25/10/2014
23/10/2014
22/10/2014
Juízo d’intenções
Ao contrário das minhas expectativas pessimistas, e fazendo fé nos relatos dos jornais e das cadeias de televisão que mantiveram uma espécie de acta das sessões do tribunal que julgou Oscar Pistorius, não teve lugar um juízo d’intenções.
Apesar de algumas peripécias absurdas nas sessões iniciais, a coisa evoluiu por caminhos do Direito. Se a sentença é assim ou assado, não trato aqui nem poderia tratar.
Ao contrário das minhas expectativas pessimistas, e fazendo fé nos relatos dos jornais e das cadeias de televisão que mantiveram uma espécie de acta das sessões do tribunal que julgou Oscar Pistorius, não teve lugar um juízo d’intenções.
Apesar de algumas peripécias absurdas nas sessões iniciais, a coisa evoluiu por caminhos do Direito. Se a sentença é assim ou assado, não trato aqui nem poderia tratar.
21/10/2014
Asneiral
“Ou como aqueles que tanto brandem as bandeiras da “discriminação positiva” ficam com as costas à mostra.
Como se discriminar positivamente um sub-conjunto não fosse discriminar negativamente o sub-conjunto complementar.”
HGU, Terça-feira, 7 de Dezembro de 2010
O primeiro-ministro, a quem aqui em tempos acrescentei o intelecto, o qual mais tarde, revi em baixa, vem dando sucessivas provas de que me enganei quase rotundamente a princípio.
Ouvi-o hoje falar nas famílias sem filhos e ascendentes a cargo e na hipótese (segundo uma certa ou umas certas auditorias) de ficarem prejudicadas nas contas do IRS, uma vez que as famílias com filhos ou ascendentes a cargo vão ver de certa forma e em certa proporção aliviada a carga com o dito imposto.
Não consigo perceber, em termos absolutos, o que é que uma coisa tem a ver com a outra. Se uns pagam menos, isso não obriga, em termos absolutos, outros a pagar mais.
O que acontece, com qualquer tipo de discriminação é que, em termos relativos, sempre que se beneficia um grupo, está-se a prejudicar quem a ele não pertence. Isto é o bê-á-bá dos jogos de soma zero e tecer considerações disparatadas a tal propósito é apenas mostrar fraqueza intelectual. Nada mais do que isso.
“Ou como aqueles que tanto brandem as bandeiras da “discriminação positiva” ficam com as costas à mostra.
Como se discriminar positivamente um sub-conjunto não fosse discriminar negativamente o sub-conjunto complementar.”
HGU, Terça-feira, 7 de Dezembro de 2010
O primeiro-ministro, a quem aqui em tempos acrescentei o intelecto, o qual mais tarde, revi em baixa, vem dando sucessivas provas de que me enganei quase rotundamente a princípio.
Ouvi-o hoje falar nas famílias sem filhos e ascendentes a cargo e na hipótese (segundo uma certa ou umas certas auditorias) de ficarem prejudicadas nas contas do IRS, uma vez que as famílias com filhos ou ascendentes a cargo vão ver de certa forma e em certa proporção aliviada a carga com o dito imposto.
Não consigo perceber, em termos absolutos, o que é que uma coisa tem a ver com a outra. Se uns pagam menos, isso não obriga, em termos absolutos, outros a pagar mais.
O que acontece, com qualquer tipo de discriminação é que, em termos relativos, sempre que se beneficia um grupo, está-se a prejudicar quem a ele não pertence. Isto é o bê-á-bá dos jogos de soma zero e tecer considerações disparatadas a tal propósito é apenas mostrar fraqueza intelectual. Nada mais do que isso.
20/10/2014
Um país de brincadeira

da página do Cadastro
Um post subjectivo e interesseiro.
Não é de hoje. Temos sido ao longo das eras um país de brincadeira. Onde uns quantos chicos-espertos se safam e uma cáfila de nulidades pretende governar.
Aqui há tempos apercebi-me de que só a metade sul do país, contando uma linha que passa pouco acima do Tejo e algumas honrosas excepções a norte dela, se encontra cadastrada.
