11/03/2014

39 anos

Faz hoje 39 anos que a baderna se oficializou.
Ainda andamos a pagar os desmandos dessa noite.

10/03/2014

1000

È provável que, no decorrer desta semana, se a vontade a tanto chegar, chegue à conclusão que albergo mil-autores-mil nas prateleiras.
Um burro descarregado de livros (que eles estão nas tais prateleiras) continua a ser um burro e é-o ainda quando nos alforges se coloca toda a suposta biblioteca de Alexandria.
Ergo pois o meu copo aos quase analfabetos com grande capacidade intelectual que conheci por esses corgos e, acto contínuo, fico em sentido a pensar nas catrefas de burros que bem alforjados andam por esses gabinetes onde se decidem as coisas.

09/03/2014

Não era nada disto, mas...



É claro que se tornam necessários exegetas. À medida que a maldição avança.

07/03/2014

SG

"Ouve lá, o Manel, vê lá se metes lá no blogue a minha fotografia tipo-passe dos tempos em que era adepto do FCP."
Obedeci. Não fosse ele recusar futuras colaborações como vate. Que não sessenta e nove.

03/03/2014

A imprensa e os blogues

Pontos prévios:
1 – Considero a imprensa em geral demasiado má, cheia de ignorância, preconceituosa e em grande grau irracional.
2 – Não me detenho nos blogues péssimos que existem. Não sei qual é a proporção dos péssimos em relação aos bons. Assumo, com algum risco, que seja próxima da dos alunos péssimos em relação aos bons numa sala de aula (reportada aos tempos em que eu a conhecia).


Algumas das afirmações frequentes que jormalistas fazem em relação aos blogues são: que quem os escreve não tem preparação, não integra as afirmações numa explicação de contexto, é faccioso, etc.
Há outras mas todas pretendem que o jornalismo é intelectualmente superior ao que se escreve nos blogues.

Esta afirmação, só por si, não diz nada. Havendo jornalismo péssimo e menos mau, há blogues péssimos e menos maus. Se se trata de comparar a quantidade de péssimos em relação aos menos maus é natural que o jornalismo saia por cima. Pela tal proporção que apontei atrás.
O que sucede e isto é matéria de opinião é que na imprensa menos má há demasiados disparates e erros de palmatória que se não encontram nos blogues mais bem pensados e escritos.
Dir-se-á que quem corre por gosto a um certo nível tem obrigações de respeito para consigo próprio que não se encontram generalizadas no jormalismo dito mais reputado.
Dir-se-á que quem se dispõe a escrever por desporto e sem agenda (como agora se diz de quem tem interesses inconfessáveis) não tem prazos a cumprir nem gente a ditar-lhe exigências.
Dir-se-á que quem se expõe a solo (seja a coberto de anonimato ou não) com a intenção de dar algum contributo válido, fá-lo com um grau de exigência que supera o dos que escrevem no entremeio de muitos outros.

No meu juízo, os blogues bem pensados e bem escritos superam em muito o jornalismo mais bem feito. E fazem-no com menos meios. O que é muito significativo.
Quanto ao péssimo, há blogues que não lembram ao diabo. É um facto.

01/03/2014

Falar do que não se sabe

Uma avassaladora parte dos comentários que a rede proporciona aos simples é uma imagem da ignorância pura e dura. E da inevitável falta de racionalidade. Mas não é desses, que muitos serão, que me ocupo agora a respeito do jogo do Sporting com o Braga e do golo do Braga.
Aqui a atentar nos comentários à bola na televisão, ouço que Rui Patrício se redime do auto-golo ao efectuar uma defesa aparatosa.
O auto-golo resultou, para quem não sabe, de um ressalto da bola no poste e em seguida no pé do guarda-redes do Sporting.
Não é preciso ter jogado à baliza e ter sofrido um golo semelhante (no meu caso a bola veio do poste para a barriga da perna e voltou para trás, para dentro da baliza) para se perceber que evitar um golo tal é uma tarefa impossível. Pode sempre dizer-se que o problema não está em evitar o ressalto na perna ou no pé, está em evitar que a bola chegue a embater no poste. Aceito que sim.
Mas tratar um golo sofrido em tais circunstâncias como um frango não é só falar do que não se sabe é a mostra da tal falta de racionalidade.

