O arremedo de justiça
Tenho uma péssima ideia do nosso sistema judicial. Do legislador ao sancionador, só vejo figuras de almanaque. Pode ser que seja erro de paralaxe mas é assim.
Há alguns exemplos que, colhidos de acordo com os assuntos a que dou atenção, dão uma ideia de desproporção que abala, creio, a confiança na dita justiça.
Se não, vejamos:
Em primeira instância, sete anos e nove meses de prisão efectiva por assédio virtual.
Em primeira instância, absolvição por comportamento negligente(?) do qual resultaram duas mortes na sequência de uma aterragem de emergência numa praia pejada de gente.
Posterior correcção na Relação com pena suspensa de quatro anos de prisão.
Em primeira instância, quatro anos e meio de pena suspensa por concorrência em acidente do qual resultaram 17 mortos.
Em segunda instância, três anos de pena suspensa por atropelamento e morte de duas pessoas, que na primeira instância havia sido condenada em pena efectiva.
Conclusão: mais vale matar alguém e conseguir que uma diligência seja considerada negligência, do que andar na internet a molestar quem quer que seja.
Também ajuda, pelos vistos, ter bom ambiente familiar...
Há anos havia uma sala de tribunal que se dava ao respeito tendo numa parede pendurada uma pintura de uma balança meio de pantanas. A ninguém ocorreu o ridículo da coisa.
Fotograma da RTP, links respectivos nos recortes de imprensa.