Significa isto que não se conhece onde começam e acabam os prédios rústicos? Calculo que assim seja. Se não há cadastro, há o quê? (estamos fartos de ouvir, quando o país arde, que não se sabe muitas vezes a quem pertencem os terrenos)
Não se sabendo onde começam e acabam os prédios rústicos e a quem pertencem, como é que se faz para serem tributados tal como acontece no sul? E os prédios urbanos lá existentes, pujantes ou ruinosos? Há uma regra expedita e milagrosa que dispensa o cadastro ou não há tributação alguma?
Postas estas interrogações, passa o indígena por alguma indignação quando recebe uma intimação para reparar ou demolir umas ruínas que não oferecem risco de derrocada, pois já estão no chão e além disso se encontram a centenas de metros de vias públicas, confinando apenas com o seu próprio terreno.
Diz que há mais, muito mais gente indignada com tais intimações. Não admira que haja.
E, infelizmente, também não admira que tais intimações tenham surtido. É um país de brincadeira, afinal.
Imaginemos só o que seria se, em todo o país (cadastrado, que como o nome também indica é, ou já foi, réu), fosse este tipo de procedimento posto em prática. Teríamos uma nova era dourada para a construção (ou demolição) civil.
E uma forte inconstitucionalidade, por discriminação sul – norte.

da página do Cadastro
Um post subjectivo e interesseiro.
Não é de hoje. Temos sido ao longo das eras um país de brincadeira. Onde uns quantos chicos-espertos se safam e uma cáfila de nulidades pretende governar.
Aqui há tempos apercebi-me de que só a metade sul do país, contando uma linha que passa pouco acima do Tejo e algumas honrosas excepções a norte dela, se encontra cadastrada.
Significa isto que não se conhece onde começam e acabam os prédios rústicos? Calculo que assim seja. Se não há cadastro, há o quê? (estamos fartos de ouvir, quando o país arde, que não se sabe muitas vezes a quem pertencem os terrenos)
Não se sabendo onde começam e acabam os prédios rústicos e a quem pertencem, como é que se faz para serem tributados tal como acontece no sul? E os prédios urbanos lá existentes, pujantes ou ruinosos? Há uma regra expedita e milagrosa que dispensa o cadastro ou não há tributação alguma?
Postas estas interrogações, passa o indígena por alguma indignação quando recebe uma intimação para reparar ou demolir umas ruínas que não oferecem risco de derrocada, pois já estão no chão e além disso se encontram a centenas de metros de vias públicas, confinando apenas com o seu próprio terreno.
Diz que há mais, muito mais gente indignada com tais intimações. Não admira que haja.
E, infelizmente, também não admira que tais intimações tenham surtido. É um país de brincadeira, afinal.
Imaginemos só o que seria se, em todo o país (cadastrado, que como o nome também indica é, ou já foi, réu), fosse este tipo de procedimento posto em prática. Teríamos uma nova era dourada para a construção (ou demolição) civil.
E uma forte inconstitucionalidade, por discriminação sul – norte.
18/10/2014
Os simples
Há pedaço, uma mulher entrevistada numa manifestação contra o governo por um canal de televisão personificava tudo aquilo que os simples reivindicam: que sejamos todos mais ricos e saudáveis. É que se o não somos, a culpa é mesmo deste governo.
É preciso pois que se demita para haver amanhãs que cantam!
Pobre povo!
Há pedaço, uma mulher entrevistada numa manifestação contra o governo por um canal de televisão personificava tudo aquilo que os simples reivindicam: que sejamos todos mais ricos e saudáveis. É que se o não somos, a culpa é mesmo deste governo.
É preciso pois que se demita para haver amanhãs que cantam!
Pobre povo!
15/10/2014
Ebola
O estado das coisas, entre casos (confirmados, prováveis e suspeitos) e mortes (nas mesmas condições, segundo os boletins da OMS).
A mortalidade está ligeiramente abaixo dos 50%.

O estado das coisas, comparativamente ao surto de gripe pelo vírus H1N1 em 2009.
