27/01/2024

Retiro espiritual

Que a um ateu chegue a hipótese de um retiro espiritual por via de algo tão material como um incêndio não é grande espanto.
Que a um ateu faça sentido essa ideia também não me parece extraordinário. Não é necessário ser crente, creio, para ter a necessidade de um certo afastamento das coisas seculares.
Pois hoje, por via de um alerta de incêndio apercebi-me da existência de mais um mosteiro em local ermo que admite visitantes que se proponham a um retiro.
Já fiz os meus retiros - o último no deserto de Almeria – mas nunca em ambiente monástico. Retiros pouco exigentes, com acesso intermitente a comunicações.
Não sei se ousarei transpor as portas de um mosteiro e ali permanecer por uns dias, sem orações.
Cruz Quebrada, 2007

26/01/2024

Lógica

A lógica presente na argumentação defensiva de Miguel Albuquerque é aproximada da dos maus atendedores de call center.

22/01/2024

Jornalismo

Queixam-se os jornalistas, no seu congresso, das condições de trabalho.
Para alem das condições contratuais, pelo menos a um ouvi referir a ausência de editores, revisores, que orientem e revejam o trabalho dos principiantes.
A ser verdade, é coisa que está bem patente na quantidade de dislates que se lêem e ouvem diariamente.
No velho sistema de mestre e aprendiz, que deveria servir de exemplo para todas ou quase todas as profissões, a ignorância das coisas e a ausência de memória dos mais novos são colmatadas pela voz do veterano, que ensina e encaminha.
Poder-se-á dizer que esse é o papel desempenhado hoje pelas instituições de ensino superior.
Creio, pelo panorama que aqui menciono amiúde, que é curto. É muito curto.

21/01/2024

Os discursos de Santana Lopes

Já há alguns anos que não ouvia um enfático discurso de Pedro Santana Lopes.

18/01/2024

Alienação



Uma das alterações mentais que reporto e que, subsumindo, julgo afectar uma certa franja dos habitantes da ecúmena é algo que se assemelha metaforicamente a uma projecção no pára-brisas.
Suponho que seja numa projecção tal que por vezes procuro os botões de fast rewind e de acesso ao Google.
Serviria o primeiro para recuar nas minhas memórias até um dado ponto ou mesmo para rever uma cena que tivesse acabado de me passar à frente dos olhos; o segundo para pesquisar nas mesmas memórias um dado acontecimento, um dado aroma, uma dada paisagem.
É este um dos efeitos que o uso continuado de máquinas electrónicas me foi causando. Calculo, como disse atrás, que se trate de uma epidemia.

15/01/2024

Cabeça de lista

Como andei com o cabeça de lista ao colo e não foi em sentido figurado, mas por ser rebento de velhos amigos, quase afilhado, é que vi logo que era disparate aquela data de nascimento na biografia.
Não se tratando daquelas senhoras que aldrabam na idade, vê-se logo que é mais uma do excelso jornalismo que temos.
Não hei-de eu estar velho.

14/01/2024

Chega

O Chega é um naipe de figuras de almanaque inenarráveis, capitaneadas por um tipo que se contradiz a cada passo, muito sobrevalorizado pela imprensa, ainda que esta o faça em sentido contrário.
Não se consegue melhor do que isto para combater o politicamente correcto.

12/01/2024

Pandemia

Onde se pode constatar que à excepção da época festiva 2020/2021, no primeiro ano da pandemia, todas as outras épocas de Natal e Ano Novo mais recentes tiveram um número de óbitos abaixo do actual.
Se as preocupações sanitárias eram tantas em 2021/2022, qual a razão para não haver sinal de preocupação nestas últimas semanas?
Mera incompetência? Receio da saturação dos simples?

10/01/2024

Ford da Azambuja

Esta luta dos trabalhadores do grupo Global Media parece uma cópia da dos trabalhadores da Ford na Azambuja.
Conhece-se o desfecho.

