24/01/2014

Sismos sentidos

De acordo com a informação do IPMA, o número de sismos sentidos por ano no continente e ilha da Madeira no periodo 1996/2013 foi, em média, de 13.
No ano corrente, ainda não expirado o mês de Janeiro, já vamos com 6.
Se a proporção se mantiver, atingiremos o final do ano com mais de 90 sismos sentidos. Alguém acredita nisso?

23/01/2014

Estradas imagináveis (do plano de 45) - vol. 22




Nota: a toponímia das estradas imagináveis é porém real.
A quantas ando

De lapsos em lapsos, a certeza de que se vão perdendo... qual é a palavra para isto? atributos? qualidades? competências? faculdades? – faculdades, é esta.
Tenho vindo a desenhar uma série de marcos pertencentes a estradas imaginárias do plano de 45. Hoje dei-me conta de que havia nessa série dois artigos (volumes, no caso) sete e dois artigos oito.
Não vale a pena acrescentar mais nada, a não ser que vou corrigir a ordem.

22/01/2014

21/01/2014

Responsabilidades e culpas

É certo que uma das preocupações, se não a essencial, da espécie humana é a de saber de quem é a culpa.
No trágico caso das mortes na Praia do Meco vai abrir-se mais um inquérito ou vão ser atribuídos outros meios ao inquérito em curso ou as duas coisas em simultâneo que isto de notícias é assim mesmo.
Não se pretende apurar o que aconteceu, porque o que aconteceu toda a gente sabe – morreram seis pessoas.
O que se pretende saber é se a pessoa que sobreviveu tem ou não responsabilidades e culpas no cartório.
Num caso onde não há mais testemunhas para além dessa, pretender chegar a tal conclusão é estar à espera de uma epifania.
Idanha-a-Velha, 2013

20/01/2014

Sem embargo

Sem embargo, cada vez me custa mais ouvir gente, de voz embargada, a falar.

19/01/2014

Um cágado nas dunas

Ou para que serve, realmente, a internet.

“Um cágado nas dunas,
um cágado nas dunas,
um cágado nas dunas,
um cágado nas dunas,
um cágado nas dunas,

um cágado nas dunas,
um cágado nas dunas,

um cágado nas dunas
”

Estas quatro palavras, expressão e quase frase, martelaram-me hoje o alvor da mente.
Nem acção para as escrever, nem tino para as ditar a fim de não ficar tal fixação desfixada.
A alvorada acabou por ocorrer num triz e lá fui eu de escantilhão à procura do que eu pensava ser (e era) uma outra martelada mental.


[...] mas eles não ligam, os malucos não ligam, é esse o aparte deles, até a minha mãe um dia acordou maluca, subiu-lhe à cabeça uma coisa que é a ureia, começou a dizer ao meu pai que andava um cágado nas dunas, o meu pai à rasca dizia um cágado nas dunas?, um cágado nas dunas?, levou-a para o hospital das pernas partidas, conhecia lá um enfermeiro, o meu pai começou a dizer às pessoas todas que a minha mãe dizia que andava um cágado nas dunas, uma enfermeira disse que ali era o hospital das pernas partidas, das doenças de pus e coisas assim, dizia que as doenças de cágados nas dunas era no manicómio, uma velhinha caquéctica e iglantónica perguntou qual cágado?, quais dunas?, um gajo que estava ao pé a gozar o prato disse que devia ser um cágado de patins nas dunas do Pólo Norte, o meu pai disse para o gajo ir gozar com os cornos do tio dele, o gajo a gozar perguntou quais cornos?, qual tio?, foi uma grande zaragata, o polícia que lá estava tirou o chinfalho e disse daqui a bocado dou-lhes o cágado, depois ficaram todos na bicha, eram mais de mil, a minha mãe começou a falar com a velhinha sobre o cágado, depois o enfermeiro conhecido do meu pai foi falar com o médico que o atendeu, ele disse que o cágado nas dunas era da ureia, nessa altura a minha mãe já não falava no cágado, dizia ao meu pai para ele não comer as prateleiras e as cortinas [...]