Compara-se a evolução do surto de então que deixou de ser monitorizado sistematicamente ao fim de 89 dias e o actual que vai em 207 dias, contados a partir de 23 de Março, data do primeiro boletim da OMS aqui considerado. Propagação e óbitos.

O estado das coisas, entre casos (confirmados, prováveis e suspeitos) e mortes (nas mesmas condições, segundo os boletins da OMS).
A mortalidade está ligeiramente abaixo dos 50%.
O estado das coisas, comparativamente ao surto de gripe pelo vírus H1N1 em 2009.
Compara-se a evolução do surto de então que deixou de ser monitorizado sistematicamente ao fim de 89 dias e o actual que vai em 207 dias, contados a partir de 23 de Março, data do primeiro boletim da OMS aqui considerado. Propagação e óbitos.
12/10/2014
11/10/2014
10/10/2014
Relembrando perigos

Lá mais para diante, relembrarei o que aqui já escrevi sobre epidemias e os problemas sociais que se levantam face à mentalidade hoje instalada.
Entretanto rebobino a seis meses atrás.
Lá mais para diante, relembrarei o que aqui já escrevi sobre epidemias e os problemas sociais que se levantam face à mentalidade hoje instalada.
Entretanto rebobino a seis meses atrás.
08/10/2014
Já foram demitidos?
Espera-se que a esta hora em que está confirmado explicitamente que nos vai sair do bolso mais uma cavalada no ministério da Educação que os incompetentes responsáveis directos pela coisa já tenham sido postos na rua, com justa causa.
Ou isto é para ser a sério ou é para andarmos a brincar aos meninos que dizem que sabem fazer mas não sabem fazer nada?
Espera-se que a esta hora em que está confirmado explicitamente que nos vai sair do bolso mais uma cavalada no ministério da Educação que os incompetentes responsáveis directos pela coisa já tenham sido postos na rua, com justa causa.
Ou isto é para ser a sério ou é para andarmos a brincar aos meninos que dizem que sabem fazer mas não sabem fazer nada?
Broncas
Sendo que o péssimo jornalismo de que dispomos nunca nos dá uma ideia clara das coisas que acontecem, é ainda assim possível ter a ideia de que há uma bronca grande no ministério da Justiça e uma outra bronca grande no ministério da Educação.
Se no ministério da Justiça a coisa era esperada, dadas as baixíssimas expectativas que sobre ele recaem, já no ministério da Educação, ocupado por pessoa capaz e conhecedora dos males do sistema, esta bronca reveste-se de maior gravidade.
Nuno Crato não é um qualquer. É um homem com capacidades muito acima da média e sempre se disse consciente do monstro que era a estrutura do ministério a que preside. Se a falha é num algoritmo, mostra que foi incapaz de escolher uma equipa à altura de uma tarefa que não pode ser confiada a qualquer um. Se a falha é de outro cariz, ficamos sem saber. A informação dos jornais é nisso sempre uma nulidade. Em todo o caso, Nuno Crato tem muito mais obrigações do que a ministra da Justiça. Não pode deixar que estas coisas aconteçam e sair incólume.
Sendo que o péssimo jornalismo de que dispomos nunca nos dá uma ideia clara das coisas que acontecem, é ainda assim possível ter a ideia de que há uma bronca grande no ministério da Justiça e uma outra bronca grande no ministério da Educação.
Se no ministério da Justiça a coisa era esperada, dadas as baixíssimas expectativas que sobre ele recaem, já no ministério da Educação, ocupado por pessoa capaz e conhecedora dos males do sistema, esta bronca reveste-se de maior gravidade.
Nuno Crato não é um qualquer. É um homem com capacidades muito acima da média e sempre se disse consciente do monstro que era a estrutura do ministério a que preside. Se a falha é num algoritmo, mostra que foi incapaz de escolher uma equipa à altura de uma tarefa que não pode ser confiada a qualquer um. Se a falha é de outro cariz, ficamos sem saber. A informação dos jornais é nisso sempre uma nulidade. Em todo o caso, Nuno Crato tem muito mais obrigações do que a ministra da Justiça. Não pode deixar que estas coisas aconteçam e sair incólume.