28/02/2014

E já lá vão 45 anos

Desde o grande abanão.


do arquivo online do Diário de Lisboa do acervo da Fundação Mário Soares
A propósito


John Leech, 1856
Juízo de intenções

Na próxima semana dar-se-á início a um badalado juízo de intenções no tribunal em que será réu Oscar Pistorius. Coisa que sendo parcialmente transmitida pelas cadeias de televisão fornecerá uma bela oportunidade de nos aprazermos com os paroxismos da irracionalidade. É certinho.


fotografia de Siphiwe Sibeko para a Reuters via NY Daily News

27/02/2014

Outra vez apanhado de surpresa

Por um Entrudo ainda por cima serôdio.

26/02/2014

Lembranças de casos esquecidos

Um dos últimos naufrágios de navios cargueiros junto à costa portuguesa ocorreu há um quarto de século, a 26 de Fevereiro de 1989.
O cargueiro nigeriano River Gurara, em rota de Lagos para Dublin, ficou sem máquinas e esmagou-se contra os rochedos da orla sul do Cabo Espichel, no meio de intenso temporal.
Consultando a rede, percebe-se que é um acontecimento apenas assinalado pela comunidade de mergulhadores desportivos, que até colocou no local uma placa comemorativa dos vinte anos do desastre.
A rede tem uma representação da História distorcida pelo seu próprio aparecimento – os factos posteriores à sua vulgarização estão sobre-representados face aos que ocorreram antes.
Deste desastre, recordo particularmente a polémica à volta da inexistência de um rebocador capaz de operar em alto mar. De facto, nesse dia havia um rebocador desses, holandês, no porto de Lisboa mas não saiu a tempo e horas ou porque tinha problemas ou em consequência de um bizarro episódio burocrático.
A fragata Hermenegildo Capelo, operando em condições muito adversas, conseguiu resgatar 27 dos 46(?) ocupantes.
O que resta do navio é hoje, assim, um ponto de interesse para os praticantes de mergulho.


ilustração de ... ? (assinatura ilegível) encontrada no sítio da Nautilus-sub

21/02/2014

PSD



Revisitando o que aqui escrevi há quatro anos, não acrescento nem emendo nada mais do que já fiz aqui.
E não é que tenho saudades das torrentes inflamadas de Santana Lopes?

19/02/2014

97% é água


imagem do sítio da RTP

Portugal é o que é, pela água que metem os que o governam desde tempos antigos, com as excepções notáveis que a História reconhece ou que cada um faz suas.
No cada um, falando pois por mim, é absolutamente anti-nacional que se apresente com pompa um mapa feito em cima do joelho que não destaca Olivença como território nacional ocupado por potência estrangeira.
Nem me pronuncio sobre as inenarráveis declarações que ouvi a quem tinha por obrigação estrita defender a Nação.
É tudo mais do mesmo. E muito triste.
E custa ver gente capaz metida no meio disto.
O catorze



Nas notícias.

18/02/2014

De pouco servirão

Estes livros que de aqui contemplo de pouco servirão num futuro próximo.
Quem os herdar poderá ver neles curiosidades museológicas e não objectos com utilidade prática.
Afaço-me à ideia de que construí um castelo de cartas em vez de uma torre de papel que fosse pedra.

