06/04/2016
05/04/2016
Notícias
Vem aí mais uma onda de salivação ao pronunciarem off-shore.
Não é pois claro que é criminoso todo aquele que ousa ter bens no estrangeiro?
Vem aí mais uma onda de salivação ao pronunciarem off-shore.
Não é pois claro que é criminoso todo aquele que ousa ter bens no estrangeiro?
03/04/2016
28/03/2016
27/03/2016
Locais de sonho
Estaremos porventura longe de entender os mecanismos do cérebro.
A tal história da máquina que pretende entender a si própria.
Entre eles, os dos sonhos talvez sejam os que mais especulação geraram e geram.
Nos meus, o que mais me encanta e perturba são os tais locais que são bem conhecidos nos sonhos e inexistentes na realidade.
Suponho que a maioria das pessoas tem os seus.
Locais que visitamos durante algumas épocas, que abandonamos ou a que voltamos anos mais tarde, encontrando tudo quase na mesma.
Preparo-me para executar uma monografia topográfica desses locais. Da praia quase inacessível na foz de um rio que se avista de um denso pinhal sobre uma ravina à outra que tem mar dos dois lados e onde a maré sobe a olhos vistos quando me aventuro mais além.
Da encruzilhada entre pinheiros onde sempre chego de uma estrada de pó e onde sempre viro à direita para mais poeiredo.
Do restaurante com cheiros de estufa que fica numa outra encruzilhada talvez no meio de um outro pinhal. Com meio telhado, como se visto em corte.
Do pelourinho de gaiola no meio da praça que comunica por túnel com a sala contígua à da loiça chinesa e à grade na entrada na casa que deixa adivinhar subterrâneos em níveis sucessivos.
Da outra casa que paira sobre uma abrupta colina às passagens mais ou menos apertadas que conduzem a um alçapão no monte.
Ainda no monte, há a estrada de trás, a que passa por uma espécie de pequeno cemitério sem mortos, com jazigos de mármore e lajes no chão, cheirando a mofo, onde invariavelmente encontro o meu caseiro na lide.
Há o mosteiro na estrada para o monte do meu tio, derruído, mas com notáveis arcarias no interior.
Há o entroncamento ferroviário em local verdejante. Onde comboios passam devagar. A estação ferroviária de grandes dimensões no barranco e que se distingue por estar implantada perpendicularmente à linha.
Ainda o monte com uma confusão de casas de vizinhos perto da muralha. Espécie de enclave de gente estranha nas minhas terras. O vale cavado que leva a uma espécie de porta no montado. Porta imaginária, invisível.
A casa com pátio interior que também lá fica.
A outra, cuja magnífica porta só descobri na hora da partida. E em cujo sótão sei que nunca estive. E era importante que lá tivesse estado.
A garagem em rampa, com o Volskwagen azul estacionado, brilhante nos cromados. A escada em caracol da traseiras.
O laboratório de paredes exteriores amarelas e sombreadores de betão que tanto destoa da casa.
O restaurante ao pé da ribeira onde muito raramente vou.
O outro, que afinal é uma cervejaria enorme, embora pareça de fora uma tasca insignificante.
O balneário lá de casa, cheio de instalações diversas. E com um chão de mosaicos de cimento com escorredores. Amplíssimo, no meio de uma espécie de armazém. E a casa no sótão, como se fosse uma casa na árvore.
O café com iguais mosaicos de cimento e aspecto de mercado. Sempre cheio de gente e que suspeito se situa no Bairro Alto, ali para os lados do Conservatório.
Os edifícios magníficos que hão de estar ali para os lados da rua dos Condes, onde, para um dos quais, se entra por uma extensa galeria subterrânea, para aceder a uma espécie de repartição pública.
O enorme armazém de víveres que fica junto ao porto, sob uma loggia modernista, ao fundo da qual se passa ao cais.
A discoteca vermelha para onde se entra por um sistema de escorregamento e se sai de elevador.
E a outra, com níveis sucessivos de pistas e portas estanques.
A estação de comboios, mais outra, em que existe também um sistema de escorregamento e passagens que se só se transpõem com contorcionismos.
O túnel ferroviário onde apenas circulam máquinas a vapor e que, lá para o meio tem uma espécie de clareira talhada na rocha, iluminada e ventilada no topo e onde uma casa se inscreve numa das paredes.
A estrada de montanha que já referi aqui e da qual encontrei curiosas coincidências entre o meu rascunho topográfico e uma imagem de um anúncio.
Os nichos de tele-transporte nos túneis de metro da Rotunda.
Não os maço mais. Isto é afinal mais um rascunho para memória futura.
Estaremos porventura longe de entender os mecanismos do cérebro.
A tal história da máquina que pretende entender a si própria.
Entre eles, os dos sonhos talvez sejam os que mais especulação geraram e geram.
Nos meus, o que mais me encanta e perturba são os tais locais que são bem conhecidos nos sonhos e inexistentes na realidade.
Suponho que a maioria das pessoas tem os seus.
Locais que visitamos durante algumas épocas, que abandonamos ou a que voltamos anos mais tarde, encontrando tudo quase na mesma.
Preparo-me para executar uma monografia topográfica desses locais. Da praia quase inacessível na foz de um rio que se avista de um denso pinhal sobre uma ravina à outra que tem mar dos dois lados e onde a maré sobe a olhos vistos quando me aventuro mais além.