04/10/2014
Topologia
Nunca tive qualquer dificuldade em ler às avessas, seja por rotação seja por reflexão.
Faço-o quase à mesma velocidade com que leio às direitas.
Ontem, surgiu-me no espelho do carro a palavra
.
Se não tive qualquer dificuldade em a ler, já a tive em a interpretar – movemos é uma palavra portuguesa? Significa o quê? A branca durou uns assustadores segundos. E creio que se tivesse lido movemos às direitas não se me tinha posto a dúvida. Capacidades em perda acelerada.
Nunca tive qualquer dificuldade em ler às avessas, seja por rotação seja por reflexão.
Faço-o quase à mesma velocidade com que leio às direitas.
Ontem, surgiu-me no espelho do carro a palavra
Se não tive qualquer dificuldade em a ler, já a tive em a interpretar – movemos é uma palavra portuguesa? Significa o quê? A branca durou uns assustadores segundos. E creio que se tivesse lido movemos às direitas não se me tinha posto a dúvida. Capacidades em perda acelerada.
03/10/2014
Às moscas
Desta vez não recorri à praça de táxis1. Experimentei o acaso da era da informação e escolhi o nome que mais me pareceu da lista de restaurantes que o aparelho me estendia.
A situação esteve quase a ser revertida pois antes de estacionar o carro antevi uma lista em ardósia que me cheirou bem.
Estacionado o carro, encarei o nome do restaurante que o aparelho sugerira e por baixo também uma ardósia. Já ia a entrar por um corredor escuro por onde vira desaparecer uma mulher com trajos de cozinheira quando ouvi uma voz dizer que isto hoje está tudo às moscas.
Esperei que a minha aparição contradissesse em parte o orador assim que entrei num espaço mais iluminado onde já via gente e era visto.
A luz vinha forte de uma porta quase em frente pela qual se adivinhavam uma mesas de esplanada.
Saí pela porta e escolhi mesa. Nem vivalma.
Sentado, a mesma mulher que eu vira à porta perguntou-me se eu não quereria comer lá dentro, apontando para uma construção do outro lado do pátio em relação a mim.
Disse que não, ainda que ela me tivesse falado das moscas.
Já com vinho, pão e azeitonas, vi sair da denominada sala de refeições um indivíduo que me perguntou se eu tinha preferência pelo pátio em vez da sala de onde ele acabara de sair.
Respondi-lhe que não podia ter, visto não ter experimentado a sala. E que estava ali bem.
Como que parecendo concordar comigo fez menção de escolher a mesa à minha frente para se sentar, de costas para mim, a ler o jornal.
Julgou depois que seria melhor enfrentar-me e escolheu a cadeira na diagonal da minha no rectângulo que era aquela minha mesa de quatro lugares.
Começou a ler o jornal, tinha dois2 com ele, pertencendo a ambas as mesas, com um braço cá outro lá, sentado de lado em relação às duas.
Fez-me esta atitude lembrar a de um dono de uma casa que recentemente dei por estar fechada lá para a serra de Monchique.
Nada lhe disse e ele sobre nada me interpelou. A páginas tantas do primeiro jornal, sem tugir nem mugir, mudou o assento para a mesa vazia e deu-me as costas. Estava a comida a chegar.
Comi bem, barato e com moscas. E fiquei com vontade de lá voltar. Para ficar a saber sei lá eu o quê.
1 – É sabido que qualquer motorista de praça indica bons restaurantes.
2 - A Bola e o Diário de Coimbra.
Desta vez não recorri à praça de táxis1. Experimentei o acaso da era da informação e escolhi o nome que mais me pareceu da lista de restaurantes que o aparelho me estendia.
A situação esteve quase a ser revertida pois antes de estacionar o carro antevi uma lista em ardósia que me cheirou bem.
Estacionado o carro, encarei o nome do restaurante que o aparelho sugerira e por baixo também uma ardósia. Já ia a entrar por um corredor escuro por onde vira desaparecer uma mulher com trajos de cozinheira quando ouvi uma voz dizer que isto hoje está tudo às moscas.
