25/06/2014

Das séries



Abri aqui há coisa de oito anos uma série intitulada “Memórias”.
A ideia era, numa altura em que havia mais leitores, pedir ajuda para decifrar mistérios que me saíam e ainda me saem do meio da papelada.
Nessa abertura publiquei o desenho acima, sabendo que ele era a porção esquerda de algo maior, coisa que se podia dizer pela frase interrompida.
Não há muito tempo desvendei o mistério. Primeiro encontrei a parte direita do desenho e pude assim ler a frase completa.
Depois usei São Google com alguma insistência até que recentemente descobri que a frase tal como a transcrevi vinha publicada no Paris Match n° 1041 de 19 de Abril de 1969.
Tenho talvez que mandar mais para trás a data do desenho. Foi submetido a escrutínio escolar uns anos depois, creio.

Urge abrir aqui uma outra série. Dedicada às coisas concretas e abstractas que marcaram mais ou menos o quotidiano e que vi morrer. Nalguns casos nascer e morrer.

23/06/2014

Pancratium maritimum

Ou como a memória nos prega partidas. Nos confunde. Os sentidos.

22/06/2014

Intelligentsia

Ouvi ontem um daqueles especialistas em futebol de carteira pagos por nós – todas as semanas lá sentado - dizer que não era claro que o empate da Alemanha com o Gana fosse mais vantajoso para Portugal do que uma vitória dos alemães.
Que contas fará a criatura?

21/06/2014

O país que me interessa

São mais de 40 000 clics com a máquina que comprei há 9 anos. Que se revela um dos instrumentos mais úteis e fiáveis cá da casa.
O mapa abaixo também revela algo, apesar de assinalar apenas 31% do total de clichés batidos. Revela qual é o país que me interessa.

19/06/2014

Madureza ginasial

Pertenço ao grupo dos que se confrontavam amiúde com os anúncios de cursos por correspondência que proporcionavam a madureza ginasial.
Neles, havia a secção dos fregueses satisfeitos. Os que, para aparentemente dar seriedade à instituição que organizava tais cursos, diziam que sim. Que tinham realmente conseguido o que queriam após a conclusão do curso.
Está o mundo cheio de tais coisas desde aí e desde então, sendo o então ainda mais antigo. De recensões jubilatórias a processos milagrosos.
O que esperávamos aconteceu.
O Estado fez a sua recensão jubilatória do sorteio dos Audi. Com uma senhora de 77 anos.
Ainda não explicou foi o algoritmo. Nem por que raio o pedido de factura sem número de contribuinte não é um acto de cidadania igual ao pedido com.
Mas não esperamos mais desta gente. Destes maduros. Do ginásio.
Dos carros anfíbios

16/06/2014

13/06/2014

Casillas

Para quem se lembra, Casillas antes de se impôr no Real Madrid e na selecção de Espanha, dava as casas de Casillas, jogo após jogo.
Agora voltou aos velhos tempos.
Concessão à bola

A equipa nacional pareceu-me bem no ensaio contra a Irlanda. Não sei como foi contra o México, mas contra a Irlanda mostrou solidez e capacidade de ataque.
Nas apostas, parto com o pé direito. Acertando em cheio no resultado do jogo inaugural. Mr. Gaston Smith, lá no seu exílio canário, perdeu dois pontos.
No final, será o do costume a palmar o almoço.



Ainda que se diga que se escrutinam hoje mais do que nunca as apostas online, também é certo que a cada dia que passa, maior pode ser a fraude.
Não será de estranhar que apareçam reviravoltas nos resultados, golos inusitados, etc.
On verra.

12/06/2014

Sardinha assável

Veio-me à memória o homem que usava uma combinação das mais ilustres e antigas de apelidos portugueses.
E uma sardinha no bolso do lenço.



imagem construída a partir daqui e daqui (link perdido)

11/06/2014

Diz-me o que lês...

E pouco ou nada sobre ti saberei.
É muito mais fácil hoje aceder a informação preciosa sobre um indivíduo que não dificulta o acesso à dita indagando quem comprou tais livros, do que a partir destes treze títulos (há um ilegível) saber alguma coisa sobre tal indivíduo. Coisa essa, de saber quem és a partir do que lês, do que vês, do que gostas, do que dizes, com quem andas, que se tornou quase mítica no século XX com as supostas teorias psico-qualquer coisa.

10/06/2014

Da Pátria e dos arrepios na espinha

aqui escrevi que o 10 de Junho não me enleva como Dia da Pátria.
Preferia ver assinalado como tal um dia que nos afirmasse pelas armas contra Leão, contra Castela, contra Espanha.
Um destes dias, numa expedição simbólica ao lugar de algumas batalhas da Restauração, no meio do silêncio que reinava junto ao obelisco do Ameixial, um levantar de cascos, um arrastar de pés. Ninguém por perto. Ainda tive tempo de o fotografar depois de atravessar a estrada e serenar. Era um arrepio na espinha.
De novo o silêncio, só minutos mais tarde quebrado pelo zumbido de um carro a aproximar-se, muito ao longe.
Diz que há coisas que impressionam.

