26/06/2016

Destinos

Cada um fabrica as suas coincidências, ainda que as malhas sejam tecidas à sorte.
E lá vem a frase repetida, coincidentemente. Com Isabel. Com Juliette talvez ausente. Que se cruzaram, sei-o agora.

15/06/2016

Geografia de jornalista

O navio [de onde foi retirado pela FAP um tripulante doente] navegava no rio Tejo, 160 km a oeste do Montijo.
(na SIC N, há pouco - imprecisamente citada. A notícia aqui com noroeste em vez de oeste)

Não prestei atenção ao meio empregado no resgate – se um habitual ilcóptero se um helicóptero.

14/06/2016

05/06/2016

Sinal dos tempos

Sinal dos tempos é o tempo que é gasto pelas televisões a ouvirem gente ignara.
As entrevistas e as conferências de imprensa dos protagonistas da bola compõem bem esse sinal.

03/06/2016

Voz

Uma das coisas que faz um homem é ser, pelo menos uma vez, francamente aplaudido ao cantar.
Isto a propósito de uma Peugeot 504 que ainda aqui voltará.


imagem em http://autocognito.com/2012/1968-peugeot-504-estate/

29/05/2016

A Gorda de Baltimore

O facto de A Gorda de Baltimore não ser referida na net (até hoje) enquanto tal, mas apenas na adjectivação de uma tia e de uma adolescente, mostra que não existiu qualidade literária entre os utilizadores daquela expressão e que ela, só por si, não se equilibrou nas canetas da memória.
Honra ainda assim à saudosa Gorda de Baltimore!

26/05/2016

Repentes

Num repente, o cheiro da Esplanada de Sines.
Ele mesmo, inconfundível.
E aqui ao longe, no tempo.

24/05/2016

A cervejaria literária (IV)

A rapariguinha do shopping
Ombreava com um retrato barroco.
Frente ao meu bife.

20/05/2016

Inseguro era o Estádio Nacional

Um simples, ao que parece encartado e carimbado, clama na televisão que o Estádio Nacional está agora muito mais seguro.
Que raio de milagre aconteceu desde que o mesmo simples clamava o contrário?

19/05/2016

Mistérios com máquinas

Há coisas que só se explicam pela alteração de certos mecanismos cerebrais dos quais ainda estamos longe de ter um satisfatório conhecimento.
No domínio das máquinas, milhentas vezes procedamos de uma determinada forma e um dia, lá acontece, borramos a opa.
Em se tratando de máquinas fotográficas, tenho dois, apenas dois, episódios de filme mal colocado sem que de tal me tenha apercebido.
Tirei as fotos, fiz andar o carreto e nunca me dei conta da falta de resistência da alavanca.
Das duas vezes que tal sucedeu, desperdicei oportunidades únicas.
Uma, de registar os estragos de um fenómeno meteorológico raríssimo lá para as minhas bandas.
Outra, depois de ter andado a saltar muros lisboetas, de ter conseguido uma panorâmica geral de um terreno onde seria suposto desenvolver um projecto. Coisas de estudante.
Neste último, deparei-me com uma figura singular. Depois de transpôr o muro e de ter registado o maior número de enquadramentos possível, de forma a ter pontos de referência para comparar com o levantamento em planta, avistei o homem.
Estava na outra ponta do terreno, escondido pelo mato, sentado de encontro a uma parede, ao lado do que parecia ser uma abertura de acesso à estrutura em abóbada que transmite à estacaria os esforços das paredes pombalinas – não seria o caso da estacaria neste local, dado o terreno de fundação. Uma espécie de catacumbas, em todo o caso.
Estava em tronco nu e lia um jornal. Estava em casa com toda a certeza. Hesitei. Fotografo o homem ou não? Acabei por fazê-lo. Acho que ele nem se deu conta. Pareceu ignorar-me o tempo todo.
Esse rolo ficou virgem, claro está.
Dois ou três dias depois, voltei ao local. Um polícia de giro que não descolava de uma certa esquina não me permitiu o à-vontade suficiente para trepar o muro. Fiz umas fotos do lado de fora e depois apontei a máquina às cegas por cima do muro, com a devida preocupação de obter os enquadramentos mínimos requeridos.
Quando finalmente peguei nas fotos, devo ter escolhido de imediato as que me interessavam para tirar alinhamentos. As outras foram vistas em diagonal com toda a certeza.
É que agora, na fase em que estou de digitalizar memórias, apareceram-me as benditas fotos. Numa delas, o homem está sentado a ler o jornal. Encostado à parede.