Esperei que a minha aparição contradissesse em parte o orador assim que entrei num espaço mais iluminado onde já via gente e era visto.
A luz vinha forte de uma porta quase em frente pela qual se adivinhavam uma mesas de esplanada.
Saí pela porta e escolhi mesa. Nem vivalma.
Sentado, a mesma mulher que eu vira à porta perguntou-me se eu não quereria comer lá dentro, apontando para uma construção do outro lado do pátio em relação a mim.
Disse que não, ainda que ela me tivesse falado das moscas.
Já com vinho, pão e azeitonas, vi sair da denominada sala de refeições um indivíduo que me perguntou se eu tinha preferência pelo pátio em vez da sala de onde ele acabara de sair.
Respondi-lhe que não podia ter, visto não ter experimentado a sala. E que estava ali bem.
Como que parecendo concordar comigo fez menção de escolher a mesa à minha frente para se sentar, de costas para mim, a ler o jornal.
Julgou depois que seria melhor enfrentar-me e escolheu a cadeira na diagonal da minha no rectângulo que era aquela minha mesa de quatro lugares.
Começou a ler o jornal, tinha dois2 com ele, pertencendo a ambas as mesas, com um braço cá outro lá, sentado de lado em relação às duas.
Fez-me esta atitude lembrar a de um dono de uma casa que recentemente dei por estar fechada lá para a serra de Monchique.
Nada lhe disse e ele sobre nada me interpelou. A páginas tantas do primeiro jornal, sem tugir nem mugir, mudou o assento para a mesa vazia e deu-me as costas. Estava a comida a chegar.
Comi bem, barato e com moscas. E fiquei com vontade de lá voltar. Para ficar a saber sei lá eu o quê.
1 – É sabido que qualquer motorista de praça indica bons restaurantes.
2 - A Bola e o Diário de Coimbra.
02/10/2014
Cabotino
Por via onírica, cheguei hoje ao conhecimento com o mais cabotino dos cabotinos.
Dir-se-ia (e eu pensei-o) que a palavra fora inventada para ele.
Era visita de um amigo na república de férias onde nos encontrávamos. Tendo eu os horários trocados em relação a grande parte dos demais, incluindo o visitado.
Por via onírica, cheguei hoje ao conhecimento com o mais cabotino dos cabotinos.
Dir-se-ia (e eu pensei-o) que a palavra fora inventada para ele.
Era visita de um amigo na república de férias onde nos encontrávamos. Tendo eu os horários trocados em relação a grande parte dos demais, incluindo o visitado.
30/09/2014
28/09/2014
Ironias do destino
Quis o destino que os responsáveis do PS talham, que a consulta à maioria silenciosa dos eleitores do PS tenha tido lugar exactos 40 anos depois de uma outra maioria silenciosa se ter manifestado (ou não) em favor de um travão ao destrambelhamento que se adivinhava.
Em homenagem a essa coincidência, esta adaptação do cartaz de então:
Quis o destino que os responsáveis do PS talham, que a consulta à maioria silenciosa dos eleitores do PS tenha tido lugar exactos 40 anos depois de uma outra maioria silenciosa se ter manifestado (ou não) em favor de um travão ao destrambelhamento que se adivinhava.
Em homenagem a essa coincidência, esta adaptação do cartaz de então:
27/09/2014
Os dois simétricos
Por razões que a razão desconhece, Paulo Portas e António Costa gozam de uma cândida aprovação da imprensa que os guinda mesmo ao estatuto estelar.
Um mais do que outro, a seu tempo. Simetria quase perfeita desde que se passe um plano entre eles e se altere a gosto a variável tempo.
O estatuto estelar torna a imagem muito maior do que o objecto (ao contrário do que acontece com as estrelas verdadeiras que vemos no céu), dando a ambos uma aparência de capacidade que nunca mostraram ter. Antes pelo contrário.
De Portas, tem-se visto. De Costa, se verá ainda mais.