15/02/2014

Tristezas à beira-mar

Impelido por um inusitado apelo à organização organizada (pois que a minha organização é desorganizada), vi-me hoje à tarde a tombar livros das estantes.
De um exemplar da 6ª edição de “Tristezas à beira-mar” de Pinheiro Chagas sai-me um postal ilustrado a mim endereçado lá pelos alvores da década de sessenta. Não me recordo nem de haver folheado tal livro nem de ter recebido e consequentemente lido tal postal.
O postal não tem selo, pelo que a ter sido expedido foi-o dentro de um envelope. E não está datado, pelo que, tendo sido expedido, deve ter vindo anexo a uma carta de adultos.
O tema que aborda é que é muitíssimo curioso. Para um postal de avó para neto.
Alterações climáticas


do arquivo online do Diário de Lisboa do acervo da Fundação Mário Soares

Também calhou a um sábado o 15 de Fevereiro de 1941. Bem lembrado aqui.

13/02/2014

Discriminação

Não sou nada sensível aos costumes do politicamente correcto. Antes pelo contrário.
O que não significa que não repare em algumas clamorosas contradições entre o espírito da coisa e o resultado final.
O espírito da coisa é, na RTP, uma variante do “ai, os coitadinhos”. Não se pode falar disto sem dizer que não se tem nada contra, daquilo sem fazer elogios despropositados, do outro sem pôr a cara à banda e olhos em alvo.
O resultado final é, por vezes, desastroso.
Há agora ao sábado um concurso onde adrede se procura o ignorante ou o burro para responder errado ou dizer que não sabe. A julgar que não há ali qualquer tipo de encenação, é pelo aspecto da pessoa que passa na rua que se presume a ignorância ou a burrice. Nada mau para uma televisão com um espírito tão “ai, os coitadinhos”. Tão politicamente correcta.

10/02/2014

A esbelta glutona, o Tour às avessas, os mauros e o palácio das portas de plástico



Ela era uma espécie de Ivete, imensa e magra.
Disputava o trono com Ercília, mais nova.
O palácio ficava ali na Fontes, mais ou menos onde era o Monte Carlo.
Tinha uma loggia fechada por portas transparentes de plástico.
Foi isto no dia em que rebentou o caso do Tour, em que vimos claramente visto o Peugeot azul e amarelo acelerar contra a corrente e em que eu quis de imediato ver as imagens do helicóptero que se distinguia logo acima. Uma carnificina, foi o que pensei ao ver o carro desaparecer na curva já com muitos outros no seu encalço.
Voltaram. O carro azul e amarelo chiava pela descida. Ia ser apanhado.
Entretanto, na Fontes, talvez antes de L’Étoile, um bando de levantinos em triciclos de mercadorias, forçava o caminho para se opôr à passagem da caravana.
Decidi mandar fechar a loggia. Ao julgar perceber num dos polícias o reconhecimento da ameaça que aqueles constituíam. Talvez uma bomba.
Deixei o meu subalterno a comandar as operações na porta d’armas e voltei para junto de Ivete, que se consumia de expectativas.
De uma janela lateral, observava as operações na praça. A polícia parecia ter reposto a ordem e ter a coisa controlada. Já não se ouviam as vozes finas das crianças transportadas nas caixas de carga dos triciclos.
O homem que me era familiar, de cadeira de rodas, dava-me recomendações e conselhos jurídicos. Eu explicava às visitas que ele ainda conduzia o seu Mercedes 180, apesar da quase invalidez e da idade muito avançada.
Depois de fazer mais uma ronda com os olhos pelo salão, pedi-lhe escusa.
Encalhei na secretária do porteiro, que estava a impedir a escadaria do vestíbulo. Ainda pensei passar por baixo dela, quando verifiquei que era praticável a passagem entre o vão e a dita.
Lá estava o meu subalterno a conferenciar com um amigo. A rua em paz.
Disse-lhe que faltava um painel de plástico transparente no arco do topo norte, porque o estava a ver ali na sala vestibular, a fingir de expositor de livros.
Ele disse-me que reparasse bem. O arco estava fechado. O plástico transparente é que estava imaculado. Não se dava por ele.
Posto que assim era, dei as ordens finais para fechar as portas.
Recolhemos ao salão.
O homem dos conselhos tinha saído pela garagem, na certa usando o elevador. Deixara em cima de uma mesa um folheto amarelo dobrado com um papel incluso.
Nesse papel, escrevera um nome. Em maiúsculas.

