Aqui no jardim
Aqui no jardim alguém com tino que finalmente apareceu, mandou remover a enorme quantidade de calhaus bicudos que orlavam em parte as zonas relvadas.
Num jardim onde dezenas de velhos se entretêm a jogar às cartas debaixo de um caramanchão e por ali passeiam, rente às pedras grandes e aguçadas.
A jeito de algum tropeçar, escorregar, pender e cair de cabeça numa aresta viva, num bico assassino.
Isto durou anos e não houve criatura dessas que propende a defender os velhos que se lembrasse de eliminar tal ameaça.
Foi preciso, ao que parece, que viesse uma dúzia de barracas de feira ocupar o espaço por um fim-de-semana para que as pedras desaparecessem.
Se eram para evitar pelo peso que fossem roubados os canos de rega, não se percebia por que raio tinham que ser bicudas e não blocos lisos.
Se eram para evitar que os cães mais os seus donos fizessem porcaria na relva, não se percebia por que razão é que só orlavam a relva de um dos lados, bastando que fossem contornadas pela bicharada.
Se eram assim por qualquer outra razão que se não vislumbra, espero ao menos que não fosse para matar os velhotes.