09/01/2024

A onda de Santo André

Uma das coisas que me deu que fazer em tempos foi datar uma história que ouvira contar em tenra idade: uma onda de grandes dimensões matara vários pescadores na praia da Lagoa de Santo André.
Já bem entrada a era do Google não havia na rede sinal de tal acontecimento. Dei disso notícia.
Era esse caso e o do desastre do Rápido do Algarve, que igualmente guardara de memórias pueris que mais curiosidade me suscitavam. Ambos estavam arredados da memória dos jornais, pois nunca surgiam nas listas de acidentes ocorridos, a propósito de casos semelhantes.
Um texto de Rogério Guinote Mota na revista O Foguete que entretanto encontrei por mero acaso, deu-me a informação que me faltava, completada depois com a leitura dos jornais da época.
Dei então o meu pequeno contributo para a inclusão deste acidente na memória ao trazê-lo para o blogue.
Já em relação à onda de Santo André, só um destes dias um sumário de uma reportagem num canal de televisão (SIC) me deu a pista que me faltava – a data em que ocorrera.
De volta ao Google, lá encontrei depois mais informação. Toda ela publicada muito depois da minha procura inicial. Faz hoje 61 anos que se deu tal tragédia.
Duas gavetas arrumadas na minha memória, uns bons sessenta anos depois.
Meio-bilhete

08/01/2024

Os simples na estrada

O simples que se preza cumpre alguns preceitos enquanto circula nas estradas:
Fá-lo sempre pela faixa do meio quando existem três faixas, estando ou não livre a faixa mais à direita.
Trava amiúde nesta faixa, independentemente de ter ou não obstáculos à sua frente.
Raramente usa o pisca-pisca.
E possui em carro antigo uma matrícula nova, sem tracinhos, onde letras e números se encavalitam ao meio.



Já lá vai o tempo do carpélio na chapeleira, do cãozinho de peluche a abanar a cabeça, do terço ou do galhardete pendurado no espelho retrovisor, das almofadas de crochet no banco de trás.

05/01/2024

Brilho metálico

Brilha-me na memória uma gravata que o meu Pai possuía.
Uma das que não herdei. Talvez queimada por algum cigarro.
Era de padrão metálico. Riscado sport metálico. Riscas oblíquas cinzentas mais e menos escuras, mais e menos estreitas que transformavam a gravata numa peça metálica pendente do pescoço.
Uma espécie de pêndulo enfeitiçante. Ficava especado a vê-la brilhar sobre o fundo inevitavelmente branco da camisa.

Há muito li algures que para um carril se manter com brilho necessita de ser cruzado no mínimo por um comboio por dia.
Ocorreu-me nessa altura que seria necessário criar uma escala de brilho metálico em função do número de comboios diários que passa num carril.
E aplicá-la às gravatas.

03/01/2024

Cansaço

Talvez tudo isto tenha a ver com a minha transumância a caminho do Restelo.
Talvez.
Não posso deixar de me inquietar com a licença que foi sendo paulatinamente concedida aos medíocres para se apoderarem do aparelho do Estado.
Licença concedida pelos capazes resignando por nojo.
Licença outorgada pelos simples, de cabecinha lavada a cada quatro ou menos anos.
Um cansaço de geronte.

02/01/2024

Sorte

Sorte. Sorte foi o que tiveram todos aqueles que se salvaram no acidente de aviação em Tóquio.
É claro que um aeroporto menos prevenido, uma tripulação menos treinada e uns passageiros menos disciplinados teriam decerto descambado numa contagem de mortos bem mais alta.
Mas a sorte não tocou a todos. Pelo menos cinco morreram de imediato.
As considerações enviesadas de comentadores televisivos de que não houve milagre, só existiu competência são o já esperado. Os bombeiros consideram que os bombeiros foram exemplares e o pessoal da aviação gaba a excelência da tripulação.
Já eu, que não acredito em milagres, acho que houve um milagre, sim. Que não se estendeu aos mortos e ao ferido.