09/02/2014

O génio dos sonhos peremptórios

Como qualquer grande oráculo não previu o menos provável.
Embora possa ainda ter razão no resultado.

O estádio da Luz não tem quarenta anos de uso como tinha o José Alvalade na altura em que se desprenderam pedaços de betão da pala.
Ali, ou há projecto deficiente ou deficiente execução e falha da fiscalização ou aconteceu qualquer coisa que deteriorou a cobertura e os responsáveis da manutenção deixaram passar.
O que não se admite é que com as rajadas que se registaram tenha havido ruptura nos elementos da cobertura.
O que não se admite é que tenham evacuado tão tarde as bancadas. Só um golpe de sorte evitou que houvesse danos pessoais no episódio desta tarde.

NOTA: Um sintoma do desnorte e da loucura que se vive manifestou-se hoje na rádio – não sabiam as pessoas que relatavam os acontecimentos de onde vinham os detritos que caíam no campo.
Disse o génio dos sonhos peremptórios

08/02/2014

Taça Calcutá

Diz que a Escócia, que perdeu hoje em casa com a Inglaterra para o torneio (agora) das seis nações em râguebi por 0-20, marcava sempre pontos contra a Inglaterra em Murrayfield desde 1978. Desde essa data só perdeu sem marcar qualquer ponto com a França em Murrayfield em 2004; com a Nova Zelândia também em Murrayfield em 2007 e com a África do Sul ainda em Murrayfield no ano passado.
Ouvi ontem, julgo que na Sky News, alguém comentar que este jogo de hoje teria um particular significado no meio do ambiente de secessão que culminará com o referendo de Setembro.
0-20 quererá dizer o quê?

07/02/2014

Terror

A julgar pelas cadeias internacionais de televisão, as únicas coisas a reter sobre os Jogos Olímpicos de Inverno de 2014 são:
Se vai ou não ocorrer um atentado terrorista durante o evento. Parece-me ser isto uma notória vitória dos terroristas que estão na origem da ameaça.
Se vai ou não haver o folclore da homossexualidade ostentada.
É tudo.


imagem da página dos jogos

06/02/2014

Costa

O Costa de Lisboa acabou de dizer que a taxa de analfabetismo em Portugal em 1974 era de 70%.
Com os apartes alheios, lá emendou. Para...
Um cartão de pontos

Ok. Já que estamos a abardinar a República e os seus valores de cidadania, substituindo-os por pilim, oferece-me dizer que não será mal pensado criar um cartão de pontos da vilania.
Em vez do carro que dizem vai ser sorteado semanalmente, pontos no cartão.
De cada vez que comprovadamente alguém ajude uma velhinha a atravessar uma rua contra a sua (dela, velhinha) vontade, pontos no cartão.
De cada vez que comprovadamente alguém circule pela faixa da direita na auto-estrada, dela só saindo para ultrapassar, pontos no cartão.
De cada vez que um autarca cumpra um mandato inteirinho sem mandar construir uma rotunda injustificável (isto já são sopas depois d’almoço), pontos no cartão.
De cada vez que um aluno cumpra um ano inteirinho numa escola pública sem andar à porrada e sem danificar as instalações, pontos no cartão.
Estes e muitos outros mais que me hão-de ocorrer, serão os comportamentos que, premiados, farão o país muito mais saudável e robusto. Tal como uma farinha aditivada dos bons velhos tempos.
Para que é que servirão os pontos no cartão?
Essa é boa! Para deduzir na colecta do IRS, ‘tá claro!

04/02/2014

Regresso

Se alguém, sem os suficientes poderes para tal, decide envolver bens públicos em situações em que há prejuízo avançando e há prejuízo ficando, é dever do Estado exercer o direito de regresso.