Da encruzilhada entre pinheiros onde sempre chego de uma estrada de pó e onde sempre viro à direita para mais poeiredo.
Do restaurante com cheiros de estufa que fica numa outra encruzilhada talvez no meio de um outro pinhal. Com meio telhado, como se visto em corte.
Do pelourinho de gaiola no meio da praça que comunica por túnel com a sala contígua à da loiça chinesa e à grade na entrada na casa que deixa adivinhar subterrâneos em níveis sucessivos.
Da outra casa que paira sobre uma abrupta colina às passagens mais ou menos apertadas que conduzem a um alçapão no monte.
Ainda no monte, há a estrada de trás, a que passa por uma espécie de pequeno cemitério sem mortos, com jazigos de mármore e lajes no chão, cheirando a mofo, onde invariavelmente encontro o meu caseiro na lide.
Há o mosteiro na estrada para o monte do meu tio, derruído, mas com notáveis arcarias no interior.
Há o entroncamento ferroviário em local verdejante. Onde comboios passam devagar. A estação ferroviária de grandes dimensões no barranco e que se distingue por estar implantada perpendicularmente à linha.
Ainda o monte com uma confusão de casas de vizinhos perto da muralha. Espécie de enclave de gente estranha nas minhas terras. O vale cavado que leva a uma espécie de porta no montado. Porta imaginária, invisível.
A casa com pátio interior que também lá fica.
A outra, cuja magnífica porta só descobri na hora da partida. E em cujo sótão sei que nunca estive. E era importante que lá tivesse estado.
A garagem em rampa, com o Volskwagen azul estacionado, brilhante nos cromados. A escada em caracol da traseiras.
O laboratório de paredes exteriores amarelas e sombreadores de betão que tanto destoa da casa.
O restaurante ao pé da ribeira onde muito raramente vou.
O outro, que afinal é uma cervejaria enorme, embora pareça de fora uma tasca insignificante.
O balneário lá de casa, cheio de instalações diversas. E com um chão de mosaicos de cimento com escorredores. Amplíssimo, no meio de uma espécie de armazém. E a casa no sótão, como se fosse uma casa na árvore.
O café com iguais mosaicos de cimento e aspecto de mercado. Sempre cheio de gente e que suspeito se situa no Bairro Alto, ali para os lados do Conservatório.
Os edifícios magníficos que hão de estar ali para os lados da rua dos Condes, onde, para um dos quais, se entra por uma extensa galeria subterrânea, para aceder a uma espécie de repartição pública.
O enorme armazém de víveres que fica junto ao porto, sob uma loggia modernista, ao fundo da qual se passa ao cais.
A discoteca vermelha para onde se entra por um sistema de escorregamento e se sai de elevador.
E a outra, com níveis sucessivos de pistas e portas estanques.
A estação de comboios, mais outra, em que existe também um sistema de escorregamento e passagens que se só se transpõem com contorcionismos.
O túnel ferroviário onde apenas circulam máquinas a vapor e que, lá para o meio tem uma espécie de clareira talhada na rocha, iluminada e ventilada no topo e onde uma casa se inscreve numa das paredes.
A estrada de montanha que já referi aqui e da qual encontrei curiosas coincidências entre o meu rascunho topográfico e uma imagem de um anúncio.
Os nichos de tele-transporte nos túneis de metro da Rotunda.
Não os maço mais. Isto é afinal mais um rascunho para memória futura.
23/03/2016
Democracia e liberdade
Segundo alguns entendidos, os ataques terroristas não são contra a civilização ocidental e os infiéis de Alá ou conduzidos por um ódio indirigível. São contra a democracia e a liberdade.
Isto mesmo quando sejam perpetrados onde não cabem democracias nem amplas liberdades, calculo.
Segundo alguns entendidos, os ataques terroristas não são contra a civilização ocidental e os infiéis de Alá ou conduzidos por um ódio indirigível. São contra a democracia e a liberdade.
Isto mesmo quando sejam perpetrados onde não cabem democracias nem amplas liberdades, calculo.
21/03/2016
18/03/2016
16/03/2016
15/03/2016
14/03/2016
12/03/2016
11/03/2016
Mais do jornalismo sem ponta por onde se lhe pegue
Uma sumidade jornalística escreveu no DN que Raymond Tomlinson, recentemente falecido aos 74 anos, foi o criador do símbolo "arroba" (@) para usar na internet.
Conseguiu aquela figura o feito de criar um símbolo mesmo antes de haver nascido.
Consegue esta tropa fandanga que decerto será certificada e carimbada o prodígio de escrever diariamente sobre o que não conhece.
Uma sumidade jornalística escreveu no DN que Raymond Tomlinson, recentemente falecido aos 74 anos, foi o criador do símbolo "arroba" (@) para usar na internet.
Conseguiu aquela figura o feito de criar um símbolo mesmo antes de haver nascido.
Consegue esta tropa fandanga que decerto será certificada e carimbada o prodígio de escrever diariamente sobre o que não conhece.
10/03/2016
09/03/2016
Profecia falhada
Falhada a segunda profecia de Sinistro Salgado aqui promulgada há exactamente cinco anos.
Falhada a segunda profecia de Sinistro Salgado aqui promulgada há exactamente cinco anos.
07/03/2016
03/03/2016
29/02/2016
28/02/2016
26/02/2016
22/02/2016
20/02/2016
14/02/2016
10/02/2016
07/02/2016
Tales from Brigadoon

