09/03/2016

Dignidade de Estado

Haverá quem ache digno o cerimonial (no caso, a ausência deste) de troca de cadeiras entre Presidente eleito e Presidente cessante, pela frente do presidente da Assembleia da República?


imagem da RTP
Profecia falhada

Falhada a segunda profecia de Sinistro Salgado aqui promulgada há exactamente cinco anos.

07/03/2016

Gin (recorrência)

Balbuciadas vezes
Anoitece
Onde te espero.
Aqui
Numa varanda de tê-zero
Ou além
Em areias sem ninguém.
Tabaqueadas vezes
Escurece
Ao som da telefonia
Perto de mim.
Ciciadas vezes
Acontece
Beberes o meu gin.

SG, inéditos, 1995

28/02/2016

Fio da navalha

No fio da navalha sempre a imperfeição entre lembro-me tão bem e já foi há tanto tempo.
Que pode ainda inundar de humores o que quer que seja.
Abençoado seja aquele que ontem fez sessenta anos.

26/02/2016

Oráculos

Para que se cumpra o que mal sussurrou o oráculo há que ir a Beja comprar um Mitsubishi.

20/02/2016

Barbacena, 1991

Dos factos

Não me recordo de alguma vez ter tido notícia da morte de um escritor enquanto o lia.
Já há muitos anos que não pegava num livro imediatamente a seguir a tê-lo comprado.

07/02/2016

Tales from Brigadoon



A primeira vez que avistei Brigadoon vai para quarenta anos. Isso mesmo repeti por lá ontem e hoje.
Assim, mostrando-se ele a mim por dois dias, contei cervejas bebidas há quatro décadas, enunciei companheiros de noitadas e revi, passo a passo, as celebrações de um novo alvor. Frio.
Pressenti a vertigem quando me recordaram que os sexagenários (ou os que quase o são) haviam desertado há muito da cena quando eu presumia contar as tais cervejas.
Sim, nesse tempo – disse a voz – éramos aqueles que agora se encostam ao balcão.
E não estes.
E não estes.
Inenarrável

Inenarrável, a senhora que se ri com os dichotes de Costa a propósito de poupanças no pagamento de impostos.

30/12/2015

O jornalismo excelente

Uma jornalista interrogava alguém que se dizia prejudicado por determinado banco.
Afirmava esse alguém que talvez o marido tivesse assinado folhas em branco, numa manifestação de total confiança.
Réplica da excelente jornalista: mas estas folhas assinadas pelo seu marido não estão em branco!!!

É de almas destas que se faz de facto o jornalismo actual.

21/12/2015

BANIF

Não se fazem omeletes sem ovos.
Não se faz trabalho competente sem inteligência.

20/12/2015

Despesa pública

Mandou a RTP a Espanha uma senhora a quem não ensinou o básico das eleições nem o básico do método de Hondt.
A criatura lá disse que um dos partidos, apesar de ter tido menos votos do que um outro, obtivera mais deputados, por causa do método de Hondt.
É a esta gente que pagamos do nosso bolso.
Acidentes ferroviários quase esquecidos (parte III)


Diário Popular, de 21 de Dezembro de 1965

Apenas dois dias depois do grande acidente com o Sud-Express, um comboio da Linha de Sintra chocou de frente com um mercadorias entre o Algueirão e a Portela de Sintra.
Resultaram daí vinte mortos e dezenas de feridos.
Na época não se descortinaram os motivos que levaram o maquinista do mercadorias a abandonar a estação de Sintra sem a devida autorização e a fazê-lo, ainda por cima, pela via contrária.
O acidente produziu-se cerca de 3 km mais à frente, quando embateu de frente com a composição de passageiros que vinha de Lisboa e já havia transposto Algueirão – Mem Martins.
Na minha memória, estando presentes ambos os acidentes, este e o do Sud, não os julgava tão próximos no tempo.
No mesmo dia, um acidente muito menos grave ocorreu na Praia do Ribatejo.
Esta catástrofe também não figura nas habituais listas de acidentes ferroviários. Faz hoje 50 anos.

18/12/2015

Acidentes ferroviários quase esquecidos (parte II)


Diário Popular, de 19 de Dezembro de 1965

Não tendo ocorrido em território nacional mas tratando-se de um comboio ocupado maioritariamente por portugueses, o acidente com o Sud-Express em Villar de los Alamos foi uma catástrofe ferroviária de grandes dimensões que abalou o país.
Não figura nas habituais listas de acidentes ferroviários. Faz hoje 50 anos.

05/12/2015

Vermelho mais vivo

Vermelho mais vivo! A qualidade está aqui! – dizia para a televisão um produtor de porcos, comparando a carne portuguesa com a espanhola.
A quantos produtores envergonhou ele com esta asserção?

03/12/2015

Da crença

A crença, qualquer crença incluindo a crença na Razão, resulta de que, no fundo, tudo haverá de ter uma explicação. Divina ou entendível.
Deixando de lado as explicações divinas, há uma explicação que se pede para tudo o que ocorra.
E crê-se mesmo que essa explicação existe. Mesmo que essa explicação só se “possa alcançar” dissecando as ideias ou os impulsos de um morto.
E ficam os crentes apaziguados quando se lhes explica.
Montalegre, 2001

01/12/2015

Arte chocarreira

Não fosse o caso de o Amigo Bic Laranja ter dado nota do sucesso, eu hoje teria percebido que a arte chocarreira portuguesa atingira a celebridade unesquiana.
Afinal foi só o chocalho.
Diz que a silly season é no Verão.

29/11/2015

COP 21



E gente que arre marcha para defender o clima.
Deixo aqui esta memória que encaixa bem no que se vai ouvir e ler nos próximos dias.