08/06/2014

Com navegador ou sem ele


imagem daqui

De volta aos mapas do ACP, os quais não foram feitos para a escala das variantes municipais a quatro faixas e que não têm sinalização decente, apercebo-me do seguinte:
O sentido de orientação regressa à origem. Não há perdas de tino.
A navegação urbana, com placas toponímicas pouco legíveis*, é pouco praticável para um condutor sem pendura.


* Em Paris, no dia em que caiu o muro de Berlim, chegámos à condusão de que éramos os três necessários – um, lia as placas toponímicas; outro, interpretava o mapa e dava a voz; o último limitava-se a conduzir.

06/06/2014

04/06/2014

Num mundo de doidos

Fazendo um esforço para não ouvir os disparates que os dirigentes dos partidos do governo mailos da oposição andam a dizer a propósito do orçamento, vi umas imagens em que apareciam uns tipos a escavar.
Diz que são polícias ingleses e escavam no Algarve. Isto é normal?


imagem da RTP *

Nada disto é normal para quem ainda se julga com todos os parafusos.

* ao contrário da RTP que me rouba imagens sem mencionar a origem

03/06/2014

Do que é realmente importante

Das listas de compras

De uma lista de compras se pode dizer, ao ser posta em prática, que:
Todo e cada item é comprado.
Alguns itens são comprados, outros não há na loja.
Alguns itens são comprados, outros que não há na loja são substituídos.
Todos os itens são comprados e outros são acrescentados.
Alguns itens são comprados, outros não há na loja e outros são acrescentados.
Alguns itens são comprados, outros que não há na loja são substituídos e outros são acrescentados.
Alguns itens são comprados, outros não, embora existam na loja.
Alguns itens são comprados, outros embora existam na loja são substituídos.
Alguns itens são comprados, outros não, embora existam na loja e outros são acrescentados.
Alguns itens são comprados, outros embora existam na loja são substituídos e outros são acrescentados.
Nenhum item é comprado.
Nenhum item é comprado, outros são acrescentados.

Não há nada como ver um boletim de voto como uma lista de compras. A não ser...

30/05/2014

Gráficos

Alguns dirão que é preciso fazer um desenho aos líderes dos partidos mais importantes. A cores.
Depois de aqui ter deixado a constância do PCP, fica a razão pela qual o Costa se chega a frente no PS e nos outros dois se anda de bico calado ao que parece...
É que os últimos ainda estão no poleiro.
Nada disto ajuda um país à beira da ruína.
O desenho (a preto – e pode dizer-se preto?) mostra que a democracia se apaga pelos seus próprios meios.

29/05/2014

Jack Me Agger


imagem daqui

Duma vez fui ouvir. Estacionei o Renault 5 da namorada num ponto de boa acústica. Há vinte e quatro anos.
De outra vez fui ver e ouvir. Da bancada central, entre os incontáveis autarcas e funcionários municipais que, do Minho aos Açores, foram convidados por uma empresa para assistirem à récita. Há dezanove anos.
Desta feita, fico-me.
Ou não. Quem sabe se não me meto à estrada para estacionar ao som?

28/05/2014

PCP

Faz o PCP grande alarde da percentagem de votos que obteve no recente escrutínio.
Atentando aos dados da CNE, STAPE e DGAI verifica-se que o PCP, com mais ou menos partidos coligados, obtém um volume de votos nada surpreendente e ligeiramente inferior ao que obteve em 2011, nas legislativas.
Que os comunistas não se abstêm, parece que todos temos noção disso. Parece.

25/05/2014

Logística

Quem percorreu ontem (hoje, afinal) a A6, de este para oeste, e depois a A2 até ao nó de Coina, entre a uma e as três da manhã observou uma manobra de retirada de um grande exército de Castela como poucas ou nenhuma vez se viu.

24/05/2014

Tendências de voto

Tendo para estes. Ou seja, sou do Atlético de Madrid desde pequeno.

23/05/2014

Ver Madrid passar

Já foi tudo dito sobre a final dos Campeões Europeus amanhã em Lisboa.
A mim agrada-me a ideia de ir ver passá-los de volta, vencedores e vencidos, lado a lado, à frente e atrás, em fila de carros, de cima de um viaduto sobre a A6, o mais perto possível da fronteira.
Não se me dá ir para Espanha, ao mesmo tempo que julgo ser a coisa mais interessante à medida que eles se vão cansando na viagem. Até Elvas parece-me bem.
Referências literárias: Jangada de Pedra, de Saramago onde havia uns tipos que foram ver passar Gibraltar; Auto-estrada do Sul, de Cortázar, onde ficou tudo dito à excepção do clube de cada carro.


imagem do Google Street View

22/05/2014

Coruche, 2012



Há quantos anos foi dinamitado o tramo sul desta ponte e reconstruído destoantemente?