Por razões que a razão desconhece, Paulo Portas e António Costa gozam de uma cândida aprovação da imprensa que os guinda mesmo ao estatuto estelar.
Um mais do que outro, a seu tempo. Simetria quase perfeita desde que se passe um plano entre eles e se altere a gosto a variável tempo.
O estatuto estelar torna a imagem muito maior do que o objecto (ao contrário do que acontece com as estrelas verdadeiras que vemos no céu), dando a ambos uma aparência de capacidade que nunca mostraram ter. Antes pelo contrário.
De Portas, tem-se visto. De Costa, se verá ainda mais.
24/09/2014
23/09/2014
C.M.L.
O vereador com o pelouro da protecção civil da Câmara de Lisboa foi quem disse que a meteorologia não tinha avisado para o mau tempo. Ouvi-o na televisão.
Esperará talvez que o alertem com antecedência quando vier um tremor de terra que cause danos ou quando se verificar um acidente de grandes proporções.
É esta a gente que responde pelas coisas.
O vereador com o pelouro da protecção civil da Câmara de Lisboa foi quem disse que a meteorologia não tinha avisado para o mau tempo. Ouvi-o na televisão.
Esperará talvez que o alertem com antecedência quando vier um tremor de terra que cause danos ou quando se verificar um acidente de grandes proporções.
É esta a gente que responde pelas coisas.
22/09/2014
Os simples e a água
Para os simples, a água não é impeditivo para a circulação automóvel, mesmo quando ultrapassa os níveis críticos.
Explicar-lhes o que acontece é de facto inútil.

Imagem da TVI24
P.S. - A Câmara de Lisboa, segundo alguma imprensa, diz que não foi avisada para o mau tempo.
Para os simples, a água não é impeditivo para a circulação automóvel, mesmo quando ultrapassa os níveis críticos.
Explicar-lhes o que acontece é de facto inútil.
Imagem da TVI24
P.S. - A Câmara de Lisboa, segundo alguma imprensa, diz que não foi avisada para o mau tempo.
21/09/2014
20/09/2014
19/09/2014
17/09/2014
16/09/2014
Jornalismo ou... algo muito pior
Relembrando o aqui escrito há dias, porque se volta a ouvir e a ler a mesma insensatez, sendo que, no primeiro caso, apenas dei conta de ouvir uma voz que disse: “Espera aí, o tipo demite-se, incumpre o contrato, e ainda recebe em vez de pagar?” Foi num programa de televisão e lamento não saber identificar a pessoa razoável que tal disse.
Agora é exactamente o mesmo. Só muda o Bento. Diz que sai sem ser indemnizado? Mas não foi ele que pediu para sair?
Tendo eu a experiência cavalar das obras, imagino-me a abandonar uma obra e a dizer ao dono da dita que me tem que me indemnizar porque frito e cozido*.
Isto de o dinheiro não ter dono, em alguns casos, pode facilitar estas cavaladas. Lá isso pode.
Que os jornalistas achem isso normal é coisa que já me espantaria se fosse ao contrário. Que achassem estranho.
*claro que pode haver sempre uma justa causa e aí...
Relembrando o aqui escrito há dias, porque se volta a ouvir e a ler a mesma insensatez, sendo que, no primeiro caso, apenas dei conta de ouvir uma voz que disse: “Espera aí, o tipo demite-se, incumpre o contrato, e ainda recebe em vez de pagar?” Foi num programa de televisão e lamento não saber identificar a pessoa razoável que tal disse.
Agora é exactamente o mesmo. Só muda o Bento. Diz que sai sem ser indemnizado? Mas não foi ele que pediu para sair?
Tendo eu a experiência cavalar das obras, imagino-me a abandonar uma obra e a dizer ao dono da dita que me tem que me indemnizar porque frito e cozido*.
Isto de o dinheiro não ter dono, em alguns casos, pode facilitar estas cavaladas. Lá isso pode.
Que os jornalistas achem isso normal é coisa que já me espantaria se fosse ao contrário. Que achassem estranho.
*claro que pode haver sempre uma justa causa e aí...
