se encontrar sempre teimosamente estacionada longe do local onde a acção decorria. Até que um dia aqui há uns meses, consegui finalmente conduzi-lo. Eu e o Mano. E chegámos à conclusão de que, embora por fora semelhasse um carro japonês ou coreano, por dentro mais parecia um Citroën Saxo. Quis falar dele aqui e ilustrá-lo. Às vezes há coisas nos sonhos que parecem facilmente ilustráveis – será mais difícil descrever um sonho por imagens do que por palavras, só porque as imagens muitas vezes não se formam por lá? – e ocorreu-me nessa altura que poderia tratar-se do carro com quem toda a gente sonha*. Um sucesso! Milhões de pessoas sobre o planeta a partilharem comigo uma viatura amarela. E eu o primeiro a aperceber-me de tal, a levantar a lebre! Ora um destes dias andei por aqui a doutorar-me em veículos automóveis fabricados a norte do trópico de Câncer, entre os meridianos 120 e 140 E e acabei com a tese de que se trataria de um Daihatsu Sirion modelo de 1998, mais coisa menos coisa, fazendo jus ao título acima. Surpreendeu-me de facto que uma ou duas noites depois, continuando estacionado longe da acção, o tenha nomeado a quem não poderia dar boleia como um Kia Picanto vermelho! É que não tem nada a ver! O meu carro branco entretanto tem tido fugazes interpretações. Quase sempre em papéis secundários. Há ainda um azul RAL 5024 que foi comprado pela memória de alguém, cuja marca e modelo me escapam por ora mas que também teima em não aparecer. Aparecendo frequentemente. * Já o homem com quem toda a gente sonha foi bem identificado como sendo Fausto Gomes e ajustado à jorna pelo Eremita. | The veritable interpretation of dreams The presence of the yellow car is recurrent in my dreams for about two years. I can tell for I have written it down or recorded it. For that while, it has been always there as a vague reminder of a recently made (along the timeline) purchase that I had never acceded so was it ever parked too far from the stage. Some months ago, I finally got my hands on the wheel. Me and my brother. We agreed that besides looking like a japanese or korean model, from the interior it was more or less like a Citroën Chanson. I wanted then to post something about it here and show a snapshot of the sillouette. Sometimes it seems that things in dreams are easily designable – should it be harder to describe a dream by images than by words, only for images don’t ever show in dreams? By then it came to my mind that it could be the car that everyone dreams with*. What a scoop! Millions of people all over the planet sharing with me a yellow car. Being me the first to blow the whistle! So, one of these days a went for a PhD in yellow cars made between the 120th meridian east and the 140th meridian east, north of the Tropic of Cancer. I finished my thesis showing it was clearly a 1998 Daihatsu Sirion, on behalf of this post title. What really surprised me was the fact that, one or two nights after that, still parked far away from the scene, I came to name it as a red Kia Picanto. To someone I could not give a lift. No way! My real white car has been scarcely seen there. Most times in secondary roles. There is another car showing there – a RAL 5024 pastel blue bought by someone’s memory. Could not determine make and model. Like the yellow it seems to be always far away. No matter, it shows. * The man that stars “Ever dream this man?” was caught by Eremita and named as Fausto Gomes. He works for his capturer in a day-by-day basis. ![]() fotografia daqui |
11/06/2013
Assobio quadrado

fotografia de Juan Emilio in Wikipedia
Chamava-se assobio quadrado a uma imitação de certo passo do canto do merlo muito usada pelos machos humanos no acasalamento.
Pois ou é do meu ouvido ou dos meus olhos ou é certo que andam por aí a voar mais merlos do que é uso?
Dos assobios passei aos avistamentos e à quase socialização com alguns exemplares.
Será mesmo um surto, Ivone?
do filme de ellieeckhardt
fotografia de Juan Emilio in Wikipedia
Chamava-se assobio quadrado a uma imitação de certo passo do canto do merlo muito usada pelos machos humanos no acasalamento.
Pois ou é do meu ouvido ou dos meus olhos ou é certo que andam por aí a voar mais merlos do que é uso?
Dos assobios passei aos avistamentos e à quase socialização com alguns exemplares.
Será mesmo um surto, Ivone?
do filme de ellieeckhardt
10/06/2013
Casa Buttuller*
Os símbolos têm que ter a sua força particular – o objecto em si tem que ser ele também simbólico – e por isso adquiri a minha segunda bandeira nacional no alto da Torre, ponto mais alto do território continental. E num ponto alto da minha vida.
A Casa Buttuller da qual sou cliente velho tem a respeitabilidade de ser um repositório de símbolos, um compêndio de semiótica onde se entra a pé. Confere assim aos símbolos que lá adquiri um suplemento de alma.
Há uns três anos atrás, mais coisa menos coisa, adquiri lá uma bandeira nacional de pôr na lapela.
Não cheguei a ostentá-la. Dei por mim, tempos mais tarde, confundível com uma casta de governantes.
Um símbolo nacional é um símbolo nacional e, por muito uso particular que lhe dêem futebóis, por muito uso partidário a que alguns se julguem com direito, o tempo se encarregará de o devolver ao significado que efectivamente tem.
Modas e reviralhos à parte, há uma base no Escudo de Portugal que se mantém.
O formato da bandeirinha de lapela é que se transformou, depois de eu ter comprado a minha, num símbolo da situação.
E não me reconheço nela.
Hoje é Dia de Portugal. Bem poderia não o ser. A carga simbólica é muito mais pesada noutras datas. É a minha opinião e a de um grupo grande onde me incluo.
Estes moços que andam com a bandeira na lapela, aparentemente não tiveram o cuidado de se informar. Ou terão eles motivos fortes para assim terem decidido?

* ver belíssima foto da fachada da dita, tirada por Mr. Tambourine.
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Os símbolos têm que ter a sua força particular – o objecto em si tem que ser ele também simbólico – e por isso adquiri a minha segunda bandeira nacional no alto da Torre, ponto mais alto do território continental. E num ponto alto da minha vida.
A Casa Buttuller da qual sou cliente velho tem a respeitabilidade de ser um repositório de símbolos, um compêndio de semiótica onde se entra a pé. Confere assim aos símbolos que lá adquiri um suplemento de alma.
Há uns três anos atrás, mais coisa menos coisa, adquiri lá uma bandeira nacional de pôr na lapela.
Não cheguei a ostentá-la. Dei por mim, tempos mais tarde, confundível com uma casta de governantes.
Um símbolo nacional é um símbolo nacional e, por muito uso particular que lhe dêem futebóis, por muito uso partidário a que alguns se julguem com direito, o tempo se encarregará de o devolver ao significado que efectivamente tem.
Modas e reviralhos à parte, há uma base no Escudo de Portugal que se mantém.
O formato da bandeirinha de lapela é que se transformou, depois de eu ter comprado a minha, num símbolo da situação.
E não me reconheço nela.
Hoje é Dia de Portugal. Bem poderia não o ser. A carga simbólica é muito mais pesada noutras datas. É a minha opinião e a de um grupo grande onde me incluo.
Estes moços que andam com a bandeira na lapela, aparentemente não tiveram o cuidado de se informar. Ou terão eles motivos fortes para assim terem decidido?
* ver belíssima foto da fachada da dita, tirada por Mr. Tambourine.
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