30/12/2023

Amorim

Ou Amorim não percebe mesmo o que é um contrato ou há jogadores que assinam papéis que os tornam mercadoria, sem que possam exercer a sua vontade. É o que se depreende da afirmação: “O Viktor não tem quereres. O Viktor tem uma cláusula.

28/12/2023

A televisão, as urgências e os simples

Aparecem agora um sem número de simples, todos pimpões, rosadinhos e resolutos, a dar conta às câmaras de televisão de que não são atendidos nas urgências hospitalares.
Não é só na estrada que os simples são um perigo para a saúde alheia.

26/12/2023

Sismos sentidos

Este ano igualou-se o recorde de número de sismos sentidos no Continente e Madeira dos últimos 28 anos, estabelecido há cinco anos.

16/12/2023

Auto-retratos

O auto-retrato é uma das aquisições mais ou menos recentes dos simples.
Nasceu com a possibilidade de captar a própria imagem ao olhar para o telemóvel.
Antes disso não lhes ocorria tal coisa, verem-se assim ao espelho para a posteridade.
Tal sucesso foi entre os simples que a designação "selfie" se aplica já a qualquer fotografia tirada com um telefone.
É assim que a língua se vai transformando. Em tempos foi uma “kodak”.

15/12/2023

13/12/2023

A cultura barac bac bac

Dizia lá pelo final da década de 70 um velho amigo: "barac bac bac é a fala dos porcos".
Desde esse tempo que esta sentença é uma espécie de leitmotiv para mim. Uso-a amiúde e sem grande moderação a propósito de tudo e mais alguma coisa.
Vejo, ainda assim, que há uma certa razão em fazê-lo, já que da paisagem que me rodeia me chegam a todo o tempo grunhidos, guinchos e arrancos da nutrida vara que nos disputa o território.

12/12/2023

A gravata

Creio tê-lo ouvido a doutrinar um jovem licenciado: a minha gravata substitui o cérebro que me falta.
Como ele não pronunciou tais palavras mas foi isso que disse, deixo à consideração dos meus leitores o verdadeiro articulado. Que terá obrigatoriamente jargão de gestor carimbado.
Carvão e giz

08/12/2023

Logotipo da administração

A necessidade de mudar é um mistério. O desenho é primário. O arrazoado é primário, denotando o já habitual coitadinhismo que tem um medo medonho de trilhar bizarras susceptibilidades.



“A referência matricial da nova imagem do Governo da República Portuguesa é a bandeira nacional. Nas suas cores dominantes e na sua geometria elementar são encontrados os argumentos visuais identitários que se articulam agora de forma mais sintética, diferenciada e adaptável às condições da comunicação digital.”
“O que se propõe não constitui o redesenho da bandeira, instaurada pela Revolução de 5 de Outubro de 1910 e devidamente consagrada na Constituição da República Portuguesa como símbolo de soberania, independência, unidade e integridade. Não interfere, portanto, com o seu estatuto, dignidade ou representatividade.”
“O que se apresenta no contexto desta orientação estratégica é um símbolo novo e distinto, representativo do Governo da República Portuguesa, que responde de forma mais eficaz aos novos contextos, determinados pela sofisticação da comunicação digital e dinâmica e por uma consciência ecológica reforçada.”

” Através da síntese formal, a nova imagem afirma-se também inclusiva, plural e laica.”


(do “Manual de aplicação da identidade visual” do Governo)

Nota: o anterior também não era grande espingarda. Tendo a nação portuguesa uma imagem simbólica forte e consagrada como a que aqui se mostra, que necessidade há de invenções despropositadas?

06/12/2023

Arnaut

José Luís Arnaut é o típico argumentador que apresenta os próprios interesses como se fossem universais.
Puro ádipe ofídico.
Baliza a baliza

"Parece que andaram a jogar à bola e um deles foi eliminado." - aqui há um mês.
E o outro saiu lesionado. Vai terminar a época com limitações.