A primeira vez que avistei Brigadoon vai para quarenta anos. Isso mesmo repeti por lá ontem e hoje.
Assim, mostrando-se ele a mim por dois dias, contei cervejas bebidas há quatro décadas, enunciei companheiros de noitadas e revi, passo a passo, as celebrações de um novo alvor. Frio.
Pressenti a vertigem quando me recordaram que os sexagenários (ou os que quase o são) haviam desertado há muito da cena quando eu presumia contar as tais cervejas.
Sim, nesse tempo – disse a voz – éramos aqueles que agora se encostam ao balcão.
E não estes.
E não estes.

A primeira vez que avistei Brigadoon vai para quarenta anos. Isso mesmo repeti por lá ontem e hoje.
Assim, mostrando-se ele a mim por dois dias, contei cervejas bebidas há quatro décadas, enunciei companheiros de noitadas e revi, passo a passo, as celebrações de um novo alvor. Frio.
Pressenti a vertigem quando me recordaram que os sexagenários (ou os que quase o são) haviam desertado há muito da cena quando eu presumia contar as tais cervejas.
Sim, nesse tempo – disse a voz – éramos aqueles que agora se encostam ao balcão.
E não estes.
E não estes.
17/01/2016
13/01/2016
12/01/2016
09/01/2016
06/01/2016
04/01/2016
01/01/2016
31/12/2015
30/12/2015
O jornalismo excelente
Uma jornalista interrogava alguém que se dizia prejudicado por determinado banco.
Afirmava esse alguém que talvez o marido tivesse assinado folhas em branco, numa manifestação de total confiança.
Réplica da excelente jornalista: mas estas folhas assinadas pelo seu marido não estão em branco!!!
É de almas destas que se faz de facto o jornalismo actual.
Uma jornalista interrogava alguém que se dizia prejudicado por determinado banco.
Afirmava esse alguém que talvez o marido tivesse assinado folhas em branco, numa manifestação de total confiança.
Réplica da excelente jornalista: mas estas folhas assinadas pelo seu marido não estão em branco!!!
É de almas destas que se faz de facto o jornalismo actual.
20/12/2015
Despesa pública
Mandou a RTP a Espanha uma senhora a quem não ensinou o básico das eleições nem o básico do método de Hondt.
A criatura lá disse que um dos partidos, apesar de ter tido menos votos do que um outro, obtivera mais deputados, por causa do método de Hondt.
É a esta gente que pagamos do nosso bolso.
Mandou a RTP a Espanha uma senhora a quem não ensinou o básico das eleições nem o básico do método de Hondt.
A criatura lá disse que um dos partidos, apesar de ter tido menos votos do que um outro, obtivera mais deputados, por causa do método de Hondt.
É a esta gente que pagamos do nosso bolso.
Acidentes ferroviários quase esquecidos (parte III)