Dinis Machado, “O que diz Molero”, apud 50P30M

Sendo a expressão de Dinis Machado, o meu velho Lu Isgui Lherme usava-a amiúde nos seus desvarios, ele que era dado a citações e a arroz de nêsperas.

18/01/2014

Livros

Há livros assim.
Aqui há tempos apeteceu-me aventar pela janela um livro que tinha como intróito uma página cheia de erros factuais grosseiros.
Ora hoje peguei num outro em que o protagonista nasceu quatro anos antes do século XX.
Logo nas primeiras páginas vemo-lo a comer dos cozinhados da avó que sobrevivera ao terramoto de 1755.
Como diria o meu velho conhecido C., fiquei com benefícios de dúvida. Será que se trata de uma confusão mental do dito protagonista que será deslindada adiante? Ou da sua avó?
Ou trata-se de uma obra de ficção científica travestida de romance histórico?
Raramente ponho de parte um livro iniciado. O que me leva a ter recordações do piorio.
Este princípio não indicia nada de bom.
Se há autores maus com grande reputação, também há traduções que não lembram ao diabo.
Neste caso, tenho pouca vontade de averiguar a quem se deve tal disparate. Se disparate fôr, como parece.

17/01/2014

Acaso

Folheei o Público da passada terça-feira.
Incidiu a minha curiosidade nos anúncios dos tribunais.
Grande parte dos anúncios eram assinados por senhoras.
A totalidade dos que li eram anúncios de interdição.
Foi um acaso ou, no caso da segunda constatação, esta corrobora a ideia de que está tudo doido?

15/01/2014

Rigor e asneira

Quando recentemente Alan Turing foi, a título póstumo, exonerado dos pecados que lhe tinham sido apontados em vida, surgiu em vários noticiários a frase “alguns historiadores afirmam que a sua acção encurtou a guerra em dois anos”. Nem sempre dois foi o número de anos, nem sempre a frase dá esta tradução mas aqui está um exemplo.
Ao ouvir isto pensei que a ser verídica tal afirmação (que tivesse de facto havido um colégio de historiadores a fazê-la) ela espelha bem, e de forma bizarra, o abismo intelectual de rigor e precisão que separa as águas em que Turing navegou para decifrar os códigos alemães e estas outras, de bacalhau basta, onde navegam os ditos (quiçá supostos) historiadores e outros protagonistas de ciências imprecisas. Chutaram dois anos como poderiam ter chutado nove. Não há qualquer diferença entre dois e nove neste tipo de presunções.
Não é preciso dizer que qualquer ciência é imprecisa e que o trabalho de Turing ao incidir sobre obra humana, particularmente sobre ferramentas humanas, esteve confinado a fronteiras que não são da ciência, mas do trato com as ditas ferramentas criadas pelo homem, com a técnica.
Ao ser imprecisa qualquer ciência, a diferença que entre umas e outras existe, é o rigor com que se apresenta essa imprecisão e a noção de imperfeitude que faz que os avanços das ciências mais rigorosas sejam, maioritariamente, feitos na sequência de avanços anteriores e não na sua negação, o que é comum nas ciências pouco rigorosas, muito dadas a modas e a emoções. E a chutos para o ar.

13/01/2014

Perguntas que não podem fazer-se (n+5)

Algumas das perguntas que não podem fazer-se aos autores da redacção do artº 14-A do Código da Estrada alterado pela Lei nº72 / 2013 de 3 de Setembro:
Qual o propósito da introdução do dito artigo?
Com que base se estabeleceram os princípios ali plasmados?

É que depois de ler, não se acredita.

08/01/2014

Mudança climática

Já está a ocorrer em Portugal – disse o ministro destas coisas.
Aqui há uns anos vi uma velha mulher a invectivar o mar que lhe destruíra os bens. Não culpou as mudanças no clima, nem os (outros) homens, nem Neptuno, nem Poseidon; culpou o mar.
O ministro culpou os homens, no corolário de uma arenga.
Voltando ao tempo(ral)

Aqui temos uma bela imagem da previsão a t+168 h do ECMWF.



