Há um conjunto de circunstâncias da vida que, no balanço, damos como fruto do acaso.
Como se aquilo a que chamamos acaso fosse definível.
E nem tudo o que é fruto do acaso é coisa em que nos detenhamos. Muita minudência o é e disso não levamos lembrança.
Isto tudo para falar de um livro.
Pouco dado nestes dias que vão correndo a escutar estações de rádio, faço-o quase exclusivamente no carro e às horas certas, para ouvir as notícias.
Lá para trás, não sei bem quando, fiquei por um acaso a ouvir uma recensão literária, creio que com a participação da escritora. Não me recordo do trajecto que fazia mas tenho sim uma lembrança de que era uma estrada agradável e que o livro que estava a ser contado no rádio foi um belíssimo complemento para a viagem.
Já foi com um certo esforço de memória, que a idade não perdoa, que mais tarde incluí o título na minha lista de compras, como se ainda tivesse espaço para livros e tempo para os ler.
Há uns meses, juntei-o à encomenda de um outro, há muito assinalado.
Quebrando um quase jejum de meses, li-o de um trago há alguns dias.
Cada página justificou o entusiasmo que tivera nessa estrada já algo longínqua.