15/09/2014
13/09/2014
12/09/2014
Favas contáveis

Se seguirmos a linha das apostas da casa Paddy Power, o referendum na Escócia ditará a manutenção do estado das coisas. Sem grande margem para dúvidas.
Se seguirmos a linha das apostas da casa Paddy Power, o referendum na Escócia ditará a manutenção do estado das coisas. Sem grande margem para dúvidas.
11/09/2014
Jornalismo ou... algo pior
Ouvi já por dversas vezes que Paulo Bento pediu para ser exonerado e que deverá receber uma indemnização de dado valor.
Ou isto é o habitual jornalismo sem cabeça ou algo pior.
Ouvi já por dversas vezes que Paulo Bento pediu para ser exonerado e que deverá receber uma indemnização de dado valor.
Ou isto é o habitual jornalismo sem cabeça ou algo pior.
10/09/2014
09/09/2014
08/09/2014
Trânsito

Houve de facto uma época em que eu tinha medo da estrada.
O medo não nasce do nada. Esse deve ter nascido não de números lidos ou ouvidos mas de sucessivas más experiências.
Nessa época pensava trinta vezes antes de me fazer à estrada durante um fim-de-semana em caminhos frequentados e evitava a todo o custo os caminhos da transumância.
O facto de o medo ter persistido por uns anos prenuncia que, mesmo com essas cautelas, as experiências não eram grande coisa.
E não devem ter sido. Ainda que nem por uma vez tenha amolgado latas.
Verifico agora que posso relacionar directamente essa época com o auge da sinistralidade rodoviária. Não me espanto.
O medo foi-se em grande parte. Das cautelas permanecem o evitar das canadas, o contornar dos fins-de-semana a que se soma algum abrandamento nas médias horárias.
Há dias ainda em que a estrada mete medo.
O gráfico (adaptado) é da Pordata. Clicando, vê-se em toda a extensão.
Houve de facto uma época em que eu tinha medo da estrada.
O medo não nasce do nada. Esse deve ter nascido não de números lidos ou ouvidos mas de sucessivas más experiências.
Nessa época pensava trinta vezes antes de me fazer à estrada durante um fim-de-semana em caminhos frequentados e evitava a todo o custo os caminhos da transumância.
O facto de o medo ter persistido por uns anos prenuncia que, mesmo com essas cautelas, as experiências não eram grande coisa.
E não devem ter sido. Ainda que nem por uma vez tenha amolgado latas.
Verifico agora que posso relacionar directamente essa época com o auge da sinistralidade rodoviária. Não me espanto.
O medo foi-se em grande parte. Das cautelas permanecem o evitar das canadas, o contornar dos fins-de-semana a que se soma algum abrandamento nas médias horárias.
Há dias ainda em que a estrada mete medo.
O gráfico (adaptado) é da Pordata. Clicando, vê-se em toda a extensão.
05/09/2014
Trânsito
Cheguei hoje atrasado ao acidente ocorrido cerca do km 51 da A2. Pouco atrasado. Ainda se via o poeiredo no ar que ainda não escondia os primeiros socorros.
Abstive-me de parar visto haver já cópia de gente a correr pelo asfalto. Ando eu há dias para escrever um apontamento sobre o medo. O medo da estrada.
Há dias em que ela mete medo.
Cheguei hoje atrasado ao acidente ocorrido cerca do km 51 da A2. Pouco atrasado. Ainda se via o poeiredo no ar que ainda não escondia os primeiros socorros.
Abstive-me de parar visto haver já cópia de gente a correr pelo asfalto. Ando eu há dias para escrever um apontamento sobre o medo. O medo da estrada.
Há dias em que ela mete medo.
03/09/2014
02/09/2014
01/09/2014
31/08/2014
29/08/2014
29

Cartaz da Associação Cultural Recreativa e Desportiva da Zambujeira
Porque hoje é 29, o banho valeu (e ainda vale) por nove, e as memórias são para ser desenterradas para que os mais novos delas saibam, vai esta nota com duas (três) fotografias alheias que também cumpre uma promessa vaga feita há anos.