É para terça-feira que há-de vir.
Senilidade

Dar, a uma pessoa que apresenta diversos sintomas de senilidade, o crédito que ela mereceria em idade menos avançada, é:
Uma diminuição, que quem tal dá, faz de si próprio.
Uma cobarde diminuição inflingida a outrem, eficaz aos ouvidos e aos olhos dos menos atentos.

05/01/2014

Das divisões do Mundo (episódio n+10)

O Mundo Português também se divide entre os que viram, em directo, jogar Eusébio e os outros.
Ping-pong

O jornalista mal informado da TVI24 recorda que o jogo de Portugal contra a Coreia do Norte em 1966 foi de ping-pong, como quem diz golo cá, golo lá.
Não o viu. Não sabe nada do jogo, mas tinha que falar do que não sabe.
É esta a norma. É esta a moda.
Estação C.F. de Queluz-Belas, 1993

04/01/2014

Temporal

Só para atentar nos casos em que o mau tempo deu o que tinha a dar – fazer cair terras instáveis e derrubar estruturas não calculadas – verificamos que os simples acham sempre que a culpa dos que lhes acontece é sempre dos outros.
É claro que uma obra licenciada e construída à revelia do bom senso e das boas práticas acarreta responsabilidades para quem licenciou e fiscalizou.
O que não pode o simples, que mal fez o que deveria ter feito bem, é queixar-se dos outros. Talvez da sorte por não ter sido privilegiado.

02/01/2014

LP marqueteiro

Ouve lá, ó Manel, já deste alguma entrevista à Bola? – há uma porrada de tempo que não lhe punha a vista em cima, a este LP zombeteiro e grilofalantista.
Não.
Ao Expresso?
Não.
Já foste ao Mário Crespo?
Não.
À Judite?
Sim, quando tive um acidente de automóvel.
Não é essa, pá. A da tv.
Não.
Algum convite para a plateia dos Prós-e-Contras?
Não.
Foste a uma posse de algum sub-secretário de Estado?
Não.
Presidente de Câmara?
Não.
Entrevistado à porta de algum campo da bola?
Não.
No meio da rua?
Não.
Ok. Está na altura de me contratares. - não o fazia assim tão superficial.

01/01/2014

A senhora do naipe de cordas

A senhora do naipe de cordas.
14



Decidido ficou esta madrugada que, ao contrário dos antecessores que tiveram direito ao prefixo “dois mil e” este ano passará a ser denominado apenas por catorze.
Visto ficou esta meia-noite que mais uma aposta ou proto-aposta seria dinheiro ao mar.
Vista ficou ainda uma outra coisa da qual convém só dar nota daqui a perto de um ano – bizarras contas estas – já que as margens de erro que ela envolve são dessa ordem.
Dou chapa branca (amarela?, d’ouro?) ao 14. Chapa 14, portanto.

31/12/2013

2014



Retomando uma série interrompida.
Código da Estrada

As alterações apregoadas no Código da Estrada são mais um sintoma do desnorte que assola as mentes.
Fazem-se sucessivas alterações a um código sem que haja algo de substancial a rever.
Apregoa-se uma regulação diferente para a circulação em rotundas. Depois de anos a fio em que provavelmente se concluiu que regular o trânsito nas rotundas carece de uma caracterização prévia – não se pode aplicar a mesma regra a uma rotunda de grandes dimensões com três ou mais vias de trânsito e a uma outra onde mal se sabe se cabem dois carros a par – e que essa mesma regulação é um bico d’obra em qualquer dos casos.
Tenho, pois, alguma curiosidade em ver o texto.

30/12/2013

Simples

Há um local onde os simples me são muito insuportáveis – a auto-estrada com três vias de trânsito.
Há uma fatia muito considerável deles que se mantém na faixa do meio porque sim.
Os simples da auto-estrada com três vias são mais simples do que os simples das ruas e ainda mais do que os simples das estradas secundárias.