Diário Popular, de 21 de Dezembro de 1965
Apenas dois dias depois do grande acidente com o Sud-Express, um comboio da Linha de Sintra chocou de frente com um mercadorias entre o Algueirão e a Portela de Sintra.
Resultaram daí vinte mortos e dezenas de feridos.
Na época não se descortinaram os motivos que levaram o maquinista do mercadorias a abandonar a estação de Sintra sem a devida autorização e a fazê-lo, ainda por cima, pela via contrária.
O acidente produziu-se cerca de 3 km mais à frente, quando embateu de frente com a composição de passageiros que vinha de Lisboa e já havia transposto Algueirão – Mem Martins.
Na minha memória, estando presentes ambos os acidentes, este e o do Sud, não os julgava tão próximos no tempo.
No mesmo dia, um acidente muito menos grave ocorreu na Praia do Ribatejo.
Esta catástrofe também não figura nas habituais listas de acidentes ferroviários. Faz hoje 50 anos.

Diário Popular, de 21 de Dezembro de 1965
Apenas dois dias depois do grande acidente com o Sud-Express, um comboio da Linha de Sintra chocou de frente com um mercadorias entre o Algueirão e a Portela de Sintra.
Resultaram daí vinte mortos e dezenas de feridos.
Na época não se descortinaram os motivos que levaram o maquinista do mercadorias a abandonar a estação de Sintra sem a devida autorização e a fazê-lo, ainda por cima, pela via contrária.
O acidente produziu-se cerca de 3 km mais à frente, quando embateu de frente com a composição de passageiros que vinha de Lisboa e já havia transposto Algueirão – Mem Martins.
Na minha memória, estando presentes ambos os acidentes, este e o do Sud, não os julgava tão próximos no tempo.
No mesmo dia, um acidente muito menos grave ocorreu na Praia do Ribatejo.
Esta catástrofe também não figura nas habituais listas de acidentes ferroviários. Faz hoje 50 anos.
18/12/2015
Acidentes ferroviários quase esquecidos (parte II)

Diário Popular, de 19 de Dezembro de 1965
Não tendo ocorrido em território nacional mas tratando-se de um comboio ocupado maioritariamente por portugueses, o acidente com o Sud-Express em Villar de los Alamos foi uma catástrofe ferroviária de grandes dimensões que abalou o país.
Não figura nas habituais listas de acidentes ferroviários. Faz hoje 50 anos.

Diário Popular, de 19 de Dezembro de 1965
Não tendo ocorrido em território nacional mas tratando-se de um comboio ocupado maioritariamente por portugueses, o acidente com o Sud-Express em Villar de los Alamos foi uma catástrofe ferroviária de grandes dimensões que abalou o país.
Não figura nas habituais listas de acidentes ferroviários. Faz hoje 50 anos.
14/12/2015
08/12/2015
07/12/2015
05/12/2015
03/12/2015
Da crença
A crença, qualquer crença incluindo a crença na Razão, resulta de que, no fundo, tudo haverá de ter uma explicação. Divina ou entendível.
Deixando de lado as explicações divinas, há uma explicação que se pede para tudo o que ocorra.
E crê-se mesmo que essa explicação existe. Mesmo que essa explicação só se “possa alcançar” dissecando as ideias ou os impulsos de um morto.
E ficam os crentes apaziguados quando se lhes explica.
A crença, qualquer crença incluindo a crença na Razão, resulta de que, no fundo, tudo haverá de ter uma explicação. Divina ou entendível.
Deixando de lado as explicações divinas, há uma explicação que se pede para tudo o que ocorra.
E crê-se mesmo que essa explicação existe. Mesmo que essa explicação só se “possa alcançar” dissecando as ideias ou os impulsos de um morto.
E ficam os crentes apaziguados quando se lhes explica.
01/12/2015
Arte chocarreira
Não fosse o caso de o Amigo Bic Laranja ter dado nota do sucesso, eu hoje teria percebido que a arte chocarreira portuguesa atingira a celebridade unesquiana.
Afinal foi só o chocalho.
Diz que a silly season é no Verão.
Não fosse o caso de o Amigo Bic Laranja ter dado nota do sucesso, eu hoje teria percebido que a arte chocarreira portuguesa atingira a celebridade unesquiana.
Afinal foi só o chocalho.
Diz que a silly season é no Verão.
29/11/2015
COP 21

E gente que arre marcha para defender o clima.
Deixo aqui esta memória que encaixa bem no que se vai ouvir e ler nos próximos dias.

E gente que arre marcha para defender o clima.
Deixo aqui esta memória que encaixa bem no que se vai ouvir e ler nos próximos dias.
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