30/11/2023

Bérlim

Em outros tempos, a dificuldade de conciliar os topónimos consagrados na língua portuguesa com o adquirido no estrangeiro era uma particularidade dos desgraçados que haviam emigrado e que não tinham tido oportunidade de se instruir.
Hoje, temos os carimbados e certificados das escolas de jornalismo a pronunciar Bérlim.
Há tempo houve até um que disse na mesma frase que a ponte Eiffél em Viana do Castelo tinha sido projectada por Gustave Éiffel. É esta tropa fandanga que nos serve as notícias.

29/11/2023

Classe

A falta de classe foi notória no desempenho de alguma oposição ao PS no debate de hoje em que Costa encerrava a sua carreira de governante.
Portugal, 2020

26/11/2023

32 horas

Na TVI, um avião foi capaz de andar 32 horas a voar às voltas antes de aterrar na ilha Terceira.
Talvez se tratasse mesmo do famoso porta-aviões chinês.

23/11/2023

Falta de tarola*

As agremiações politicamente correctas vão sendo pouco a pouco apeadas do poder enquanto se dizem surpreendidas pelo avanço daquilo a que elas chamam extrema-direita (extrema-direita é o nome do tapete para debaixo do qual varrem tudo aquilo que se lhes opõe).
Não alcançam que o problema-mor que as destitui é a sua completa e contínua negação das evidências. E a promoção de aberrações.

* tarola - na minha avoenga noção é sinónimo de juízo, bom senso, razão, acerto.

22/11/2023

21/11/2023

Rol de mortos

A automatização da rede e o meu acordo tácito promovem as notificações depois de ter consultado o rol de mortos lá da vila.
Recebo avisos discretos, silenciosos. A forma como chegam, com a fotografia dos falecidos a emergir, conheci, não conheci, é no mínimo perturbadora.
Longe da vila, vi recentemente desvelar-se a imagem de um velho amigo.
Surpresas destas...

20/11/2023

Os simples

Os simples estiveram ontem na minha atenção: a boçalidade, a chico-esperteza e a emoção epidérmica mostraram-se em todo o seu esplendor em directos e em diferidos numa tragicomédia em canal de televisão popular.
Já no estúdio apareceram os mesmos simples, mas encartados e certificados, a tecer esdrúxulas considerações com o ar supostamente grave que lhes é característico.
Todo um espectáculo popularucho que também faz parte da aprendizagem diária.

19/11/2023

Dobragem


Já não é a primeira vez que voz e rosto femininos combinados numa dobragem me deixam encantado.
Esta senhora que julgo francesa a falar em português num anúncio da Citroën tem esse efeito.

12/11/2023

Ponte metálica da Régua

Aqui a ouvir uma reportagem sobre a E.N. 222 e logo me soou um disparate: que a ponte metálica da Régua fora inicialmente uma ponte ferroviária.
Dá este erro uma ideia do cuidado com que estas coisas são feitas e da credibilidade destes ditos jornalistas.
"Data Center" de Sines

Não há jornalista que se interrogue sobre a natureza, importância e utilidade futura deste dito magnífico investimento que anda nas bocas do mundo e que, a acreditarmos no que se diz, só encontrava obstáculos?
Quantos postos de trabalho directos? Que expectativa de serviços a prestar?

07/11/2023

“O estado a que isto chegou...” *

Parece que andaram a jogar à bola e um deles foi eliminado.

* terá dito Salgueiro Maia em Santarém.

06/11/2023

Marcelo e a turbamulta

Mais tarde ou mais cedo o feitiço virar-se-ia contra o feiticeiro.

05/11/2023

Sporting

"[...] Ou pagaram a minha cláusula [...]" - assim interpreta Ruben Amorim a sua rescisão de contrato com o Sporting de Braga.
Isto para afirmar que costuma cumprir os contratos até ao fim (excepto quando...).
Que os simples usem esta linguagem simplificada é natural.
Que o próprio não saiba ou finja não saber quem paga formalmente uma indemnização quando se rescinde um contrato já não é natural.
Custa-me ouvir estas coisas do treinador do meu Sporting. Esta desresponsabilização sugere ilações para o futuro.