26/11/2015

Igual tantos anos depois mas mais às escâncaras

Na vida de hoje, o mundo só pertence aos estúpidos, aos insensíveis e aos agitados. O direito a viver e a triunfar conquista-se hoje quase pelos mesmos processos por que se conquista o internamento num manicómio: a incapacidade de pensar, a amoralidade, e a hiperexcitação.

Pessoa, Fernando; “Livro do Desassossego”; Fragmento 175, § 3º

24/11/2015

Notícias do manicómio

Quando expomos, por estes dias, uma situação anómala a qualquer entidade, o mais certo é recebermos uma primeira resposta em que nos é repetido, tintim por tintim, tudo o que comunicámos anteriormente. E isto como tendo sido uma descoberta dos próprios.
Muita sorte se ficarmos por aqui. Que o normal é recebermos mais umas quantas cartas ou o que fôr, a repetir o mesmo e a pôr de parte qualquer hipótese de estabelecer uma comunicação que não seja uma conversa de surdos. Com excepção desse primeiro passo em que nos é repetido tudo o que informámos.
Confirma-se

Tal como previsto há três anos, o burro irá de Ferrari.

23/11/2015

Nome

Anda gente atribulada a pensar na melhor forma de designar o grupo terrorista da moda.
As razões aduzidas são quase demenciais, mas é claro que ditas com ar sério.
Se isto é essencial, se isto é até de uma secundária ordem, o mundo vai de facto a caminho do manicómio.

19/11/2015

Atendimento

Não é só o atendimento telefónico que é feito por mentecaptos.
É cada vez mais difícil encontrar quem saiba ler o papel que se lhe põe à frente.
Vê-se pelo olhar perdido, pela incapacidade de identificar o que interessa, pela incapacidade de interpretar a leitura.
Se no papel diz que, por óbito de A e aberta a respectiva herança, B sucedeu a A, o mais certo é ouvir então B morreu, não é verdade?
Isto aconteceu-me uma boa dezena de vezes nestes últimos tempos.
Tenho ficado sem capacidade de resposta tais são as enormidades que me imagino a dizer.

17/11/2015

Notícias (menos más) do manicómio

Agora que apareceu mesmo alguém com juízo, os calhaus da orla deram lugar a flores.
O que dá ainda mais uma nota de loucura a quem resolveu lá deitar as pedras.
Elas ainda continuam por aqui e por ali. Mas já não no inevitável trilho dos velhotes.

16/11/2015

Opiniões

Um tipo convidado para comentar na televisão os atentados recentes em Paris, defendia que um certo Ahmed (o nome era outro mas soava ao mesmo), muçulmano, nascido nos arrabaldes de uma cidade francesa era o arquétipo do francês.
Que não havia nada mais francês do que o Ahmed.
São opiniões.
Província

Aquela mulher cheirava a salas de televisão de residenciais de província dos anos 70.

14/11/2015

Guerra

"Un acte de guerre, commis par Daech, contre la France, contre ce que nous sommes, un pays libre qui parle à l'ensemble de la planète."
São palavras do Presidente da República Francesa, François Hollande.
Se se trata de um acto de guerra, se se trata de uma guerra, não deve ser tratada como um caso de polícia em que importa acima de tudo quem e como perpetrou tal iniquidade.
É preciso é saber quem é que preside às forças inimigas, quem são os generais, que objectivos e estratégia têm e onde está o povo que os sanciona e com que fervor.
O resto são detalhes sem grande importância. Mas que garantem as novidades à imprensa.

09/11/2015

Aqui no jardim

Aqui no jardim alguém com tino que finalmente apareceu, mandou remover a enorme quantidade de calhaus bicudos que orlavam em parte as zonas relvadas.
Num jardim onde dezenas de velhos se entretêm a jogar às cartas debaixo de um caramanchão e por ali passeiam, rente às pedras grandes e aguçadas.
A jeito de algum tropeçar, escorregar, pender e cair de cabeça numa aresta viva, num bico assassino.
Isto durou anos e não houve criatura dessas que propende a defender os velhos que se lembrasse de eliminar tal ameaça.
Foi preciso, ao que parece, que viesse uma dúzia de barracas de feira ocupar o espaço por um fim-de-semana para que as pedras desaparecessem.
Se eram para evitar pelo peso que fossem roubados os canos de rega, não se percebia por que raio tinham que ser bicudas e não blocos lisos.
Se eram para evitar que os cães mais os seus donos fizessem porcaria na relva, não se percebia por que razão é que só orlavam a relva de um dos lados, bastando que fossem contornadas pela bicharada.
Se eram assim por qualquer outra razão que se não vislumbra, espero ao menos que não fosse para matar os velhotes.

Telhados

Excelentes tempos para recolher pedras para lançar mais tarde aos telhados de vidro.

08/11/2015

Uma frase que diz tudo

Um entendido em Fernando Pessoa dizia há pouco na RTP 3 que explica em livro "como e porquê essa autoria [a dos textos apócrifos atribuídos a Fernando Pessoa] é desconhecida."

As coisas que se podem saber! E explicar.

22/10/2015

A quinta dos animais

Estamos de novo numa fase da História em que a clivagem se faz pela Razão.
De um lado, os racionais; do outro, os irracionais.

20/10/2015

Costa e os outros

Costa já foi aqui por mim classificado como uma fraqueza intelectual, similar à de Portas.
Os seus anunciados companheiros de fronda não o ultrapassam nesse campo. São menoridades bem identificadas, ornadas de chavões e de bengalas discursivas.
O tempo que há-de vir promete ser interessante.