15/05/2016

Rendimento

O rendimento do Sporting esta época ficou acima da média mas uns furos abaixo do melhor atingido.


comparação ponderada de rendimentos desde 1934-35
a vermelho os anos que foi campeão
(clicar para ampliar)



corrigido a 16 de Maio
E.N. 389, 2007

11/05/2016

A cervejaria literária (III)

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... uma estrela mochilã...
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06/05/2016

Boaty McBoatface

Ou como um fait-divers mostra à saciedade como, para os democratas, a dita democracia só é boa quando dá resultados dentro dos cânones.

05/05/2016

Razão

A cada dia que passa mais se percebe que a luta política deste século é entre a racionalidade e a irracionalidade.
E com irracionais não se discute.

27/04/2016

Politicamente correcta

Politicamente correcta e, por isso mesmo, desfasada da realidade dos factos é esta decisão de inculpar a polícia e os serviços de socorro pelo esmagamento dos adeptos do Liverpool em Sheffield a 15 de Abril de 1989.
A polícia de facto não deve ter actuado como deveria.
Deveria ter usado a força para impedir os adeptos de forçarem a entrada e assim se suicidarem ao mesmo tempo que esmagavam os que já estavam dentro.
O facto de o não ter feito quererá talvez dizer que encarou a mole como humana e não como um conjunto de animais irracionais.
Morreu gente sem culpa nenhuma, esmagada pela turba incendiada.
Morreu gente sem culpa nenhuma por nada ter na cabeça e por isso se comportar como um animal.
Assim é claro que a culpa foi da polícia.
Senhora do Almortão, 2013

23/04/2016

Overtech

E vá-se lá mexer no baú das memórias gravadas em zero e uns.
Salta de lá uma imensidão de coisas a que não sei já dar cor nem cheiro.

12/04/2016

Repito

Se o tempo já não é o que era e há muito que ouvimos tal ladaínha, quando é que o tempo era o que era?

11/04/2016

A cervejaria literária

A cervejaria figura nos mapas mentais da zona. É ponto de referência a indicar a quem navega de ouvido.
E, depois de mais de uma dúzia de anos a viver na zona e de já andar nas vizinhanças quando ela abriu as portas, descobri finalmente um potencial literário na cervejaria da esquina.
Venho de me (em)beber em fatos e gravatas de três em três meses, em dialectos incompreensíveis, em contas que não se acertam entre os comensais e o prestável empregado de camisa branca.
Dir-se-á que todas as cervejarias e congéneres têm qualidade literária. Discordo.
Ele há sítios que têm apenas qualidade pictórica, porque lá dentro nada se passa,
Lembro-me de um recinto assim no Estoril em que num vasto armazém presidido por um cornudo troféu taurino, apenas residiam duas mesas e respectivas oito cadeiras, enquanto enquadravam, atrás do balcão, a pouco pomposa estalajadeira, duas compridas e nuas prateleiras para consumo da casa, uma máquina de café, a citada cabeça de toiro e dois ou três pares de bandarilhas.

10/04/2016

08/04/2016

07/04/2016

Cangalhas

O Ti Manel desatava um arame que fechava uma grande armação de ferro e dizia para o outro:
- Estas cangalhas pesam parece-me que é dezoito quilos.
João haveria de se aperceber que ele iria dizer esta frase até ao fim da vida, sempre com o ar de quem não sabia muito bem qual era o peso.


SG, inéditos
Portugal, 1998