02/02/2014

Erodidos

O facto de se considerar que a erosão costeira é algo de novo e fruto da incúria e/ou da maldade humana e de se dizer isto com ares de cátedra e, muitas vezes, com honras de cátedra é mais um exemplo, entre muitos, do que é a intelectualidade que por aí anda a debitar sentenças.

31/01/2014

Dos sinais

Dos muitos sinais que a senilidade me vai pondo à frente, estoutro que é significado e significante:



Não acreditei no que li.
Do Malabar

Ganhaste os pinos!

30/01/2014

Concursos de televisão e o novo-riquismo intelectual

Tente lembrar-se daquilo que nunca soube.
(num outro registo, alheio a concursos televisivos, tente perceber aquilo que nunca percebeu).

29/01/2014

Barack Obama

O homem conseguiu, ontem à noite, ser ainda um bom bocado mais demagogo do que é costume.

27/01/2014

Marqueteiros

Ouvi com atenção o argumentário para televisão de Zeinal Bava sobre a extinção da marca TMN.
É um exemplo académico do discurso vazio. Não tem ponta por onde se lhe pegue.
O assunto não me diz respeito, dado que se trata de uma empresa privada. Mas o argumentário televisivo que me é também dirigido, diz.
Epifania

A crer no que diz a imprensa, e o que a imprensa diz é em regra um reflexo de uma interpretação infantil do mundo, mas mesmo assim, a crer no que ela diz, no caso da tragédia do Meco cada vez mais se pretende que uma epifania lance luz sobre o que luz não tem nem teve.
Que os pais daqueles que morreram sintam uma insatisfação, uma agonia mais, por não saberem ao certo o que se passou, entende-se. É da natureza humana, do processo de luto.
Que quem deve olhar para o caso com racionalidade proceda da forma a que a imprensa se refere, dizendo isto sempre com as reservas que a imprensa merece mas com a memória dos péssimos exemplos que a investigação nos tem dado, não é surpresa. Mas é muito triste.

Em Portugal, um dos maiores problemas que temos é o da falta de racionalidade. Tem sido ela que nos tem arrastado ao longo das épocas para o abismo.
Há gente muito capaz por cá. Mas que se dá ao luxo de ser governada por tolos.
Só muito raramente, quando a crise é grande, surge um grupo mais racional para pôr uma certa ordem. Efémera.
Neste momento, atravessamos uma fase em que a irracionalidade campeia. Um pouco por todo o lado.
Com a excepção, aliás meritória, de se procurar emendar as contas do país. Mas isso é outra história.

26/01/2014

PCP


do sítio do PCP

O PCP continua com a sua campanha de rejeição ao pacto de agressão.
Não há de momento polónias para partilhar nem hitleres com quem negociar pactos de não-agressão. É um facto.

24/01/2014

Sismos sentidos

De acordo com a informação do IPMA, o número de sismos sentidos por ano no continente e ilha da Madeira no periodo 1996/2013 foi, em média, de 13.
No ano corrente, ainda não expirado o mês de Janeiro, já vamos com 6.
Se a proporção se mantiver, atingiremos o final do ano com mais de 90 sismos sentidos. Alguém acredita nisso?

23/01/2014

Estradas imagináveis (do plano de 45) - vol. 22




Nota: a toponímia das estradas imagináveis é porém real.
A quantas ando

De lapsos em lapsos, a certeza de que se vão perdendo... qual é a palavra para isto? atributos? qualidades? competências? faculdades? – faculdades, é esta.
Tenho vindo a desenhar uma série de marcos pertencentes a estradas imaginárias do plano de 45. Hoje dei-me conta de que havia nessa série dois artigos (volumes, no caso) sete e dois artigos oito.
Não vale a pena acrescentar mais nada, a não ser que vou corrigir a ordem.