25/12/2013

Clic

Ou como cliques no cérebro são cada vez mais frequentes – desligam e voltam a ligar.
Estando eu a observar a imagem dos radares meteorológicos das 23:20 de ontem, resolvi clicar sobre um ponto que me pareceu de precipitação mais intensa dentro da faixa amarela do gráfico.
Este clique fi-lo numa aplicação que elaborei em tempos para me dar as coordenadas aproximadas e o nome do lugar sobre estes gráficos da Meteorologia.
O nome que apareceu é-me familiar. Muito familiar. Mas não fez clique. Quando abri depois o Google Maps e vi a imagem respectiva é que reconheci o meu solo.
A ver se desclico.

23/12/2013

Previsto na Lei

De acordo com o ministro da Administração Interna estava previsto na Lei que os sírios vindos da Guiné e que se puseram a cavar fossem interceptados na fronteira.

20/12/2013

Paradigma perdido

À porta da ervanária, a mulher debitava em alta voz certezas vegetarianas – uma vaca consome o mesmo alimento que cem pessoas – e com isso deixou-me nas datadas e pouco elaboradas páginas de Morin que me acompanham estes dias.
De certezinha.

Tenho o livro a meio. É mau de tragar.

18/12/2013

Reivindicantes (II)

Uma pessoa que afirma que se partiram vidros, por acidente, enquanto neles se batia com as mãos e com os pés para fazer barulho, mostra que não está habilitada para a profissão docente. É q.b..
Reivindicantes

Uma pessoa que se apresenta, para fazer um exame de acesso à profissão docente, com um filho de um mês dentro de uma alcofa, mostra que não está habilitada para tal profissão. É q.b..

17/12/2013

Pessoas

E depois há aquela gente, de vermelho vestida, que não nos desarma porque vamos dela ao encontro com uma flor.

14/12/2013

Notícias do manicómio

Diz que o primeiro-ministro e o líder da oposição concordaram em discutir o que quer que seja.
Mas estas duas personagens não se encontram já há anos nos seus respectivos lugares?
O que é que aconteceu agora para chegarem a tal acordo?

11/12/2013

Contas aos livros

Concursos

Já passaram mais de sete anos sobre o último cuíze da Brigada Anti-Lacoste. Um pessoal que, ao que me pareceu, frequentou como eu a casa amarela.
Em tempo-rede uma enormidade. Uma enormidade que convida a promover um concurso só com perguntas para cuja resposta seja inútil consultar a rede:
Quais eram os dois primeiros nomes da senhora que habitou, durante todo o ano de 2006, o segundo esquerdo do número seis da rua... ?

09/12/2013

Outra tropa (diário íntimo)

A nossa tropa foi outra e deixou-me também laços de sangue.
Não ouso palpitar sobre os laços dos outros, dos que foram e vieram fardados de verde.
O que digo é que foi uma surpresa para mim – grande e valiosa surpresa – ter descoberto que houve pelo menos um mais que sobreviveu umas décadas.
A quarenta e dois anos de vista, far-me-ei à estrada em busca do companheiro de quarto.
Estava vivo em 2002. Aparentemente.

08/12/2013

Ouvir

Tornou-se-me intragável a opinião dos que opinam nas televisões. Talvez pelo eclipse de alguns opinadores mais capazes, talvez por uma saturação minha.
Assim, prefiro divertir-me com os debates tripartidos da bola. Ali, já se sabe ao que se vai.
Uma delícia a troca de argumentos a propósito da assunção ou não da candidatura ao título por parte das equipas (o caso agora é o do Sporting). só comparável em absurdo ao pedido de maioria absoluta por parte de um partido.

01/12/2013

Demarcação



A forma e a colocação dos marcos fronteiriços obedece naturalmente a critérios fixados em documento competente.
No meu critério, que apenas pretende ser racional, forjado na segunda metade do séc. XX, um marco assinala um ponto que pertence a uma linha de demarcação.
Quando a linha de demarcação é o talvegue de um rio ou a linha média entre margens, pode suceder que existam testemunhos nas margens para aferir, ao nível das águas, o lugar da fronteira.
O que não pode suceder é que estes testemunhos se confundam com marcos de limite fronteiriço.
Nas termas de Monfortinho, perto das quais a fronteira natural é o talvegue do rio Erges ou a linha média entre margens, aparece um marco fronteiriço ao fundo da alameda fronteira à porta do edifício do balneário. Cerca de 80 m para dentro da fronteira natural. É o 673 B, exactamente igual ao 673 C que está a meio da ponte que, perto de Segura, supera o rio Erges.
Alguma razão há-de ter existido para lá o plantarem. O que não pode suceder é que a sua forma e a sua designação sejam confundíveis com marcos de limite fronteiriço.
Mas sucede. É esta a gente que anda a mandar no país.