Faz hoje 47 anos, na Zambujeira, um dos autocarros que levava banhistas foi quase parar à praia quando a estrada era ainda de terra até lá abaixo. Não morreu ninguém mas houve quatro dos vinte e um feridos que ainda foram passear a Lisboa.

Imagens caçadas aqui e acolá. Das quais gostaria de conhecer o nome do autor ou do curador, informação que a rede não está acostumada a proporcionar. Notícia do DL de 30 de Agosto, do arquivo da Fundação Mário Soares
Cartaz da Associação Cultural Recreativa e Desportiva da Zambujeira
Porque hoje é 29, o banho valeu (e ainda vale) por nove, e as memórias são para ser desenterradas para que os mais novos delas saibam, vai esta nota com duas (três) fotografias alheias que também cumpre uma promessa vaga feita há anos.
Faz hoje 47 anos, na Zambujeira, um dos autocarros que levava banhistas foi quase parar à praia quando a estrada era ainda de terra até lá abaixo. Não morreu ninguém mas houve quatro dos vinte e um feridos que ainda foram passear a Lisboa.
Imagens caçadas aqui e acolá. Das quais gostaria de conhecer o nome do autor ou do curador, informação que a rede não está acostumada a proporcionar. Notícia do DL de 30 de Agosto, do arquivo da Fundação Mário Soares
25/08/2014
Memória
Já há anos escrevi sobre isso aqui no blogue.
Sobre a necessidade de deixar em pedra o nome das desgraças. Que elas são pontos de memória viva dos que estavam e serão pontos de memória contada dos vindouros.
Em Lisboa não há uma placa com a data de 1 de Novembro de 1755 na sua toponímia.
Em Lisboa não há uma placa com a data de 25 de Agosto de 1988 na sua toponímia.
Sugiro que seja aplicada a propósito no lado direito daquelas escadinhas que não existiam antes de tal data. Entre o 27 e o 29 da Rua do Carmo segundo o mapa da Lisboa Interactiva. Entre o 27 e o 31 segundo as fotografias do Google.


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Já há anos escrevi sobre isso aqui no blogue.
Sobre a necessidade de deixar em pedra o nome das desgraças. Que elas são pontos de memória viva dos que estavam e serão pontos de memória contada dos vindouros.
Em Lisboa não há uma placa com a data de 1 de Novembro de 1755 na sua toponímia.
Em Lisboa não há uma placa com a data de 25 de Agosto de 1988 na sua toponímia.
Sugiro que seja aplicada a propósito no lado direito daquelas escadinhas que não existiam antes de tal data. Entre o 27 e o 29 da Rua do Carmo segundo o mapa da Lisboa Interactiva. Entre o 27 e o 31 segundo as fotografias do Google.
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20/08/2014
18/08/2014
Corruptelas de uma certa guerra ou tensão religiosa
Podes ver o acre num dedal
De destilado
De qualquer fruta de quintal.
Verás o sonho de um sinónimo
De nomes com os quais não te cruzaste
E por isso só entendes
Semelhantes.
Desleixa o leite sobre as escarpas
Que não pudeste mudar de sítio.
Chama mesmo sagrado
Ao promontório que a finisterra
Alega pertencer-lhe.
Não descures é a pena de saires
De cena entre um Hillman Imp
E a última história contada em
Papel de cenário
Que deixaste por concluir.
SG*, inéditos, 2001
*chamado a inaugurar o décimo segundo ano de escritas.
Podes ver o acre num dedal
De destilado
De qualquer fruta de quintal.
Verás o sonho de um sinónimo
De nomes com os quais não te cruzaste
E por isso só entendes
Semelhantes.
Desleixa o leite sobre as escarpas
Que não pudeste mudar de sítio.
Chama mesmo sagrado
Ao promontório que a finisterra
Alega pertencer-lhe.
Não descures é a pena de saires
De cena entre um Hillman Imp
E a última história contada em
Papel de cenário
Que deixaste por concluir.
SG*, inéditos, 2001
*chamado a inaugurar o décimo segundo ano de escritas.
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