22/01/2014

21/01/2014

Responsabilidades e culpas

É certo que uma das preocupações, se não a essencial, da espécie humana é a de saber de quem é a culpa.
No trágico caso das mortes na Praia do Meco vai abrir-se mais um inquérito ou vão ser atribuídos outros meios ao inquérito em curso ou as duas coisas em simultâneo que isto de notícias é assim mesmo.
Não se pretende apurar o que aconteceu, porque o que aconteceu toda a gente sabe – morreram seis pessoas.
O que se pretende saber é se a pessoa que sobreviveu tem ou não responsabilidades e culpas no cartório.
Num caso onde não há mais testemunhas para além dessa, pretender chegar a tal conclusão é estar à espera de uma epifania.
Idanha-a-Velha, 2013

20/01/2014

Sem embargo

Sem embargo, cada vez me custa mais ouvir gente, de voz embargada, a falar.

19/01/2014

Um cágado nas dunas

Ou para que serve, realmente, a internet.

Um cágado nas dunas,
um cágado nas dunas,
um cágado nas dunas,
um cágado nas dunas,
um cágado nas dunas,

um cágado nas dunas,
um cágado nas dunas,

um cágado nas dunas


Estas quatro palavras, expressão e quase frase, martelaram-me hoje o alvor da mente.
Nem acção para as escrever, nem tino para as ditar a fim de não ficar tal fixação desfixada.
A alvorada acabou por ocorrer num triz e lá fui eu de escantilhão à procura do que eu pensava ser (e era) uma outra martelada mental.


[...] mas eles não ligam, os malucos não ligam, é esse o aparte deles, até a minha mãe um dia acordou maluca, subiu-lhe à cabeça uma coisa que é a ureia, começou a dizer ao meu pai que andava um cágado nas dunas, o meu pai à rasca dizia um cágado nas dunas?, um cágado nas dunas?, levou-a para o hospital das pernas partidas, conhecia lá um enfermeiro, o meu pai começou a dizer às pessoas todas que a minha mãe dizia que andava um cágado nas dunas, uma enfermeira disse que ali era o hospital das pernas partidas, das doenças de pus e coisas assim, dizia que as doenças de cágados nas dunas era no manicómio, uma velhinha caquéctica e iglantónica perguntou qual cágado?, quais dunas?, um gajo que estava ao pé a gozar o prato disse que devia ser um cágado de patins nas dunas do Pólo Norte, o meu pai disse para o gajo ir gozar com os cornos do tio dele, o gajo a gozar perguntou quais cornos?, qual tio?, foi uma grande zaragata, o polícia que lá estava tirou o chinfalho e disse daqui a bocado dou-lhes o cágado, depois ficaram todos na bicha, eram mais de mil, a minha mãe começou a falar com a velhinha sobre o cágado, depois o enfermeiro conhecido do meu pai foi falar com o médico que o atendeu, ele disse que o cágado nas dunas era da ureia, nessa altura a minha mãe já não falava no cágado, dizia ao meu pai para ele não comer as prateleiras e as cortinas [...]


Dinis Machado, “O que diz Molero”, apud 50P30M

Sendo a expressão de Dinis Machado, o meu velho Lu Isgui Lherme usava-a amiúde nos seus desvarios, ele que era dado a citações e a arroz de nêsperas.

18/01/2014

Livros

Há livros assim.
Aqui há tempos apeteceu-me aventar pela janela um livro que tinha como intróito uma página cheia de erros factuais grosseiros.
Ora hoje peguei num outro em que o protagonista nasceu quatro anos antes do século XX.
Logo nas primeiras páginas vemo-lo a comer dos cozinhados da avó que sobrevivera ao terramoto de 1755.
Como diria o meu velho conhecido C., fiquei com benefícios de dúvida. Será que se trata de uma confusão mental do dito protagonista que será deslindada adiante? Ou da sua avó?
Ou trata-se de uma obra de ficção científica travestida de romance histórico?
Raramente ponho de parte um livro iniciado. O que me leva a ter recordações do piorio.
Este princípio não indicia nada de bom.
Se há autores maus com grande reputação, também há traduções que não lembram ao diabo.
Neste caso, tenho pouca vontade de averiguar a quem se deve tal disparate. Se disparate fôr, como parece.