03/11/2023

Feicebuquiano (ai eu)

Sonhos e talvez pesadelos
No mundo dos sonhos, pesadelos tenho poucos. Há, porém, algumas imagens que por lá surgem e me causam algum incómodo. Esse incómodo é transmissível a coisas tangíveis que me aparecem à frente, sem que encontre para tal uma justificação.
Por outro lado, transporto também dos sonhos um enlevo particular por certos elementos do mundo real, que me incitam a visitar locais, a possuir bens e a usufruir do que antevejo aqui e ali em imagens.
São disso exemplo as monumentais escadarias em túnel do Forte de Fenestrelle que pretendo percorrer no sentido descendente; o singelo Daihatsu Sirion amarelo de 1999 que cobiço aos seus donos (sei onde está um); as carruagens Schindler que a CP possui e nas quais nunca viajei e algumas outras maravilhas.
Voltando aos pesadelos, um destes dias ensaiei umas brincadeiras num site de geração de imagens a partir de uma breve descrição em texto e saíram-me estas duas abaixo, que de imediato me causaram um incómodo emético, advindo do mundo onírico.
Vá lá a gente perceber as mulheres, quero dizer os sonhos ou os pesadelos.



02/11/2023

Alvoredo



Quando não existiam anemómetros, uma das maneiras de se avaliar um vento excepcional era contar as árvores caídas.
Nesse tempo e no imediato, saber-se-ia pouco sobre a extensão territorial do fenómeno. Se era coisa só dali ou se tinha feito estragos lá longe.
Hoje, as árvores caídas um pouco por todo o lado são notícia. E a notícia espalhada engorda sempre os factos.
Seja como for, hoje caíram por esse país, mais pelo Centro e pelo Norte, umas boas dezenas de árvores, talvez mais de um cento*.
Deve querer dizer que fez vento forte.

* talvez mais de dois centos, actualizando as notícias.

31/10/2023

A última coca-cola do deserto

Uma figura, há dias na SIC Notícias, dava conta de que o Chat GPT não dava uma resposta satisfatória sobre (a origem, a razão, o fim? d)o conflito israelo-palestiniano.
Para esta figura, o Chat GPT é uma espécie de Oráculo de Delfos dos tempos correntes, ou mesmo a última coca-cola do deserto.
Se o chat GPT não sabe a resposta...

29/10/2023

Extinções



O SEF foi extinto porque ocorreu um episódio grave que levou à morte de um indivíduo nas suas instalações.
Exemplo de uma medida irracional, semelhante à que extinguiu a JAE, porque por lá se dizia que havia gente corrupta.
Ambas as medidas tomadas por governos do PS. Não deve ser coincidência.

Creio que a fiscalização das fronteiras deve ser efectuada por um organismo de polícia que não se confunda com serviços burocráticos que tratem da imigração. Assim, a mudança parece fazer algum sentido, retomando uma tradição exclusivamente policial no controlo fronteiriço.
Já a ânsia de tornar todas as designações politicamente correctas que destinou o nome de Agência Portuguesa para as Minorias, Migrações e Asilo (APMMA) para o organismo que tratará das referidas burocracias, fez um ligeiro recuo, percebeu que as minorias são uma coisa e os imigrantes são outra e tratou de dar-lhe novo nome: Agência de Integração, Migrações e Asilo (AIMA).
A dita alteração, feita meses depois do nome atribuído, mostra o amadorismo desta gente.

28/10/2023

Prateleira

Se a visão não me atraiçoou, a menina que viu um porta-aviões a voar sobre a Formosa foi retirada da prateleira e voltou a debitar notícias.
Como aqui disse já, se as asneiras grossas conduzissem inapelavelmente à prateleira, um destes dias não haveria criatura para dar a cara nos noticiários.