26/11/2013

Sem noção



Percebe-se que há uma faixa significativa dos reivindicantes que não assimilou o facto de o país estar sem dinheiro.
Impossível será fazê-los perceber tal coisa.

25/11/2013

Comentário político

No dia em que passam 38 anos sobre o 25 de Novembro, ocorrem-me muitíssimas notas. Porque li ou ouvi demasiadas coisas que me interessaram nas horas que o dia já leva. Atenho-me a três:
Sobre o General Ramalho Eanes, personalidade que me suscita emoções confusas e uma análise muito positiva do ponto de vista ético e fraca do ponto de vista político, a nota de agradecimento relativa aos acontecimentos de tal data.
Sobre os acontecimentos, a nota (para quem se lembra) retroactiva do que é (e do que foi) um país entregue ao desvario esquerdista pouco peado.
Sobre o ponto em que estamos, uma frase mal ouvida num tempo de antena – a de que vai haver escolas livres de violência no namoro. Que é uma nota que espicaça a minha sensação de que o animal racional vai, com o tempo, dando lugar ao animal irracional.

23/11/2013

Se é verdade

Se é verdade que o assassino de duas pessoas em 2008 se entregou à polícia pura e simplesmente, então este é mais um marco para a imagem da PJ.
Imagem que, por alguma razão obscura, foi durante algum tempo muito sobrevalorizada. Aparentemente, já não o é tanto.

21/11/2013

Fim de regime

A nova versão dos secos contra os molhados é apenas um dos muitos sintomas.
Não aposto um chavo neste regime. Cuja sepultura foi sempre cavada com maior empenho pelos seus mais ardentes defensores.

19/11/2013

Ginástica cueca

Passaram-lhe mesmo o alter do chão. E de que maneira o fizeram!
Lembrando frases d'outros tempos


(Fotografia de Tamara Saré para a Agência Pará)

Para quem também se lembra. Sim, Luísa.

17/11/2013

O móvel e o imóvel versão ano sabático


composição de duas imagens uma daqui, outra d'acolá

A tal fidelidade móvel e uma impossibilidade imóvel. Pois tais casas foram arrasadas, segundo parece.

16/11/2013

Leitura para estes dias



Tirei das estantes este livro. Era um dos que p’ra ali estava.
É uma espécie de relato jornalístico dos sucessos imediatamente anteriores a 22 de Novembro de 1963; desse dia e, calculo, dos dias seguintes. Uma leitura apropriada para o cinquentenário dos acontecimentos de Dallas.

Em Agosto desse ano, o Diário de Lisboa publicava este “recorte” sobre o automóvel que na altura havia sofrido algumas modificações depois de dois anos ao serviço do presidente dos E.U.A.:


(clicar para ampliar)

Lembro-me de que nessa noite a emissão da RTP foi interrompida pelo fatídico relógio da “Última Hora”. Calculo que tal tenha acontecido entre as oito e as nove.

15/11/2013

Cinzenta e nórdica

Como se percebe, a tarde passou para cinzenta e nórdica.
Curiosamente, o radar de Coruche do IPMA detectou de madrugada, em várias ocasiões, com destaque para as 5:00, a invasão apontada como um raio invertido sobre Lisboa.
Já o radar do Caldeirão detectou um feixe também invertido apontado a Tavira cerca das 7:40.
Atacam pelas alas.


imagens da página de radares atmosféricos do IPMA (clicar para ampliar)

14/11/2013

O móvel e o imóvel versão ano agrícola


composição de duas imagens uma daqui, outra d'acolá

Ou como há fidelidades. Sonhos fáceis e difíceis.