17/01/2014

Acaso

Folheei o Público da passada terça-feira.
Incidiu a minha curiosidade nos anúncios dos tribunais.
Grande parte dos anúncios eram assinados por senhoras.
A totalidade dos que li eram anúncios de interdição.
Foi um acaso ou, no caso da segunda constatação, esta corrobora a ideia de que está tudo doido?

15/01/2014

Rigor e asneira

Quando recentemente Alan Turing foi, a título póstumo, exonerado dos pecados que lhe tinham sido apontados em vida, surgiu em vários noticiários a frase “alguns historiadores afirmam que a sua acção encurtou a guerra em dois anos”. Nem sempre dois foi o número de anos, nem sempre a frase dá esta tradução mas aqui está um exemplo.
Ao ouvir isto pensei que a ser verídica tal afirmação (que tivesse de facto havido um colégio de historiadores a fazê-la) ela espelha bem, e de forma bizarra, o abismo intelectual de rigor e precisão que separa as águas em que Turing navegou para decifrar os códigos alemães e estas outras, de bacalhau basta, onde navegam os ditos (quiçá supostos) historiadores e outros protagonistas de ciências imprecisas. Chutaram dois anos como poderiam ter chutado nove. Não há qualquer diferença entre dois e nove neste tipo de presunções.
Não é preciso dizer que qualquer ciência é imprecisa e que o trabalho de Turing ao incidir sobre obra humana, particularmente sobre ferramentas humanas, esteve confinado a fronteiras que não são da ciência, mas do trato com as ditas ferramentas criadas pelo homem, com a técnica.
Ao ser imprecisa qualquer ciência, a diferença que entre umas e outras existe, é o rigor com que se apresenta essa imprecisão e a noção de imperfeitude que faz que os avanços das ciências mais rigorosas sejam, maioritariamente, feitos na sequência de avanços anteriores e não na sua negação, o que é comum nas ciências pouco rigorosas, muito dadas a modas e a emoções. E a chutos para o ar.

13/01/2014

Perguntas que não podem fazer-se (n+5)

Algumas das perguntas que não podem fazer-se aos autores da redacção do artº 14-A do Código da Estrada alterado pela Lei nº72 / 2013 de 3 de Setembro:
Qual o propósito da introdução do dito artigo?
Com que base se estabeleceram os princípios ali plasmados?

É que depois de ler, não se acredita.

08/01/2014

Mudança climática

Já está a ocorrer em Portugal – disse o ministro destas coisas.
Aqui há uns anos vi uma velha mulher a invectivar o mar que lhe destruíra os bens. Não culpou as mudanças no clima, nem os (outros) homens, nem Neptuno, nem Poseidon; culpou o mar.
O ministro culpou os homens, no corolário de uma arenga.
Voltando ao tempo(ral)

Aqui temos uma bela imagem da previsão a t+168 h do ECMWF.



É para terça-feira que há-de vir.
Senilidade

Dar, a uma pessoa que apresenta diversos sintomas de senilidade, o crédito que ela mereceria em idade menos avançada, é:
Uma diminuição, que quem tal dá, faz de si próprio.
Uma cobarde diminuição inflingida a outrem, eficaz aos ouvidos e aos olhos dos menos atentos.

05/01/2014

Das divisões do Mundo (episódio n+10)

O Mundo Português também se divide entre os que viram, em directo, jogar Eusébio e os outros.
Ping-pong

O jornalista mal informado da TVI24 recorda que o jogo de Portugal contra a Coreia do Norte em 1966 foi de ping-pong, como quem diz golo cá, golo lá.
Não o viu. Não sabe nada do jogo, mas tinha que falar do que não sabe.
É esta a norma. É esta a moda.
Estação C.F. de Queluz-Belas, 1993