25/10/2023

Guterres

Desta vez estou com Guterres: o ataque de 7 de Outubro não se produziu no vácuo.
É mais um episódio numa guerra muito sangrenta que não começou ontem nem anteontem.
Que foi um massacre bárbaro não é preciso dizê-lo. Nas guerras há massacres bárbaros e esta não é excepção. Pensar que só uma das partes os comete é ingenuidade ou parcialidade.
Como já disse aqui, criança por criança, não vejo diferença entre a criança morta pelo míssil "inteligente" e a que morreu num autocarro por via de uns cartuchos de dinamite ou outro explosivo qualquer.
Há-de ter existido uma guerra na História que foi a menos cruel, a mais civilizada, a mais respeitadora; eu é que não consigo dizer qual foi. Alguém consegue?
Terá sido uma em que o ódio e a vingança estiveram de alguma forma ausentes?

22/10/2023

O barulho das luzes, by CMTV

[...] a luz das sirenes [...] – diz uma criatura que apresenta as notícias.
Nomenclaturas

Alguém explica a razão pela qual o nome das tempestades Agnes e Babet vieram de uma lista e os nomes Aline e Bernard vieram de outra, de origens burocráticas diversas?

21/10/2023

As bombas deles

As bombas deles são sempre muito piores do que as nossas, que até nem existem.

Que uma pessoa considere o seu lado, o defenda ferrenhamente contra os inimigos, não é nenhum sinal de sandice.
O que é sinal de sandice é anunciar a terceiros, ao mundo, os horrores alheios, quando a sua parte comete iguais atrocidades.
Maior sinal de sandice, de alienação, é ver os terceiros, que por isso não são parte, corroborarem a indignação pelo horror praticado por um só lado, não interessa qual.
Há guerras que motivam esta loucura quase colectiva.

20/10/2023

Costa

Costa, como fino político desta escola que nos rege, tem escassez de recursos racionais.
Atente-se à configuração do seu discurso, à falta de lógica da argumentação e às respostas ao lado, das quais faz uso frequente.
Como seria de esperar, tem boa imprensa.

18/10/2023

O gosto dos acasos

Há um conjunto de circunstâncias da vida que, no balanço, damos como fruto do acaso.
Como se aquilo a que chamamos acaso fosse definível.
E nem tudo o que é fruto do acaso é coisa em que nos detenhamos. Muita minudência o é e disso não levamos lembrança.
Isto tudo para falar de um livro.
Pouco dado nestes dias que vão correndo a escutar estações de rádio, faço-o quase exclusivamente no carro e às horas certas, para ouvir as notícias.
Lá para trás, não sei bem quando, fiquei por um acaso a ouvir uma recensão literária, creio que com a participação da escritora. Não me recordo do trajecto que fazia mas tenho sim uma lembrança de que era uma estrada agradável e que o livro que estava a ser contado no rádio foi um belíssimo complemento para a viagem.
Já foi com um certo esforço de memória, que a idade não perdoa, que mais tarde incluí o título na minha lista de compras, como se ainda tivesse espaço para livros e tempo para os ler.
Há uns meses, juntei-o à encomenda de um outro, há muito assinalado.
Quebrando um quase jejum de meses, li-o de um trago há alguns dias.
Cada página justificou o entusiasmo que tivera nessa estrada já algo longínqua.

17/10/2023

Rol de mortos

Ninguém me mandou espiolhar os registos online da funerária lá da Vila.
O rol de mortos aumentou consideravelmente depois de tal empresa.
Gente que eu cria viva e que afinal já está no lugar onde, por lá, mais amigos tenho.

16/10/2023

12/10/2023

Primarismo e (a minha) insensibilidade

Neste secular confronto entre árabes e judeus, há cada vez mais um desfasamento temporal entre as partes. Observam-se comportamentos medievais na parte palestina, como o da saudação ostensiva e destemperada da ofensiva de sábado passado, na ignorância da terrível espada que lhes impende sobre a cabeça.
Muitos dos que saltavam e disparavam para o ar, no tradicional e primitivo desperdício de munições, estarão hoje já mortos.

Pertenço ao grupo dos que são insensíveis aos relatos emocionais e necessariamente parciais de barbárie num conflito armado e generalizado num dado território.
Não há partes inocentes numa guerra, não há guerra sem violência e a violência atinge sempre os que se podem dizer ainda assim inocentes.