13/11/2013

Corrigenda

Em qualquer notícia dada por televisões, rádios ou jornais que inclua a expressão “o pior – de sempre”, esta deverá ser substituída pela expressão “o pior – desde que eu me lembro*” e em nota de rodapé o seguinte: * como a minha memória é curta, deve ser desde ontem à noite, para aí.

Há pouco no telejornal da RTP o naufrágio do Prestige foi considerado o pior desastre ambiental de sempre nas costas da Galiza.
A título de curiosidade, indico esta lista. Só com acidentes ocorridos de 1970 para cá. Qual será a escala para o grau de gravidade de um desastre ambiental?

11/11/2013

Stop this madness*

Não é possível. Não é possível parar com esta loucura.
Não é, porque o mundo está irracionalizado pela massificação da informação e é crente.
Acredita que é possível acabar com esta loucura. A dos elementos. A que sempre devastou a ecúmena e a anecúmena. Acredita que há uma culpa. Uma culpa.
E depois há os que querem ser compensados. Pela culpa que os outros têm nos males que os afligem.

* precatória feita pelo delegado das Filipinas na conferência COP19 em Varsóvia.
Designações

Uma coisa que não existe não carece de ser designada.
Isto para cá da ficção, das coisas inexistentes com nomes famosos.
Isto no diário dos povos, das terras.
Uma subida rápida do nível do mar em virtude de uma combinação de fortes e intensos ventos de fora (do mar) para dentro (para terra) e uma baixa abrupta de pressão atmosférica é coisa que não acontece por cá. Não há por isso uma designação para tal ocorrência.
Por não haver cá nem a coisa nem a designação é que para o comum dos jornalistas se tornou muito difícil entender o que se passou nas Filipinas. Ouvi alguns falar em onda outros em algo parecido com um maremoto (diziam tsunami). Mas sem acertarem no conceito.
Um fenómeno destes com estas proporções não é vulgar. Mas acontece. O mais famoso do último meio século ocorreu no antigo Paquistão Oriental, em 1970. E aparentemente foi bastante mais mortífero do que este.

adenda feita cerca das 14:45 de 12 Nov: quanto ao que cá existe de estudo da matéria, este documento serve de referência

10/11/2013

Jornalismo, clima e campanhas higiénicas (II)

O fito desta campanha – que tem como desígnio assinalado pôr fim às alterações climáticas, o que só por si é uma espécie de desidério milagroso – poderia ser o mesmo de sempre: manter confortável o habitat para os homens e demais seres vivos. Mas não é. Ou não é só isso.
E não é só isso nem pode ser só isso porque o Homem foi um caso de sucesso entre as espécies animais. Sucesso que se nota patente neste gráfico, ainda que mostre apenas uma ínfima parte da História:



E porque esse sucesso está a conduzir a passos largos a uma exaustão de recursos que será, ela sim, se vier a ocorrer, catastrófica, ou conseguiremos obter novos recursos ou formas de multiplicar os existentes, ou saíremos da Terra para colonizar planetas habitáveis ou chegaremos a um ponto em que, muito provavelmente, ocorrerá a catástrofe e o número de humanos baixará consideravelmente.
O facto de esta campanha já se desenhar sobre um pano de fundo de rejeição da obra humana pode significar que, inconscientemente, a espécie resigna.
Esse é o ponto.
Quanto ao resto, se andarmos a medir temperaturas à face do globo, que é onde andam as criaturas, sete, oito ou nove mil milhões de humanos vão de certeza influenciar mais a temperatura do que os três mil milhões estimados em 1960. Humanos e outros seres vivos, se a proporção do cômputo geral indicar um disparo semelhante.
Sobre se essa influência é muita, pouca ou insignificante que venha gente com hipóteses com cabeça, tronco e membros e as apresente.
Sobre se a influência acrescida das actividades humanas no aumento da temperatura média à superfície é muita, pouca ou insignificante, o mesmo. Que venha gente com hipóteses com cabeça, tronco e membros e as apresente.
O que é estultícia e da boa, é a construção de cenários – catastrofistas ou paradisíacos. Os mais empedernidos continuam e continuarão convencidos de que sabem exactamente o que se vai passar nos próximos anos com o clima.
Todo este diagnóstico e prognóstico se apresenta na imprensa como uma série de afirmações absolutamente verdadeiras (divinas) – o clima está a mudar, a culpa é dos homens e há uns iluminados que sabem exactamente o que vai acontecer se nada fôr feito e o que é preciso fazer para evitar que tal aconteça. É um dogma. E contra os dogmas... papas de linhaça!