18/05/2014

Inseguro pode ser o Estádio Nacional




imagens da RTP

Um exército de tolinhos, capitaneados por vozes que não chegam ao céu, andou durante anos a argumentar que o Estádio Nacional não era seguro.
Argumentavam com um crime que um mentecapto lá cometeu em 1996 e com mais não sei o quê. E mostravam aqui e acolá um certo nojo político pelo edifício.
Era fácil mostrar que quanto ao crime, qualquer estádio dos novos e certificados, poderia ser palco de um assassínio assim. Bastaria que deixassem entrar o míssil que foi usado como arma. Coisa que, como sabemos, só depende da vigilância policial. E sabemos também que vezes sem conta entram petardos e outros artefactos nesses estádios do Euro.
Era fácil mostrar que o Estádio Nacional foi construído, como nenhum outro, com a nítida preocupação de evitar grandes catástrofes motivadas por movimentos descomandados da mole. Não tem armadilhas nem precipícios e dispõe de uma vasta área de descompressão na mata adjacente.
Só mesmo a estupidez poderia pôr em causa a segurança do recinto. Ninguém foi capaz de apontar os pontos fracos que o tornavam inseguro.
Depois talvez percebendo isso mesmo, começaram a mudar o discurso – o que o estádio era era desconfortável. Tinha falta de instalações sanitárias e apanhava-se sol e chuva.
Talvez tenha ou tenha tido falta de instalações sanitárias. Das várias vezes que lá fui não me servi delas, pelo que aceito esse argumento de desconforto e de falta de higiene. Quanto ao sol e à chuva...
Ora há quem se encarregue de o tornar inseguro. E isso consegue-se deixando a turbamulta pressionar em demasia como sempre o faz quando quer entrar em qualquer lado. Isso consegue-se enfiando mais uma bancada com três precipícios, dois laterais e um no topo, para acomodar mais gente do que o devido.
O Estádio Nacional precisa de mais alguns pontos de acesso (a norte), de forma a descongestionar a Porta da Maratona. Não sabendo eu se funciona ou não o acesso sul.
O Estádio Nacional não precisa de invenções nem de bancadas suplementares que criem risco para quem as ocupa.
O Estádio Nacional, como tudo em Portugal, precisa que quem dele trate tenha tino. Só isso.
Acrescento que se ouviram hoje mais umas vozes tontas, a clamar por segurança ao mesmo tempo que saudavam a colocação da bancada amovível.
A mole, no Estádio Nacional, em Alvalade, na Luz, no Dragão, se a deixarem ter o comportamento animalesco dos simples multiplicado por muitos, será sempre uma ameaça terrível para ela própria. Mas isso...

17/05/2014

Curva

Um sinusoigrama que represente a quantidade de ostentação de estupidez é um excelente guia de ruas para o viajante da vida.
Neste momento a curva cavalga forte derivada positiva.

14/05/2014

Portugal, 2012

Benfica

Desta vez é para contrariar o telex de há vinte e quatro anos que terminava com a palavra Milan e por uma vez mais sem exemplo, digamos: – Viva o Benfica!
Que diabo, perder oito finais em dez tendo ganho as duas primeiras seria quase uma conquista.
Evangelho

Evangelho segundo a Cable News Network:
Hurricane Sandy was the worst storm ever to hit the U.S.
O furacão Sandy ocorreu em 2012. Acertou em Nova Iorque e Nova Jérsia.

Quando não existem notícias que justifiquem grande afã, a CNN dedica-se à evangelização. Fá-lo com elevado grau de consideração por si própria, pelas suas campanhas e pelos seus papagaios.
E com disparates de elevadíssimo grau.

13/05/2014

Imagem a que se refere o escrito


As meninas e o Audi foram caçados por aí à revelia. Não faziam parte da fotografia mas do cenário que me foi dado ver nesse dia. Bastante longe do mar. A alguma distância de um rio.

10/05/2014

Estradas imagináveis (do plano de 45) - vol. 23




Nota: a toponímia das estradas imagináveis é porém real.
Ladeira do Pinheiro, 2012

09/05/2014

Feicebuquismo

Isto serve realmente para quê?


imagens retiradas do jornal I

08/05/2014

Coisas más de gramar

Uma cópia do filme “La Cage Dorée” legendada em português, cujas legendas se estendem às frases ditas na nossa língua e aí se vendo que o aluno não completou a escola primária com sucesso, uma vez que o ditado está cheio de erros.
Lendo a coisa de outra forma, quem legendou entreteve-se a passar para a formulação brasileira coloquial o que é dito em português corrente.
Sinal de várias coisas pouco edificantes. E más de gramar.
Das alegrias, Ivone

E um sorriso solar. Depois da inesperada gargalhada.
Decerto não me aborreceria no mesmo sonho em que me lastimava de não trazer um livro comigo.
Assim é. Cá ou no Taiti.

04/05/2014

Citações

Não é bonito que se cite cada um a si próprio, quer usando a estafada expressão como eu costumo dizer quer dizendo escrevi há dias isto assim e assado. Não é.
Ainda assim e já agora, cito-me.