10/10/2023

Criançada

A criançada que tomou conta do aparelho de Estado nem uma folha de cálculo sabe usar.
À boa maneira da ASAE de outros tempos que até publicitava com aparato a total incapacidade dos seus quadros de lidarem com a dita cuja folha de cálculo.
Na proposta de Orçamento deram mais esta amostra de incompetência informática, a pág. 149:

09/10/2023

Cuidado com a EDP (parte 3)

A comunicação com a EDP ainda me deixa dúvidas: quem me responde é um algoritmo mal programado ou um humano com raciocínio impróprio para a entrada no ensino básico?
Uma mistura das duas hipóteses? Uma tentativa de escorraçar os clientes reclamantes com irracionalidades e despautérios?

07/10/2023

Barro

No barro se desfaz o homem

Nem sequer as conversas que tivemos amiúde sobre a terra, aquela terra, me vieram no momento à lembrança.
Bastou um gesto de criança muito novinha, revolvendo com as mãos a terra que saíra da cova aberta e dizendo “esta terra é boa para fazer barro”.
O engenheiro agrónomo chegava à sua última morada.

03/10/2023

Cuidado com a EDP (parte 2)

A irracionalidade aldrabona, ao nível do chico-esperto vendedor de banha da cobra, está bem patente na resposta que recebi do algoritmo ou do irracional a soldo da EDP. Sim, vem assinada.
Diz pois a mensagem que, analisada a situação, anularam a factura x1 e emitiram a factura x2.
Como se as duas não tivessem sido emitidas uma a seguir à outra sem qualquer anulação e ambas a pagamento.
Acrescenta ainda que a emissão das facturas foi assim correcta(!!!).
E ainda sugere o débito directo como forma cómoda de pagamento de facturas (e de ser espoliado, acrescento eu).
Em suma, um somatório de inanidades que insultam apenas a inteligência de quem as emana.
É isto a EDP.

02/10/2023

Portugal, s.d.

Cuidado com a EDP

Há dois anos e tal recebi uma SMS aparentemente da EDP, pois continha dados correctos sobre um pagamento a fazer, valor da factura, entidade e referência multibanco.
Nada de estranho na altura, para além de nunca ter recebido tal coisa anteriormente.
Do mesmo remetente, recebi há cerca de um ano nova SMS desta vez fazendo apelo a uma quantia não devida, com uma entidade aparentemente já bem conhecida - 21800 – que pelos vistos serve de suporte a burlões.
Não tendo naturalmente caído no engodo alertei a EDP, através dos labrirínticos canais de contacto, para o facto de os dois acontecimentos em conjunto significarem uma brecha na segurança na relação entre aquela empresa e os clientes.
Fiz várias tentativas nesse sentido, tendo as respostas sido de uma infantilidade confrangedora, própria de um sistema automático mal programado, de uma mente singular ou de um dispositivo de rechaçar clientes, sem qualquer consideração pelos mesmos.
A fim, lá veio uma resposta mais de acordo com o por mim exposto, mas ignorando completamente o facto de alguém com fins fraudulentos ter tido acesso ou aos meios de comunicação da EDP ou à sua base de dados.
Tudo de uma infantilidade confrangedora, como já disse acima.
Um ano volvido, verifico que duplicaram a minha factura de Agosto. Tenho assim duas facturas para pagar, referentes a Agosto, mas com data de emissão e prazo de pagamento diferentes.
Já usei o canal labiríntico na certa esperando ter mais uma resposta imbecil.
Em função do que vier, farei ou não uma competente reclamação no local adequado.

30/09/2023

28/09/2023

Alienar

Há cópia de ingénuos ou de farsantes entre os que nos governam.
É sempre aquela questão de querer controlar o que já não nos pertence.

27/09/2023

O bom e o mau

Claro que é uma questão de gosto.
Impregnada ainda assim pela racionalidade ou ausência dela.
Dois exemplos do que eu acho bom (Nos) e mau (Cetelem) na gama de anúncios que tenho (tive) de enfrentar quando vejo televisão.