Entretanto, tempestades como o tufão Yolanda que agora mesmo devastou as Filipinas serão tomadas à conta das tais alterações, embora sem o impacto noticioso que teriam se ocorressem na costa atlântica da América do Norte, ainda que venham a custar mais de uma dezena de milhar de mortos. O facto de este ano ter mais uma vez contrariado as previsões de grande actividade tempestuosa na costa leste dos Estados Unidos é pura e simplesmente ignorado. Naturalmente. Uns pontos adaptam-se à curva que o mentor tem na cabeça, entram para os cálculos; outros não se adaptam, são desprezados. É isto ciência?

A ver se não me esqueço de voltar à carga sobre as previsões que ditavam ser este ano um ano sem Verão aqui por estas bandas.

09/11/2013

Efemérides

A colecção das Ruas com Dias completou os dias de um mês, Julho. Foi o primeiro e, provavelmente, o último.
A ideia que preside à colecção é que as placas toponímicas se refiram explicitamente a uma data e se encontrem em território nacional.
Ora, pelos vistos e com a pesquisa já feita, o mês de Julho é o único que tem passados à pedra, ao azulejo, à chapa (ou no caso de autarquias mais bizarras, ao plástico – que as há que trocaram literalmente a pedra pelo plástico!!!) todos os seus trinta e um dias.
Pois de Janeiro faltam três (2, 19 e 30); de Fevereiro, quatro (6, 8, 11 e 29); de Março, outros quatro (14, 17, 22 e 24); de Abril ainda quatro (8, 21, 28 e 29); de Maio apenas um (7); de Junho, três (2, 3 e 12); de Agosto, outros tantos (7, 18 e 20); de Setembro, dois (10 e 30); de Outubro, um (26); de Novembro, três (4, 22 e 28) e de Dezembro também três (2, 3 e 5).
São ao todo trinta e um, até agora, os dias que parecem faltar na recordação pública. Um mês inteiro aos bocados.
Para completar a colecção, caso não existam mesmo as ruas, as praças, as avenidas, os largos, as pracetas, os cais, as quelhas, as escadas e escadinhas, as travessas, as alamedas, os becos ou os impasses com tais datas, resta chamar a atenção de algumas freguesias para factos históricos que lhes dizem respeito. Com tanto dinheiro público jogado à rua, talvez o preenchimento da caderneta e das trezentas e sessenta e seis datas do calendário não seja um bizantinice.
O problema maior será ainda assim, não querendo desbaptizar o que baptizado está, encontrar arruamentos novos para atribuir um nome, uma data.

05/11/2013

Numeração

"Eu não lhe pedi números e você fala-me em numeração!" *




* uma citação nada a propósito de um homem que não querendo números pretendia letras mais baixas.

03/11/2013

Bajo costo

Abstenho-me aqui de dar pormenores sobre o velho militar franquista que anunciou aos circunstantes que dentro de dias se deslocaria à Suiça, num voo de uma companhia aérea de bajo costo.
Apenas digo que as suas expressões fizeram escola durante a nossa excursão (minha e de amigos próximos) à costa valenciana – Ejército!!!
Ora isto é um nariz de cera. Autêntico. Nada a ver com Espanha, Franco e as forças armadas dos vizinhos.
Tem sim a ver com uma reportagem no telejormal da TVI que me entrou pelos tímpanos – diz que há umas senhoras com poder que usam roupas de marcas baratas. Se bem que baratas seja uma mistificação, mas pronto.
Ocorreu-me que, e afinal o velho militar franquista volta a terreiro, talvez não fosse dispararatado rotular algumas mulheres como mulheres de bajo costo. Isto nada tendo a ver com prostituição, naturalmente. Mas com o trem de vida a que cada uma é capaz de se adaptar.